Bem Vindo

- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida da Cidade de Porto Alegre inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

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- Em História, não podemos gerar Dogmas que gerem Heresias e Blasfêmias e nos façam Intransigentes.

- Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações de Porto Alegre.

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena. - Bom Passeio.

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domingo, 15 de novembro de 2015

Hoteis Antigos

Hotéis
Porto Alegre Antigo

hospedagem
cidade de Porto Alegre
surgimento e evolução 


Homenagem aos antigos hotéis da capital, tão respeitáveis por sua peculiar elegância e proeminência de seus hóspedes.
Cada novo dia um tradicional hotel vira história.

- A posição geográfica privilegiada de Porto Alegre em relação aos principais pólos econômicos do Conesul, sua condição de capital de estado e características cosmopolitas, a identificam, em alguma medida, com as capitais argentina e uruguaia, fazendo de Porto Alegre um ponto estratégico no contexto da Região Sul.

- Como conseqüência, o setor turístico, até agora de secundária importância, tende a desenvolver-se, principalmente no que se refere ao chamado “turismo de negócios”, voltado à realização de encontros de trabalho, convenções e outros eventos do gênero.

- Fazer um “passeio nostálgico e bucólico” por Porto Alegre Antigo, percorrer o seu centro residencial e descongestionado, andar pela Rua da Praia, com seus charmosos cafés e galerias comerciais e descansar, finalmente, num banco da Praça d’Alfândega, de onde ainda se avista o pôr-do-sol no Guaíba.

- Se a importância da arquitetura hoteleira da capital gaúcha pode ser considerada discreta, exemplos como o do já extinto Grande Hotel, elegante estabelecimento situado em frente à Praça da Alfândega, e o do Majestic Hotel, atual Centro de Cultura Mário Quintana, não podem ser desprezados.

hotéis de Porto Alegre
— primeirAs HospedaRIAS e hotéis

- Muitos hotéis situavam-se na Rua da Praia, a via mais importante da época. Os mais antigos estabelecimentos de que se tem registro, com destaque na segunda metade do século XIX, também ali se situavam.

- A cidade de Porto Alegre apresentou na sua área central as diferentes possibilidades de acomodação para aqueles que por ela passavam. Os meios de hospedagem são parte integrante da história do lugar, possuem características peculiares, conforme a cultura e população de um lugar.

- Em Porto Alegre, verificou-se que o aparecimento deste tipo de comércio, é muito pouco conhecido, uma vez que não existem registros específicos sobre eles.

- Para relacionar a formação do parque hoteleiro de Porto Alegre ao seu crescimento, especificado uma linha histórica dividida em duas etapas:

- A primeira correspondendo aos acontecimentos desde 1732 até 1835, na Revolução Farroupilha,
- A segunda etapa até 1940.

- Toda a pequena vila ou cidade tem um local onde viajantes, turistas, comerciantes, caixeiros e passantes podem pernoitar.

O boom Imobiliário

- É só então que a cidade, capital desde 1773, começa a recuperar o prestígio e a hegemonia econômica perdidos para Pelotas durante boa parte do século XIX em função do ciclo das charqueadas. Ocorre um verdadeiro boom imobiliário e a demanda de arquitetos cresce vertiginosamente.

- Antes da Primeira Guerra Mundial já havia um número considerável de profissionais em atividade, a maioria alemães, etnia cuja imigração fora incentivada pela abolição da escravatura e pela instauração da República, que criou condições para a ascensão das classes burguesas que viviam do comércio entre a capital e as colônias.

- A estrutura açoriana da cidade tem sua fisionomia fortemente alterada e as construções, até então influenciadas pela arquitetura colonial portuguesa, passam a conviver com edifícios robustos, ecléticos, com um rigor quase militar.

- Dentre esses arquitetos alemães imigrados destacou-se Theo Wiederspahn, responsável por inúmeras obras de relevo desde sua chegada em 1908.

Hotelaria em Porto Alegre

- A grande maioria dos meios de hospedagem, na época, estava localizada no centro da cidade, com predominância na Rua dos Andradas e no Caminho Novo (atual Rua Voluntários da Pátria), o que se devia ao fato de o acesso à cidade ser por excelência fluvial e estas ruas ficarem nas cercanias do porto, facilitando o acesso dos hóspedes aos hotéis.

No século XIX, no livro de Athos Damasceno cita os seguintes hotéis de Porto Alegre:

Hotel Drügg,
Hotel dos Artistas,
Hotel Aliança,
Hotel do Comércio,
Hotel Portoalegrense,
Hotel da Estrela,
Hotel Figueirense,
Hotel Nova Fama,
Hotel Fluminense,
Hotel Imperial,
Hotel do Higino,
Hotel da Marinha,
Hotel do Silva Santos,
Hotel Primeiro de Dezembro,
Hotel d’Europe,
Hotel Santa Leopoldina,
Hotel de Portugal,
Hotel de Veneza,
Hotel do Fúlvio,
Hotel do Universo,
Grande Hotel de Itália,
Hotel Central,
Hotel do Louvre,
Hotel Chinês,
Grande Hotel da Paz,
Hotel Roma,
Grande Hotel do Teatro,
Hotel Franco Italiano,
Hotel da Província,
Hotel Continental,
Hotel Garibaldi,
Hotel do Globo,
Hotel do Pareta,
Hotel Becker,
Hotel Rhenano,
Hotel Preusslerd,
Hotel Schimdt,
Hotel Roth.

- Entre os citados estão hotéis de primeira, segunda, terceira e quarta classe.

O Ramo Comercial

Século XIX, em meados, o crescimento do ramo hoteleiro em Porto Alegre iniciou efetivamente.

- Existem apenas algumas referências em jornais, revistas e livros sobre viajantes, anúncios de hotéis, eventuais menções em crônicas sociais da época, mas nada sistemático ou organizado.

- Nesta época, surgiram vários estabelecimentos hoteleiros, e estes apontavam à perspectiva do progresso da cidade. Alguns logo ficaram famosos, com expressão nacional e internacional, como:
Hotel Brésil, muito procurado por visitantes estrangeiros especialmente alemães,
Hotel Siglo,
Hotel Central,
Hotel de France,
Hotel Continental.
Hotel Bruno, na Voluntários da Pátria, 239, atual 769, em frente à antiga Estação Ferroviária de Porto Alegre (Castelinho). Propriedade de Roberto Bruno Petzhold, nas primeiras décadas do século XX. - Gegenüber der Bahnstation''

- Todos os hotéis existentes na cidade, naquela época, eram de propriedade familiar, pertenciam a famílias de destaque na cidade, ou pertenciam a algum imigrante.

No início do século XX, encontramos anúncios destes hotéis que salientavam os confortos oferecidos como as instalações com água corrente quente e fria, a existência de telefone e calefação, quantos quartos possuíam banheiros e aspectos como arejamento, sol e ausência de barulho.

- Também era de grande importância o atendimento, que em geral era feito pelos proprietários, cozinha internacional, “chef” europeu com freqüência alemão ou francês.

Por volta de 1900, Porto Alegre já contava com mais de cinqüenta hotéis.

- Nas primeiras décadas do século vinte, Porto Alegre era uma cidade praticamente horizontal e as torres da Igreja das Dores dominavam a paisagem em meio a um casario modesto.

- Mas era tempo de transformações e a influência da arquitetura colonial portuguesa diminuía, sendo substituída por determinado estilo, que misturava elementos da arquitetura germânica a diversas outras tendências européias.

- Surgiam prédios públicos novos e imponentes como os do Correios e Telégrafos e Delegacia Fiscal. Também na arquitetura privada, construções recentes redesenhavam o perfil da cidade, como as da Confeitaria Rocco e Cervejaria Bopp ou os prédios das faculdades junto a Redenção.

- O estímulo a uma arquitetura mais imponente, no caso dos prédios públicos, também espelhava o desejo da classe dirigente política de nosso Estado em demonstrar seu poder. No caso da iniciativa privada, prédios cheios de detalhes e grandiosidade eram a forma concreta de espelhar o sucesso e a solidez do empreendimento.

Rua da Praia

- A principal via da cidade, a Rua da Praia, transformava-se no local em que ia toda a gente que quisesse ver e ser vista. Uma grande quantidade de bares, casas de chá e cafés oferecia-se às pessoas que descansavam ou simplesmente apreciavam o "footing". É nesse sentido que pode-se compreender o crescimento da hotelaria em Porto Alegre.

Condições Sanitárias

Em 1912, é importante lembrar que então o sistema de esgotos chegou a Porto Alegre, portanto, naquela época as condições sanitárias da cidade eram bastante precárias, como dizia Alfredo Malan, que esteve em Porto Alegre no ano de 1896.

Hotel de Esquina

- O Grande Hotel e o Hotel Majestic foram os principais, mas não foram, entretanto, os únicos hotéis importantes que Porto Alegre possuiu. A arquitetura hoteleira das primeiras décadas do século XX parece ter sido considerável no contexto central da cidade. Constata-se, pelos poucos dados existentes, haver um tipo freqüente e talvez predominante: - o hotel de esquina.

- É provável que a capacidade de investimento e a grande disponibilidade de lotes centrais permitissem ao proprietário a escolha do “terreno ideal” para a implantação de seu hotel. Num modelo urbano em que os edifícios, normalmente estreitos, não possuem recuos laterais, constituindo perfeitamente a rua, e considerando que o programa hoteleiro pressupõe um grande número de células habitacionais dispostas em relação a um corredor, o “terreno ideal” para que se obtivessem as melhores vistas e as melhores condições climáticas para tais células seria o de esquina.

- Constata-se, de fato, que os hotéis de meio de quadra possuíam a maioria de seus quartos ventilados e iluminados através de poços, sem vistas interessantes. O Grande Hotel exemplificaria o modelo do hotel de esquina, com aposentos voltados ou para as ruas ou para um pátio situado no quadrante interno do terreno, junto às divisas. Desta forma, todos os quartos seriam favoravelmente orientados, com privilégio, sem dúvida, daqueles voltados para fora, numa época em que o centro era calmo, descongestionado, bem freqüentado e seguro.

Estilo hoteleiro

- Eminentemente ecléticos ou caracterizando uma transição em direção à arquitetura moderna, com número de pavimentos variável entre quatro (Hotel Moritz) e 10 (Hotel Jung), eram todos grandes estabelecimentos, com uma base comercial bem marcada, às vezes de dupla altura.

- Normalmente, os quartos principais possuíam varandas voltadas para as ruas. Algumas vezes com aberturas (Moritz, La Porta, Viena), outras sem (Schmidt), a aresta de esquina poderia ser arredondada ou em ângulo de 45 graus.

- Alguns, como o Jung, em virtude da acentuada assimetria entre as duas alas, tinham plantas que tendiam mais à linearidade, com a quase totalidade dos quartos voltados para uma das ruas, do que à forma de “L”, mais freqüente.

- Outra constatação relativa à época considerada é a grande quantidade de hotéis porto-alegrenses situados junto a praças. Tendência historicamente importante em cidades de prestígio, centros de negócios e distritos comerciais europeus e norte-americanos, os hotéis em praças ou parques urbanos.

- Plaza ou park hotels - ocupam uma área nobre do tecido da cidade, visualmente agradável e livre da interferência de outros edifícios.

- A lista de exemplos é encabeçada pelo Grande Hotel, com acesso pela Rua da Praia, em frente à Praça da Alfândega, a via mais importante do centro de Porto Alegre, local de encontros, feiras e eventos culturais de relevo.

A partir de 1940, os meios de hospedagem já estavam consolidados na história da cidade, constituindo-se em uma rede hoteleira diversificada e moderna.

A partir da década de 1950, o centro de Porto Alegre vai perdendo o seu antigo charme. A população de maior poder aquisitivo desloca-se para bairros menos congestionados, os prédios outrora residenciais, passam a comerciais e surgem problemas de segurança, principalmente à noite, quando diminui o movimento de lojas e escritórios.

Na década de 1980, com o aparecimento de grandes shopping centers, o tradicional comércio de rua tem sua importância reduzida e o processo de degradação do centro acentua-se ainda mais.

- Os antigos hotéis vão gradativamente desaparecendo e dão lugar a empreendimentos mais modernos, adaptados aos novos padrões tecnológicos e ao novo perfil sócio-econômico dos hóspedes, “o conceito”.

- Além dos citados há outros que estão em plena atividade em Porto Alegre em 2015:

City Hotel,
Hotel Continental,
Hotel Plaza (Plazinha),
Plaza San Rafael,
Hotel Embaixador,
Hotel Everest,
Hotel Savóia,
Hotel Plaza Catedral,
Hotel Roma,
Hotel Ritter,
Hotel Tryp Porto Alegre,
Hotel Master,
Hotel Sheraton,  etc.... também uma série de hotéis-residência e flats que se espalham por toda a nossa Porto Alegre.

Hospedagem

Cômodos

- Desde os tempos mais remotos das estalagens até os tempos modernos os hotéis, estes locais estão dotados de todos os requisitos necessários ou supérfluos para atender as demandas e exigências do homem até o século XXI.

- O relato mais antigo referente à hospedagem em Porto Alegre, foi encontrado no livro “Os viajantes olham Porto Alegre” (1754-1890), onde Henrique Villaça assim descreve sua chegada:

”No dia 14 de novembro de 1853, pelas 4 horas da tarde cheguei a Porto Alegre. Depois de me instalar em uma casa de pasto bastante regular em frente à praça do mercado, [...]” (NOAL FILHO; FRANCO 2004a, p. 98).

Por volta de 1740, Porto Alegre era uma pequena villa, constituída basicamente por um núcleo urbano ao redor do cais do lago Guaíba, circundada por propriedades rurais. Os viajantes que chegavam à cidade formavam basicamente dois grupos: os imigrantes que se dirigiam às colônias e os comerciantes do centro do país que se dirigiam ao Prata, e eram hospedados nas casas dos moradores.

- Mas a cidade foi crescendo, o comércio com a Europa e o interesse pela região foram aumentando, trazendo novos tipos de visitantes e, a partir das exigências destes, surge a necessidade de um novo produto: - hospedar estas pessoas.

- Desta forma, a própria história da formação da capital mostra que a hotelaria surge, em Porto Alegre, antes do atual conceito de turismo.

- Vários relatos encontrados nos livros “Os viajantes olham Porto Alegre” (NOAL FILHO; FRANCO, 2004a; 2004b), referem-se à “qualidade e generosidade da hospitalidade dos habitantes da capital do Estado”, mas são poucos ou raros, os registros sobre a formação e desenvolvimento do setor hoteleiro na cidade.

Pensões

Em 1890, começam a surgir as Pensões chegando a um número superior a 250 e estavam localizadas na sua maioria no centro da cidade, predominantemente nas Ruas dos Andradas, Voluntários da Pátria, Riachuelo e Andrade Neves.

- Mas, também eram encontradas em outros bairros, particularmente, os bairros Cidade Baixa, hoje incorporado à área central, Menino Deus, Bom Fim e Azenha.

- As Pensões tiveram papel importante na história da hospedagem de Porto Alegre, principalmente nos primeiros anos do século XX. Os imigrantes e comerciantes que vinham em direção ao Rio de la Plata, chegavam trazendo família e todos os bens que possuíam, e hospedavam-se nas pensões familiares.

- Estas Pensões eram precárias, sem água corrente, e com poucos banheiros de uso coletivo e localizavam-se ao redor do porto. As pensões eram usadas também como moradia de pessoas que chegavam para ficar na cidade e, na maioria dos casos, serviam refeições completas.

- Em muitas destas Pensões, moravam jovens, principalmente rapazes, que vinham do interior, para estudar e servir no exército. Aí também moravam famílias, em geral viúvas com filhos: - nesta época as mulheres não exerciam atividades remuneradas e viviam de “pensão” deixada por seus falecidos maridos, e desta forma era mais barato viver nas pensões, o que eliminava o custo da manutenção da moradia, além de serem mais seguras.

- Quando a mão-de-obra escrava começou a ser substituída por empregados que vinham da Europa, estes usavam as Pensões como dormitórios.

Início do século XX, as Pensões tiveram seu apogeu, e eram meios de hospedagem onde pessoas permaneciam por longos períodos de tempo, pelos mais variados motivos.

- Nas Pensões eram servidas refeições, e eram na maioria das vezes estritamente familiares: muitas vezes estes imóveis pertenciam a viúvas, que com o aluguel do espaço garantia o seu sustento e o de sua prole.

- A constante chegada dos imigrantes, sem destino certo e sem condições de se deslocarem, lotava as pensões com famílias a espera de uma instalação definitiva nas colônias.

Década de 1920/1930, as Pensões tiveram seu apogeu.

Casas de Cômodos

As Casas de Cômodos (ou cortiços) na rua estreita, com ladeira e aberta ao curso natural de uma expansão urbana não planejada, que na passagem do século XVIII para o XIX passa a ter uma conotação depreciativa ao mesmo tempo moral, estética e higiênica.

- O “beco” é sinistro, sujo, perigoso e feio, espaço que concentra o pobre, encravado no coração da cidade. É o mau lugar. (PESAVENTO, 2001) surgiram com o fim da escravatura em 1888 e com o declínio do centro da cidade.

Cortiço

- As Casas de Cômodos, também conhecidos como “cortiços”, que na verdade eram casebres construídos nos fundos de uma moradia.


- Estes locais passaram a ser constantemente mencionados pela imprensa, formadora de opinião, como lugares perigosos onde ocorria todo tipo de contravenção. Estes jornais contribuíram para a construção de imagens fortes com muitos artifícios e retórica, apontando para uma realidade que nos deixa visualizar uma grave questão social que já se delineava naquela época. Estes periódicos, em seus artigos de cunho moralista, referiam-se à alguns hotéis, que segundo eles, sob a designação de hotéis albergavam o meretrício e pontos de prostituição.

Segundo Rodrigues (1989, p. 46) os cortiços constituem:

“Habitações coletivas, em imóveis com pouca ou nenhuma conservação, de idade média elevada, que proliferam nas áreas centrais. [...] Os cortiços correspondem a uma das mais antigas formas de habitação das classes populares.”

- Os jornais mais importantes da época eram: - Correio do Povo, Jornal do Comércio, A Gazetinha, O Mercantil, e a Gazeta da Tarde (PESAVENTO, 2001, p. 86).

- De acordo com Pesavento (2001), as Casas de Cômodos se caracterizavam por serem habitações precárias, insalubres, sem ar e ventilação, a maioria das vezes sem esgoto e superlotadas.

- Em geral estas casas possuíam uma bica e um tanque para uso comum.

O Inspetor

Em 1894, o governo criou o cargo de ‘inspetor de higiene’ que fiscalizava a salubridade destas casas de cômodo. Em jornais da época encontravam-se os resultados destas visitas que dão uma idéia da precariedade daquelas moradias.

- É provável que muitos destes meios de hospedagem fossem lugares adaptados para tal fim e alugados, sendo talvez esta a explicação para tantos nomes diferentes em um mesmo endereço. Além disto, é necessário que se leve em conta que ocorreram várias mudanças na legislação e forma de tributação de imóveis particulares e comerciais, muitas vezes modificando a maneira como estes registros eram feitos. Da mesma forma, mudanças no traçado das ruas e conseqüente modificação na numeração e nomes de ruas, podem ter contribuído para a confusão de endereços e proprietários muitas vezes encontrada, principalmente, nos livros de registros de impostos.

A partir de 1920, obtemos registros das Casas de Cômodos, porém sabemos que estas aparecem já no final do século XIX, conforme relatos encontrados no livro “Uma outra cidade” (PESAVENTO, 2001).

Hotéis

Hotel del Siglo

Inaugurado por volta de 1870, o Hotel Del Siglo ou Hotel Siglo estava situado no local do Cine Teatro Guarany, na Rua dos Andradas.

- É assim descrito por Achylles Porto Alegre:

“Era ali na Praça da Alfândega, onde hoje existem a casa de móveis J. Jamardo e o sobrado da “Previdência do Sul”, em cujo pavimento térreo está instalado o “Cinema Guarany”.

- O Hotel Siglo, era um vasto e amplo edifício que tinha faces para a Praça da Alfândega, ficava entre os sobrados onde estava estabelecida a Caixa Econômica (edifício Abelheira), e que também servia de moradia à família de seu gerente Afonso Coelho Borges e onde muitos anos depois esteve o “Correio do Povo”.

- No livro “Porto Alegre. Crônicas da minha cidade”, Sanhudo o descreve como “o hotel da época”, um “casarão formidável” que abrigava os mais importantes visitantes da capital.

Hotel de France

- Localizado na esquina da atual Avenida Borges de Medeiros com rua dos Andradas, onde hoje está o Edifício Missões, outro reduto de figuras eminentes, principalmente políticos. As informações a respeito são escassas, mas sabe-se que pertencia ao Sr. João Pedro Bourdette, que mais tarde participou da fundação do Grande Hotel.

- O edifício de três andares destacava-se de seus vizinhos, o prédio de um pavimento da Livraria do Globo e o sobrado de Germano Petersen Júnior, no térreo do qual ficava a alfaiataria da família, considerada um “ninho de politicalha”.

- A parte de baixo do edifício era ocupada pela agência da Singer e por um restaurante e, os dois pavimentos superiores, pelo hotel, que se anunciava com os seguintes dizeres:

“Estabelecimento de primeira ordem, situado no melhor ponto da capital. Grandes salas para famílias. Quartos para banhos mornos e de chuva. Serviço culinário com todo o asseio e esmero. Encomendas para fora. Banquetes, almoços e jantares particulares”.

Hotel Lagache

- O Sr. João Pedro Bourdette associou-se, anos depois, a seu genro, Sr. Cristino Cuervo, com o qual tornou-se proprietário do Hotel Lagache, fundado por Gustavo Maynard e situado à Rua Marechal Floriano.


Em 1929, o Hotel Lagache, que um anúncio descrevia como:

“Situado no melhor ponto da capital – água corrente na maior parte dos quartos – ótimas salas para banquetes – salas reservadas para Exmas”.

- Famílias – “Explêndido jardim de inverno”, tudo isso ao alcance do telefone 4920.

Hotel Brazil

- Nos primeiros anos deste século, no intuito de estenderem suas atividades, os sócios desfizeram-se do Hotel Lagache e adquiriram o Hotel Brasil, situado em um antigo prédio na Praça da Alfândega, onde hoje encontra-se a sede do Clube do Comércio.

Hotel Brazil


- Remodelado, o hotel foi ligado por uma passagem interna ao edifício pertencente ao antigo Ginásio São Pedro, situado à Rua General Câmara, próximo à Riachuelo.

Grande Hotel


Em 1908, o Hotel Brasil passou a denominar-se Grande Hotel e já então hospedava pessoas ilustres e políticos importantes.


- Decorridos alguns anos, os edifícios interligados não mais preenchiam seus fins, e o Sr. Cristino Cuervo, sucessor do sogro João Pedro Bourdette na direção geral do estabelecimento, lançou-se à construção de um moderno edifício, próprio para a função hoteleira, em terreno na esquina da Rua da Praia com a Rua Payssandu (atual Caldas Júnior).

Em 1916, as obras do edifício iniciaram, a cargo do construtor Francisco Tomatis e fiscalizada pelo engenheiro Viberbo de Carvalho.

- O edifício tinha planta composta por duas alas ligadas nas extremidades por um bloco com sanitários, corredor e escada de serviços, formando a figura de meia cruz suástica. Tal geometria permitia a criação de um pátio interno voltado para os fundos e a adaptação do edifício a um sobrado existente exatamente na esquina. Uma das alas tinha frente para a Rua da Praia, para onde se abriam sete aposentos do pavimento-tipo, e outra para a Rua Payssandu, com quatro aposentos. Sanitários e demais dormitórios, menos privilegiados, voltavam-se ou para o pátio ou para as divisas laterais.

- Dos 20 quartos existentes por pavimento, apenas três contavam com banheiro privativo. O acesso principal dava-se por amplo e requintado lobby, em frente à Praça da Alfândega, e a majestosa escada, com dois elevadores laterais, conduzia a um corredor bastante complexo, em zigue-zague e com uma bifurcação na ala da Payssandu, ora interno, com células de ambos os lados, ora externo, voltado para o pátio. Tal complexidade era determinada pela localização excêntrica da circulação vertical em uma das alas.

- O edifício eclético, de fachada profusamente decorada, tinha base comercial e era encimado por frontões que marcavam a hierarquia entre ala de acesso – Rua da Praia – e ala lateral – Rua Payssandu. Todos os aposentos frontais abriam-se para varandas que podiam ser individuais ou uni-los em grupos de dois ou três, sendo que a comunicação interna entre células permitia a ocupação por grupos maiores, muitas vezes famílias residentes no hotel.

- O prédio, conforme os paradigmas da época, se inseria perfeitamente no tecido urbano. Fazia, inicialmente, divisa com edifícios mais baixos, de dois a quatro andares.

- Na ala de acesso, em virtude da privilegiada vista da Praça da Alfândega e da afamada Rua da Praia, situavam-se os melhores quartos, favorecidos também pela orientação norte, protegida por varandas. A face voltada para a Rua Payssandu tinha insolação oeste, problemática nos dias de verão.

Em 1918, as obras terminaram, em uma Porto Alegre que não chegara ainda a 200 mil habitantes, concretizando o sonho do imigrante francês João Pedro Bourdette e seu genro Cristino Cuervo.

Nota:
- Os dois empresários, no entanto, não viveram o suficiente para ver a venda do seu patrimônio.


Personalidades

- Talvez não tenha havido construção mais intimamente ligada à história política dos gaúchos e ao seu “grand monde” da capital do que o Grande Hotel, na Rua dos Andradas, esquina com a Caldas Júnior, a antiga Rua Payssandu, local onde hoje é o Shopping Rua da Praia.

- Considerado a mais tradicional, prestigiosa e sofisticada casa hoteleira de Porto Alegre. Em seus apartamentos se hospedaram poderosos políticos brasileiros, diplomatas, influentes empresários e personalidades do mundo das artes e dos esportes. O Marechal Hermes da Fonseca, pouco antes de ser eleito presidente da república, o grande senador Pinheiro Machado, Assis Brasil, Flores da Cunha, Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, Lindolfo Collor, Raul Pila, Salgado Filho, o general norte-americano Mark Clark, o Marechal Cândido Rondon.

- Segundo Dante de Laytano, o Grande Hotel era a sede não oficial de todos os partidos políticos e vários lideres ali residiam, assim como famílias de genealogia imponente não admitiam morar noutro lugar (CARNEIRO, 1992).

Belle Epóque

- Em seus salões aconteciam os banquetes mais elegantes, as festas mais concorridas, as jogatinas profissionais, flertes, brigas, luas-de-mel e encontros amorosos.



- Muitas famílias ricas e estudantes abastados ali moravam de forma permanente. Símbolo da Belle Epóque porto-alegrense, das suas janelas e sacadas assistia-se o “footing” de uma Rua da Praia ainda glamourosa, com seus restaurantes, cafés, cinemas, lojas finas e homens e mulheres elegantemente trajados.

Em 1923, foi nas dependências do Grande Hotel (a sede informal de todos os partidos políticos) que se estabeleceram as premissas para a pacificação do Rio Grande do Sul do Movimento de 23.

Em 1927, ocorre a primeira ampliação, assinada por Carlos Sylla, e a ala lateral é acrescida de mais 11 dormitórios por pavimento.

Em 1928, com a incorporação do lote de esquina, o hotel adquire aquela que seria a sua forma final, um “L” perfeito, com 38 quartos por pavimento e quatro poços de iluminação e ventilação. Supõe-se que a idéia de ocupação de esquina era originalmente prevista, pois o arranjo inicial da planta baixa possibilitava facilmente as expansões posteriores. Uma perspectiva do edifício, provavelmente anterior à construção, confirmaria tal hipótese. Percebe-se que a sua configuração final, anos mais tarde à sua concepção, toma contornos mais “modernos”, com a supressão dos frontões e sua substituição por um coroamento mais contínuo e simplificado. O torreão de esquina, com varandas arredondadas e cúpulas superiores, embasado por grandes colunas e uma porta que poderia ser de acesso principal, dá lugar a uma aresta arredondada, mas cega, com a mesma altura do resto do edifício.

- O Grande Hotel depois de completo possuía 180 salas para diversos fins, e instalações para receber 250 hóspedes, com equipamentos em sua maioria importados, de alto luxo e requinte.


- As louças e cutelaria eram finíssimas, todas de procedência estrangeira, inclusive um raríssimo serviço de banquete de Limoges, de grande valor artístico cuja fabricação há muito havia sido suspensa.

Em 1930, no Grande Hotel se arquitetou o plano para a Revolução de 1930 que levou Getúlio Vargas ao Catete e sepultou a República Velha.

- Flores da Cunha, Oswaldo Aranha, Maurício Cardoso e outros revolucionários eram hóspedes fiéis do hotel, que se tornou uma espécie de quartel-general da conspiração e testemunha de inúmeros incidentes a ela relacionados.
Dante de Laytano assim o descreve:

“O Grande Hotel era a sede não oficial de todos os partidos políticos. Seus líderes residiam ali. Era status. Banquetes, festas oficiais, cerimônias sociais. (...) O tumulto, as brigas, a repressão, a agitação que naturalmente ficavam sempre ao lado das moças bonitas a desfilarem pelas calçadas e a rapaziada no meio da rua, defronte ao cordão do meio-fio. A belle époque, o chapéu das senhoras, as luvas, a elegância de uma sociedade burguesa, etc. e tal”.




- Depois do falecimento de Sr. Cristiano Cuervo, sucederam-no na direção do hotel seus filhos Pedro, José e Luiz Cuervo (CORREIO do Povo, 14/05/1967, p.16).

A Mudança de Ramo

Em 1956, os três filhos de Cristino Cuervo é que dirigiam o negócio.

Em meados de 1956, naquela que foi considerada uma das maiores transações imobiliárias de Porto Alegre, o prédio foi vendido ao Grêmio Beneficente dos Oficiais do Exército – GBOEX, e rebatizado com o nome de Edifício General Mallet, militar brasileiro nascido na França, patrono da arma de artilharia.

Até o início de 1957, o Grande Hotel funcionou, quando foi entregue aos novos proprietários, que o readaptaram para fins comerciais.

- Até essa época a construção, com três alas e sete andares, contava com 180 salas e capacidade para receber até 250 hóspedes individuais, que pagavam caro para desfrutar de finíssimas louças e talheres importados e comer e beber do bom e do melhor.

O Incêndio

Em 13 de maio de 1967, sábado, final da tarde, quando a Porto Alegre de 800 mil habitantes dançava ao som da Jovem Guarda e dois dias após a violenta repressão policial a um protesto de estudantes contra o regime militar (eles foram espancados até mesmo dentro da Catedral Metropolitana), nesse dia, data da Abolição da Escravatura no Brasil, véspera do Dia das Mães, um incêndio de grandes proporções iniciou no quinto andar do Edifício Mallet.

- As chamas se propagaram com tal força e rapidez que muitos clientes do tradicional Salão Cruzeiro fugiram com metade da barba por fazer e o cabelo só em parte cortado.


- Eram 18h30 min, caía a noite e os bombeiros demoraram a chegar – quando isso aconteceu a água dos raros hidrantes mostrou-se com pouca força e foi necessário buscá-la no rio Guaíba.
   
- Dada a intensidade das chamas e dos jatos das mangueiras temia-se que todo o velho prédio viesse abaixo. Também as fagulhas que se espalharam geraram o temor de novos focos. Felizmente nenhuma construção vizinha foi atingida e as grossas paredes de tijolos mantiveram-se de pé.

- Felizmente os Bombeiros haviam conseguido isolar a tempo os laboratórios onde estavam depositadas grandes quantidades de ácidos e produtos inflamáveis – atingidos pelo fogo, a explosão seria monumental e de consequências imprevisíveis.


- Às 23h30 min o incêndio já estava praticamente dominado.

Prejuízos e Desempregados

- No coração da cidade, com sua bela e histórica fachada, o Mallet era um importante centro comercial da capital gaúcha. Grande número de profissionais liberais, entidades de classe e representações comerciais operavam em suas salas.

- No último pavimento estava o Círculo Militar de Porto Alegre e no andar térreo localizava-se a nova Farmácia do GBOEx, o Salão Cruzeiro, a Livraria Jackson, o escritório dos municípios gaúchos e a agência Radional
  
- Com o sinistro de maio criou-se também um problema social e trabalhista. Dezenas de homens e mulheres perderam seus empregos e rendas, milhares de papéis, contratos e documentos importantes foram destruídos e vultosos prejuízos de equipamentos e máquinas não puderam ser cobertos pelo seguro – o do prédio como um todo era igualmente irrisório. Os funcionários do tradicional Salão Cruzeiro, por exemplo, trabalhavam como diaristas e passaram os dias seguintes procurando colocação em outras barbearias.  Por sua vez os empregados em pequenas firmas pouca esperança tinham de uma possível indenização já que seus patrões também haviam perdido tudo. 
   
- Não só humildes empregados como instituições e nomes conhecidos da vida de Porto Alegre, inquilinos do prédio incendiado, viveram dias angustiosos naquele outono de 1967. A relação fornecida pelo próprio GBOEx incluía o advogado José Henrique Mariante (o delegado que acudiu durante o incêndio da Casa de Correção, doze anos antes) o também advogado, jornalista e vereador Alberto André, o político João Brusa Neto, o jornalista e colunista esportivo Cid Pinheiro Cabral, o ex centro-avante do Grêmio Rubens Mostardeiro Torelly.

- Também tinham endereço no Edifício Mallet a diretoria regional dos Correios e Telégrafos, a Editora Mérito, a Agência Marítima Interamericana, a Companhia Rádio Internacional do Brasil, o Banco Ítalo Belga, a União Gaúcha dos Estudantes Secundários, o Centro de Confraternização Jaguarense, Associação dos Licenciados do Rio Grande do Sul, o Centro Itaquiense, a Federação Gaúcha de Futebol de Salão, Dioni York Bado, Livraria Ibal, Centro dos Oficiais Administrativos do Estado, Territorial Vale do Araguaia.
   
- Especialmente prejudicados ficaram os segurados do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Ferroviários e Empregados em Serviços Públicos, IAPFESP, um dos principais órgãos de assistência social brasileiro e cujos fichários locais haviam sido totalmente consumidos pelo fogo. Com eles desapareceram a história clínica de milhares de pacientes, além de equipamentos de radiologia, fisioterapia, odontologia, raio X, entre outros.

O Fim Melancólico

- Chegara ao fim o outrora reduto de políticos, fazendeiros, homens de negócios; anfitrião de atrizes das companhias teatrais, jogadores profissionais e estudantes abastados; moradia de famílias ricas e de genealogia imponente.


Em maio de 1969, junto aos últimos vestígios do Grande Hotel, um pátio de estacionamento acolhia DKWs, Simcas, Aero Willys, Gordinis e Fuscas. Neste terreno posteriormente foi construído o Rua da Praia Shopping, mas sem o glamour


Majestic Hotel

- O prédio do Hotel Majestic foi fruto da ousadia empresarial de Horácio Carvalho.
A proposta inicial consistia num edifício com térreo, mais cinco pavimentos e duas alas, uma de cada lado da travessa, ligadas por passarelas suspensas.


Horácio Carvalho

- Horácio Carvalho. (Alegrete, 1860 – Porto Alegre, 1938) tornou-se um comerciante de sucesso, antes mesmo dos 1940 anos.

- Depois de trazer sal e açúcar do Nordeste, adotou novos empreendimentos, como a importação de cimento e ferro da Alemanha, de outros materiais de construção, além de continuar com os negócios de origem.

- Ele comprou, então, extensos terrenos à beira do Guaíba, onde mandou construir trapiches, para ali atracarem navios. Construiu, também, armazéns que tomavam parte da Rua Sete de Setembro, da Rua Júlio de Castilhos e da Siqueira Campos. Em suas viagens à Europa, encantou-se com o bom gosto e a solidez dos prédios que estavam sendo construídos. Como queria, além de sua vida de empresário, revolucionar também a arquitetura da cidade, estendeu sua audácia, desejando um prédio que se destacasse entre os demais, e que fosse reconhecido e identificado ao primeiro olhar.

- A potencialidade do setor foi percebida pelo empresário Horácio de Carvalho, homem ligado ao ramo da importação e exportação,

- Horácio Carvalho encontrou no jovem arquiteto alemão Theodor Alexander Josef Wiederspahn, o profissional reconhecido, com visão e estilo, que não tinha receio de utilizar novas ideias.

O Arquiteto

Em 1910, Theo Wiederspahn, arquiteto, nascido em Wiesbaden, Alemanha, morando no Brasil desde 1908. Em Porto Alegre projetou a Delegacia Fiscal (atual MARGS), Correios e Telégrafos (atual Memorial do Rio Grande do Sul), Secretaria da Fazenda, Edifício Ely (atual Tumelero), Cervejaria Bopp (depois Brahma, atual Shopping Total) e muitos outros prédios e residências que marcaram época, era empregado de uma grande construtora.

Em 27 de maio de 1913, os trâmites da construção começaram por intermédio do processo 1352/13, entrou na Intendência Municipal (Prefeitura) com um pedido de licença para pagamento de impostos referentes à construção do edifício do futuro hotel.

- A seguir, o Sr. Horácio Carvalho contratou a firma do engenheiro Rudolf Ahrons, ficando o projeto a cargo de seu mais importante funcionário Theodor Wiederspahn, arquiteto.

- O prédio seria implantado num terreno à Rua da Praia, entre as atuais ruas João Manoel e Bento Martins, e cortado pela Travessa Araújo Ribeiro.

- O projeto de Theo era belo, novo, impressionante: - dois blocos de cinco andares, separados pela Travessa Araújo Ribeiro e ligados por cima desta, a partir do segundo andar, por passarelas vazadas e sustentadas por pilares.


- Primeiro grande edifício de Porto Alegre em que se utilizou concreto armado, foi concebido para ocupar os dois lados da Travessa Araújo Ribeiro. Interligando a construção, grandes passarelas, embasadas por arcadas e, contendo terraços, sacadas e colunas.

- O projeto do hotel foi considerado muito ousado para a cidade, pois a idéia das passarelas suspensas sobre a via pública era inédita por aqui.

- O início da Primeira Guerra Mundial atrapalhou.

Em 1916, iniciaram as obras do Hotel Majestic.

O Embargo

- A execução da obra é embargada pelo então Presidente do Estado, Borges de Medeiros, que alegava o alto risco estrutural apresentado pelas passarelas. Foi construída, assim, apenas a ala oeste do edifício, com quatro pavimentos e 150 quartos.

Em 1918, é concluindo a primeira parte do edifício, inicialmente administrado por Horácio de Carvalho, passa a funcionar como pensão de boa categoria e abrigar, no salão térreo, a Companhia Sulford de Veículos.


Em 1923, o prédio foi arrendado para aos irmãos espanhóis Jayme, Domingos, Ramon e Pedro Masgrau da empresa Masgrau Irmãos e Cia., que lhe deram o nome de Majestic Hotel.

- A administração da parte hoteleira ficou a cargo dos irmãos, e Horacio Carvalho não tinha ingerência sobre ela.

- A vida do Hotel Majestic iniciou realmente neste ano, com o arrendamento do prédio, aos imigrantes espanhóis que estabeleceram-se no Brasil e ligaram-se ao ramo da importação e exportação.

- O hotel foi totalmente reequipado na sua parte interna, tendo sido renovado o mobiliário, cortinas, serviços de mesa, e decoração. Os quartos e os ambientes foram re-decorados pela firma Gerdau dando-lhes um impulso e vida nova.
De acordo com Silva (1992) o ambiente do hotel “era sóbrio, elegante e agradável”.

- O hotel transformou-se em um marco histórico no desenvolvimento e modernização de Porto Alegre, com uma localização privilegiada, quase às margens do Guaíba que, na época, ia até onde atualmente é a Avenida Mauá.

- Um trapiche trazia diretamente os hóspedes ao Hotel.

A partir da década de 1920, o Hotel Majestic, Bem freqüentado - famílias do interior que traziam os filhos para estudar na capital, casais de bom poder aquisitivo que ali estabeleciam residência, militares e algumas figuras importantes da política e das artes, o Majestic começa a sua fase áurea e passa a ser o principal concorrente do Grande Hotel, que, sem dúvida, absorvia a clientela mais proeminente, quando Porto Alegre, com pouco mais de cem mil habitantes, sofre processo de desenvolvimento econômico conseqüente à chegada de grande contingente de imigrantes europeus.


- Os novos donos do poder, provenientes do sistema pecuarista-latifundiário, adotavam uma orientação que tendia à modernização do aparato estatal e dos meios de produção, incentivando a ascensão de uma burguesia urbana que conseguira acumular imensos capitais à custa de agricultores educados em seculares relações de submissão. Esses capitais permitiram a estruturação de uma sólida rede bancária que financiava a instalação de numerosas fábricas e um desenvolvimento econômico e social inéditos em Porto Alegre.

Em 1926, foi projetada a ala leste, a segunda parte do projeto, estando localizado, na Rua da Praia, número 54.  

Em 1927, por influência do Intendente Municipal (Prefeito) Dr. Otávio Rocha, o Presidente do Estado (Governador) Sr. Borges de Medeiros concede licença para a continuação das obras do hotel.



Em 1927, iniciaram-se as obras de ampliação do Majestic.




Em 1929, depois da obra terminada, constitui-se no maior hotel da cidade com 300 quartos e 310 banheiros, todos com luz e ar diretos, alguns apartamentos especiais para famílias, salão de refeições de 1125m², funcionando no quinto andar, permitia acomodação para 600 pessoas.


- O Majestic foi classificado como um hotel modelo e confortável, e foi um marco histórico no desenvolvimento e modernização da cidade. Por ficar nas margens do Guaíba que naquela época ia até a Avenida Mauá, possuía um trapiche que trazia os hóspedes diretamente ao hotel.


Em 1933, o Majestic possuía sete pavimentos na ala leste e cinco na ala oeste. O projeto concebido pelo arquiteto Theodor Wiederspahn, com passarelas suspensas, arcadas para embasamento das passarelas, sacadas, terraços e colunas foi considerado ousado naquela época, foi também o primeiro edifício onde se utilizou o ‘concreto armado’.

Interação de Alas

- A nova ala, a leste, era composta de seis pavimentos, produzindo uma assimetria no edifício que, apesar de indesejada, acabou sendo definitiva. Destacava-se de seus vizinhos, casas residenciais e comerciais baixas, não só pelo porte, mas também pela originalidade morfológica - passarelas suspensas, sacadas internas, grandes cúpulas superiores - e pela imponência eclética, com adornos altamente decorativos.

- Sua linguagem inspirada nos moldes do século XIX, escondia, entretanto, uma técnica construtiva avançada, transição da arquitetura de paredes auto-portante para a de estrutura independente. Possuía caixa externa portante, sem pilares internos, mas com lajes e vigas de concreto armado. Os grandes espaços, formando um sistema de pórticos, foram repartidos originalmente por alvenaria leve e estuque.

- O térreo era comercial e os acessos ao hotel davam-se pela Travessa Araújo Ribeiro, bem no centro de cada ala, sob as passarelas centrais. O requintado lobby, de pé-direito alto e marcado por duas grandes colunas revestidas de mármore, tinha ao fundo a escada e os elevadores que desembocavam, a cada pavimento, em um amplo saguão frontal à passarela central, que servia como espaço de convívio. Formavam-se, desta forma, dois tipos de percurso dentro do hotel: um transversal-vertical, amplo, semi-público, ligando lobby, saguões, passarelas e salas coletivas do último andar; outro longitudinal-horizontal, contido, reservado, através dos corredores de ligação das células habitacionais.

As Passarelas de Ligação

- O percurso transversal-vertical proporcionava um interessante jogo entre espaços internos, externos, públicos e privados: num extremo estava a travessa, espaço aberto que permitia o encontro entre hóspedes e passantes; no meio do percurso estavam as salas de estar, ora protegidas por paredes, ora na forma de grandes varandas abertas ao exterior, próprias para encontros entre hóspedes; no extremo superior ficavam restaurante e salão de baile, onde aconteciam eventos sociais que reuniam os membros mais seletos da comunidade porto-alegrense.

- O percurso longitudinal-horizontal, introvertido, caracterizava o movimento no pavimento-tipo, em fita dupla, com células habitacionais voltadas para a travessa e serviços de apoio, sanitários coletivos e circulação vertical ao longo das divisas, recortadas por quatro estreitos poços. A disposição das células permitia sua iluminação e ventilação direta, o que constituía exceção numa época em que os quartos de hotéis eram climatizados, em grande parte, através de poços internos.


O Espaço

- A verdadeira chave do projeto era, sem dúvida, a travessa Araújo Ribeiro. Ao incorporá-la ao hotel, Theo Wiederspahn criou um espaço ao mesmo tempo aberto e contido, com zonas de expansão e retração, com alternância de alturas e luminosidade; nem tão privado que constituísse uma barreira aos passantes, mas nem tão público que não funcionasse como filtro aos transeuntes da cidade. Sua escala era agradável. As varandas privadas conferiam-lhe um ar familiar, de vizinhança; as passarelas e cúpulas davam-lhe “monumentalidade”.


- Era o “coração” do hotel, seu centro de convívio e integração.

Os anos 1930 e 1940, no apogeu do Majestic, Porto Alegre dispunha de muitos atrativos, várias companhias de revista por aqui transitavam, seguindo depois para Montevideo e Buenos Aires.

- O ambiente sofisticado, com mármores portugueses nas escadarias e nos pisos, os gradis das sacadas, a refinada cozinha e a orquestra tocando todas as noites atraíram hóspedes ilustres, como: - Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, João Neves da Fontoura, Lindolfo Collor e João Goulart, ou artistas como Francisco Alves, na época o maior cantor do Brasil, e a vedete Virgínia Lane, a preferida do Presidente Getúlio Vargas.

O Declínio

No final dos anos 1940, marcaram o início do declínio do Majestic Hotel, que tem sua fisionomia gradativamente alterada.

O caso de uma Época

Nos anos 1950, iniciou-se o processo de desgaste do hotel. A nova administração passou a não selecionar os hóspedes e logo as pessoas de alto poder aquisitivo ou prestígio foram substituídas por caixeiros-viajantes.

- O período denominado de "desenvolvimentista" não foi bom para o Majestic, que, vítima da desfiguração que atingiu o centro da maioria das cidades, ainda sofria a concorrência de novos hotéis, com instalações mais modernas e amplas.

- Além de tudo, a antiga localização, antes privilegiada, agora era problemática. As elites saíram do centro e foram instalar-se em bairros diferenciados. O centro tornou-se local de serviços diurnos, com um comércio agitado que fechava suas portas à noite, quando a Rua dos Andradas transformava-se em local perigoso. As pessoas não viajavam mais nos vapores, o muro da Mauá impedia o acesso livre ao porto e a construção da nova rodoviária proporcionara o surgimento de vários hotéis a sua volta.


Na década de 1960, após sucessivas mudanças administrativas, passou a não selecionar os hóspedes e logo as pessoas de alto poder aquisitivo ou prestígio foram substituídas por lutadores de "cath" e luta livre que substituíram antigos hóspedes, além de solteiros, viúvos, boêmios e poetas solitários como Mario Quintana, que ali hospedou-se de 1968 a 1980, o tradicional estabelecimento passa a funcionar como uma espécie de pensão mensalista, lar de antigos clientes, pequenos funcionários, aposentados, idosos.

- Ao final, dos 300 quartos, passou a ter funcionando pouco menos de 100.

Na década de 1970, o edifício foi posto à venda, em dez anos, apenas dois interessados surgiram, os quais desanimaram frente às reais condições do prédio.

Da pressão popular surge uma Casa de Cultura.

No final dos anos 1970, surgiu toda uma discussão entre a população sobre nosso patrimônio cultural. Uma das conseqüências foi a realização de um levantamento dos prédios antigos, com o fim de resgatar e preservar sua arquitetura.

- A humanização da área central da cidade também entrou na discussão e vários prédios foram tombados pelos órgãos do patrimônio histórico.

Em 1980, foi anunciado e realizado um leilão com os móveis e utensílios do Hotel Majestic, que hoje encontram-se dispersos e em mãos de particulares.

Em julho de 1980, o prédio foi adquirido pelo Banrisul – Banco do Estado do Rio Grande do Sul, no governo Amaral de Souza. O negócio foi feito para que o governo do Estado pudesse comprá-lo, já que não tinha verba suficiente para o valor real.

Em 29 de dezembro de 1982, o governo do Estado adquiriu o Majestic Hotel do Banrisul.

Em 1983, o Hotel Majestic é tombado pelo Patrimônio Histórico.

A partir de 1983, os prefeitos, propuseram projetos para remodelar a área central e o Majestic foi lembrado nessa movimentação da população pela valorização de sua história. Mas antes disso muito se perdeu.

Em 1983, em seguida, o Majestic foi arrolado como prédio de valor histórico e iniciada sua transformação em Casa de Cultura.

- No mesmo ano, através da lei 7803 de 08 de julho, recebeu a denominação de Mário Quintana, passando a fazer parte da Subsecretaria de Cultura do Estado.

Casa de Cultura
De 1987 a 1990, a obra de transformação física do Hotel em Casa de Cultura, entre elaboração do projeto e construção, desenvolveu-se.


- O projeto arquitetônico foi assinado pelos arquitetos Flávio Kiefer e Joel Gorski, os quais tiveram o desafio de planejar 12.000 m2 de área construída para a área cultural, em 1.540m2 de terreno.

Em 25 de setembro de 1990, foi inaugurado como a Casa de Cultura Mario Quintana, poeta gaúcho morador do Majestic no período de 1968 até 1980 (CARVALHO, 1994), em homengem a seu famoso hóspede.



Moderno Hotel

- Para o lado da Estação Ferroviária, em plena Rua Voluntários da Pátria, ficava o Moderno Hotel, antigo Hotel Coliseu.

“Edifício de cimento armado, servido de elevador, instalação de água corrente e luz directa em todos os quartos, cozinha de primeira ordem, banhos quentes e frios”, tudo isso “exclusivamente para famílias”.

Grande Hotel Schmidt, situado na esquina da Rua dos Andradas com a Rua Marechal Floriano.

Grande Hotel Schmidt.
Vista Rua Andradas com Marechal Floriano. 
Arquivo fotográfico da Faculdade de Arquitetura da UFRGS.

Atualmente (2015)

Hotel e Pensão Schmidt , na Rua Voluntários da Pátria, mais para o lado do Mercado Público, ficava o Grande Hotel Schmidt, que, entre outras virtudes, alardeava “um belíssimo e frondoso jardim”.

- Seu proprietário foi Frederico Schmidt.

Guahyba Hotel, ficava na Rua Voluntários da Pátria, mais próximo do Centro, aceitava pensionistas.

Hotel La Porta, na esquina da Rua dos Andradas com a Rua Uruguai.  

Hotel Moritz, na Rua 7 de Setembro esquina Rua João Manoel.

Hotel Viena, na Rua dos Andradas com a Rua General Câmara, são bons exemplos.


- Também junto à Praça da Alfândega, mas na esquina oposta, em frente à antiga Confeitaria Colombo, ficava o Hotel Viena, reduto de intelectuais e artistas.

Hotel Nacional

- Localizado na Rua Sete de Setembro, na esquina com a Rua General João Manoel.

Em 1919, o prédio foi projetado pelo arquiteto italiano Augusto Sartori, a pedido do comerciante Guilherme Alves.

- Erguido em estilo eclético, possuia seis pavimentos, cada um deles decorado rica e diferentemente.

Na década de 1940, o Hotel Nacional entrou em decadência.

Em 1953, o prédio abrigou um escritório de engenharia.

Em 1991, o antigo Hotel Nacional sofreu um incêndio que o devastou enormemente, deixando somente a fachada e a torre de circulação.

Em 04 de junho de 2003, o antigo Hotel Nacional foi tombado pela prefeitura municipal, estando inscrito no Livro do Tombo n.° 64.

Em 2006, o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (COMPHAC) aprovou um estudo de viabilidade urbanística para reformar e restaurar o imóvel, que receberá financiamento do Projeto Monumenta.

- O projeto prevê a instalação de uma agência bancária no térreo do prédio e de salas comerciais nos demais pavimentos.

Sendo restaurado (2015)
Hotel Carraro

Em 1924, é fundado pelos proprietários da firma Amante Carraro e Irmãos, o Hotel Carraro à Rua Marechal Floriano, com Rua São Rafel (atual Alberto Bins).

Nesta foto o terreno ainda não tem construção

Em 1935, o Hotel Carraro transfere-se para um magnífico edifício em frente à Praça Otávio Rocha.





- Posteriormente o prédio foi utilizado pelas lojas de departamentos, Magazine Mesbla e Loja Manlec – Mega Store.




Hotel São Luiz


Preto Hotel 

- O Preto Hotel ficava na Avenida Salgado Filho, próximo onde hoje há uma sede da Brasil Telecom, junto à Avenida Borges de Medeiros.


Na década de 1930, já era uma referência no centro, ônibus vindos de outras cidades deixavam ali seus passageiros.

Em 1949, teve um hospéde ilustre o arquiteto Oscar Niemeyer, em sua primeira visita a cidade para ser paraninfo em formandos de arquitetura, onde no halldeu entrevista ao jornal Correio do Povo.

Hotel Uruguai



Antigo Hotel Jung

De 1913 à 1914, é construído o Antigo Hotel Jung na Rua Voluntários da Pátria, o mais próximo da Praça XV ficava na primeira quadra.

“Neste estabelecimento, as Exmas. Famílias encontrarão o máximo conforto e segurança, pois que mantém um regulamento pelo qual prima o respeito, a ordem e a moral. Dispõe de pessoal attencioso e habilitado, tanto para a cosinha como para salão e serviços de quartos, sendo estes empregados antigos do estabelecimento”, diz o anúncio da Guia Pública de Porto Alegre – 1929.

- E acrescenta: - “Empregados do Hotel à disposição nas chegadas dos trens e vapores”, para bem receber os fregueses para seus 125 quartos.

Novo Hotel Jung


No começo dos anos 1930, quando a Rua São Rafel (atual Otávio Rocha) já está funcionando, era erguido uma filial do Hotel Jung, bem na esquina com Rua Marechal Floriano com Rua São Rafael (atual Otávio Rocha)

Em 1931, o prédio foi projetado por Agnello Nilo de Lucca a serviço da Firma Azevedo Moura e Gertum (OLIVEIRA, 2010).

Modernidade e Tradição 

- A edificação foi um dos marcos do Modernismo da capital na década de 1930, sendo representante do estilo Art Déco com seus 10 andares, algo monumental para a época.

- O prédio de 10 pavimentos, na esquina da Avenida São Rafael (hoje Otávio Rocha) com a Praça XV de Novembro, era um dos mais altos da Capital à época.


- Com 120 quartos, vista para o rio Guaíba dos andares mais altos e todas as comodidades disponíveis na época de sua construção.


Em 1932, o Edifício Frederico Mentz sediou durante anos o segundo prédio do hotel, o antigo hotel muda de endereço e é substituído pelo Novo Hotel Jung.


- O moderno arranha-céu localizou-se no cruzamento da Praça XV de Novembro, um dos pontos centrais mais movimentados da cidade.

Em 1934, ali se hospedou o vice-cônsul da Itália em São Paulo, Americo Gigli, ao chegar à cidade para assumir o consulado local.

Em 1935, o escritor e ativista político paulista Caio Prado Jr. esteve ali – onde, aliás, foi  detido pela polícia gaúcha por sua atuação na Aliança Nacional Libertadora

- Atualmente, o prédio abriga pequenas casas de comércio e escritórios.

City Hotel

Em 1950, inicia atividade o City Hotel, na Rua Dr. José Montaury, 20, Centro Histórico, e sua famosa feijoada aos sábados, de uma época quando ainda transitavam os bondes, a televisão era novidade, mensageiros levavam os recados e ligações telefônicas eram solicitadas às telefonistas.

Entrada City Hotel
Umbú Hotel

- Situado na Avenida Farrapos, esquina Rua Barros Cassal, foi local de hóspedes do interior do estado, tinha um excelente restaurante.


Em 2004, o prédio que foi a sede do hotel foi fechado e abriga um projeto social para moradias populares do governo do PT – Partido dos Trabalhadores.

Antigo Umbu Hotel

- Na década de 2000, o empreendimento Umbu Hotel passou para outro edifício, do outro lado da Avenida Farrapos, próximo ao Viaduto da Conceição, no número, 45

Novo Umbu Hotel


Hotel de Conto, localizado na Avenida Farrapos, no bairro São João, na entrada da cidade, de propriedade de Ivo de Conto.




Hotel Lancaster

- O Edifício Alcaraz está localizado na Rua Andrade Neves com a Travessa Acilino de Carvalho (também chamada de Rua 24 Horas). 

Em 1930, o projeto foi assinado pela dupla de arquitetos  Saul Macchiavello e Antonio Rubio, O nome do prédio se deve ao seu antigo dono, Alexandre Alcaraz (OLIVEIRA, 2010).



- O prédio foi construído em concreto armado e apresentava elevadores, servindo como hotel desde o seu início. 

- Atualmente o local é utilizado pela empresa Hotel Lacaster
De acordo com Oliveira (2010), o local era visto como um marco da arquitetura moderna da capital com seu estilo despojado.


Hotel Embaixador

Em 1963, é inaugurado o Hotel Embaixador, referência de hotelaria em Porto Alegre.


- Um hotel que acompanha a evolução sem perder suas nobres características de "bem servir". Dedicação é uma das marcas do Embaixador, uma perfeita combinação entre o espírito acolhedor da cidade e o excelente serviço do hotel que proporciona áreas sociais, tais como, restaurante, cafeteria, centro de eventos com capacidade máxima de área física para até 900 pesssoas, salão de beleza e uma espaçosa garagem interna.

Lobby

Hotel Everest Porto Alegre

- R. Duque de Caxias, 1357 - Centro Histórico, junto a escadaria do Viaduto Otávio Rocha.


Em 21 de maio de 1964, o Hotel Everest foi fundado por Alberto Augusto Fett.



- O grupo conta com três hotéis, sendo que o primeiro é o Everest Porto Alegre, com 125 apartamentos, todos reformados e aptos a atender nas categorias, standard executivo, luxo executivo, executivo.


Aos 50 anos - 2014

Hotel Plaza Porto Alegre
Plazinha

- Rua Senhor dos Passos, 154 – Centro Histórico

1958, ano de sua inauguração: recepção, restaurante, sala de estar da recepção e o primeiro apartamento da cidade com ar condicionado

Criada em 1953, com a constituição de um grupo de empresários da capital gaúcha liderado por João Ernesto Schmidt, a Rede Plaza de Hotéis, Resorts e SPAs.


Em 05 de agosto de 1958, começou a atuar no setor com a inauguração do Plaza Porto Alegre Hotel, conhecido como “Plazinha”.

- O hotel é tratado sempre com carinho e atenção pela capital gaúcha, pelos seus milhares de clientes e pelos “viciados” em freqüentá-lo e é um dos raros hotéis brasileiros que têm hóspedes cativos e até moradores permanentes. Logo depois da inauguração, o Plazinha ficou forte e se solidificou como o melhor hotel do Rio Grande do Sul.

- A rede sentiu que o caminho estava aberto para novas iniciativas empreendedoras, abrindo novos Hotéis e Resorts.

56 anos - 2013

- O Plazinha é o hotel mais simpático da rede porque foi o primeiro, o mais respeitável e o mais admirado. “É por isso que sempre está novo, moderno, atualizado, com equipamentos de última geração porque é clássico, forte e soberano”, garante a administração.

- O Plazinha era o hotel preferido dos artistas em turnê por Porto Alegre.

Em maio de 2015, o hotel carinhosamente conhecido como Plazinha, inaugurado em 1958, hotel do centro de Porto Alegre encerrou as atividades, tinha 152 amplos apartamentos, sete suítes, restaurante, bar e salão de eventos. Obras de arte e móveis de design refinado ornamentavam os andares.

- O ar-condicionado e o carrinho para levar malas importado da Europa eram considerados diferenciais inovadores.

- Empresários, políticos e celebridades hospedavam-se lá durante estadas em Porto Alegre. 

- A sociedade local disputava o espaço para realizar festas. Era chique, mesmo para moradores da Capital, passar lá a noite de núpcias.

- Rede Plaza interrompe serviços do Plazinha em reflexo ao momento econômico

— Era o grande hotel da cidade, o de mais classe. Todos tínhamos carinho pelo Plazinha.

Foi por causa desse passado glamouroso e das lembranças de momentos marcantes que o fechamento do estabelecimento, na semana passada, causou surpresa e consternação em muitos dos que o conheceram nos dias de glória.

- Antes, tão bem-sucedido, que estimulou o mesmo grupo a fundar, em 1973, o Plaza São Rafael, outro marco da hotelaria gaúcha, o velho Plaza suspendeu as atividades assolado pela baixa ocupação.

- Segundo a empresa proprietária, a medida não é definitiva, e o espaço voltará a ser aberto, com um novo modelo de negócios.

Hotel mais elegante

- O quarto do Hotel Plaza onde o senador Pedro Simon passou a noite de núpcias debruçava suas janelas sobre a Rua Senhor dos Passos, no centro de Porto Alegre. O então deputado estadual do MDB e sua noiva, Tânia, haviam chegado havia pouco da cerimônia na igreja. Lá fora, a Praça Otávio Rocha ardia em convulsão.

Era a noite de 28 de junho de 1968, e a cidade vivenciava um levante contra a ditadura, marcado por quebra-quebra e confronto entre manifestantes e polícia. Do quarto, Simon ouvia pedidos de socorro e testemunhava cenas de violência. Em dado momento, não se conteve. Resolveu se juntar à multidão. Tânia se postou diante da porta:
— Daqui de dentro, tu não sais!
— Mas estão morrendo ali — argumentou Simon.
— Sabe o que vão dizer se tu fores? Vão dizer que tu és tão de política, tão de política, que até abandonou tua mulher na noite de núpcias.
Quase meio século depois, o ex-governador, ex-ministro e ex-senador relata o desfecho do episódio:
— Não fui.

- O Plaza era, quando Simon lá se hospedou, o hotel mais elegante e suntuoso da Capital. 

Era top de linha

- Celia Ribeiro, colunista de ZH, costumava ir ao hotel para entrevistar artistas de passagem. Ela conta que o Plaza era importante ponto de encontro. No final da tarde, executivos e empresários reuniam-se no bar. Aos sábados, tornou-se famosa a feijoada do restaurante.

— Durante muitos anos, o Plazinha foi referência.

- Na interpretação de Celia e de outros observadores, o hotel foi, de certa forma, vítima do próprio sucesso. Ao mostrar que havia espaço em Porto Alegre para um hotel de classe, motivou a abertura do Plaza São Rafael.

O vizinho acabaria por ofuscá-lo

— Com a inauguração do São Rafael, surgiu o nome Plazinha. Antes, era o Plaza. O diminutivo não deixava de ser pejorativo — diz Celia.

Espaço de camaradagem e arte

- Outro político com lembranças calorosas do hotel é o ex-ministro da Educação Carlos Chiarelli. eleito senador em 1982, ele passou a hospedar-se no estabelecimento durante suas vindas de Brasília. Costumava chegar na noite de quinta ou na manhã de sexta, para passar o fim de semana. O Plaza virou uma espécie de escritório, inclusive quando se tornou ministro, na década de 1990. Durante anos, recebia nos salões do hotel correligionários, deputados, prefeitos, líderes sindicais, empresários e jornalistas.

— Ali no Plaza nasceram muitas coisas. Era o interlocutor dos interesses de várias áreas do Estado. 

- Às 23h30min, ainda estava recebendo gente no hotel. A equipe era fantástica, com um ambiente de camaradagem. As telefonistas faziam um pouco o trabalho de secretárias. O Plazinha faz parte da minha vida. A notícia do fechamento não me dá alegria — relata Chiarelli.

Um dos responsáveis pela elegância do hotel

Na década de 1970, o artista plástico Vitório Gheno, 90 anos, foi convidado a fazer a decoração do estabelecimento. Reformou o lobby, desenhou o restaurante, projetou móveis e espalhou obras de arte.

— O Plazinha é um hotel com arte. Tem obras em todas as unidades. Na minha opinião, é o esboço de um hotel-butique. O salão de estar tem objetos e obras de arte com mobiliário contemporâneo, moderno e clássico. Gosto muito de entrar no Plazinha. Agora tenho de conjugar no passado, porque, para minha tristeza, o Plazinha fechou — registrou Gheno, em texto enviado a ZH.

Primeiro hóspede é também considerado o cliente mais fiel

- Também recebeu a notícia do fechamento com pesar o médico de Pelotas Paulo Crespo Ribeiro, 88 anos.

Em 1945, quando veio estudar Medicina na Capital, ele instalou-se na Pensão Familiar Brasileira, que ficava na Senhor dos Passos. Mais tarde, o Plaza foi erguido no mesmo lugar. Habituado à vizinhança, Ribeiro passou a se hospedar lá.

- Em um livro comemorativo, a Rede Plaza apresenta o médico como seu primeiro hóspede. Além de antigo, ele é um cliente fiel. Durante mais de meio século, hospedou-se lá. A última vez foi em março. Levava sempre uma santinha, que deixava na mesa de cabeceira. Quando a viam, os funcionários já sabiam que se tratava do "dr. Paulo" e caprichavam.

Hotel Plaza São Rafael


Em 14 de abril de 1973, é inaugurado o primeiro hotel 5 estrelas da capital, Hotel Plaza São Rafael e seu Centro de Convenções, nome da antiga rua, atual Avenida Alberto Bins.


Na década de 1970, realizava uma vez por semana, em seu salão, um chá da tarde, onde senhoras, se reunião e apreciavam o atendimento e belos eventos, como desfiles de moda.

Em 19 de abril de 1988, é inaugurado do outro lado da rua, o Centro de Convenções São José no lugar do antigo Colégio São José, ao lado da igreja São José, atualmente Centro de Eventos São Rafael.




Inaugurado em 1980, situado no centro de Porto Alegre, em frente ao Terminal Rodoviário Internacional e a 10 minutos do Aeroporto Internacional.


- Possui 217 apartamentos com ar condicionado, frigobar, TV a cabo, telefone.
Conta com Restaurante Internacional, Lobby bar, Room Service 24 horas, Piscina, Sala de Fitness, Centro de Eventos com capacidade para até 800 pessoas, Estacionamento.

Savoy Hotel Sheraton

- O Savoy Hotel localizado na Avenida Borges de Medeiros, 688, esquina Jerônimo Coelho, Centro Histórico, no inicio da escadaria do Viaduto Otávio Rocha.

Sheraton Hotel
Hotel Express 


Lido Hotel


Hotel Acores


Ritter Hotel 





Sem o requinte de tempos passados, os atuais Hotéis de negócios estão privados da tranqüilidade e da elegância das antigas ruas centrais. Mais pragmáticos e econômicos, substituem os grandes edifícios de esquina, os agradáveis Hotéis de praça e misturam-se a uma massa de inexpressivos edifícios dispostos em meio a um tecido heterogêneo, denso e intrincado.

Hotelaria e Turismo
Brasil - séculos XIX e XX
Na rota da evolução empreendida pelo Turismo nos séculos anteriores, intensificaram-se no século XIX as viagens em busca de cultura, recreação e negócios. Nesse período houve um contínuo processo de massificação do turismo. A evolução dos meios de transporte tornou as viagens mais acessíveis para outros segmentos da população que não a nobreza.

“Os trens eram sinônimo de rapidez e elemento facilitador da atividade turística. Os navios exerciam verdadeira atração sobre a população. Surge a classe média, com salários melhores e maior possibilidade de gastos com entretenimento [...]” (BADARÓ,  2005).

Os hotéis de melhor categoria começaram a surgir em antigas mansões. Esta opção oferecia maior conforto, requinte e paisagem exuberante, sem os inconvenientes da confusão das ruas e da falta de saneamento da cidade.

Os hotéis foram responsáveis pelo desenvolvimento do centro. Além dos bondes, outros serviços de transporte coletivo de tração animal - ônibus, gôndolas e tílburis - facilitavam a opção por hotéis.

Outras novidades competitivas eram aos poucos assimiladas no atendimento ao turista no Brasil. Até meados do século 19, o simples ato de banhar-se representou um desafio difícil para os hotéis que precisavam dar um salto de qualidade. Muitos hotéis nem sequer possuíam quartos de banho. Os hóspedes precisavam recorrer a casas de banho públicas, que também não eram numerosas.

Uma grande novidade que fez a diferença nos melhores hotéis por volta de 1880 foi o telefone. Dom Pedro II havia se surpreendido com essa maravilhosa invenção na Exposição Internacional de Filadélfia, em 1877, e pouco tempo depois os primeiros telefones estavam sendo fabricados no Brasil, para serem instalados no palácio do Imperador. Sugestivamente, uma casa comercial chamada "Ao Rei dos Mágicos" instalou a primeira rede telefônica do país, interligando-se a várias repartições públicas na cidade. Somente com a criação da CTB - Companhia Telefônica Brasileira, em 1881, o serviço ganhou corpo. Mas o Brasil estava adiantado neste setor, em relação ao restante do mundo.
Desde 1879 havia hotéis com telefone à disposição do público, inicialmente apenas para solicitar transporte.

Outra inovação bastante alardeada foi a eletricidade. Os avanços nessa área vieram por etapas. Primeiramente, o conforto de uma campainha elétrica em todos os quartos, para o hóspede solicitar serviços sem precisar ir até a recepção. Depois, a iluminação de alguns setores, especialmente os de uso comum. Depois, os quartos. E, nos prédios altos, os elevadores movidos a energia elétrica causavam admiração.

Além das novidades tecnológicas, a inserção dos hotéis na vida social não somente conferiu notoriedade aos que souberam seguir esse caminho, como colaborou para a transformação de costumes arraigados da antiga sociedade colonial. Trazendo artistas de companhias estrangeiras para os palcos portoalegrenses. A partir daí, os hotéis também se incorporaram aos divertimentos da cidade. Começaram discretamente, exibindo bandas de música, e em pouco tempo já promoviam os primeiros bailes carnavalescos em salões, poupando os foliões de grosserias inconvenientes dos entrudos, nas ruas.

No Rio Grande do Sul, a cidade de Porto Alegre ganhou em 1870 o sofisticado Hotel del Siglo, localizado na Praça da Alfândega (Almanaque Gaúcho, 2005).
Nessa época, nada foi mais impactante para o turismo no Brasil do que a imigração, não apenas pela exigência de acomodações para os imigrantes, mas também pela experiência que traziam nos serviços de hotelaria europeu.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, de 1859 a 1875, o Governo da Província registrou o número de 12.563 estrangeiros, das seguintes nacionalidades: alemães (8.412), austríacos (1.452), italianos (729), franceses (648), suíços (263) e outros (105).

O estímulo à industrialização no Brasil, provocado pela Primeira Guerra Mundial, gerou um grande surto de desenvolvimento na região.
Mão-de-obra qualificada não faltava. A atividade fabril desenhou um novo perfil urbano e econômico na cidade, que exigiu a ampliação de toda a infra-estrutura da cidade, inclusive no setor da hotelaria.

Este cenário provocou também o surgimento de hotéis luxuosos, destinados a abrigar os grandes fazendeiros, comerciantes, artistas e os emergentes industriais.
A evolução nos serviços vinculados à hospedagem ajudou a fomentar, na segunda metade do século XIX, o surgimento de hotéis de categoria, funcionando em edifícios especialmente construídos para essa finalidade.
Essa geração de hotéis mudou a imagem que vigorava anteriormente entre os visitantes estrangeiros, a respeito dos hotéis de Porto Alegre.

Nos anos de 1920, a próspera capital portoalegrense vivia uma Belle Epoque, com a inauguração de luxuosos hotéis e de imponentes palacetes, em meio a um processo de embelezamento da cidade.

Nessa mesma época, em Porto Alegre, o glamour dos hotéis notabilizou-se com o sucesso internacional influenciados pelo Hotel Ritz, de Paris, considerado um marco na história da hotelaria mundial, apresentavam inovações hoje triviais, como banheiro privativo em cada quarto e empregados uniformizados.

Grandes alterações urbanas promovidas em Porto Alegre, especialmente nas primeiras décadas do século XX, afetaram a localização e o conceito arquitetônico dos novos hotéis. O alargamento de avenidas, a verticalização e o uso intenso de automóveis traçaram perfis diferenciados nas principais cidades do país.

Assim surgiram, principalmente na Europa, inúmeras empresas de transporte aéreo. No Brasil, entretanto, a aviação comercial só ganharia fôlego ao final dos anos 1920, primeiro em Porto Alegre.
Inaugurada em 1927, a Varig - Viação Aérea Riograndense transportava seus passageiros nos hidroaviões Dornier Wal de nove lugares e um Dornier Merkur, de seis lugares.
Com o fim da Segunda Guerra o avião passou a ser, em todo o mundo, por excelência, um veículo essencial para o desenvolvimento do Turismo e para o intercâmbio entre os povos.

Em 1949, na Europa, foi vendido o primeiro pacote de turismo que utilizava o avião como transporte.

Em 1955, a Varig inaugurou sua linha Rio de Janeiro - Nova Iorque, com os confortáveis Super Constellation. O transporte aéreo já se consolidava como um fator de grande impulso para o Turismo doméstico e internacional.

O crescimento do fluxo de turistas havia propiciado a instalação de novos hotéis em várias capitais brasileiras, como Porto Alegre.

O turismo e a hotelaria sofreram um período de estagnação. A febre imobiliária nas grandes cidades direcionou a maior parte dos investimentos urbanos para a construção de prédios de escritórios e residenciais.
Atenta à necessidade de dispor de um fórum próprio para discutir soluções focadas no turismo, a Confederação Nacional do Comércio, criou, em 1955, o Conselho de Turismo, um órgão de assessoramento que reúne notáveis da hotelaria e da atividade turística nacional.
Neste mesmo ano, empresários do ramo de hospedagem e alimentação uniram-se para fundar a Federação Nacional dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares.
Essa mobilização setorial acabou por despertar as autoridades públicas do País que, em 1958, aprovaram a criação de um órgão nacional responsável pela coordenação das atividades destinadas ao desenvolvimento do turismo interno e externo: a Combratur, Comissão Brasileira de Turismo (Decreto Federal nº 44.863).

No entanto, a crise ainda se arrastaria por mais alguns anos. Em novembro de 1961, os problemas do setor eram apontados pelo presidente do Conselho de Turismo da CNC, Corintho de Arruda Falcão, em reunião da entidade:

“Falta-nos a civilização de como receber o turista nos portos e aeroportos, nos quais cinco ministérios diferentes entravam a entrada de nossos visitantes, com emprego de métodos e processos obsoletos, já abandonados por todos os países do mundo. [...] falta-nos civilização, quando se nota a inexistência de um grande parque hoteleiro, condição sine qua non, para que recebamos hóspedes. Que melancolia, sabermos que todos os apartamentos de classe turística, no Brasil, não atingem o número de 10 mil, enquanto que a França possui 400 mil e a Espanha 280 mil” (FALCÃO, 1961).

Apesar do contraste entre o mercado interno e o cenário internacional, os anos 1960 trouxeram novas perspectivas para o Turismo brasileiro. Novos empreendimentos hoteleiros entraram em cena, estimulados pelo aquecimento da economia no período e pelos incentivos para investimentos oferecidos pela Embratur, empresa estatal criada pelo Decreto-Lei 55, de 1966, com a missão de formular, coordenar e fazer executar a Política Nacional do Turismo.

No início dos anos 1970, a hotelaria e o empresariado do setor deram mostras de novo vigor.
A diversificação de serviços com perfil de luxo e o aumento da profissionalização no setor foram fatores decisivos não apenas para a promoção da hotelaria nacional, mas especialmente para o incremento da imagem do Brasil como destino importante do turismo internacional.

Referências:

Sílvia Leão graduou-se pela Faculdade de Arquitetura da UFRGS, em 1982. De 1983 a 1994, lecionou na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Santa Catarina. Em 1995, após concluir o curso de mestrado no PROPAR-UFRGS, transferiu-se para a Faculdade de Arquitetura da UFRGS, onde hoje atua como docente, pesquisadora e editora da revista ARQTexto.

Notas:

1. LEÃO, Sílvia.  Arquitetura de hotéis: caso de Porto alegre-RS.   Porto Alegre, Departamento de Arquitetura, 1998.   Pesquisa.
2. LEÃO, Sílvia.  Hotel: origens e formas atuais. Caso de Florianópolis-SC.  Porto Alegre,  PROPAR-UFRGS, 1995.  Dissertação de Mestrado.
3. O Professor Arquiteto Günter Weimer forneceu os dados necessários ao acesso direto aos microfilmes da Prefeitura de Porto Alegre.
4. O Professor Arquiteto Carlos Azevedo Moura, devido a ligações familiares, cedeu  fotos originais e inéditas do antigo Grande Hotel.
5. SANHUDO, Ary Veiga. Porto Alegre. Crônicas da minha cidade. Porto Alegre, Sulina, 1961.  p. 89.
6. Id. ibid.
7. FORTINI, Archimedes.  O passado através da fotografia.  Porto Alegre, Grafipel, 1959.  p. 58-60.
8. FOGO revive uma página da história de Porto Alegre. Correio do Povo, Porto Alegre, 14 mai. 1967, s. n. p.
9. A repartição federal atendia pela sigla IAPFESP. Em: FOGO revive (...), op. cit.
10. Grande Hotel, o maior ponto de referência.  Zero Hora, Porto Alegre, 3 out. 1980.  Caderno ZH, p. IV-V.
11. LAYTANO, D. Uma pequena introdução à história de um hotel.  Zero Hora, Porto Alegre, 3 out. 1980.  Caderno ZH, p. IV-V.
12. KIEFER, Flávio.  Casa de Cultura Mário Quintana: a utopia sobrevive.  Projeto, São Paulo, n. 144, p. 64-71, ago. 1991.
13. WEIMER, Günter.  Theo Wiederspahn, arquiteto.  Projeto, São Paulo, n. 80, p. 98-102, out. 1985.
14. Id. ibid.
15. Ainda em 1908 Wiederspahn foi contratado pelo Escritório de Engenharia Rodolfo Ahrons, que foi a primeira grande empresa construtora da cidade de Porto Alegre. Id. ibid.
16. Sabe-se, entretanto, que o embargo deveu-se muito mais a divergências ideológicas existentes entre Borges de Medeiros e Horácio Carvalho, que mantinha boas relações com a comunidade alemã residente na cidade à época da I Guerra. Em: SILVA, Liana Koslowsky.  Majestic Hotel. Memórias de um monumento.  Porto Alegre, Movimento, 1992, p. 26 - 27.
17. SILVA, op. cit., p. 44 - 45.
18. Id. ibid., p. 52.
19. SILVA, Liana Koslowski da & HENEMANN, Claudio.  Breve histórico do Hotel Majestic - hoje Casa de Cultura Mário Quintana. Arquivos da Casa de Cultura Mário Quintana,  datilografado, p.2.
20. LOPEZ, Luiz Roberto.  Porto Alegre e o Majestic.  Mimeografado, out/1990.
21. O poeta Mário Quintana, que deu nome à posterior Casa de Cultura,  instala-se no Majestic em 1968, residindo ali até 1980. SILVA, L. K. Majestic Hotel. Memórias de um monumento, op. cit., p. 86 e 99.
22. Id. ibid., p. 73 - 134.
23. LEÃO, 1995, op. cit., p. 69-70.
24. Informação fornecida pelo Professor Arquiteto Günter Weimer.
25. RIO GRANDE DO SUL. Imagem da terra gaúcha.  Major Morency do Couto e Silva, Dr. Arthur Porto Pires e Léo Jerônimo Schidrovitz. Porto Alegre, Cosmos, 1924, p. 618.
26. Id. ibid.

DREHER, Martha. Rua da Praia de Antigamente. Correio do Povo. setembro de 1977. RODRIGUES, Arlete Moysés. Moradia nas cidades brasileiras. São Paulo: Contexto, 1989

PORTO ALEGRE DE ONTEM .... ALGUNS HOTÉIS DE PORTO ALEGRE                                                                                            por Antonio Paulo Ribeiro     

HOTELARIA EM PORTO ALEGRE
Carla Schlieper de Castilho,  Naira de Oliveira Peroni

CARNEIRO, Luiz Carlos; PENNA, Rejane. Porto Alegre - de Aldeia a Metrópole. Porto Alegre: Marsiaj Oliveira, Oficina de História, 1992.
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Wikimédia – Antigo Hotel Nacional

Carvalho, Haroldo Loguercio. A modernização em Porto Alegre e a modernidade do Majestic Hotel.
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Fontes Disponíveis:

- Livros, jornais como O Correio do Povo, Jornal do Comércio, Diário de Noticias, entre outros e também em algumas revistas tais como a Revista do Globo, Máscara, Kodac, e outras que foram encontradas na Biblioteca do Centro Universitário Metodista IPA, Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul e no Instituto Histórico Geográfico; jornais e fotos foram encontrados no Museu da Comunicação Hypólito da Costa; informações foram coletadas nos livros de registros de impostos, (imposto localizado, imposto por valor locativo e imposto por espécie), do período de 1890 até 1933, que estão no Museu Histórico de Porto Alegre Moisés Velhinho.

Também foram considerados como fonte de pesquisa, relatos de familiares e amigos cujos antepassados, por diversos motivos, residiram em pensões no período.

5 comentários:

  1. Excelente artigo, muito completo e recheado de informações. Obrigado pela coleta e pelo amplo estudo, usarei algumas informações em um trabalho sobre hotelaria.

    Grande abraço,

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  2. Sensacional. Não tinha a menor ideia de como era a Hotelaria em poa nos anos 20 até agora. Parabéns.

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  3. Só faltou o hotel mais TOP da época...o UMBU HOTEL !

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  4. Faltou o Hotel Bruno na Voluntários da Pátria,239,moderno 769,Enfrente à Estação da Estrada de Ferro. Prop : Roberto Bruno Petzhold. Nas primeiras décadas do século XX. Gegenüber der Bahnstation !

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