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quarta-feira, 1 de março de 2017

Edificio Santa Cruz, Porto Alegre

Edifício Santa Cruz

Introdução

O Edifício Santa Cruz é o edifício mais alto da cidade de Porto Alegre, com 34 pavimentos, sendo salas comerciais até o 24º andar e apartamentos do 25º ao 31º andar. Possui também mais 2 níveis de subsolo com 14 metros de profundidade.

A obra foi construída entre as décadas de 1950 e 60 e está localizada no Centro da cidade, à Rua dos Andradas nº 1234, próximo à Praça da Alfândega e à Rua General Câmara.

Possui 107 metros de altura e 50 mil m² de área construída. Está assentado sobre 120 pilares de 0,8m x 0,8m, fincados 14 metros abaixo do solo; o subsolo possui dois pisos (de geradores de energia e bombas de água), e as estacas entram mais 4 metros para dentro do solo.

O projeto final é do Arquiteto e Urbanista Jayme Luna dos Santos. Foi o primeiro edifício com estrutura metálica construído no Rio Grande do Sul.

O Edifício Santa Cruz foi construído pela Construtora Ernesto Woebcke, para ser a sede administrativa e agência matriz do Banco Agrícola Mercantil também conhecido Agrimer, que depois fundiu-se com o Unibanco que depois virou Itaú.



A Cidade

A verticalização foi um processo iniciado em diversas cidades latino-americanas na primeira metade do século XX. Na origem do processo de verticalização se verifica a gradativa estrutura urbana.
 No caso de Porto Alegre, um dos primeiros investimentos públicos na estrutura urbana foi o “Plano Geral de Melhoramentos” feito pelo engenheiro João Moreira Maciel em 1914, para a área central da cidade. Esse plano propôs grandes intervenções em um centro consolidado na cidade.

As influências do Plano de Paris de Haussmann estão refletidas no Plano de Maciel, segundo Célia Ferraz de Souza:
- O Plano Geral de Melhoramentos está muito próximo do tripé do urbanismo Haussmaniano: - transportar, sanear e equipar, se ocupa fundamentalmente dos dois primeiros itens, aliados da questão da estética da composição.

O processo de verticalização em Porto Alegre se iniciou no centro da cidade, e gradativamente foi se expandindo aos bairros. Esse processo pode ser dividido em fases, de acordo com o tipo de verticalização de cada época.
A primeira fase da verticalização se inicia em 1910, apresentando edifícios de um, dois e três pavimentos.
A segunda fase corresponde o período entre as décadas de 1920 e 1930, e relaciona-se com a abertura das primeiras avenidas e com a construção de edifícios de cinco e seis pavimentos.
A terceira fase é na década de 1940. Esse período foi marcado pelo surgimento de edifícios com 12, 15 e 17 pavimentos. Nesse período predominava o capital financeiro e imobiliário, promovendo com isso a produção da habitação vertical na cidade.
A área central era o espaço preferido para este tipo de empreendimento. Nessa época a habitação vertical se consolidou e iniciou-se a substituição dos sobrados por apartamentos.
A quarta fase corresponde à década de 1950. Foi quando Porto Alegre se consolidou como cidade verticalizada e viu serem construídos seus maiores arranha-céus. Esses edifícios marcaram a renovação e modernização do centro, consolidando ainda mais esse tipo de edificação e destacando os edifícios comerciais e de escritórios.
A quinta fase, após 1960 marca a desverticalização da cidade. Adotou-se mecanismos de controle de altura e índices de solo, de modo que os limites de altura fossem relacionados com o atendimento aos índices de aproveitamento, taxas de ocupação e recuos obrigatórios.

Na década de 1950, houve um decréscimo da verticalização em relação à década anterior, já que desvantagens que a excessiva massificação do centro da cidade já estava evidente. Isso encaminhou para a criação de uma nova Lei Municipal, nº 986, de 1952, que era anunciada como um instrumento de regulamentação da verticalização, e passou a permitir que as alturas máximas, que eram duas vezes a largura das vias, fossem ultrapassadas por recuos progressivos, no centro, após atingirem altura correspondente ao limite.


Foi na década de 1950, que foram construídos os maiores arranha-céus da cidade, e entre eles destaca-se Edifício Santa Cruz, e, a partir disso definiu-se o objeto de estudo para o presente artigo.

Histórico

Em 1955, a partir de iniciativa do Banco Agrícola Mercantil, foi realizado um concurso fechado de anteprojetos para escolha do projeto a ser executado para sede do banco. Três escritórios de arquitetura foram convidados a participar, sendo eles:

Um projeto do Uruguay, do arquiteto Vicente Marsiglia Filho,

E o projeto vencedor do arquiteto Carlos Alberto de Holanda Mendonça.

Em junho de 1956, o projeto teve a primeira aprovação pela Prefeitura de Porto Alegre, e após um mês o arquiteto Carlos Alberto de Holanda Mendonça veio a falecer. O arquiteto Jayme Luna dos Santos assume o andamento do projeto.

Luna foi responsável por diversas mudanças no projeto, que constam em plantas datadas de 1961 e algumas alterações datadas de 1965, data do final da construção.

Grande parte do material do projeto acabou se perdendo. Nas plantas de 1961 consta uma observação que especifica que o projeto é uma substituição a um processo de 1959, mas referente a esse nada foi encontrado.

Localização

O Edifício Santa Cruz está localizado no centro histórico da cidade de Porto Alegre, em lote privilegiado com área aproximada de 2.300 m² localizado entre as Ruas dos Andradas (Rua da Praia) e a Rua 7 de Setembro.


Estrutura

O Edifício Santa Cruz é composto de dois blocos unificados. Ele está estruturado com aço desde as fundações, com placas de base e grelhas de apoio assentadas sobre sapatas de concreto armado, nas quais foram fixados os pilares de aço.


Na sua maioria, as vigas são constituídas por perfis “I” laminados, variando de 6” a
18”. Na montagem de campo, as vigas foram unidas por processo de rebites aos pilares de seção “H”, formados pela composição de chapas e perfis.

Foram empregadas ainda, porém em menor quantidade, vigas de alma cheia e vigas caixão, também compostas de chapas e perfis “L” e “U”, nos vigamentos do segundo, vigésimo quarto e trigésimo primeiro pavimentos.

As lajes misuladas foram moldadas “in loco”, e a estabilidade vertical do edifício em ambos os sentidos foi alcançada através de contraventamentos. Todos os elementos da estrutura em aço estão protegidos contra incêndio por um sistema de recobrimento do tipo caixa.
“Os pilares e vigas receberam contorno por estribos de diâmetro 3/16”, que foram colocados antes da concretagem das lajes para receber o pano de aniagem utilizado para evitar desperdício da argamassa.

Após essa etapa, foi colocado sobre os pilares e vigas tela tipo “deployer” para otimizar a fixação à argamassa de cimento, cal e vermiculita aplicada a seguir.

A montagem da estrutura foi executada em duas etapas: a primeira foi iniciada em 4 de abril de 1960, e terminou em 20 de agosto de 1961, e a segunda, foi iniciada em 25 de fevereiro de 1962 e finalizada em 8 de março de 1963.





Projeto

O Edifício Santa Cruz possui 34 pavimentos, sendo dois pavimentos de subsolo, e apresenta 107 metros de altura.


Esse edifício compõe um conjunto de prédios construídos em aço no Brasil na década de 1950, foi produzido e montado pela Cia. Siderúrgica Nacional.

No primeiro subsolo localizam-se a tesouraria e o caixa-forte de um dos bancos, sanitários, transformador e os serviços gerais, no segundo subsolo estão os reservatórios d’água e de óleo, as centrais calorígera e frigorífera, os geradores e compressores do ar condicionado.

O pavimento térreo do edifício apresenta área aproximada de 2.287,65 m², tendo 24,15 m de fachada voltada para a Rua das Andradas e 27,85 m para a Rua Sete de Setembro.
Nesse pavimento encontra-se a área destinada ao uso do Banco Agrícola Mercantil, com acesso pela Rua das Andradas, e a área destinada ao expediente do Banco de Crédito Real, com acesso pela Rua Sete de Setembro.
Apresenta ainda sete lojas com mezanino com pé direito total de 6,00 m voltadas para a Rua das Andradas e para o interior do edifício, área destinada a serviço, e acesso ao subsolo pela Rua 7 de Setembro.
Apresenta um elevador destinado a uso exclusivo do Banco Mercantil, um elevador de serviço e um de carga, e dezesseis elevadores sociais.

O segundo pavimento apresenta área aproximada de 2.012,90 m², tendo a mesma dimensão de fachadas. Nesse pavimento encontram-se nove salas comerciais, e o restante da área é destinado ao Banco Agrícola Mercantil e ao Banco de Crédito Real. Apresenta o mesmo número de elevadores do pavimento térreo.

O terceiro ao sétimo pavimento apresenta a mesma área do segundo pavimento e conta com dezenove salas comerciais e o restante da área é destinado ao uso do Banco de Crédito Real. Apresenta ainda o mesmo número de elevadores do pavimento térreo.

O oitavo pavimento apresenta dezenove salas comerciais, restaurante e área destinada ao madeiramento para estrutura do auditório. Esse pavimento apresenta um elevador social a menos em relação aos demais pavimentos.

O nono pavimento apresente dezesseis salas comerciais, e é o primeiro pavimento que apresenta recuo do alinhamento do terreno na face voltada para a Rua das Andradas, criando um terraço sobre este espaço, área destinada a Associação dos Funcionários da Agrimer, auditório, e quatorze elevadores sociais, um de carga e um de serviço.

O décimo pavimento apresenta dezessete salas comerciais, bar, restaurante, recuo do alinhamento da fachada, com terraço na face para a Rua 7 de Setembro, setor de apoio ao restaurante, rouparia central, maquinário de elevadores, possui doze elevadores sociais, um de carga e um de serviço.

O décimo primeiro ao décimo sétimo pavimento apresenta dezessete salas comerciais, quinze dormitórios destinados ao hotel, possui mesmo número de elevadores do pavimento anterior.

O décimo oitavo ao vigésimo terceiro pavimento possui dezoito salas comerciais, apresenta novo recuo nos alinhamentos das fachadas, com terraço na face para a Rua dos Andradas, quinze dormitórios destinados ao hotel, possuem nove elevadores sociais, um de carga e um de serviço.

O vigésimo quarto e vigésimo quinto pavimento possui dezoito salas comerciais, área destinada a transformadores e quadro de distribuição, casa de máquinas, tv e rádio, estar de funcionários, lavanderia, tipografia, marcenaria, e demais ambientes destinados a uso de serviços e apoio, possui nove elevadores sociais, um de carga e um de serviço.

O vigésimo sexto ao trigésimo primeiro pavimento possui quatro apartamentos amplos por andar, sendo dois deles voltados para a Rua das Andradas e os outros dois para a Rua 7 de Setembro. Os apartamentos apresentam áreas amplas, sendo que três deles possuem três dormitórios, sala e cozinha ampla, banheiro, vestíbulo, dependência de empregada e área de serviço. O apartamento menor possui dois dormitórios, sala ampla, cozinha, vestíbulo e área de serviço.

No vigésimo sexto pavimento encontra-se um amplo espaço destinado à casa de máquinas dos elevadores, apresenta novo recuo em relação as fachadas, e possui dois elevadores sociais e uma escada de acesso vertical.
O trigésimo segundo pavimento possui um amplo terraço voltado para a Rua dos Andradas, espaço para casa de máquinas, bombas d’água e torres de resfriamento, apartamento do zelador, e um terraço panorâmico voltado para a Rua 7 de Setembro, conta com dois elevadores sociais e uma escada.

O edifício apresenta fachadas escalonadas, devido à imposição da legislação na época da sua construção.

Os acessos dão-se pelas duas ruas, onde se têm um recuo que forma uma marquise nas duas faces, sendo que na face voltada para a Rua dos Andradas apresenta pilares circulares em uma espécie de varanda, e na face voltada para a Rua 7 de Setembro apresenta marquise em balanço.

As fachadas apresentam grandes planos envidraçados compostos por caixilhos de alumínio, cristais importados “Saint Gobain” fumê, peitoris com chapas esmaltadas na cor turquesa, e em certo trecho da fachada leste, na cor vermelha.

A parede externa do auditório se projeta em balanço sobre a Rua 7 de Setembro e é revestida com mármore branco. Os demais elementos das fachadas receberam tratamento com pastilhas brancas.

Nas fachadas observam-se os três recuos criados, que apresentam terraços que são cobertos com marquises e pérgolas. A cobertura possui o mesmo tratamento, porém apresenta um pé-direito elevado em relação aos outros três terraços.

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Considerações

A partir da descrição do projeto do Edifício Santa Cruz, nota-se a complexidade do projeto, o Edifício Santa Cruz é até os dias de hoje o edifício mais alto da cidade de Porto Alegre. Ele é um marco no processo de verticalização da cidade, além de ser um exemplar do uso de novas tecnologias.


Sendo assim, ele é exceção na realidade da cidade, tendo sua estrutura em aço rebitado. A sua forma do edifício que é escalonada foi dada a partir de legislações vigentes na época, o que destaca sua imponência.

O hotel projetado a partir do décimo primeiro ao vigésimo terceiro pavimento foi extinto e ocupado por salas comerciais.

A obra construída deste importante edifício verticalizado para a cidade de Porto Alegre é um documento vivo e merece ser documentado para ser preservado. Neste edifício visualizamos uma época, onde é refletida a sua materialidade e legislação vigente.

O presente artigo descreve aqui os usos para o qual o edifício foi projetado na época, sem levar em consideração o uso atual e as possíveis mudanças que foram realizadas ao longo do tempo.


Café Rian O mais popular de Porto Alegre

Inaugurado em setembro de 1964, na loja térrea do Edificio Santa Cruz, na Rua dos Andradas (Atual Banco Itau), em seu interior reunia-se muitos jornalistas, imprensa esportiva principalmente, vereadores, deputados, jogadores de futebol, corretores faziam do famoso Café sua tribuna. Sem internet, as notícias on-line somente por lá.

Amigos que se encontravam para conversar e tomar um cafezinho, no coração da Rua dos Andradas em Porto Alegre.




Inovador foi o primeiro em somar lanchonete, bombonière e restaurante. Servia 8000 cafezinhos diário no inverno, a marca nunca baixou dos 5000, mesmo no verão.

Em suas mesas, sempre lotadas, reinava a democracia e igualdade, gente comum ou famosa o café era sempre igual para todos, a tradicional torrada americana com suco de laranja eram demais.

Em dia 15 de fevereiro de 1976, um sábado, o ponto do cafezinho na Rua Praia o Rian abriu suas portas pela última vez, para a tristeza de muitos porto-alegrenses.

O seu fechamento causou tanta tristeza em seus frequentadores que muitos prometeram jamais entrar na agência bancária que tomara o lugar do Café Rian. Porto Alegre, praticamente não tinha os famosos “cafés” que hoje, felizmente se espalham pela cidade.


Referências

BUENO, Marcos Flávio Teitelroit. Edifício Santa Cruz: Retrato de uma mudança. In:
SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 9º, Brasília, junho de 2011.
DIAS, Luís Andrade de Mattos. Edificações de aço no Brasil. 3ª Edição. São Paulo:
Zigurate Editora, abril 2002. 200 páginas.
HERWING, Camella. Porto Alegre: Aspectos regionais. Porto Alegre.
LUCCAS, Luis Henrique Haas. Arquitetura moderna brasileira em Porto Alegre: sob o mito do “gênio artístico nacional”. Tese de doutorado, UFRGS. Porto Alegre, 2004.
ROVATTI, João F. Estudos urbanos: Porto Alegre e seu planejamento. 1ª Edição. Porto
Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1993. 373 páginas.
SOUZA, Célia Ferraz de. Morfologia e tipologias urbanas. In: PESAVENTO, Sandra Jatahy
(org). O espetáculo da rua: Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, p. 11-42, 1992.
VIANNA, Patricia Pinto. O processo de verticalização em Porto Alegre: e a contribuição da construtora Azevedo Moura & Gertum. Dissertação de mestrado, UFRGS. Porto Alegre, 2004.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


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