Bem Vindo

- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida da Cidade de Porto Alegre inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

Dividir estas informações e aceitar as críticas é uma dádiva para o pesquisador.

- Este Blog esta sempre em crescimento entre o Jornalismo, Causos e a História.

Haverá provavelmente falhas e omissões, naturais num trabalho tão restrito.

- Qualquer texto, informação, imagem colocada indevidamente (sem o devido crédito), dúvida ou inconsistência na informação, por favor, comunique, e, aproveito para pedir desculpas pela omissão ou inconvenientes.

(Consulte a relação bibliográfica e iconográfica)

- Quer saber mais sobre determinado tema, consulte a lista de assuntos desmembrados, no arquivo do Blog, alguma coisa você vai achar.

A Fala, a Escrita, os Sinais, o Livro, o Blog é uma troca, Contribua com idéias.

- Em História, não podemos gerar Dogmas que gerem Heresias e Blasfêmias e nos façam Intransigentes.

- Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações de Porto Alegre.

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena. - Bom Passeio.

Me escreva:

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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

MODAIS

Diligência
Tílburié
Omnibus
Tramway
Bonde
Omnibus

Modais Viários

Ø    Rio de Janeiro 1859
Ø    Porto Alegre 1864/1970
Ø    Santos 1971

- Apresentamos um resumo dos vários modais inventados e utilizados no Brasil e no Mundo, dados e curiosidades, com ênfase ao bonde e ônibus e sua relação com Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

O Bonde Amarelo

“Acabaram-se os bondes amarelos…
A frase me saiu em decassílabo, viste?
E o metro clássico já faz adivinhar um soneto.
Ficou neste verso único.
E deixo o bonde depositado em meu ferro-velho sentimental.
Aqui. Parado. Sonhando.
Quem sabe se um dia...”
                                                                                                                Mario Quintana

O serviço de bonde esteve ou está presente em muitas partes do planeta.

Mundo
América do Norte - Nova York*Chicago*Seattle*Toronto*Montreal*
Europa - Paris*Londres*Madrid*Moscou
África - Cairo*Pretória*
Ásia - Tókio*Hong Kong*Shanghai*Délhi*Dubai*
Oceania - Camberra*Wellington*
América Central - México*Panamá*
América do Sul - Buenos Aires*Caracas*Bogotá*

Brasil
São Paulo*Rio de Janeiro*Belo Horizonte*Manaus*Maceió*Recife*
Pelotas*Rio Grande*
Porto Alegre*

- Um limite claro que colocou Porto Alegre frente as transformações necessárias para seu desenvolvimento, era o transporte público aplicado.

Século XVIII - 1700

Antes do século XIX, o transporte se resumia a palanquins e carruagens particulares.

Durante o fim do século XVIII e a primeira metade do século XIX, os meios de transporte em Porto Alegre tinham poucos lugares e a instabilidade de suas estruturas mecânicas tornando-os barulhentos e pouco confortáveis.
Segundo Walter Spalding, “Havia, ainda, o transporte fidalgo – a “cadeirinha” – carregada por quatro escravos ou lacaios.

Segue:

“O auge dos transportes coletivos foi o das viagens puxadas por parelhas de cavalos de carroças, caleças (carruagem de quatro rodas e dois assentos, puxadas por parelha de cavalos; vem do francês caleche), os tilburis (carro de dois assentos e quatro rodas, sem boleia, sem capota, puxado por um só animal, do inglês Tilbury), jardineiras (carro de quatro rodas, puxado por cavalos, de uso geralmente em estâncias) e até  carretas (carro de duas rodas) que pacientes juntas de bois arrastavam pelas estradas e campos, até as ruas das vilas e cidades”.

Tílburié

- Tílburié um carro de duas rodas e dois assentos (tibureiro e passageiro), sem boleia, com capota, e tirado por um só animal.

Carros de aluguel junto a Praça XV
Porto Alegre - RS

Carros de aluguel na Rua Sete de Setembro
Porto Alegre - RS

Século XIX - 1800

Em 1818, Inglaterra, o Tilburie foi inventado por Gregor Tilbury.

Em 1830, Rio de Janeiro, capital do Império, é trazido a capital do Império como transporte coletivo, através da França.

- Em Porto Alegre, na Praça Conde D’Eu e na Praça da Alfândega existia os carros de aluguel, puxada a cavalo, “os Tílburis”.

- Estes meios de transportes foram utilizados ainda por muito tempo.

- A partir da segunda metade do século XIX, passaram a conviver com o símbolo da modernidade, no que se refere ao transporte coletivo: o Bond. Precedido pela Maxambomba, que trafegava por trilhos de madeira, mas que já representava significativo avanço nos transportes públicos, o bonde com trilhos de ferro e puxados por animais, no caso o burro, deu à cidade novos ares.

- A cidade crescia pelos trilhos de ferro do bonde. Trajeto que dava o sentido e a direção do crescimento urbano. Diminuição das distâncias e aumento dos espaços de sociabilidade, promovidos pelo transporte coletivo; - símbolo inconteste do progresso da cidade.

- Com a criação da Carris em 1872 (Carris de Ferro Porto-Alegrense) ocorreu novo melhoramento dos transportes. As linhas ainda com percursos não longos, como a cidade pedia, foram melhoradas.

- Segundo Walter Spalding, com a criação da Carris foram estendidas linhas para todos os arrabaldes: Navegantes, Menino Deus, Glória, Teresópolis e Partenon.

- Além da Carris de Ferro Porto-Alegrense, em 1893, formou-se a Carris Urbanos, encarregada de explorar as linhas Independência e Floresta (Cristóvão Colombo), esta companhia possuía carros fechados.

Ferro Carril Brazil

Veículos deste tipo podem ser encontrados em todas as médias e grandes cidades do Mundo.

Mas só no Brasil ele tem este nome:
- bonde, em outros países a palavra que designa esse meio de transporte significa “veículo”, como a inglesa “street-car” e a espanhola “tranvia”.
Tal nome traz uma história singular:

- A primeira linha de bondes estendida em nosso país pelo americano Charles B. Greenough obteve os dinheiros necessários para a empreitada e fundou a Companhia Jardim Botânico, garantindo o capital dos investidores mediante um tipo de papel selado, comum na Inglaterra, conhecida por “Bond” (ação, apólice), pois não conhecia outro termo. As pessoas compraram as “bonds”, o povo ligou o nome do documento ao veículo que o tornara possível.

- E, ainda, a todos os veículos desse tipo que passaram a trafegar em todas as cidades do país, a partir do início do século XX.

O Bonde da História
Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul situa-se no Delta as margens do Lago Guaíba na ponta norte da Lagoa dos Patos, uma gigante baía dentro do continente com cerca de 200 km de comprimento e 60 km de largura.

- A população da cidade passou de 50.000 em 1800, 100.000 em 1900, para mais de 1.5 milhões em 2000, e o transporte público teve que se aprimorar no passar dos anos, acompanhando este crescimento populacional.

- Por fim seus bondes amarelos, que também foram pretos e vermelhos se foram para sempre. – Será!

Século XIX - 1800

Bonde Tração Animal

Em março de 1856, no Rio de Janeiro, Cidade Neutra, capital do Império, o Imperador D. Pedro II deu concessão para a primeira linha desses veículos.

Em 1859, no Rio de Janeiro, por força de uma concessão dada ao Lord Cochrane, foi inaugurada a primeira linha indo da cidade (Largo do Rocio) até a Tijuca.

Bonde tracionado a Burro – Trilhos de Madeira

- Porto Alegre sempre foi um Porto próspero, e dois comerciantes locais, o brasileiro chamado Estácio da Cunha Bittencourt e o francês chamado Emílio Gengebre, abriram uma linha de bondes de tração animal, puxados por mulas.

- A Linha Menino Deus foi a “segunda estrada de ferro urbana no Brasil”, precedida somente pela linha da Tijuca no Rio de Janeiro, capital do Império, que foi aberta em 1859.

Na fotografia, aparecem os trilhos de madeira que serviram a Maxambomba. Eram de madeira e muito irregulares como se pode observar na imagem. Ao fundo a Igreja do Menino Deus.
Fotografia: 1880

Maxambomba

- Maxambomba (corruptela de Machine pump) era um veículo de transporte de passageiros constituído de uma pequena locomotiva, cuja cabine não tinha cobertura, que puxava dois ou três vagões, de um ou dois andares.

Em 01 de novembro de 1864, em Porto Alegre, foram iniciadas as obras de colocação dos trilhos de madeira.

Em 1865, em Porto Alegre, foi inaugurado o Serviço ferro carril (Bonde), a qual foi aberta a linha entre a Praça da Independência próximo ao Centro da cidade e o Arraial do Menino Deus.

Primeiro Terminal de Bondes - Trajeto

- Seu trajeto iniciava nas escadarias da Praça da Independência (atual Praça Argentina), percorria toda a atual Avenida João Pessoa, entrava na Azenha até a Rua Botafogo, seguindo até chegar na Avenida 13 de Maio (atual Getúlio Vargas), indo findar na Igreja Menino Deus.


- Desde a inauguração foi um fracasso, os pequenos veículos (capacidade de 20 lugares) de tração animal corriam em trilhos de madeira, e tendiam a descarrilar quando chovia. Este veículo que puxava um carro de passageiros fracassou pela lentidão, enguiços e ruídos.

- O povo apelidou os veículos de "maxambomba", que era como o carioca, na capital do Império, chamava sua máquina, um pesado carro a vapor para 20 passageiros, mas aqui em Porto Alegre tem se a certeza que estes veículos utilizavam tração animal, como os bondes que o sucederam.
Na realidade em Porto Alegre veio só o vagão de passageiros sem a máquina a vapor, adaptada para tração animal.

Em 1866, na edição do jornal satírico "O Século" foi publicada a charge da Maxambomba, no qual o chargista Miguel de Verna satiriza dizendo que:

"É preciso ser marinheiro de longo curso para não deitar carga ao mar", numa clara alusão aos sacolejos e ao desconforto que os passageiros eram submetidos durante as viagens naquele veículo.

Charge - Primeiros bondes de Porto Alegre - 1865

- Mesmo assim o serviço durou até 1873.

- Não se tem conhecimento de nenhum registro fotográfico conhecido da Maxambomba.

Estação Ponte D Uchoa 
Construída pelos ingleses, embarque e desembarque das maxambombas
Recife - PE

Maxambomba
Recife - PE

No dia 5 de janeiro de 1867, no Recife-PE, ocorreu a inauguração do serviço de trens urbanos, foi o primeiro trem urbano da América Latina, depois conhecido como maxambombas. As maxambombas faziam o percurso entre o centro do Recife até o bairro de Apipucos, limitado ao Caldeireiro sendo explorado pela "The Brazilian Street Railways".

Bilhete da Maxambomba da Estação Caxangá
Recife - PE

 - Naquela tarde de cinco de janeiro de 1867, o inusitado ocorreu no Recife. Como já haviam noticiado os jornais, nas ruas da pacata cidade de pouco mais de 116 mil habitantes, passou a circular o primeiro trem urbano da América do Sul; uma espécie dos atuais metrôs de superfície que por muitos anos tornou-se o meio de transporte preferido da maioria dos habitantes do Recife e de Olinda.

Maxambomba  
Recife - PE

Em 1868, no Rio de Janeiro, capital do Império, a Companhia Jardim Botânico inaugurou o trecho entre a Rua do Ouvidor e o Largo do Machado, com a presença do Imperador D. Pedro II.

- Os primeiros bondes eram puxados por burros ou mulas, o qual prestou bons serviços.

Em 1872, a linha foi encerrada as maxambombas e os veículos vendidos à cidade de Rio Grande.

Bonde tracionado a Burro – Trilhos de Ferro

Em 1872, em Porto Alegre/ RS, no ano do primeiro Centenário de Porto Alegre, a cidade recebeu um grande presente do Governo Imperial; é autorizada a instalação de uma empresa ferro carril.

- Na época Porto Alegre tinha 44 mil habitantes e 6 mil moradias, os habitantes circulando pelas ruas ainda precárias. Uma viagem de ida e volta dos arraiais (vilas) mais distantes até o Centro poderia levar um dia inteiro.
- A nova empresa adotou o sistema inglês da Bond and Share (origem da palavra “bonde” no Brasil).

Em 19 de junho de 1872, em Porto Alegre/ RS, é fundada por Decreto Imperial (Decreto nº 4.985), de S.M.I. D. Pedro II, a nova companhia, Carris de Ferro Porto-Alegrense - CFPA, que adquiriu bondes  novos de John Stephenson em Nova Iorque, EUA, com o capital efetivo de 600:000$000, com fundos rio-grandense e carioca.

- Sete meses de obras para instalação dos trilhos, instalou novos trilhos de ferro com medidas em metro ao longo do mesmo percurso da linha anterior com trilhos em madeira.

Em 04 de janeiro de 1873, em Porto Alegre/ RS, é inaugurada a linha Menino Deus, um bonde puxado não por burros, mas como a ocasião pedia por uma garbosa parelha de cavalos brancos que conduziu autoridades civis, militares e religiosas desde a Praça da Argentina, junto ao Caminho da Várzea (atual Avenida João Pessoa) no Centro, até o Arraial do Menino Deus, que se ornamentou e as pessoas aplaudiram a passagem do veículo e das autoridades. O trajeto e terminal não foram auterados

- Foi a primeira viagem em bonde da Cia. Carris que começou a transportar os porto-alegrenses, início de uma “Era Histórica na Capital”.


- O  transporte coletivo da cidade foi evoluindo, dinamizando o contexto urbano e alterando o aspecto das ruas e até mesmo dos futuros bairros.

- Embora fossem carros relativamente leves, abertos nas laterais, a dupla de animais precisava de reforço nas subidas.

- Outra parelha ficava no pé das ladeiras, ajudava a puxar o bonde até o topo e depois era levada de volta ao ponto de espera.

- Era comum, os passageiros descerem para ajudar os muares, condutores mal preparados ou mulas teimosas.

- De vez em quando um bonde pulava da linha, juntava muita gente para ver o desastre. E dava um trabalhão para manter os animais quietos, e colocar o bonde novamente nos trilhos. Nos dias de chuva, muitas vezes, os passageiros viam-se na contingência de usar o muque para debaixo do aguaceiro ou do sol inclemente repor nos trilhos os carros encrenqueiros.

- Os bondes tinham apelidos, o sem toldo era o “Vagabundo”, outro era o “Guaíba”, por ser grande.



O Apito

- bondes puxados a burro eram operados por um cocheiro e um condutor. A função do cocheiro era apenas conduzir os animais, ou seja, colocar em marcha, e parar o bonde.  A função do condutor era prestar atenção as pessoas que na rua davam sinal para tomar o veículo, ou se algum passageiro a bordo do bonde dava o sinal para descer. Momento no qual o condutor soava um longo apito. Sinal de aviso para o cocheiro parar o bonde. Quando os passageiros já haviam descido do bonde, ou subido ao bonde, e se sentado. O condutor dava outro apito avisando o cocheiro para por o veículo em marcha.  Cabia ainda ao condutor cobrar a passagem dos passageiros, o condutor efetuava a cobrança começando pelo primeiro banco, vindo pelo estribo.

Em 1873, em Porto Alegre/ RS, aconteceu uma das maiores enchentes da história da cidade e interrompeu a linha por meses.

Em 1873, o primeiro depósito de bondes de Porto Alegre da Companhia Carris de Ferro Portoalegrense foi construído no Caminho da Várzea (Avenida João Pessoa), quase esquina com a 1º de Março (atual Sarmento Leite), "com três arcos de entrada", para a passagem dos bondes, foi construída a garagem e oficinas em um terreno quase na esquina da João Pessoa com a 1º de Março (atual Sarmento Leite).

Primeiro depósito de bondes

- O edifício que aparece na fotografia foi preservado quando ocorreram as duas ampliações: a primeira, em 1908, quando se formou a Companhia Força e Luz e a segunda, quando o sistema de bondes em Porto Alegre passou ao comando da Bond and Share em 1928.

Em 1874, em Porto Alegre/ RS, novos percursos foram abertos, um saindo do Mercado Público e outro da Igreja da Matriz, passando pela Várzea (atual Parque Farroupilha), neste ano ficaram prontas as ligações entre a Várzea e o Cemitério da Azenha e entre o Mercado e a atual Avenida São Pedro na Floresta.

- Nesta época eram transportados 40 mil passageiros por mês.

Em 1875, em Porto Alegre/ RS, os proprietários da empresa entraram em confronto com a autoridade municipal, exigindo aumento de tarifa acima do estabelecido.

- Mas perderam a briga.

O Bonde Elétrico é aprimorado na Europa

Em 1879, em Berlim (Alemanha), é realizada a Exposição de Ofícios, era bastante vasta e apresentava muitas novidades. Siemens compreendeu a boa oportunidade de demonstrar um veículo que percorresse todo o recinto da Exposição, conduzindo comodamente um número regular de visitantes. Durante os 4 meses da mostra, o bonde de Siemens (um único carro) transportou exatamente 86.400 passageiros.

- Milhares desses visitantes da Exposição e passageiros do bonde de Siemens eram estrangeiros, atraídos pelos anunciados grandes avanços da ciência e da técnica em todos os ramos.

- Desses, alguns voltaram impressionados com o veículo. Procuraram Siemens, pediram preços, fizeram compras. Enquanto na própria Alemanha o veículo era considerado brinquedo, em outros países passou solução para o problema de transporte urbano.

Em 1881, na Alemanha, o primeiro bonde, tal como conhecemos, circulou em Lichter, vizinhanças de Berlim. Constituiu um sucesso pleno e começou, desde então, a ser uma constante no panorama do transporte citadino em todo o mundo.

Durante os anos 1880, em Porto Alegre/ RS, uma terceira companhia foi criada, Carris Urbanos de Porto Alegre - CUPA, instalou trilhos com medidas padrão de 1.435 mm e abriu novas rotas de bonde em outras partes da cidade.

- Nas duas fotografias acima, tomadas no final do século XIX por Virgilio Calegari, podemos observar o fim da linha de bondes do Menino Deus. Em ambas, aparece a velha igrejinha e os trilhos da parte final do percurso que iniciava na Várzea.
Foi a primeira linha de bondes de Porto Alegre.

Nota:
- Quando da implantação dos bondes elétricos o fim da linha foi extendido e passou a ser a esquina da José de Alencar com a Avenida Praia de Belas.

Rua do Cemitério (Av. Oscar Pereira)

- A linha Cemitério foi uma das mais antigas implantadas pela Companhia de Carris de Ferro Portoalegrense.
O bondinho subia a rua do Cemitério (Oscar Pereira) e chegava nas proximidades do Cemitério da Santa Casa cujos muros brancos aparecem ao fundo na fotografia (1890 aprox.). A linha era a mesma do Partenon, mas tinha um desvio para o cemitério.

Porto Alegre – Rota dos Bondes

Em 1888, em Porto Alegre/ RS, no mapa é possível observar as linhas operadas pela Companhia Carris de Ferro Portoalegrense.

Rua Venâncio Aires - 1888

Praça da Alfandega
- Os bondes saiam da Rua dos Andradas, em frente a Praça da Alfandega, faziam o contorno pela sete de setembro passando em frente ao Mercado Público e seguiam para o Caminho Novo.
Na fotografia um deles passa em frente à Doca ao lado do Mercado Público.

Mercado Público, ainda sem o segundo andar - 1895

Bonde puxado por mulas no detalhe

Capela do Divino
- Outro ponto de bondes era a parte fronteira à Capela do Divino ao lado da Igreja Matriz.
(Observar que na fotografia é possível ver as duas bitolas de trilhos utilizadas. Os trilhos que aparecem a esquerda (bitola de 1,4m) são mais largos do que os da direita(bitola de 1m). Observar também que o bonde que aparece à esquerda (da Companhia de Bondes Carris Urbanos) é bem mais largo do que o que aparece à direita (da Companhia Carris de Ferro Portoalegrense).

Fotografias: Irmãos Ferrari - 1885
Retirado e Modificado do Livro: - Cento e Onze Anos de Transporte - Sec. dos Transportes – 1976

Em 02 de fevereiro de 1890, os bondes puxados por burros na Festa dos Navegantes.

Largo do Mercado com Edificio Malakof ao fundo

Em 1892, no Rio de Janeiro, é inaugurado o bonde Elétrico  com a presença do então presidente da República Marechal Floriano Peixoto, com seu chapéu coco.

Nota:
- No começo do século XX os bondes elétricos trafegavam no Brasil e nas principais cidades do norte europeu.

Em 1893, em Porto Alegre/ RS, a concorrência se instalou, com a instalação da Companhia de Bondes Carris Urbanos - CUPA, quem ganhou foi a cidade, abriram-se várias linhas novas, que serviram os atuais Moinhos de Vento, Floresta, Partenon (onde o Hospício São Pedro existia desde 1884), Bom Fim, Santana e São João.

Nota:
- Muitas das primeiras linhas atendiam interesse dos loteadores, a associação entre a companhia de bondes e os proprietários de terras não demorou a acontecer, tem o caso de Manoel Py, então dirigente da Companhia Carris de Ferro, direcionava os trilhos para essas áreas, que logo se transformariam em loteamentos. Doava terras para a abertura de ruas, em seguida mobilizava recursos para que fossem instalados os trilhos, assim foi com a Medianeira, Navegantes, Glória e São João.

Coronel Manoel Py

Em 15 de janeiro de 1893, em Porto Alegre/ RS, o presidente do estado (governador) Julio de Castilhos acompanhado do intendente (prefeito) José Montaury de Aguiar Leitão, inaugura as operações da Companhia de Bondes Carris Urbanos.

Julio de Castilhos de chapeu branco

Em 1895, em Porto Alegre/ RS, Manoel Py, cedeu espaços ao poder público para o prolongamento da da avenida Eduardo (atual Avenida Franklin Roosevelt) e para a abertura de praça e ruas, como Pernambuco, Ceará, Bahia, Paraná, Amazonas e outras. Lucrou loteando os terrenos ao longo de suas vias.

Em 1895, ocorreram em Porto Alegre as primeiras experiências com a eletricidade. É inaugurada a usina termoelétrica da Companhia Fiat Lux.

Usina Fiat Lux, com sua chaminé em operação

Em 1896, em Porto Alegre/ RS, no mapa, podemos observar o traçado das linhas das duas companhias e os locais onde chegavam os bondes de tração animal

Bonde iniciando seu trajeto pela Voluntários da Pátria em direção ao Arraial de Navegantes

Bonde na Voluntários da Pátria  nas proximidades da Rua Ramiro Barcellos

- As duas fotografias são do final do século XIX,

Até 1899, em Porto Alegre, novas linhas foram instaladas para a Glória e Teresópolis.

Jornada dos Muares

- Os animais de tração, normalmente muares, sofriam muito para puxar o veiculo. Eram comandados aos berros e chicotadas, mas só atendiam ao comando de palavras  conhecidas, e tinham de ser chamados por seus nomes. Caso contrário não atendiam.

- A jornada de trabalho dos animais começava as 6 horas da manhã e ia até as 9 horas da noite.  Os animais tinham suas peculiaridades e manias. Acostumados ao trabalho diário, só faziam força quando comandados por um condutor conhecido, teimavam e não aceitavam comando de desconhecidos, e não adiantava os chicotes, socos e os murros recebidos. Imagine as dificuldades dos novos condutores contratados. Empacavam no lugar e não se moviam

- Quando das colisões sempre pulavam fora da linha, e nunca se machuavam.  Nas rampas e ladeiras íngremes, era sempre atrelado um animal extra para auxiliar na tração. Este animal recebia o nome de "Sota", ficava em seu local aguardando o bonde, e se juntava espontaneamente a este, quando este chegava. Quando terminada a tração extra, descia a ladeira, e ficava novamente aguardando o outro bonde chegar.

- Os animais normalmente faziam 4 viagens, e após isso eram substituídos por animais descansados. O interessante é que concluídas as 4 viagens os animais se recusavam a continuar o trabalho, eram então desatrelados e voltavam sozinhos para as cocheiras, onde recebiam água e ração.

Século XX – 1900

- No decorrer do século XX o transporte sofreu grandes mudanças. Sustentado pelo ideal “desenvolvimentista”, os projetos de transporte público conduziram os caminhos da modernidade na cidade.

- O transito era calmo e de ritmo vagaroso, nos princípios deste século, nesta Leal e Valerosa cidade de Porto Alegre. Para os aristocratas da terra, havia as caleças reluzentes e os "coupes" acolchoados; aqueles que não podiam sustentar um cocheiro e uma parelha de raça; tinham a sua disposição, por preço bem razoável, os serviços dos carros de praça, estacionados no Largo do Paraízo ou Alfandega.

- Os notívagos encontravam sempre o Tílburi amigo, que, sacolejando, salientando sobre as pedras do calçamento, os conduziam ao remanso do lar, depois das farras noturnas.

Carros de aluguel - Praça XV

- Não havia pressa nem confusão, nem atropelos. E a vida toda da cidade seguia a mesma cadência: os porto-alegrenses caminhavam devagar, dentro de suas sobrecasacas solenes e de seus fraques pelintras, demoravam-se a mesa do Rocco, Avenida, estacionavam para as longas palestras, ou para a embevecida contemplação de damas lindas e espartilhadas.

- Mal adivinhavam a formidável energia renovadora que se formava dentro de sua cidade e que irromperia de súbito, em obras, construções, empreendimentos, acelerando-lhe o ritmo da vida e impelindo-a vitoriosamente para o futuro.

- O aparecimento dos bondes elétricos foi uma das primeiras manifestações dessa energia transformadora que se ignorava a si mesma, ou, pelo menos não conhecia a própria potencialidade.

Bonde Elétrico

Cartão postal mostra o bonde de medidas padrão (esquerda) e os bondes de medidas em metro (direita), Rua dos Andradas, por volta de 1900

Na foto o bonde passa na Rua Duque de Caxias quase na esquina com a Marechal Floriano depois de sair do ponto de partida em frente a Capela do Divino.

Na foto o bonde passa na Pantaleão Telles (atual Washington Luis) para contornar a península e ir ao centro da cidade na Praça da Alfandega.
Fotografias: Irmãos Ferrari - 1900

Em 24 de janeiro de 1906, em Porto Alegre/ RS, a Companhia de Carris de Ferro Porto-Alegrense - CFPA e a Companhia de Carris Urbanos de Porto Alegre – CUPA, se fundiram e formaram a nova Companhia Força e Luz Porto-Alegrense - CFLPA, que mais tarde passou a operar todas as rotas de bondee serviços elétricos na cidade, que além de implantar os bondes elétricos era encarregada do fornecimento de energia elétrica para a cidade.

Em 1906, papel de ação da Companhia Força e Luz, data da fundação da empresa que surgiu da fusão entre a Carris de Ferro e a Carris Urbanus.


Ação Cia. Força e Luz

Em 1906, em Porto Alegre/ RS, para que fosse possível a implantação de um sistema eficiente de bondes elétricos foi necessária a construção de uma usina de grande capacidade de geração que fosse capaz de fornecer força motriz para que vários carros elétricos trafegassem simultaneamente.

- A Companhia de Força e Luz construiu no Caminho Novo (Rua Voluntários da Pátria) quase esquina com a Rua da Conceição (local da antiga loja Mesbla e depois Ulbra Saúde), que além de força motriz para o sistema de bondes também fornecia energia elétrica para um bom número de indústrias da capital.

Companhia de Força e Luz Porto-Alegrense - CFLPA,

- Para tracionar os bondes era necessária eletricidade de 550 volts corrente contínua. A Cia. fornecia energia elétrica do entardecer até a meia noite.

- A energia era gerada com enormes motores a vapor na usina localizada no Centro, onde geradores Ganz produziam uma tensão de 2000 volts, e em cada consumidor a Cia. instalava um transformador para rebaixar a tensão e fornecer 100 volts.

Interior da usina - 1912

- Na época cada bonde consumia 55 KW, ou seja, 100 Ampéres.

- A CFLPA começou a eletrificação do sistema de bondes, estabelecendo medidas padrão de 1.435 mm, bitola.

Em 22 de agosto de 1906, em Porto Alegre/ RS, foi encomendado 37 bondes elétricos veículos de quatro rodas da United Electric Co. em Preston, Inglaterra. (United Electric foi renomeada em 1918 e se associou com a Dick, Ker and Co.), foram numerados de 1 a 37.

Fotografia tirada na Inglaterra antes do embarque para o Brasil, um dos 35 carros de 8 bancos, que foi numerado de 1 a 3

Bonde Dois Andares 

- Os bondes 36 e 37 eram de dois andares, com 8 bancos no primeiro andar e mais 7 colunas de assentos no teto.

Fotografia nº 36  tirada na Inglaterra com dois andares

Nota:
- A cidade de Porto Alegre foi a única do Brasil a utilizar bondes de dois andares, apelidados de “Imperiais”, também conhecido pela população como “Chopp Duplo”, transportavam até 60 pessoas. Eles serviram durante poucos anos, pois não tiveram boa aceitação, por motivo da fiação elétrica baixa, mas faziam sucesso.


- Durante dois anos, é instalada a rede elétrica na cidade e são feitas demais adaptações nas antigas linhas de bondes com tração animal (mula).

Em 10 de março de 1908, em Porto Alegre/ RS, inaugura o Sistema Eletrificado Ferro Carril, os bondes 36 e 37 de dois andares, inauguram a linha de bondes elétricos em Porto Alegre.

Bonde Imperial junto a Praça Senador Florêncioa ( Alfândega)

- A viagem inaugural do Imperial foi no fim da tarde no bonde 37 (Venâncio Aires) saiu do Caminho da Várzea (Avenida João Pessoa) até a Rua Luis de Camões no Partenon.

Cartão posta mostra a esquina da Rua dos Andradas com Praça da Alfândega após a eletrificação.
O segundo andar do bonde foi coberto. 
Um bonde de um andar se aproxima à distância

- Os bondes elétricos de Porto Alegre tiveram boa acolhida por parte do público, pois diminuíram o tempo das viagens, e aumentou o número de viagens aos seus destinos.
As linhas iniciais eletrificadas, foram:
- Menino Deus, Partenon, Glória e Teresópolis.


 Bonde elétrico, Rua Voluntários da Pátria com Praça XV

Bonde elétrico nos primeiros dias entre Rua dos Andrasa e Marechal Floriano - 1908
Foto Virgílio Calegary

Em junho de 1908, o porto-alegrense já usava intensamente os bondes elétricos.


Bonde elétrico aberto passa em frente a Escola de Engenharia vindo da João Pessoa - 1909


Bonde elétrico vem pela João Pessoa em direção à Praça Argentina - 1910

Em 1908, para comportar os novo bondes devido a eletrificação o depósito de bondes foi ampliado seguindo o prédio original da  Carris, com a construção de mais um módulo com dois portões.

Garagem de Bondes - 1910

Oficinas e garagem da Companhia Força e Luz - 1910

 A direita o bonde Imperial número 36 que foi o primeiro a circular na cidade no dia 10 de março de 1908

Em 1906, em Porto Alegre/ RS, para que fosse possível a implantação de um sistema eficiente de bondes elétricos foi necessária a construção de uma usina de grande capacidade de geração que fosse capaz de fornecer força motriz para que vários carros elétricos trafegassem simultaneamente.

- A Companhia de Força e Luz construiu na Rua Voluntários da Pátria quase esquina com a Rua da Conceição (local da antiga loja Mesbla e depois Ulbra Saúde), que além de força motriz para o sistema de bondes também fornecia energia elétrica para um bom número de indústrias da capital.

- Para tracionar os bondes era necessária eletricidade de 550 volts corrente contínua. A Cia. fornecia energia elétrica do entardecer até a meia noite.

- A energia era gerada com enormes motores a vapor na usina localizada no Centro, onde geradores Ganz produziam uma tensão de 2000 volts, e em cada consumidor a Cia. instalava um transformador para rebaixar a tensão e fornecer 100 volts.

- Na época cada bonde consumia 55 KW, ou seja, 100 Ampéres.

Praça da Alfândega, quando era chamada de praça Senador Florencio. Ao fundo, o bonde elétrico
Porto Alegre - 1913

Nota:
- Entre 1909 e 1920, aos 37 bondes elétricos com os quais começou a operar o transporte elétrico, a Carris acresceria sua frota, entre 1909 e 1920, de mais dois carros de dois andares e 50 veículos convencionais, incluindo alguns semi-conversíveis. Muitos desses seriam reformados e fechados pela empresa com o passar do tempo, incluindo os de dois andares, que foram cortados e modificados nas oficinas em 1921.

Em 1914, em Porto Alegre/ RS, circulou o último bonde de tração animal, que atuavam desde o dia seguinte à viagem inaugural, os burros e as mulas pegaram no pesado, por mais de 60 anos.


-Fotografia retirada de um cartão postal, mostra um bonde elétrico fechado 
Largo dos Medeiros - 1914


Bondes elétricos circulam pela João Pessoa - 1918

Entre 1909 e 1920, em Porto Alegre/ RS, a United Electric enviou para CFLPA mais dois bondes de dois andares, numerados 38 e 39, oito bondes pequenos e abertos, numerados de 40 a 47, e quarenta bondes fechados, numerados de 48 a 87.

Foto tirada pelo construtor do bonde 67 do último grupo

Em 1920, em Porto Alegre/ RS, as linhas existentes eram:
- Menino Deus, Partenon, Glória, Teresópolis, Moinhos de Vento, Navegantes e São João.

Nos anos de 1920, em Porto Alegre/ RS, os bondes abertos foram fechados e os 04 bondes de dois andares foram transformados em bondes com um andar.

Nos anos 1920, em Porto Alegre/ RS, circularam os bondes elétricos com reboque, os reboques eram na verdade antigos veículos de tração animal convertidos para esta nova função.

Bonde elétrico com reboque
Rua 7 de Setembro - Porto Alegre - 1920 

Mão Inglesa

- Os bondes trafegavam na mão esquerda, por conta da influência dos ingleses, que implantaram o serviço de bondes elétricos. A mudança da mão só se deu em 1935

Os reboques eram chamados de "Operários", por conta de sua tarifa mais baixa, mas o povo os apelidou de "Caradura".

Na foto, o público (à direita) saindo do cinematógrafo Recreio Familiar e da confeitaria A Bohemia em direção a um bonde, na praça Senador Florêncio (Praça da Alfândega). O cinematógrafo exibia na ocasião o espetáculo 'Os Guardas do Farol em Alto-Mar'

Largo Montevideo

- Vemos na imagem um bonde elétrico com reboque trafegar pelo Largo Montevidéu, em Porto Alegre, no ano de 1920.

- Os bondes, da Companhia Força e Luz Porto-Alegrense, tinham bitola padrão de 1,435m, e eram de fabricação americana ou inglesa.

Bonde na Rua Marechal Floriano - Porto Alegre - 1920

Os bondes elétricos de Porto Alegre tiveram boa acolhida por parte do público. As linhas iniciais foram as do Menino-Deus, Partenon, Glória e Teresópolis.

Em 1920, as linhas existentes eram, além das citadas acima, as dos Moinhos de Vento, Navegantes e São João

Rua Voluntários da Pátria - Porto Alegre - 1920

- Vemos duas composições de bondes elétricos se cruzando na Rua Voluntários da Pátria, em Porto Alegre, nos anos 20. Os bondes estão puxando respectivos reboques, que eram na verdade antigos veículos de tração animal convertidos para esta nova função. Os reboques eram chamados de "operários", por conta de sua tarifa mais baixa, mas o povo os apelidou de "caradura".

Em 1921, os bondes elétricos importados da Inglaterra em 1908, foram cortados nas oficinas da Carris e transformados em bondes comuns

Em 1922, o depósito de bondes, aparece a segunda ampliação na qual foi construído mais um módulo de dois portões com a ocupação dos terrenos da esquina com a rua Sarmento Leite que aparece semi-encoberta a direita.


Depósito de Bondes ampliado
Av. João Pessoa - 1922

Em 1925, em Porto Alegre/ RS, foi desenvolvido um programa de ampliação da frota, a CFLPA encomendou 10 bondes fechados da Ateliers de Construction Energie em Marcinelle, Bélgica: - cinco de vagão único, numerados de 88 a 92, e cinco de vagão duplo (dois trucks), numerados de 101 a 105.

Nota-se a circulação à esquerda – estilo inglês – dos bondes como dos automóveis
Praça XV

A Carris

Em 1926, em Porto Alegre/ RS, o Governo Brasileiro dissolveu a Companhia Força e Luz de Porto Alegre e formou companhias separadas para transporte e serviços:
- A nova operadora do serviço de transporte por bondes era a Companhia Carris Porto-Alegrense - CCPA, denominação que mantém até hoje.



Em 1926, já existiam quase uma centena de bondes em circulação na capital.

Ônibus

- Muitas regiões ainda não tinham calçamento, além do que, era necessário instalar trilhos e cabos. Portanto, é comum encontrar, em regiões mais afastadas do centro ou dos bairros tradicionais, pessoas que nunca andaram nos elétricos, mesmo sendo contemporâneas deles.

- O primeiro ônibus na capital surgiu em 1926. Iniciativa do imigrante português Amador dos Santos Fernandes, era um modelo Chevrolet Pavão, comprado da empresa Barcellos & Cia. Amador chegou no sul do Brasil em 1908, em Rio Grande, acompanhado da irmã e mãe. Quando tinha 18 anos sua família voltou para Portugal, mas ele resolveu ficar e residir em Porto Alegre. Ele e o motorista de táxi Manoel Ramirez foram os responsáveis pela introdução dos primeiros ônibus na capital gaúcha.

Como Amador não sabia dirigir, trabalhava como cobrador enquanto Manoel dirigia o veículo. A linha do ônibus iniciava-se no Caminho Novo (Rua Voluntários da Pátria) e ia até o bairro São João, onde os bondes não trafegavam, pois tinham a parada final na Rua São Pedro. Sem itinerários e horários definidos, ao chegarem no fim da linha perguntavam para os passageiros para onde esses iam e, de acordo com as respostas, colocavam as placas correspondentes. No entanto, devido à concorrência que faziam aos bondes.

Nota:
- As dificuldades eram imensas para esses primeiros empreendedores. As estradas praticamente não existiam e os primeiros veículos eram extremamente precários. O Ford Bigode, por exemplo, um dos primeiros veículos a circular na Capital, só subia a Rua da Praia de marcha ré. Além disso, devido à falta de legislação, a concorrência era grande entre os veículos. Alguns, para se diferenciaram, chegaram a contratar gaiteiros para tocar durante o trajeto.

Auto Omnibus

Em 1926, circula o primeiro ônibus de Porto Alegre, propriedade de Amador dos Santos Fernandes e Manuel Ramires.

Primeiro ônibus, um Chevrolet Pavão. 
A figura em destaque é o senhor Amador, pioneiro no transporte rodoviário.

Em 1928, a Prefeitura publicou um decreto regulador dos transportes. Amador, em decorrência desse fato, começou a transportar passageiros entre Porto Alegre e São Leopoldo, fundando a Empresa Amador (atual Central S\A). Ou seja, dessa vez ele faria concorrência com o trem, que fazia esse trajeto.

"Certidão de Nascimento"
Circulação de Ônibus em Porto Alegre

Em 1928, é celebrado contrato entre a Prefeitura de Porto Alegre e a Companhia Carris Porto-Alegrense. Este contrato foi elaborado modificando aspectos do anterior, firmado em 1925. Trata-se, na verdade, da "certidão de nascimento" da circulação dos ônibus em Porto Alegre. Nele estão acordados como deveria ocorrer a inclusão deste meio de transporte entre os serviços prestados pela Companhia Carris. Através da transcrição de alguns trechos desta documentação, será possível observar, além das diferenças ortográficas entre a época e o presente, aspectos da relação entre a Companhia e o Município no período em questão.
Vale a pena lembrar que neste momento a Companhia Carris pertencia a um grupo norte-americano, sendo, portanto, uma empresa privada:

"(...) Aos 13 de setembro de 1928 na Intendência Municipal de Porto Alegre, sala da Procuradoria, presente a Municipalidade de Porto Alegre, representada pelo Major Alberto Bins, Vice Intendente em exercício, e a Companhia carris Porto Alegrense, representada pelo seu bastante procurador, George E. Sands (...) convencionaram alterar o convencionaram alterar o contracto celebrado em dois de maio de mil novecentos e vinte cinco e additamento de vinte e tres de outubro do memsmo anno, substituindo as clausulas em vigôr pelas seguintes:

CLAUSULA I

I A Intendencia Municipal reconhece à Companhia, dentro do município, o direito exclusivo de explorar o serviço de transporte collectivo, em bondes ou outros vehiculos semelhantes que trafeguem sobre, até 2 de maio de 1975.

II No intuito de dotar a cidade de melhor transporte, visando as necessidades actuaues e futuras, fica a Compainha auctorisada, mas sem privilegios, a complementar e extender o seu serviço de bondes por serviço de auto-omnibus (...). Entende-se tambem que à Companhia será facultado augmentar a capacidade de transporte das actuaes linhas de bondes, fazendo um serviçi complementar com auto-omnibus (...)". Torna-se interessante observar que os bondes deixaram de circular em Porto Alegre em 1970, a pesar da companhia ter o direito de explorá-los até 1975. Os chamados na época como "auto-omnibus", passaram a circular na cidade no ano de 1929, um ano, portanto, após a celebração do contrato a cima citado.

Em 13 de novembro de 1928, em Porto Alegre/ RS, a CCPA foi adquirida pelo conglomerado americano, Electric Bond & Share, criando a Companhia Carris Porto-Alegrense/ Electric Bond & Share – CCPA/ EBS,

- A empresa prestadora do serviço, a Companhia de Carris Porto Alegrense/ Electric Bond and Share, iniciou um programa de modernização da frota, com a aquisição, a partir de 1928, de veículos de diversos fabricantes.

- A foto abaixo, tomada ainda na fábrica, mostra um dos bondes Brill antes do embarque para Porto Alegre. A fotografia pertence a coleção de Allen Morrison.

Linha São João

Em 31 de dezembro de 1928, em Porto Alegre/ RS, a nova CCPA/EBS encomendou 20 bondes de vagão de eixo duplo da J. G. Brill na Filadélfia, EUA, que foram numerados de 106 a 125 em Porto Alegre.


Em 1929, em Porto Alegre/ RS, a CCPA/EBS comprou 32 bondes "Birney" de segunda mão da cidade de Baltimore, EUA, que foram numerados de 126 a 157, e oito do mesmo tipo da Eastern Massachusetts Street Railway, perto de Boston, EUA, que foram numerados de 158 a 165. Todos haviam sido construídos pela Brill no início dos anos de 1920.

Largo Montevideo junto a Praça XV - 1929

Em 1928, é inaugurado a construção da Usina do Gasômetro considerada uma das mais grandiosas e complexas obras do Rio Grande do Sul. Este primeiro prédio de concreto armado da capital gaúcha foi sinônimo de progresso e para o transporte eletrificado dos bondes.

Usina do Gasômetro - 1930

- A usina, hoje conhecido ponto turístico de Porto Alegre, tinha como objetivo abastecer a cidade com uma das mais geniais invenções, a eletricidade.
                                           
Controle de fornecimento de energia para a Carris

Com capacidade de 20 mil kw, a usina era abastecida com carvão e, já no seu fim, por óleo diesel. A construção fomentou, no início de suas atividades, reclamações dos moradores do Centro de Porto Alegre, que devido a sua chaminé ser muito baixa, espalhava pelo centro a fuligem.
Em 1937, foi construída uma nova chaminé com 117 metros de altura. Para muitos contemporâneos, um "trambolho inesthestico" muito por sua localização, o Centro da capital. Mesmo assim, ela permanece até hoje.

A chaminé e a fuligem

Depois de ser desativada em 1974, a usina deixou de ser aquele objeto poluente do ar e da paisagem para se tornar parte desta e resgatar o passado "progressista positivista" da capital gaúcha que utiliza a Usina do Gasometro como espaço de cultura e lazer, à beira do Guaiba e à luz do pôr do sol.

Em 1929, Amador fundou a Empresa Amador para transportes entre Porto Alegre e São Leopoldo por ônibus, empresa que deu origem à atual Central Transportes, de São Leopoldo.


Em 1929, os primeiros ônibus da Cia. Carris circularam, tendo seu serviço sido interrompido em 1956 e os ônibus transferidos para outra companhia e retomado somente em 1966.

Primeiro ônibus da Carris, o Yellow Coach, importado da Inglaterra
Em 1929, foi instalado o primeiro Abrigo coberto para bondes, no lado da rua Dr. José Montaury, o abrigo de bondes da Praça XV de Novembro foi construído em duas etapas pela Cia. Carris Porto-Alegrense.


Como se fazia nos bairros onde o Bonde não ia?

- Os períodos iniciais do transporte público foram repletos de dificuldades. A medida que a cidade crescia, a situação tornava-se mais problemática. Os bondes não alcançavam as regiões mais afastadas do centro urbano e as estradas não tinham pavimentação, a maioria de chão batido.

- Em algumas regiões, nem os primeiros ônibus conseguiam chegar. Nesse caso, havia o famoso "padeiro" que, levando o pão às residências, fazia também o transporte dos que precisavam se deslocar. Como não havia comércio nos bairros mais afastados do Centro, era ele o elo de ligação dos moradores com as outras regiões. Para aqueles que precisavam ir ao centro diariamente, a solução era adquirir uma carroça. Era assim que faziam os mascates, quando iam ao Mercado Público vender seus produtos.

O Padeiro

- Na Vila Nova, por exemplo, só foi construída uma estrada em 1912, ligando Cavalhada ao bairro Belém Novo. O primeiro coletivo que fez o trajeto direto Vila Nova/Centro é da década de 1930 e pertenceu a João Samarani. O veículo era um Ford 1929, tinha oito horários diários saindo da frente da Igreja São José e era todo aberto, com bancos de madeira.

Em 12 de maio de 1931, a Prefeitura de Porto Alegre firma contrato com Cia. Carris, que se propôs a explorar o serviço urbano de auto-ônibus. O serviço passa a ser combinado entre os bondes e os veículos. A companhia, para uso desse transporte conjugado, emitiu um cupom de formato especial, que tanto servia no bonde como no ônibus. Devido ao aumento de passageiros, passou-se a utilizar também os antigos bondes a mula como reboque, para transporte de cargas e passageiros.

- Com os primeiros ônibus vieram os primeiros automóveis, que eram vistos com desconfiança, por soltarem no ar uma espessa camada de fuligem e sujeira. Além disso, os acidentes envolvendo bondes,ônibus e carros assustavam os que utilizavam o transporte público. A foto acima é do primeiro ônibus que percorreu o bairro Vila Nova.

Em 1933em Porto Alegre/ RS, a CCPA construiu 10 carros "Birney"- números 166 a 175 - nas oficinas da Carris com peças de outros carros.

- Foram batizados de bondes "Miller" por causa do projetista e supervisor da construção, C. W. Miller, engenheiro chefe da Carris na época.


Bonde Miller 174 - abrigo de bondes da Praça XV
Década 1950

Em 1934, em Porto Alegre/ RS, adquiriram 20 bondes de segunda mão da Richmond Railways, em Staten Island, Nova Iorque, EUA, que haviam sido construídos pela Osgood-Bradley em Massachusetts nos anos de 1920. Eles sofreram bastantes reformas em Porto Alegre e foram numerados em uma nova série de 1 a 20, para substituição, como na imagem abaixo, 0 nº 2, Linha Gasômetro.

Praça XV - 1957


Rua da Azenha - 1935

Mudança de Mão
Em 1935, em Porto Alegre/ RS, houve a mudança de mão de circulação, pois os bondes trafegavam na mão esquerda, por conta da influência dos ingleses, que implantaram o serviço de bondes elétricos.

Bonde em Porto Alegre - 1935

- Vemos na imagem um dos novos bondes adquirido pela Companhia de Carris Porto-Alegrense, sob gestão da Electric Bond e Share.

- No período da aquisição, feita em 1928, até 1933, foram adquiridos carros da J.G. Brill e Osgood-Bradley


Antes dos Abrigos de Bondes

- Os bondes saiam da Rua dos Andradas, em frente a Praça Senador Florêncio (Praça da Alfândega), faziam o contorno pela sete de setembro passando em frente ao Mercado Público e seguiam para o Caminho Novo.

- O outro local de saída dos bondes era a parte fronteira à Capela do Divino ao lado da Igreja Matriz.

- Até 1935, a maioria dos bondes paravam em frente ao Mercado Público, pois ainda não estava concluído o Abrigos de Bondes .

Dois bondes da Ateliers de Construction Energie, Bélgica (da frente) estacionados em frente ao Mercado Público observando-se ao fundo a Praça XV de Novembro e o chalé - 1935

Abrigo de Bondes Praça XV

Em 1929, foi instalado o primeiro Abrigo coberto para bondes, no lado da rua Dr. José Montaury, o abrigo de bondes da Praça XV de Novembro foi construído em duas etapas pela Cia. Carris Porto-Alegrense.

Construção primeira parte do abrigo -1930

Abrigo de bondes já concluída a primeira parte - início da década 1930

Esquina Marechal Floriano

Em 1935, com a mudança no tráfego das linhas, e para melhor atender à população, o abrigo foi aumentado, prolongado numa extensão de 38m (ala voltada para o edifício Delapieve).





- O Abrigo atendia aos usuários da Zonas Leste e Sul nas linhas de bondes Floresta e Independência, com acesso pelo lado voltado para a Praça XV, e a linha para a Cidade Baixa e Partenon pela ala do Edifício Malakof. Servia como ponto de confluência e translado.






- O professor da Universidade de Caxias do Sul (UCS), jornalista Luiz Artur Ferraretto, aponta uma curiosidade, uma emissora de rádio sediada no abrigo.
O que pouca gente sabe é que, na capital também houve uma voz-do-poste. Como registra o Guia Otten, publicação comercial daqueles tempos, chamava-se Rádio Cruzeiro. Tempos de poucos automóveis e muitos bondes. Milhares de pessoas convergindo para a Praça XV, no centro da cidade, encruzilhada do transporte urbano. Como dizia um anúncio da época, há, então, “uma voz nos abrigos da Praça XV ouvida por toda Porto Alegre”.


- Numas de suas últimas entrevistas, o escultor, gravador e caricaturista, Xico Stockinger (1919-2009), lembrou que em 1961, ele e mais um grupo de artistas fundaram o Ateliê Livre da Prefeitura Municipal. A primeira sede funcionou em cima do Abrigo dos Bondes “ali naquele troço redondo do abrigo, depois nos mudamos para cima do Mercado”, contou Xico em novembro de 2008.


- Em pleno século XXI, o Abrigo da Praça XV resiste ao tempo e se renova. Atualmente possui 26 pontos de venda, a maioria, lancherias. São estabelecimentos para refeições rápidas, com os temperos e sabores característicos do Abrigo desde o tempo do bonde.


- Lá, ainda é possível aplacar a sede com um tradicional caldo de cana.

- Em fase de licitação para um projeto de estudo da viabilidade técnica de instalação de uma linha de bonde no Centro Histórico.


Abrigo de Bondes Praça Parobé

Em 1935, 0 Abrigo da Praça Parobé foi construído pelo então intendente (prefeito) Alberto Bins, sobre a antiga praça, outrora majestosa, que deu origem ao nome do abrigo, completamente destruída por uma grande enchente ocorrida em 1941, está localizado no Centro da cidade, quase ao lado do Mercado Público Central, no início da avenida Voluntários da Pátria.

O abrigo tinha como finalidade atender aos usuários da Zona Norte nas linhas de bondes Navegantes e São João.

Bondes e Ônibus juntos
Abrigo de Bondes Praça Parobé, década de 1930


Abrigo de Bondes junto a Praça Parobé, transformado em estacionamento
Década 1950

- No século XXI no local, funcionam 8 estabelecimentos, na sua grande maioria voltados para o comércio de lanches rápidos a preços populares.


Abrigo de Bondes Praça Parobé
Terminal de ônibus urbanos
Século XXI




Degradação do Abrigo de Bondes no inicio do século XXI


Novo Terminal de Ônibus Parobé - 11.01.2000


Logo após inaugurado


10 anos depois

Em 1936, em Porto Alegre/ RS, a CCPA comprou mais 20 bondes da Eastern Massachusetts Street Railway, construídos em 1923 pela Kuhlman, que foram numerados de 21 a 40.

Em 1937, a dupla Alvarenga e Ranchinho lançam uma marcha que homenageou os condutores de bondes.



Em 1937, dentro de sua grande capacidade instalada, a Companhia Carris juntou 14 Baltimore Birneys, foram construídos sete Bondes Brill com eixos duplos e lado curvado, que foram apelidados de "Texanos" (por que seu projeto original foi concebido por um desenhista texano), e numerados de 41 a 47.

- Na foto abaixo, modelo reconstruíds em Porto Alegre, o número 47 da linha Dom Pedro II, passa na Avenida Cristovão Colombo em direção a Benjamim Constant quase naquele entroncamento com a Cel. Bordini em 1958.

O número 47 é designado DOM PEDRO II.
Av, Cristovão Colombo


Pátio da Cia. Carris – 1937
Foto Azevedo Dutra

- As 2 fotografias abaixo mostram etapas deste processo de reconstrução dos Texanos a partir do sucateamento de sete bondes Brill antigos.




No ano de 1940, em Porto Alegre/ RS, trouxe consigo quatro bondes grandes de York, Pensilvânia, EUA. Os carros eram modelos “Master-Unit”. Três unidades principais construídos pela Brill e foram numeradas de 176 a 178, depois de 101 a 103; um "Eletromóvel" construído Osgood-Bradley foi numerado 179, e depois 100.


O número 177 trafegando pela Rua São Rafael (Av. Alberto Bins) no sentido da Rua Otávio Rocha 1956.

Em 1940, a Companhia Carris importou doze bondes com 12 janelas, construídos em 1925 pela Perley Thomas Car Works in High Point (North Carolina) e que trafegaram durante 15 anos na cidade de Miami nos Estados Unidos. Na ocasião da chegada eles receberam os números 180 a 191, e mais tarde foram re-numerados para 88 a 99.

- Na fotografia abaixo (1958) o bonde de número 98 da linha Azenha passa na Avenida João Pessoa próximo da esquina com a Venâncio Aires.

Bonde de Miami (USA), Linha Azenha

Bondes em Porto Alegre - 1942

- A imagem mostra dois bondes trafegando pela Av. Borges de Medeiros, em Porto Alegre, em 1942. A empresa prestadora do serviço, a Companhia de Carris Porto Alegrense, foi comprada em 1928 pela empresa americana "Electric Bond and Share", a qual iniciou um programa de modernização da frota, com a aquisição, a partir de 1928, de veículos de diversos fabricantes, como J.G. Brill e Osgood-Bradley

Boulevard da Avenida Oswaldo Aranha, com os trilhos

- Nesta fotografia abaixo (1928), feita pelo fabricante americano antes de embarcar para o Brasil, aparece o interior de um Bonde Brill.


Em 1940, a Cia. Carris modificou e melhorou o conforto de alguns de seus carros.

- Na fotografia abaixo, o interior de um Bonde Brill, reformado pela própria Carris e no qual foram colocados  bancos estofados e revestidos com palhinha.


Em 1941, acontece em Porto Alegre a grande enchente.


Abrigo de bondes da Praça XVsobre as águas do Guaíba - 1941


Praça Parobé e abrigo de Bondes - 1941

Em 1942, São Leopoldo, a Central Transportes, adquire o primeiro ônibus a diesel do Rio Grande do Sul da marca Büssing-Nag.


Em 1946, a última compra de bondes efetuada pela Carris quando adquiriu 25 veículos com eixo duplo (oito rodas), construídos pela Osgood-Bradley em 1927 para a Worcester Street Railway em Massachusetts - EUA, foram enviados para Porto Alegre. 
Os números que receberam em Porto Alegre foram de 126 a 150.

- Na foto abaixo (1957) modelo de número 137 aparece passando na Avenida Assis Brasil.

Bonde da Worcester, 

Um ticket da CCPA – "válido até 1968":

Ficha da CCPA:

Em 1950, em Porto Alegre/ RS, haviam os veículos fechado do tipo de Dois Trucks, que foi adquirido pela administração norte-americana com a finalidade de modernização da frota.

Meca dos Bondes

Com os 130 bondes Americanos,
89 Ingleses e
10 da Bélgica,
e suas adaptações realizadas nas oficinas da Cia. Carris,


Porto Alegre se tornou o maior Museu de Bondes em operação do mundo.

- Com o programa de importação de veículos pela Eletric Bond and Share, tornaria Porto Alegre a Meca para entusiastas de Bondes Norte Americanos nos anos de 1950 e 1960, um verdadeiro Museu a céu aberto.

Av. Borges de Medeiros - Porto Alegre - 1950

A imagem mostra um bonde da Cia. de Carris Porto Alegrense trafegando pela Av. Borges de Medeiros, em Porto Alegre, em 1950. O veículo fechado é do tipo de dois trucks, e foi adquirido pela administração norte-americana com a finalidade de modernização da frota. Vê-se pela imagem que, nesta época, a concorrência dos ônibus e lotações começava a se intensificar.

Parada de bondes, Mercado Público - 1951

Em 1952, sucessivas greves e o evidente desinteresse dos norte-americanos da Bond & Share em manter o transporte por bondes levam a prefeitura de Porto Alegre a intervir na companhia, assumindo como interventor José Antônio Aranha, irmão do ministro Oswaldo Aranha

Ônibus

- Nesta época, a concorrência dos ônibus e lotações com os bondes começava a se intensificar.

Cais Mauá

Em 29 de novembro de 1953, em Porto Alegre/ RS, foi aprovada na Câmara Municipal de Porto Alegre a encampação pela Prefeitura de Porto Alegre do controle acionário da empresa americana CCPA/ Electric Bond and Share, durante o mandato do prefeito Ildo Meneghetti

Manobra no Fim da Linha

- Ao chegar ao fim linha, no centro, proporcionava ao passageiro de ver o trabalho do motorneiro e do cobrador para o retorno. O bonde era bidirecional; não era, portanto, manobrado e nem havia um local para ele fazer uma curva e retornar. ele voltava em direção contrária, apenas mudando de um par de trilhos para outro, vizinho e paralelo ao da vinda.

Motorneiro

Distintivo de identificação do quepe , o condutor

Motorneiro

Depósito da Carris, Motorneiro e Condutor
Av. João Pessoa - 1965

Bondes de Porto Alegre e seus cobradores, também chamados condutores

Funcionários da Carris na antiga oficina da empresa na Avenida João PessoaFoto: Acervo Memória Carris

- O motorneiro retirava os comandos de um lado dobonde e os levava para o outro, ao mesmo tempo que o cobrador caminhava pelo corredor do bonde com os braços abertos, empurrando os encostos do banco para o outro lado, a fim de que as pessoas não trafegassem de costas. Isto era feito, no centro, em frente ao Mercado Público.

Interior do bonde gaiola, com seus bancos de madeira reversível


Fim da linha Menino Deus, ao lado Cine Marrocos en frente a Igreja do Menino Deus

O Cobrador
- Durante o percurso, os cobradores caminhavam sem parar de um lado a outro do bonde pegando o dinheiro dos passageiros.

- O papel do cobrador é decisivo nos coletivos desde o tempo dos bondes, quando esse profissional era conhecido como "condutor".


- Cobrar as passagens, orientar o motorista – então chamado de motorneiro – sobre a entrada e a saída dos usuários e marcar o movimento no contador de passageiros eram algumas das atribuições do cobrador de antigamente.

- O condutor costumava andar com notas enroladas nos dedos para facilitar o troco.

Oficina - Parque de Manutenção

- Ao longo do tempo, forçada pela necessidade de manter os equipamentos em boas condições de uso, a Carris manteve historicamente um grande parque de manutenção e conservação dos bondes. Nele eram transformados e modernizados veículos mais antigos, introduzidos melhoramentos e equipamentos mais modernos bem como pintura e conservação de toda a sua frota de mais de cem bondes.

Oficina - 1961

Manutenção e reforma de Bondes - 1959

Manutenção e reforma de Bondes - 1955

Interior Bonde Brill já reformado sem os bancos e comandos - 1954

Manutenção e reforma de Bondes - 1959

Interior Bonde Brill já reformado com os bancos e comandos. Observar que os bancos foram estofados com palhinha. Todo este serviço era feito dentro da Companhia Carris - 1954

Barbearia da Carris


Bonde Lotado

- Em horários de pico, com o bonde cheio, muitos diziam que já tinham pago sua passagem, o que podia gerar curtos e barulhentos bate-bocas. Mas a melhor maneira de não pagar era andar na porta dependurado e sentindo o vento bater no rosto, a uma velocidade máxima de uns 40 ou 50 Km/h.



ComEmoção

- Era o momento de maior emoção, quando podia ficar com um dos braços e uma das pernas no ar. Curiosamente, ninguém achava aquilo perigoso,

Em 1954, carro utilizado para reboque e manutenção externa de bondes avariados e ou acidentados.

Carro rebocador de bondes

Em 19 de fevereiro de 1954, em Porto Alegre/ RS, os americanos retornaram a operar no transporte da cidade.

- O novo Departamento Autônomo de Transportes Coletivos - DATC, informou que até 1961, 89 milhões de passageiros foram transportados pelos bondes em 105 Anos do sistema.

Manutenção de trilhos Vila IAPI
1956



A agonia dos Bondes

Em 1956, a Cia, Carris passava por grandes problemas financeiros. Com a quebra do monopólio do serviço de ônibus em 1940 (quando ocorreu a entrada de novas empresas que se dedicavam à exploração do transporte coletivo), a falta de interesse de americanos e ingleses na fabricação de veículos com tração elétrica, a injeção de capital estrangeiro para a montagem de fábricas de automóveis, caminhões e ônibus e o congelamento das passagens (entre 1947 e 1956), fazem a Carris mergulhar em profunda crise.

- Neste momento, os bondes passam a ser enxergados como veículos lentos, velhos e barulhentos.

- Além disso, os trilhos usados pelos bondes impediam que as ruas fossem pavimentadas com cimento ou asfalto, e os paralelepípedos causavam danos às suspensões e molas dos automóveis, já bastante populares nesta época.

  Sabemos que a concorrência com as empresas de ônibus particulares e os constantes problemas no fornecimento de energia elétrica (o que causava interrupção nas viagens de bondes) fez com que paulatinamente a população fosse optando pelo transporte rodoviário.

O bonde 70, da série 48-87 da United Electric 
"T" identifica a linha TERESÓPOLIS
Porto Alegre - 1957

Bonde 70 da United Electric,
linha TERESÓPOLIS
Porto Alegre - 1957

Em 1957, a Municipalidade Inspeciona a Carris o então prefeito Leonel de Moura Brizola realizada, juntamente com acessores, às dependências e veículos da  Carris. Quando assumiu a Prefeitura em 1956, Brizola se tornou um dos críticos do serviço prestado pela Carris que, segundo ele, era inferior ao que a população poderia e deveria ter.

Prefeito Brizola e acessores

Inspeção na Carris

Em 1961, durante o ano foram transportados 89 milhões de passageiros sendo utilizados para isso 103 bondes.

Bonde Brill 117 da sua série, levemente modificado, Linha Menino Deus
Av. João Pessoa - 1962

Bonde Brill Birney (1928), da DATC, linha Navegantes.
Parado em frente à Escola Normal 1º de Maio, 
Porto Alegre – 11.04.1963


Rua Otávio Rocha, substituição de trilhos

Rua Otávio Rocha

Bonde Brill 102, ex-177, Av. Protásio Alves,
perto do fim da linha PETRÓPOLIS – 1964,
foto William Janssen

Trolleybus

- Ao longo da década de 1950, foi projetado o serviço de Trolleybus para auxiliar o serviço de bondes, porém somente foi iniciada a operação na década seguinte.

No dia 07 de dezembro de 1963, em Porto Alegre/ RS, o DATC decidiu substituir o transporte sobre trilhos por ônibus (pois os bondes eram considerados muito lentos) e inaugurou a linha de Trolleybus, cinco unidades Massari deslocaram-se entre o Gasômetro e o Menino Deus, pelas ruas onde os bondes de tração animal originaram as linhas de bondes 102 anos antes, sendo adquiridos 4 trólebus do tipo Caio/Massari/FNM/Villares e 5 veículos do tipo Massari/Villares.

Trolebus da Carris

Nota:
- Em sua extensão máxima, o percurso dos Trolleybus atingiu apenas 10 km de rede elétrica e em cinco anos de funcionamento, houve apenas duas linhas de trólebus: Auxiliadora e Menino Deus, transportando em média, respectivamente, 900 e 400 passageiros por dia, segundo dados da companhia.

Bilhete de bonde da Carris

- Planejava-se instalar 100 veículos, tipo Trolleybus, mas foram comprados 9, sendo quatro usados. Entre os investimentos, era necessário readaptar a voltagem das redes dos bondes.

- Supreendentemente, o serviço de Trolleybus fracassa, seja pela insuficiência de força da rede elétrica ou pela campanha deflagrada pelo sindicato dos Rodoviários e imprensa, que viam o transporte de tração elétrica como ineficiente e um atraso para a cidade.

Cia, Bianchi - década de 1960

Bonde Staten Island 12 com outras cores. 
Linha Auxiliadora
Praça XV - 1957



- Década de 1960 na av. João Pessoa, em frente ao demolido  prédio do Exército o bonde, norte-americano ganha nova pintura na Carris e é apelidado de Coca Cola pela população.

Em setembro de 1966, a Cia. Carris amplia seu serviço de ônibus e decide abandonar definitivamente o serviço de Bondes. Foram comprados trinta veículos modernos com motor a óleo diesel e, nesse mesmo ano, os Bondes Gaiolas da linha Duque são substituídos.

Um dos primeiros ônibus que começaram a substituir os bondes
Praça Dom Sebastião - 1969. 
Foto: Pércio de Moraes Branco, Arquivo Pessoal

Em maio de 1969, circularam os últimos Trolleybus tendo cinco dos veículos ainda em bom estado.


- Os Trolleybus de Porto Alegre, acabaram cinco sendo vendidos para a cidade de Araraquara, São Paulo e quatro como sucata..

Linda imagem da Rua Riachuelo - 1969


Em 1969, mais noventa ônibus a diesel são adquiridos pela Cia. Carris, e os bondes elétricos das linhas Assis Brasil, Petrópolis, Gasômetro - Escola e os trolleibus do Menino Deus são substituídos pelos novos ônibus. 

- Era o golpe final no serviço de tração elétrica...

Bonde e Ônibus juntos
Foto Vladimir Monteiro

Um dos últimos bondes de Porto Alegre
Avenida Venâncio Aires - 1969
Foto: Pércio de Moraes Branco, Arquivo Pessoal

Em 03 de março de 1970, uma equipe de 16 homens da companhia trabalhava na Avenida Osvaldo Aranha, no corredor central por onde hoje trafegam os ônibus.
A retirada dos trilhos não foi uma operação fácil.

- Mas, pelo jeito, nem todos os trilhos foram removidos. A Siderúrgica Riograndense comprava por NCr$ 130 (cento e trinta cruzeiros novos) a tonelada do metal retirado.





- Retirada dos trilhos na Praça Daltro Filho, junto à Borges de Medeiros. 
O prédio ao fundo é o do Cine Capitólio, na época chamado Premier.

Foto: Armênio Abascal, BD, 16/6/1971


O Grande Erro
A Mudança de Modal

O Passeio da Saudade

- Exceto pela cidade de Santos, SP, em 1971, Porto Alegre foi o último grande sistema de bondes a encerrar as atividades no Brasil.

Assim, Porto Alegre foi a segunda a instalar o sistema de Bondes no Brasil e a penúltima a encerrar a atividade.

Em 08 de março de 1970, domingo, em Porto Alegre/ RS, 62 anos depois da inauguração do primeiro bonde elétrico, o Prefeito Telmo Thompson Flores, jornalistas e convidados percorreram as linhas Partenon, Glória e Teresópolis.


O último dia de funcionamento do sistema - 1970

- Cinco bondes em cada uma das três últimas linhas ainda existentes (Glória, Teresópolis e Partenon) fizeram gratuitamente as últimas viagens.

- Foi o denominado Passeio da Saudade, evento que encerrou o uso desse meio de transporte na Capital.


O jornalista ARCHIMEDES FORTINI faz sinal de positivo, ao embarcar no bonde elétrico que faria a última viagem pelos trilhos da cidade. Na porta agarrado ao balaústre, ainda no chão, o  prefeito  municipal na época Eng. TELMO THOMPSON FLORES.
De costas, bem à direita na foto de camisa escura, o então diretor presidente da Carris Engº TELMO JOSÉ BINS.

Último dia

- Naquele dia, os passageiros não pagaram passagem, o DATC utilizou o bonde de número 113 e às 20h30, o último bonde foi recolhido ao depósito.

Depósito de Bondes


Em 1970, em Porto Alegre/ RS, logo após a desativação do sistema de bondes de Porto Alegre, aparece a garagem e oficinas da Companhia Carris Portoalegrense na esquina da Sarmento Leite com João Pessoa. A seta vermelha está indicando o módulo original construído em 1873.

Os bondes retornando a Garagem na despedida final

Em 09 de março de 1970, Porto Alegre, começou o trabalho de retirada dos trilhos ou sua cobertura com asfalto.


- Foi uma morte anunciada, pois nos anos 1950, os ônibustransportavam mais e mais passageiros. As distâncias ficaram maiores com a expansão e desenvolvimento da cidade e os bondes muito lentos, foram ficando para trás.

- A maior parte da frota de bondes foi destruída, mas o DATC guardou o modelo Texano número 46 e vários modelos Brills, incluindo o 113 e o 123.

Em 1970,bonde número 113 foi o último a operar, encontra-se agora no Museu Joaquim José Felizardo, na Rua João Alfredo, em Porto Alegre.

- O número 123 está atualmente na recepção do escritório da Cia. Carris Porto-Alegrense na Rua Albion.

Na década de 1970, a Carris disponibilizou os primeiros ônibus com ar condicionado de Porto Alegre, que tinham jornal a bordo e rodomoças servindo cafezinho.

- Os primeiros veículos coletivos da cidade adaptados para pessoas com deficiência física foram os da Cia. Carris.

Para onde foram os Bondes?

- Uma das perguntas mais freqüentes no trabalho com a história dos antigos bondes é onde eles foram parar. Após o dia 8 de março de 1970, o que se fizeram com os veículos? O fim dos bondes trouxe, para os que tanto os amavam, um misto de saudosismo e tristeza pelo fim de uma era. Porto Alegre convivera mais de 100 anos com os elétricos e sua substituição por ônibus marcava, para os contemporâneos, o fim de uma época nostálgica e familiar nas ruas da Capital.

- Alguns bondes foram vendidos como ferro-velho devido ao estado em que se encontravam. Muitos bondes foram doados a instituições públicas, principalmente escolas, onde eram utilizados para diferentes funções. Em alguns bairros na zona sul da capital, por exemplo, já ouvi relatos de turmas que tinham aulas dentro dos veículos. No entanto, o mais comum era os bondes servirem como refeitório aos alunos. No Colégio Anchieta ainda hoje existe o veículo, servindo como escritório para o transporte escolar. Pelos relatos que já recebi, as instituições de ensino foram as que mais receberam bondes para serem utilizados em diferentes atividades, ou simplesmente para ficarem no pátio da escola, para “a festa” na hora do recreio.

- Atualmente sabemos da existência de poucos bondes. Na polícia de trânsito (DPTRAN) existem dois bondes, modelos Osgood Bradley, que servem como arquivo e atendimento de ocorrências. O segundo, inclusive, foi recentemente reformado. Hoje ele atende as ocorrências criminais e tem internamente uma estrutura adaptada para isso.

- Há um bonde no Museu Joaquim Felizardo, modelo Brill-113- contudo, esse não tem função definida no local.

- Na Cia. Carris temos um “modelo irmão” do que o museu possui, numerado 123, onde funciona o Sacc (Sistema de Atendimento ao Cliente Carris).

No Pampa Safári, em Gravataí, há quatro elétricos que ficam em exposição no parque. Foram eles os vistoriados pela equipe responsável pela execução de uma linha turística na capital.

Alguns amantes dos antigos veículos os compraram em leilões e os têm em suas residências. Outros adquiriram bancos ou objetos que fizeram parte do funcionamento dos bondes.

Cartaz referente ao leilão de bondes em São Paulo

- Com o fim da operação dos últimos bondes, a Secretaria Municipal de Transportes reconfigura as linhas de transporte coletivo urbano por ônibus de Porto Alegre, e a Cia. Carris passa a operar linhas de ônibus com trajetos semelhantes aos anteriormente percorridos pelos bondes.

Logo da Carris - década de 1970

Em 1976, a substituição dos bondes por ônibus não tinha sido suficiente para salvar a Cia, Carris das dificuldades financeiras, que só começariam a ser revertidas com a criação das linhas transversais (T).

Ônibus Mercedes da Linha T1

- As linhas transversaisT” cruzam a cidade de bairro a bairro, sem a necessidade de fazer baldeação na região central. Com as linhas T1, T2, T3 e T4, os passageiros passam a ter uma nova opção de transporte, indo de um bairro a outro da cidade utilizando somente um ônibus, evitando a concentração de veículos no Centro. 
Carrocerias Eliziário - Zona Norte
Década 1970

Outros Sistemas

Aeromóvel

No dia 11 de abril de 1982, em Porto Alegre/ RS, o primeiro trecho de 0.6 km em estrutura elevada, do nada convencional Aeromóvel de Porto Alegre (tipo de VLT), operado pela Coester, começou a transportar passageiros, em nível experimental pela Av. Loureiro da Silva, contendo duas estações, partindo da Estação Gasômetro até a Estação Loureiro da Silva junto ao prédio da Receita Federal.

Trem Metropolitano – Metrô de Superfície

Em 04 de março de 1985, em Porto Alegre/ RS, os primeiros 27 km do Metrô de superfície, operado pela Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. - Trensurb, foram inaugurados. As medidas são de 1.600 mm e os trens foram construídos pela Nippon Sharyo, no Japão.
São 6 estações em Porto Alegre:
Estação Central Mercado,
Estação Rodoviária,
Estação São Pedro,
Estação Farrapos,
Estação Aeroporto,
Estação Anchieta.

- A linha foi estendida e está em operação nos dias de hoje, atende Porto Alegre e outros 5 municípios da Região Metropolitana diretamente.

Durante os anos de 1990, em Porto Alegre/ RS, obonde número 123 foi colocado na Praça XV de Novembro, no Largo Glênio Peres, sobre trilhos ali instalados, como lembrança do passado recente, depois foi retirado.

A fotografia abaixo foi tirada em Julho de 1994. 
Um pedaço do trilho permaneceu, mas a fiação aérea foi retirada há muito tempo atrás


Em 1999, no livro "Memória Carris: crônica de uma história partilhada com Porto Alegre", encontramos algumas informações que ajudam entender esta decisão de encerramento do serviço de bondes em Porto Alegre..

Século XXI - 2000

Bonde Histórico

Em maio de 2003, em Porto Alegre/ RS, a Trensurb, o Ministério das Cidades, a Prefeitura de Porto Alegre, a Carris, a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e a Associação Cultural Amigos do Bonde firmaram convênio visando realizar estudos e projetos para viabilizar a implantação do Projeto “Bonde Histórico de Porto Alegre”.

A fotografia abaixo, de dois Brills não identificados e do Texano 46, foi tirada em Outubro de 2006, em um parque perto de Gravataí, 30 km a leste de Porto Alegre

Projeto Bonde Histórico – a Trensurb trabalha para trazer de volta o charme dos bondes para a capital dos gaúchos.

- Encampado pelo Projeto Monumenta, que prevê uma série de ações para revitalizar o centro cultural da capital gaúcha, a ação propõe reintroduzir o tradicional veículo, desativado em 1970, com uma rota que vai do Mercado Público até a Usina do Gasômetro, valorizando, assim, uma região de grande potencial turístico da cidade.

- Para captar estes recursos, a Associação Cultural Amigos do Bonde irá encaminhar uma solicitação de Apoio a Projetos, na modalidade de mecenato, junto ao Ministério da Cultura, assim que o projeto de engenharia e operacional estiver concluído pela Trensurb. Definindo os custos exatos do mesmo, à Trensurb, caberá a gestão do projeto.


VLT – Veículo Leve sobre Trilho

Metrô

Ônibus

- Porto Alegre sempre teve um sistema de transporte coletivo desorganizado, com sistemas iniciados, mas não dado continuidade pela municipalidade, SMT e EPTC.
As linhas de ônibus urbanos seguem na sua maioria os caminhos antes empregados pelos bondes.

- A cidade possui o maior terminal urbano de passageiros a céu aberto do Brasil, que desde a década de 1950 é utilizado como, são:

- As avenidas Borges de Medeiros e Salgado Filho, onde estacionam os ônibus para a zona leste e sul.

- Mas a cidade tem terminais construídos ou em calçadas espelhados por toda a cidade.

Terminais Urbanos

Bondes até 1970:
Estação de Bondes da Praça XV
Estação de Bondes da Praça Parobé

Ônibus na década de 1970:
Terminal Mercado
Terminal Parobé
Terminal Rui Barbosa
De rua: Avenida Borges de Medeiros (da Andrade Neves até Fernando Machado) e (Mauá até Júlio de Castilhos), Avenida Salgado Filho, Avenida Sepúlveda, Rua Pinto Bandeira, Travessa Truda, Praça D. Feliciano

Na década de 1980:
Terminal Mercado, com a mão invertida
Terminal Parobé, com a mão invertida
Terminal Rui Barbosa, com a mão invertida
De rua: Avenida Borges de Medeiros (da Andrade Neves até Fernando Machado) e (Mauá até Júlio de Castilhos), Avenida Salgado Filho, Avenida Sepúlveda, Rua Pinto Bandeira, Travessa Truda, Praça D. Feliciano, Rua Uruguai

Na década de 1990:
Terminal Mercado, desativado e linhas distribuídas
Termina Parobé, construída nova estação, sistema não finalizado
Terminal Rui Barbosa, construído nova estação
Terminal Mauá, construído
Terminal Conceição, construído sob o a Elevada da Conceição
Terminal Uruguai
Terminal Mercado, na Avenida Júlio de Castilhos
De rua: Avenida Borges de Medeiros (da Andrade Neves até Fernando Machado), Avenida Salgado Filho, Avenida Sepúlveda, Rua Pinto Bandeira, Travessa Truda, Praça D. Feliciano, Praça Farroupilha, Rua Júlio de Castilhos, Rua Voluntários da Pátria, Rua Marechal Floriano, Largo Cairú,

Na década de 2000:
Terminal Parobé
Terminal Rui Barbosa, construído nova estação, pela construção do Camelódromo
Terminal Mauá, construído nova estação, pela construção do Camelódromo
Terminal Conceição, ampliado para as linhas transferidas do Terminal Rui Barbosa
Terminal Uruguai
Terminal Mercado, desativado
Terminal Praça Farroupilha, desativado, para ampliação da estação Tremsurb e da praça.
Terminal Borges, na antiga concepção da década de 1970, entre a Mauá e a Júlio de Castilhos
De rua: Avenida Borges de Medeiros (da Andrade Neves até Fernando Machado), Avenida Salgado Filho, Avenida Sepúlveda, Rua Pinto Bandeira, Travessa Truda, Praça D. Feliciano, Praça Farroupilha, Rua Júlio de Castilhos, Rua Voluntários da Pátria, Rua Marechal Floriano, Largo Cairú,

- No Centro os ônibus já tiveram terminais temporários na Avenida Júlio de Castilhos (durante as várias alterações dos terminais), Avenida Voluntários da Pátria (durante as várias alterações do sistema), Rua Coronel Vicente (durante a construção do Camelódromo), Avenida Siqueira Campos (durante a construção do Camelódromo), Rua Pinto Bandeira (durante alterações na Praça D. Feliciano),

Cia. Carris
Linhas:
Carlos Gomes
Ipiranga
UFRGS
Auxiliadora
T1
T2
T3
T4

Sopal – Sociedade de Ônibus Porto Alegrense Ltda (verde e vermelho)
Linhas:
Sarandí
Vila Elisabeth
São Borja
Santo Agostinho

Belém Novo
Linha:
Belém Novo

Expresso Guarujá (azul claro)
Linha:
Serraria

Murialdo
Linhas:
Murialdo
Santa Catarina
Santa Maria

Partenon (roxo e branco gelo)
Linhas:
Céfer

Pinheiro
Linha:
Pinheiro

Presidente Vargas
Linhas:
Glória
Orfanotrópofio
Caldre Fião

Gazômetro (azul marinho e branco)
Linhas:
Santana
São Manoel

Lindóia (verde, vermelho, amarelo e branco)
Linhas:
Lindóia
Vila Floresta
Vila Sesi

NST – Nossa Senhora do Trabalho (azul e laranja)
Linhas:
Hospital
Vila Ipiranga

Educandário (vermelho e creme)
Linha:
Educandário
Jardim Itu/Sabará

Sentinela
Linha:
Jardim Ipê
Jardim Botânico

SOUL – Sociedade de Ônibus União Ltda (azul e branco)
Linha:
Nova Gleba
Nossa Senhora de Fátima
Parque dos Mayas

Nossa Senhora dos Navegantes (laranja e amarelo)
Linha:
Vila Farrapos
Anchieta
Voluntários da Pátria

Tinga
Linha:
Restinga

Bianchi (verde bandeira e oliva)

VAP – Viação Auto Petrópolis
Linha:
Morro Santana
Vila Jardim

VTC – Viação Teresópolis Cavalhada
Linha:
Teresópolis Cavalhada
Nonoai

Trevo
Linha:
Menino Deus
Camaquã
Padre Réus
São Caetano

Cruzeiro do Sul
Linha:
Cruzeiro do Sul

Sudeste (verde claro)
Terminal Antônio de Carvalho
Terminal

Nortran
Linha Leopoldina

Sopal

VTC

Trevo

Cruzeiro do Sul

VAP

Fenix

Carris – apoio e transversais

Conorte – zona norte

Unibus – zona Leste

STS – zona sul

Região Metropolitana

SOGIL – Sociedade de Ônibus Gigante Ltda
Cachoeirinha
Gravataí
Glorinha

VICASA – Viação Canoense S.A.
Canoas
Cachoeirinha

Real Rodovias
Esteio
Sapucaia do Sul

Central
Canoas
Esteio
Sapucaia do Sul
São Leopoldo
Novo Hamburgo

Citral
Cachoeirinha
Gravataí
Taquara

Viamão
Viamão

VAP – Viação Auto Petrópolis
Viamão

Expresso Veraneio
Viamão

Itapuã
Viamão

Expresso Rio Guaíba
Guaíba
Eldorado do Sul

Expresso Maracanã
Gravataí

Viação Miraguaia
Gravataí

100 Anos Bondes Elétricos
Nova luz às ruas de Porto Alegre

Em 10 de março de 2008, há 100 Anos, no dia 10 de março de 1908, Porto Alegre observava em suas ruas uma nova forma de transporte por trilhos, agora movido a eletricidade. Começava a se tornar passado os antigos bondes a tração animal que tanto sofriam para subir as ladeiras. A modernidade chegava à Capital e trazia consigo o que havia de mais atual em termos de transporte.

- A novidade trouxe grande entusiasmo a Porto Alegre. Anúncios publicados nos principais jornais relatavam sobre as aglomerações que tomavam as ruas para ver os novos bondes, que andavam movidos a eletricidade. O empreendimento iniciara-se dois anos antes, em 24 de janeiro de 1906, quando as duas empresas que utilizavam a tração animal, Companhia Carris de Ferro e a Carris Urbanus, fundiram-se e formaram a Força e Luz Porto-Alegrense. A nova companhia ficou responsável tanto pelo serviço de bondes como pela rede de energia elétrica, que agora chegava mais barata às casas dos moradores da Capital.

- No ano da união das empresas, 37 bondes foram importados da United Electric, na Inglaterra. Essa era a primeira de várias remessas que Porto Alegre receberia ao longo da primeira metade do século XX. Segundo pesquisadores, devido ao elevado número de veículos importados, a maioria já utilizados no país de origem, a capital tornou-se um verdadeiro "museu a céu aberto”.

- Entre 1925 a 1946, a Carris ampliou sua frota, adquirindo 161 bondes elétricos de dois trucks – 151 dos Estados Unidos e 10 da Bélgica. No período áureo dos bondes, décadas de 50 e 60, a Carris operava com 229 carros – 130 norte-americanos, 89 ingleses e 10 belgas.

- A formatação das ruas mudaria bruscamente com a novidade. Além dos trilhos, fez-se necessário a instalação da rede elétrica, utilizada para a rodagem dos pesados veículos. Os novos bondes eram mais velozes que os anteriores e colocaram Porto Alegre em conexão com o mundo – a capital tornava-se uma metrópole. Se com os bondes puxados a burro havia um lampião para iluminar o caminho, com os elétricos os faróis à noite embelezavam as tradicionais ruas da capital. Outra novidade com a chegada dos elétricos foram os bondes de dois andares, conhecidos como “Chopp Duplo ou Imperial”. Porto Alegre possuiu quatro modelos desse tipo, contudo, em 1921, eles foram transformados em veículos simples.

- Fabricados na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Bélgica, os bondes elétricos deixaram de circular em 8 de março de 1970, depois de 62 anos de funcionamento. Há inúmeras histórias dos veículos que tanto fizeram parte do cotidiano da Capital.

- Atualmente, poucos bondes restam e são utilizados para outras finalidades. Contudo, 100 anos depois de sua primeira viagem, ele continua entusiasmando gerações com as histórias e memórias dos amantes dos bondes.

Matéria Zero Hora

Em 13 de dezembro de 2008, começou a circular o ônibus decorado especialmente para o Natal, que conta com a tripulação vestida de papai e mamãe Noel, Helmuth Júnior e Janaína Gomes da Veiga Pessoa conduzem com alegria o carro 0046 da Carris.



- O ônibus decorado entrou em circulação, ficando pouco mais de dez dias circulando e não passou por todas linhas da Companhia Carris Porto-Alegrense. No ambiente interno, também decorado, foi instalado um sistema de alto-falantes que reproduzem 22 músicas natalinas.


- Até o dia 24 de Dezembro o ônibus circulará em 12 linhas à partir das 17h.

- O ônibus da Linha Turismo também recebeu decoração natalina. O Busscar Urbanuss Pluss DD Tour com chassis especial Busscar 608T de 308cv também circula com luzes e decoração interna especial para o Natal.


Fotos: César Mattos


Entre os anos de 2010 e 2011, mais ações se destacam nas atividades da Carris. Podemos citar a criação da Unidade de Documentação e Pesquisa, 

- Territórios Negros como projeto de valorização da comunidade negra e sua história dentro da sociedade gaúcha, ações que envolvem o voluntariado com a participação do projeto Linha Solidária em diferentes segmentos sociais.


Em 2011, é criada pela Cia. Carris linha C4 - Balada Segura, projeto em parceria com a EPTC que presta atendimento de transporte para a população frequentadora das noites na capital, zelando pela segurança e contribuindo para a diminuição de acidentes ocorridos pela mistura álcool e direção.



BRT – Transporte Rápido de Ônibus

Primeiro BRT articulado da empresa Restinga - 2012

Em 2012, a retirada do asfalto da Avenida Protásio Alves, em Porto Alegre, expôs uma parte da história da cidade. Embaixo do pavimento, os operários encontraram os trilhos dos antigos bondes, que já foram o principal meio de transporte coletivo da capital.


- A obra está sendo feita no corredor de ônibus da avenida, que receberá piso de concreto. Até a Copa do Mundo de 2014, a Protásio Alves terá a circulação dos ônibus BRTs.


Em 21 de dezembro de 2012, um incêndio na garagem da Cia. Carris destruiu sete ônibus, em Porto Alegre. Funcionários da empresa faziam manutenção nos veículos desativados e, ao retirarem o chassi de um dos carros com um maçarico, o fogo começou a se alastrar. Sem extintor de incêndio no local, os servidores acionaram os bombeiros, que utilizaram 30 mil litros de água para apagar o fogo. Ninguém se feriu, mas a fumaça podia ser vista a quilômetros de distância do Partenon.

Trilhos na Voluntários da Pátria

Em 14 de janeiro de 2013, sábado, Porto Alegre, teve parte do seu passado literalmente "remexido". Os antigos trilhos de bonde localizados na Rua Voluntários da Pátria foram retirados. A pesar dos bondes já não circularem em Porto Alegre desde 1970, os trilhos localizados na Voluntários persistiram naquele espaço até o final da semana passada. Na época em que a circulação de bondes foi encerrada, a prefeitura optou pela retirada dos trilhos de algumas ruas e avenidas onde havia maior urgência de pavimentação. O critério da escolha foram locais em que existia um fluxo maior de carros e ônibus. Esta escolha foi necessária em função do alto custo da remoção dos trilhos (não haveria recursos para remover todos de uma vez só) e para evitar maiores problemas de circulação no trânsito por inteiro. 

- Os trilhos localizados em outras ruas e avenidas não consideradas prioritárias seriam retirados gradativamente, de acordo com reformas como de alargamento, colocação de encanamento, etc. Desta forma, ainda é possível encontrar ruas em Porto Alegre em que os trilhos permanecem presentes. 
A retirada dos trilhos na Voluntários da Pátria "remexe" com a memória da cidade, mexe com a sensibilidade de muitos porto-alegrenses que relembram neste momento sua infância ou juventude, em que o bonde fazia parte de seu cotidiano.

Rua Voluntários da Pátria durante a remoção de trilhos


Ônibus BRT

Em 24 de outubro de 2013, meio à chuva, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, e o diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, apresentaram ontem pela manhã o ônibus padrão Bus Rapid Transit (BRT). O veículo terá 23 metros de comprimento, capacidade total de 166 passageiros, sendo 62 sentados e 104 em pé, ar-condicionado, rampa de acesso, box para cadeirantes, duas saídas e câmera de monitoramento interno. A previsão é de que as obras nos corredores das regiões Sul e Leste estejam concluídas ainda neste ano. Entretanto, a compra dos novos carros depende das empresas vencedoras de futuras licitações. O edital deve sair em 2014.

BRT na atravessado na Avenida Borges de Medeiros
Largo Glênio Peres

No total, serão quatro corredores exclusivos para o BRT, nas avenidas Bento Gonçalves, João Pessoa, Protásio Alves e Padre Cacique. A estrutura deve ser finalizada em 2014. Segundo Fortunati, a construção das bacias Sul e Leste foi marcada por intempéries. “Foram os antigos trilhos da Protásio Alves, falta de areia e problemas com cabos da CEEE o que motivou o atraso. Mas o importante é que nunca desistimos. Independente da Copa, esse será um legado que ficará para Porto Alegre”, afirma.

A zona Norte, que, a princípio, seria contemplada pelo projeto, ficou de fora, já que receberá o Metrô. “Nós não podemos ser concorrentes do metrô. Se recebe um, não recebe o outro, mas vamos fazer com que os ônibus da Região Metropolitana não venham até o Centro, para que não passe tanto ônibus pela Assis Brasil e o trânsito fique mais acelerado”, assegura.

Atualmente, a avenida Assis Brasil é um dos grandes focos de engarrafamento na Capital. Com o Metrô, que tem previsão de término para 2020, a viagem levará 20 minutos. Fortunati destaca que mais de 30 mil viagens de ônibus vindos da Região Metropolitana até o Centro são feitas diariamente sem necessidade. “Eles saem lotados e chegam ao final da linha vazios. O que temos é que investir em deslocá-los para o Terminal Triângulo ou o Cairu”, diz.

Em horários de pico, os BRTs, devem resolver em grande parte o problema da superlotação. “É claro que não tem como resolver totalmente, porque os ônibus lotam em horário de pico em qualquer lugar do mundo, mas esse é um ônibus de excelência”, conclui.
Fonte: Jornal do Comércio

Em 20 de maio de 2014, três ônibus da Cia, Carris começam a circular com pintura adesivada especial comemorativa a Semana Farroupilha promovida pela Pepsi. A ação da Pepsi que reúne várias atrações na Orla do Guaíba como shows, esportes, espetáculos entre outros, que começou em maio e vai até dezembro em datas específicas.


- Os três carros adesivados são 0001, 0046 e 0258 (Caio Millennium Low-Entry – Volkswagen 17-240 OT) e circularão em linhas regulares da empresa até dia 20/09. 
Fotos: Matheus Melo

Caio 0001



Ônibus Híbrido

Tempo de experiência do veículo será na linha T5 da Carris

Híbrido na Avenida Borges de Medeiros junto a Prefeitura Municipal - 2014

Foto: Cristine Rochol/PMPA
A partir de amanhã, 6, o primeiro modelo de ônibus híbrido será testado pela Carris na linha T5. O veículo com motores diesel e elétrico, que reduz em 90% a emissão de gases tóxicos, foi apresentado na tarde desta quarta-feira, 5, em ato no Largo Glênio Peres, com a presença do prefeito José Fortunati. A nova tecnologia será operada por 15 dias em Porto Alegre, por meio de parceria do município com a fabricante Volvo. (fotos) (vídeo)

O modelo em teste tem tecnologia européia e representa economia de 35% no consumo de combustível. O motor elétrico, utilizado da arrancada até a velocidade de 20 km/h, é alimentado pela energia gerada na frenagem, sem a necessidade de alimentação externa, enquanto o motor a diesel entra em operação a partir dos 20 km/h. No perímetro urbano, com velocidade média baixa, a estimativa da empresa é que o sistema elétrico seja aplicado em 70% dos trajetos. O arranque por motor elétrico resulta na redução dos ruídos e gera mais conforto para os usuários. Com acessibilidade universal, o veículo comporta 32 passageiros sentados.

Após a apresentação, um passeio inaugural reuniu autoridades, cidadãos e jornalistas, percorrendo as vias Borges de Medeiros, Mauá, General Câmara e 7 de Setembro. O prefeito enfatizou que a inovação faz parte do plano constante de qualificação do transporte coletivo na Capital. “Vamos testar uma tecnologia inovadora que privilegia os cuidados com o meio ambiente e garante conforto e segurança aos passageiros”, avaliou. De acordo com Fortunati, a equipe da Carris fará a avaliação técnica para possível utilização do veículo na frota de Porto Alegre. “Com a confirmação da viabilidade, poderemos incorporar esse modelo dentro do projeto permanente de qualificação da mobilidade urbana da nossa cidade”, disse o prefeito.

Conforme o diretor executivo da Dipesul, a concessionária da Volvo no estado, Joel Alberto Beckenkamp, a iniciativa em Porto Alegre foi motivada pela qualificação do transporte coletivo local. “Firmamos a parceria pela relevância que a cidade dá ao transporte coletivo, verificada na qualidade da frota que está nas ruas”, disse. De acordo com o executivo, a versão híbrida será fabricada na planta do Brasil a partir do ano que vem pela primeira vez fora da Europa. O modelo é avaliado em outras três capitais – Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.

O diretor-presidente da Carris, Sergio Zimmermann, afirmou que o modelo deverá receber adaptações para atender a realidade do transporte brasileiro, considerando a formatação dos equipamento urbanos. Conforme Zimmermann, se for aprovada, a versão híbrida poderá integrar as licitações que a Carris realiza periodicamente para renovação da frota.

Curiosidades no Transporte:

 “Bonde da Polícia”

Bonde norte-americano fabricado em 1927 e que pertenceu a Companhia Carris Porto-Alegrense foi reformado em agosto de 2007 pelo Departamento de Polícia de Trânsito do Rio Grande do Sul. O veículo que já transportou os habitantes de Nova York, de Boston e da capital gaúcha, agora serve de local para o atendimento das ocorrências criminais no trânsito de Porto Alegre.


"Choro composto em um bonde"

Em 1917, o músico Octavio Dutra (1884-1937) embarcou em um bonde da Cia. Carris em Porto Alegre sentiu-se inspirado e começou a rabiscar em uma folha de papel. Nascia, há 90 anos, o "Choro composto em um bonde”, que você escuta neste vídeo que mostra fotos antigas dos veículos elétricos da Carris na capital do Rio Grande do Sul. Músico exímio, compôs cerca de 500 canções, entre valsas, choros, polcas e outros ritmos. Recordista nacional de direitos autorais em gravações de discos no ano de 1915 formou um grupo, o Terror dos Facões, que é considerado um dos melhores da história do choro brasileiro.

“Carnaval no Bonde" 

Na década de 1950 e 60 durante o período de carnaval, havia o Bonde do Carnaval, onde as pessoas fantasiadas que se deslocavam para os desfiles ou bailes, começavam a festa junto aos bondes. – Bons Tempos!

"Mariana"

Pedro Raymundo, o gaiteiro autor da canção “Adeus Mariana”, foi condutor de bonde em Porto Alegre entre 1929 e 1933.

"Lupicinio"

Lupicínio Rodrigues trabalhou como aprendiz de mecânico de bondes em 1930, consta que foi  uma greve nos serviços de bondes da Cia. Carris que lhe deu a inspiração para compor o Hino do Grêmio, cujos versos citam a falta de transporte para ir ao estádio: “Até a pé nós iremos; Para o que der e vier;  Mas o certo é que nós estaremos; Com o Grêmio onde o Grêmio estiver”

"Roubo do Bonde"

O relato de Eloy Figueiredo sobre o roubo de um bonde da linha Petrópolis num domingo de verão dos anos 60: 

“O guri observou que o motorneiro e o cobrador foram tomar uma cerveja no bar na frente do fim da linha, que ficava exatamente na frente do cinema, esperando a hora de voltar para o Centro. Subiram alguns passageiros: casais com crianças pequenas que iam esperar sentados, no interior do bonde, para passear na Redenção ou no Centro. Quando ele viu aquilo, o bonde abandonado e chamando por ele, não resistiu. Subiu e moveu a alavanca como havia aprendido olhando o motorneiro dirigir. Quanto mais ele movia a alavanca para frente, o bonde corria mais descendo a Avenida Protásio Alves à toda velocidade, com funcionários da Carris correndo, gritando e fazendo gestos desesperados com seus blazers na mão como se fossem bandeiras desfraldadas.
Só conseguiram pará-lo na Osvaldo Aranha, no Bom Fim, depois que o cobrador e o motorneiro se apropriaram de um automóvel que parou para saber do ocorrido.
- Em nome da lei, siga aquele bonde! – disseram eles.”

“Bondes Abandonados”

Estão espalhados por vários locais os ainda resistentes bondes ignorados em Porto Alegre.





Rua Miguel Tostes, no bairro Rio Branco, em Porto Alegre, esquina Dona Laura, um bonde colocado em um estacionamento particular
Foto René Hass - 2006


Bonde Brill preservado no Atelier do Bonde na Rua Otto Niemeyer

Foto: Roni Paganella, 20/12/1970

A família de Regis Zigue adquiriu o veículo da Cia. Carris para transformá-lo em bar e lancheria nas areias da Praia de Tramandaí. O estabelecimento funcionou por cerca de quatro anos, a partir do verão de 1970 para 1971.

“Aquele bonde foi comprado da Cia. Carris por meus pais Augusto Lautério Zigue e Zeny do Nascimento Zigue, e colocado nas areias da praia de Tramandaí. A localização era a seguinte: seguindo pela rua da Igreja, ao chegar na praia, cerca de 500 metros à esquerda”.

Os bonde nº 2 da Carris foi transformado em um bar e lancheria, onde trabalhei com meus pais e irmãos por alguns anos durante os verões.

O bonde não ficou muito tempo em atividade, no máximo quatro anos.

O trajeto do bonde até o Litoral foi um episódio à parte. O veículo foi levado na carroceria de um caminhão pela RS-030, já que ainda não havia freeway. Regis lembra que não foram feitas fotos da viagem, mas conta a história pelos relatos de seu irmão mais velho, Loeci Antônio Zigue.

Meu irmão Loeci acompanhava o transporte em um Ford 1949, que já era velho naquele ano de 1970. O carro teve problemas mecânicos em Gravataí e ele perdeu de vista o caminhão e sua preciosa carga. Feitos os reparos necessários no Ford, ele se encaminhou o mais rápido possível para tentar alcançar o caminhão e o bonde. Foi tão rápido que acabou ficando em dúvida se já não havia ultrapassado o caminhão, caso o motorista tivesse parado para descansar em algum posto de gasolina ou restaurante.

Em Santo Antônio da Patrulha, às margens da rodovia, havia um posto da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) _ onde, naturalmente, sempre havia algum engarrafamento pela velocidade reduzida dos veículos ao passar pela PRE.

Já nervoso e em dúvida sobre a localização do bonde, Loeci colocou quase todo o corpo para fora da janela do carro e perguntou bem alto para o policial que estava dentro do posto:

- Tu viu se passou algum bonde por aqui?

Talvez vocês possam imaginar a expressão das pessoas que escutaram pergunta e as risadas que seguiram, mas talvez ninguém possa imaginar a reação das pessoas quando o policial, lá de dentro do posto, respondeu, em voz mais alta ainda:

- O bonde? Acabou de passar. Se te apressares, poderás encontrá-lo logo ali, talvez antes de Osório.”


Em 1971, bem antes de haver o Complexo do Porto Seco, as oficinas da antiga sede da Carris Porto-Alegrense, na Avenida João Pessoa, serviram de local improvisado para a preparação de carros alegóricos e decorações carnavalescas.


Depois que o último bonde elétrico circulou pelas ruas da Capital, em março de 1970, o edifício da Carris ainda funcionou até 1973, para depois dar lugar à Perimetral e ao Viaduto Imperatriz Leopoldina. Pelo menos naquele Carnaval, as alegorias conviveram ali com os velhos bondes desativados.

Naquele ano, o tema do Carnaval eram o tricampeonato brasileiro na Copa do Mundo do ano anterior e a América Latina. Tanto que um dos carros trazia uma réplica gigantesca da Taça Jules Rimet.


Também foram espalhados pela cidade bonecos representando nove países latino-americanos, com dimensões generosas: a cabeça de cada figura tinha dois metros de orelha a orelha. Enquanto bonecos e carros eram construídos, a população curiosa acompanhava os trabalhos através do grande portão de tela do pavilhão da Carris.

O desfile dos carros alegóricos de 1971 foi realizado na Terça-feira Gorda, em pista que começava no final da Avenida Borges de Medeiros e se estendia pela Rua João Alfredo.


Bonde + Aeromóvel + Portais da Cidade + VLT + Lotação +Táxi + Ciclovia + Metrô =

Cidade Perfeita

Bonde Turístico
Corredor Cultural
Por Filipe Wells

O Ministério do Turismo assegurou R$ 400 mil para projeto de retomada do veículo Substituídos por outras formas de transporte coletivo em 1970, os bondes ganharam ontem um novo impulso para voltar às ruas da Capital.
O governo federal garantiu R$ 400 mil – de um total de mais de R$ 1 milhão – para o estudo de viabilidade da retomada do veículo como atração turística, prometida desde o começo dos anos 2000. O anúncio ocorreu durante encontro entre a Prefeitura e a Trensurb.
A idéia é de que seja criada uma linha de bonde elétrico que passe pelos principais pontos turísticos e culturais do Centro Histórico, como Praça XV, Mercado Público, MARGS, Memorial do RGS, Santander Cultural, Museu Hipólito da Costa, CCMQ, Área Militar, Igreja das Dores, Cais Mauá e Usina do Gasômetro.
Nas estações, deve haver quiosques com informações sobre as localidades visitadas e acerca da história deste meio de transporte em Porto Alegre.
Dois carros antigos devem ser restaurados para voltarem a circular em um trajeto de 3,3 mil metros de trilhos e via aérea simples.
Apesar de a promessa de retomada do bonde já ter cerca de uma década, foi só no final de 2009 que ganhou consistência. Isso porque a prefeitura pediu a inclusão da proposta no Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur).
– É um equipamento diferente. Remete ao passado, tem um aspecto lúdico – afirma o secretário municipal de Turismo, Luiz Fernando Moraes.
O superintendente de Desenvolvimento e Expansão da Trensurb, Humberto Kasper, cita Santos, no litoral paulista, como um exemplo em que a implantação teve sucesso.
– O bonde traz vida. As pessoas se deslocam muitas vezes só para andar nele – afirma. Além de avaliar o impacto da inserção do bonde, o estudo de viabilidade servirá como base do projeto de implantação da atração turística.
Ainda não há previsão de prazo para que o veículo retome as ruas.

Zero Hora.com

O Bonde da Capital

“... E deixo o bonde depositado em meu ferro-velho sentimental.
Aqui. Parado.
Sonhando.
Quem sabe se um dia …”

Um dia o poeta Mario Quintana escreveu os versos que profetizavam o futuro.
Ainda não há uma data final, mas o projeto Bonde Histórico está nos trilhos e percorre um cronograma com marcos importantes previstos.

Passados 40 anos do dia 08 de março de 1970, quando os freios pararam as últimas rodas do último bonde em Porto Alegre, o retorno está delineado e abrange um plano maior de recuperação do centro da capital.

O antigo veículo elétrico, agora com as vestimentas de um plano turístico, é tratado na prefeitura como âncora do projeto Corredor Cultural, um dos tantos que fazem parte do programa Viva o Centro, área pela qual circulam mais de 400 mil pessoas por dia.

No caso do Corredor Cultural, base do trajeto de uma nova linha de bonde, é preciso mudar a cara das ruas e dos prédios. O que já foi bom ou é bom agora precisa ser realçado, ganhar consistência para atrair as pessoas. E tem muita coisa interessante. Só para citar três exemplos: a Casa de Cultura Mario Quintana, o MARGS e o Memorial do Rio Grande do Sul.
Alguém imagina quantos minutos ou horas dá para gastar nestes lugares sem sentir o tempo passar? Criar um ambiente agradável é imprescindível, e para se ter uma rápida idéia do que isso significa:
– A Rua Sete de Setembro, que já foi de cinema e de bancos, deverá ser bem redesenhada. A calçada será alargada para receber bares e restaurantes, e os proprietários de prédios serão estimulados a tornar as fachadas atraentes.

Faltam muitas respostas para o projeto, inclusive as técnicas. Como os porto-alegrenses do novo século reagirão ao bonde é uma das dúvidas.
Convidamos os escritores Moacyr Scliar e Luis Fernando Veríssimo para um exercício de imaginação sobre este velho futuro que se aproxima. Os dois apostam em soluções tecnológicas para problemas como, o ruído excessivo, um Veríssimo mordaz comenta: - a chance de se repetir hoje alguma cena glamourosa de tantas décadas atrás:

– “Glamourosa quem sabe, mas como Porto Alegre ainda tem muitas carroças, puxada a cavado, imagina-se que um acidente com um bonde e uma carroça será uma espécie de apoteose nostálgica”.

Sem ironias, a realidade é que por trás da nova paisagem ficará escondido um trabalho exaustivo de pesquisa sobre o que precisa ser feito nos leitos das ruas para implantar os trilhos, os melhores lugares para as estações do bonde, sinalizações especiais e sobre como será a convivência com automóveis e ônibus pelas ruas do percurso previsto.

Graças à verba de um convênio com a União, o projeto já está sendo tocado.
Se o bonde andar mesmo, daqui a algum tempo poderemos descobrir se Scliar tinha razão neste comentário:

– “Muitos romances devem ter nascido em bondes,
e nada impede que isso aconteça de novo…”

Zero Hora.com
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Provável Trajeto Bonde Turístico:

Saída do antigo Abrigo dos Bondes, seguindo pela Rua Sete de Setembro, Rua General Portinho, Rua dos Andradas e Rua General Salustiano onde será executado um terminal. O trajeto de volta passa pela Rua General Salustiano, Rua dos Andradas, Rua Vigário José Inácio e Avenida Otávio Rocha, novamente Praça XV de Novembro.

Diretrizes formuladas pelo Grupo de Trabalho do Programa Viva o Centro, composto pelas seguintes secretarias: SPM, SMAM, SMIC, SMC, SEASIS, EPTC e PGM.
Processo para captação do projeto executivo através de Lei Renout em andamento, com captação de recursos junto a estatais.

Investimento:
Custo estimado do projeto R$ 600.000,00
Custo estimado da obra: R$ 17.000.000,00
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Propostas:
Aproveitar o projeto de revitalização do Cais Mauá e integrá-lo com o Projeto Bonde Histórico.

Corredor Cultural ou Anel Cultural

O traçado do bonde vai até próximo à Usina do Gasômetro segundo o projeto. A partir daí pela minha proposta seguiria em direção ao caís, sendo interligado com os trilhos ainda existentes junto aos armazéns.

Daria para fazer também uma ligação entre o Cais Mauá e a Praça da Alfândega pela Avenida Sepúlveda, fazendo assim com que o trajeto seja circular.

Imaginem pegar o bonde no abrigo da Praça XV, passar em frente ao Mercado Público pelo Largo Glênio Peres, Prefeitura, Av. Sete de Setembro, entrar na Praça da Alfândega em frente ao Santander Cultural, em seguida o bonde dobra pela Av. Sepúlveda entre o Memorial do Rio Grande do Sul e o MARGS, indo em direção ao Pórtico Central do Cais Mauá, virando em direção ao Largo do Gasômetro (percorrendo os trilhos ainda existentes entre os armazéns e a Avenida Mauá, fazendo assim ainda mais jus ao nome Bonde Histórico.
O trajeto de volta seria o original do projeto, desde o Gasômetro pela Rua da Praia, descendo a Rua Vigário José Inácio e Av. Otávio Rocha, Abrigo de bondes da Praça XV.

Assim teria uma ótima integração de todo o projeto de revitalização do centro, "levando a Rua da Praia novamente à beira do Guaíba de bonde, via Cais Mauá.

Poderia ainda haver uma linha de bondes modernos (os VLT que vemos por varias cidades pela Europa) compartilhando a mesma via. Afinal apenas 2 bondes antigos serão reformados para circular nesse projeto.
O VLT iria cobrir a capacidade ociosa dessa linha, integrando-se com o Trensurb, o Portais da Cidade e a futura linha 2 do metrô - criando assim um interessante Multi-modal de Transporte Público no centro, completamente integrado com sua revitalização.

Ninguém Pensa,
Ninguém Planeja,
Ninguém Projeta,
Ninguém se Comunica,
Coloca uma idéia na cabeça, e pronto, é isto.
- Falta continuidade, visão e planejamento.

Faltou mencionar os Floristas, que fazem falta no entorno.

Falta o Charme!

Lembranças sobre os trilhos da Capital
Por Mario H. Miotto

- Mario morava no Bom Fim, próximo do Instituto de Educação. Utilizei bastante os bondes do Menino Deus, pois cursei o CPOR situado na encosta do morro Santa Tereza. A pé, por meio da Redenção, eu ia para a Rua da República e, por ela, até a Rua José do Patrocínio, onde tomava o bonde que iniciava a viagem no abrigo da Praça XV, atrás da Casa Guaspari.
O bonde subia a Av. Borges de Medeiros, passava sob o viaduto da Rua Duque de Caxias, dobrava à esquerda na Praça Gen. Daltro Filho e seguia pela Rua José do Patrocínio. Dobrava à direita na Rua da República até a Rua João Alfredo, pela qual chegava à Av. Getúlio Vargas, terminando seu percurso na José de Alencar, próximo da Av. Praia de Belas.

Em vias com canteiro central, como a Borges e a Getúlio Vargas, a linha do bonde era ao longo dos canteiros, e o embarque e desembarque eram pelo lado esquerdo do veículo, que não tinha portas. Nas demais vias, era pelo lado direito. Até o início dos anos 1950, os bondes eram o único meio de transporte coletivo em Porto Alegre, em função da exclusividade de que gozava a Companhia Carris Porto-Alegrense.
Nesse tempo, foi encontrada uma "brecha" que permitiu a operação de microônibus, sendo que no Menino Deus a empresa se denominava Trevo, que, posteriormente, como outras, passou a operar com ônibus.

Nos bondes, viajavam pessoas comuns, de humildes a bem vestidas, senhoras de bolsa e salto alto, gente chique mesmo. Os homens cediam lugar para as damas, e os jovens também cediam lugar para pessoas mais velhas. Coisas quase inimagináveis atualmente. O cobrador, uniformizado com roupa caqui, calça, casaco, camisa, gravata e quepe, percorria o bonde de um extremo ao outro. Nas paradas, ele saía de um extremo e entrava pelo outro. As cédulas, ele dobrava no comprimento e colocava no vão entre dois dedos de um das mãos. As moedas, muito comuns na época, eram acomodadas na outra mão, com os dedos unidos, formando quase uma concha, como uma pilha.
O cobrador andava, tendo que lembrar quem havia pagado e quem não, e fazia um movimento com as moedas que tilintavam, avisando aos passageiros, que ele estava chegando, para prepararem o dinheiro.

Companhia Carris Porto Alegrense


Em 2010, 137 anos da inauguração do sistema de bondes, fundada em 19 de junho de 1872.

Em 2008, também marcou outras comemorações importantes:
- No dia 15 de janeiro 1873, 115 anos do início da operação da Cia. Carris Urbanus.
- Em 1906, da fusão da Cia. Carris Urbanus com a Cia. Carris de Ferro, surgiu a Companhia Força e Luz, que teria o monopólio do transporte por bondes na Capital e seria responsável pelo fornecimento de energia elétrica.
- Em 1926, a empresa passa a receber o nome definitivo: Companhia Carris Porto-Alegrense.
- Em 10 de março 1908, 100 anos da primeira viagem de bonde elétrico de dois andares na Capital.
- No dia 18 de março, há 20 anos, o projeto Memória Carris teve início.
- No dia 31 de março, os 35 anos da inauguração da atual sede da companhia, na Rua Albion, bairro Partenon.
- Em 13 de novembro, há 80 anos, a Carris passou a ser administrada pela empresa norte-americana Electric Bond & Share, o controle acionário durou até 1953, nesta época foi um grande desenvolvimento no setor.
- Em 29 de novembro de 1953, foi aprovada na Câmara Municipal a encampação pela Prefeitura, há 55 anos.

Garagem da Cia, Carris, Rua Albion - Partenon

- O 25 de julho é sempre lembrado como Dia do Motorista, um outro personagem importante do transporte – de passageiros, pelo menos – também ganhou sua data.

- Na empresa porto-alegrense Cia. Carris, o 15 de janeiro é comemorado como Dia do Cobrador.

Funcionários da Cariis em dia de paralização

Pórtico de entrada da Cia. Carris

- Assista ao vídeo institucional da Companhia Carris Porto-Alegrense, a mais antiga empresa de transporte coletivo do Brasil em atividade.



Fontes:
Sites
Blogs
MARIO HELVIO MIOTTO | Ex-morador do Bom Fim, secretário municipal de Trânsito e Transportes de Piracicaba (SP)
site www.portoalegre.rs.gov.br e livro Memória Carris - Crônica de uma História Partilhada com Porto Alegre, organizado por Cinara Santos da Silva e João Timotheo Esmerio Machado (1999)
Jaime Muller

Por Allen Morrison
Capítulos sem nome em Brazil-Ferro-Carril (Rio de Janeiro), 1/4/1918, p. 177; e 20/11/1930, p. 540. Descrição dos bondes de Porto Alegre.

"J. G. Brill Company Ships Cars to South America" em Electric Railway Journal (Nova York), 5/1929, p. 625. Descrição detalhada dos novos bondes Brill. Três fotografias.

"A Construção de Bondes em Porto Alegre" em Revista das Estradas de Ferro (Rio de Janeiro), 15/51933, p. 133. Os carros "Miller".

Odilo Otten. Planta da Cidade de Porto Alegre. Porto Alegre, 1942. Mapa na escala de 1:20,500 mostra as linhas de bonde.

Archymedes Fortini. Porto Alegre Através dos Tempos. Porto Alegre, 1962. O capítulo "Da Maxambomba ao Elétrico," pp. 111-12, relata a historia dos bondes da cidade.

Ray DeGroote. Companhia Carris Porto Alegrense, Porto Alegre, Brazil. Mapa de entusiasta das linhas de bonde em maio de 1963. Detalhes dos itinerários.

Walter Spalding. Pequena História de Porto Alegre. Porto Alegre, 1967. "Transportes," pp. 135-8.

A. F. S. Pereira. "Os Bondes" em Correio do Povo (Porto Alegre), 17/5/1970, p. 1. O último bonde da cidade.

Asociación Uruguaya Amigos del Riel. Red Tranviaria de Porto Alegre: Cia Carris Porto Alegrense, 1946. Montevideu, 1977. Grande mapa das linhas (68 x 114 cm) producido pelo grupo de entusiastas. Escala 1:10,000.

Alberto André. "Breve História dos Bondes a Burro e Elétricos da Cidade" em Correio do Povo (Porto Alegre), 1980/ 9/21, 33. O último (e melhor) artigo de uma série. O autor publicou outros artigos ilustrados no Correio do Povo em 25/9/1966 e 18/6/1972.

Mauricio Ovadia. Cento e Onze Anos de Transporte: Do Bonde de Mulas ao Transporte Seletivo. Porto Alegre, 1980. Este texto de 167 páginas, escrito pelo diretor da companhia de ônibus, fala sobretudo das finanças. Há mapas nas páginas 94 e 95 que mostram a circulação dos bondes à esquerda – estilo inglês.

"Gaúchos voltam a usar bondes no trânsito" em Tribuna da Imprensa (Porto Alegre), 15/7/1988, p. 3. Projeto de linha turística com o carro Brill 113.

Allen Morrison. The Tramways of Brazil: a 130-Year Survey. Nova York, 1989. Meu capítulo Rio Grande do Sul (texto em inglês) apresenta mais dados sobre os bondes de Porto Alegre.

Companhia Carris Porto-Alegrense. Blog do Museu Memória Carris. História, informações, fotografias do transporte público em Porto Alegre.


"Trecho com bonde histórico será implantado no centro de Porto Alegre" em Portoimagem, janeiro de 2007. Novo projeto de linha turística.

J. A. Moraes de Oliveira no site Coletiva.net

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