Bem Vindo

- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida da Cidade de Porto Alegre inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

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- Em História, não podemos gerar Dogmas que gerem Heresias e Blasfêmias e nos façam Intransigentes.

- Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações de Porto Alegre.

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena. - Bom Passeio.

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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Arroio Dilúvio, o Único Rio de Porto Alegre e suas Pontes - Montagem


- Rio Jacarey,
- Riacho,
- Riachinho,
- Arroio Sabão,
- Arroio Dilúvio...

...que desce das alturas vizinhas, na direção de E., vem desembocar na lagoa (Guaíba), ao pé do montículo ocupado pela cidade.”
Dreys

- O Rio Jacareí (Arroio Dilúvio) é o principal curso de água da cidade de Porto Alegre.

- As pessoas não se dão conta que este rio Jacareí (arroio Dilúvio), divide a cidade de Porto Alegre em duas em toda a sua extensão, Zona Norte e Zona Sul.

Bucólicos moradores das margens do Riacho

O Rio e suas Pontes
O nosso rio Sena...

Este rio o único de Porto Alegre, divide a cidade ao meio, Norte e Sul.

- O rio Jacareí (rio dos jacarés), considerado um arroio, nasce no município de Viamão, na Lomba do Pinheiro, Zona Leste da Cidade, na Represa da Lomba do Sabão.


- Distribuídas pelos 18 quilômetros e mais de mil hectares de mata nativa no Parque Saint Hilaire, no limite entre Viamão e Porto Alegre, estão algumas das principais nascentes do arroio. São pelo menos 50 pontos de água vertentes do solo. Para encontrá-los, é preciso percorrer trilhas no mato fechado.

 - O rio Jacareí recebe vários afluentes como os arroios dos Marianos, Moinho, São Vicente e Cascatinha e deságua no limite entre os parques Marinha do Brasil e Maurício Sirotsky Sobrinho (Harmonia), é o único rio de Porto Alegre, depois de percorrer perto de 20 quilômetros, dividindo a cidade de Porto Alegre em duas, deságua no Lago Guaíba. 


Nascente do Rio Jacarey

- Antigamente na altura da Avenida João Pessoa, o Rio Jacarey (Arroio Dilúvio) desviava-se para direita e fazia uma ferradura junto a atual Praça Garibaldi ( formando a Ilhota).

Ilhota, ponte ao fundo de acesso entre o Menino Deus

- Voltava a seu leito e desviava-se a direita novamente depois da Avenida Getúlio Vargas e percorria um trajeto de 2.900 metros, correndo junto a Rua João Alfredo.

Cidade Baixa

- Passando por trás do prédio do Pão dos Pobres.

Pão dos Pobres

- Depois corria à esquerda sobre o leito da 1ª Perimetral por baixo da Ponte de Pedra, que existe ainda hoje, seguia a Rua Pantaleão (Rua Washington Luis). 

Ponte de Pedra


Ponte de Pedra, ontem e hoje

Testemunha

- Acompanhando acanhadamente o desenvolvimento da região, o Riacho testemunhou fatos históricos da cidade, como a chegada dos açorianos, que ali se estabeleceram, devido à guerra jesuítica que os impedia de seguirem até às Missões para onde estavam sendo enviados.

- O Riacho também presenciou a chegada dos alemães e italianos, e até mesmo a primeira batalha da Revolução Farroupilha, travada na ponte da Azenha.



Dia a Dia


- É impossível não pensar na característica relação de amor e ódio dos moradores das áreas ribeirinhas com o Rio Jacarey (Arroio Dilúvio).

- Para toda mulher que permanece em casa, há no estilo de vida muito mais do elemento da intimidade com o local: as conversas com os vizinhos, o observar dos transeuntes, a percepção com riqueza de detalhes de tudo que faz o lugar ao longo do tempo que passa.

- O antigo Riachinho, que mudou de nome e também de traçado, devia também estar muito presente no dia a dia de seus moradores:


“Muito próxima estava a família do arroio. O arroio onde se lavava roupa, onde se pescava, onde se coletava água potável para abastecer a casa, era também o mesmo arroio que inviabilizava a locomoção urbana usual, o mesmo arroio que empapuçava as ruas de chão batido, e que por vezes devia também alagar ligeiramente a casa.”

Dividida em Duas

- Porto Alegre foi crescendo como as cidades tradicionais brasileiras em sua fase colonial, a cidade acrópole. A Rua Duque de Caxias era o divisor de território desta cidade, ponto mais alto da península que avançava sobre o Guaíba.

- O lado sul, que abrigava o Riacho, região com uma densidade de ocupação muito baixa, acolhia uma população de excluídos da sociedade, devido ao afastamento da mesma por causa da exposição do local ao forte vento minuano.

- O desenvolvimento do comércio, do porto e da indústria exigia a ampliação da margem norte da cidade, onde havia as melhores condições de navegabilidade, tanto quanto à proteção dos ventos quanto à profundidade.

Rio Jacarey
Nomes

- O Rio Jacarey, atual Arroio Dilúvio assim era chamado desde a sua nascente na zona leste de Porto Alegre, a represa da Lomba do Sabão, também conhecido como Arroio do Sabão, até onde corria na mesma direção à Av. Bento Gonçalves, antiga estrada do Mato Grosso.

- Então, seguia chamando-se de Arroio da Azenha até a confluência com o Arroio Cascata, lugar conhecido como Ilhota.

- A partir deste ponto, recebia o nome de Riacho, ou Riachinho

- Caracterizado por um traçado de curvas muito fechadas, percorria cerca de 4 quilômetros em seu trajeto pela cidade.

Sesmarias iam até as margens do Guaíba

Em 1732, antes de ser povoada, a área onde Porto Alegre viria a surgir foi dividida em três grandes fazendas, ou “sesmarias”, terras concedidas pela Coroa Portuguesa para produção agropecuária.

- No mesmo ano do início da concessão de sesmarias no Rio Grande do Sul, em Tramandaí- os primeiros europeus e descendentes se estabeleceram na área do atual município de Porto Alegre. ‘

- Eram eles Jerônimo de Ornellas, Sebastião Francisco Chaves e Dionísio Rodrigues Mendes.

- Nascido na Ilha da Madeira, em Portugal, Jerônimo de Ornellas se estabeleceu na região depois de viver em Guaratinguetá, no interior da Província de São Paulo.

- O núcleo inicial do povoado viria a se instalar, duas décadas depois, na península, limite oeste da propriedade de Jerônimo de Ornellas.



- As terras de Ornellas faziam divisa ao norte com a fazenda do tenente Francisco Pinto Bandeira, tendo o Rio Gravataí como divisa; ao sul com as terras de Sebastião Francisco Chaves, o limite era o Rio Jacareí (Arroio Dilúvio), e, a leste, com as terra de Francisco Xavier Azambuja.

- A sesmaria de Ornellas englobava os atuais bairros: - Centro, Bom Fim, Independência, Moinhos de Ventos, Petrópolis, Floresta, Santana, Rio Branco, Passo da Areia, Cristo Redentor, São João e Navegantes.

Em 1733, Chaves se estabeleceu ao sul do Rio Jacareí (Arroio Dilúvio). A sede de sua estância ficava nas imediações do atual bairro Glória (Gruta da Glória).

- As terras abrangiam os atuais bairros: Praia de Belas, Menino Deus, Azenha, parte de Santana, Partenon, Stº Antônio, Medianeira, Glória, Teresópolis, Nonoai, Stª Teresa e Cristal.

- Dionísio Rodrigues Mendes estabeleceu a sede da sesmaria no local onde se formaria mais tarde o bairro Belém Velho.

Por volta do ano de 1740, quando ainda cercado por farta vegetação, e de águas límpidas, desenvolveu-se em sua foz um pequeno povoado de índios e pescadores.

Em 1752, chegaram à localidade cerca de 60 famílias portuguesas provenientes do Arquipélago dos Açores que ganharam autorização de Ornelas para plantar nas terras próximas ao rio Jacareí e a Lagoa de Viamão (Lago Guaíba).

Em 1785, possuía 300 cabeças de gado, 12 cavalos e 25 potros. Morava com os filhos e alguns genros, todos vivendo da lavoura e da criação.

- Suas terras incluíam os atuais bairros: Vila assunção, Vila Conceição, Pedra Redonda, Cavalhada, Tristeza, parte de Ipanema, Vila Nova e Belém Velho.

- Um pequeno promontório do Guaíba é chamado até hoje Ponta do Dionísio. Ali ficava o porto de sua estância.


Riacho - 1896



Calado


- O Rio Jacarey (Arroio Dilúvio) tinha bom calado a partir da foz junto a Ponta da Cadeia e os barcos menores atracavam ali, perto da ponte. Por este motivo ela ficou sendo chamada de Ponte dos Açorianos.

A Ilhota

No final de 1904 ao início de 1905, a Ilhota surgiu após obra da Intendência Municipal de Porto Alegre.

- O objetivo do intendente José Montaury (1858-1939) era de dar maior vazão a dois arroios que estavam atingindo ruas da região, como a Rua Arlindo (região do Colégio Protásio Alves à Praça Garibaldi).

- Em seu lugar havia o Riacho, apelidado Riachinho, que era o mesmo Arroio Jacareí do século XIX, cujas curvas acentuadas delimitavam uma zona que se alagava muito quando chovia.


- A memória popular optou por chamar esses arroios de Dilúvio e Cascatinha, porém eles tiveram outros nomes:

Dilúvio: - Arroio Jacareí, Arroio do Sabão, Arroio da Azenha, Arroio Dilúvio, Riacho e Riachinho foram as alcunhas do primeiro.
Cascatinha: - Arroio das Águas Mortas, Cascata e Cascatinha foram do segundo.

- Com o término da obra, criou-se uma região ilhada, mas bem localizada, próxima do centro da Capital.

- A obra de José Montaury criou um veio onde a água mal circulava, tornando-se um fétido berçário de mosquitos que os porto-alegrenses denominaram “braço morto do Riacho”.

- A obra originou um curso d’água próximo ao encontro dos dois arroios, formando uma ilha na região.


- Nascia a “Ilhota”.

Garotos pescando na região do Partenon - 1910

Enchentes do Riacho

- Quem olha o Arroio Dilúvio hoje não o imagina passando entre chácaras de leite, plantações ou nos fundos das casas, cercado por abundante vegetação e com águas límpidas. 

 Pescadores no Rio Jacarey - 1932

Até o final da década de 1950, o Rio Jacareí (Arroio Dilúvio) realmente fazia juz ao seu nome. Sofria dois tipos de enchentes: própria, provocada pela queda pluvial, e outra produzida pelo Guaíba, que represava suas águas, e podendo ainda as duas acontecer ao mesmo tempo.

- A cada chuva mais forte os moradores dos bairros às suas margens, especialmente do Menino Deus, Azenha, Cidade Baixa e Santana, viam as águas invadirem suas moradias.

- Só depois de muitos dilúvios e com o crescimento de Porto Alegre é que as águas do arroio foram domadas por meio da sua retificação e canalização.

- Devido as freqüentes enchentes, o Rio Jacareí ou Riacho, popularmente passou para Arroio Dilúvio.

A Bacia

- A sub-bacia do Rio Jacarey (arroio Dilúvio) tem uma área total de 83,74km2, sendo 83% pertencente ao município de Porto Alegre e 17% ao município de Viamão.

- A população de Porto Alegre contribuinte à sub-bacia do Rio Jacarey (arroio Dilúvio) é de 446 mil habitantes, que corresponde a um terço da população da cidade.

- O Rio Jacarey (arroio Dilúvio) nasce nos limites dos municípios de Porto Alegre e Viamão, e percorre uma extensão de 17.605m até a foz, escoando suas águas no sentido leste-oeste.

- Próximo às cabeceiras se junta aos arroios Vitorino, Taquara, Pequeno Casa Velha e Sem Nome para formar a Represa Lomba do Sabão.

- Seguindo seu percurso, recebe importantes contribuintes: pela margem direita, são seus afluentes principais os arroios dos Marianos, Beco do Salso e São Vicente e pela margem esquerda, os arroios Mato Grosso, Moinho, Cascata e Águas Mortas.

- No final do percurso lança-se ao Guaíba, entre os Parques Maurício Sirotsky Sobrinho(Harmonia) e Marinha do Brasil).

Morfologia

- A reconstrução da morfologia natural da sub-bacia, feita através de cartas topográficas do final do século XIX e início do século XX, mostra o canal meandrante do Rio Jacarey (arroio Dilúvio) drenando um vale de fundo chato que se abria entre a Crista de Porto Alegre e a Crista da Matriz em direção ao lago Guaíba.

- O relevo da sub-bacia do Rio Jacarey (arroio Dilúvio) é bem diferenciado. Os divisores ao sul são demarcados pelos terrenos íngremes dos morros Santana (311m) e da Polícia (290m), encimados por campos com matacões e matas.

- À jusante da sub-bacia estão localizadas as terras baixas, formadas pelos terraços e planície fluviais do Rio Jacarey (arroio Dilúvio), com altitudes que variam entre 4m e 10m.

- Os divisores da sub-bacia ao norte são demarcados pelo topo dos morros da Crista e da Matriz. O Rio Jacarey (arroio Dilúvio) possui três estados morfológicos desde a região de nascentes, nas colinas no limite com o município de Viamão, até desembocar no lago.

- No segmento das cabeceiras e nas vertentes que delimitam a sub-bacia, os afluentes ainda possuem canais pouco sinuosos, leitos pedregosos e algumas quedas d’água que ajudam a erodir os terrenos altos.

- O trecho intermediário, situado no vale principal, inicia-se no bairro Agronomia, onde a estreita planície fluvial, com cerca de 500m de largura, estende-se até o Morro Santo Antônio. Nesse intervalo, são drenadas as águas da maior parte dos afluentes do arroio Dilúvio.

- No segmento final, o curso apresentava-se, antes da retificação, sob forma meandrante e percorria uma planície fluvial com 2,5 km de largura, entre as encostas da Crista de Porto Alegre e da Crista da Matriz.

Banhado

- Esta planície fluvial era constantemente inundada na época das cheias, quando o volume de água ultrapassava a capacidade de transporte do canal. Por essa razão, originalmente, a planície fluvial do Rio Jacarey (arroio Dilúvio) era formada por banhados que se estendiam desde a área ocupada hoje pelo bairro Menino Deus até o Parque Farroupilha.

- A foz do arroio na enseada da Praia de Belas era marcada por bancos de areia que se formavam paralelos a margem. Esses bancos eram constantemente retrabalhados pelo fluxo do canal ou pela subida do nível do lago ocasionada pelo vento ou por inundações periódicas.

Dados Técnicos

- A extensão canalizada e retificada do arroio Dilúvio está estimada em 12 km, dos quais 10 km, compreendidos entre a Av. Antônio de Carvalho e o Guaíba, tem calha central localizada entre as duas pistas da Av. Ipiranga. A seção de montante a Av. Antônio de Carvalho possui uma calha central em alvenaria de pedra de 8m de largura por 2m de altura e taludes laterais com grama com 2,5m de altura e inclinação de 1:1,5.

- Entre a Av. Antônio de Carvalho e a Rua Cristiano Fischer o canal apresenta uma calha central com fundo natural e paredes laterais com 15m de largura e 2m de altura em alvenaria de pedra. Possui taludes laterais em lajes de grês com 2,5m de altura e inclinação de 1:1 e talude superposto em grama, também com 2,5m de altura e inclinação de 1:1.

- Entre a Rua Cristiano Fischer e a Av. Borges de Medeiros a seção possui as mesmas características, variando somente a calha central que passa a ter 20m de largura por 2m de altura, em alvenaria de pedra.

- A partir da Rua Vicente da Fontoura, devido a declividade e conseqüente aumento de velocidade de escoamento, existe uma série de degraus com altura média de 1m e em conjunto de três a cada 200m, aproximadamente.

- A seção do canal entre Av. Borges de Medeiros e o Guaíba não é definitiva, havendo necessidade de execução das paredes laterais e taludes.

Saneamento

- Ao longo da história da ocupação urbana, a sub-bacia do Rio Jacarey (arroio Dilúvio) foi intensamente modificada. O arroio foi canalizado e teve seu curso natural retificado.

- Alguns afluentes desapareceram sob a cidade e seus canais passaram a integrar o sistema de esgotamento pluvial. A drenagem pluvial de todos os bairros integrantes da bacia do Rio Jacarey (arroio Dilúvio) depende diretamente do desempenho hidráulico do canal do arroio.

Assoreamento da Calha

- O processo de urbanização que se verifica ao longo de seu curso provoca o carreamento anual de cerca de 50.000m3 de detritos, com o conseqüente assoreamento da sua calha, diminuindo com isso as condições de vazão. As causas principais do assoreamento do arroio Dilúvio são a inadequada ocupação do solo, o decapamento vegetal dos terrenos, especialmente das encostas e morros, o recapamento do solo com pavimentos e edificações e a não embalagem e entrega do lixo.

- O Rio Jacarey (arroio Dilúvio), escoadouro das suas águas pluviais superficiais, que um dia serviu como fonte de abastecimento e irrigou plantações, tornou-se também o receptor natural das águas servidas geradas por significativa parcela da população que ocupa sua área de drenagem.

- Na bacia do Rio Jacarey (arroio Dilúvio) situa-se o percentual mais significativo de redes coletoras de esgotamento sanitário do tipo separador absoluto, em relação as demais sub-bacias da cidade. O esgoto sanitário é conduzido pelas margens direita e esquerda do arroio, com destino final na estação de bombeamento de esgoto da Baronesa do Gravataí, sendo lançado no Guaíba, por emissário sub-fluvial, no canal de navegação. Apesar do expressivo percentual de redes coletoras implantadas na bacia do Rio Jacarey (arroio Dilúvio), isto não tem garantido a melhoria da qualidade da água do arroio. Especialmente em trechos de urbanização mais recente, onde a coleta e o afastamento dos esgotos não acompanhou a expansão populacional, a carga afluente ao arroio é significativa. Além disso, muitas economias desta sub-bacia, por problemas técnicos e/ou culturais, não efetuaram as ligações do esgoto à rede cloacal, mantendo seus efluentes ligados à rede pluvial, que os conduz, junto com as águas de chuva, diretamente para o Rio Jacarey (arroio Dilúvio).

Obras e Ações

- Dentro das atribuições que lhe competem, o DMAE vem fazendo grandes investimentos na ampliação de redes coletoras e tratamento de esgotos da cidade. Na sub-bacia do Rio Jacarey (arroio Dilúvio), a mais importante de Porto Alegre, o DMAE definiu uma série de ações e medidas a serem implantadas, buscando amenizar o quadro de poluição deste corpo receptor e promover a melhoria da qualidade de vida de sua população. Foram previstas várias obras de esgotamento sanitário, dentre as quais destacamos as mais importantes, já executadas e/ou em fase de implantação. Sistema de esgotamento sanitário da sub-bacia do arroio Vitorino.

- O interceptor do arroio Vitorino foi parcialmente construído e conectado ao arroio Dilúvio acima da ponte da divisa entre os municípios de Porto Alegre e Viamão, com lançamento da carga para fora da represa, e conexão à rede de esgoto da micro-bacia de drenagem D20, na Av. Ipiranga, em frente à Av. Joaquim Porto Vilanova, interligando-se ao sistema Ponta da Cadeia. Neste interceptor também foi conectada a rede cloacal do Beco dos Herdeiros havendo, portanto, concentração de esgoto, pois não foi exigido dos moradores a colocação de tanques sépticos. O Loteamento Santa Paula, lança seus efluentes na rede pluvial que deságua no arroio Dilúvio, logo abaixo da barragem Lomba do Sabão.

Sistema de Esgotamento Sanitário

- O interceptor do arroio Vitorino ainda não foi concluído mas já foi implantada rede cloacal no Loteamento Jardim Franciscano e arredores. As casas foram ligadas à rede cloacal sem tanque séptico, aumentando, portanto, a contaminação das águas da barragem, devido à concentração do esgoto e ao lançamento no arroio Taquara.

- Na Vila Mapa também foram executadas extensões de rede cloacal conectadas ao pluvial, que deságua no Dilúvio a montante da Escola de Agronomia.

- Ampliação da rede de esgotamento sanitário entre a Escola de Agronomia e a ponte da Rua Cristiano Fischer Foram executadas 62 extensões de rede de esgoto cloacal totalizando 9.184m e efetuadas 705 novas ligações às redes já existentes.

- Nas vilas Pinto, Divinéia, Mato Sampaio e Fátima, as várias extensões de redes de esgoto cloacal executadas foram conectadas em redes pluviais e sangas que estão ligadas ao arroio Dilúvio através da galeria pluvial implantada na Av. Joaquim Porto Vilanova.
- Ampliação da rede de esgotamento sanitário entre a ponte da Rua Cristiano Fischer e a passarela da Rua Santa Cecília Foram executadas extensões de rede de esgoto cloacal totalizando 10.043m e efetuadas 723 novas ligações às redes já existentes.

Em 1999, foi desvinculada a contribuição mais importante dessa região, o efluente do complexo da PUC, que era lançado à margem esquerda do arroio Dilúvio. Ampliação da rede de esgotamento sanitário entre a ponte da Rua Santa Cecília e a ponte da Av. Getúlio Vargas.
- Foram executadas 45 extensões de rede de esgoto cloacal totalizando 6.083m e efetuadas 451 novas ligações às redes já existentes. Com recursos do PROSEGE, o DMAE implantou interceptores e 65.043m de redes coletoras de esgoto cloacal, sendo posteriormente efetuadas 4.700 ligações. Ampliação da rede de esgotamento sanitário entre a ponte da Av. Getúlio Vargas e a ponte da Av. Borges de Medeiros.

- Foram executadas 5 extensões de rede de esgoto cloacal totalizando 941m e efetuadas 9 novas ligações às redes já existentes. A contribuição mais importante desvinculada da rede pluvial foi a da Fundação de Recursos Humanos, localizada na Av. Praia de Belas.

Retificação do Rio

A chamada “obra do século” constava do Plano Geral de Melhoramentos do engenheiro João Batista Maciel, de 1914, mas só seria iniciada durante a Administração de José Loureiro da Silva, logo após a grande enchente de 1941. 

Pelo trajeto antigo, o Dilúvio dobrava à direita logo após a Ponta da Azenha, percorrendo um trajeto através do bairro Cidade Baixa, passando sob a Ponte de Pedra até o Guaíba, junto à antiga Casa de Correção. Cada temporal imediatamente provocava o transbordamento do arroio e o alagamento dos bairros do entorno. 

Projetado como escoadouro pluvial, o Dilúvio sofre os efeitos do crescimento, tornando-se um verdadeiro esgoto a céu aberto.

- A retificação do Riacho, como era conhecido, mudou profundamente o mapa de Porto Alegre, onde o Rio Jacarey (Arroio Dilúvio) sempre aparecera desaguando no sul da península, esta intervenção deu origem à atual Avenida Ipiranga, que rasga a cidade de leste a oeste, uma nova e importantíssima radial para a cidade, com cerca de doze quilômetros canalizados.


A implantação do novo canal demorou mais de 30 anos para ser finalizada e pode ser considerada uma grande cirurgia urbana. Através de um olhar mais apurado sobre área que abrange os primeiros quatro quilômetros de sua implantação a partir da foz junto ao Lago Guaíba.

- Na história de Porto Alegre, nenhuma obra alterou tanto a paisagem quanto a retificação do Arroio Dilúvio.

Em meados do séc. XIX, os aterros e os diversos trapiches ali foram sendo construídos.

Em 1889, Proclamada a República, esses problemas tornaram-se foco do governo, já que, de orientação positivista, encontrava o progresso como objetivo, e enxergava o urbanismo como base para isso.

- Foi, então, que o primeiro intendente republicano de Porto Alegre, Alfredo Augusto Azevedo, criou a Secretaria da Intendência, onde, dentro de suas sete seções, estava a seção de Engenharia.

Em 1896, o vice-intendente, Luiz Faria dos Santos, transforma em Diretoria de Obras, a antiga seção de Engenharia.

Em 1905, para aumentar a vazão do arroio, que transbordava rapidamente nas chuvaradas, o Intendente José Montaury abriu em 1905, um canal em linha reta na altura da famosa “Ilhota”, que fazia um “U” diante da Praça Garibaldi, onde se juntava as águas do Arroio Cascata (que deu o apelido a Av. Aureliano de Figueiredo Pinto de Cascatinha).

- Outros projetos sugiram, mas coube ao Intendente (Prefeito) Loureiro da Silva canalizar o Arroio Cascata e retificar o Dilúvio. Antes de contar com recursos federais, que só seriam liberados em 1941, ele iniciou as obras de retificação entre a João Pessoa e Praia de Belas.

A Citação

- No Relatório e Projeto de Orçamentos para 1914, que José Montaury apresenta ao Conselho Municipal em 1913, já cita o projeto de retificação e canalização do Riachinho.

Desde 1839, projetos de canalização da várzea tentavam resolver esse problema, porém, quatro são conhecidos:
- O projeto Maciel (1914),
- O projeto Schneider (1925),
- O projeto Medáglia (1930),
- O projeto e Ari de Abreu Lima (1935).

Em 20 de junho de 1912, dando continuidade à essa política, José Montaury solicita a elaboração do Plano Geral de Melhoramentos, primeiro plano urbanístico da cidade, à Comissão de Melhoramentos e Embelezamentos de Porto Alegre se instalou.

- Dois tipos de propostas eram feitas, uma manteria o curso original do Riacho, e outra não levaria em consideração o seu leito.

Em 1921, o atual porto de Porto Alegre foi inaugurado.

Mas somente em 1939, com o intendente Loureiro da Silva na presidência do município, que as obras de retificação e canalização do Rio Jacareí (Arroio Dilúvio) foram iniciadas.

A partir do ano 1940, a margem sul do Guaíba também começou a sofrer aterros.

- O primeiro distrito foi sendo tomado por uma alta densidade populacional, os bairros cresciam e com eles os problemas de infra-estrutura e saneamento. 


Enchente de 1941


- Uma impressionante conjugação de fatores climáticos, geográficos e meteorológicos provocou a maior enchente da história de Porto Alegre.

Nos meses de abril e maio de 1941, durante 22 dias as águas do Guaíba transbordaram sobre a cidade a uma altura que alcançou 4,76 metros.

Cais do Porto

- Além das chuvas incessantes, as cheias dos rios Jacuí, Taquari, Caí e dos Sinos se dirigiam à Capital em uma velocidade de 60 quilômetros por hora.

- Mesmo com o fim das chuvas, um vento sudoeste empurrou as águas da Lagoa dos Patos de volta a Porto Alegre, o Rio Jacarey (Arroio Dilúvio) pressionado transbordou os bairros mais baixos.

- No total, 70 mil pessoas – quase um quarto da população – ficaram desabrigadas, 600 empresas suspenderam suas atividades, e, pela primeira vez, as águas alcançaram a Rua da Praia, no coração da cidade.

- Uma grande rede de solidariedade foi formada para assegurar abrigo, remédios e alimentação aos flagelados.

Início das Obras de Retificacão

- Para a realização da obra de retificação do Jacarey, foi escolhida a opção em que o leito do arroio era desconsiderado, devido ao seu traçado mais racional que resultava em menor extensão, maior declive e, por tanto, maior capacidade de vazão e menores seções, gerando maior economia.




- Retificado o trecho de 2.900 metros em direção do Gasômetro ficou com 1.300 metros desaguando na Praia de Belas.

- No projeto, 70 metros de largura eram previstos.

- Desses, 50 metros destinavam-se ao espaço útil em suas margens, onde seriam construídas sobre dois diques de pedra, com chapas de tráfego para veículos e passeios para pedestres, duas avenidas laterais. Os metros eram reservados para o leito do arroio.

- Vinte anos foram necessários para total canalização e retificação do arroio mais a construção dos dois lados da nova Avenida Ipiranga.

- Quatro anos para o desvio do leito e construção das pontes.

- Na sua execução, o Município contou com o auxílio do Governo Federal, por meio do extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS).


Urbanistas e Historiadores concordam, esta foi a obra do século XX.

Até 1942, a retificação do arroio Dilúvio até o Guaíba pode ser medida em números:

204 Desapropriações de terrenos, 
160 Mil metros cúbicos de terra removidos, 
17 Pontes, 
12 Quilômetros de canalização, 
Construção da Avenida Ipiranga,
Eliminação de uma rua, a Rua 28 de Setembro.

- A obra acabou com os constantes alagamentos nas baixadas da Santana, Azenha e Cidade Baixa, valorizou a região e facilitou o acesso da Zona Sul ao Centro.

Obras - Ponte da avenida João Pessoa- 1950

- O desvio do leito e a construção das primeiras pontes, consumiu quatro anos de trabalho.

- A obra toda, retificação e canalização do Dilúvio, desde onde hoje está a PUC, e a construção dos dois lados da Avenida Ipiranga, durou quase 20 anos.


Obras - 1955

Avenida Ipiranga

- A Avenida Ipiranga estabelece uma integração notável entre diversos bairros de Porto Alegre e vem concretizando-se como um corredor de serviços e comércio, crescendo de forma fragmentada e irregular, sofrendo uma acentuada transformação urbana desde a implantação dos planos diretores.

 Arroio Dilúvio e Avenida Ipiranga junto a Ponte da Azenha

- A avenida desempenha um importante papel para a cidade, ligando-a de um extremo ao outro.

- A Avenida Ipiranga tornou-se uma nova e importantíssima radial, segue por 11 km ao longo do arroio, faz a conexão de dezenas de bairros, quase equivalendo-se à uma perimetral.

- Com sua construção toda área tornou-se valorizada, acolhendo inúmeros investidores e grande região que o riacho acolhe teve como resultado o progresso.

- A construção da Ipiranga e retificação do Arroio, a exemplo de Franco, é considerada por muitos um importantíssimo trabalho de recuperação urbanística para a cidade.

Materiais e Métodos

 Programa de Monitoramento

O programa de monitoramento das águas do arroio Dilúvio, realizado com freqüência trimestral, teve início em janeiro de 1996 e estendeu-se até o final de 1999.

Estabelecido em função das obras de esgotamento sanitário previstas para esta sub-bacia, a escolha dos locais de amostragem levou em conta a área de abrangência dos investimentos e os principais pontos de lançamento de cargas.

Assim, foram definidas oito estações de amostragem, localizadas ao longo do curso do arroio. As amostragens seguiram as orientações técnicas do Guia de Coleta e Preservação de Amostras de Água (CETESB, 1988), sendo também observadas as indicações do Standard Methods for the Examination ofWater and Wastewater (APHA, 1995).

A metodologia analítica empregada no exame das amostras de água seguiu as recomendações do Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (APHA, 1995), à exceção do nitrato, que foi analisado pelo método do ácido fenoldissulfônico, constante na 12a edição (APHA, 1965).
Os teores médios de oxigênio dissolvido das águas das estações D1, D6a, D9b e D9a variaram de 6,0mgO2/La 4,5mgO2/L. A partir da estação D11 até a foz, a concentração média de OD diminuiu, mantendo-se em torno de 3,0mgO2/L.

Ao longo do curso do arroio foi observada tendência de redução dos teores de OD, fazendo com que as águas do Dilúvio, da estação D11 até a foz, apresentassem, ocasionalmente, condições de anaerobiose, como as observadas nas amostragens de janeiro de 1996 e abril de 1997.
A ausência de oxigênio nas águas pode ser atribuída à menor declividade do trecho final do arroio, que provoca a estagnação do fluxo, dificultando a oxigenação do meio, e à concentração das cargas lançadas ente as estações D11 e D12, devido à implantação de redes coletoras de esgoto cloacal na sub-bacia do arroio Cascatinha.

De acordo como estabelecido na legislação proposta para o oxigênio dissolvido, as águas das estações D1 e D6aapresentaram nível de qualidade compatível com a condição de classe 4, enquanto que a partir da estaçãoD9b o maior aporte de cargas fez com que as águas do Dilúvio fossem caracterizadas como “fora de classe”, em percentuais crescentes em direção a foz.

O valor médio de nitrogênio amoniacal das águas do arroio Dilúvio manteve-se em torno de 10mgN/L, à exceção da estação D1, que por ser o local que recebe menor contribuição de águas servidas, apresentou média ligeiramente inferior, de 6,49mgN/L.

A mesma tendência foi observada em relação aos valores máximos de nitrogênio amoniacal, que variando de 12,22mgN/L na estação D1 a 24,36mgN/L na estação 39, deram às águas do Dilúvio, conforme legislação proposta, condições semelhantes as do esgoto doméstico da cidade.
O nitrito, com poucas variações em seus valores médios, apresentou comportamento constante ao longo do curso do arroio Dilúvio, oscilando entre 0,466mgNO2/L a 0,690mgNO2/L, o que demostra o permanente processo de degradação da matéria orgânica afluente a esse curso d’água.
Os valores máximos de nitrito, compreendidos entre 0,971mgNO2/L e 1,698mgNO2/L, conferiram às águas do Dilúvio a condição de classe1 da Resolução CONAMA n° 20/86.O nitrato, produto final da degradação da matéria orgânica nitrogenada, apareceu em concentrações médias que oscilaram entre 0,58mgNO3/L e 1,21mgNO3/L.

O valor máximo de nitrato de 6,22mgNO3/L, determinado na estação D9a, demonstra que o arroio ainda mantém parte de sua capacidade de autodepuração, apesar das contribuições que recebe ao longo de seu curso, conferindo às águas das estações monitoradas condição de classe 1 da Resolução CONAMA n° 20/86.O fosfato total apareceu em menores concentrações nas águas da estação D1, onde foi determinada a média de 1,60mgPO4/L.

A partir daí, os teores médios começaram a aumentar até atingir o pico de 6,20mgPO4/L, na estação D9b. Entretanto, essa média mais elevada se deve à influência do valor máximo de fosfato total das águas do arroio Dilúvio, de 22,93mgPO4/L, que caracteriza uma carga de choque lançada neste ponto de amostragem, já que o valor subsequente, de 10,54mgPO4/L, foi semelhante aos máximos encontrados nas estações de jusante. Dessa forma, pode-se dizer que nos pontos localizados à jusante da estação D9b, as concentrações médias de fosfato total das águas do Dilúvio oscilaram entre 3,96mgPO4/L e 5,65mgPO4/L e que o ponto D11 foi o que apresentou a melhor distribuição normal de dados para essa característica.

De acordo com o estabelecido na legislação proposta para fosfato total, as águas dos pontos D1, D6a e D11apresentaram condição de classe 4, enquanto nas demais estações de amostragem do Dilúvio as concentrações máximas de fosfato foram compatíveis com as normalmente encontradas no esgoto doméstico da cidade. O sulfeto analisado nas águas das estações de amostragem do arroio Dilúvio não foi detectado ou apareceu em concentrações menores que 0,1mgS/L, durante todo o período de monitoramento.

Mesmo assim, essas águas foram consideradas como classe 3 porque o limite de detecção do método analítico empregado, de0,1mgS/L, é superior ao valor de 0,002mgS/L estabelecido para as classes 1 e 2 da Resolução CONAMA n°20/86.Em relação ao percentil 80 calculado para coliformes fecais, a estação D1 foi a que apresentou o menor índice, de 1,3.105 NMP/100mL, seguindo-se a estação D6a com 9,6.105NMP/100mL. Nos demais pontos monitorados, o percentil 80, um pouco mais elevado, manteve-se entre l, 8.106 NMP/100mL e7,0.106 NMP/100mL.

A acentuada variação na densidade de organismos de origem fecal, verificada em cada estação de amostragem, levou à obtenção de desvios padrão crescentes da estação D1 em direção à foz. Essa variação pode estar associada à concentração de cargas geradas pela população contribuinte, no trecho final do arroio, à influência de lançamentos localizados, à ocorrência de períodos de precipitação pluviométrica e de estiagem ou ao processo natural de decaimento bacteriano.
De acordo com a legislação proposta, durante todo o período de monitoramento, as densidades de coliformes fecais observadas nas estações de amostragem do arroio Dilúvio, mantiveram-se dentro da faixa normalmente encontrada nos esgotos da cidade.

Comparação com o período anterior 1993/1994O progressivo comprometimento da qualidade das águas do arroio Dilúvio, verificado nos últimos anos, pode ser comprovado através da comparação dos percentuais de ocorrência nas diferentes classes da legislação proposta referentes no período 1996/1997 com os índices obtidos no período 1993/1994, apresentados na publicação n° 54 do DMAE, Avaliação da Evolução de Alguns Parâmetros Físico-Químicos e Microbiológicos no Arroio Dilúvio(1994), nos pontos de amostragem coincidentes, estações D1, D6a, D11, D12 e 39.A análise dos dados percentuais apresentados nas tabelas numeradas de XIV a XVIII mostra que as águas do Rio Jacarey (arroio Dilúvio) vêm sofrendo um gradual comprometimento sanitário ao longo do tempo. Isto pode ser constado pelo fato das características DBO5, DQO, OD, nitrogênio amoniacal e coliformes fecais, representativas de contribuições de natureza orgânica, apresentarem percentuais de ocorrência cada vez maiores nas classes de águas de pior qualidade.

Os percentuais de ocorrência de fosfato não puderam ser comparados, tendo em vista que os limites adotados para essa característica não foram os mesmos para os dois períodos de estudo. Mesmo a estação D1, considerada como o local de águas de melhor qualidade e que em 93/94 apresentava condição “fora de classe” apenas para coliformes fecais, no período de estudo mais recente mostrou índices de ocorrência de24% dos valores de nitrogênio amoniacal e de 44% dos dados de organismos de origem fecal dentro da faixa normalmente encontrada no esgoto de Porto Alegre.
No período anterior, o OD que apresentavam condição de classe 2 e as características DBO5 e DQO, com condição de classe 3, passaram a classe 4 em 96/99.A estação D6a, que em 93/94 já apresentava características de esgoto em relação aos coliformes fecais, teve triplicado o percentual de ocorrência nesta condição no período de estudo mais recente. O nitrogênio amoniacal, que anteriormente apresentava condição “fora de classe”, no período atual mostrou índice de ocorrência de 63% dentro da faixa normalmente encontrada no esgoto da cidade.

As características DBO5 e DQO, que em 93/94 apresentavam condição de classe 4, passaram à condição “fora de classe” em 96/99. Em relação ao OD, como os casos críticos de anaerobiose não se repetiram no período atual, as águas desse local de amostragem, que antes apresentavam condição “fora de classe”, passaram para a classe 4.As águas da estação D11, que no período anterior, já apresentavam características de esgoto em relação aos coliformes fecais, apresentou a totalidade de seus dados nessa condição no período de estudo mais recente.

O nitrogênio amoniacal, que anteriormente apresentava condição “fora de classe”, teve 58% de seus dados dentro da faixa normalmente encontrada no esgoto de Porto Alegre. E manteve-se em condição “fora de classe” quanto às características DBO5, DQO e OD, porém com percentuais menores do que os observados no período anterior, sugerindo uma leve recuperação da qualidade dessas águas.
A estação D12, que anteriormente já apresentava 50% dos valores de coliformes fecais semelhantes aos encontrados nos esgotos, teve seus índices de ocorrência aumentados para 100% no período atual.
A DQO dessas águas também manteve-se com características de esgoto. Confirmando o maior comprometimento desse local de amostragem, as caraterísticas DBO5 e nitrogênio amoniacal tiveram seus níveis aumentados, fazendo com que essas águas passassem da condição “fora de classe” para a condição de esgoto, enquanto o OD manteve-se na condição “fora de classe” em percentuais semelhantes nos dois períodos estudados.

Nas águas da foz do arroio Dilúvio, os índices de coliformes fecais, característicos de esgoto, passaram de 40% no período anterior para 94% no período atual. As caraterísticas DBO5, DQO e nitrogênio amoniacal também tiveram suas concentrações aumentadas, fazendo com que essas águas passassem da condição “fora e classe” para a condição de esgoto. Quanto ao OD, as águas da estação D12 permaneceram na “condição fora de classe” em percentuais semelhantes nos dois períodos de estudo.

Em junho de 2011, a imprensa divulgou que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) — ambas com instalações de ensino situadas na avenida Ipiranga, às margens do arroio — decidiram propor junto à prefeitura uma parceria para a revitalização do Dilúvio.

- Para isso, as duas universidades pretendiam adotar o modelo utilizado para recuperar o arroio Cheonggyecheon, em Seul, capital da Coreia do Sul. Assim como o Dilúvio, este arroio coreano corta um grande área urbanizada de sua cidade, tendo sido bastante poluído no passado.

- Desde sua recuperação, finalizada em 2002, o Cheonggyecheon tem apresentado águas limpas, à beira das quais a população local encontra áreas de lazer arborizadas.

- UFRGS e PUCRS criaram um portal onde o projeto será gerenciado. Foi publicado um marco conceitual do programa, seguido de um Plano de Ação.

Em 2016, o projeto era reportado como estagnado; a prefeitura alega falta de recursos. 

Ecobarreira

Em 2016, uma "ecobarreira" foi instalada por iniciativa privada (empresa Safeweb) na foz do no Arroio Dilúvio, visando a coleta do lixo flutuante que desembocaria no Lago Guaíba. Quase 20 toneladas de resíduos foram retirados logo nos dois primeiros meses de operação.

Redes Sociais

Em 2010, o "Movimento Arroio Dilúvio" foi criado e desde então vem usando diversas ferramentas da internet para fomentar o debate sobre a despoluição e limpeza do arroio.

No Facebook a página "Eu quero o Arroio Dilúvio Despoluído e Limpo" se destaca.

Um projeto ativista que luta pela despoluição do arroio Dilúvio chama-se "Águas Brasileiras".

Fatos Notórios

- Constatou-se que, em um período de dois anos (2009 a 2010), ao menos 20 carros caíram no arroio Dilúvio pela falta de cordões de calçada com altura suficiente devido aos re-capamentos de asfalto que fizeram ao longo dos anos os mesmos perderem altura sem ter correções feitas pela prefeitura.

Em novembro de 2009, o arroio ficou cheio e barrento por causa de uma chuva forte, e um grupo de surfistas, ignorando a poluição do Dilúvio, surfou em suas ondas

Pontes
Tipos de Ponte

Pontes de Pedra, as regras para a construção das abóbodas aplicam-se naturalmente à construção de arcadas.
As pontes de armação metálicas são de aplicação secundária depois do emprego do ferro fundido na sua construção.

Pontes Fortificadas, as pontes da Idade Média eram quase sempre fortificadas, construída principalmente por Roma, defendida por torres, para dificultar uma invasão de surpresa.

Ponte de Alta Carga, consta de pilares sustentando uma dupla galeria, sobre a qual repousa o estrado da ponte. Cada um dos pilares repousa sobre um pilar de alvenaria, passando 9 metros acima do nível da água, o custo de pedra seria inviável.

Pontes Cobertas, são pontes principalmente para lugares em que neva, para manter a passagem livre, são de madeira e telhado baixo de telhas de barro. Principalmente encontrada na Suíça.
- Várias são as pontes que transpõem este curso d’água natural, para desaguar no Lago Guaíba, sua rota foi alterada pelo homem, retificado, com suas várias pontes é a nossa Veneza, no passado e no presente:


- Várias são as pontes que transpõem este curso d’água natural, para desaguar no Lago Guaíba, sua rota foi alterada pelo homem, retificado, com suas várias pontes é a nossa Veneza, no passado e no presente:
Pontes Desativadas sobre o Riacho

Ponte da Azenha
- A primeira ponte foi construída no século XVIII, para facilitar o comércio pelo português Francisco Antônio, conhecido como Chico da Azenha, dono da azenha de trigo, com seu moinho d’água que a construiu junto rio Jacareí. Esta talvez foi a primeira ponte sobre o rio Jacareí (Riacho) de Porto Alegre.

- A segunda ponte foi construída em 1880 em alvenaria.

Ponte de Pedra
- A primeira ponte sobre o Riacho foi feita em madeira em 1777, ligando ao sul do Povoado e permaneceu lá até 1846, quando iniciou a obra da nova ponte, agora de pedra, junto a atual 1ª Perimetral.

Pontes da Estrada de Ferro Riacho/ Tristeza – Ponte 1 e 2
- Eram duas pontes em ferro da estrada de ferro Riacho/Tristeza que margeava a orla, ligava o Centro a Zona Sul da Cidade, a primeira ponte junto a foz do Riacho, após a retificação a segunda junto a Praia de Belas, com a desativação da linha e retificação do arroio Dilúvio, foram demolidas.

Ponte da Rua da República
- Esta ponte estreita era sobre o Riacho quando este atravessava a Rua da República.

Ponte de Ferro da Rua 13 de Maio
- A primeira ponte sobre a Avenida 13 de Maio (atual Getúlio Vargas), foi feita em ferro, onde passava o bonde, da primeira linha ligando a Estrada da Várzea (atual João Pessoa ao arraial do Menino Deus.

Pontilhões

Nos séculos XVIII e XIX, havia pontilhões em madeira espalhados pelo caminho do Riacho para a passagem de pessoas, animais e carga, entre um lado e outro da cidade.

Pontes Atuais

- A extensão canalizada do Arroio Dilúvio é de aproximadamente 12 quilômetros e existem atualmente (2017) 17 pontes (a primeira, no Menino Deus, foi construída em 1850) e cinco travessias para pedestres.

- A engenharia moderna com o emprego do concreto armado ou injetado, tem mostrado na construção de pontes uma audácia, que as facilidades atuais tornam possível.

- Mas o estudo comparativo, o mérito dos antigos construtores é maior onde realizavam ao mesmo tempo obras de grande valor prático e artístico.

2) Ponte de Pedra
Em 1845, o presidente da Província, então Conde de Caxias (o Duque de Caxias), teve a decisão de substituir a velha ponte de madeira sobre o Riachinho (como era conhecida a foz do Riacho) por uma de pedra, isto era um sinal que a expansão urbana seria estimulada.

- A construção da Ponte de Pedra iniciou em princípio de 1846, quase junto a foz do Riachinho que desembocava no Guaíba, foi construída por João Batista Soares da Silveira e Souza que era o maior empreiteiro de Porto Alegre no século XIX.
Dois anos depois, a ponte já dava passagem, mas só seria concluída em 1854.
Construção que possui três arcos planos com pilastras, era a saída da cidade do Centro para a Zona Sul aos antigos Areais e Chácaras, o deslocamento era na diagonal pela Rua Cel. Genuíno ou pela Rua do Riacho (atual Washington Luiz), uma vez que a Av. Borges de Medeiros ainda não existia. Após a abertura da Avenida Borges de Medeiros e a retificação do Arroio Dilúvio, a ponte de pedra perdeu sua função.

Na década de 1970, como tratamento paisagístico, recebeu um espelho d’água sob seus pilares, mas o espelho ficou alto e cobre a beleza das linhas dos pilares, hoje localizada junto ao Largo dos Açorianos. Foi tombada pelo município em 1979.
Localização: Av. Loureiro da Silva (1ª Perimetral), esquina Av. Borges de Medeiros, Cidade Baixa.

3) Ponte Beira Rio
- Esta ponte está localizada junto a Avenida Edvaldo Pereira Paiva, Praia de Belas.

4) Ponte Marinha do Brasil
- Esta ponte está no projeto de duplicação da Avenida Edvaldo Pereira Paiva (Beira Rio), Praia de Belas.

5) Ponte Borges de Medeiros
- Esta ponte está localizada junto a Avenida Borges de Medeiros, Praia de Belas.

6) Ponte Praia de Belas
- Esta ponte está localizada junto a Avenida Praia de Belas, Praia de Belas.

7) Ponte Múcio Teixeira
- Esta ponte está localizada junto a Rua Múcio Teixeira, Menino Deus.

8) Ponte Getúlio Vargas
- A primeira ligação era um pontilhão, primeiro de madeira depois de ferro, e fazia a ligação para o Areal do Menino Deus.

A ponte da década de 1960, tem traços marcantes em pedra. Esta ponte está localizada junto a atual Avenida Getúlio Vargas, Menino Deus.

9) Ponte Cascatinha
     Ponte Erico Veríssimo
- São duas pontes, nos dois sentidos, Bairro/Centro, construídas em concreto. Esta ponte está localizada junto as Avenidas Aureliano de Figueiredo Pinto e Érico Veríssimo, Cidade Baixa.

10) Ponte da Azenha
- Várias foram as pontes desta ligação, a primeira, de madeira, foi feita pelo dono de um moinho local, tinha como objetivo ligar Porto Alegre a Viamão. Teve importância fundamental para o desenvolvimento da Cidade.

- Esta ponte de ligação entre a cidade de Porto Alegre e Viamão, teria grande importância na noite de 20 de setembro de 1835. A tomada da Ponte da Azenha pelos rebeldes farroupilhas, considerado o início oficial da Guerra dos Farrapos, foi um fiasco, das forças Imperais.
Esta ponte está localizada junto a Avenida Azenha, bairro Azenha.

Na noite de 19 de setembro de 1835, avisados de que forças estavam acampadas além do Riacho (e estavam; haviam feito a travessia desde a cidade de Guaíba e acampado na elevação da atual Avenida Oscar Pereira), o governo da província enviou a ponte da Azenha uma patrulha comandada pelo Visconde Camamu, que desceu com a tropa pela Estrada da Várzea (João Pessoa), quando essas forças se aproximaram, foram recebidas a bala por 30 homens comandados pelo capitão Manuel Vieira da Rocha, o Cabo Rocha.
O cavalo do visconde se assustou, deu meia-volta e saiu em disparada, atropelando a patrulha, que debandou.
Resultado: um morto e quatro feridos, inclusive o Visconde de Camamu.
Estava dado o batismo de fogo sobre a Ponte da Azenha, nesta noite Porto Alegre é tomada pelos Farrapos.
Nova ponte em alvenaria é construída no local em 1900, pelo intendente José Montaury.

- Atualmente existe uma ponte em pedra, com florões em suas extremidades, iluminação especial e placa comemorativa, construída em 1935, inaugurada em 1936, pelo intendente major Alberto Bins.
Esta ponte está localizada junto a Avenida Azenha, bairro Azenha.

11) Ponte João Pessoa
- Na década de 1930, cinco palmeiras foram plantadas sobre ela, dando-lhe uma aparência exótica, e talvez a única do mundo.
Esta ponte está localizada junto a Avenida João Pessoa, Azenha.

12) Ponte da Santana
- Esta ponte está localizada junto a Rua Santana, Santana.

13) Ponte da Ramiro
- Esta ponte está localizada junto ao eixo Avenida Ramiro Barcelos e Rua São Luiz, Santana.

14) Ponte da Silva Só
       Ponte U-63
- São duas pontes, nos dois sentidos, Zona Leste/ Oeste, localizada junto a Avenida Silva Só (2ª Perimetral), Santana.

15) Ponte da Vicente da Fontoura
- Esta ponte está localizada junto a Rua Vicente da Fontoura, no sentido Norte/Sul, Petrópolis.

16) Ponte Veador Porto
- Esta ponte está localizada junto a Rua Veador Porto, no sentido Sul/Norte, Santo Antônio.

17) Ponte Euclydes da Cunha
- Esta ponte está localizada junto ao eixo da Rua Euclydes da Cunha com Rua La Plata, no sentido Norte/ Sul, Petrópolis.

18) Ponte Barão do Amazonas
- Esta ponte está localizada junto a Avenida Barão do Amazonas, sentido Sul/ Norte, Petrópolis.

19) Ponte Guilherme Alves
- Esta ponte está localizada junto a Rua Guilherme Alves, sentido Norte/Sul, Petrópolis.

20) Ponte 3ª Perimetral
- Esta ponte está localizada junto a 3ª Perimetral na alça de acesso a Avenida Ipiranga, Jardim Botânico.
21) Ponte Salvador França
       Ponte 3º RCG
- São duas pontes, nos dois sentidos, Zona Norte/ Sul, duas para veículos e outra para o sistema integrado por corredor de ônibus, junto à 3ª Perimetral.
Esta ponte está localizada junto a Avenida Salvador França, Jardim Botânico.

22) Ponte Cristiano Fischer
- Esta ponte está localizada junto a Avenida Prof. Cristiano Fischer, Partenon.

23) Ponte Fr. Germano
- Esta ponte está localizada junto a Rua Fr. Germano, Partenon.

24) Ponte Joaquim Villanova
- Esta ponte está localizada junto a Avenida Joaquim Porto Villanova, Partenon.

25) Ponte Antonio de Carvalho
- Esta ponte está localizada junto a Avenida Antônio de Carvalho, é a última ponte do sistema viário da Avenida Ipiranga, integrando as zonas Norte, Sul e Leste de Porto Alegre, Partenon.

26) Ponte Jardim Carvalho
- Esta ponte está localizada no Jardim Carvalho, fora do sistema viário da Avenida Ipiranga, liga a Ipiranga a Bento Gonçalves.

Travessia para Pedestres no Riacho

- Existem acessos para pedestres atravessarem o Arroio Dilúvio, estes pontilhões foram colocados, em áreas onde há uma distância muito longa entre uma ponte e outra, ou fluxo grande de pessoas.

- Pontilhão da Zero Hora/ Colégio Protásio Alves
- Pontilhão da Rua São Vicente
- Pontilhão do Zaffari Ipiranga
- Pontilhão da Gonçalves Lebo
- Passarela sobre o arroio na PUC (em ferro)
- Pontilhão da PUC (desativada)
- Pontilhão da Rua Albion/ Carris (em ferro)

Outras Pontes
Centro de Porto Alegre

- No Centro de Porto Alegre, os terrenos próximos ao Guaíba (rio) eram arenosos e alagadiços, e vários córregos desciam a Rua Formosa (atual Duque de Caxias) para os dois lados, água jorrava entre as pedras no local do atual teatro São Pedro e a água seguia em direção a Rua Direita (atual General Câmara), no século XIX foi canalizado.

Em 1777, havia construído a ponte sobre o Rio Jacareí, Riachinho (Arroio Dilúvio), ligando as áreas mais ao sul.
- Agora chegara a vez de erguer pontes na parte central da Freguesia.

Em 1782, a Rua Direita (atual General Câmara), ganhou a sua ponte.

Em 1790, foi a vez das pontes da Rua da Graça (nome da Rua da Praia a leste da Ladeira) e da Rua do Cotovelo (atual Riachuelo), que por isso passou a ser chamar Rua da Ponte.

Em 2001, no Fórum Social Mundial para a circulação junto a orla do Guaíba foi construída a ponte de madeira, com toras de eucalipto tratado, junto ao canal de acesso da casa de bombas (DNOS) da elevatória do Anfiteatro Por do Sol, a qual foi removida em 2012.

Conclusões

- Apesar dos esforços do poder público em promover a melhoria da qualidade de vida da população que habita a bacia do Rio Jacarey (arroio Dilúvio), a ampliação do sistema de esgotamento sanitário nesta região não conseguiu reverter o quadro de poluição em que se encontram as águas do arroio.

- Confirmando o que historicamente tem sido constatado, o comprometimento do arroio Dilúvio vem aumentando progressivamente de montante para jusante, refletindo o descompasso existente entre as demandas decorrentes do rápido crescimento populacional que tem se verificado nessa área ao longo dos últimos anos e os recursos financeiros disponíveis para o saneamento global da região.

- A estação D1, apesar de ser o local de melhor qualidade de água dentre os locais de amostragem estudados, vem reproduzindo o quadro evolutivo apresentado pelos demais pontos de jusante. Nesta região, a implantação do sistema de esgotamento na sub-bacia do arroio Vitorino desviou as cargas anteriormente afluentes à barragem Lomba do Sabão, lançando o efluente concentrado diretamente no arroio Dilúvio, à montante da estação D1, o que tem contribuindo para a degradação da qualidade das águas deste local de amostragem.

- A situação mais crítica de poluição, observada junto à estação D9b, pode ser atribuída à existência, neste local, de um extravasor de esgotos que lança o efluente diretamente nas águas do Dilúvio e que por condições técnicas não pode ser ligado ao interceptor de esgotos implantado ao longo da Av. Ipiranga.

- Dentre os cinco pontos de amostragem que puderam ter seus percentuais de ocorrência comparados com os do período anterior, apenas a estação D11 mostrou uma leve recuperação de qualidade de suas águas no que diz respeito às características DBO5, DQO e OD, o que pode ser relacionado à implantação de interceptores e grandes extensões de redes de esgoto cloacal na sub-bacia do arroio Cascatinha, que encaminham para a EBE Baronesa do Gravataí os esgotos anteriormente lançados.

- Assim, o completo saneamento da bacia do arroio Dilúvio, com o resgate da qualidade natural de suas águas, só será alcançado quando for atingido o equilíbrio entre as demandas da população e a oferta de serviços de infra-estrutura urbana na região, através de ações que conciliem a preservação e proteção ambiental.

Recomendação

- Que seja retomado o Programa de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas do Município de Porto Alegre, iniciado em 1992, conciliando o trabalho integrado do poder público com a participação das comunidades envolvidas e definido, dentro de um planejamento global, as prioridades e metas a serem alcançadas a médio e longo prazos visando a preservação e proteção deste importante recurso hídrico. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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