Bem Vindo

- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida da Cidade de Porto Alegre inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

Dividir estas informações e aceitar as críticas é uma dádiva para o pesquisador.

- Este Blog esta sempre em crescimento entre o Jornalismo, Causos e a História.

Haverá provavelmente falhas e omissões, naturais num trabalho tão restrito.

- Qualquer texto, informação, imagem colocada indevidamente (sem o devido crédito), dúvida ou inconsistência na informação, por favor, comunique, e, aproveito para pedir desculpas pela omissão ou inconvenientes.

(Consulte a relação bibliográfica e iconográfica)

- Quer saber mais sobre determinado tema, consulte a lista de assuntos desmembrados, no arquivo do Blog, alguma coisa você vai achar.

A Fala, a Escrita, os Sinais, o Livro, o Blog é uma troca, Contribua com idéias.

- Em História, não podemos gerar Dogmas que gerem Heresias e Blasfêmias e nos façam Intransigentes.

- Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações de Porto Alegre.

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena. - Bom Passeio.

Me escreva:

jpmcomenta@gmail.com






sábado, 24 de março de 2012

Porto Alegre - Introdução (Em Montagem)


Visite Porto Alegre Antigo

Cronologia
Antepassados à 2020


Porto Alegre, capital gaúcha do Estado do Rio Grande do Sul, com seu clima subtropical úmido, é uma das cidades mais arborizadas do país, além de ter um pôr-do-sol considerado um dos mais lindos do mundo.

No dia 26, Porto Alegre, esta bela metrópole, nascida em 1740 e elevada em 1772, batizada com o nome de Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais, completou em 2015:
 243 Anos, sempre + 1 Ano
A cidade passou por lutas sangrentas para se firmar como capital de todos os Gaúchos.
Sua localização geográfica é igualmente elogiada, localizada no místico:  
Paralelo 30º”

Circundada por 40 morros e uma orla fluvial de 72 km, berço de gente famosa em todas as áreas, da Política, da Indústria e Tecnologia, terra do Grêmio e do Inter, intensa vida Cultural, dos domingos no Brique da Redenção, da origem do Churrasco em Família, e tema de muitos poemas de Mário Quintana,
Porto Alegre é demais...

Porto Alegre é um mosaico de múltiplas expressões, variadas faces e origens étnicas, religiosas e lingüísticas, uma cidade cosmopolita e multicultural, uma demonstração bem sucedida de diversidade e pluralidade, um raro espaço onde os contrastes e a diferença são bem acolhidos e sempre bem-vindos.
Aqui chegaram casais portugueses açorianos, ao longo dos séculos seguintes, acolheu imigrantes de todo mundo, em particular alemães, italianos, espanhóis, africanos, poloneses e libaneses, entre católicos, judeus, protestantes e muçulmanos.

- Assim é Porto Alegre por Natureza, terra de grandes escritores, intelectuais, artistas e políticos que marcaram a história do Brasil. A cidade, que é capaz de produzir e sediar eventos de grande porte, com expressão nacional e internacional, é também a capital que projetou do Estado do Rio Grande do Sul para o mundo, com grandes personalidades, esportistas e celebridades.

Portão de entrada de turistas no Estado, Porto Alegre está a apenas 120 quilômetros da aprazível Serra Gaúcha e a 80 quilômetros do Litoral.
Porto Alegre é um movimentado pólo de serviços e de infra-estrutura de qualidade reconhecidas, sistema hospitalar referência mundial e base de grandes empresas nacionais e internacionais a cidade é um dos principais destinos de eventos internacionais no Brasil.

Dedicado

               Meu País é o Brasil,
Minha República é o Rio Grande do Sul,
Minha Capital é Porto Alegre,
Mas minha Vida é o Universo e meu Destino a Deus pertence.

A todas as Vidas que vivi –
Aos Antepassados
Meu Pai  Silvio – Minha Mãe Iara
Meus Avôs 
Emma Bauer Pires
José Rodrigues Pines Neto
Jacob Muller
Antonieta Magdalena Muller
Minha Irmã Solange (a So) 
 Meu Sobrinho Thulyo
Tios e Primos
 Aos Amores 
Desamores
Meus Amigos
E Inimigos.

- A Você que não conheço; - até Agora.

A Urbi
A Querência
A Pátria e a Querência
A Pátria a Querência e a Semente
Brotam dentro de cada um de nós
De Mim
Figueira
As figueiras, também conhecidas como fícus, são plantas, geralmente árvores, do gênero Ficus, da família Moraceae, presente no mundo todo com exceção da Antártida.

Siga em frente, você chegará à história desta cidade

De Porto Alegre,
Do Rio Grande do Sul,
Do Brasil,
Do Mundo.
Respire e Viva este espaço que é
Porto Alegre.

Boa Viagem
Por todos os lados da cidade

- Antes do aparecimento da bússola, as cartas (mapas) incluíam uma Rosa-dos-Ventos, para ajudar a orientar o Leitor.

O Norte é tradicionalmente representado por uma flor de lis, enquanto o Leste é representado por uma cruz maltesa (indicando a direção de Jerusalém), a partir da Europa.

Norte: vento Boreas, Aquilo ou Tramontana
Nordeste: vento Caecias, Wuturus ou Greco
Leste: vento Eurus, Argestes ou Levante
Sudeste: vento Apeliotes, Phoenix ou Syroco
Sul: vento Notus, Austerus ou Ostro
Sudoeste: vento Libs ou Africus
Oeste: vento Zephyrus, Favonius ou Ponente
Noroeste: vento Corus, Circius ou Maestro

- Em pinceladas, esta obra abrange a região de Porto Alegre desde a Pré-História.
O enfoque dos temas, apresentados vai além dos pequenos acontecimentos da abordagem local, política e econômica explora também o campo social e cultural com sua inserção no contexto, estadual, nacional e mundial. A partir do resumo de apresentação, a obra está organizada cronologicamente e no final os dados gerais, com o objetivo de conhecer e facilitar a consulta.

- Viajar no tempo sem preconceito ajuda a entender a história como parte da vida das pessoas e destas em sociedade. Permite-nos refletir também sobre o que perdemos e ganhamos com o tempo e o nosso papel como seres históricos numa sociedade em permanente transformação:
-Ontem, Hoje e Sempre.
- Pois o que Hoje é realidade Amanhã é História.
Para entender o Hoje, é preciso voltar no tempo e olhar o Passado. Relacionar fatos e feitos do Homem e compreender a influência de cada um no curso civilizatório.
Lembrar, Ler, Analisar e Interpretar as informações é importante na tentativa da Verdade.

- Feliz em compartilhar estes fatos da história, como testemunha ocular em alguns, e grato por poder estar neste momento importante do Mundo passando por dois séculos (XX e XXI).

Von Müller

“... Todos nós nos encontramos verdadeiramente inseridos, na corrente da História, mas não para sofrê-la, não para nos deixarmos arrastar por ela, mas sim para dominá-la, para aplicá-la à salvação e não ao naufrágio do Mundo”.
Oração do Cardeal Rocalli
S.S. Papa João XXIII

“Temos fama de bairrista e arrogante. - Mas, Bhá! - Motivos não faltam.”
Von Müller

Em 2017, o Rio Grande do Sul é uma das 27 unidades federativas do Brasil.
Localizado na Região Sul, possui como limites:
Norte: - Estado de Santa Catarina,
Leste: - Oceano Atlântico,
Sul: - Uruguai,
Oeste: - Argentina.

Sua capital é aCidade de Porto Alegre”, as outras importantes cidades do estado são:
1. Porto Alegre: 1.436.123
2. Caxias do Sul: 410.166
3. Pelotas: 345.181
4. Canoas: 332.056
5. Gravataí: 269.446
6. Santa Maria: 268.969
7. Viamão: 260.740
8. Novo Hamburgo: 257.746
9. Alvorada: 213.894
10. São Leopoldo: 211.663
11. Rio Grande: 196.337
12. Passo Fundo: 187.507
(Fonte IBGE. 2012)

O Rio Grande do Sul é o estado mais meridional do país; em 2011, conta com o quarto maior PIB - superado apenas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro -, o quinto mais populoso e o quarto índice de desenvolvimento humano (IDH) mais elevado.
O estado possui papel marcante na história do Brasil, tendo sido palco da Guerra dos Farrapos (Revolução Farroupilha), a maior guerra civil do país, e o mais longo conflito armado das Américas.

Sua população é em grande parte formada por descendentes de índios, portugueses, alemães, italianos, africanos e asiáticos.
Em certas regiões do estado, como a Serra Gaúcha e a região rural da metade sul ou oeste, ainda é, possível ouvir dialetos da língua italiana (talian), do alemão (Hunsrückisch, Plattdeutsch) ou polonês.

Introdução
Apresentação
Estava sozinho nestas paragens, vendo a luz e a escuridão dia após dia, o nascer com o canto dos pássaros e o chegar da noite com o canto das corujas, a água a descer a calha colossal, algo aqui e acolá.
Eu não sabia; - mas iria ser grande,
Não estou mais só; - Nasci!

Bem Vindo a
Leal  e Valorosa

Cidade de
Porto Alegre
Antigo e
Estruturada

Terras do Além Mar

Aos Vassalos de Deus e d’El Rey de Portugal

A Capital do Estado mais Meridional do Brasil
Capitania d’El-Rey
Continente de São Pedro
Província de São Pedro do Rio Grande do Sul
Rio Grande de São Pedro do Sul
Estado do Rio Grande do Sul

Terra de Gigantes
Na extremidade de uma colina, vindos de leste, sob o paralelo 30 de latitude austral e 54°. de longitude ocidental do meridiano de Paris, eleva-se em anfiteatro, sobre uma encosta de perto de sessenta metros, a linda pequena cidade de Porto Alegre, cujos tetos róseos, pouco levantados e salientes, destacam-se admiravelmente, coroando casas brancas ou amarelas de uma arquitetura simples e graciosa.
(...) o pitoresco de uma cidade do Brasil cujo nome, certamente feliz, está longe de dar uma verdadeira idéia.
Isabelle, Arsène -1833

A natureza representativa, aquela que foi o chão de sua legenda épica, não esconde surpresas, não se fecha em mistérios, suas perspectivas são amplas, limpas e desimpedidas – luz de Deus por todos os lados, uma claridade que a própria noite, caindo devagarzinho, parece respeitar.
Tudo isto é Porto Alegre, dentro de cada um de nós.

Porto Alegre é - puro Glamour

- Ja é tempo de reconhecer que a compreensão e a avaliação do presente só são possíveis se forem resgatadas as condições históricas que deram origem à realidade atual. Esse processo de conhecimento do real – a História – indica-nos o modo através do qual os homens produzem, se organizam em estruturas de poder, se relacionam entre si e com a natureza, elaboram seus valores e crenças.
Nas palavras do historiador Jean Chesneaux:
- “O passado, próximo ou longínquo, tem sempre um sentido para nós. Ajuda-nos a compreender melhor a sociedade em que vivemos hoje, a saber, o que defender e preservar há saber também o que derrubar e destruir. A história e uma relação ativa com o passado.”

- Muito se escreve sobre a história de Porto Alegre, mas é inegável que ainda somos carentes de obras abrangentes sobre a formação e evolução das comunidades, da cidade, do pitoresco, seu estado, em seus aspectos sociais, urbanísticos, políticos, econômicos e ambientais. A carência é ainda maior quando se trata de trabalho de difusão do conhecimento histórico, da Cidade, no Estado, e seu contexto no cenário Nacional e Mundial, que transcendem os meios acadêmicos para alcançar camadas mais amplas da população, principalmente às novas gerações. (CEEE-1997)

- Um dos princípios que orientam as ações em Porto Alegre é o compromisso com a Qualidade de Vida, com a melhoria do bem-estar e das condições sócio-econômicas dos moradores através da Participação Popular diante da eterna busca da Felicidade com Sustentabilidade.
Conhecer a própria história é pressuposto básico para a cidadania, tem hoje no dado cultural um dos seus indicadores mais importantes.
Acredito que este trabalho de resgate esteja à altura da trajetória dos fundadores que buscaram pela Civilidade, preocupação com a Cultura e preservação do Meio Ambiente.

A evolução histórica da fundação de Porto Alegre ocorre em 5 períodos:
1) - A morada de nossos antepassados nativos da terra em toda a região.

2) - A penetração territorial anterior ao aparecimento de núcleo urbano, passagem de tropas e tropeiros com destino a Região do Rio da Prata – Laguna – Sorocaba – São Paulo.

3) - O período de ocupação militar, civil e econômica do Continente de São Pedro pelos sesmeiros e os primeiros povoados.

4) - O da formação do Porto dos Casais pelos Açorianos, vindo das Ilhas no Atlântico.

5) - A elevação, da já, Porto Alegre a capital da Capitania, graças à obstinação de José Marcelino de Figueiredo, comandante e estadista que mudou a capital de lugar, o nome da Freguesia e empregou dignidade ao minúsculo burgo dos açorianos.

No alvorecer do século XVII, o território do atual Estado do Rio Grande do Sul, constituía a denominada terra platinada de Espanha a Província do Tape, encravada como uma possante cunha no Vice-Reino do Prata, entre a Banda Oriental  ou Província do Uruguai, conhecida desde os primórdios da penetração européia e localizada à margem esquerda do volumoso caudal “Rio Uruguai”, e a Província de Ibiaçá ou do “Mbiaçá”, que vinha desde Santa Catarina, acompanhando em larga extensão a faixa litorânea.
Na imensidão territorial que as três grandes províncias então abrangiam, eram realmente os Índios os únicos habitantes e senhores absolutos de todos os domínios, conforme os diferentes grupos em que se distribuíam.

Porto Alegre

- No século XVIII, todas as linhas de penetração dos europeus e caminhos naturais conduziam ao insinuante promontório com seus bosques e densa floresta, animais, ao pé do qual se desenhava um porto natural, e muita água, neste imenso delta, em um território invadido e dividido entre Portugal e Espanha com nome de Capitania de Sant’Ana ou São Pedro, do lado português.
Os que vinham do noroeste, do lado espanhol, descendo das Missões pela calha do Rio Jacuy; os que chegavam do nordeste, deixando para trás a Vacaria dos Pinhais e os Campos de Cima da Serra, e também aqueles que haviam sobrepujado os ventos e os vastos areais do Caminho da Praia – podiam eles todos achar refresco e alento na enseada.

- Um “Porto” Seguro diante da natureza soberba que traçou uma inóspita costa gaúcha (litoral), mas com seu vasto mar interior, o Mar de Dentro (Lagoa ou Laguna dos Patos), coroado por um lago, a Lagoa de Viamão ou Rio de Viamão (Guaíba) cujos cinco rios formadores, que deságuam em frente ao promontório (Porto Alegre), o “Caí” (ou Caa-y “rio da mata” dos indígenas) sempre foi um dos mais importantes, um irmão líquido do “Gravatay” (rio dos gravatás), do “Taquary” (rio das taquaras), do “Jacuy” (rio dos jacus, chamado de Guaíba) e do “Itapuy” que virou “dos Sinos” (ou curaray) como mão aberta se revelaram largas estradas fluviais, fluindo para conduzir exploradores e viajantes aos mais remotos rincões espanhóis da Província de Tape e do português Continente de São Pedro  ou Capitania d’El Rey.
Os ondulados Campos de Viamão e as várzeas foram doados em sesmarias aos colonos desbravadores vindos de Laguna e São Paulo.
A região, conhecida como Campos de Viamão era uma extensão de Laguna (Santa Catarina).
Coube a Jerônimo de Ornellas Meneses de Vasconcelos o mais belo quinhão do Porto do Viamão, a sua “Sesmaria de Sant’Ana”.
A chegada dos Casais Açorianos vindos das ilhas do Atlântico aportando no Porto d’Ornellas (Porto do Viamão) e abandonados; - depois de muito Trabalho forjaram a Ferro e Fogo esta grande metrópole avessa a convenções, às vezes “Tímida” sempre Ousada – esta é a nossa, Porto Alegre.

- As cidades que no Brasil resultou do pioneirismo de alguns aventureiros, “por terra ou mar”, executando-se empreendimentos organizados pró-governos ou companhias particulares de colonização resultou do aparecimento do pequeno núcleo de povoamento inicial, que se transformou em um Arraial (povoado).
Este não foi o caso de Porto Alegre, uma vez que o local era somente ponto de parada em propriedade particular e não para implantar um arraial ou povoado.

Arraial
- As pequenas comunidades dispersas, sem estrutura administrativa, eram conhecidas por “Arraial”, tinham como equipamentos básicos: - “a capela, a carioca (bica d’água) e um pequeno comércio”.

-Porto Alegre, ao mesmo tempo, Metrópole e Provinciana.
A face cosmopolita se exibe nos altos dos espigões, amplas perimetrais e na respeitável infraestrutura.
Uma visão suburbana de terra natal se apresenta, porém, quando forasteiros se deparam com a provinciana, Porto Alegre, a grande capital com “gaúchos pilchados” ou com os moradores instalados em “cadeiras na calçada”, de “chimarrão em punho”, esquadrinhando o céu estrelado com uma “boa prosa” nas noites de Verão.

A capital do Estado do Rio Grande do Sul é Porto Alegre, cidade que faz parte do “Município de Porto Alegre”.
A palavra “capital” quer dizer “cabeça, líder, principal”.
- Portanto, significa cidade-cabeça, cidade líder, cidade principal.
É a cidade mais importante, porque nela está instalado o governo estadual, distribuídos em seus poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário), de onde partem as diretrizes gerais e onde são tomadas as decisões de interesse do estado.

No início do século XXI, Porto Alegre é o pólo ou município principal da Região Metropolitana (espaço formado por uma continuidade urbana), com curtos intervalos de terrenos desabitados entre eles.

Os 24 municípios (2010) da Região Metropolitana, que partiram do “município mãe” Porto Alegre desde 1810, possuem uma vida em comum, com assuntos e problemas a serem resolvidos em conjunto.

...História

José Marcellino de Figueiredo,
o Patrono



José Marcellino de Figueiredo
O Fundador de Porto Alegre

- O patrono de Porto Alegre é tão polêmico, que nem usava seu nome verdadeiro, que era dom Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, nascido em 1735, em Trás-os-Montes, Portugal.
Com 29 anos, o impetuoso capitão do Regimento de Voluntários Reais, em duelo trespassa com sua espada por motivo de honra o capitão escocês John Mac Donald, por problema amoroso e o mesmo havia insultado o Rei Dom José I de Portugal, em Faro capital de Algarves.
Para escapar a pena de morte, foge para ao Brasil com anuência do poderoso ministro português Marquês do Pombal, conforme carta enviada ao vice-rei em 1º de março de 1765:
“Ordena Sua Majestade que V. Exa. o admita em qualquer dos regimentos dessa Capitania, com o dito nome e posto, guardando-se segredo inviolável”.

- Solicita ao Vice-reino no Rio de Janeiro, para ser enviado ao fim do mundo, e o foi.
Assim com o nome José Marcellino de Figueiredo, comandou tropas reais e assume o cargo de governador da Capitania de São Pedro de Rio Grande duas vezes de 1769/1771 e 1773/1780, por méritos militares.
Ao tomar posse na Capitania em 1769, fez a declaração:

“- Capitão-general de Mar e Terra desta Capitania, pelo Continente do Rio Grande de São Pedro, para que o tenha, guarde e governe, ao dito Senhor recolherei no dito Continente, no alto e no baixo dele, de dia ou de noite, a pé ou a cavalo, há quaisquer hora ou tempo que seja irado ou pagado com poucos ou muitos, vindo em seu livre poder, e dele farei guerra, manterei tréguas e paz, segundo por S. Majestade ou V. Exa. Me for mandado e o dito Continente não entregarei a pessoa alguma”.

- Em 1780, ao entregar o governo para Sebastião da Veiga Cabral, José Marcellino de Figueiredo ou Dom Manuel de Sepúlveda retirou-se para o Rio de Janeiro.
Em 22 de novembro de 1783, voltou para Portugal, onde faleceu em 18 de abril de 1814, aos 84 anos.

Etimologia
Os Nomes de Porto Alegre
Versões


- Não há um consenso sobre a origem do nome de Porto Alegre.
Não se sabe ao certo como surgiu a expressão Porto Alegre na denominação da freguesia. Segundo o historiador Walter Spalding, Porto dos Casais passou a se denominar Porto Alegre por uma inspiração religiosa e patriótica portuguesa, escolhido por D. Frei Antônio do Desterro, que assinou o ato de criação da freguesia.
Na época, a cidade de “Portalegre”, em Portugal, se notabilizara na luta de fronteira entre portugueses e espanhóis, e por isso seu nome teria sido lembrado.
Há historiadores que afirmam, entretanto, que a origem do nome está na sua bela localização à margem do Guaíba e no encantamento dos morros que a cercam.
O correto é que o ex-coronel e futuro governador da Capitania José Marcellino de Figueiredo (cujo nome real era Dom Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda), tramando no Rio de Janeiro, capital do Brasil Colônia, teria se inspirado na cidade mítica “Portalegre” (uma só palavra) da região do Alto Além Tejo, em Portugal, marco da resistência nas lutas contra os hispânicos no século XIV. Mesmo não sendo desta região, o governador José Marcellino de Figueiredo quis homenagear a lendária resistência.
Portanto, o nome seria uma Homenagem Patriótica Portuguesa.

Em 1773, o padroeiro da freguesia deixou de ser São Francisco das Chagas e passou a ser Nossa Senhora Madre de Deus, em homenagem à santa de devoção do vice-rei do Brasil. Para contornar o problema criado pela mudança de padroeiro, foi sugerido que a cidade passasse a se chamar Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre.
Os moradores, açorianos em sua maioria, aceitaram, porque em Portugal existiria uma cidade com o nome de Portalegre, que havia sido destruída por um vulcão em 1720.

Porto do Viamão foi o primeiro nome de Porto Alegre, era só um ponto de passagem. Surgiu mediante o aproveitamento da Lagoa de Viamão (Lago Guaíba) como meio de comunicação local, ainda durante o período do Brasil Colônia, no início do povoado, como não existia um centro urbano bem definido, estancieiros aproveitaram o “Porto” como paragem entre os povoados de Rio Grande e Rio Pardo.

Porto do Viamão
(por volta de 1730)
Cristovão Pereira, auxiliado por Souza Faria, em 1727, abre a estrada do Rio da Prata as Minas Gerais, passando por Sorocaba na Capitania de São Paulo. A primeira sesmaria é oficialmente doada em 1732, ao Capitão Manuel Gonçalves Ribeiro, juiz de Laguna.
Diz-se que o capitão-mor de Paranaguá, Antonio Barbosa de Soto-Maior, em 1650, teria vindo ao Continente de Viamão, depois Campos de Viamão, designando a região das terras ao norte da atual Porto Alegre ao Rio Mampituba. Novas denominações aparecem. O fazendeiro Francisco Carvalho da Cunha, em 1742, consegue provisão eclesiástica para levantamento da Capela a Nossa Senhora da Conceição, em seus Campos de Viamão, distrito de Laguna, sítio Estância Grande.
O primeiro morador da atual Viamão foi o paulista Cosme da Silveira que serviu na tropa de Silva Paes, foi capataz na Estância Régia de Bojurú e fundador do povoado de Rio Pardo. Os estancieiros dos Campos de Viamão usaram a Laguna de Viamão (Lago Guaíba) como meio de comunicação com Rio Grande e Rio Pardo.

Porto d’Ornellas (Dorneles)
(por volta 1740)
Jerônimo de Ornellas Meneses de Vasconcelos nasceu na Villa de Santa Cruz na ilha da Madeira, faleceu em 27.09.1771 na Villa do Triunfo, casou-se em Guaratinguetá (São Paulo) com Lucrecia Leme Barbosa, com a qual teve 8 filhas. Jerônimo de Ornellas já era criador de gado em Rio Grande de São Pedro em 1730. Veio de São Paulo, casado e com 3 filhas. Esteve em Laguna, onde lhe nasceu à quarta filha, as outras nasceram em Viamão.
Em 1740, Ornellas recebeu a doação da sesmaria de Sant’Ana, onde se iniciou Porto Alegre, seu porto segundo Walter Spalding deveria ficar na foz do rio Jacareí (arroio Dilúvio).

Povoado do Porto de São Francisco dos Casais
(por volta de 1752)
Os casais açorianos constituíram uma das originalidades na crônica do povoamento do Brasil, uma vez que essa imigração de marido e mulher é de importância moral na formação das camadas demográficas e dão o toque de decência na organização familiar de ordem patriarcal. O arquipélago dos Açores com excesso de habitantes  foi alvo de providências da Corte Portuguesa em equilibrar o povoamento de outras partes do Império Português. Francisco Velho Oldenberg contratou o transporte de 4.000 casais açorianos. Sessenta casais foram arranchados no Porto de Viamão ou Porto do Dorneles, na sesmaria de Jerônimo de Ornellas, aguardando para subir rio acima até as Missões, destino final. O Porto do Dorneles logo passou a se chamar Porto dos Casais, ponto de passagem para as demais regiões da Capitania, onde os casais açorianos estavam acampados.

Freguesia de São Francisco das Chagas do Porto dos Casais
(1772)
Em 26 de março de 1772 o Porto dos Casais é elevado a Freguesia, tendo como padroeiro São Francisco.

Freguesia de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre
(1773)
Em 18 de janeiro de 1773, a Freguesia do Porto dos Casais passa a ter o nome de Porto Alegre, e, como padroeira Nossa Senhora Madre de Deus. Tudo mudou por intervenção de José Marcellino de Figueiredo, a sede do governo, o nome da freguesia e a sua devoção.

Villa de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre
(1 ano após a vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil - 1809)
 Capital da Capitania de São Pedro.

Cidade de Porto Alegre
(após a Independência do Brasil e no Império a partir de 1822)
 Capital da Província do Rio Grande de São Pedro.

Cidade de Porto Alegre
(após a Proclamação da República a partir de 1889)
 Capital do Estado do Rio Grande do Sul.

Os Títulos de Porto Alegre

- A Esquina do Rio Grande (por ocupar o vértice dos principais caminhos da Capitania).
- Leal e Valorosa (galardão conferido pelo Imperador D. Pedro II em 19 de outubro de 1841), pela fidelidade da cidade ao Império, durante e Revolução Farroupilha.
- Cidade Sorriso, Porto Alegre cresceu e se tornou capital da Província de São Pedro por sua excelente localização: - era ponto de chegada e partida de quem navegava pelos cinco rios que desaguam no Guaíba, e por quem buscava a saída para o mar pelo porto de Rio Grande, na Lagoa dos Patos. Recebia a todos e recebia bem.
No século XX, ferrovias e rodovias foram construídas, o Rio Grande do Sul se industrializou, a capital cresceu e se modernizou.
Porto Alegre tornou-se conhecida como “Cidade Sorriso”. Em seu porto atracavam navios vindos de todo mundo.
Enquanto as outras capitais brasileiras extinguiam sua história, a capital gaúcha preservava.
Porto Alegre se manteve como era até 1970: - Charmosa, Limpa, Agradável e Segura.
A Cidade Sorriso.  
- Capital do MERCOSUL, por ficar no eixo sul Buenos Aires e Montevidéu assim como ao norte São Paulo e Rio de Janeiro, a oeste Assunção.
- Capital dos Gaúchos, não poderia ser outra.
- Terra do Sol Poente, por direito, por ter os mais lindos por do sol (o Japão é conhecido como a terra do sol nascente),
- Para nós, Simplesmente Porto.

O Açoriano, o Fundador da Ribeira,
Pôrto, Porto Alegre

- O homem Açoriano é o fundador de Porto Alegre ao aportar nestas margens e aqui fincar raiz, formando na Ribeira o Pôrto (Porto dos Casais).
É costume denominar “Açoriano” o imigrante procedente das ilhas atlânticas (Arquipélago dos Açores), fez-se sentido, pois foram registrados poucos madeirenses (da Ilha da Madeira) que se fixaram em terras gaúchas, todos são de origem portuguesa “lusitana”.
O açoriano é um povo com mais de 500 anos de história de muita luta para sobreviver contra as diversidades das ilhas que formam o Arquipélago dos Açores (com vulcões, terremotos, secas e grandes tempestades).
São 2.344 km2, distribuídos em 9 ilhas de tamanhos desiguais e distribuídas num eixo de 600 km entre as extremas. Cada ilha forma um povo com suas particularidades.
O “orgulho regional”, uma das marcas do povo açoriano, é o reflexo do seu desenvolvimento semi-isolado, ao longo dos séculos e da consciência de ser uma região autônoma do Estado Unitário Português.
Como poucos, o açoriano preserva com “orgulho suas tradições”. Uma terra, nas ilhas, com belezas únicas e muita história.

Nota:
- Porto Alegre em detrimento a cultura gaúcha do MTG e dos Centros de Tradições Gaúchas - CTG deixou no esquecimento as Tradições Açorianas/ Lusitanas de nossos antepassados, que sobrevive somente nos clubes étnicos.
Devemos preservar ambas, pois fazem parte de nossa cultura de nossa história.

Etnias

- Quem somos? – como diria o baiano Jorge Amado:
- Branco, onde?
- Negro, onde?
Somos todos Mulatos, Mestiços, Pardos, Misturados; - mesmo os puros de raça, não estão deslocados, pois foram acolhidos por esta terra, como bom Gaúcho.

- O brasileiro do Sul, comparado com os brasileiros de outras regiões, se apresenta como tipo único, caracterizado pelos aspectos, que de maneira alguma poder-se-ia atribuir à influência de um povo, apenas. As características do homem que habita os pampas são o resultado de um caldeamento de raças, origens, culturas diversas, as quais uma vez em contato, uma com as outras e com o meio ambiente provocaram uma interação que originou o “Gaúcho”; e em sua capital, Porto Alegre, não seria diferente.
O gaúcho é um tipo original, sui gêneris, amante da paz, hospitaleiro, sentimental, espírito aguerrido, pronto para a luta se preciso o for.
O caldeamento das raças foi feito de forma natural e progressiva. Fizemos nossas as palavras de Ivan Marotzky, que assim se expressou:
- “Toda esta gente não são mais alemães, italianos, poloneses nem outros povos étnicos.”
- “São brasileiros de origem alemã, italiana, polonesa e outros povo étnicos; muitas tradições ancestrais foram mantidas em parte ainda o são, como legítimo enriquecimento de nossa formação social. Mas são todos gaúchos autênticos, brasileiros autênticos. Não estão aqui enquistados, mas inteiramente arraigados na terra e na sociedade que ajudaram a formar e a transformar. Estão inteiramente integrados no novo Rio Grande do Sul. O que tinha sido inicialmente enxerto audaz transformou-se em ramos floridos.”
(Ivan Marotzky – A Imigração e sua Contribuição Sócio-Econômica)

- Antiga anedota:
- Os alemães, como bons metalúrgicos, vieram para o sul do Brasil e se tornaram bons sapateiros.
- Já os italianos, como bons sapateiros, desembarcaram no Rio Grande do Sul e viraram bons metalúrgicos.

“No Brasil, somos todos imigrantes, apenas com uma diferença: - uns chegaram antes, e outros depois.”
(Washington Luis)

A situação ideal:
- A preservação de todos os valores culturais, étnicos e morais de todos os grupos que compõem a gente gaúcha, para que sua incorporação torne mais rica à cultura nacional.

O Índio
- Os nativos que aqui viviam, chamados de “Indio” ou “Gentil” desde o descobrimento, são os primeiros moradores e donos desta região, foram expulsos ou dominados, mas resistiram e garantiram seu lugar nesta Capital, como membro ativo da história desta região, artífices e delegado de tantas tradições.

O Português
- Também conhecido por “Luso” ou “Lusitano”.
Foram os descobridores europeus e desbravadores das terras conhecidas como Brasil, onde com muito trabalho, guerras e força conseguiram manter intactas as terras do seu Império das Américas, deixando a grande herança para a nossa nação. Foram os fundadores e defensores de Porto Alegre.

O povo português é a resultante de um longo processo de fusão de povos e de acumulação de culturas. Os primitivos autóctones, de que a história registra a presença, foram os Celtas e os Iberos. Fundindo-se, originaram a maior das tribos ibéricas, os Lusitanos.
Ao longo da costa, estabeleceram-se em feitorias comerciais Gregos, Fenícios e Cartagineses, mas a sua influência foi diminuta.

As invasões romanas e árabes, respectivamente no século II a.C. e século VIII, foram as que maior influência e mais vestígios deixaram, não tanto na composição somática, mas em especial no que respeita ao aculturamento das populações locais.
Os lusitanos constituíram um conjunto de povos ibéricos pré-romanos de origem indo-européia que habitaram a porção oeste da península Ibérica desde a idade do ferro.
Em 29 a.C., na seqüência da invasão romana a que resistiram longo tempo, foi criada a província romana da “Lusitânia” nos seus territórios, correspondentes a grande parte do atual Portugal.
A figura mais notável entre os lusitanos foi Viriato, um dos seus líderes no combate aos romanos. Outros líderes conhecidos eram Punicus, Cæsarus, Caucenus, Curius, Apuleius, Connoba e Tantalus.

Os lusitanos são considerados, por antropólogos e historiadores, como um povo sem história por não terem deixado registros nativos antes da conquista romana.
As informações sobre os lusitanos são-nos transmitidas através dos relatos dos autores gregos e romanos da antiguidade o que por vezes causa diversos problemas ou conflitos na interpretação dos seus textos.

No século V, os povos germânicos invadiram o império romano. A Portugal chegaram os Suevos e os Visigodos que parece terem deixado algumas marcas nas características físicas das populações do Norte, onde aparecem com maior freqüência os cabelos e os olhos claros.

Em geral, o povo português possui o aspecto físico do homem mediterrânico: estatura média (embora a juventude atual tenda a ser mais alta), pele morena clara, olhos e cabelos castanhos.

Portugal tem uma gastronomia tão rica e variada como a paisagem e o patrimônio e é uma das surpresas mais apreciadas pelos turistas que nos visitam.

De brandos costumes, o povo português é comunicativo, acolhedor e religioso. Embora não sendo um país de músicos, a música faz parte integrante da vida dos portugueses.

O patrimônio de danças e cantares populares é muito rico e variado, ora em ritmos alegres e rápidos, ora melancólicos e dolentes.

O fado é uma das expressões musicais mais apreciadas, quer se trate do fado de Lisboa, quer do fado de Coimbra, cujas características o diferenciam do fado da capital e que é tocado e cantado pelos estudantes desta velha Universidade.

O Espanhol
- O espanhol é um desbravador, conquistador e desenvolvimentista, constituído na Europa Ibérica, por diversos reinos que foram se unindo por casamentos ou arranjos, e por último pelos reinos de Aragão e Castela, para formar um só poderoso Reino com uma só Coroa.

A Espanha é conhecida pelo seu patrimônio cultural diversificado, tendo sido influenciado por muitas nações e povos ao longo de sua história. A cultura espanhola tem suas origens nas culturas ibérica, celta, celtibera, latina, visigótica, católica romana, e islâmica.
o Estado centralizado, dominado nos últimos séculos por Castela, e muitas regiões e povos minoritários. Além disso, a história da nação, de seu ambiente mediterrânico e atlântico, desempenhou papéis fortes na formação de sua cultura.
Depois da Itália, a Espanha tem o segundo maior número de Patrimônios Mundiais da UNESCO no mundo, com um total de 40.

A Fonte Talavera é a maior forma de carinho e gratidão com a cidade e os gaúchos do povo espanhol, foi construída para sinalizar o marco zero da capital gaúcha, Porto Alegre, na Praça Montevidéu, no Paço Municipal, defronte à Prefeitura.
Foi recebida como presente das colônias espanholas, em 1935, em homenagem ao centenário da Revolução Farroupilha.
A idéia de fazer uma homenagem, com um chafariz, do povo espanhol para Porto Alegre partiu do professor e escultor Fernando Corona, em 1935.
A pretensão era ornamentar a cidade com algo que traduzisse o espírito clássico da Espanha cervantina e que falasse da renascença e do século de ouro daquele país.
Numa conversa entre Fernando Corona e o comerciante Isidro Vila, que também era representante de produtos da vila de ceramistas Talavera de la Reina, situada em Nova Castela, Província de Toledo, surgiu a idéia de que esta homenagem fosse uma fonte, que seria executada pelo mais afamado artista talaverano, Juan Ruiz de Luna.
Foi organizada uma comissão central para angariar fundos com os espanhóis aqui residentes.
Para trazer o material da Espanha, o embaixador ibérico no Brasil, D. Vicente Salles, conseguiu transporte gratuito. O então presidente Getúlio Vargas concedeu isenção de impostos de importação, enquanto que o governador do Rio Grande do Sul, Flores da Cunha, facilitou o transporte das peças pelo interior do Estado.

O Negro
- Diante da afro-descendência, os negros aqui chegaram vindos da África, e no Brasil serviam como escravos.
Na África as tribos dominavam umas as outras e praticavam a escravidão dos povos subjulgados.

Em 1725, o Negro aparece no Rio Grande do Sul, com a frota de João Magalhães, vinda por terra. Estes negros, certamente escravos, realizavam o serviço pesado.
Em 1737, data oficialmente a presença negra, no território gaúcho, quando o Brigadeiro José da Silva Paes se estabelece na Barra, erigindo o Presídio Jesus, Maria e José, marco inicial da nossa colonização.
Durante muitos anos esta região, distante e hostil, denominada Continente, foi usado como ameaça contra os escravos rebeldes ou preguiçosos do centro do Brasil, sendo estes enviados para este local, considerado por eles como pior que o inferno, um autêntico degredo na solidão verde do pampa.

Assim deu-se o inicio da colonização Negra no Rio Grande do Sul, estendendo para o Prata clandestinamente.

O Negro é forte e adotou esta terra como sua.
Como escravo foi mão-de-obra indispensável nas charqueadas.
Como voluntário e liberto lutou com grande bravura na Revolução Farroupilha (mesmo diante dos acontecimentos).

Como escravo e bucha de canhão lutou galhardamente na Guerra do Paraguai.

- Herói da Armada Imperial foi um fuzileiro negro, gaúcho de Rio Grande, chamado Marcílio Dias.

O Negro marcou sua presença, indelevelmente, na História, na Geografia, no Folclore, no Linguajar, nas Artes, no Esporte e na Política.

Na Geografia são muitos os topônimos de origem negra no mapa gaúcho, inclusive alguns com o nome de quilombos.

No folclore, algumas lendas falam de escravos entre nós: - As Torres Malditas, Cambai, Santa Josefa e o Negrinho do Pastoreio.

No linguajar, são correntes termos como: - caiambola, cacimba, mondongo, mocotó.

Nas artes são inúmeras as influências de elementos negros, como o maior tambor brasileiro atualmente, o “sopapo”.
Artistas negros marcaram a cultura brasileira como Lupicínio Rodrigues, e o ator Breno Mello, o inesquecível "Orfeu Negro" do cinema.

No esporte bastaria a simples menção ao nome do tricampeão Everaldo e, antes deste, o grande - Tesourinha.

Na política, o grande nome é do Deputado Carlos Santos, de notável atuação parlamentar durante um quarto de século.

Na culinária gaúcha brasileira, três pratos têm etiologia negra: - o mocotó, a feijoada e o quibebe.

Mas é na religiosidade popular que se encontra a cultura negra mais decisivamente.
Desde o século passado, nota-se a existência de cultos negros em Porto Alegre com terreiros de batuque, que se proliferaram e hoje (2012) somam mais de 50.000 casas de Batuque em todo o Estado.

Em 1901, em Porto Alegre, Custódio Joaquim de Almeida mudou-se de Bagé para Porto Alegre onde chegou com 70 anos de idade.
Foi morar na Rua Lopo Gonçalves, nº 498, cujos fundos davam para a Rua dos Venezianos (hoje Rua Joaquim Nabuco), mas logo que o príncipe que havia adotado o nome brasileiro, ali se instalou, passou a rua a ser preferida pela gente de cor que procurava com isso acercar-se do homem que incontestavelmente, era um líder de sua raça.

O príncipe Custódio - como então era chamado - iniciou-se ali uma nova etapa de sua aventurosa vida, cercando-se em Porto Alegre de um aparato digno de um verdadeiro fidalgo. A família do príncipe de Ajudá aos poucos foi crescendo e não demorou a atingir o número de 26 pessoas, sem contar os empregados em boa quantidade.

Em 1958, em Porto Alegre, ocorreu o Primeiro Congresso Nacional do Negro.
Por ocasião desse acontecimento, a capital gaúcha recebeu delegações dos estados do Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal (Rio de Janeiro), contando com a presença de estudiosos, pesquisadores, intelectuais brancos e negros e a comunidade.

A prática servil no Sul não foi mais branda que em outras províncias do Brasil, mas o Negro daqui soube se impor e mostrar a sua força, competência, lealdade e generosidade, um verdadeiro gaúcho porto-alegrense.

O Alemão
- O alemão é uma raça que pratica o orgulho de suas tradições e origem. Conhecidos no Brasil e chamados como “alemães” com a denominação: - “teuto-brasileiro” é usada, atualmente, apenas quando se faz necessária uma referência especial, pois na vida diária do país, os descendentes dos imigrantes alemães, bem como de outras nacionalidades, não são assim distinguidos. Hoje todos são brasileiros, não importando com são grafados seus nomes e sobrenomes.

- Na época em que os alemães chegaram às fronteiras rio-grandenses já eram definitivas e suas tradições de glórias e ideais em prol da liberdade, já estavam firmadas.
Os alemães que de longe vieram em busca de liberdade e realização pessoal, pois em suas terras estavam sujeitos à classe alta, dominante, nesta terra sem senhores, onde em seus minifúndios os homens trabalhavam para si próprios, embora o começo tenha sido difícil.

Em 1824 passam a chegar ao Brasil os primeiros imigrantes alemães trazidos em um programa organizado pelo governo imperial.
Em julho de 1824, chegou a primeira leva destes colonos à Província de São Pedro (Rio Grande do Sul).
Em 18 de julho de 1824 passaram e pararam na capital, depois retomando viagem ao seu destino.
Estes se estabeleceram no dia 25 de julho de 1824 em terras da Real Feitoria do Linho Cânhamo, hoje a cidade de São Leopoldo, que naquele período pertenciam ao município de Porto Alegre.

O que ocorreu é que com a chegada freqüente de germânicos, ficava necessário fazer a demarcação das terras onde iriam alojar-se os chegados. Assim, o imigrante tinha de esperar acampado em zona ribeirinha da capital até que suas terras fossem delimitadas, além de aguardar pela chegada de provisões e barcos a remo.
A cada ano aumentavam o número dos que iam chegando.

Essa vinda de teutos determinaria algumas alterações na vida da cidade de Porto Alegre, já que muitos deles acabariam por ficar.
Esta zona à beira do Guaíba era ligada ao Centro da cidade pelo Caminho Novo (Rua Voluntários da Pátria).
Eram artesãos que ali permaneceram face a proximidade do grande centro de consumo. Com suas residências e oficinas precárias acabaram por iniciar o povoamento do lugar onde hoje é o Bairro Navegantes.

No final do século XIX e início de XX, os alemães dominaram a vida econômica, política e social da capital Porto Alegre, irradiando para todo o estado, desbancando os portugueses e italianos.
Hoje não há, praticamente, atividade humana no Estado onde não se encontra a presença teuto-brasileira.
Além da agricultura que foi sua ocupação primeira, os vemos na indústria, no comércio, nas forças armadas, nas artes, na política, na literatura, na cátedra, nas profissões liberais, na administração pública e, além de outros, no cargo de supremo chefe da Nação Brasileira.

“O homem rio-grandense se fez um pouco germânico, enquanto o imigrante alemão se tornava um pouco gaúcho, porto-alegrense e brasileiro.”

O Italiano
Convivas barulhentos, fartas macarronadas, bons vinhos e queijos, degustadores sofisticados, filhinhos diletos de mammas supersticiosas e comerciantes competentes, criativos autores de teorias revolucionárias.
O italiano é um povo de realizações, especialmente artísticas, sempre foram impressionantes. Seus artesãos, arquitetos, pintores e escultores encheram a Europa e a América com igrejas imponentes, monumentos, pinturas e esculturas.
Homens como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Dante, Verdi e outros eram italianos e deixaram a Itália um patrimônio invejável de obras-primas da arte e da cultura.

Difícil encontrar alguém que não se sinta encantado por esses tesouros artísticos, pelos milênios de história da península e por suas belezas naturais, como as praias e as montanhas, os lagos e os mares. Os oriundos da península também são invejados por sua culinária maravilhosa, por sua língua melodiosa e pelo seu modo próprio de viver, informal e agradável. Mesmo não sendo amados incondicionalmente pelo restante do mundo, é difícil achar alguém que não os inveje, ao menos um pouco.

Em 1874, quando os primeiros colonos chegavam ao Rio Grande do Sul, mais de 350 mil italianos já haviam saído para outros países. Nos 25 anos seguintes, quase 4 milhões sairiam da Itália, um milhão para o Brasil. 0 Rio Grande do Sul receberia 84 mil imigrantes italianos até o final do século.
O estado do Rio Grande do Sul recebeu a primeira leva de imigrantes italianos a chegar ao Brasil. Os primeiros imigrantes desembarcaram em 1875, para substituírem os colonos alemães que, a cada ano, chegavam em menor quantidade.
Os colonos italianos foram atraídos para a região para trabalharem como pequenos agricultores e lhes foram reservadas terras selvagens na encosta da Serra Gaúcha.
Na região foram criadas as primeiras três colônias italianas: - Conde D’Eu, Dona Isabel e Campo dos Bugres, atualmente as cidades de Garibaldi, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, respectivamente.
Uma das características dos imigrantes destinados ao Rio Grande do Sul era a arregimentação de famílias inteiras - pai, mãe, filhos, nonas, agregados e compadres. Nesses pequenos clãs, raramente menos do que oito pessoas, a mulher tinha um papel central. De modo geral, além da criação dos filhos, sempre numerosos, e das lides domésticas, ainda era mão-de-obra auxiliar no trabalho da lavoura.
Ao contrário da maioria dos alemães, que sofreram cerceamentos por serem protestantes, num país em que a religião oficial era a católica, os italianos fizeram da atividade religiosa o foco da sua vida comunitária. “A escola e o professor não são exigidos pelos colonos, assim como exigem o padre e a Igreja”, diz um relatório do governo provincial de 1886.

La América
Canção dos Imigrantes cantada em dialeto vêneto, de autor anônimo, sobre a aventura da América:

Da l'Itália noi siamo partiti,
Siamo partiti c´o i nostri onori
Trienta e sei giorni de machina a vapore
E nela Mèrica noi siamo arrivà.

Nela Mèrica noi siamo arrivati,
No abiam trovato n´è pàglia, n´e fieno
Abiam dormisto su´l nudo terreno,
Come le bestie abiam riposà.

E la Mèrica, l´è lunga e l´è larga
L´è circondata de monti e de piani
E co´la industria dei nostri italiani
Abiam fondato paesi e cità.

Mèrica, Mèrica, Mèrica,
Cosa serála sta Mérica ?
Mèrica, Mèrica, Mèrica,
L´è un bei massolino de fior.

Tradução
Da Itália nós partimos/ Partimos com a nossa honra/ Trinta e seis dias de trem e vapor/ E na América nós somos chegados / Na América nós chegamos/ Não encontramos nem palha, nem feno/ Dormimos no solo nu/ Como animals repousamos// Mas a América é grande e é larga/É formada de montes e planícies/ E com talento de nossos italianos/ Fundamos vilas e cidades// América, América, América/ 0 que será esta América?/América, América, América/ Um belo ramalhete de flores.

Em Porto Alegre os italianos chegaram já no início do século XIX, se espalharam pela cidade, no Centro, nos subúrbios e fundaram a Villa Nova d’Italia na zona Sul da cidade.

O Polonês
- Porto Alegre era ponto obrigatório de passagem para as levas de imigrantes poloneses que povoaram o interior.
Aqueles que não permaneceram nas colônias e optaram por tentar a sorte em Porto Alegre, no chamado 4º Distrito (antiga designação da área que abrange hoje os bairros: - Floresta, São Geraldo, Navegantes, Anchieta, São João, IAPI), forneceram mão-de-obra capaz para a indústria incipiente. 
A imigração polonesa em Porto Alegre pode ser divida em três períodos:
1890-1918 - Quando famílias que, não adaptadas às duras condições agrícolas do interior, se dirigem aos centros mais desenvolvidos do estado, sendo Porto Alegre o principal deles;

1918-1945 - Imigrantes "errantes" que, simplesmente se aventuram pelo mundo, ou, não estando de conformidade com a condução do processo político da “Polônia Restaurada”, emigram para outros paises. Estes imigrantes possuíam bom nível cultural, elevando o padrão da mão-de-obra da comunidade polonesa na cidade;

1945-2001 - A partir do final da década de trinta, com o “Estado Novo” de Getúlio
Vargas, muitas famílias deslocam-se do interior do estado para a cidade atrás de melhores oportunidades de ensino e trabalho.

Porto Alegre concentrava em fins do século XIX, um grande número de indústrias que movimentavam o comércio local. Muitos poloneses com formação técnica ou possuidores de algum tipo de ofício procuraram em Porto Alegre, na possibilidade de exercer sua profissão. Profundamente devotados ao trabalho, eram bem quistos e solicitados pelos empresários locais. Muitos dedicaram quase toda a sua vida a apenas uma empresa. Outros, com senso para negócios, logo estabeleceram seu próprio empreendimento.
Temos como exemplo a Fábrica de Sapatos dos Irmãos Mendelski, a oficina de Stanislaw Jarzinski que ainda hoje está no bairro, sendo dirigida por seu neto e bisnetos; a Funerária Majewski, fundada em 1916 por José Zórawski que ainda funciona no centro da cidade. O Cinema Thalia, administrado por João Paluszkiewicz na primeira década de 1910 e, o Cinema Orfeu, construído pelos Irmãos Mendelski, quando estes mudaram de atividade no início dos anos 1920.
No princípio do século XX, portanto, uma década depois da “febre brasileira”, poderíamos encontrar no 4º Distrito, já estabelecidos, armadores, carpinteiros, mecânicos, ferreiros, sapateiros, marceneiros, entre tantos outros profissionais.
Com a criação de escolas polonesas, vieram residir professores, mantidos pela comunidade.
Em 1898, circulava o primeiro número do Calendário Polonês, editado por Feliks Bernard Zdanowski, intelectual, ativista social e crônico da colônia de Porto Alegre. Deve-se a ele a fundação da imprensa polonesa na cidade e a maioria dos registros da época.

O Calendário Polonês de 1898 assegura que a colônia polonesa de Porto Alegre compunha-se de cerca de 400 famílias residindo a maioria no 4º Distrito. Esta publicação contém entre outras informações a respeito dos interesses da comunidade, uma considerável lista de nomes de trabalhadores poloneses, sua respectiva profissão e onde a exerciam. A maioria das famílias polonesas estabelecidas em Porto Alegre ao final do século XIX e início do século XX, como as demais espalhadas pelo estado, tinha um modo de vida simples, austero, cercado de rígidos princípios de conduta moral, dedicando-se basicamente ao trabalho, alicerçados pela fé, sendo a grande maioria de crença católica. Dirigiam sua principal atenção à educação dos filhos, fazendo com que estes se adaptassem o mais rápido possível à nova fase de suas vidas. A economia sistemática tinha o fim na aquisição da casa própria e seu estabelecimento definitivo na cidade. Pouquíssimos foram os casos de poloneses de Porto Alegre que retornaram à Polônia. O idioma falado dentro de casa e nas sociedades era o polonês, mantendo um elo perene com a pátria de origem. Muitos descendentes dos primeiros moradores do 4º Distrito ainda dominam o idioma com fluência. O português era a língua paralela aprendida na escola e usada no cotidiano, fora do ambiente familiar. Herdeiros de uma sociedade patriarcal, em muitos pontos comum com a típica família porto-alegrense de então, cabia ao pai prover o sustento da casa e, à mãe, o cuidado com os filhos e as lides domésticas. Algumas mulheres, entretanto, para aumentar a receita da família, bordavam e costuravam para fora e outras ainda, trabalhavam como operárias em fábricas de calçados e tecidos. O número de filhos “que se criavam”, ou seja, sobreviviam até a adolescência, era variável, tendo a maioria acima de quatro e, em alguns casos até dez.

O Judeu
- Os primeiros judeus que chegaram a Porto Alegre, a princípio eram alemães legítimos, mas não se tem certeza que religião professavam. Talvez muito antes de pensar em emigração, converteram-se a religião cristã, ou já seus pais, seja ela a católica romana (em menor número) ou a evangélica.
Na colônia de Feitoria Velha (São Leopoldo) todos foram aceitos como alemães até pelos lusitanos.
Em 06 de novembro de 1824, na segunda leva de imigrantes alemães, chegaram uma família católica de 8 pessoas, 72 de confissão luterana e 1 israelita, que chamava-se Siegmund (talvez o sobrenome) era solteiro e de profissão ourives, que fez questão de de ser registrado como israelita.
Durante os anos de 1825, vieram 2 solteiros e um casal. Dos solteiros J. Rothenburg e de Rosenberg, do casal sabe-se que professava a religião evangélica.
No dia 17 de abril de 1826, mais 2 solteiros e 1 família imigraram juntos: - Nicolau Kohnen e Anton Moses, sendo a família de Adam Leva, constituída de 7 pessoas.
Em 1827, 1 solteiro, Moritz Menik, e o casal Philipp Silbernagel com 1 filho, esta família era católica.
Em 1829, chegou ao Rio de Janeiro no veleiro “Olbers” o maior número de judeus alemães.
Nos dias 7, 8 e 10 de março chegaram a Feitoria (São Leopoldo). Trata-se dos solteiros: - Samuel Abraham, Jacob Boni, Simon Busch, Benjamin Biermann, Mathias Kohn (católico), Johnan Kohnen I, Ferdinand Weyrauch e Joseph Jacob Wolf, este último veio da Polônia e era evangélico, junto aos solteiros chegou a família Johann  Kohnen II, de 7 pessoas.
Em 18 de junho de 1829, o casal Samuel Grose e o solteiro Daniel Heilmann, na maioria todos devessem ser evangélicos.

O Sírio e o Libanês
- Sírios e Libaneses começaram a imigrar para o Brasil em fins do século XIX, fugindo as dificuldades econômicas em suas regiões de origem. Concentraram-se, inicialmente no estado de São Paulo, mas uma parcela deles fixou-se em outras partes do Brasil, inclusive Porto Alegre.
Por toda parte, sírios e libaneses se dedicaram às atividades comerciais, tendo um papel relevante no comércio da borracha, durante o auge do período de produção e exportação desse produto (1890-1910), nos estados do Norte.

Em Porto Alegre, sírios e libaneses dedicaram-se ao comércio, a princípio como mascates, percorrendo com suas mercadorias as ruas da cidade, as fazendas e pequenas cidades do interior. Gradativamente, abriram estabelecimentos comerciais, tornaram-se industriais, escalando os degraus da mobilidade social.

Os descendentes dessa etnia diversificaram suas atividades, sendo notável sua concentração na medicina e sua presença nas atividades políticas.

O Asiático
O navio Kasato-Maru aportou em 18 de maio de 1908 nas Docas de Santos, em São Paulo, trazia 781 japoneses reunidos em aproximadamente 158 famílias. Essa foi a primeira leva de imigrantes nipônicos, dos cerca de 260 mil que vieram a dar entrada no país no início do Século XX, dando início a uma aventura em um país distante.
Atualmente, já existe a quinta geração de descendentes, os gosseis, e a comunidade japonesa ultrapassa 1 milhão de habitantes. A maioria está concentrada no estado de São Paulo (70%), o Paraná abriga mais 12%, o Mato Grosso 2,5% e o Pará mais de 1%.

Com o final do Período Feudal no Japão, muitos ficaram sem trabalho. O governo decide incentivar a saída do país de seus cidadãos e cria a Companhia Imperial de Imigração. As relações diplomáticas entre o Brasil e Japão foram estabelecidas em 1895, data em que foi firmado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre os dois países.

Os imigrantes trazidos pela Companhia Imperial de Imigração foram para as fazendas de café no interior do estado de São Paulo.
Vencidos os contratos de trabalho, grande parte dos trabalhadores mudou-se para o interior paulista ou para a região litorânea ao longo da estrada de ferro Santos-Juquiá. Outros se estabeleceram em vári partes do país chegando a Porto Alegre.

Entre 1910 e 1914, chegaram do Japão cerca de 14.200 imigrantes e foram criadas dezenas de comunidades japonesas. O pico do fluxo de imigrantes acontece entre 1925 e 1935, quando mais de 140 mil vieram em busca de uma nova vida.
A imigração foi interrompida por dez anos, com o advento da 2ª Guerra Mundial.

Em 1959, os japoneses voltaram a se instalar no Brasil, mas em escala reduzida. Com a recuperação econômica do Japão, a imigração praticamente deixou de existir.

O Gaúcho Porto-Alegrense

- O Gaúcho é um mestiço forjado na fronteira, mescla de vários povos indígenas, a complexa tradição luso-castelhana, repleta de influência moura com as etnias do velho mundo, alemães e italianos, no rastro mamelucos, negro, pardos, uma grande mistura, um caldeirão em personalidade, - puro ou misturado somos todos gaúchos.
O Gaúcho também é conhecido por “guasca” (nome de uma estreita tira de couro).

- Coisas de Gaúcho, diriam! – E é!...

Homem
- Os homens gaúchos carregam faca na bota. São valentes, machistas, fortes e decididos. Raçudo por excelência resolve tudo no ato. Na política, no esporte, na música, sempre faz frente. Levante o queio, empurra o peito e vai abrindo caminho. Personalidade forte, só entra pra ganhar. Mas se perde, perde bonito. Ou morre. Ou mata.
Coisa meio de índio.

Mulher
- As mulheres gaúchas (a prenda, a chinoca), são guerreiras, mulheres de poetas. Sufocadas desde os tempos imemoráveis, espanhóis ou portugueses, índios ou italianos, mas sua força está entranhada na sociedade mesmo sob o jugo masculino de séculos. Das lides domésticas, aos afazeres do homem, a mulher forte por natureza, a costumada a preencher os vazios deixados pelos homens que iam para a guerra, aos poucos ocupa seu espaço. Comanda a família, resolve problemas, sobrevive à ausência.
Tristezas, lutos e apreensões são apenas lembranças, dando lugar a postura de perseverança e trabalho.

- O Porto-Alegrense é Gaúcho, ser desta cidade-capital é um estado de espírito, sendo ao mesmo tempo o que quiser:
Provinciano e Cosmopolita, Monarquia e República, Imperial e Farroupilha, Liberal e Conservador, lutar como Maragato e Pica pau, Chimango e Libertador, Puritano e Livre de Idéias e Pensamentos, escravo da Modernidade, Moda e Modismo, é ser Charrua, Quíchua ou Araucano, Andaluz ou Beduíno, somos um mestiço forjado nas Fronteiras, mescla de vários elementos de várias nações Indígenas, da tradição Luso-Castelhana, por sua influência Moura, cercado por todas as etnias do Mundo, e claro, Frio e Calor, Verdade e Mentira, Azul e Vermelho, Trabalho e Descanso, Domingo e Bom Fim, Sol e Chuva, Guaíba e Pôr-do-sol, Civilidade, Sustentabilidade, Diversidade.
Finalmente, Desconfiado, mas Bom de Coração, – Feliz, – um verdadeiro:
Gaúcho Porto-Alegrense, com seu Sorriso estampado no rosto.

“Ser Gaúcho é honra, ser Porto-Alegrense é destino.”

- Dos nativos o Gaúcho se apropriou de inúmeros costumes indígenas (sorver o mate na cabaça, vestir chiripa, lançar com boleadeira, vestido de chita, andar errante, cantar triste, somos homens e mulheres e não temos Senhor); - Amém!

- O “gaúcho porto-alegrense” é dono de tudo o que vê; por ser o Rio Grande antes de tudo terra de todos, terra de ninguém.

- Palavra escrita pela primeira vez em 1743; “Gaúcho” vem do provável étimo araucano “huagchu” em “guacho” e no final “gaúcho”.
“Huagchu” – filho que não conhece o pai – um órfão; – mas para este povo; – não de Glórias.

Nada melhor para um Gaúcho que ver o mundo do ponto de vista de sua capital, Porto Alegre.

Acrescentamos a vestimenta tradicional: - o poncho pala é retangular (para o frio), o poncho-pátria é retangular, sendo azul para fora e vermelho para dentro (para frio e chuva), o laço de couro, o facão, a faca, o relho, a alpargata, o campeiro ou jaqueta.

O peão é o Gaúcho, habitante típico da Região da Campanha. É hábil cavaleiro, excelente laçador. É o tipo silencioso, observador, meditativo. Vive em contato com a natureza, gosta da simplicidade, é precavido. Acostumado à amplidão dos campos, tem alma grande e generosa. Habituado a solidão, é um homem decidido, trabalhador, forte e corajoso.

Afinal, ser Gaúcho é andar pelas ruas de Porto Alegre, olhando-as com carinho, amor e respeito.
È lembrar-se de que nossa cidade é assim pelo trabalho desde nossos desbravadores.
É conhecer nosso município, outrora tão grande, hoje tão pequeno de espaço, mas repleto de orgulho.
É reconhecer seus problemas, mas saber que temos um potencial inesgotável capaz de transformar nossa realidade.
É trabalhar pela “Terra Gaúcha”, nossa Mãe, contribuindo para que este pago seja a “Capital do Rio Grande de Todos.

Viva Porto Alegre, 
sua Capital
Viva o Rio Grande do Sul, 
seu Estado

Comentários dos Visitantes no Século XIX

Manoel Antônio de Magalhães,

Escreveu em 1808 o Almanaque da Vila de Porto Alegre:
“... existem mais de 57 comerciantes na vila (a absoluta maioria portuguesa); já possui 1.200 fogos (domicílios) e seis mil almas (pessoas). Deixa de ser uma aldeia de lavradores para tornar-se um vilarejo de comerciantes.”

Auguste Saint-Hilaire,

- Botânico francês, fez minuciosas observações sobre a cidade e seu povo no início do século XIX (1820), mostrou simpatia e entusiasmo por Porto Alegre.
Saint-Hilaire surpreendeu-se com a beleza de Porto Alegre que lembrava... o Sul da Europa e tudo quanto ele tem de mais ameno.”

Ele descreve os homens como altos, fortes e vivazes, em comparação com outros descendentes açorianos que viu no litoral catarinense, o que atribuiu ao consumo de carne e ao fato de viverem no lombo dos cavalos.
Ele se admira ao constatar a desenvoltura das mulheres, que nas reuniões sociais conversam desembaraçadamente com os homens. Ao contrário do que viu no interior, onde as mulheres se escondem “e não passam de primeira escrava da casa”. E lamenta que os homens só sejam apreciados por suas categorias a militares, e que os juízes e os funcionários civis não gozem da mínima consideração.
Saint-Hilare lança um olhar crítico sobre a cidade, e diz:
- “As casas de Porto Alegre são cobertas de telhas, caiada na frente, construídas em tijolos sobre alicerces de pedras, são bem conservadas. São em geral maiores que as das outras cidades do interior do Brasil, e um grande número delas possui um andar além do térreo, e algumas tem mesmo dois.”

Em outro trecho, diz que viu casas muito bonitas, bem construídas e bem mobiliadas. Só não encontrou nenhuma que tivesse lareira ou qualquer defesa contra o inverno. Todos os habitantes de Porto Alegre usam em casa um espesso capote que impedindo-lhes até os movimentos, não os impede de tremer de frio.
Segundo várias ruas transversais já estavam calçadas, outras apenas parcialmente, mas todas mal pavimentadas. A Rua da Praia tinha lojas bem instaladas, vendas bem sortidas e oficinas de diversas profissões. E era extremamente movimentada com pessoas, a pé, a cavalo, muitos marinheiros e negros carregando volumes.
Quase na metade da Rua da Praia existia um grande cais dirigido para o lago, conta Saint-Hilaire. Era uma espécie de ponta de madeira com parapeito montado sobre pilares de alvenaria, com 100 passos de comprimento, em cuja extremidade havia um armazém. E o viajante conclui:
- “A vista deste cais seria de lindo efeito para a cidade se não houvesse sido prejudicada pela construção de um edifício pesado e feio, à entrada da ponte, de 40 passos de comprimento, destinado a Alfândega.”

Falando do Caminho Novo, diz que a estrada tinha uma linha de salgueiros no lado das águas e uma sebe de mimosácea espinhosa do outro, para proteger as casas de campo.
Falando do Caminho Novo (atual Voluntários da Pátria) diz que a estrada tinha uma linha de salgueiros no lado das águas e uma sebe de mimosácea espinhosa do outro, para proteger as casas de campo, aliás, nesta estrada estava à casa dos governadores, manda construir por Dom Diogo de Souza.
Refere-se ao Conde da Figueira, onde costumava passar as tardes em sua casa de campo no Caminho Novo.
Sobre os Frades de Pedra, diz que em frente das casas, na Rua da Praia, existia calçada pavimentada de lajes, tendo na beirada “Frades de Pedra”, isto é, bloco de pedra sextavado da altura de um metro, encravdo no chão, que impedia que as carroças subissem na calçada e a danificassem. Também eram utilizados para amrrar cavalos.
Sobre a música local a referência em seu diário tratavam da menção dos instrumentos favoritos nos saraus, o piano e o violão, os quais eram tocados com perícia por senhoras da elite, e da descrição de um baile doméstico, onde se ouviu música de caráter erudito. Diz ele:
“Um francês (…) veio convidar-me para passar a noite em uma casa onde deveria realizar-se um pequeno baile. Sabedor de que essa casa era uma das mais prestigiosas de Porto Alegre, não hesitei em aceitar o convite; e encontrei num salão bem mobiliado e forrado de papel francês, uma reunião de umas trinta a quarenta pessoas, entre homens e mulheres (…) Dançaram valsas, contradanças e bailados espanhóis; algumas senhoras tocaram piano, outras cantaram com muita propriedade, acompanhadas ao violão, e o sarau terminou com jogos de salão.”

Nicolau Dreys,

- Viajante francês, foi generoso ao descrever a terra onde viveu de 1818 a 1828, diz que as casas da Rua da Praia eram altas de estilo elegante e moderno, e elogia até mesmo o prédio da Alfândega, que Saint-Hilaire, considerou pesado e feio.
Chega a dizer que Porto Alegre tinha alguma coisa a desejar, será talvez maior abundância de água potável, pois a que se acha no morro corre de um chafariz único aberto na vertente ocidental, quase no meio da cidade.
Descreve com entusiasmo do centro urbano e do lado oposto da orla no Caminho Novo (Voluntários da Pátria):
- “Depois de ter passado o fundeadouro da cidade (atual Praça da Alfândega) segue-se ao norte, um bairro pitoresco, paralelo ao rio, do qual se deu o agradável nome de Paraíso (Largo do Paraíso, atual Praça XV), depois deste na mesma direção, principia uma bela alameda plantada da banda do rio de árvores frondosas, chama-se o Caminho Novo e prolonga-se, quase sempre com os mesmos ornatos, até perto da embocadura do Gravataí.”

- “... Bordado de ricas chácaras, de jardins aparatosos, abundantes de flores e de frutos, cujos aromas misturados na atmosfera suavizam o olfato e despertam o apetite; as uvas (as mais deliciosas que se pode encontrar no continente americano), os pêssegos, os figos, as peras, os marmelos, juntos com a laranja, a lima, a banana, crescem na mesma latada.”

Isabelle, Louis Frédéric Arsène (1807-1888)

- Isabelle ao passar por Porto Alegre entre 1833 e 1834, assim como Saint-Hilaire encantou-se com a beleza da cidade:
- “É o céu da Itália, são as paisagens e a vegetação de Provence; estamos em Porto Alegre.”
E notifica que antes de sua chegada “... não fiquei surpreendido quando me asseveraram que há dois anos se construía uma casa por dia.”

Sobre as mulheres:
- “Aborrece-me repetir, mas é uma verdade que não posso silenciar; as brasileiras desta Província não são nem belas nem graciosas; em vão exageram e sobrecarregam-se de jóias, broches, flores e ninharias: tudo isso não anima sua tez, nem dá expressão a seus olhos, nem, enfim, esse ar de liberdade nos momentos que primeiro de tudo, seduz nas Porteñas.
Procura-se em vão ler em sua fisionomia o estado de alma; ela não indica nada, nem mesmo ingenuidade; têm, em público, um rosto de autômatas e nada mais; eis o que fizeram os portugueses!
Dizem que elas são muito vivazes na intimidade e apaixonadas ao excesso, mas apaixonadas por si mesmas...
“Essas são as sensações que elas procuram avidamente.”
Adotando um tom coloquial, convida a aprender o melhor ângulo de visão da cidade e do rio:
- “Quereis gozar um espetáculo que não é muito comum, mesmo na Grande Ópera? Subiao ponto mais elevado da colina onde está situada a praça principal e tereis, abaixo de vós, ao norte (que, como sabeis, é o meio-dia do hemisfério austral) a cidade que se estende em taludes; a enseada coberta de navios; as ilhas e o curso sinuoso dos cinco rios que se alonga exatamente como uma mão aberta, de dedos afastados; depois as casas de campo orlando em semi-círculo a margem sombreada da baia; os vales arborizados que se prolongam paralelamente as colinas do nordeste; a Vargem  ou a planície que fica atrás da cidade, com seus jardins, sua laranjas, suas bananeiras, palmeiras, cactus, tudo cercado de moitas espessas, quase sempre cobertas de mimosas amarelas, vermelhas, violetas e brancas, e, por fim, mais além da planície do sul, repousando agradavelmente a vista, lindas casas de campo (quintas, chácaras ou fazendas) bem construídas e situadas pitorescamente na inclinação dos morros.”

Hörmeyer,

Ao visitar Porto Alegre em 1850, Hörmeyer elogia a capital como uma das cidades mais bonita do Brasil, e outros comentários:
- “... cercada de magníficas chácaras, que parecem semeadas ao longo da praia, com folhagens do mais variado verde dos jardins; toda ela a se destacar agradavelmente de morros próximos, tendo a serra ao fundo.”

A cidade contava com 24.000 moradores, sendo cerca de 2.000 alemães.
Possuía poucas possibilidades de lazer para seus habitantes.

Herbert Smith,

Naturalista americano visitou Porto Alegre em 1881 e assim encontrou a cidade:
- “As manufaturas são mais importantes aqui do que em qualquer outra cidade brasileira fora do Rio: - fabricam-se máquinas, selas, chapéus, mobílias, cervejas e grande variedade de objetos; quase todas as fábricas possuem donos alemães ou operários alemães.”
O mercado é dos mais bem supridos do Brasil (...) vêem-se peras, uvas, pêssegos e cestas de morangos ao lado de bananas, laranjas e ameixas, Vêem-se bojudas ervilhas, abóboras (...) melões, batata-doce e coco. Centenas de patos e grande variedade de excelente peixe são tirados da lagoa, as colônias dão aipim, feijão, milho e fumo, os campos contribuem com carne de vaca e de carneiro, e há variedade usual de pequenos gêneros europeus. Várias quitandas vendem cuias lindamente pintadas ou esculpidas, para o mate muito usado na Província.”

Guahyba

-O que é o Guaíba?

Mapas do século XVIII denominam de “Guaíba” o curso de água atualmente chamado de Rio Jacuí, registrando Lago ou Lagoa de Viamão ao que chamamos atualmente de Guaíba – “Guahyba (na escrita indígena).

- O Guaíba não possui diferenciação entre nível de base e de origem, desenvolvimento linear e perfil, regime e débitos próprios. Portanto, não é Rio.

- O conceito de Estuário inclui características de foz ampla, lançando águas continentais no oceano. O Guaíba não reúne estas características e ainda restaria descobrir de que rio ele seria estuário.

- Delta é a foz de um rio, com ilhas formadas por sedimentos, lançando suas águas no mar. Logo, o Guaíba não é Delta.

- Ria é um estuário pelo mar. Em determinado momento de sua evolução o Guaíba teria sido ria, quando o mar submergiu a foz do Jacuí.

- Segundo vários autores o Guaíba é um Lago formado pela falha existente no maciço granítico, que se estende dos Campos de Tramandaí (na cidade de Osório) até o município de Guaíba, onde desembocam os rios Jacuí, Caí, dos Sinos e Gravataí.
O assoreamento provocado por estes cursos de água determinaram o surgimento da planície costeira.
Em Itapuã há uma Barragem natural interrompida, que permite o escoamento das águas do Guaíba, dando-lhe características de lago formado por barragem.

- Muitas foram às décadas e a pergunta não era respondida: Afinal o Guaíba é o que?

– Na década de 1980, um grupo de estudo foi criado pelo Governo do Estado e emitiu parecer, esclarecendo a questão:
– O Guaíba é um Lago.

- O canal natural navegável do Lago Guaíba fica entre a Ilha da Pintada e a Ponta das Pedras na ponta da península de Porto Alegre.
A mistura neste cenário exuberante, água, céu, sol e horizonte onde o poeta Mario Quintana nos convenceu do termo:
“Os mais belos crepúsculos do mundo”.
A diversidade de espécies forma o Lago Guaíba e seu entorno, peixes, anfíbios, aves, mamíferos e vegetação aqui vivem ou usufruem, com seus ecos-sistemas próprios.

Como dizia o historiador gaúcho Sérgio da Costa Franco:
“Heródoto que me perdoe o plágio, mas Porto Alegre é uma dádiva do Guaíba tanto quanto o Egito é um presente do Nilo”.
Porto Alegre é a irmã siamesa do Lago Guaíba, onde sua população o chama de Rio.
Para Porto Alegre o Guaíba não é rio nem lago é só o Guaíba.

Etimologia da Palavra Originária "Guaíba"

(Origens prováveis da palavra Guaíba)

GUAÍBA, s. m. Geografia. Nome do estuário que banha a capital Porto Alegre e as cidades de Eldorado do Sul, Guaíba, Barra do Ribeiro e Viamão, cujos principais afluentes são:

Rio Jacuí (rio dos jacus; rio dos comedores de grãos);
Rio dos Sinos (rio com curvas; em tupi guarani, tamanduateí);
Rio Gravataí (rios dos gravatás);
Rio Caí (rio da mata, dos bosques);
O antigo Rio Jacareí (rio dos Jacarés), atual Arroio Dilúvio.

À frente da capital gaúcha, e de sua vizinha cidade de nome igual ao do caudal, Guaíba, é que o vasto curso d’água toma essa denominação, pois em sua origem é um prolongamento do Rio Jacuí.

O etnológico baiano Bernardino José de Souza, em seu “DICIONÁRIO DA TERRA E DA GENTE DO BRASIL” (5ª. ED., Cia. Editora Nacional, S. Paulo, 1961), quanto ao significado e etimologia do vocábulo, escreve:

"Nome que, em alguns Estados do Sul, dão aos pântanos profundos".

Teodoro Sampaio atribui-lhe, em análise semântica, origem Tupi, “gua-y-be”, com o sentido de - na enseada (ou baía).

Outros autores dicotomizam o termo em “guá” (vale); e “ahiba” (mau, ruim) vale ruim.

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, reconhecendo-lhe procedência Tupi, compõe “gwa” (seio); “i” (água); e “ba” em lugar de be, em, ou maior, de que resultaria a imagem poética “no seio da água”.

Na verdade, no caso do substantivo sul-rio-grandense, não é pacífico o entendimento dos doutos.

Ainda dos tempos dos cronistas espanhóis (jesuítas), ora consta “igai”, ora “ingahy”.

No primeiro caso, pelo conhecido fenômeno filológico da apocopação, usual aos Guaranis (tupis do sul), teríamos provavelmente, “iga”, de “igara” (canoa); “ei, ou i” (água, rio); “ba” (em maior, dentro de); o que equivaleria a: - no Rio das Canoas.

No segundo, seria Rio dos Ingás (ingazeiros).

Há, ainda, outras hipóteses, como a da derivação de “cuá” (fonte, nascedouro, manancial); “i” (água, rio); “ba” (em, maior do que); tudo a configurar Rio maior do que a fonte.

O dicionarista paraguaio A. O. Mayans traz “cua” (cintura); “i” (rio); “ba” (maior do que); ou seja, cintura maior do rio, o que eqüivale a estuário.

O mesmo autor, noutra acepção, assim decompõe o vocábulo: “guai” (vespa); e “iba”, (fruta ou frutal), a identificar pomar povoado de vespas, (ou abelhas).

No mesmo autor guarani, há outra possibilidade de dicotomizar a palavra em questão, com o afixo “ava” ou “aba” (homem); “i” (água, rio); e o sufixo” ibá” (mau, ruim); a compor a locução substantiva Rio dos Índios Maus (ou ruins).

Por último, demos a palavra ao poeta e etnologista Antônio Gonçalves Dias, em cuja versão ter-se-ia “mbai” (coisa); “i” (rio); e “ahyba” (mau, ruim, amargo), perfazendo a locução Rio da Coisa Más ( ou Ruins), - expressão que nenhum porto-alegrense, por certo, endossará.

Dentre as acima aventadas, preferimos, por mais plausíveis as acepções:

NA ENSEADA, de Teodoro Sampaio;
NO SEIO DA ÁGUA (ou RIO); de Aurélio Buarque de Holanda, ou, ainda,
CINTURA MAIOR DO RIO (ou ESTUÁRIO), do lexicógrafo guarani A. O. Mayans.

Sugerimos duas outras plausibilidades:

1) GUA, YGUÁ (enseada, vale, recôncavo, baixada);
I (rio);
YBÁ (fruto), vale dizer RIO DO VALE DAS FRUTAS; e

2) YGUÁ, GUÁ (enseada, vale, baia),
YBÁ (ruim, difícil, sem peixe, não navegável), a abonar as hipóteses ENSEADA NÃO NAVEGÁVEL, ou de DIFÍCEL NAVEGAÇÃO.

Daí teria surgido “guaibeguara”, habitante do Guaíba, por aférese do sufixo, "enguares".

Texto Extraído da Revista RIO GRANDE CULTURA – PORTO ALEGRE- RS – MARÇO/ABRIL/97 – ANO IX – Nº 23 - FUNDAÇÃO EDUCACIONAL E CULTURAL Pe. LANDELL DE MOURA (Guaibeguara, os Primitivos Habitantes de Porto Alegre). Autor Hugo Ramírez – Advogado Geógrafo, Pós-Graduado em História do RS (UFGRS). Secretário Geral, da Comissão Estadual do Índio (Biênio da Colonização e Imigração no Rio Grande do Sul)

Monumento

- Palavra originária do latim Monumentum e Monimentum, cuja raiz Moneo significa avisar, dar notícia, conservar na memória, trazer à lembrança.
A forma Moimento data do século XIII.
Um monumento seria, em princípio, tudo aquilo capaz de evocar ou conservar na memória, ou seja, digno de ser lembrado através dos tempos.

Os edifícios eram erguidos com formas monumentais não para que sobrevivessem ao tempo, e a seu grau social, mas com a idéia de que permanecessem na memória com seus símbolos e valores.
“Porto Alegre é Eclética”, uma mistura de vários elementos construtivos e inspiradores; - podem não ser belos, mas são nossos.

Acorda Porto Alegre para sua história, cheia de grandes momentos, monumentos e beleza.

Preserve
Lembre-se: - Todos já nascemos no passado.

Porto Alegre, a bela capital do Rio Grande do Sul, localizada em um centro geográfico eqüidistante tanto dos eixos Buenos Aires - Montevidéu, como São Paulo - Rio de Janeiro, o que a transforma em Capital natural do MERCOSUL.

Centro cultural e comercial, onde atuam 25 etnias marcando com seus costumes, tradições, crenças, gastronomia e seu Sorriso.
Um modo muito porto-alegrense de ser e conquistar.

A preocupação com o eco-sistema desde os anos 1970, a pioneira na formação de ONG’s dedicadas a ecologia, a "a primeira Secretaria do Meio Ambiente" do Brasil, transformaram Porto Alegre na cidade mais arborizada do Brasil.

Centro médico de excelência e dos mais conceituados centros universitários e de pesquisas do mundo.

“A Terra de Muitos, de Todos,
...de Ninguém”

Continua na Parte II