Bem Vindo

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terça-feira, 31 de julho de 2012



Barão do Gravataí e
Baronesa do Gravataí

- Um casal que brilhou nos salões da sociedade porto-alegrense na segunda metade do século XIX.
Eles receberam os títulos das mãos do próprio imperador D. Pedro II. E cada um fez por merecer o presente do Imperador.
Nota:
Os títulos de nobreza não passavam de pai para filho, nem se estendiam de marido para mulher. Eram títulos individuais, conquistados por méritos pessoais dos homenageados, ou por especial simpatia do soberano.

João Batista da Silva Pereira recebeu o título de “Barão do Gravataí” por um motivo especial, que daqui a pouco você vai ficar sabendo.
O mesmo aconteceu com a sua esposa, Maria Emília Pereira, que um dia se tornou “Baronesa do Gravataí”, por seus próprios méritos, e não por ser esposa de um barão.

João Batista da Silva Pereira (Braga, 15 de janeiro de 1797 — Porto Alegre, 09 de agosto de 1853), foi um industrial brasileiro.

Barão do Gravataí

Por volta de 1823, chegou a Porto Alegre o português João Batista da Silva Pereira, natural da cidade de Braga (Portugal), alto, claro, de cabelos pretos, bem disposto, homem dotado de extraordinária energia e grande tino comercial.

Chegou pobre, e logo começou a trabalhar. Naquele tempo, a margem do Guaíba se estendia ao longo do Caminho do Belas (atual Avenida Praia de Belas).
Foi ali, na altura onde hoje se encontra o Colégio Pão dos Pobres, que montou um modesto estaleiro.

De início, fazia pequenos barcos para navegação fluvial. Mais tarde, chegou a construir grandes embarcações, que atravessavam o Atlântico levando os produtos rio-grandenses e trazendo especiarias das Índias.

Em abril de 1823, João Batista da Silva Pereira casou com dona Maria Emília de Menezes, moça de tradicional família açoriana radicada em Rio Pardo.

Em 1826, construiu o palacete que viria a ser conhecido mais tarde como o solar da Baronesa do Gravataí.

Ao fundo o grande Solar da Baronesa
Areal da Baronesa - 1860

Com o passar do tempo, João Batista da Silva Pereira foi comprando grandes lotes de terra nos arredores de sua mansão, até formar uma enorme chácara, com as dimensões de um verdadeiro bairro. Esta foi a origem do Arraial da Baronesa (ou areal).

Apesar da riqueza e da posição social conquistadas, João Batista da Silva Pereira nunca se mostrou um homem egoísta.

Durante a Revolução Farroupilha, deu uma prova de sua generosidade quando o Barão de Caxias era presidente da Província, emprestou uma grande soma de dinheiro ao governo, sem cobrar juros.
E dispensou os agradecimentos, pois considerava aquilo uma retribuição à sua pátria adotiva.

Tão extensa se tornou a propriedade, que nem mesmo o dono tinha pleno domínio sobre suas terras. Grande parte era coberta por pomares e hortas cultivadas.
Mas havia um trecho que se mantinha em estado natural. Ficava mais ou menos onde hoje se situa a Rua João Alfredo.

Naquele tempo, o Arroio Dilúvio ainda não corria em linha reta em direção ao Guaíba. Na altura da Ponte de Pedra, ele fazia uma curva e ia desembocar para os lados da Volta do Gasômetro, passando por toda a extensão da Rua da Margem (por acompanhar o curso natural da margem do arroio), que viria ser mais tarde a Rua João Alfredo.
Esse ponto de vasta propriedade de João Batista da Silva Pereira era dominado por um denso matagal. Havia ali uma grande variedade de árvores nativas: - pitangueiras, goiabeiras, laranjeiras, bananeiras e outras que davam frutos comestíveis o ano todo. Além disso, naquelas terras podia-se também pescar e caçar pequenos animais. Enfim, era um recanto com frutas, caça, pesca e água potável. Tinha de tudo para garantir a alimentação de quem ali resolvesse morar.

Foi nesse verdadeiro refúgio natural que os escravos fugidos acabaram encontrando um lugar ideal para se esconder. Ali eles podiam sobreviver, longe do alcance dos capitães-de-mato (caçadores do escravos).
Mas além das frutas, caça, pesca e água potável, os escravos ali escondidos precisavam de roupas e de outros bens. Começaram a assaltar as pessoas que por ali passavam. Conhecendo cada palmo do terreno, eles costumavam atacar de surpresa e logo sumiam no meio dos matagais.
O lugar passou a ser conhecido como “Emboscadas”.
Os escravos fugidos armavam tocaias, esperando as vítimas às escondidas.

Na parte mais nobre das terras de João Batista da Silva Pereira, a vida continuava no esplendor dos salões festivos, das reuniões políticas e dos encontros de negócios.

Em 1845, no final, quando aqui estiveram o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz Dona Theresa Cristina, na primeira visita oficial a cidade, foram regiamente recebidos por João Batista e dona Maria Emília.
Por insistência do casal, os soberanos hospedaram-se no Solar da Baronesa. E foram tratados com tanta fidalguia, que o imperador resolveu agraciar o dono da casa com um título de nobreza.


João Batista da Silva Pereira era comendador da Imperial Ordem de Cristo e da Ordem da Rosa.

Em 29 de dezembro de 1852, João Batista da Silva Pereira foi agraciado com o título definitivo de “Barão de Gravataí”.
Assim João Batista da Silva Pereira recebeu o título de “Barão do Gravataí”.

Em 1852, João Batista da Silva Pereira foi comandante superior da Guarda Nacional de Porto Alegre. Prestou relevantes serviços na organização dos corpos auxiliares do exército por ocasião da guerra com a República Oriental do Uruguai.

Em 29 de dezembro de 1852, João Batista da Silva Pereira foi agraciado com o título definitivo de “Barão de Gravataí”.
Assim João Batista da Silva Pereira recebeu o título de “Barão do Gravataí”.

Em 1853, para espanto e surpresa geral, João Batista da Silva Pereira, 56 anos, morreu de repente, fulminado por uma inexplicável hemorragia. Era um homem ainda cheio de vigor. Sempre gozara de ótima saúde.
Foi, de fato, uma morte que pegou todos de surpresa. Até mesmo o Imperador.
Por ser um homem de profunda formação humanista, que sabia cultivar a gratidão, D. Pedro II sentiu-se no dever de levar um gesto de conforto a viúva Maria Emília de Menezes Pereira. E concedeu-lhe então o título de “Baronesa do Gravataí”.

Maria Emília de Menezes Pereira, viúva, com 44 anos, e sem experiência nos negócio, aos poucos foi perdendo o controle sobre o enorme patrimônio acumulado pelo marido. Tão grande era a riqueza por ele deixada, que ela nem sequer fazia idéia do quanto tinha.

Com o passar dos anos, o dinheiro foi ficando cada vez mais escasso. Os negócios estavam paralisados desde a morte do marido. E assim se passaram muitos anos, com despesas e mais despesas, e sem entrada de novos recursos.
Apesar de continuar proprietária de uma enorme extensão de terras, Dona Maria Emília já começava a sentir as amarguras de uma velhice marcada pelas privações. Cheia de dívidas, e sem ter mais a quem recorrer, ela passava os dias relembrando os tempos de esplendor, quando os salões do Solar da Baronesa serviram de palco para grandes encontros sociais, políticos e de negócios.

Pouco tempo depois, Dona Maria Emília sofreu ainda mais um duro golpe, um incêndio repentino tomou conta do solar. Enormes labaredas clarearam a noite do Arraial da Baronesa. E quando o sol tornou a surgir com o novo dia, só encontrou ali os restos calcinados dos velhos tempos de esplendor.

Solar da Baronesa
Cidade Baixa

Em 1879, Dona Maria Emília Pereira, “Baronesa do Gravataí”, aos 71 anos enviou à Câmara de Vereadores de Porto Alegre um pedido de licença para transformar sua imensa propriedade num loteamento. Junto ao pedido mandou um mapa detalhado, assinalando a divisão dos terrenos.

Foi a melhor forma que ela encontrou para vender seu valioso patrimônio e garantir um fim de vida mais tranqüilo.

Atendendo a solicitação da Baronesa, a Câmara de Vereadores atendeu a licença.
Um novo bairro ia nascendo com a demarcação dos lotes.
A parte da cidade baixa começou a ficar conhecida como Arraial da Baronesa (atual bairro Cidade Baixa).
Os dois nomes, muito semelhantes, quase iguais se perpetuaram na memória da cidade: Arraial da Baronesa e Areal da Baronesa.

Em 17 de marco de 1888, em Porto Alegre, morre dona Maria Emília Pereira, “Baronesa do Gravataí”, aos 80 anos, depois que suas terras foram transformadas num bairro, levando na memória os dias de esplendor e decadência do Solar da Baronesa.

Esse casal de nobres, depois de uma feliz vida em comum, continua até hoje unido na geografia de Porto Alegre. As ruas com seus nomes se cruzam numa esquina da Cidade Baixa: - Barão do Gravataí e Baronesa do Gravataí.

9 comentários:

  1. Muito instrutivo e de alto valor histórico para anossa cidade. Parabéns!!!

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  2. esse fascinante assunto poderia ate ser origem de filme ou um mesmo um livro, a historia real dos Baroes do Gravatai, pior que a maioria da populaçao sequer conhece essa historia tao rica e bela.

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  3. Belo resgate;
    Parabéns pelo trabalho.
    Namaste.

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  4. O Site do BIEV / UFRGS
    pode contribuir com o seu trabalho.
    Dá uma olhada.

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  5. Nasci na Baroneza do Gravatai em 1948.Ali passei minha infancia,adolescencia e com a construção da Av.Aureliano F. Pinto as casas foram desapropriadas, inclusive a minha em 1977.Guardo na lembrança os carnavais e as festas juninas que o meu pai ajudava a realizar juntamente com outros vizinhoa, as brincadeiras na rua,as cadeiras nas calçadas onde as familias sentavam a noite para conversar.Saudades de um lugar que ficou no passado!

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  6. Moro em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre. A cidade nasceu a partir da construção da estrada de ferro que ligava a Capital à Novo Hamburgo, e que cortou a fazenda Areião do Meio, de propriedade da Baronesa. Não sei as circunstâncias da transformação da fazenda em terras que viriam a ser o município, mas legal saber um pouco mais sobre a origem de Esteio e da ligação da Baronesa com a história de Porto Alegre. Parabéns e obrigado.

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  7. Olhem só que material lindo para um filme! Foi o que pensei logo que comecei a ler. Precisamos resgatar nossa história. É a nossa cultura, e é maravilhosa. Quanto ao comentário da Cléia, gostaria de dizer que também sinto muita nostalgia pelo modo de vida daquele tempo. Quando criança ficávamos ao redor dos mais velhos, correndo e suando, nas noites de verão, enquanto eles conversavam e de vez em quando nos "xingavam" dizendo: não vão se sujar, parem com essa correria!
    A iluminação era perfeita para o clima de confraternização entre vizinhos e amigos. Claro que evoluímos muitos em tecnologia, sociedade. Mas tenho saudades mesmo assim.

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  8. Olhem só que material lindo para um filme! Foi o que pensei logo que comecei a ler. Precisamos resgatar nossa história. É a nossa cultura, e é maravilhosa. Quanto ao comentário da Cléia, gostaria de dizer que também sinto muita nostalgia pelo modo de vida daquele tempo. Quando criança ficávamos ao redor dos mais velhos, correndo e suando, nas noites de verão, enquanto eles conversavam e de vez em quando nos "xingavam" dizendo: não vão se sujar, parem com essa correria!
    A iluminação era perfeita para o clima de confraternização entre vizinhos e amigos. Claro que evoluímos muitos em tecnologia, sociedade. Mas tenho saudades mesmo assim.

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  9. Muito bom, sempre é legal saber a história. Sempre me interessei pelo casal e por essa época de Porto Alegre.

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