Bem Vindo

- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida da Cidade de Porto Alegre inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

Dividir estas informações e aceitar as críticas é uma dádiva para o pesquisador.

- Este Blog esta sempre em crescimento entre o Jornalismo, Causos e a História.

Haverá provavelmente falhas e omissões, naturais num trabalho tão restrito.

- Qualquer texto, informação, imagem colocada indevidamente (sem o devido crédito), dúvida ou inconsistência na informação, por favor, comunique, e, aproveito para pedir desculpas pela omissão ou inconvenientes.

(Consulte a relação bibliográfica e iconográfica)

- Quer saber mais sobre determinado tema, consulte a lista de assuntos desmembrados, no arquivo do Blog, alguma coisa você vai achar.

A Fala, a Escrita, os Sinais, o Livro, o Blog é uma troca, Contribua com idéias.

- Em História, não podemos gerar Dogmas que gerem Heresias e Blasfêmias e nos façam Intransigentes.

- Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações de Porto Alegre.

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena. - Bom Passeio.

Me escreva:

jpmcomenta@gmail.com






terça-feira, 23 de julho de 2013

Exposição de 1875

Exposição Provincial 
Porto Alegre - 1875

Em 1875, em Porto Alegre, inaugurava a segunda Exposição Provincial do Rio Grande do Sul, uma exposição agricultura, indústria e comércio.

Foi parte do ciclo de exposições industriais realizadas pelo governo provincial do Rio Grande do Sul em 1866, 1875, 1881 e 1901.

Na exposição provincial de 1875, a industria de fianda foi representada pelos cidadãos: - Antonio e Luciano dos Santos Reis, da Villa de Piratiny (RS), que expunham em uma vitrine vários casulos e meados de seda fiada de cores branca e amarella.

Exposição Brasileira-Alemã

Exposição Brazileira - Allemã
 
Porto Alegre - 1881

Província do Rio Grande do Sul

Em 04 de outubro de 1881, em Porto Alegre, inaugurava a segunda Exposição Commercial e Industrial do Rio Grande do Sul, ou Exposição Brasileira-Allemã, uma exposição internacional de agricultura, indústria e comércio.

Foi parte do ciclo de exposições industriais realizadas pelo governo provincial do Rio Grande do Sul em 1866, 1875, 1881 e 1901.

Organizada por Carlos von Koseritz, foi a primeira Exposição Mundial realizada no Brasil. Nela foram expostos tanto produtos alemães, quanto brasileiros, dando ênfase nos produzidos pelos colonos alemães no Brasil.

O grande objetivo da Exposição era divulgar os produtos brasileiros para os enviados dos principais mercados da Alemanha e, em contrapartida, apresentar aos brasileiros os produtos fabricados pelos alemães.

A exposição foi realizada na Chácara da Harmonia, localizava-se na Rua da Olaria (atual Lima e Silva), exatamente onde hoje encontra-se o Supermercado Zaffari Lima e Silva, de propriedade de Carlos Trein, fato que gerou críticas a Koseritz, acusado de tirar vantagens financeiras.

Carlos von Koseritz era o presidente da exposição, mas estava ombreado por grandes homens, como: - Frederico Haensel, Ramiro Barcelos, Graciano Azambuja, Gaspar Rechsteiner, além de Ter Brügger e Carlos Jaensen.

A Sociedade Central de Geografhia Commercial de Berlim, através de sua filial em Porto Alegre, divulgou o evento na Alemanha, obtendo junto a várias e importantes indústrias a presença de seus produtos, alguns já conhecidos e premiados na Europa.

Várias províncias enviaram amostras de seus principais produtos, destinados à possível exportação para o mercado alemão.

Toda a movimentação de transporte das cargas era gratuita para os brasileiros, patrocinada pela Província do Rio Grande do Sul.

O Presidente da Província, autorizado pela Câmara, determinou um crédito de 40 contos de Réis para auxiliar nas despesas da Exposição.


A primeira Exposição Internacional em todo o Império do Brazil.

Exposição brasileiro-alemã, em 1881
[col. Metropolitan Museum of Art, Nova York]

De sucesso estrondoso e excelente público, a segunda Exposição Commercial e Industrial do Rio Grande do Sul, ou Exposição Brasileira-Allemã conquistou admiradores, mas não calou os opositores, que insistiam em chamar o Palácio de Exposições de “uma gaiola de estacas e sarrafos” e que, na realidade, era um grande chalé de 2 mil metros quadrados, com vários pavilhões, bandeiras a enfeitar-lhe a entrada e todo ajardinado, como pode-se notar pela gravura acima.

Linhas de bondes puxadas a burro foram colocadas pela Intendência de Porto Alegre da Praça da Alfândega até a Rua da Olaria, onde se realizava o evento.
O público adquirira os bilhetes, individuais ou familiares, sempre nominais.

(Carlos von Koseritz (Dessau, 07 de junho de 1830 — 30 de maio de 1890) foi empresário, político, jornalista e escritor teuto-brasileiro).

Carlos von Koseritz

Em 1881, Koseritz lança-se no que seriam seus maiores projetos: 

- Exposição Brasileira-Allemã -

Para organizar a exposição se contrapôs ao cônsul alemão Wilhelm Ter Brüggen, que também era um dos proprietários do Deutsche Zeitung e parte do seu conselho de administração.

Apesar do sucesso de público que teve a Exposição, Koseritz enfrentou também a má vontade dos comerciantes alemães de Porto Alegre, que receavam a aproximação entre o público e seus fornecedores, temendo que soubessem dos preços reais das mercadorias que vendiam. 

Sofreu ataques dos jornais, dizendo que tirava vantagens financeiras da Exposição e que fora por pura camaradagem que escolhera a chácara de seu amigo Carlos Trein para a realização do evento.

Quando o Deutsche Zeitung, por influência de Ter Brüggen, publica um artigo contra a exposição, Koseritz pede demissão e lança seu próprio jornal, o Koseritz Deutsche Zeitung.


Do Rio Grande do Sul vieram produtos de várias cidades: de Passo Fundo foi trazido trigo, de Três Coroas artigos da indústria de couro, linho, algodão, licores destilados a vapor e tijolos ocos vieram de Santa Cruz do Sul, fumo de Taquara, etc.

Participaram na seção de fotografia, Santiago da Costa, Luiz Terragno, João King, Eduardo Borowski  A. Steckel, Balduino Röhrig e Augusto Amorety.
Vindo a ganhar medalha de ouro nesta mostra Augusto Amoretty.

Da época:
Na exposição brazileira-allemã, a importante fábrica Petersen e Cia expunha, entre seus numerosos produtos bellissimas meias de seda rio-grandense.
Entre os produtos, actualmente expostos, destacam-se lindíssimos chalés, pelerines, meias, mantas, luvas.

A exposição teve uma parte artística, com obras variadas abrangendo pintura, desenho, escultura ornamental e fotografia, além de marcenaria, tornearia, trabalhos manuais (bordado sobre papel e navios em miniatura) e artesanato indígena.
Entre os artistas estavam Frederico Trebbi, Balduíno Röhrig e Pedro Weingärtner, este lá participou de sua primeira exposição coletiva.

Os fotógrafos Luigi Terragno, Augusto Amoretty, Eduardo von Borowski, Santiago da Costa, João King, A. Steckel e Balduíno Röhrig.
Vindo a ganhar medalha de ouro nesta mostra Augusto Amoretty.

Escultores de mármore, como Adriano Pittanti, expondo um premiado "lavatório-toalete de mármore (pedestal, mesa, bacia, colunas e moldura para espelho)".

A Livraria Americana de Pelotas recebeu o primeiro prêmio, por suas edições.

No total foram 923 expositores, com 2 264 objetos classificados, boa parte de originário de outras províncias e do exterior.

Os melhores participantes foram premiados com medalhas comemorativas, premiação esta que levou a desacordos entre a população brasileira e de origem alemã.

Medalha Comemoratva - Frente

A Exposição Brasileira-Allemã durou cinco meses de outubro de 1881 a fevereiro de 1882, em Porto Alegre/RS.

Medalha Comemorativa - Verso

Mas depois de muitas brigas entre os participantes das competições e o júri, alguns premiados nos concursos devolveram suas prendas, em protesto.

Após uma acirrada discussão entre os alguns organizadores da Exposição e o público a respeito de uma corrida de cavalos, houve um grande incêndio no Palácio de Exposições e tudo foi perdido. Sobraram apenas os escombros dos pavilhões.

Neste incêndio, Koseritz perdeu sua coleção etnográfica, que contava com peças belíssimas dos índios brasileiros e que foi objeto de seu estudo e tema de um livro, além de outras coleções de zoologia, mineralogia e botânica.

A maior Feira de seu gênero em todo o Império Brasileiro.

Seu presidente foi CARLOS VON KOSERITZ.

Fontes:

RAMOS, Eloisa Helena Capovilla da Luz. O cenário Leopoldense entre 1850 e 1930 Rev. Humanidades, Fortaleza, v. 17, n. 2, p. 90-97, ago/dez 2002
Catálogo da Exposição Agropecuária e Industrial do Rio Grande do Sul de 1901.
SCHUPP, Pe. Ambros. A Missão dos Jesuítas Alemães no Rio Grande do Sul. Coleção Fisionomia Gaúcha, num. 4. Editora Unisinos, São Leopoldo, 2004.
Revista Província de São Pedro, n.18, 1953. Edição Eletrônica
Krawczyk, Flávio. Arte Incidental - As mostras de artes plásticas em Porto Alegre entre 1875 e 1903
Carola, de Sílvia Meirelles Kaercher; Ed.Novitas/ 2011

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Greve Geral 1917

GREVE GERAL DE 1917
Porto Alegre (RS)

Contribuição à memória de luta da classe operária


A Greve Geral de 1917 no Brasil faz parte de um processo de politização dos trabalhadores brasileiros. Esta politização se deu em parte graças à idéias e princípios organizacionais aportados no país junto com trabalhadores europeus italianos e espanhóis que imigraram para o Brasil buscando melhores condições de vida a partir da segunda metade do século XIX. Enquanto os espanhóis permaneceram no meio urbano, ao aportarem no Brasil, as famílias de imigrantes italianos tiveram destinos diversos.

São Paulo - SP - 1917

No Rio Grande do Sul os italianos estavam uma parte na capital Porto Alegre e outra parte divida na região da Serra onde receberam lotes de terra para desenvolver atividades produtivas.

A Greve Geral de 1917 ficou conhecida pela paralisação geral da indústria e do comércio no Brasil, em Julho de 1917, durante a I Guerra Mundial, como resultado da constituição de organizações operárias de inspiração anarquista aliada à imprensa libertária. Esta mobilização operária foi uma das mais abrangentes e longas da história do Brasil.

Esta efervescência do operariado brasileiro, tem nos vários fatores econômico-sociais suas possíveis explicações:

- Na ação organizativa e propagandista do sindicalismo revolucionário – ou seja, o processo implementado pelos militantes anarquistas ao movimento operário;  

- A conjuntura econômica proporcionada com a crise gerada pela forma com que a economia brasileira estava inserida ao capitalismo internacional durante a Primeira Guerra Mundial.

Porto Alegre - RS

“Luta e Organização”
Mobilizações populares em 1917 no Rio Grande do Sul

Além da conjuntura de crise econômica, os operários gaúchos também agiram em reflexos as mobilizações nos outros estados do centro do país (alguns historiadores apontam inclusive as primeiras noticias da Revolução Russa como motivadores das mobilizações proletárias).

Lenin discursando ao proletariado russo

Aqui no sul destaca-se o papel dos militantes anarquistas, dos operários da Viação Férrea do RGS, a Liga de Defesa Popular de Porto Alegre, o Comitê de Defesa Popular em Pelotas.

Grevista em Passeata Rua da Praia - 1917
***
Cultura combativa e luta de classes:

- De nada adianta haverem conjunturas de acirramento das contradições, crises econômicas etc.; estes “momentos” de crise somente proporcionam ações de caráter reivindicativo e de acúmulo revolucionário se houverem ambientes e cultura popular com “identidade de classe” que saibam aproveitar estas conjunturas e acirrarem as lutas.

É fundamental o nível de conscientização, o grau de mobilização e capacidade de organização do movimento social no que se refere a sua ação política e social. Estes elementos estão inter-relacionados.

No inicio do século XX, foi de muita importância a participação dos anarquistas e do sindicalismo revolucionário no sentido de construção de uma cultura de combate, ação direta e de mobilização permanente.

Muitas das várias entidades do movimento operário brasileiro do período: - os sindicatos por ramos e ofícios, as ligas e uniões operárias, as federações estaduais, a Confederação Operária Brasileira (fundada em 1906) estavam sob forte influência dos anarquistas. Implementavam um sindicalismo revolucionário na maioria das entidades que tinham condições de estabelecer hegemonia política. Consideravam que o sindicalismo não deveria envolver-se na disputa eleitoreira da “democracia burguesa”, não deveria atrelar-se à partidos políticos, em fim, preconizavam a independência de classe em relação à agenda burguesa e aos patrões.

Seus métodos eram os da ação direta e a greve geral com propósitos revolucionários, orientados a um objetivo de construção de uma nova sociedade socialista e libertária, ou como eles diziam na época: - comunismo libertário (anarquista).

Os militantes operários buscavam abarcar todos os espaços possíveis do cotidiano da família proletária. Além do companheirismo nos locais de trabalho, de passarem as mesmas dificuldades, sofrerem juntos os mesmos problemas: - salários baixos, jornadas cansativas e insalubridades – os militantes operários (anarquistas) proporcionavam através dos sindicatos, centros de cultura social, escolas e universidades populares, jornais, teatros, piqueniques, em fim, várias oportunidades de cultura, lazer e luta.
Assim construíam uma “cultura de classe” e identidade de luta permanente.

No Rio Grande do Sul muitos dos militantes de 1917 foram “formados” nas escolas racionalistas mantidas pelos militantes libertários.

Indústria de fiação guardada pela milícia durante a greve em Porto Alegre

***
A Conjuntura e Crise:

O Brasil inseriu-se na 1º Guerra Mundial como fornecedor de gêneros alimentícios às populações civis e às tropas da “Entende”. As exportações de bens de primeira necessidade cresceriam de forma acelerada a partir de 1915. O aumento das exportações dos gêneros de primeira necessidade deslocou uma parcela ponderável da produção tradicional que era voltada para o mercado interno, e passou a atender as demandas externas. O preço dos produtos acabou encarecendo para o consumo interno – dos brasileiros.

A esta ascensão dos preços correspondiam salários nominais estanques e a política oficial de “apertar os cintos”, a freqüente instituição de contribuições “pró-Pátria” descontados em folha e outras formas de socializar a crise.

Portanto, a elevação do custo de vida fez-se acompanhar do declínio constante do salário real.
Abaixo está reproduzido um quadro que procura demonstrar quantitativamente a industrialização e o número de operários no Brasil, três anos após a Greve de 1917:

Estatística Industrial – 1920.

Estado Número de estabelecimentos Número de Operários
Distrito Federal 1.451 56.229
Minas Gerais 1.243 18.552
Rio de Janeiro 454 16.794
Rio Grande do Sul 1.773 24.661
São Paulo 4.145 83.998
Demais Estados 4.180 75.278
Total 13.336 275.512

- No levantamento de informações, é a representação mais próxima que podemos ter da realidade daquele ano.

Observamos que o Rio grande do Sul em 1920 ocupava o segundo lugar em relação aos outros estados no tocante ao número de indústrias e o terceiro em relação ao número de operários.

No Rio Grande do Sul, durante a Primeira Guerra Mundial, instaura-se um processo de substituição de exportações, concentrando no setor de bens de consumo não-duráveis: têxteis, calçados, bebidas, produtos alimentares, etc. Ou seja, a elevação dos preços dos gêneros de primeira necessidade se deu graças à produção voltada para o mercado externo.

Os principais compradores dos nossos produtos eram os países em Guerra. Produzíamos para alimentar as potências em guerra e o nosso povo passava fome.

A expansão industrial dá-se à custa da intensificação da força de trabalho: - a jornada de trabalho situava-se entre 10 e 12 horas diárias nas fábricas, oficinas e construção civil, no comércio têm-se notícia de jornadas diárias ainda mais prolongadas.

Também era alta a percentagem de mulheres e crianças empregadas em fábricas. O trabalho feminino e infantil percebia uma remuneração ainda mais baixa do que o trabalho operário masculino adulto.

Estatística Industrial do Rio Grande do Sul (1905 – 1919)

Ano Número de Fábricas Capital (contos de réis) Produção (contos de réis) Operários Força Motriz
1905  314  49.200          99.780
1908  314  14.434          99.778    15.426
1915  2.787  101.586  220.551    29.617    25.969
1916  9.477  119.801  265.963    38.488    30.930
1917  11.787  142.792  371.707  52.444    37.583
1918  12.770  155.556  399.718  58.680    43.230
1919  12.950  160.000  420.000  65.000    43.600

Demonstra-se através do quadro acima, que houve um elevado crescimento econômico (em todos os sentidos: - número de indústrias e operários inclusive) no ano de 1917, em relação à tendência de crescimento ano a ano verificada no período.

Fica claro que a crise era para as classes mais baixas, os trabalhadores e operários em geral. Alguém estava lucrando com a conjuntura de Guerra e crise “econômica e social”: - a burguesia industrial.
Sobre Porto Alegre o quadro que segue é bem interessante, podemos ver que nos anos próximos 1917 o número de oficinas, era bem maior do que o número de indústrias. Mostra assim outro perfil do período. 

Demonstra que a classe operária não era formada por “proletários” industriais de linhas de produção, mas com mestre de ofícios, artesãos, aprendizes de artesãos, etc.

Anos Número de Fábricas Número de oficinas
1908   100    18
1907   126    24
1908   112    38
1909   117    33
1910   129    37
1911   154  149
1912   180  172
1913   180  172

O censo de 1920 registrou em Porto Alegre um total de 179.263 habitantes, porém a população economicamente ativa era de 53.178 pessoas. Este número subestima demais a realidade, pois muitos trabalhadores que participavam da economia urbana não apareceram nos registros oficiais.

A economia informal, que naquela época era representativa, está fora dos registros estatísticos. Destes trabalhadores aferidos, 74,7 % eram nacionais e 25,3 % eram estrangeiros.

Destaca-se no quadro acima, a representação gráfica do proporcional de habitantes em Porto Alegre e os trabalhadores economicamente ativos.

Outro destaque é possível fazer quanto à questão do papel do imigrante no movimento operário do período. Percebemos a mínima quantidade da representação imigrante - cerca de um quarto do total de trabalhadores, e os trabalhadores de nacionalidade brasileira representavam três quartos do proletariado.

Na greve de 1917, a maioria dos militantes operários, como já dissemos, conviveu e foi “formada” nas ações políticas e culturais do próprio movimento operário. Eram em sua maioria militantes nascidos no Brasil, e gaúchos.

Podemos considerar também, que embora não tenhamos dados sobre o total da população do Estado e o número de operários, pode-se ter uma idéia a partir do momento que Porto Alegre era, junto com Rio Grande e Pelotas, as cidades com um maior número de oficinas e indústrias.

Distribuição setorial do pessoal economicamente ativo (1919)

Número de pessoas Proporção
Indústria 16.880 31,7%
Transporte 4.189 7,9%
Comércio 12.458 23,4%
Agricultura 9.390 17,7%
Exploração do subsolo 171 0,3%
Administração/prof.  liberais 10.090 19,0%
Total população economicamente ativa com profissão definida
53.176
100,00%

Luta e Organização:

As organizações operárias no Rio Grande do Sul começam a surgir nas últimas décadas do século XIX. Destacamos um ponto importante neste aspecto que é a constituição de organizações operárias esparramadas por todo interior do Estado.

Pode-se ver no primeiro Congresso Operário, no ano de 1898 a participação de várias cidades como: - Porto Alegre, Rio Grande, Pelotas, Alegrete, Cruz Alta, entre outras. Assim destacamos que existiam organizações operárias em Alegrete, Uruguaiana, Quarai, Livramento, Dom Pedrito, Bagé, São Francisco de Assis, São Gabriel, Santa Maria, Passo Fundo, Cachoeira do Sul, etc.

A redução no nível e condições de vida, o agravamento nas condições de existência do operariado durante a Primeira Guerra atingiu seu clímax no ano de 1917. O descontentamento se generaliza no meio operário e seus efeitos começam por São Paulo.

A partir do mês de junho eclodem várias greves que se alastram e ampliam no mês de julho. Atingiram seu ponto alto entre os dias 12 e 15 de julho, quando se forma um Comitê de Defesa Proletária que negocia aumentos salariais.

As notícias da “Greve Geral” chegam pela imprensa, noticiando a paralisação dos operários de São Paulo, Distrito Federal (Rio de Janeiro), Curitiba, etc.

No Rio Grande do Sul a greve de 1917, de acordo com Silvia Petersen, em termos organizativos foi obra da Liga de Defesa Popular, pois a FORGS, pouco ou nada fez para mobilizar os trabalhadores.
A greve foi fruto da insistência de grupos de operários, militantes que tomaram para si a responsabilidade de organizar os trabalhadores.

Grevistas reunidos na Azenha - 1917
Acervo UFRGS

A pesquisadora Silvia Petersen aponta que em nota publicada na imprensa, a FORGS declara que:

“(...) não cogita de greve, tendo até mesmo se esforçado junto às associações que lhe são federadas para que esta capital nada venha sofrer na sua tranqüilidade.”

Sobre este aspecto relacionado à participação da FORGS, também colabora Adhemar Lourenço da Silva Jr. Destacando que:

“Há indícios de que os cargos da diretoria da Federação Operária não eram então ocupados por anarquistas e que tais militantes eram inclusive contrários a uma greve geral.”

Estes “tais militantes” a que se refere Adhemar, só para ficar bem claro, eram os não anarquistas. Existia no entanto a União Operária Internacional, organização anarquista que se empenhava pela greve.
No dia 26 de julho, começa a ocorrer alguns incidentes. Operários da Viação Férrea RGS percorrem a linha propagando a greve.

No dia 30 de julho, em Porto Alegre, era feita uma convocação assinada pela União Operária Internacional marcando uma concentração pública para o outro dia na Praça da Alfândega.
No final desta concentração ao clamor e gritos de:

 Greve! Greve!

– Foi eleita uma “Liga de Defesa Popular”.

Os principais organizadores da greve em Porto Alegre, eram membros da Liga:
- Luis Derivi, secretário do sindicato dos pedreiros, carpinteiros e classes anexas,
- Cecílio Vilar, líder tipógrafo, o qual entre outras coisas afirma:

“... mas o momento não é para conciliações, é de luta. A luta mais justificável, a luta pela vida. Os operários devem se erguer como um só homem, para sair às ruas e conquistar o pão que nos está sendo roubado e a fim de protestar contra a exploração de que é vítima a classe trabalhadora (...)”
 
À noite a Liga reuniu-se e divulgou uma nota, com uma a seguinte pauta:

1. Diminuição dos preços dos gêneros de primeira necessidade em geral;
2. Providências para evitar o açambarcamento do açúcar;
3. Estabelecimento de um matadouro municipal para fornecer carne à população a preço razoável;
4. Criação de mercados livres nos bairros operários;
5. Obrigatoriedade da venda do pão a peso e fixação semanal do preço do quilo;
6. A intendência deve cobrar pelo fornecimento da água 10 % sobre os aluguéis e reduzir para 5% as décimas dos prédios cujo valor seja inferior a 40$000.
7. Compelir a companhia Força e Luz a estabelecer passagens de 10 réis de acordo com o contrato feito com a municipalidade;
8. Aumento de 255 sobre os salários atuais;
9. Generalização da jornada de 8 horas;
10. Estabelecimento a jornada de 6 horas para as mulheres e crianças.

No dia 1º de agosto, uma comissão é recebida pelo presidente do Estado (governador) Borges de Medeiros que iria estudar as reivindicações operárias.
Naquele inicio de agosto, Porto Alegre viveu momentos de empolgação revolucionária, pois a Liga de 

Defesa Popular constitui-se num verdadeiro poder paralelo, expressão de um “poder popular”.
A força da Liga de Defesa Popular é bem ilustrada nos casos dos Salvo-condutos.
Instituições, repartições púbicas, empresários além é claro, dos operários que recorriam à Liga de Defesa Popular para tratarem de assuntos de gestão da cidade e de algumas empresas que procuravam permissão da Liga. Nenhum veículo pôde circular sem salvo conduto.

Houve confrontos entre os operários e a Brigada Militar, como é possível afirmar a partir da pesquisa de João Batista Marçal, na biografia de “Djalma Fettermann, a bomba que assustou os brigadianos”:

- Djalma Fettermann teve uma atuação importantíssima na Greve geral de 1917 e nos movimentos que precederam e sucederam, principalmente nas ações de rua, contra a policia e os fura-greves. Adepto da ação direta, juntamente com Reinaldo Geyer e Zenon de Almeida, aperfeiçoou um dispositivo de detonação de bombas que aterrorizou a Brigada Militar.

Além desta referência a enfrentamentos com a policia, o livro sita vários outros exemplos referentes a estes fatos da greve de 1917 em Porto Alegre.

“Concentração de grevistas na Rua da Praia por ocasião da greve de julho de1917.”
A pesquisadora Sandra J. Pesavento, acrescenta:

“Piquetes de operários cruzavam as ruas com praças da policia administrativa e da Brigada Militar, que patrulhavam a cidade.”

Segue ela: “as ruas onde se situava o alto comércio da capital, onde nos dias normais era intenso o movimento, se encontravam paralisadas (Correio do Povo, 03/08/1917).”

No dia dois, Borges de Medeiros baixa dois decretos atendendo boa parte das reivindicações feitas pela Liga de Defesa Popular:

- O Decreto 2.287 estipula aumentos salariais para todos “proletários ao serviço do Estado”, enquanto
- O Decreto 2.288 regula a exportação de produtos alimentícios do estado.

Segundo Miguel Bodea “Um veículo, portando, uma bandeira branca com as iniciais da Liga, L.D.P., estampadas em vermelho, percorria as ruas da cidade. A Liga concitava os operários a não voltarem ao trabalho, apesar das concessões já obtidas pelo governo estadual.”

Na noite do dia 3 de agosto, o chefe de polícia Firmino Paim Filho comunica à Liga que as reivindicações dos operários serão atendidas.

No dia 4 de agosto, o Intendente Municipal (Prefeito) José Montaury Leitão baixa:

- O Ato 137, estabelecendo o tabelamento de preços de gêneros de primeira necessidade com preços reduzidos ou tabelados: - arroz, banha, açúcar, cebola, erva-mate, ovos, leite, pão, salame, manteiga, sal, charque, querosene, vela de sebo, massa branca, milho, fósforo, polvilhos, etc.

Também é reeditado o Ato 107, de 1914, que regula as normas de venda de carne verde.
Cedendo à pressão do movimento operário quase todas as firmas concedem aumentos de 25% e jornadas de trabalho de 8 horas. Alguns dos acordos seriam depois descumpridos.

No dia 05 de agosto, a Liga de Defesa Popular resolve encerrar a greve (em Porto Alegre). Porém permaneceram em greve os operários cujos patrões não tinham concedido a diminuição da jornada de trabalho e o aumento salarial.

No boletim de 05 de agosto, da Liga de Defesa Popular lemos:

“...examinando as conquistas feitas pelo proletariado local no atual movimento e o alcance das medidas tomadas pelos poderes públicos ... cessa o motivo da greve geral e a Liga de Defesa Popular aconselha a volta ao trabalho a todas as classes que julgarem conveniente. Aos que quiserem prosseguir em greve, por não terem conseguido seu objetivo, a Liga e a Federação Operária hipotecam sua solidariedade...”

Para listar as categorias e cidades em que trabalhadores gaúchos aderiram as greves de 1917 utiliza-se o levantamento feito por Silvia Petersen “Relação das Greves no Rio Grande do Sul”:

Ano/duração: 1917 – de 30 de julho/ 9 de agosto de 1917.
Local: Santa Maria, Bagé, Livramento, Carazinho, Porto Alegre, Gravataí, Cruz Alta, Julio de Castilhos, Passo Fundo, Caxias, Pelotas, Santa Cruz, Rio Grande, São Leopoldo, Montenegro, Caí, Cachoeira, Cacequi, São Gabriel, São Jerônimo, D. Pedrito.

Categorias: Operários da Viação Férrea RGS.

Motivos: Aumento Salarial, jornada de 8 horas, Semana Inglesa.
Observações: Dela participaram todos os municípios servidos pela Viação Férrea.

Ano/duração: 1917 – 01 a 05 de agosto.
Local: Porto Alegre

Categorias: Condutores de veículos e motores, empregados da Cia. Força e Luz, tipógrafos, estivadores, chapeleiros, operários do estaleiro Mabilde, empregados da Cia Telefônica, empregados moinho Rio-grandense, empregados das casas de Domingos Felippeto e Caetano Fulginatti, operários da fabricação de tamancos, empregados da destilaria Scalzilli, empregados da fabrica Castor, empresa de carruagens, União de ferros, Casa Singer, Victor Fischel, alfaiates, Gerdau, Cia Fabril Porto Alegrense, carpinteiros e marceneiros, Usina elétrica municipal e Cia Fiat Lux.

Motivos: Custo de vida e aumento Salarial
Observações: Vitória Parcial
***
Ano/duração: 1917 – agosto?
Local: Montenegro

Categorias: Operários da Fábrica de banha de J. A. Renner.

Motivos: Aumento de salário: jornada de 8 horas, solidariedade com companheiros de Porto Alegre.
Observações: Conseguem aumento salarial.
***
Ano/mês/duração: 1917 – 8 a 20 de agosto.
Local: Pelotas

Categorias: Motorneiros e condutores de bondes elétricos.

Motivos: Aumento Salarial, diminuição da jornada.
Observações: Greve Geral coordenada pela Comissão de Defesa Popular.
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Ano/duração: 1917 – 8 de agosto.
Local: Caxias

Categorias: Empregados de Amadeu Rossi.

Motivos: Aumento salarial, diminuição da jornada.
 
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Ano/duração: 1917 – agosto.
Local: Jaguarão

Categorias: Estivadores

Motivos: Aumento Salarial
Observações: Vitória

Os ferroviários haviam se adiantado ao movimento e no dia 31 de julho pela tarde começa a greve nas estações de Porto Alegre, Santa Maria, Pelotas, Rio Grande, Bagé, Gravataí, Passo Fundo, Couto, Cacequi e Rio Pardo.

O inspetor geral da VFRGS Mr. Cartwrigth, começa a despedir funcionários e solicita a intervenção das tropas da 7ª Região Militar.

No dia 02 de agosto, é feita a ocupação da estação de Santa Maria. Em represália os operários arrancam trilhos, derrubam pontes e bloqueiam a via com os dormentes e postes telegráficos em vários pontos do estado. Em Passo Fundo ocorrem violentos choques entre ferroviários e as forças militares.

No dia 05 de agosto, termina a greve dos ferroviários devido a forte intervenção militar. O movimento retorna em 1918.

Em alguns núcleos urbanos do interior ocorreram conflitos bem mais sérios dos que ocorreram na Capital. Em Pelotas, segundo maior núcleo urbano do Rio Grande do Sul (60 mil habitantes na época) o poder público resolveu o enfrentamento aberto ao movimento operário.

A greve começa em 04 de agosto com várias categorias entrando em greve, e em atitude semelhante à de Porto Alegre e São Paulo criaram o Comitê de Defesa Popular.

No dia 10 de agosto, o movimento se radicaliza:

- Uma passeata realizada no centro da cidade culmina com um comício na Praça 7 de julho. Durante o comício ocorre a violenta intervenção da policia, provocando tiroteios entre policiais e grevistas.

A seguir intervém o 11º regimento de cavalaria: - o conflito degenera em verdadeira batalha campal, que terá como resultado, vários feridos.

Os operários se concentram na sede da Liga Operária e novamente a polícia se envolve. Os operários resistem à ação da polícia que busca prendê-los e fechar a sede operária. O chefe de polícia tem seu cavalo abatido a tiros pelos operários e um funcionário da intendência municipal é mortalmente ferido. Depois de muita resistência os operários são finalmente desalojados da sede da Liga Operária.
Ocorre uma radicalização cada vez maior das lutas e os operários de orientação anarquista, em boletins proclama:

“Companheiros! Não vos qualifiqueis: companheiros se já tendes título rasgai-o a fim de não dar a esses régulos o vosso voto. (...)”

O chefe de polícia da capital é deslocado para Pelotas em 12 de agosto para mediar a situação.
No dia 15 de agosto, a greve termina com a baixa dos preços dos gêneros de primeira necessidade. Também houve greves importantes em Rio Grande, Passo Fundo, Santa Cruz, Montenegro e Bagé.
A origem dos vários direitos que os trabalhadores possuem hoje, foram conquistados na luta, no enfrentamento contra patrões e o governo.

Quanto à greve de 1917:

- Destacamos a conquista por algumas categorias das 8 horas de trabalho diárias e para Porto Alegre ficou o começo das “Feiras Livres” que existem até hoje.

A Retaliação

Depois das mobilizações de 1917 o governo de Borges de Medeiros desencadeou uma série de ações de repressão, perseguição, prisões, deportações e morte de militantes operários anarquistas em porto Alegre e no Rio Grande do Sul. Conseguiu assim diminuir a influencia destes militantes e dessa ideologia de luta no seio do movimento operário, além de outros fatores conjunturais das décadas seguintes.

Em relação às mobilizações de Julho/agosto de 1917, percebemos:

- Que a classe operária representava um número relativamente pequeno em relação ao restante da população, principalmente em relação ao interior do estado (além de visualizarmos as limitações operárias em um Estado eminentemente agro-pecuário, percebemos a força do proletariado em vergar o governo e os patrões );

- Que esta classe operária não era composta em sua maioria de operários industriais, mas sim de pequenos artesões e mestre de ofícios - de oficinas, inclusive no interior do Rio Grande do Sul (a formação da classe operária, como já demonstrou E. P. Thompson, não é um derivado automático das estruturas econômicas, nem fruto da grande indústria moderna);

- Que a pauta de reivindicações contemplava questões que abarcavam as demandas daqueles setores que não apareciam na economia formal, ou seja, as demandas da população excluída do mercado de trabalho: moradia, transporte, preço dos gêneros alimentícios, etc. (traz naquela época, a preocupação da articulação das lutas dos oprimidos, como vivenciamos atualmente, porém não tiveram possibilidades de articular a luta camponesa e os trabalhadores rurais /Contestado/ – De acordo com o pesquisador Jorge Telles de Rosário do Sul, algumas tentativas foram feitas com Honório Lemes em 1923, mas não surgiram efeito);

- Que a mobilização grevista foi fruto de um processo acumulativo da cultura política operária, seus métodos de luta eram alicerçados na orientação anarquista;

- Papel fundamental dos organismos de gestão populares criados tanto em São Paulo, quanto em Porto Alegre e Pelotas (cabe aprofundar estudos sobre estas iniciativas e tecer paralelos com propostas de Poder Popular);

- Deixa claro a necessidade de um instrumento político anarquista que implementasse a partir de uma estratégia revolucionaria, táticas de luta na condução, na articulação e unificação das lutas – assim como preparar-se para a conjuntura de perseguições aos militantes operários que viriam a seguir.


A Luta

De 1890 a 1919 os operários fizeram 73 greves locais e três greves gerais, em anos de explosiva organização, quando predominavam idéias anarquistas e socialistas.
Exercendo uma pressão efetiva difícil de ignorar, as greves tiveram muitas vezes resultados favoráveis aos trabalhadores.

Referência:

- Texto adaptado de Anderson Romário Pereira Corrêa


Tiros de Guerra

 a Tiros de Guerra


Os chamados Tiros de Guerra era uma forma que o Exército Brasileiro tinha de formar reservistas, permitindo que o convocado ao serviço militar possa conciliar a instrução da caserna sem se afastar dos estudos ou do trabalho civil.

Os tiros de guerra ensinavam os rudimentos da arte de matar para não ser morto.

Estes grupos contavam até com alunos de ginásio nas fileiras, com batalhões de guerra, a que não faltava uniformes militares, até armas, quartéis e disciplina de caserna.

Os escoteiros de hoje não representam em nada em face do“Prussianismo” daqueles tempos.

Todo esse alvoroço castrense tinha em vista o mandamento latino:

“Si vis pacem para bellun”
"se queres paz, prepara-te para a guerra",
do escritor latino Publius Flavius Vegetius Renatus

O Tiro de Guerra, conhecido como TG, é uma instituição militar do Exército Brasileiro encarregada de formar reservistas para o exército.
Os TGs são estruturados de modo que o convocado possa conciliar a instrução militar com o trabalho ou estudo.
A organização de um TG ocorre em acordo firmado com as prefeituras locais e o Comando da Região Militar. O exército fornece os instrutores, fardamento e equipamentos, enquanto a administração municipal disponibiliza as instalações.

- Existem atualmente mais de 200 TG's distribuídos por quase todo o território brasileiro.

Na década de 1900, somente o Clube de Tiro 4, localizado em Porto Alegre (RS), possuía stand de tiro próprio que estava localizado no Tiro de Guerra No 4.

No Rio Grande do Sul o Tiro 318 tinha seu stand nos arrabaldes do São João, no quarto distrito, zona norte de Porto Alegre, área atual Colégio Concórdia.

Missão

- Os Tiros-de-Guerra tem por objetivos: Preparar munícipes conhecedores dos problemas locais, interessados nas aspirações e realizações de sua comunidade, e cidadãos integrados à realidade nacional;
- Preparar reservistas de 2ª Categoria (Combatente Básico de Força Territorial), aptos a desempenharem tarefas limitadas, na paz e na guerra, nos quadros de Defesa Territorial, GLO, Defesa Civil e Ação Comunitária;
- Líderes democratas, atentos aos ideais da nacionalidade brasileira e à defesa do Estado Democrático de Direito.

Origem

- Os Tiros-de-Guerra são uma experiência brasileira vigente desde 7 de setembro de 1902, quando Antônio Carlos Lopes fundou, na cidade do Rio Grande-RS, uma sociedade de tiro ao alvo com finalidades militares e, depois de 1916, foram impulsionados pela pregação patriótica de Olavo Bilac – Patrono do Serviço Militar -, sendo conseqüência, sobretudo, de um esforço comunitário municipal.

- Os Tiros-de-Guerra (TG) são Órgãos de Formação da Reserva (OFR), que possibilitam a prestação do Serviço Militar Inicial, no município sede do TG, dos convocados não incorporados em Organização Militar da Ativa (OMA), de molde a tender à instrução, conciliando o trabalho e o estudo do cidadão.

TIRO

A etimologia da palavra vem do latim “tiro”, termo usado para descrever “novato”, jovem soldado e recruta.

Missão Extraída do R 138 - Regulamento dos Tiros-de-Guerra.

 Quadro turma do Tiro de Guerra 1928-1929 
Foto: Hugo Peretti, acervo de Marcelo Peretti

O IDEALIZADOR E CRIADOR DO TIRO DE GUERRA BRASILEIRO

Em 07 de setembro de 1902, à tarde, a idéia surgiu no Rio Grande do Sul por intermédio de Antonio Carlos Lopes que fundou uma sociedade de tiro ao alvo com finalidades militares, na cidade de Rio Grande (RS).

Antônio Carlos Lopes (1870-1931),
Idealizador e criador dos Tiros de Guerra no Brasil

A Sociedade de Propaganda do Tiro Brasileiro inspirou o Marechal Hermes da Fonseca, gaúcho, Ministro da Guerra, a criar por Lei de 05de setembro de 1906, a Confederação de Tiro Brasileira, quando a idéia do riograndino Antônio Carlos Lopes já havia se propagado com a criação entre outros dos Tiros de Guerra:

Nº 1 em Rio Grande
Nº 2 em Santos; 
Nº 3, em São Paulo
Nº 4, em Porto Alegre.

Tudo isto antes que em abril 1906, fosse criado no Rio de Janeiro (RJ) o Clube de Tiro Federal, inspirado em modelo também trazido da Suíça, pelo prefeito do Rio de Janeiro Dr. Furquim Werneck, o primeiro presidente do Tiro Federal.

Este daria origem ao Tiro de Guerra nº 7, em cuja rede, no QG do Exército, no Rio de Janeiro, teve lugar em 10 de dezembro de 1916, o 1º Sorteio Militar, assunto sobre o qual foi publicado em A Defesa Nacional nº 729, jan/fev 1987, alentada e ilustrada pesquisa básica, com 31 indicações bibliográficas sob o título "Serviço Militar Obrigatório no Brasil – sua implantação através do 1º Sorteio Militar (p. 120/138)."

O Serviço Militar Obrigatório implantado depois de uma luta de 42 anos, desde sua legalização não cumprida, editada em 1874, por empenho do Duque de Caxias, Ministro da Guerra e Chefe do Gabinete dos Ministros. Idéia que iniciou a implementar, mas que foi abandonada com sua saída da vida pública.

General Bellarmino de Mendonça e seu Estado Maior, formado por Tiros Nacionais. Brigada composta por Linhas de Tiro, no encontro nacional na Capital Federal, Praça da República, Rio de Janeiro, 1910

A partir de 1916, a pregação cívica do poeta Olavo Bilac em prol do serviço militar obrigatório trouxe grande impulso a essa instituição e transformou-se, com o apoio do poder municipal, em um tipo de organização militar tão essencial à formação de reservistas brasileiros.
Assim sendo foram criadas várias linhas de tiro, estrategicamente localizadas em cidades maiores de cada região, que davam maior proteção aos cidadãos.

Olavo Bilac é, por isso, considerado o Patrono do Serviço Militar.

Olavo Bilac - Poeta - perfil

O propagandista Olavo Bilac ao ser inquirido - O que é o Serviço Militar Obrigatório?

"- É o triunfo da Democracia. É o nivelamento das classes sociais. É a escola da Ordem, da Disciplina, da Coesão. É o laboratório da dignidade e do Patriotismo. Ë a instrução primária, a educação cívica e a higiene obrigatória. É a caserna, como filtro admirável, onde os homens se depuram e se apuram".

O Sorteio Militar propiciou ao Brasil, um Exército de Paz compatível e um enorme Exército em Reserva, inclusive contando, já em 1910, com a vitoriosa oficialização da idéia do Coronel Antônio Carlos Lopes em 1906, com cerca de 10.000 atiradores.

Exército em reserva capaz de atuar como elemento de dissuasão. Ou de alimentar um esforço de guerra prolongado, na eventualidade indesejável da ocorrência de uma guerra, evento tão presente e vivo na História da Humanidade, como a que estava tendo lugar na Europa, a 1a Guerra Mundial 1914/18.

O Sorteio Militar executado 14 anos depois da criação da Sociedade de Propaganda do Tiro Brasileiro, se constituiu, com o reforço dos atiradores, em ponto de inflexão para o surgimento de um Exército com caráter nacional, por formado e alimentado por filhos saídos do seio do povo, em número suficiente e bem adestrados, para como parcela armada deste povo, atender a Defesa do Brasil.

Idéia que guardava coerência com o seguinte pensamento pioneiro do Cel. Antônio Carlos em 07 de setembro de 1902:

"O Brasil possui o direito de aspirar a formação de instituições, as quais, nascidas no seio do povo, o preparem no conhecimento e uso das armas, para que a Pátria, no momento de perigo, lhes confiará para a sua defesa".

Tiros de Guerra em Estrela-RS, 1917
Memorial da Aepan-ONG

A idéia do Tiro de Guerra Brasileiro

Antônio Carlos Lopes com cerca de 20 anos fora testemunha dos sangrentos episódios, em Rio Grande do Sul, decorrentes da Guerra Civil (1893/95), combinados com a Revolta na Armada (1993/94).

Depois de cursar Farmacêutico – Químico em Ouro Preto (MG), foi até a Suíça para estagiar em seus famosos laboratórios.

Lá teve a sua atenção despertada pelo sistema de Defesa da Suíça, onde cada suíço recebia instrução de tiro e uma arma que guardava em casa, ficando em condições de atender à convocação militar, caso, necessária.

De volta ao país, foi que concebeu sua idéia de Defesa do Brasil, com pequeno dispêndio, e com potencial de mobilizar em emergências grande número de reservistas atiradores, habilitados no uso de armas de fogo.

A iniciativa de Antônio Carlos foi providencial e antecipou-se de muito a 1ª Guerra Mundial que ocorreria 12 anos mais tarde.

Neste espaço ele percorreu o Brasil as suas expensas, distribuindo o seu livro “O problema das reservas do Exército”, assunto sobre o qual tinha noção exata da gravidade da ausência das mesmas no Brasil.

E escreveu o livro famoso “O Tiro Brasileiro”, com mais de 200 gravuras instruindo como construir-se um stand de tiro, o manejo e nomenclatura das armas e como funcionar um tiro de guerra.

Seu livro foi aprovado e adotado por ordem do Ministro da Guerra Marechal Hermes da Fonseca, o modernizador do Exército de 1905/14, e adotado por todos os tiros de guerra.

Olavo Bilac em sua campanha 1915/16 em favor do Serviço Militar, no início da 1ª Guerra Mundial, de Antônio Carlos proclamava:

"Para que haja pátria é necessário que haja consciência, coesão e disciplina. E é justo isto que vem fazendo Antônio Carlos Lopes na cidade de Rio Grande, com a fundação da Sociedade de Propaganda do Serviço Militar".

Significação histórica de Antônio Carlos

Como se pode concluir foi relevante a iniciativa do patriota Antônio Carlos Lopes em 07 de setembro de 1902, ao criar a Sociedade de Propaganda do Tiro Brasileiro, a raiz histórica dos Tiros de Guerra do Brasil, que em 1910 já dispunham de 10.000 atiradores à disposição do Exército, o qual, até 1916 não dispunha de reservas efetivas, conforme demonstramos em nosso artigo citado.

E foi no contexto adverso de um exército profissional sem reserva que se situa, com expressivo destaque, a grande iniciativa de Antônio Carlos Lopes.

No dia 20 de setembro de 1911, o Correio do Povo noticiou:
“Uma companhia de guerra do batalhão do Ginásio Anchieta formará, à tarde, prestando continência ao Presidente do Estado Dr. Carlos Barbosa.
Após as continências, a companhia de guerra, comandada pelo aspirante a oficial Arthur O. Travassos Alves, fará uma marcha de resistência.”

Em 07 de setembro de 1936, foi inaugurado uma herma, ao fundador dos Tiros de Guerra, na fronteira a Delegacia Fiscal, tendo em suas extremidades os escudos do Brasil e Rio Grande do Sul guardados por duas figuras de um leão e uma leoa, o autor do projeto foi o arquiteto e escultor W. Dreshler, na plana do pedestal está escrito:

“A Antonio Carlos Lopes
Homenagem dos Tiros de Guerra no Centenário Farroupilha”

Em novembro de 1940, na comemoração do bicentenário de Porto Alegre, os Tiros de Guerra 4 e 318 de Porto Alegre, colocaram uma nova placa comemorativa no monumento.

Sua patriótica iniciativa lhe valeu o título de Coronel Honorário do Exército e a construção em Porto Alegre, por iniciativa dos Tiros de Guerra nº 4 e nº 318 e, em Rio Grande, sua terra natal, e do Tiro de Guerra nº 1, duas hermas para perpetuar a sua memória na gratidão nacional.


Fruto de acordo entre as prefeituras locais e o Comando da Região Militar, os Tiros de Guerra têm por objetivo formar reservistas de 2ª Categoria – ou seja, um combatente básico de força territorial, apto a desempenhar tarefas na paz e na guerra, em defesa de nossas fronteiras, na defesa civil e em ações comunitárias. São organizados para serem pólos difusores do civismo, de cidadania e do patriotismo.

Desfile Tiro de Guerra - 1928

REFORMA MILITAR 1898-1945

A partir de 1874, coma adoção do Regulamento de Ensino voltado para o bacharelismo militar, o nosso Exército, em conseqüência e sem dispor de reservas, atingiu índice operacional inferior ao da guerra do Paraguai.

Em 1898, teve início a Reforma Militar que se prolongou até 1945, coroada com o desempenho da FEB que apresentou índices elevados de operacionalidade, ao lutar contra ou aliança com representações dos melhores exércitos do mundo. Havia dado um grande salto operacional desde Canudos.

A seguir a visualização da criação do Tiro de Guerra Brasileiro dentro do contexto histórico das principais ações da Reforma Militar, até 1922 – Centenário da Independência.

Em 1898, em viagem a Europa o Cap. Tasso Fragoso trouxe da Europa a idéia da necessidade de um Estado-Maior para o nosso Exército e Antônio Carlos Lopes, da Suíça, a idéia do Tiro de Guerra Brasileiro para a formação de reservas para o Exército que não as possuía, dado o seu caráter profissional.

Em 1898, foi criado o Estado-Maior do Exército e a Fábrica de Pólvora sem fumaça, em Piquete (SP).

Em 1899, a criação pelo EME da Revista Militar que defendeu o Serviço Militar Obrigatório.

Em 1900, plano de Reforma do Exército do Mal. João Nepomuceno Medeiros Mallet, visando um Exército com todas as características do Povo Brasileiro.

Em 07 de setembro de 1902, o CORONEL HONORÁRIO DO EXÉRCITO ANTÔNIO CARLOS LOPES FUNDOU EM RIO GRANDE, A SOCIEDADE DE PROPAGANDA DO TIRO BRASILEIRO, IDÉIA QUE ELE PROPAGOU PELO BRASIL.

Em 1904, o Ministro da Guerra, em artigo Reforma do Exército, apelou a seus companheiros para reformular o Ensino do Exército "como questão de vida ou morte para os destinos do Brasil e do próprio Exército".

Em 1904, fechamento da Escola Militar da Praia Vermelha, templo do bacharelismo militar, seguido da sua extinção.

Em 1905, adoção do Regulamento de Ensino do Exército, ponto de inflexão do bacharelismo para o profissionalismo militar e criação das ECEME, ESAO e Escola de Sargentos.

Em 1905, o General Hermes da Fonseca realizou as Manobras no Curato de Santa Cruz, que não se realizavam desde 1885.

Em 1906, criação da Escola de Guerra em Porto Alegre, para implementar o Regulamento de Ensino de 1905 e formadora até 1911, das gerações que consolidaram a Reforma Militar.

Em 1906, oficialização dos TIROS DE GUERRA já em desenvolvimento desde a criação do TIRO BRASILEIRO por ANTÔNIO CARLOS LOPES.

Em 1908, reorganização do Exército pelo Marechal Hermes da Fonseca:

- Leis do Serviço Militar, do Sorteio Militar, do Voluntariado, e da criação dos Tiros de Guerra, Criação das Brigadas Estratégicas, construção de novos quartéis e rearmamento do Exército com fuzis Mauser, metralhadoras Madsen, e canhões Krupp. Armas adquiridas com as respectivas fábricas de munições.

Em 25 de novembro de 1908, é apresentado na Praia Vermelha, ao Ministro da Guerra Mal. Hermes da Fonseca, como primeira Reserva do Exército, o Tiro de Guerra nº 7.

Em 1910, envio pelo Presidente Marechal Hermes da Fonseca de oficiais para estagiarem no Exército da Alemanha até 1912. Os tiros de guerra atingem 10.000 atiradores.

Em 1910, fundação da Revista dos Militares na 3ª RM (RS).

Em 1913, fundação da Revista A Defesa Nacional pelos jovens turcos, que em maioria estagiaram do Exército da Alemanha.

Em 1913, criação da Escola Militar do Realengo, reunindo as diversas escolas existentes de formação de oficiais.

Em 1915, campanha pró-adoção do Serviço Militar Obrigatório no Brasil em plena 1a Guerra Mundial, e levado a efeito por Olavo Bilac e nela cooperando Antônio Carlos Lopes, até 1916.

Em 07 de setembro de 1916, criação da Liga de Defesa Nacional (LDN), 14 anos depois da criação do Tiro de Guerra Brasileiro.

Em 10 de dezembro de 1916, primeiro Sorteio Militar no Brasil.

Em 1918, Brasil envia à França, 22 oficiais para absorção de doutrina militar vendo e combatendo.

Em 1918, Extinta a Guarda Nacional e as PM se tornam forças auxiliares e reservas do Exército.

Em 1919, criação da Missão Indígena na Escola Militar sob a direção de oficiais que haviam cursado o Exército da Alemanha, e, fundado a Defesa Nacional. Missão que atuou até 1921.

Em 1920, contrato da Missão Militar Francesa para o nosso Exército.

Em 1922, Centenário da Independência do Brasil.
Em Ordem do Dia do atual 4º BE Cmb em Itajubá é assinalado:

"O Exército está organizado à moderna A instrução é baseada em ensinamentos da 1ª Guerra Mundial. Esta equipado com o que de melhor produz a indústria bélica mundial. A tropa habita quartéis higiênicos e confortáveis. Os arsenais funcionando no reparo de armas bem como as e fábricas de munições. Já dispõe de carros de combate, esquadrilhas aéreas, e das escolas ECEME, ESAO e de Sargentos. Realizou as manobras de Saicã da 3ª RM. Ocorreu concentração rápida para atender emergência interna, A CONVOCAÇÃO DE VÁRIAS CLASSES DE RESERVISTAS NA PARADA DO CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA. FOI NOTÁVEL. O Exército está em boa situação e se prepara para o desempenho de sua missão: - A Segurança da Pátria."

Até 1969, a formação do atirador era realizada no período de 80 semanas.


A partir de 1970, a formação foi dividida em 1° e 2° semestres.

Tiro de Guerra - 1935

Formação do Atirador

O objetivo dos TGs é formar reservistas de 2ª categoria aptos ao desempenho de tarefas no contexto da Defesa Territorial e Defesa Civil.

Monumento ao Reservista

A formação do atirador é realizada no período de 40 semanas, com uma carga-horária semanal de 12 horas, totalizando 480 horas de instrução.
Há um acréscimo de 36 horas destinadas às instruções específicas do Curso de Formação de Cabos, e um terço desse tempo é direcionado para matérias relacionadas com ações de saúde, ação comunitária, defesa civil e meio ambiente.

Finalidade

- A Seção de Tiro-de-Guerra tem por finalidade coordenar os trabalhos desenvolvidos nos Tiros-de-Guerra do âmbito da 1ª Região Militar, sendo responsável pela seleção dos convocados que residem nas áreas tributáveis para os Tiros-de-Guerra, bem como pela seleção dos instrutores e auxiliares de instrução.

Instruções para Instrutores TG

Categoria: Tiro de Guerra
- Legislação Pertinente
   - Portaria nº 325/Cmt Ex, de 06 de julho de 2000;
   - Portaria nº 033/DGP, de 29 de agosto de 2000;
   - Decreto nº 2.040, de 21 de outubro de 1996 (R-50);
   - Portaria nº 01, de 02 de janeiro de 2002(R-138);

- Tempo de serviço mínimo na guarnição (04 anos), de acordo com o inciso III do Art. 65 da Portaria 033-DGP, de 29 de agosto de 2000 (IR 30-31);

- Tempo de permanência no Tiro de Guerra:
- 02 (dois) anos, com possibilidade de recondução por mais 01 (um) ano.

Os Tiros de Guerra (TG) Órgãos de Formação da Reserva (OFR), possibilitam a prestação do Serviço Militar Inicial, no município sede do TG, dos convocados não incorporados em Organização Militar da Ativa (OMA), de molde a atender à instrução, conciliando o trabalho e o estudo do cidadão.

Além de propiciar a prestação do serviço militar inicial, os TG devem:

I - contribuir para estimular a interiorização e evitar o êxodo rural;

II - constituir-se em polos difusores do civismo, da cidadania e do patriotismo;

III - colaborar em atividades complementares, mediante convênio com órgãos federais, estaduais e municipais, no funcionamento de ensino profissionalizante em suas dependências e na utilização das mesmas em práticas cívicas, esportivas e sociais, em benefício da comunidade local e,

IV - mediante autorização dos Comandantes Militares de Área: a) atuar na Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e na Defesa Territorial b) participar na Defesa Civil e c) colaborar em projetos de Ação Comunitária. Objetivos dos TGs A instrução dos TGs deve ter por objetivo a preparação de:

I - munícipes conhecedores dos problemas locais, interessados nas aspirações e realizações de sua comunidade, e cidadãos integrados à realidade nacional.

II - reservistas de 2ª Categoria (Combatente Básico de Força Territorial), aptos a desempenharem tarefas limitadas, na paz e na guerra, nos quadros de Defesa Territorial, GLO, Defesa Civil e Ação Comunitária.
III - líderes democratas, atentos aos ideais da nacionalidade brasileira e à defesa do Estado Democrático de Direito.

A patriótica iniciativa de Antônio Carlos Lopes lhe valeu o título de Coronel Honorário do Exército e a construção em Porto Alegre, por iniciativa dos Tiros de Guerra nº 4 e nº 318 e, em Rio Grande, sua terra natal, e do Tiro de Guerra nº 1, duas hermas para perpetuar a sua memória na gratidão nacional.

Monumento ao Primeiro Tiro de Guerra, 1937
Placa de inauguração do monumento





Fontes:

BENTO, Cláudio Moreira. Serviço Militar Obrigatório no Brasil – sua implantação através do 1º Sorteio Militar. A Defesa Nacional nº 729, jan/fev 1987 p. 120-138, com 14 ilustrações. (pesquisa básica sobre o assunto).

ESTADO MAIOR DO EXÉRCITO. História do Exército Brasileiro–perfil militar de um povo, Rio de Janeiro: Sergraf IBGG, 1972.v.2 .p.801/813 (Contribuição do Exército aos 150 anos da Independência do Brasil de cuja coordenação o autor participou como adjunto do Presidente da Comissão de História do Exército Cel. Francisco Ruas Santos).

SOUZA, Álvaro Tavares de. Antônio Carlos Lopes – criador do Tiro de Guerra Brasileiro. O Rio Grande, Rio Grande, 4 nov 1979.

Cláudio Moreira Bento