Bem Vindo

- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida da Cidade de Porto Alegre inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

Dividir estas informações e aceitar as críticas é uma dádiva para o pesquisador.

- Este Blog esta sempre em crescimento entre o Jornalismo, Causos e a História.

Haverá provavelmente falhas e omissões, naturais num trabalho tão restrito.

- Qualquer texto, informação, imagem colocada indevidamente (sem o devido crédito), dúvida ou inconsistência na informação, por favor, comunique, e, aproveito para pedir desculpas pela omissão ou inconvenientes.

(Consulte a relação bibliográfica e iconográfica)

- Quer saber mais sobre determinado tema, consulte a lista de assuntos desmembrados, no arquivo do Blog, alguma coisa você vai achar.

A Fala, a Escrita, os Sinais, o Livro, o Blog é uma troca, Contribua com idéias.

- Em História, não podemos gerar Dogmas que gerem Heresias e Blasfêmias e nos façam Intransigentes.

- Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações de Porto Alegre.

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena. - Bom Passeio.

Me escreva:

jpmcomenta@gmail.com






sexta-feira, 26 de abril de 2013


O Bonde da História
* Rio de Janeiro 1859 – Porto Alegre 1864/1970 – Santos 1971*

Bonde em Porto Alegre - Outros Modais
Bonde Elétrico Imperial ou Chopp Duplo - 1908
No Brasil só Porto Alegre possuiu
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Mundo:
América do Norte – Washington*Nova York*Chicago*Seattle*Toronto*Montreal*
Europa - Paris*Londres*Madrid*Moscou*
África - Cairo*Pretória*
Ásia - Tókio*Hong Kong*Shanghai*Délhi*
Oceania - Camberra*Wellington*
América Central - México*Panamá*
América do Sul - Buenos Aires*Caracas*Bogotá*
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Brasil:
Salvador*Rio de Janeiro*Recife*São Paulo*Belo Horizonte*Manaus*Santos*
Rio Grande*Pelotas*
Porto Alegre*

“Acabaram-se os bondes amarelos…
frase me saiu em decassílabo, viste?
E o metro clássico já faz adivinhar um soneto.
Ficou neste verso único.
E deixo o bonde depositado em meu ferro-velho sentimental.
Aqui. Parado. Sonhando. Quem sabe se um dia…”
                                                                          Mario Quintana
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O Bonde Amarelo

Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul situa-se no Delta as margens do Lago Guaíba na ponta norte da Lagoa dos Patos, uma gigante baía dentro do continente com cerca de 200 km de comprimento e 60 km de largura.

- A população da cidade passou de 50.000 em 1800, 100.000 em 1900, para mais de 1.5 milhões em 2000, e o transporte público teve que se aprimorar no passar dos anos, acompanhando este crescimento populacional.

- Por fim seus bondes amarelos, que também foram pretos e vermelhos se foram para sempre. – Será!

Século XIX - 1800
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Bonde a Burro – Trilhos de Madeira

- Porto Alegre sempre foi um Porto próspero, e dois comerciantes locais, o brasileiro chamado Estácio da Cunha Bittencourt e o francês chamado Emílio Gengebre, abriram uma linha de bondes de tração animal, puxados por mulas.

- A Linha Menino Deus foi a “segunda estrada de ferro urbana no Brasil”, precedida somente pela linha da Tijuca no Rio de Janeiro, capital do Império, que foi aberta em 1859.

Em 01 de novembro de 1864, foram iniciadas as obras de colocação dos trilhos de madeira.

Em 1865, foi inaugurado o serviço, a qual foi aberta a linha entre a foz do Riacho junto ao Guaíba, próximo ao Centro da cidade e o Arraial do Menino Deus.

- Os pequenos veículos de tração animal corriam em trilhos de madeira, e tendiam a descarrilar quando chovia. Este veículo a vapor que puxava um carro de passageiros e que fracassou pela lentidão, enguiços e ruídos. O povo apelidou os veículos de "Maxambombas", que era como o carioca chamava sua máquina a vapor, mas aqui em Porto Alegre tem se a certeza que estes veículos utilizavam tração animal, como os bondes que o sucederam.  

Não se tem conhecimento de nenhum registro fotográfico conhecido da Maxambomba.

Em 1866, na edição do jornal satírico "O Século" foi publicada a charge da Maxambomba, no qual o chargista Miguel de Verna satiriza  dizendo que:


"É preciso ser marinheiro de longo curso para não deitar carga ao mar", numa clara alusão aos sacolejos e ao desconforto que os passageiros eram submetidos durante as viagens naquele veículo.


Na fotografia, aparecem os trilhos que serviram a Maxambomba. Eram de madeira e muito irregulares como se pode observar na imagem. Ao fundo a Igreja do Menino Deus.
Fotografia: 1880
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Bonde a Burro – Trilhos de Ferro

Em 1872, no ano do primeiro Centenário de Porto Alegre, a cidade recebeu um grande presente do Governo Imperial, é autorizada a instalação de uma empresa ferro carril.
Na época Porto Alegre tinha 44 mil habitantes e 6 mil moradias.

- A nova empresa adotou o sistema inglês da Bond and Share (origem da palavra “bonde” no Brasil).

Em 19 de junho de 1872, é fundada por Decreto Imperial, de S.M.I. D. Pedro II, a nova companhia, Carris de Ferro Porto-Alegrense - CFPA, que adquiriu bondes novos de John Stephenson em Nova Iorque, EUA.

- Sete meses de obras para instalação dos trilhos, instalou novos trilhos de ferro com medidas em metro ao longo do mesmo percurso da linha anterior com trilhos em madeira.

Em 04 de janeiro de 1873, é inaugurada a linha Menino Deus, um bonde puxado não por burros, mas como a ocasião pedia por uma garbosa parelha de cavalos brancos que conduziu autoridades civis, militares e religiosas desde a Praça da Argentina, junto ao Caminho da Várzea (atual Avenida João Pessoa) no Centro, até o Arraial do Menino Deus, que se ornamentou e as pessoas aplaudiram a passagem do veículo e das autoridades.

- Foi a primeira viagem em bonde da Cia. Carris que começou a transportar os porto-alegrenses, início de uma “Era Histórica na Capital”.

- Embora fossem carros relativamente leves, abertos nas laterais, a dupla de animais precisava de reforço nas subidas.

- Outra parelha ficava no pé das ladeiras, ajudava a puxar o bonde até o topo e depois era levada de volta ao ponto de espera.

- Era comum, os passageiros descerem para ajudar os muares, condutores mal preparados ou mulas teimosas.

- Os bondes tinham apelidos, o sem toldo era o “Vagabundo”, outro era o “Guaíba”, por ser grande.

Em 1873, aconteceu uma das maiores enchentes da história da cidade e interrompeu a linha por meses.

- O primeiro depósito de bondes de Porto Alegre Companhia Carris de Ferro Portoalegrense foi construído no Caminho da Várzea (Avenida João Pessoa), quase esquina com a 1º de Março (atual Sarmento Leite), com três arcos de entrada, para a passagem dos bondes, foi construída a garagem e oficinas em um terreno quase na esquina da João Pessoa com a 1º de Março (atual Sarmento Leite).


 - O edifício garagem que aparece na fotografia foi preservado quando ocorreram as duas ampliações:
- A primeira, em 1908, quando se formou a Companhia Força e Luz;
- A segunda, em 1928, quando o sistema de bondes em Porto Alegre passou ao comando da Bond and Share.

Fotografia tomada em 1873, mostra as primeiras viagens dos bondes puxados por burros no bonde da linha Menino Deus.
A fotografia é do Estúdio Ferrari

Em 1874, novos percursos foram abertos, um saindo do Mercado Público e outro da Igreja da Matriz, passando pela Várzea (atual Parque Farroupilha), neste ano ficaram prontas as ligações entre a Várzea e o Cemitério da Azenha e entre o Mercado e a atual Avenida São Pedro na Floresta.

- Nesta época eram transportados 40 mil passageiros por mês.

Em 1875, os proprietários da empresa entraram em confronto com a autoridade municipal, exigindo aumento de tarifa acima do estabelecido.

- Mas perderam a briga.

Durante os anos 1880, uma terceira companhia foi criada, Carris Urbanos de Porto Alegre - CUPA, instalou trilhos com medidas padrão de 1.435 mm e abriu novas rotas de bonde em outras partes da cidade.

The lithograph below shows a tram passing a German trade fair in 1881 (col. Metropolitan Museum of Art, New York)

Nas duas fotografias acima, tomadas no final do século XIX por Virgilio Calegari, podemos observar o fim da linha de bondes do Menino Deus. Em ambas, aparece a velha igrejinha e os trilhos da parte final do percurso que iniciava na Várzea.
Foi a primeira linha de bondes de Porto Alegre.

Nota:
- Quando da implantação dos bondes elétricos o fim da linha foi extendido e passou a ser a esquina da José de Alencar com a Avenida Praia de Belas.

- A linha Cemitério foi uma das mais antigas implantadas pela Companhia de Carris de Ferro Portoalegrense.
O bondinho subia a rua do Cemitério (Oscar Pereira) e chegava nas proximidades do Cemitério da Santa Casa cujos muros brancos aparecem ao fundo na fotografia (1890 aprox.). A linha era a mesma do Partenon, mas tinha um desvio para o cemitério.

Em 1888, no mapa é possível observar as linhas operadas pela Companhia Carris de Ferro Portoalegrense. Na linha pontilhada aparece a antiga linha da Maxambomba.

Retirado e Modificado do Livro: Cento e Onze Anos de Transporte - Sec. dos Transportes - 1976

Em 1893, a concorrência se instalou, com a instalação da CUPA, quem ganhou foi a cidade, abriram-se várias linhas novas, que serviram os atuais Moinhos de Vento, Floresta, Partenon (onde o Hospício São Pedro existia desde 1884), Bom Fim, Santana e São João.

Nota:
- Muitas das primeiras linhas atendiam interesse dos loteadores, a associação entre a companhia de bondes e os proprietários de terras não demorou a acontecer, tem o caso de Manoel Py, então dirigente da Companhia Carris de Ferro, direcionava os trilhos para essas áreas, que logo se transformariam em loteamentos.
Doava terras para a abertura de ruas, em seguida mobilizava recursos para que fossem instalados os trilhos, assim foi com a Medianeira, Navegantes, Glória e São João.

Em 15 de janeiro de 1893, o presidente do estado (governador) Julio de Castilhos acompanhado do intendente (prefeito) José Montaury de Aguiar Leitão, inaugura as operações da Companhia de Bondes Carris Urbanos.


Em 1895, os pontos de partida das linhas, conforme:

- As duas fotografias acima mostram o local de partidas dos bondes em frente à Praça da Alfandega.

- O outro local era a parte fronteira à Capela do Divino ao lado da Igreja Matriz. Observar que na fotografia de baixo é possível ver as duas bitolas de trilhos utilizadas. Os trilhos que aparecem a esquerda (bitola de 1,4m) são mais largos do que os da direita (bitola de 1m). Observar também que o bonde que aparece à esquerda (da Companhia de Bondes Carris Urbanos) é bem mais largo do que o que aparece à direita (da Companhia Carris de Ferro Portoalegrense).
Fotografias: Irmãos Ferrari - 1885

Em 1895, Manoel Py, cedeu espaços ao poder público para o prolongamento da atual Avenida Franklin Roosevelt e para a abertura de praça e ruas, como Pernambuco, Ceará, Bahia, Paraná, Amazonas e outras. Lucrou loteando os terrenos ao longo de suas vias.

cel. Manoel Py - 1920

Em 1896, No mapa de baixo podemos observar o traçado das linhas das duas companhias e os locais onde chegavam os bondes de tração animal
Retirado e Modificado do Livro: Cento e Onze Anos de Transporte - Sec. dos Transportes - 1976

Os bondes saiam da Rua dos Andradas, em frente a Praça da Alfandega, faziam o contorno pela sete de setembro passando em frente ao Mercado Público e seguiam para o Caminho Novo.
Na fotografia acima um deles passa em frente à Doca ao lado do Mercado.

Na fotografia abaixo aparece em detalhe o bonde da foto de cima.
Fotografia: Irmãos Ferrari - 1895

nNo final do século XIX, Na fotografia acima podemos ver o bondinho iniciando seu trajeto pela Voluntários da Pátria em direção ao Arraial de Navegantes.

Na fotografia abaixo o bondinho já passando pela Voluntários da Pátria  nas proximidades da Rua Ramiro Barcellos.

Até 1899, novas linhas foram instaladas para a Glória e Teresópolis.

Século XX – 1900
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Bonde Elétrico

Este cartão postal mostra o bonde de medidas padrão (esquerda) e os bondes de medidas em metro (direita) na Rua dos Andradas por volta de 1900

Na fotografia acima ele passa na Rua Duque de Caxias quase na esquina com a Marechal Floriano depois de sair do ponto de partida em frente a Capela do Divino.

Na fotografia de baixo ele passa na Pantaleão Telles (atual Washington Luis) para contornar a península e ir ao centro da cidade na Praça da Alfandega.
Fotografias: Irmãos Ferrari - 1900

Em 24 de janeiro de 1906, a Companhia de Carris de Ferro Porto-Alegrense - CFPA e a Companhia de Carris Urbanos de Porto Alegre – CUPA, se fundiram e formaram a nova Companhia Força e Luz Porto-Alegrense - CFLPA, que mais tarde passou a operar todas as rotas de bonde e serviços elétricos na cidade.
A CFLPA começou a eletrificação do sistema de bondes, estabelecendo medidas padrão de 1.435 mm, bitola.

Em 22 de agosto de 1906, foi encomendado 37 bondes elétricos da United Electric Co. em Preston, Inglaterra. (United Electric foi renomeada em 1918 e se associou com a Dick, Kerr & Co.), foram numerados de 1 a 37.

A fotografia abaixo, tirada na Inglaterra antes que embarcassem para o Brasil, mostra um dos 35 carros de 8 bancos, que foi numerado de 1 a 3.

- Os bondes 36 e 37 eram de dois andares, com 8 bancos no primeiro andar e mais 7 colunas de assentos no teto.

Esta foto do nº 36 foi tirada na Inglaterra

- A cidade de Porto Alegre foi a única do Brasil a utilizar bondes de dois andares, apelidados de “Imperiais”, também conhecido pela população como “Chopp Duplo”. Eles serviram durante poucos anos, pois não tiveram boa aceitação, mas faziam sucesso.

Em 10 de março de 1908, inaugura o Sistema Eletrificado Ferro Carril, os bondes 36 e 37 de dois andares, inauguram a linha de bondes elétricos em Porto Alegre.

- A viagem inaugural do Imperial foi no fim da tarde no bonde 37 (Venâncio Aires) saiu do Caminho da Várzea (Avenida João Pessoa) até a Rua Luis de Camões no Partenon.

O Cartão postal abaixo mostra a mesma esquina da Rua dos Andradas que a terceira imagem acima, mas após a eletrificação.
O segundo andar do bonde de dois andares foi coberto. Um bonde de um andar se aproxima à distância

- Os bondes elétricos de Porto Alegre tiveram boa acolhida por parte do público, pois diminuíram o tempo das viagens, e aumentou o número de viagens aos seus destinos.
As linhas iniciais eletrificadas, foram:
- Menino Deus, Partenon, Glória e Teresópolis.

Este cartão postal mostra um dos bondes de um andar na Rua Voluntários da Pátria

Em 1914, circulou o último bonde de tração animal, que atuavam desde o dia seguinte à viagem inaugural, os burros e as mulas pegaram no pesado, por mais de 60 anos.

Entre 1909 e 1920, a United Electric enviou para CFLPA mais dois bondes de dois andares, numerados 38 e 39, oito bondes pequenos e abertos, numerados de 40 a 47, e quarenta bondes fechados, numerados de 48 a 87.

Uma foto tirada pelo construtor do bonde 67 do último grupo

Em 1920, as linhas existentes eram:
- Menino Deus, Partenon, Glória, Teresópolis, Moinhos de Vento, Navegantes e São João.

Bonde na Rua Marechal Floriano - Porto Alegre - 1920

Nos anos de 1920, os bondes abertos foram fechados e os quatro bondes de dois andares foram transformados em bondes com um andar.

O bonde 70, abaixo, em 1957 é da série 48-87 da United Electric mostrada no bonde 67 acima. O "T" identifica a linha TERESÓPOLIS

Outra foto do bonde 70 da United Electric na linha TERESÓPOLIS

Nos anos 1920, circularam os bondes elétricos com reboque, os reboques eram na verdade antigos veículos de tração animal convertidos para esta nova função. Os reboques eram chamados de "Operários", por conta de sua tarifa mais baixa, mas o povo os apelidou de "Caradura".

Vemos duas composições de bondes elétricos com reboque cruzando na Rua Voluntários da Pátria, em Porto Alegre, nos anos 1920

Bonde com reboque na Rua 7 de Setembro - Porto Alegre – 1920

Vemos na imagem um bonde elétrico com reboque trafegar pelo Largo Montevidéu, em Porto Alegre, no ano de 1920

Em 1925, a CFLPA encomendou dez bondes fechados da Ateliers de Construction Energie em Marcinelle, Bélgica: - cinco de vagão único, numerados de 88 a 92, e cinco de vagão duplo, numerados de 101 a 105.

Em 1926, o Governo Brasileiro dissolveu a Companhia Força e Luz de Porto Alegre e formou companhias separadas para transporte e serviços:
- A nova operadora do serviço de transporte por bondes era a Companhia Carris Porto-Alegrense - CCPA.

Em 13 de novembro de 1928, a CCPA foi adquirida pelo conglomerado americano, Electric Bond & Share, criando a Companhia Carris Porto-Alegrense/ Electric Bond & Share – CCPA/ EBS,

- A empresa prestadora do serviço, a Companhia de Carris Porto Alegrense/ Electric Bond & Share, iniciou um programa de modernização da frota, com a aquisição, a partir de 1928, de veículos de diversos fabricantes.

Em 31 de dezembro de 1928, a nova CCPA/EBS encomendou 20 bondes de vagão de eixo duplo da J. G. Brill na Filadélfia, EUA, que foram numerados de 106 a 125 em Porto Alegre.

Bonde Brill 117 da sua série, levemente modificado, fotografado na Av. João Pessoa em 1957. Na placa de identificação lê-se MENINO DEUS

Em 1929, a CCPA/EBS comprou 32 bondes "Birney" de segunda mão da cidade de Baltimore, EUA, que foram numerados de 126 a 157, e oito do mesmo tipo da Eastern Massachusetts Street Railway, perto de Boston, EUA, que foram numerados de 158 a 165. Todos haviam sido construídos pela Brill no início dos anos de 1920.

Em 1933, a CCPA construiu 10 carros "Birney" por si própria, os chamou de Millers e os numerou de 166 a 175.

Em 1934, adquiriram 20 bondes de segunda mão da Richmond Railways, em Staten Island, Nova Iorque, EUA, que haviam sido construídos pela Osgood-Bradley em Massachusetts nos anos de 1920. Eles sofreram bastantes reformas em Porto Alegre e foram numerados em uma nova série de 1 a 20, para substituição.

Nesta foto de 1957 é possível ver o bonde Staten Island 12 com cores bem diferentes. Este bonde está designado para a AUXILIADORA.

Em 1935, houve a mudança de mão de circulação, pois os bondes trafegavam na mão esquerda, por conta da influência dos ingleses, que implantaram o serviço de bondes elétricos.

Em 1936, a CCPA comprou mais 20 bondes da Eastern Massachusetts Street Railway, construídos em 1923 pela Kuhlman, que foram numerados de 21 a 40.

Em 1937, eles juntaram 14 Baltimore Birneys, foram construídos sete bondes de lado curvo e eixo duplo, que foram apelidados de "Texanos" e numerados de 41 a 47.
O número 47 é designado DOM PEDRO II.

No ano de 1940, trouxe consigo quatro bondes grandes de York, Pensilvânia, EUA. Três unidades principais construídos pela Brill foram numeradas de 176 a 178, depois de 101 a 103; um "Eletromóvel" construído Osgood-Bradley foi numerado 179, e depois 100.

O bonde Brill 102, ex-177, fotografado na Av. Protásio Alves, perto do fim da linha PETRÓPOLIS

Em 1940, também chegaram doze bondes de 12 janelas que da Perley Thomas Car Works em High Point, Carolina do Norte, EUA, construiu para a cidade de Miami em 1925. Eles foram numerados de 180 a 191 em Porto Alegre, e depois renumerados de 88 a 99.

Uma foto do ex-bonde de Miami, número 98 em Porto Alegre, designado AZENHA

Em 1946, mais 25 bondes de eixo duplo, construídos pela Osgood-Bradley, em 1927 para a Worcester Street Railway em Massachusetts, EUA, foram enviados para Porto Alegre. Sua nova numeração em Porto Alegre foi de 126 a 150.

Ex-bonde da Worcester, número 137 em Porto Alegre, fotografado em 1957

Com os 130 bondes Americanos,
89 Ingleses e
10 da Bélgica,
e suas adaptações realizadas nas oficinas da Cia. Carris.

- Com o programa de importação de veículos pela Eletric Bond & Share, tornaria Porto Alegre a Meca para entusiastas de Bondes Norte Americanos nos anos de 1950 e 1960, um verdadeiro Museu a céu aberto.

Um ticket da CCPA – "válido até 1968":

Ficha da CCPA:

Na década de 1950, a concorrência dos ônibus e lotações com os bondes começava a se intensificar.

Em 1950, haviam os veículos fechado do tipo de dois trucks, que foi adquirido pela administração norte-americana com a finalidade de modernização da frota.

A imagem mostra um bonde da Cia. de Carris Porto Alegrense trafegando pela Av. Borges de Medeiros, em Porto Alegre, em 1950.

Mercado Público - 1951

Em 29 de novembro de 1953, foi aprovada na Câmara Municipal de Porto Alegre a encampação pela Prefeitura de Porto Alegre do controle acionário da empresa americana CCPA/ Electric Bond & Share.

Em 19 de fevereiro de 1954, os americanos retornaram a operar no transporte da cidade. O novo Departamento Autônomo de Transportes Coletivos – DATC.

Nota:
- Informou que até 1961, 89 milhões de passageiros foram transportados pelos bondes em 105 Anos do sistema.

A imagem mostra um bonde Brill Birney (1928), da DATC, linha Navegantes.
Parado em frente à Escola Normal 1º de Maio, em Porto Alegre – 1963

A imagem mostra um bonde Brill (1928) da DATC, linha Auxiliadora - 1963. Está na Praça 15 de Novembro
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Trolleybus

No dia 07 de dezembro de 1963, o DATC decidiu substituir o transporte sobre trilhos por ônibus (pois os bondes eram considerados muito lentos) e inaugurou a linha Trolleybus, cinco unidades Massari deslocaram-se entre o Gasômetro e o Menino Deus, pelas ruas onde os bondes de tração animal originaram as linhas de bonde 102 anos antes.


- Planejava-se instalar 100, mas foram comprados 9, sendo quatro usados. Entre os investimentos, era necessário readaptar a voltagem das redes dos bondes.

Vemos na imagem um bonde Brill (1928) da DATC, linha Partenon - 1968

A imagem mostra um bonde Perley Thomas (anos 30 e 40) da DATC,  linha Azenha - 1968.

Em 1969, a linha instalada do Trolleybus foi encerrada.
Os trólebus acabaram vendidos para a cidade de Araraquara, São Paulo.

Rua Riachuelo - 1969
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O Grande Erro
A Mudança de Modal

O Passeio da Saudade

- Exceto pela cidade de Santos, SP, em 1971, Porto Alegre foi o último grande sistema de bondes a encerrar as atividades no Brasil.

Assim, Porto Alegre foi a segunda a instalar o sistema de Bondes no Brasil e a penúltima a encerrar a atividade.

Em 08 de março de 1970, 62 anos depois da inauguração do primeiro bonde elétrico, o Prefeito Telmo Thompson Flores, jornalistas e convidados percorreram as linhas Partenon, Glória e Teresópolis.

- Naquele dia, os passageiros não pagaram passagem, o DATC utilizou o último bonde o número 113 em Porto Alegre.

Em 1970, logo após a desativação do sistema de bondes de Porto Alegre, aparece a garagem e oficinas da Companhia Carris Portoalegrense na esquina da Sarmento Leite com João Pessoa. A seta vermelha está indicando o módulo original construído em 1873.

Em 09 de março de 1970, começou o trabalho de retirada da rede, dos trilhos ou sua cobertura com asfalto.

- Foi uma morte anunciada, pois nos anos 1950, os ônibus transportavam mais e mais passageiros. As distâncias ficaram maiores com a expansão e desenvolvimento da cidade e os bondes muito lentos, foram ficando para trás.

- A maior parte da frota de bondes foi destruída, mas o DATC guardou o modelo Texano número 46 e vários modelos Brills, incluindo o 113 e o 123.

Em 1970, o bonde número 113 o último a operar, encontra-se agora no Museu Joaquim José Felizardo, na Rua João Alfredo, em Porto Alegre.

- O número 123 está atualmente na recepção do escritório da Cia. Carris Porto-Alegrense na Rua Albion.

Outros Sistemas
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Aeromóvel

No dia 11 de abril de 1982, o primeiro trecho de 0.6 km em estrutura elevada, do nada convencional Aeromóvel de Porto Alegre (tipo de VLT), operado pela Coester, começou a transportar passageiros, em nível experimental pela Av. Loureiro da Silva, contendo duas estações, partindo da Estação Gasômetro até a Estação Loureiro da Silva junto ao prédio da Receita Federal.
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Trem Metropolitano

Em 04 de março de 1985, os primeiros 27 km do Metrô de superfície, operado pela Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. - Trensurb, foram inaugurados. As medidas são de 1.600 mm e os trens foram construídos pela Nippon Sharyo, no Japão.
São 6 estações em Porto Alegre:
Estação Central Mercado,
Estação Rodoviária,
Estação São Pedro,
Estação Farrapos,
Estação Aeroporto,
Estação Anchieta.

- A linha foi estendida e está em operação nos dias de hoje, atende Porto Alegre e outros 5 municípios da Região Metropolitana diretamente.

Durante os anos de 1990, o bonde número 123 foi colocado na Praça XV de Novembro, no Largo Glênio Peres, sobre trilhos ali instalados, como lembrança do passado recente, depois foi retirado.

A fotografia abaixo foi tirada em Julho de 1994. Um pedaço do trilho permaneceu, mas a fiação aérea foi retirada há muito tempo atrás.

Século XXI - 2000
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Bonde Histórico

Em maio de 2003, a Trensurb, o Ministério das Cidades, a Prefeitura de Porto Alegre, a Carris, a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e a Associação Cultural Amigos do Bonde firmaram convênio visando realizar estudos e projetos para viabilizar a implantação do Projeto “Bonde Histórico de Porto Alegre”.

A fotografia abaixo, de dois Brills não identificados e do Texano 46, foi tirada em Outubro de 2006, em um parque perto de Gravataí, 30 km a leste de Porto Alegre

Projeto Bonde Histórico – a Trensurb trabalha para trazer de volta o charme dos bondes para a capital dos gaúchos.

- Encampado pelo Projeto Monumenta, que prevê uma série de ações para revitalizar o centro cultural da capital gaúcha, a ação propõe reintroduzir o tradicional veículo, desativado em 1970, com uma rota que vai do Mercado Público até a Usina do Gasômetro, valorizando, assim, uma região de grande potencial turístico da cidade.

- Para captar estes recursos, a Associação Cultural Amigos do Bonde irá encaminhar uma solicitação de Apoio a Projetos, na modalidade de mecenato, junto ao Ministério da Cultura, assim que o projeto de engenharia e operacional estiver concluído pela Trensurb. Definindo os custos exatos do mesmo, à Trensurb, caberá a gestão do projeto.

Confira o traçado da via, a localização das estações de embarque/ desembarque e outras informações acessando o link abaixo:
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Curiosidades no Transporte:

“Ônibus”

Em 1926, o primeiro ônibus começou a circular em Porto Alegre.

“Bonde da Polícia”

Bonde norte-americano fabricado em 1927 e que pertenceu a Companhia Carris Porto-Alegrense foi reformado em agosto de 2007 pelo Departamento de Polícia de Trânsito do Rio Grande do Sul. O veículo que já transportou os habitantes de Nova York, de Boston e da capital gaúcha, agora serve de local para o atendimento das ocorrências criminais no trânsito de Porto Alegre.

"Choro composto em um bonde"

Em 1917, o músico Octavio Dutra (1884-1937) embarcou em um bonde da Cia. Carris em Porto Alegre sentiu-se inspirado e começou a rabiscar em uma folha de papel. Nascia, há 90 anos, o "Choro composto em um bonde”, que você escuta neste vídeo que mostra fotos antigas dos veículos elétricos da Carris na capital do Rio Grande do Sul. Músico exímio, compôs cerca de 500 canções, entre valsas, choros, polcas e outros ritmos. Recordista nacional de direitos autorais em gravações de discos no ano de 1915 formou um grupo, o Terror dos Facões, que é considerado um dos melhores da história do choro brasileiro.

“Carnaval no Bonde”

Na década de 1950 e 60 durante o período de carnaval, havia o Bonde do Carnaval, onde as pessoas fantasiadas que se deslocavam para os desfiles ou bailes, começavam a festa junto aos bondes. – Bons Tempos!

“Bondes Abandonados”

Estão espalhados por vários locais os ainda resistentes bondes ignorados em Porto Alegre.

Bonde + Aeromóvel + Portais da Cidade + VLT + Lotação +Táxi + Ciclovia + Metrô =
Cidade Perfeita
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Bonde Turístico
Corredor Cultural
Por Filipe Wells

O Ministério do Turismo assegurou R$ 400 mil para projeto de retomada do veículo Substituídos por outras formas de transporte coletivo em 1970, os bondes ganharam ontem um novo impulso para voltar às ruas da Capital.
O governo federal garantiu R$ 400 mil – de um total de mais de R$ 1 milhão – para o estudo de viabilidade da retomada do veículo como atração turística, prometida desde o começo dos anos 2000. O anúncio ocorreu durante encontro entre a Prefeitura e a Trensurb.
A idéia é de que seja criada uma linha de bonde elétrico que passe pelos principais pontos turísticos e culturais do Centro Histórico, como Praça XV, Mercado Público, MARGS, Memorial do RGS, Santander Cultural, Museu Hipólito da Costa, CCMQ, Área Militar, Igreja das Dores, Cais Mauá e Usina do Gasômetro.
Nas estações, deve haver quiosques com informações sobre as localidades visitadas e acerca da história deste meio de transporte em Porto Alegre.
Dois carros antigos devem ser restaurados para voltarem a circular em um trajeto de 3,3 mil metros de trilhos e via aérea simples.
Apesar de a promessa de retomada do bonde já ter cerca de uma década, foi só no final de 2009 que ganhou consistência. Isso porque a prefeitura pediu a inclusão da proposta no Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur).
– É um equipamento diferente. Remete ao passado, tem um aspecto lúdico – afirma o secretário municipal de Turismo, Luiz Fernando Moraes.
O superintendente de Desenvolvimento e Expansão da Trensurb, Humberto Kasper, cita Santos, no litoral paulista, como um exemplo em que a implantação teve sucesso.
– O bonde traz vida. As pessoas se deslocam muitas vezes só para andar nele – afirma. Além de avaliar o impacto da inserção do bonde, o estudo de viabilidade servirá como base do projeto de implantação da atração turística.
Ainda não há previsão de prazo para que o veículo retome as ruas.

Zero Hora.com
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O Bonde da Capital

“... E deixo o bonde depositado em meu ferro-velho sentimental.
Aqui. Parado.
Sonhando.
Quem sabe se um dia …”

Um dia o poeta Mario Quintana escreveu os versos que profetizavam o futuro.
Ainda não há uma data final, mas o projeto Bonde Histórico está nos trilhos e percorre um cronograma com marcos importantes previstos.

Passados 40 anos do dia 08 de março de 1970, quando os freios pararam as últimas rodas do último bonde em Porto Alegre, o retorno está delineado e abrange um plano maior de recuperação do centro da capital.

O antigo veículo elétrico, agora com as vestimentas de um plano turístico, é tratado na prefeitura como âncora do projeto Corredor Cultural, um dos tantos que fazem parte do programa Viva o Centro, área pela qual circulam mais de 400 mil pessoas por dia.

No caso do Corredor Cultural, base do trajeto de uma nova linha de bonde, é preciso mudar a cara das ruas e dos prédios. O que já foi bom ou é bom agora precisa ser realçado, ganhar consistência para atrair as pessoas. E tem muita coisa interessante. Só para citar três exemplos: a Casa de Cultura Mario Quintana, o MARGS e o Memorial do Rio Grande do Sul.
Alguém imagina quantos minutos ou horas dá para gastar nestes lugares sem sentir o tempo passar? Criar um ambiente agradável é imprescindível, e para se ter uma rápida idéia do que isso significa:
– A Rua Sete de Setembro, que já foi de cinema e de bancos, deverá ser bem redesenhada. A calçada será alargada para receber bares e restaurantes, e os proprietários de prédios serão estimulados a tornar as fachadas atraentes.

Faltam muitas respostas para o projeto, inclusive as técnicas. Como os porto-alegrenses do novo século reagirão ao bonde é uma das dúvidas.
Convidamos os escritores Moacyr Scliar e Luis Fernando Veríssimo para um exercício de imaginação sobre este velho futuro que se aproxima. Os dois apostam em soluções tecnológicas para problemas como, o ruído excessivo, um Veríssimo mordaz comenta: - a chance de se repetir hoje alguma cena glamourosa de tantas décadas atrás:

– “Glamourosa quem sabe, mas como Porto Alegre ainda tem muitas carroças, puxada a cavado, imagina-se que um acidente com um bonde e uma carroça será uma espécie de apoteose nostálgica”.

Sem ironias, a realidade é que por trás da nova paisagem ficará escondido um trabalho exaustivo de pesquisa sobre o que precisa ser feito nos leitos das ruas para implantar os trilhos, os melhores lugares para as estações do bonde, sinalizações especiais e sobre como será a convivência com automóveis e ônibus pelas ruas do percurso previsto.

Graças à verba de um convênio com a União, o projeto já está sendo tocado.
Se o bonde andar mesmo, daqui a algum tempo poderemos descobrir se Scliar tinha razão neste comentário:

– “Muitos romances devem ter nascido em bondes,
e nada impede que isso aconteça de novo…”

Zero Hora.com
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Provável Trajeto Bonde Turístico:

Saída do antigo Abrigo dos Bondes, seguindo pela Rua Sete de Setembro, Rua General Portinho, Rua dos Andradas e Rua General Salustiano onde será executado um terminal. O trajeto de volta passa pela Rua General Salustiano, Rua dos Andradas, Rua Vigário José Inácio e Avenida Otávio Rocha, novamente Praça XV de Novembro.

Diretrizes formuladas pelo Grupo de Trabalho do Programa Viva o Centro, composto pelas seguintes secretarias: SPM, SMAM, SMIC, SMC, SEASIS, EPTC e PGM.
Processo para captação do projeto executivo através de Lei Renout em andamento, com captação de recursos junto a estatais.

Investimento:
Custo estimado do projeto R$ 600.000,00
Custo estimado da obra: R$ 17.000.000,00
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Propostas:
Aproveitar o projeto de revitalização do Cais Mauá e integrá-lo com o Projeto Bonde Histórico.

Corredor Cultural ou Anel Cultural

O traçado do bonde vai até próximo à Usina do Gasômetro segundo o projeto. A partir daí pela minha proposta seguiria em direção ao caís, sendo interligado com os trilhos ainda existentes junto aos armazéns.

Daria para fazer também uma ligação entre o Cais Mauá e a Praça da Alfândega pela Avenida Sepúlveda, fazendo assim com que o trajeto seja circular.

Imaginem pegar o bonde no abrigo da Praça XV, passar em frente ao Mercado Público pelo Largo Glênio Peres, Prefeitura, Av. Sete de Setembro, entrar na Praça da Alfândega em frente ao Santander Cultural, em seguida o bonde dobra pela Av. Sepúlveda entre o Memorial do Rio Grande do Sul e o MARGS, indo em direção ao Pórtico Central do Cais Mauá, virando em direção ao Largo do Gasômetro (percorrendo os trilhos ainda existentes entre os armazéns e a Avenida Mauá, fazendo assim ainda mais jus ao nome Bonde Histórico.
O trajeto de volta seria o original do projeto, desde o Gasômetro pela Rua da Praia, descendo a Rua Vigário José Inácio e Av. Otávio Rocha, Abrigo de bondes da Praça XV.

Assim teria uma ótima integração de todo o projeto de revitalização do centro, "levando a Rua da Praia novamente à beira do Guaíba de bonde, via Cais Mauá.

Poderia ainda haver uma linha de bondes modernos (os VLT que vemos por varias cidades pela Europa) compartilhando a mesma via. Afinal apenas 2 bondes antigos serão reformados para circular nesse projeto.
O VLT iria cobrir a capacidade ociosa dessa linha, integrando-se com o Trensurb, o Portais da Cidade e a futura linha 2 do metrô - criando assim um interessante Multi-modal de Transporte Público no centro, completamente integrado com sua revitalização.

Ninguém Pensa,
Ninguém Planeja,
Ninguém Projeta,
Ninguém se Comunica,
Coloca uma idéia na cabeça, e pronto, é isto.
- Falta continuidade, visão e planejamento.

Faltou mencionar os Floristas, que fazem falta no entorno.

Falta o Charme!

Lembranças sobre os trilhos da Capital
Por Mario H. Miotto

- Mario morava no Bom Fim, próximo do Instituto de Educação. Utilizei bastante os bondes do Menino Deus, pois cursei o CPOR situado na encosta do morro Santa Tereza. A pé, por meio da Redenção, eu ia para a Rua da República e, por ela, até a Rua José do Patrocínio, onde tomava o bonde que iniciava a viagem no abrigo da Praça XV, atrás da Casa Guaspari.
O bonde subia a Av. Borges de Medeiros, passava sob o viaduto da Rua Duque de Caxias, dobrava à esquerda na Praça Gen. Daltro Filho e seguia pela Rua José do Patrocínio. Dobrava à direita na Rua da República até a Rua João Alfredo, pela qual chegava à Av. Getúlio Vargas, terminando seu percurso na José de Alencar, próximo da Av. Praia de Belas.

Em vias com canteiro central, como a Borges e a Getúlio Vargas, a linha do bonde era ao longo dos canteiros, e o embarque e desembarque eram pelo lado esquerdo do veículo, que não tinha portas. Nas demais vias, era pelo lado direito. Até o início dos anos 1950, os bondes eram o único meio de transporte coletivo em Porto Alegre, em função da exclusividade de que gozava a Companhia Carris Porto-Alegrense.
Nesse tempo, foi encontrada uma "brecha" que permitiu a operação de microônibus, sendo que no Menino Deus a empresa se denominava Trevo, que, posteriormente, como outras, passou a operar com ônibus.

Nos bondes, viajavam pessoas comuns, de humildes a bem vestidas, senhoras de bolsa e salto alto, gente chique mesmo. Os homens cediam lugar para as damas, e os jovens também cediam lugar para pessoas mais velhas. Coisas quase inimagináveis atualmente. O cobrador, uniformizado com roupa caqui, calça, casaco, camisa, gravata e quepe, percorria o bonde de um extremo ao outro. Nas paradas, ele saía de um extremo e entrava pelo outro. As cédulas, ele dobrava no comprimento e colocava no vão entre dois dedos de um das mãos. As moedas, muito comuns na época, eram acomodadas na outra mão, com os dedos unidos, formando quase uma concha, como uma pilha.
O cobrador andava, tendo que lembrar quem havia pagado e quem não, e fazia um movimento com as moedas que tilintavam, avisando aos passageiros, que ele estava chegando, para prepararem o dinheiro.

Companhia Carris Porto Alegrense

Em 2010, 137 anos da inauguração do sistema de bondes, fundada em 19 de junho de 1872.

Em 2008, também marcou outras comemorações importantes:
- No dia 15 de janeiro 1873, 115 anos do início da operação da Cia. Carris Urbanus.
- Em 1906, da fusão da Cia. Carris Urbanus com a Cia. Carris de Ferro, surgiu a Companhia Força e Luz, que teria o monopólio do transporte por bondes na Capital e seria responsável pelo fornecimento de energia elétrica.
- Em 1926, a empresa passa a receber o nome definitivo: Companhia Carris Porto-Alegrense.
- Em 10 de março 1908, 100 anos da primeira viagem de bonde elétrico de dois andares na Capital.
- No dia 18 de março, há 20 anos, o projeto Memória Carris teve início.
- No dia 31 de março, os 35 anos da inauguração da atual sede da companhia, na Rua Albion, bairro Partenon.
- Em 13 de novembro, há 80 anos, a Carris passou a ser administrada pela empresa norte-americana Electric Bond & Share, o controle acionário durou até 1953, nesta época foi um grande desenvolvimento no setor.
- Em 29 de novembro de 1953, foi aprovada na Câmara Municipal a encampação pela Prefeitura, há 55 anos.

Assista o vídeo institucional da Companhia Carris Porto-Alegrense, a mais antiga empresa de transporte coletivo do Brasil em atividade.

Fontes:
Jaime Muller
Sites
Blogs
MARIO HELVIO MIOTTO | Ex-morador do Bom Fim, secretário municipal de Trânsito e Transportes de Piracicaba (SP)
site www.portoalegre.rs.gov.br e livro Memória Carris - Crônica de uma História Partilhada com Porto Alegre, organizado por Cinara Santos da Silva e João Timotheo Esmerio Machado (1999)


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