Bem Vindo

- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida da Cidade de Porto Alegre inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

Dividir estas informações e aceitar as críticas é uma dádiva para o pesquisador.

- Este Blog esta sempre em crescimento entre o Jornalismo, Causos e a História.

Haverá provavelmente falhas e omissões, naturais num trabalho tão restrito.

- Qualquer texto, informação, imagem colocada indevidamente (sem o devido crédito), dúvida ou inconsistência na informação, por favor, comunique, e, aproveito para pedir desculpas pela omissão ou inconvenientes.

(Consulte a relação bibliográfica e iconográfica)

- Quer saber mais sobre determinado tema, consulte a lista de assuntos desmembrados, no arquivo do Blog, alguma coisa você vai achar.

A Fala, a Escrita, os Sinais, o Livro, o Blog é uma troca, Contribua com idéias.

- Em História, não podemos gerar Dogmas que gerem Heresias e Blasfêmias e nos façam Intransigentes.

- Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações de Porto Alegre.

Poderá demorar um pouquinho para baixar, mas vale à pena. - Bom Passeio.

Me escreva:

jpmcomenta@gmail.com






sábado, 24 de março de 2012

Porto Alegre - 1900 à 1924 - Parte XIII (Em Montagem)


Cronologia- 1900/1924


Século XX


Tecnologia

1900
O Mundo não Acabou 

- Sempre que um milênio chega ao fim, o mundo promete acabar, não foi diferente na passagem do século XIX para o século XX (1899/1900).


La Belle Époque

- Nenhuma outra cidade brasileira materializou em sua fisionomia urbana a ideologia dominante, Porto Alegre e o Partido Republicano Rio-Grandense de inspiração político-filosófico Positivista, conseguiu dar uma cara aos prédios públicos e privados, transformando a capital na sala de visitas do Estado, espelho da Ordem do Progresso e da Modernidade trazidos pela tardia penetração do capitalismo no sul do país.
Aqui pela primeira e única vez no mundo, a filosofia positivista foi acompanhada, nas mãos de Júlio de Castilhos, e por elementos muito mais positivistas que o próprio positivismo de Augusto Comte.

- No mundo além do Nacionalismo, também o Racismo se destacou como uma ideologia de ampla penetração no início do século. Foi um mito criado e alimentado pela era científica. Teve um sustentáculo poderoso na dominação originada pela expansão econômica do “Sistema Capitalista”.

- A nível ideológico o racismo ensinava que uma nação evoluía sob o império de uma raça superior e declinava com o declínio de tal dominação. O racismo vinculava falsamente raça e idioma, pregava leis imutáveis quanto à hereditariedade racial e estabelecia uma obtusa vinculação entre o ciclo biológico individual e o da raça em geral.

- Em regra, a doutrina racista via no ariano a raça superior e os apóstolos desse acervo de vulgaridades foram Gobineau e Chamberlain, Hitler, mais tarde, representou a tentativa de levar tais postulados às suas derradeiras conseqüências. Mas não era só a Alemanha que assim acreditava todos os países europeus, América do Norte, Ásia e até entre os povos hostilizados e oprimidos eram hierarquizados pela raça.


Resumo do Período
- Na virada do Século XX Porto Alegre passou a ser imaginada como o cartão de visitas do Rio Grande do Sul, idéia alinhada com os propósitos do Positivismo, corrente filosófica abraçada pelos governos estadual e municipal, e por isso a cidade deveria transmitir uma impressão de “Ordem e Progresso”.
Para transformar a idéia em fato, a Intendência, a cuja testa estava José Montaury, iniciou um enorme programa de obras públicas. José Montaury permaneceu no governo municipal por 27 anos, sendo sucedido por Otávio Rocha e Alberto Bins, que em linhas gerais mantiveram a mesma orientação. A fim de melhor controlar o processo de desenvolvimento, o município atraiu para si a responsabilidade sobre muitos serviços públicos, como o fornecimento de água encanada, iluminação, transporte, educação, policiamento, saneamento e assistência social, em um volume que ultrapassava em muito o hábito da época e superava o que faziam na mesma altura São Paulo e Rio de Janeiro. Contudo, o crescimento do funcionalismo público e a quantidade de obras demandaram recursos além das capacidades de arrecadação, e foram contraídos grandes empréstimos. Na cultura foi um marco a fundação em 1908 do Instituto Livre de Belas Artes, antecessor do atual Instituto de Artes da UFRGS, que concentrou a produção de arte na capital e foi em todo o estado praticamente a única referência institucional significativa até a década de 1960 nos campos do estudo, ensino e produção de arte.
Em 1940, o município contava com cerca de 385 mil habitantes e seus índices de crescimento eram positivos para a indústria, a construção civil, a educação, a saúde, a eletrificação, o saneamento, o movimento portuário, os transportes e as obras de urbanização. A ligação rodoviária e aérea com o centro do Brasil foi incrementada, e a rede ferroviária para o interior do estado se expandia. No encerramento dos anos 1950 foi implantado o primeiro Plano Diretor, composto com base na Carta de Atenas. Para Helton Bello com este Plano se acentuou a verticalização da cidade, fazendo Porto Alegre conhecer o maior crescimento edilício de sua história, o que alterou significativamente a morfologia urbana.
A segunda metade do século XX foi caracterizada por um acelerado crescimento urbano e populacional, e os sucessivos administradores se empenharam novamente em uma série de investimentos em obras públicas, enquanto a cidade via desaparecer, sob a onda do progresso, boa parte de suas edificações antigas. Paralelamente, a cultura de Porto Alegre se caracterizou por um forte colorido político, reunindo expressivo grupo de intelectuais e produtores artísticos influentes alinhados ao Existencialismo e ao Comunismo.
Entre o fim da década de 1950 e os anos que precederam o golpe militar de 64 foram montadas peças teatrais de vanguarda, em polêmicas abordagens de crítica social; as artes plásticas mostravam uma arte realista/expressionista de mesmo perfil, que por vezes adquiria um tom panfletário. Quanto ao golpe, Porto Alegre foi o palco de importantes movimentos políticos que levaram à sua concretização, comandados pelo então governador Ildo Meneghetti a partir do Palácio Piratini.
Porto Alegre nas últimas décadas se tornou uma das grandes metrópoles brasileiras, internacionalizou sua cultura, se tornou um modelo de administração pública, dinamizou sua economia a ponto de se tornar uma das cidades mais ricas do mundo, e alcançou altos níveis de qualidade de vida, mas ao mesmo tempo passou a experimentar os problemas que afligem outros grandes centros urbanos do Brasil, com o surgimento de favelas, de dificuldades no trânsito e crescimento da poluição e dos índices de criminalidade.


Em 1900, Porto Alegre chega a 73 mil habitantes, concentrados no Centro.
Onde se mistura a elite e desclassificados, Habitantes de becos e cortiços,
Freqüentadores de bodegas e prostíbulos.
Porto Alegre ainda é uma cidade provinciana, mas não pode mais continuar assim.

- Os problemas de saúde pública são muitos, fala-se muito em acabar com as sujeiras de certos Becos e Cortiços no Centro. Locais de moradia popular, baratos e precários em matéria de insolação e arejamento, os becos e os cortiços eram vistos como entrave  para o desenvolvimento da cidade. Os becos eram gargalos urbanísticos, que dificilmente poderam sobreviver com os novos Automóveis.

- As águas servidas ainda caiam numa valeta na maioria das ruas, que ficava em baixo do assoalho das casas; daí corriam pelas valas, ao longo das ruas, formando regatos de águas sujas e malcheirosas.
A água encanada corria em poucas residências, não havia rede de esgotos, nem vaso sanitário.
Os excrementos humanos eram levados pela Limpeza Pública para longe do centro da cidade, juto a Ponta do Mello e jogados de trapiche direto no Guaíba.

- Os Tílburis, carro puxado a cavalo (uma espécie de táxi) tinha pontos instalados de carros de aluguel:
Praça XV de Novembro (antiga Praça Conde D’Eu) em frente à Casa Negra,
Praça Senador Florêncio (atual Praça da Alfândega), junto a Rua Sete de Setembro.

- Porto Alegre começou a enriquecer a olhos vistos. A velha urbe (cidade) que teimava em não deixar as margens do Rio Guaíba começou a se expandir para além do Riacho (Arroio Dilúvio) pelo lado Sul e para além da Rua Ramiro Barcelos, pelo lado Norte.

A Burguesia está no Centro
- Porto Alegre melhora se moderniza rapidamente, a infra-estrutura é total, com sés passeios, avenidas e alamedas, mas é para poucos, limita-se aos mais abastados que moram no Centro. O que é bom está no Centro da capital.

Comércio e Indústria
- Nesta época da virada do século, em Porto Alegre, muitas empresas fecharam ou se fundiram, no caso as cervejarias, só restou a Cervejaria Continental, (depois Brahma, o prédio atual do Shopping Total).

- Junto com alemães a presença de italianos é uma constante, observa-se relativo monopólio destes em determinadas atividades, como açougues, sapatarias e alfaiatarias, assim como mo ramos de diversões públicas: - cinemas, restaurantes, cafés, confeitarias, enfim pontos de encontros dos porto-alegrenses da Belle Époque”.

- A partir de Porto Alegre, escoadouro dos produtos coloniais, que se propiciou a acumulação da maior massa de capital monetário. De Porto Alegre eram distribuídos os gêneros da colônia para o interior do Estado e se providenciava o seu envio para o restante do país e para o exterior, como por exemplo, Hamburgo (Alemanha), centro consumidor dos artigos da área colonial alemã.
Na medida em que muitas destas firmas se dedicavam a importação, foram elas as responsáveis pela introdução não apenas de gêneros manufaturados estrangeiros, mas também de máquinas para as indústrias nascentes.
Em função do desenvolvimento da economia imigrante, Porto Alegre converteu-se no maior conglomerado urbano do Estado e o centro comercial de maior destaque na passagem do século XIX para o século XX.

Os “chalés” estão distribuídos pela cidade nesta época, conforme Athos Damasceno de Azevedo:
De João Diehl (1876), produzia sua própria bebida, na Rua Voluntários da Pátria, próximo de Navegantes,
De Bohrer e Barth, produzia sua própria bebida,
De Paulinho Fagundes, no Parthenon,
De Paiva Lima, Ao Pólo Sul, na Praça da Harmonia (Brigadeiro Sampaio),
Do “solícito bonnet”, Ao Pólo Norte, na Praça da Matriz
De José Maria Santiago Junior, Chalé, Praça XV de Novembro,
De Mathias Hubber, na Praça dos Bombeiros (Rui Barbosa)

- Sobre o chalé Ao Pólo Norte, o jornalista De Souza Junior (1896-1945) deixou no livro inédito “Cidade da Perdição”:
- “Um detalhe curiosode quem nem todos se lembram. No ângulo fronteiro ao teatro S, Pedro, se erguia um chalé de madeira do tipo que ainda existe, em ferro, à praça Quinze. Portas e janelas em todas as faces. Lá dentro, o balcão, mesas e cadeiras. Igualmente mesas e cadeiras do lado de fora. Ao alto do chalé, em letras garrafais bem visíveis, esta a indicação: Ao Pólo Norte.
Era um bar muito freqüentado. De dia, pela gente do foro, funcionários públicos e consumidores eventuais. De noite, pelos espectadores do São Pedro em noites de espetáculo.”

- Os “quiosques” também estão espalhados pela cidade, como:
No Largo dos Medeiros, na Praça da Alfândega.

Nas primeiras décadas do século XX em Porto Alegre, a Rua da Praia (dos Andradas), no Centro da capital é o espetáculo. Os comportados saraus e recitais da nata da sociedade cedem lugar aos freqüentadores de teatros que movimentam à noite, os restaurantes e cafés onde tomavam refrescos, bebidas ou ceavam após os espetáculos.

- Nas confeitarias tomar sorvetes, saborear doces e ouvir orquestras ao vivo.
Foram célebres no passado o Footing na Rua da Praia, um tipo de show no qual se é ao mesmo tempo ator e espectador. Aquele passeio a pé, numa rua ou numa praça, moças de um lado, rapazes do outro, trocando olhares, sorrisos, bilhetinhos.

“Em meio às transformações sociais do início do século, a vida familiar decai paulatinamente, a rua ganha nova dimensão e os novos comportamentos femininos chegam a surpreender.”

- A Rua dos Andradas é a vitrina da nova fase da prosperidade burguesa, o “ponto chic” de Porto Alegre, a passarela na qual o otimismo em relação ao futuro desfila.
Mas o espetáculo da vida real é mesmo o que encanta o porto-alegrense:
- Rodas de estudantes e de tipos variados observam o ir e vir das moças e senhoras em longos e elegantes vestidos, numa espécie de ritual coletivo de sedução que marcaria a Rua da Praia pelas décadas seguintes.
- O comparecimento diário ou semanal à Rua dos Andradas, nessa época, é condição básica para quem deseje existir socialmente.
(O cronista Carlos Reverbel definiu essa freqüência como condição básica para o indivíduo não ser zerado da sociedade).

- Uma das novas diversões dessa gente é o Cinema em seus primeiros anos de cinematógrapho.

- Os homens possuem seus espaços exclusivos, freqüentam os cafés, Guarany, América, Colombo e muitos outros localizados na Rua da Praia são o termômetro da opinião pública. Em suas mesas vêem-se altos funcionários, negociantes, estrangeiros, gente que mantém relações com jornais e revistas. Acontecimentos políticos são discutidos e até planejados ali. Existem as famosas casas freqüentadas somente por homens, e meretrizes, chamadas “da vida”.

- As mulheres, embora mais coquetes, freqüentam as confeitarias e casas de chá, o recato ainda é primordial.

- Entre a juventude a moda é pedalar, que elegeu o ciclismo como esporte preferido.

- Existe mais de 30 trapiches na área do Centro de Porto Alegre, projetando-se sobre o Rio Guaíba, esse caos era inaceitável para os republicanos positivistas, no qual a Cidade/Capital, sala de visitas do Estado, deveria ter um belo portal de entrada.
“É preciso melhorar o porto tanto do ponto de vista econômico como estético, e, sobretudo higiênico.”

- A modernidade chega a Porto Alegre, e o grupo positivista no poder necessita impor a construção de um novo imaginário.
“Articula-se um novo discurso sobre o urbano e elabora-se a imagem da cidade ideal.”

- A burguesia colabora com o ideal positivista, mas desenvolve uma representação cultural que serve como elemento ideológico.
Foi uma fase esplendorosa de novas construções, alargamento de praças e melhorias nos espaços públicos.
Os prédios desta época possuem características definidas em conjunto, como ecletismo arquitetônico.
Chega-se a conclusão de que são bons todos os estilos – grego, romano, renascentista, era vantagem para os arquitetos aplicá-los todos na mesma obra.
A idéia de grandiosidade perpassa a filosofia de Augusto Comte e esta expressa em todos os prédios.

- Na arquitetura, houve um período de inquietação no começo deste século denominado “Art Nouveau”.
Nesta fase com os primeiros surtos industriais, muitos foram os estilos de residências surgidos em Porto Alegre, nenhum, porém original, um esnobismo desenfreado, levava a burguesia a imitarem a arquitetura de outros países e de outras eras, é o que ocorre em cidades prósperas de formação recente. Predominaram as mais variadas ousadias da imaginação na utilização de novos materiais vulgarizados pela Revolução Industrial (aço, ferro, vidro, madeira) e uniram-se o decorativismo barroquista, a fantasia româtica e o funcionalismo moderno num todo heterigênio, amiúde complexo, às vezes estravagante, - mas válido.
As capitalizadas elites da cidade começaram a diversificar suas inversões. Construíram prédios suntuosos, encomendaram mausoléus magníficos, patrocinaram monumentos aos heróis nativos e estrangeiros. Criou-se assim um amplo “mercado para a estatuária”.
Até então a maioria dos trabalhos de escultura eram importados. A partir de então tornou econômico importar artistas.
A vinda dos artistas europeus também foi favorecida pela situação das Escolas de Artes onde se formavam. Elas se orientavam no sentido do chamado estilo historicista. Era um programa de recuperação de diversos estilos do passado conferindo-lhes uma gama de utilização mais ampla e diversificada.
Neste resgate historicista, a vertente “neoclássica” permanecia com uma das mais influentes, seguida do goticismo, barroquismo, realismo, orientalismo e outros. Desta forma as academias européias preparavam escultores convencionais, cerceados pelas leis e prescrições dessa estética acadêmico-historicista. O mundo europeu estava se modernizando e exigia soluções plásticas mais inovadoras. Para tanto, grande parte dos formandos não estavam preparados.
Restava-lhes tentarem a América, onde o gosto das elites ainda orbitava em torno dos padrões clássicos, principalmente o “Greco-romano”.

Em 1900, na Europa, França, Charles Pathé criou a primeira indústria realmente organizada para a produção de “fitas cinematográficas”. Graças a Pathé, dez anos após o cinema tomara conta da Europa e já exibiam pelúculas com 1 hora de duração e cerca de 2.000 metros de comprimento.

Em 1900, no Brasil, Rio de Janeiro, o presidente da República Campos Sales coloca em prática a “política dos governadores”, são reconhecidos somento os deputados e senadores eleitos pelas facções partidárias que detenham o poder nos estado. Esse processo prevalecerá até a Revolução de 1930.

Em 1900, em Porto Alegre, a Escola de Engenharia ganha seu prédio, na Rua André da Rocha em frente à Praça Independência (atual Argentina) é o “primeiro prédio construído da era positivista”, de autoria de João José Pereira Parobé que por imposição de Júlio de Castilhos, acumulava o cargo de Secretário de Obras e de Diretor da Escola.

Em 1º de setembro de 1900, em Porto Alegre, é fundado o Colégio Sévigné pela madame francesa Emmeline Courteilh, esposa do agente consular da França em Porto Alegre, Octave Courteilh.
Emmeline esteve na direção da escola até 1906, quando, por causa de sua saúde, retornou à França ao lado de seu marido, passando a direção para as Irmãs de São José.

O nome Sévigné foi uma homenagem à escritora francesa Marie de Rabutin-Chantal, a Marquesa de Sévigné.

Em 1900, em Porto Alegre, João Vicente Friederichs, seguindo a tradição da família, estudou na Europa onde adquiriu sólida formação e certamente teria sido um grande nome da “escultura gaúcha” se seu espírito empresarial não tivesse falado mais alto, abrindo seu Atelier de Esculturas.
Começa em Porto Alegre um “boom imobiliário” e João Vicente passou a contratar escultores para executar as encomendas que recebia do engenheiro Rodolph Ahrons e outros arquitetos e engenheiros.
Em 1902 foi contratado Frederico Pallarin, formado em Milão, Veneza e Roma, e com exitosa passagem por Buenos Aires.
Em 1906, chegou Luiz Sanguin, diplomado em Pádua e Veneza. Quando o surto imobiliário se intensificou.
A partir de 1910, João Vicente saia em busca de mais escultores. Foi quando contratou o austríaco Wenzel Forbeger e o berlinense Alfredo Staege e o espanhol Jesus Maria Corona Alonso.
Em 1913, para melhorar ainda mais seu quadro de colaboradores, contratou o alemão Alfred Hubert Adloff, o mais técnico e completo estatuário que por aqui operou.

Em 1900, em Porto Alegre, o futuro Estaleiro Só, com a entrada na empresa Só e Cia., dos filhos de Manoel da Silva Só; Julio Martinho da Silva Só, José Álvaro da Silva Só, a empresa ganha nova alteração, passando a chamar-se Só e Filhos.

Em 1900, em Porto Alegre, é convidado a morar na cidade o Príncipe de Ajudá - José Custódio Joaquim de Almeida (1832-1936), após atenuar a doença de um dos mais poderosos políticos do Rio Grande do Sul e do Brasil, Júlio de Castilhos.
Após consultar os búzios, que autorizaram a viagem, o Príncipe Negro viaja a Porto Alegre.

Em 1º de janeiro de 1900, em Porto Alegre, entrou em funcionamento a Estrada de Ferro Dionísio, ligando da Estação Riacho a praia da Pedra Redonda na zona sul. (Koseritz Deutsche Zeitung)

Em 14 de janeiro de 1900, em Porto Alegre, é inaugurada a linha da Estrada de Ferro do Riacho, um marco na cidade, em direção a zona sul, entre a Estação Riacho e a Estação Tristeza, além do transporte de detritos até a Ponta do Mello, começou a levar passageiros em suas composições.
Linha Tristeza KM RS-2120
E.F. Riacho

Em 17 de fevereiro de 1900, em Porto Alegre, é fundada a Faculdade Livre de Direito, nas dependências da Escola Normal.

Em setembro de 1900, na América do Norte, Estados Unidos, o piloto americano Albert Bostwick, em uma corrida estabelece dois record’s de velocidade nas distâncias de 8 e 16 quilômetros, com um “automóvel francês”, movido a gasolina.
O carro muito barulhento causou sensação entre os espectadores do novo esporte, perigoso, mas emocionante.

Em 1901, na Europa, Suécia, em Estocolmo é entregue o primeiro “Prêmio Nobel”, instituído por Alfred Nobel (1833-1896), químico sueco, estudou a maneira de empregar a nitroglicerina como explosivo.
Em 1867, inventou a dinamite.
Em 1876, inventou um novo explosivo: gelatina explosiva ou dinamite-goma.
Em 1887, o governo adotou a pólvora sem fumaça.
Em testamento criou um prêmio e dexou sua fortuna a uma fundação destinada a distribuí-lo. – Seis prêmios anuais com valor monetário:
- O 1º, 2º, 3º às três pessoas que fizeram a descoberta mais importante na Física, da Química e da Medicina, 4º ao Escritor que tiver produzido obra do mais elevado ideal, 5º à Pessoa que melhor tiver agido em favor da “Paz”, 6º para destaque em Ciências Econômicas.

Os premiados da primeira edição:
Física – Wilhelm K. Roetgen (Alemanha)
Química – Jacobus H. van’t Hoff (Países Baixos)
Medicina – Emil A. von Behring (Alemanha)
Literatura - R. F. A. Sully Prudhomme (França)
Paz – Henri Dnat (Suiça)
Ciências Econômicas – Yan Tinbergen (Holanda)

Em 1901, na Europa, Inglaterra, Londres morre a rainha Vitória, que formou o maior império dos tempos modernos, é o “Fim de uma Era”.

Em 1901, na Oceania, Austrália, possessão britânica, torna-se uma Federação unindo suas 6 Províncias.

Em 1901, em Porto Alegre, o alemão protestante de origem russa Adolfo Kepler, aonde chegou com 14 anos, trabalhando como aprendiz de ferreiro, partia para a Colônia Neu-Wünttemberg (atual Panambí) para abrir sua própria ferraria.
Em 1914, assinou contrato para o fornecimento de iluminação pública a Colônia Neu-Wünttemberg. Então adquiriu um gerador de energia, anexou uma marcenaria a turbina.
Seus filhos Otto e Adolpho jr. mandou para Porto Alegre para aprender mecânica e ferraria. Otto foi à Alemanha, retornou em 1925, junto com o irmão Junior instalaram a Ferraria Kepler Irmãos, fabricando carroças, enxadas e foices.
Em 1935, compraram a Fábrica de Máquinas Agrícola e Industriais, sob a direção do alemão Paulo Otto Weber, especialista em moinhos, ele já projetara desde 1930 equipamentos mecânicos para a lavoura.
Em 1939, os irmãos Kepler convidaram Werber, nascia assim a Kepler Irmãos e Weber.
Em 1956, a Kepler Weber já fabricava os maiores engenhos de arroz no Brasil.
Em 1967, surgiu o Secador Minuano.
Em 1976, 90% das cooperativas do Brasil exibiam equipamentos KW.
Em 1996, já exportadora foi vendida para instituições financeiras.

Em 1901, em Porto Alegre, chega o Príncipe d’Ajuda José Custódio Joaquim de Almeida que se mudou para a capital, chegando com 70 anos de idade.
Foi morar no atual Bairro Cidade Baixa, na Rua Lopo Gonçalves, nº 498, cujos fundos davam para a Rua dos Venezianos (atual Rua Joaquim Nabuco), mas logo que o Príncipe ali se instalou, passou a rua a ser preferida pela gente de cor que procurava com isso acercar-se do homem que incontestavelmente, era um líder de sua raça.

Em 1901, em Porto Alegre, é inaugurado pelo intendente José Montaury o prédio da Intendência Municipal (atual Prefeitura Velha, local de despacho do Prefeito), construção iniciada em 1893, com 4 mil m², com o nome de Paço dos Açorianos (antigo Largo dos Ferreiros), em estilo neoclássico, com custo final de 000$500.
Edificio com planta em forma “H”, reflete o gosto pela monumentalidade da época.
As esculturas que ornamentam a fachada vieram da França e representam a Liberdade, História, Democracia, Ciencia, Agricultura, Indústria, e Comércio, Justica e República (existe uma estátua da Liberdade na fachada).
As escadarias laterais são guardados por dois leões de mármore em cada uma, escultura executada na Itália, representam o Poder e a Força, foram colocados mais tarde.
No interior do Paco Municipal figuras artísticas de bronze francesas.
Tombado pelo PHM em 21/11/1979. Localizada na atual Praça Montevidéu.

Em 24 de fevereiro de 1901, em Porto Alegre, é inaugurada a Grande Exposição Estadual, o século XX chegou trazendo ares de modernidade, enquanto recém-nascidas indústrias engatinhavam sob o olhar paternal da República.
Nesse cenário, para comemorar uma década da proclamação do novo regime, organizou-se a Exposição Estadual.
Prevista para ter início em 15 de novembro de 1900, ela acabaria sendo inaugurada em fevereiro de 1901.
Nesse dia, ao adentrarem o Campo da Redenção – cuidadosamente ajardinado para a ocasião, autoridades e visitantes encontraram, entre os 60 pavilhões das principais cidades gaúchas, milhares de expositores, sendo que, destes, mais de 300 eram de fábricas do Estado. Exibidas ali estavam às riquezas do Rio Grande do Sul e os produtos de maior qualidade e inovação.
Considerada o embrião da Multifeira e a atual Expointer, a Exposição Estadual de 1901 teve um total de 67 mil visitantes e fez a festa dos fotógrafos da época.

Desde a Exposição Estadual de 1901, já existe consumo popular por marcas, comendo biscoitos Leal Santos e chocolates Neugebauer, bebendo cerveja Ritter e Bopp, usando chapéus Teichmann, fumando charutos da Pook, Porto Alegre como o resto do Brasil vivia uma Belle Époque.

Porto Alegre havia entrado em um novo século, “O século da indústria”.

- Na Exposição Estadual foi uma mostra de produtos rio-grandenses, a partir da qual se pode ter uma idéia da evolução industrial do estado nesta época, bem como da variedade das pequenas empresas disseminadas principalmente pela zona colonial, entre elas:
- A Só & Filhos exibiu o primeiro motor a querosene fabricado no Brasil e levou uma medalha de ouro.
- A Companhia de Charutos Pook, de Rio Grande, com seus charutos ganhou medalha de ouro, era bom mesmo, quatro anos depois repetiu o feito em Saint Louis, nos EUA.
- A Chapéus Teichmann ganhou o primeiro prêmio, o que repetiu nos EUA.
- A Fundição Berta, nasceu com investimento de 100:000$000.
- A Fundição Becker com investimento de 200:000$000.
- A Fundição Ullner.
- A Companhia Fiação e Tecidos Porto-Alegrenses.
- A Companhia Fabril Porto-Alegrense.
- A Companhia Tecelagem Ítalo-Brasileira.
- A Companhia União Fabril, sucessora da Rheigantz (textil e vestuário), que já nasceu grande com investimento de 1.000:000$000 (um mil contos de réis)
- A Steigleder Carpintaria.
- A Rodolpho França (banha).
- A Neugebauer Chocolates.
- A Cristoffel e Ritter (cervejaria).

- Grande parte destas empresas pôde adquirir máquinas estrangeiras, mesmo em um período desfavorável para a importação de tecnologia do exterior.
Isso revela a existência de um montante de capital disponível, presenta na constituição da empresa ou a ela posteriormente agregado, que oermitiu a importação de tecnologia, mesmo em condições desfavoráveis de câmbio.

- Em Porto Alegre, neste início de século é fundado pelo belga Pierre François Alfonse Mabilde, o Estaleiro Mabilde (1856-1948), começou como uma oficina próxima a um trapiche no Centro, próximo ao Centro.
Instalou-se e prosperou na Ilha da Pintada até ser arrasado pela enchente de 1941.
Dois anos depois foi adquirido pela Cadem.
Em 1947, quando possuía 467 funcionários, o velho estaleiro foi encampado pelo governo.

- Na capital Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, as ditas “indústrias naturais” apresentavam-se como um reforço ao padrão de desenvolvimentoagropecuário local, contribuindo para solidificar a posição do estado como “celeiro do país”.
As indústrias da carne, do vinho, da banha, da cerveja, do couro, dos sabões, sabonetes e velas, da farinha, do fumo e textil foram as que predominaram ao longo de todo o período da República Velha (1889-1930).

Em 1901, em Porto Alegre, Lunara, pseudônimo de Luiz Nascimento Ramos (1864-1937), deixou para a contemplação do futuro a pequena, Porto Alegre do início do século XX. Comerciante bem-sucedido, dono de uma loja de Secos e Molhados, saía pelos arredores para fotografar a rua, as pessoas comuns, os namorados, os ex-escravos, os aguateiros, os imigrantes alemães do Vale dos Sinos, gaúchos a cavalo, a prainha da Tristeza, a Cascatinha, as lavadeiras e os pescadores do arroio Dilúvio — então riacho Ipiranga — estão entre algumas das paisagens por ele retratadas.
Congelou, em preto e branco, a Capital de 70 mil habitantes que seguia, passo a passo, o receituário positivista da modernização ainda com a delicadeza das grades rendilhadas nas fachadas. Como bem disse o cronista da Gazeta do Comércio, em 1903, Lunara é um “incorrigível amador da fotografia, que trata simultaneamente de açúcar e de tudo que passa... pela Praça”.
Seu olho jornalístico não deixou passar a tradicional Exposição Estadual festiva de abertura do novo século (1901), junto à Escola de Engenharia, revelando em panorâmicas os primórdios do nosso Parque de Redenção, um campo sem maiores atrativos onde os carreteiros comercializavam mercadorias do interior.

Em 26 de junho de 1901, em Porto Alegre, é fundado a Associação Cristã de Moços – ACM, sob a inspiração de princípios cristãos.

De 1901 a 1923, em Porto Alegre, funcionou em sua primeira fase, a Academia Rio-grandense de Letras.
Pinto da Rocha e Cesar Castro fundaram a Academia de Letras do Rio Grande do Sul, que se reuniu de 1910 a 1924.
Ari Martins e outros intelectuais organizaram o Instituto Rio Grandense de Letras, que teve curta duração de 1932 a 1934.
Em 1935, com a comemoração do Centenário Farroupilha, retornou a funcionar a Academia Rio Grandense de Letras.
Durante o ano de 1943, escritores resolveram fundir as duas academias em uma só.

Em 1902, na África, a Grã-Bretanha vence a Guerra dos Bôeres e conquista o Transvaal (atual África do Sul).

Em 1902, na América Central, Caribe, a Ilha de Cuba proclama-se uma República.

Em 1902, no Brasil, Rio Grande do Sul, o movimento messiânico conhecido como “Os Monges do Pinheirinho”, na região do atual município de Encantado é massacrado pelas forças da Brigada Militar.

Em 1902, em Porto Alegre, o Club Excursionista e Sportivo (fundado em 07 de junho de 1896), introduziu em sua sede a prática do Tênnis.

Em 1902, em Porto Alegre, é construída a Hydráulica Guaybense (atual Hidráulica do Moinhos de Vento), no arraial São Manuel (atual bairro Moinhos de Vento), no alto do espigão.

Em 12 de maio de 1902, 05h30min, na Europa, França, em Paris no Parque Vaugirard o brasileiro deputado federal Augusto Severo de Albuquerque, potiguar, e seu mecânico Sachet, apresentou diante dos presentes o seu balão “Pax” (30 metros de comprimento, 12 de diâmetro maior, dois motores), as amarras foram soltas e ganharam altura normalmente, após 15 minutos, o balão explodia, por um vazamento de gás.
O sacrifício brasileiro pela conquista do espaço.

- Augusto Severo foi o primeiro a discernir e apregoar a diferença de princípios entre a navegação marítima e a aérea:
- “... uma vez que aquela possui o privilégio inestimável de poder colher um plano conveniente à linha de marcha...”.

Em 07 de agosto de 1902, no Brasil, na região do Acre, a disputa entre o Brasil e Bolívia e influência pró-Bolívia dos Estados Unidos, que tinham interesses na rica região, os bolivianos entregavam a multinacional Anglo-Bolivian Syndicate.
O gaúcho Rodrigo Carvalho, fiscal da fronteira, conclamou seu conterrâneo o líder caudilho, o gaúcho José Plácido de Castro (1873-1908) a proclamar a Independência do Acre, começaram então as negociações com o governo da Bolívia, tendo o Barão de Rio Branco, representante do Brasil a frente, em novembro de 1906 foi assinado o Tratado de Petrópolis, segundo o qual a parte meridional do Acre, reconhecida boliviana, mas desbravada e colonizada por brasileiros passava à posse do Brasil em troca de indenização de 2 milhões de libras e a promessa da construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré (jamais terminada).

Em 15 de novembro de 1902, no Brasil, no Rio de Janeiro, capital federal, Francisco de Paula Rodrigues Alves (15.11.1902-15.11.1906), quinto presidente da República, Paulista, Partido Republicano Paulista – PRP, vice Silviano Brandão e Afonso Augusto Moreira Pena.
Com a saúde financeira, a capital federal, a cidade do Rio de Janeiro na administração municipal do engenheiro Francisco Pereira Passos foi transformada em cidade moderna, ruas foram alargadas, avenidas foram abertas e o porto remodelado, ao mesmo tempo o médico sanitarista Osvaldo Cruz acabou na capital coma febre amarela e com a peste bubônica.
Neste período foi criado o 1º Cardinalato na América, sendo purpurado D. Joaquim Arcoverde, arcebispo do Rio de Janeiro. Nas relações exteriores a foi gigantesca a obra do Barão de Rio Branco.

Em 1903, na América Central, acontece a independência do Panamá, com a concessão aos Estados Unidos do controle do Canal trans-oceânico, ligando os oceanos Atlântico ao Pacífico, através de canais e comportas.

Em 1903, no Brasil, anexação do “Território do Acre” através do tratado de delimitação das fronteiras com a Bolívia.

Em 1903, em Porto Alegre, chega o Foot-Ball.
- Era muito comum nos primeiros anos do século XX, em Porto Alegre, os caixeiros de nossas casas de comércio reunirem-se, antes da abertura dos estabelecimentos, para palestrar sobre política e outros assuntos. E um ponto de reunião que se tornou famoso foi o local fronteiro a antiga Praça Paraíso (Praça XV de Novembro), onde participavam os empregados de importantes casas situadas defronte e no início do Caminho Novo (Rua Voluntários da Pátria).
A reunião era na porta da Casa Carlos Júlio Becker, onde trabalhavam o sorocabano Cândido Dias da Silva, ou na porta da Farmácia Calléia, onde era empregado Pedro Haefner, que exerciam liderança sobre o grupo.
Ponto movimentado; havia nos arredores três famosas tabacarias: - Casa Negra, Casa Pavão e Casa Tigre. Além da importante Casa Pimenta, Schneider, Germano Lemck e tantas outras.
Candido Dias da Silva recebeu de presente uma bola de couro dos irmãos em São Paulo.
Mostrou aos amigos que resolveram ir fazer um pic-nic na Cascata da Glória, em um domingo, levados de bonde puxados por burros.
Pedro Haefner teve a idéia de escrever e perguntar aos irmãos de Cândido a maneira de utilizá-la, foi enviada a “Referee Chart” traduzida do inglês, nas regras oficiais havia um apêndice da maneira de “shootar” bem e também como organizar uma sociedade.

Em 1903, em Porto Alegre, foi fundada por luso-brasileiros, a primeira associação nos moldes do associativismo teuto-brasileiro, sendo escolhida a prática esportiva do remo: - o Grêmio de Regatas Almirante Tamandaré.

- É provável que esta associação de remo luso-brasileira seja resultado do movimento que foi potencializado pelo turfe, desde meados do século XIX, no sentido da mobilização em torno de uma prática esportiva procurando incentivá-la e apoiá-la, enquanto um esporte.
Tanto luso-brasileiros como teuto-brasileiros, pareciam ter como objetivo, em um confronto de identidades, a preservação de seus elementos culturais através do associativismo esportivo.

Em 30 de janeiro de 1903, em Porto Alegre, é fundado o Museu Histórico do RGS, ainda sem sede, somente acervo.
Em 1905, com a morte de Julio de Castilhos o Governo do Estado adquire sua casa dos herdeiros, e ali instala o denominado Museu Julio de Castilhos, na Rua Duque de Caxias.

Em 15 de agosto de 1903, em Porto Alegre, a Estrada de Ferro Porto Alegre/ Novo Hamburgo da “The Porto Alegre and New Hamburg Brazilian Railway” foi estendida até a cidade de Taquara, por João Corrêa Ferreira da Silva, alcançando Gramado em 1922 e Canela em 1924, vencendo um desnível de 798 metros.

Em 07 de setembro de 1903, em Porto Alegre, o Sport Club Rio Grande, da cidade de Rio Grande, a primeira agremiação de futebol do Brasil (fundado em 19/06/1900 por ingleses e alemães), faz um jogo-exibição de um “match” de “foot-ball” nos Campos da Várzea (Redenção), por esforço do desportista Oscar Canteiro, o “primeiro na cidade”.

- O jornal A Federação, de Porto Alegre, reproduziu a reportagem de um jornal francês referindo-se ao foot-ball (futebol) como um massacre.
Por isso 1.500 pessoas foram ao Velódromo da Redenção assistir a chacina. Após a edição o jornal noticiara:
- “A todo instante os jogadores chocavam-se uns aos outros, rolando uns pelo chão, caindo outros de costas, de um lado, fazendo toda a sorte de piruetas. Porém, bem depressa erguidos novamente, já iam correndo atrás da bola”.

- O jornal Correio do Povo informava:
- “O povo formou círculo em torno dos sinais e, pouco depois, os grupos denominados Cores e Brancos começaram a luta renhida de foot-ball”.

- O grupo de vinte jovens do futuro Fuss-Ball e do Grêmio FBPA compareceram no jogo, e observaram os “players”.
No meio do “match” (jogo) furou a bola, os rapazes do Grêmio emprestaram a sua única para terminar a partida.
No fim do jogo solicitaram informes sobre o que deveriam fazer para a fundação da agremiação:
- Sócios da União Velocipédica,
- Ciclistas da Sociedade Blitz, que entusiasmados decidiram fundar um clube de foot-ball (futebol).

Em 15 de setembro de 1903, na manhã, em Porto Alegre, depois da apresentação do S. C. Rio Grande em 07/09/1903 foi fundado por alemães membros da agremiação Blitz o Fuss-Ball Club Porto Alegre, time de foot-ball (futebol), verde e branco, que dois meses depois foi instalado num campo aos fundos do Velódromo da Blitz, cedido pelo Dr. Vitor Englert, a agremiação já estava bem constituída, mas no início não tinha bola, esta encomendada ao Sr. Ricardo Weinheber, cunhado do Sr. Schnitzer, um dos fundadores. A bola quando chegou não era bem redonda e ficou conhecida como “ameixa”.

Em 15 de setembro de 1903, em Porto Alegre, é fundado por rapazes da colônia alemã o tricolor Grêmio Foot-ball Porto-Alegrense nasceu da bola do Cândido Dias, dito pelo fundador Pedro Haeffner, que na época era funcionário da Farmácia Calleya, integrava o grupo de fundadores, afirmação feita ao Correio do Povo em abril de 1949.
As reuniões foram feitas no nº 47 da Rua Santa Catarina (Dr. Flores), na “república” onde residiam Joaquim Ribeiro e Cândido Dias.
Correu a Lista, nem todos assinaram.
A reunião oficial aconteceu no Salão Grau. Era um dos “3-11” que existiam em Porto Alegre e estava situado em frente à Praça XV (junto a Galeria Chaves).

- As cores foram apresentadas por Joaquim Ribeiro, havana, branco e preto, Cândido Dias (o dono da bola) queria o encarnado no lugar da cor havana (cores do Estado de São Paulo), mas foi vencido por três votos e saiu da diretoria.
Na dificuldade de encontrar a cor havana na praça para confecção das blusas, em outra reunião, por unanimidade apontando o azul no lugar do havana.
O brasão nasceu da bola de Cândido Dias, seu dono.

O local dos primeiros ensaios (treinos) era escolhido durante a semana, à maioria opinava:
- No fim da linha de bondes da Glória, no Morro da Polícia.
- Na Várzea do Gravataí, onde havia a invernada da Brigada Militar (esta cedia suas instalações para servir como vestiário).
- Após os treinos foram para o local onde está instalado o 4º Distrito Policial em São João.
- Treinou também no campo que existia na Dr. Timóteo, entre a Floresta e Marquês do Pombal, onde esteve em trato adquirir o terreno.
A União Velocipédica, a mais famosa de Porto Alegre. Possuía o melhor velódromo do país, na esquina da Rua Conceição com o Bom Fim, onde havia acontecido à apresentação do Rio Grande F. C., ofereceu o seu local para os treinos do novo clube, ali começou os ensaios para o primeiro “match”, muitos sócios da União Velocipédica se associaram ao Grêmio FBPA, entre eles Augusto Koch.

- O grande artífice da ida do Grêmio para a Baixada dos Moinhos de Vento foi o major Augusto Koch que já no fim de 1903 sugeria fosse à novel agremiação tricolor instalada na “Schuetzverein Platz”.
Nomeada uma comissão para proceder ao reconhecimento do terreno e apresentar parecer, a mesma aprovou sem restrições.
O encarregado da venda do terreno queria dinheiro vivo (que não existia), necessitava o Grêmio de 10 contos de réis, mas este numerário não existia, pois este estava fundado à apenas quatro meses.
Augusto Koch com sua fibra apelou a amigos e conseguiu a quantia por empréstimo do Sr. Waldemar Bromberg e efetuou a aquisição do “fortim”.
O gramado da Mostardeiro ou Baixada, considerado depois de estruturado o melhor do Brasil, com seu palanque em madeira, onde equipes famosas vergaram-se ante ao esquadrão “mosqueteiro”.
Para a torcida do “glorioso” o “fortim” da Baixada era o próprio Grêmio FBPA.

Em 24 de outubro de 1903, em Porto Alegre, falece Julio Prates de Castilhos (29.06.1860-24.10.1903) de um câncer na garganta (fumante inveterado), o Governo do Estado homenageou, de forma sem precedente, o endeusado “Patriarca do Rio Grande do Sul”.
O seu enterro se fez uma estupenda consagração popular, arrancando de Pereira Cunha, o último romântico da tribuna do Rio Grande do Sul, aquela imagem de que tanta tristeza e tantas lágrimas, dando a impressão que o povo ia a caminho do cemitério conduzindo seu próprio coração.
Seu túmulo uma obra de arte no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia.
A Oração Panegírica diz:
- “A sepultura deste grande homem há de ser para os seus contemporâneos a Meca das romarias mulçumanas e para os pósteros será como o Pantheon de Agripa aos modernos forasteiros, que vão, ainda hoje, visitar nas ruínas da Roma lendária da loba amamentando os gêmeos, não a grandeza desse monumento, que resistiu a derrocada dos césares, à erupção dos bárbaros, à revolta das idades, mas a modesta simplicidade da tumba...”
“... À campa do Júlio, irá, por ora, tão somente a multidão dos fanáticos que o amaram em vida, porque o fanatismo é a última expressão alevantada e nobre da admiração e do respeito de quem já não pode traduzir pela palavra o estuar do sangue...”

- Foi esse fato um acontecimento da maior relevância para história política e mesmo sociológica do povo rio-grandense, em cujas idéias de Augusto Comte tiveram franca e profunda expansão.
Na Religião da Humanidade, atualmente não existem ecos naquela sentença dogmática:
“Os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mortos”.
Julio de Castilhos vai e nos deixa o lema positivista que pregava diante do pavilhão nacional:
“O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim.”
Ordem e Progresso”

Em 31 de outubro de 1903, em Porto Alegre, é proferida no Theatro São Pedro a Oração Panegírica na Sessão Fúnebre, celebrada pela Mocidade Acadêmica de Porto Alegre, em homenagem a memória do Dr. Júlio de Castilhos.

Em 18 de novembro de 1903, em Porto Alegre, na residência de Joaquim Ribeiro, estavam reunidos dirigentes e sócios do Grêmio FBPA, quando de surpresa se apresentou o Sr. Reinaldo Schoeler, “capitain” do Fuss-Ball Clube Porto Alegre para convidar o coirmão para uma tarde esportiva, o pedido foi aceito, e já nomeada uma comissão. Várias reuniões tiveram a incumbência de organizar a primeira tarde de futebol entre “players” da capital. A resolução foi de realizar dois jogos, mas divididos em “quatro páreos” (quatro tempos). Deveriam se realizar outros dois em caso de empate.

Os prêmios: Vereinpreiss, ou seja, prêmio das sociedades e
                    Wenderpreiss, ou seja, prêmio móvel.

Interessante é que é a mesma denominação dos prêmios das primeiras regatas realizadas anos antes.
O Sr. Guetschow, gerente da filial do Banco Alemão ofereceu o prêmio para ser disputado em definitivo, entres os quadros secundários. O prêmio principal e as medalhas foram encomendados da Alemanha.
O primeiro jogo foi marcado para 06 de março de 1904, havia quatro meses para treinar.

- Os treinos foram iniciados intensivamente. Seguiam os sócios das duas sociedades para os campos, de manhã cedo e regressavam a hora do comércio abrir. Nos domingos os treinos eram mais “puxados” como se dizia.
O movimento era grande nos pontos de reunião dos dois clubes. Falava-se do confronto como um grande acontecimento.
E assim a iniciativa do Fuss-Ball, lançada pelo desportista Reinaldo Schieler, ciclista, remador de notáveis qualidades, nome já famoso no acanhado ambiente esportivo de Porto Alegre.

No final de 1903, em Porto Alegre, o intendente municipal Dr. José Moutaury de Aguiar Leitão, entrou na cogitação de ser incluído na representação do Estado do Rio Grande do Sul na Exposição de Saint Louis de 1904 (EUA) “maior evento do início do século XX”, convidava o Grêmio FBPA a “novel club” para enviar umas fotografias de seus quadros para ornar a mostra do Estado.
(A foto foi feita com o fardamento da fundação em 1903)
Figuram no quadro 23 “players” (jogos) com a blusa de listras horizontais, gravata branca e um bonêt na cabeça, meias pretas e sapatos brancos. No centro uma placa do club e a famosa bola.


Assim nasceu o primeiro clássico de Football (futebol) de Porto Alegre
Fuss-Ball x Grêmio FBPA


Em 1904, na Ásia, China, a Rússia em disputa com o Japão pela Manchúria deflagra a Guerra Russo-Japonesa, o Japão sai vencedor.

Em 1904, na África, a “Entente Cordiale” (acordo amigável) entre França e Grã-Bretanha concede ao primeiro país a soberania sobre o Marrocos e ao segundo o Egito.

Em 1904, no Brasil, Rio de Janeiro, acontece a Revolta da Vacina, contra o sanitarista Oswaldo Cruz, a população pobre se revolta contra a campanha de higienização e vacinação obrigatória para acabar com os focos de doenças da cidade.

- O presidente da República Rodrigues Alves por sua apologia ao liberalismo econômico, acabou fazendo um governo criticado “por cima” pelas elites oligárquicas e “por baixo” pelo povo empobrecido pela carestia, que acabou expulsando-os da cidade na reurbanização do Rio de Janeiro pelo engenheito Pereira Passos.
Militares tentam depor o presidente, mas este decreta Estado de Sítio por um mês e vence os rebelados.

Em 07 de fevereiro de 1904, em Porto Alegre, foi fundado o Colégio Marista Rosário pelos irmãos maristas Louis-Bernard e Ambroise-Michel, e as primeiras aulas ocorreram nas dependências da Igreja do Rosário, em um espaço muito acanhado.
A escola foi transferida para diversos lugares provisórios até que, em 1927, foi inaugurado o prédio em que se localiza atualmente, na Avenida Independência, bairro Independência, próximo ao Centro e à Praça Dom Sebastião, numa área privilegiada, com mais de 43 mil metros quadrados.
.
Em 1904, em Porto Alegre, é lançado ousado projeto do presidente do Estado Borges de Medeiros:
“Porto Alegre, porto de mar”.

- Era a idéia da construção do Porto de Porto Alegre, a cidade trazia a palavra “porto” até no nome, que recebera os imigrantes, surgir os estaleiros e assistira ao comércio e a indústria se desenvolver.
Era um porto no fim de duas linhas:
- Aquela que vinha do mar via Rio Grande à cidade,
- A outra, que partindo dos portos fluviais, às margens dos rios formadores do Guaíba ali encontrava o seu terminal.
Até o início do século XX, o cais de Porto Alegre era acanhado e ineficiente, centenas de trapiches se alinhavam rio à dentro.
O plano esbarrou na burocracia e nos meandros da política. Nada foi realizado até 1911.

Em 1904, em Porto Alegre, começou a funcionar o “recolhimento sistemático de cães e gatos” vadios na Capital.

Em 1904, em Porto Alegre, está o corredor italiano José Porro, noticiado como grande sensação, este desafiava todos até cavalos.
Corria nos prados da capital: - Rio Grandense, Boa Vista e Navegantes e também em São Leopoldo, e vencia sempre com larga diferença.

Em 1904, em Porto Alegre, o alemão Pedro Wallig (1856-1913), funda a Wallig e Cia., é o começo do crescimento da metalurgia em Porto Alegre, nos próximos anos.
Em 1912, assume o filho João Wallig, e transfere-se para o novo endereço na Rua Voluntários da Pátria, no bairro dos Navegantes, entre as ruas Sete de Abril e Almirante Barroso, instalando-se em pequenos pavilhões.
Em 1919, com a nova fundição com 100 máquinas e 10 motores elétricos fabricava 12 mil camas, quatro mil fogões e 300 cofres.
Em 1922, ocupava um quarteirão inteiro, 8 mil m2, onde além de camas, fabricava portas de aço, para casas-fortes, fogões, cofres, prensas de copiar e móveis de ferro.
Em 1927, foi montada a primeira esmaltaria de Porto Alegre; com flores primorosamente pintadas a mão, os fogões Wallig foram conquistando o público feminino.
Em 1954, Werner Pedro Wallig, filho de João e neto de Pedro, assume a presidência e forma a Máquinas e Lavanderias Wallig S.A., que além de produtos domésticos tinha a linha industrial.
Em 1958, é lançado o fogão Visoramic (visor panorâmico e controle automático de temperatura por termostato).
Em 1960, na TV Piratini, era apresentado o “Grande Show Wallig”.
Em 1964, após a morte de João Wallig, Werner aceitou uma imposição do ministro Delfin Neto para abrir uma fábrica em Campina Grande-PB, o grande investimento e falta de mão de obra, começou a consumir o patrimônio.
A grande indústria agora instalada no bairro Cristo Redentor nas esquinas da Avenida Assis Brasil com Francisco Trein se perdia no tempo, em 1981 entra em concordata, e uma imensa briga jurídica vai iniciar.

Nota:
- Nas décadas de 1960-70, na infância deste cronista que morava em Cachoeirinha e tinham os avôs maternos, ela de origem alemã, Emma Bauer Pires e ele de origem indígena/portuguesa (bugre), José Rodrigues Pires Neto, residiam na Vila SESI (atual Jardim São Pedro), Rua da Várzea esquina Ernesto Miranda, nº 243, no bairro Cristo Redentor.
- “A parada do ônibus ficava na calçada da Avenida Assis Brasil, junto a cerca de tela, defronte a fábrica do Wallig, com seu grande Portão de Ferro e os mastros de bandeira bem na esquina com a Rua Francisco Trein (atual Shopping Bourbon Wallig); o barulho das máquinas e chapas era ensurdecedor, e ficava em meu imaginário o que lá se passava.”

Em 1904, em Porto Alegre, o município encampa os serviços da Hidráulica Guaybense (atual Hidráulica do Moinhos de Vento) e os Reservatórios dos Moinhos de Vento.

Em 1904, em Porto Alegre, na Rua da Independência, número 88, tem início à construção do palacete (atual Casa Godoy), por iniciativa de Arno Bastian Meyer, comerciante gaúcho de descendência alemã, a casa em estilo “arte nouveau”, projeto do arquiteto Otto Hermann Menchen. Obra terminada em 1907. Foram moradores desta casa:
- Família Meyer, Arno Bastian Meyer, esposa e uma filha,
- Família Grecco, alugou na década de 1910, Januário Grecco, Angelina Grecco e os filhos Loli, Odone, Lika, e Mimosa e a caçula que nasceu na casa Maria Ângela.
- Família Tschiedel, comprou em 1926, Francisco Tschiedel Filho, Ema Rizzo Tschiedel, e mais sete filhos.
- Família Godoy, comprou em 06/11/1936, Jacintho Godoy, Eulália Godoy, os filhos Wanda, Jacintho Godoy Filho, Carlinda, Luiz Philipe.

Em janeiro de 1904, é noticiado em Porto Alegre:
- O Fuss-Ball Clube Porto Alegre convidou para um “match” (jogo) o Grêmio Porto Alegrense, o primeiro para 06/03 e 09/04.
- Este aceitando o convite iniciou seus treinos na rua Dr. Timóteo, proximidades da Floresta.
- O match deverá ser realizado na cancha do Fuss-ball ao lado do Velódromo da Blitz.
- Pelos dois clubes foi instituído o prêmio “Viajor”.
Ao vencedor desse páreo, será oferecido como prêmio um bonito copo de metal branco e ao outro um copo de louça.
Os dois prêmios que são de gosto estão expostos na vitrine dos Srs. Luiz Woelker e Cia., à Rua dos Andradas.
Por desconhecimento da nomenclatura futebolística, utilizam a do remo.
Partida era pareo e a premiação, com nomes em alemão, era tomada das provas náuticas “Wandepreiss” e “Vereinpreiss”.

Em 06 de março de 1904, domingo, em Porto Alegre, se realiza o primeiro clássico de foot-Ball (Futebol) entre o Fus-Ball Club Porto Alegre e o Grêmio FBPA.
O “match” (jogo) está marcado para as 3 horas da tarde, para a disputa do Wanderpreiss e Vereinpreiss.
A entrada para a cancha no Velódromo Blitz, cujos sócios são convidados.
O match se realizou na cancha do Fuss-Ball, que custeou as despesas com a festa.

Os jogos eram alternados, primeiro um tempo principal, em 30 minutos, depois um tempo do jogo secundário, em 20 minutos e depois os outros dois tempos, alternados com a mesma duração do primeiro. E não valia empate. Haviam previsões para os “páreos” suplementares para decidir de qualquer forma os prêmios.

Times:

Vereinpreiss
Azul-preto: A. Koch (capitão), P. Strehlau, E. Panitz, J. Geskhe, E. Geyer, P. Schuck, G. Kallfelz, A. Brochado, E. Gerlach, O. Muessnich.

Verde-branco: H. Brenner (capitão), R. Campani, Rud. Schoeler, Jacob Schmitt, E. Schmit, Th. Reiniger, W. Heckmann, W. Falk, F. Strattmann, W. Assmuss, E. Becker.

- O Grêmio FBPA foi o vencedor por um goal.

Wanderpreiss
- O Wanderpreiss será disputado de seis em seis meses, para ficar de posse definitiva do vencedor, deverá ser ganho três vezes consecutivas. Ao vencedor compete realizar a festa seguinte.

Azul-preto: O. Siebel (capitão), A. Knewitz. C. Faedrich, G. Uhrig, P. Huch, A. Siebel, A. Schwarz, A. Cattaneo, P. Cleres, J. Knewitz e J. Stelczyk.

Verde-branco: Rein. Schoeler (capitão), O. Matte, A. Matte, W. Trein, O. Schmitt, O. Schatza, A. Becker, O. Heuser, T. Kraemer, E. Becker.

- O Grêmio FBPA (azul-preto) foi o vencedor do Wanderpreiss, não se sabe a quantidade de goals e nem quem foi o autor.

Juizes: Waldemar Bromberg de linha Eugenio Sattler, e Candido Dias, no Wanderpreiss e Germano Steigleder Sobrinho e Afonso Knewitz, no Vereinpreiss.

Em 23 de março de 1904, em Porto Alegre, morreia na Santa Casa de Misericórdia Apolinário José Gomes Porto Alegre (*29.08.1844-+23.03.1904), “um grande homem” que criou a Sociedade Parthenon Literário colaborou em diversos jornais literários, deixou obras de filosofia, história, contos regionalistas, romances, poesia e teatro, revoluciou o ensino, fundou clubes republicanos em plena Monarquia, sofreu a tirania e perseguição dos republicanos castilhistas por discordar das idéias Positivistas.

Em 1905, na Ásia, China, Sun Yat-Sen torna-se líder do nacionalismo chinês.

Em 1905, na Europa Oriental, Rússia, acontece à primeira Revolução Russa.

Em 1905, na Europa, Alemanha, o físico Albert Eisntein fórmula a “Teoria da Relatividade” (E=M22).

Em 1905, num domingo, em Porto Alegre, é feita a primeira apresentação de um balão de hidrogênio, pelo português Magalhães Costa e sua esposa, no picadeiro do Circo de Touros nos Campos da Redenção:
- No primeiro domingo o balão, pegou vôo e por causa do vento, caiu junto ao Riacho (Arroio Dilúvio) na Rua João Alfredo.
- No segundo domingo, em companhia de sua esposa o vôo foi bem sucedido, subiu do picadeiro e sobrevoou o centro da cidade se dirigindo sobre o Guaíba e descendo em Pedras Brancas (atual cidade de Guaíba).

Em 1905, em Porto Alegre, o intendente José Montaury para aumentar a vazão do Riacho (Arroio Dilúvio) que transbordava rapidamente nas chuvaradas, foi aberto um Canal em linha reta retirando a curva na altura da Ilhota que se formava junto a Praça da Concórdia (atual Praça Garibaldi) e se juntava ao Arroio Cascata, gerando muitas calamidades no local.

Em 1905, em Porto Alegre, é fundado a Escola de Guerra.

Em 1905, em Porto Alegre, após o suicídio da viúva de Júlio Prates de Castilhos, a casa da Rua Duque de Caxias é adquirida de seus herdeiros pelo Estado e ali instalou o Museu Júlio de Castilhos.

Em 06 de junho de 1905, no Brasil, Rio de Janeiro, capital federal, o governo unificou a Rede Ferroviária no estado do Rio Grande do Sul, tais estradas de ferro foram então arrendadas à empresa belga Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil; tal empresa foi responsável pelas construções posteriores.

Em 1906, em Porto Alegre, na Vila Nova d’Itália (atual Vila Nova) o colono italiano Vicente Monteggia foi a Itália (Europa) buscar “mudas de uva” de qualidade para plantar nas encostas da colônia.

Em 1906, em Porto Alegre, foi fundada a Instituição do Pão dos Pobres, obra do inesquecível Cônego Marcelino, criada para servir a juventude desamparada.
Ao norte da Cidade Baixa, o Beco do Oitavo era famoso pelas “desordens e meretrício” (também conhecido por baixo meretrício), localizava-se na região o 8º Batalhão de Infantaria.

Em 1906, em Porto Alegre, a Estrada de Ferro do Riacho/Tristeza, levava os dejetos até a Ponta do Dyonísio, a cidade ainda era desprovida de esgoto, quase que totalmente.

Em 1906, em Porto Alegre, o presidente do Estado Borges de Medeiros, com relação ao Porto de Rio Grande, única porta de entrada do estado, disposto a mudar de vez a situação que se mantinha atrasado e distante dos mercados.
Fez um acordo com o engenheiro Elmer Cortheill, que organizou a Company Porto of Rio Grande do Sul (com sede nos EUA) para construir o porto e explorá-lo por 70 anos.
Já dizia o “Tribuno” Gaspar Silveira Martins:
- “A barra não tem querer”, tonitruou o caudilho quando lhe disseram que um navio não pudera entrar em Rio Grande devido as imposições da “Barra Diabólica”, o braço que às vezes dava acesso ao único porto de mar gaúcho, e por mais de dois séculos a vontade que se impôs foi a da Barra.

Em 24 de janeiro de 1906, em Porto Alegre, a Companhia de Carris de Ferro Porto-Alegrense - CFPA e a Companhia de Carris Urbanos de Porto Alegre – CUPA, se fundiram e formaram a nova Companhia Força e Luz Porto-Alegrense - CFLPA, que mais tarde passou a operar todas as rotas de bonde e serviços elétricos na cidade.
A CFLPA começou a eletrificação do sistema de bondes, estabelecendo medidas padrão de 1.435 mm, bitola.

Em 1º de abril de 1906, em Porto Alegre, é fundado o Ruder Verein – Freundschaft (Sociedade de Regatas Amizade), por seis jovens de origem alemã, que tinham o remo como esporte favorito.
Em 1917, por ocasião da Primeira Guerra Mundial alterou para “Sociedade de Regatas” e depois “Grêmio Náutico” e a palavra “amizade” por “União”.

Em 14 de abril de 1906, em Porto Alegre, para melhorar o transporte coletivo as duas empresas de “transway” Bondes de tração animal fizeram uma fusão e assinaram contrato com a municipalidade, a Cia. Carris de Ferro Porto-Alegrense e Cia. Carris Urbanos e constituíram a Cia. Força e Luz e construíram a Usina Elétrica para a eletrificação do sistema de bondes e fornecimento de energia elétrica.

Em 15 de abril de 1906, em Porto Alegre, chega o primeiro Automóvel, um De Dion Bouton importado pelos Irmãos Grecco, proprietários do Cinema e Theatro Apolo, Januário Grecco (o Genarino) não sabia dirigir, disseram que havia um presidiário italiano que havia sido motorista na Itália, foi pedida uma autorização ao governador Borges de Medeiros e ao intendente (prefeito) José Montaury, e contratou o serviço do preso da Casa de Correção, os Grecco se prontificaram a guardar o preso, e assim andavam para cima e para baixo.
O segundo motorista da família foi o Armando (um senhor moreno, escuro, tipo índio), os filhos de Grecco faziam gato e sapato dele.

Em 22 de agosto de 1906, em Porto Alegre, a Cia. Carris encomendou 37 bondes elétricos da United Electric Co. em Preston, Inglaterra. A United Electric foi renomeada em 1918 e se associou com a Dick, Kerr & Co., foram numerados de 1 a 37, para circular na nova rede eletrificada sendo construída e inaugurada em 1908.

Em 18 de setembro de 1906, na Ásia, Hong Kong, sudoeste da China, acontece um Tufão seguido de um tsunami matando aproximadamente 10 mil pessoas. Rajadas e ventos de até 161 km/h varreram vidas e construções.
A cidade protegida pela barreira natural formada pelas Filipinas e por Taiwan foi surpreendida.

Em 03 de outubro de 1906, em Porto Alegre, acontece a “primeira Greve Geral”, a principal reivindicação dos cerca de 3 mil trabalhadores parados era a redução da jornada de trabalho de dez horas. Queriam oito horas para homens e seis horas para mulheres e crianças.
Nem na Europa, onde os socialistas só perdem em força para os católicos, fez-se essa concessão, bradou a certa altura o líder dos patrões, o Major Alberto Bins, dono da Fundição Berta via casamento e futuro intendente de Porto Alegre. O governo do Estado através do presidente Borges de Medeiros deixou que a burguesia resolvesse, na esfera privada as demandas dos trabalhadores, e ao mesmo tempo por meio da Brigada Militar, comandou a repressão.
O líder dos trabalhadores Francisco Xavier da Costa, ainda tentou a redução da jornada de trabalho para 8 horas e 45 minutos, mas não obteve sucesso.

A saída do Colono do Campo, o novo Operário
- Era preciso que o capital financeiro deparasse com o mercado de trabalho constituído de homens livres. Em parte, essa condição foi suprida pela própria área colonial imigrante, através da liberação de braços da lavoura que debandaram a cidade em busca de trabalho. Retomando o processo de subordinação do pequeno proprietário rural ao comerciante, tem-se a situação de um empobrecimento progressivo do colono, que não tinha condição de introduzir melhorias técnicas que pudessem reorientar a agricultura extensiva praticada no lote.

- O resultado básico foi o esgotamento crescente e a perda da produtividade de uma terra muitas vezes subdividida por herança entre famílias de descendência numerosa. As saídas encontradas pelos colonos foram, por um lado, o abandono do lote colonial por parte da descendência, que buscou adquirir novas terras em áreas mais longínquas ou tentou encontrar emprego nas indústrias nascentes nos núcleos coloniais ou nos centros urbanos, em especial Porto Alegre. Era comum, os elementos egressos do mundo rural buscavam colocação em empresas formadas a partir de elementos da mesma etnia.
Para os empresários, esta mão-de-obra era extremamente vantajosa, porque portadora de uma qualificação artesanal, apropriada. Portanto, ao estágio fabril-manufatureiro das empresas, no qual se combinava o uso incipiente de máquinas com o trabalho manual do artesão.
O processo de imigração-colonização continuou dando entrada a elementos estrangeiros que eram operários em sua terra de origem e que necessariamente não se dirigiam para a lavoura colonial.

- A Região da Campanha não dispunham de um mercado amplo como da região abarcada pelo complexo colonial.
O fato da população da Campanha ser rarefeita e de as relações assalariadas na estância não serem perdominantes (ou seja, o trabalhador rural recebia muitas vezes casa e comida em lugar de um salário monetário) fez da zona da pecuária tradicional um mercado consumidor de menores proporções que aquele da zona colonial.

Em 21 de outubro de 1906, em Porto Alegre, a Greve Geral terminou:
- o Partido Socialista, fundado em 1897,
- o Partido Operário Rio-Grandense, fundado em 1905, sofriam a influência dos social-democratas alemães, e a praticavam nos sindicatos.

Em 23 de outubro de 1906, na Europa, França, em Paris, no Campo de Bagateli, Alberto Santos Dumont concretizou fazer voar um objeto mais pesado que o ar.
O aeroplano 14 Bis, construído em bambu e tecido, tinha asas, um motor de 24 cavalos a explosão, e nos testes foi erguido pelo balão nº 14 (por isso o nome) e puxado por um burrico, antes de voar de forma autônoma.
Foi reconhecido pela Federação Aeronáutica Internacional como “Pai da Aviação”.

Em 11 de novembro de 1906, no Brasil, Rio de Janeiro, Afonso Augusto Moreira Pena (15.11.1906-14.06.1909), sexto presidente da República, Mineiro, Partido Republicano Mineiro – PRM, vice Nilo Peçanha.    O lema do seu governo “Governar é Povoar”.

Facilitou a vinda de levas de imigrantes japoneses para a lavoura e de grupos sírio-libaneses, que se dirigiam para o comércio. Dificultou a entrada de produtos estrangeiros no país, elevando as taxas de importação. Portos foram remodelados e modernizados. A rede ferroviária foi ampliada, a rede telegráfica alcançou as mais isoladas regiões, graças ao trabalho do então coronel Cândido Rondon.
Neste período Rui Barbosa representou o Brasil na Conferência de Haia, atraindo a atenção do mundo.
Foram empreendidas grandes reformas na Marinha e no Exército. Foram adquiridos os encouraçados “Minas Gerais” e “São Paulo”.
Realizou a Exposição Nacional da Praia Vermelha no Rio de Janeiro, comemorando o Centenário de Abertura dos Portos.
Neste período foi criada a Caixa de Conversão pelo ministro da Fazenda David Campista. Também foi fundado o Instituto de Manguilhos (atual Osvaldo Cruz).

Entre 1907 e 1917, no Brasil, o tenente Cândido Mariano da Silva Rondon, junto a “Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas”, construiu 2 mil quilômetros de linhas telegráficas, unindo o Mato Grosso ao Acre, percorreu cerca de 10 mil quilômetros e botou nos mapas mais 15 rios até então desconhecidos.

Em 1907, na Europa, em Portugal, João Franco, Ministro do Reino, instaura uma ditadura.

Em 1907, no Brasil, é realizado o Censo Industrial pelo Centro Industrial do Brasil, constata que em “Porto Alegre” ainda que de maneira imperfeita, do panorama manufatureiro local, um reduzido número de grandes estabelecimentos, que concentravam capital, força-motriz e força-trabalho, frente a um predomínio de pequenas empresas, caracterizadas pelo escasso uso de tecnologia, baixo capital e pela dependência do trabalho com relação a destreza e a habilidade manual do operário no uso da ferramenta.
As pequenas unidades de produção estavam disseminadas pelo estado, as grandes empresas estavam concentradas principalmente em Porto Alegre, Rio Grande e Pelotas e na zona colonial, São Leopoldo (alemã) e Caxias do Sul (italiana).

Em 1907, no Brasil, Rio Grande do Sul, a “produção industrial” equivalia quase a de São Paulo, as cidades de Pelotas e Rio Grande superavam a capital Porto Alegre.

Em 1907, em Porto Alegre, se transfere de São Sebastião do Caí, Frederico Mentz (1867-1931), “um empresário exemplar”, em um lindo prédio com trapiche próprio na Rua Voluntários da Pátria, o grupo foi um dos primeiros conglomerados de empresariais do Rio Grande do Sul, pioneiro não só na verticalização, mas na horizontalização dos negócios, se expandiu através do estabelecimento dos laços familiares, surgiram à loja de tecido, a fábrica de banha Phoenix, o imenso depósito de sal e o negócio de couros.
Em 1894, surgia Trein e Mentz.
Em 1911, F. Mentz e A.J. Renner criaram em S. S. Cai, a tecelagem que daria origem a Renner.
Em 1931, possuía uma rede de negócios que englobava mais de dez empresas, entre as quais a mais famosa foi à fábrica de banha Phoenix, mais ainda incluíram o Sulbanco, a Cia. Aliança de Seguros Gerais, uma companhia de navegação fluvial, duas fábricas de tecidos, fábrica de móveis, e negócios com sal e couro.
Nascido em Novo Hamburgo (1867), aos 21 anos, mudou-se para o Porto dos Guimarães (S. S. do Caí).
Em 1893, casou-se com Catarina Trein, filha de Cristiano Jacob Trein, um dos “donos” da cidade. Seu filho Benno Mentz (1896-1954), reuniu a memória da empresa e um fabuloso arquivo genealógico sobre as famílias de imigrantes alemães.
Frederico Mentz morreu aos 64 anos. Aos poucos iram minguando todo o seu império.

Em 1907, em Porto Alegre, as cervejarias Becker e Sassen já fundidas em uma só firma, o filho de Becker voltou da Alemanha com o título de mestre cervejeiro e tornou-se gerente da cervejaria, que produzia 10 mil garrafas por dia, tinha 26 operários e um motor de 10 HP.

Em 1907, em Porto Alegre, por determinação do Governo Federal foram criados os Tiros de Guerra.

Em 1907, em Porto Alegre, o governo do Estado, destinara 2% de todos os impostos recolhidos a Escola de Engenharia e em 1909 seria 4%, era dinheiro suficiente para a arrancada na aquisição de terrenos, prédios e equipamentos escolares que constituiriam o patrimônio básico da futura Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Em 1907, Porto Alegre tem 127 fábricas diversas.

Em 1907, em Porto Alegre, Johannes Heirich Kaspar Gerdau, o “João Gerdau”, que já havia comprado a Fábrica Ponta de Prego Ponta de Paris (1900), compra as instalações e maquinário da Companhia Fábrica de Móveis, fundada em 1892, por José Pedro Alves.
Em 1903 adquiriu a Fábrica de Móveis Navegantes, e passou a direção ao filho mais novo Walter Gerdau, que foi a Europa aprender a vergação a vapor, desenvolvida pelo austríaco Michel Thonet.
Os móveis austríacos ou vienenses eram importados por diversas casas de Porto Alegre. Sobre isso, disse Vicente Blancato, em 1922:
- “O lisonjeiro acolhimento que tiveram os móveis fabricados por Gerdau dava a certeza que a nova indústria prestava um grande serviço, dispensando a importação dos móveis de Viena.”
A fábrica de Móveis Gerdau ocupava dois prédios na Rua Voluntários da Pátria, o prédio da margem do Guaíba, possibilitava o uso da água tanto para o transporte como para a cura das toras para a vergação, possuía loja própria no centro da cidade.
Os Móveis Gerdau se transformou em um ícone nas décadas de 1920/30 em Porto Alegre.
Em 1972, a Gerdau vendeu o controle acionário para Estofados Esplêndidos, criadora das poltronas conhecidas como “Cadeira do Papai”.
Em 1984, a Gerdau recomprou o nome, e a razão da firma foi alterada para Thonart Móveis Vergados, em homenagem ao inventor da técnica que utilizava a “faia”, a Gerdau utilizada a “açoita-cavalo” e substituiu pelo “plátano” (similar a faia).
Hoje a Thonart é a única fábrica das Américas de móveis vergados.

Em 27 de junho de 1907, em Porto Alegre, conforme Ata, a Câmara Municipal deu o nome de “Comendador Coruja” a uma rua da cidade, no Bairro Floresta, terra natal de Antônio Álvares Pereira Coruja, que soube reconhecer a obra do ilustre filho.

Em 24 de dezembro de 1907, em Porto Alegre, após decisão, a fim de assegurar “o poder na Fronteira Oeste”, em obra iniciada e 1884 pela The Brazil Great Southern Railway Company Ltd, é anunciado pela Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil (1905-1920) a operação da linha ferroviária entre Porto Alegre a Uruguaiana.

- Nos anos seguintes surgiram as linhas Rio Grande/Cacequi (cruzando por Bagé) e Santa Maria/Marcelino Ramos, passando por Cruz Alta e Passo Fundo.
Todas as estradas de ferro, mais tarde, foram interligadas pela estrada de Ferro São Paulo (SP) /Rio Grande (RS).

- A malha ferroviária foi sendo concluída, e regiões até então isoladas foram se integrando com Porto Alegre e Rio Grande.

Em 1908, na Europa, França, Gaumont inventa a “cor no cinema”, mas dificuldades técnicas impediram o uso corriqueiro da cor até 1940.

Em 1908, na Europa, em Portugal, o Rei Carlos I é assassinado e Manuel II sobe ao trono.

Em 1908, no Brasil, Estado da Guanabara, na cidade do Rio de Janeiro acontece a Exposição Nacional de 1908, com a participação das empresas de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul.
A presença gaúcha pode ser considerada como relativo peso dentro do universo industrial brasileiro, com uma contribuição na ordem de 14%, ocupando o terceiro lugar entre as unidades da Federação.

Em 1908, no Brasil, Rio de Janeiro, é fundada a Cruz Vermelha Brasileira, e tornou-se reconhecida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha em 1912.
Em 1908, no Brasil, São Paulo, em Santos, chega o navio Kasato Maru trazendo os primeiros imigrantes japoneses para trabalhar nas plantações de café do interior, de lá irão se espalhar pelo Brasil.

Até 1908, em Porto Alegre, começam a funcionar quatro outros cursos superiores: - Instituto Eletrotécnico (atual Instituto Montaury), o Instituto Astronômico e Meteorológico, o Instituto de Belas Artes, e a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas.

Em 1908, em Porto Alegre, surge o Instituto Livre de Belas Artes (atual Instituto de Artes da URFGS).

Em 1908, em Porto Alegre, é criado o Colégio N. Sra. das Dores, na Rua Riachuelo.

Em 1908, em Porto Alegre, o contrato para a construção do “Porto de Rio Grande”, entre o Governo do Estado e a Company Porto of Rio Grande do Sul (com sede nos EUA), foi transferido à Compagnie du Port du Rio Grande do Sul, que pertencia ao magnata norte-americano Percival Farquhar.
O grupo fez as obras de aprofundamento do canal, os molhes com 4 quilômetros de extensão e o chamado porto novo.

- Os navios tinham que ancorar ao largo do “Porto Velho” para serem descarregados de uma embarcação para outra menor para chegar ao cais.

Em 1908, em Porto Alegre, Manoel Py investe além da fiação, e funda a Companhia de Força e Luz Porto-Alegrense, que trouxe os bondes elétricos a capital e a Companhia Telefônica Rio-Grandense.

Em 1908, em Porto Alegre, foi realizado o Torneio de Tênnis de Porto Alegre, com a participação de tenistas do Club Walhalla e da Sociedade Ciclística Blitz.

Em 1908, em Porto Alegre, retorna da Alemanha, o alemão Otto Meyer a pedido do “Deutscher Hilfsverein”, que lhe confiou à direção das escolas mantidas por aquela instituição: - a “Knaben und Mädchenschule” (escola para meninos e meninas).
Até 1924 permaneceu diretor do “Hilfsvereinschule”.

Em 1908, em Porto Alegre, Francesco de Velutiis, esclarece as autoridades italianas que a “colônia urbana italiana” é numerosa, mas “relativamente modesta” e que se compõe de pequenos negociantes, artífices, artesãos e operários. Assinala que são poucos os vendedores de bilhetes, pois o concessionário da Loteria já não é mais um italiano que proporcionou trabalho a muitos conterrâneos.
Com preconceito lamenta que a maioria destes “não participa da vida coletiva; vive em ambiente separado, torna-se parente de gente brasileira, entra na sociedade indígena”.

Sobre a venda de bilhetes de loteria em Porto Alegre, diz a charge:
- “Os vendedores de bilhetes de loteria chegam em bando da Calábria e assaltam  o povo. Onde está a Polícia que não vê essa invasão de gafanhotos impertinentes.”

Em 1908, em Porto Alegre, surge a Metalúrgica Uhr e Cia., de bombas hidráulicas.

Em 1908, em Porto Alegre, entra em funcionamento a Usina Elétrica Municipal, na esquina da Rua Voluntários da Pátria com Rua Coronel Vicente.

Em 1908, em Porto Alegre, é fundada a Padaria Portuguesa, que daria origem a tradicional fábrica de Massas e Biscoitos Coroa no bairro Camaquã, na zona sul da cidade.

Em 1908, em Porto Alegre, é inaugurado na Rua da Praia, na altura da Praça da Alfândega, o Recreio Ideal, primeira sala (centro de diversão) para apresentação de Cinematógrapho.

Em 25 de janeiro de 1908, em Porto Alegre, assume como presidente do Estado o Dr. Carlos Barbosa Gonçalves (25.01.1908-25.01.1913) vencendo o opositor Fernando Abott (candidato dos federalistas e dissidentes republicanos) e a desistência em concorrer de Borges de Medeiros que o indicou pelo PRR (Partido Republicano Rio-Grandense).

Em 10 de março de 1908, em Porto Alegre, inaugura os “tramway elétricos” Sistema Eletrificado Ferro Carril, os bondes 36 e 37 de dois andares, com 8 bancos no primeiro andar e mais 7 colunas de assentos no teto abrem a linha de bondes elétricos em Porto Alegre.
Os bondes elétricos tiveram boa acolhida por parte do público, pois diminuíram o tempo e aumentou o número de viagens aos seus destinos.

- A cidade de Porto Alegre foi à “única do Brasil a utilizar bondes de dois andares”, apelidados de “Imperiais”, também conhecidos pela população como “Chopp Duplo”. Eles serviram durante poucos anos, pois não tiveram boa aceitação, por não ter teto.
As linhas iniciais foram:
- Menino Deus, Partenon, Glória e Teresópolis.

- Muitas pessoas, na época, preocuparam-se com a velocidade dos bondes considerada um perigo. Impôs-se então o limite de 8 km por hora na zona urbana e 20 km por hora na zona suburbana.

Em 1º de maio de 1908, em Porto Alegre, desembarcava no Cais do Porto vindo da Alemanha no vapor misto “Desterro” o arquiteto Theo Wiederspahn e sua segunda esposa Maria Mina Haffner para trabalhar com seu irmão Henrique José Wiederspahn (que chegou em 1904) na companhia ferroviária belga “Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil” na linha em São Pedro, a 47 km ao norte de Montenegro, pelo atraso na vinda perdeu a vaga e ficou até setembro com seu irmão.

Em setembro de 1908, em Porto Alegre, o arquiteto Theo Wiederspahn é contratado como arquiteto especializado na firma construtora do engenheiro Rudolph Ahrons, do mesmo obteve a chefia da seção de arquitetura e construções. 

- O Escritório de Engenharia Rudolph Ahrons passou a contratar diversos arquitetos alemães. Traziam eles um estilo arquitetônico de formas abarrocadas, tendendo ao profuso decorativismo nas fachadas.
Esses arquitetos davam à “burguesia mercantil” nativa a falsa ilusão de estarem participando da modernidade internacional, daquilo que vinham em suas viagens pela Europa.  
Os arquitetos Theo Wiederspahn Otto Hermann Menchen e Alexander Gundlach, os três profissionais do Escritório Rudolph Ahrons foram os responsáveis pelo projeto arquitetônico dos grandes prédios do início do século XX em Porto Alegre.

A partir de 1909, em Porto Alegre, a Cia. Fiat Lux passou a fornecer luz “24 horas por dia”.

Foto

Foi o fim da era dos acendedores de lampiões, retratados pelo fotógrafo Lunara, no alvorecer do século XX.

Em 1909, na Europa, Hoffmann descobre a borracha sintética.

Em 1909, na América do Norte, Estados Unidos, a idéia da americana Anna Jarvis em celebrar um “dia para as Mães”, após a morte de sua mãe em 1907. Anna e suas amigas decidiram homenagear todas as mães de sua cidade. 

Em 1909, na América do Norte, Estado Unidos, é inventado o “primeiro plático totalmente sintético”, obtido através de moléculas da celulose pelo químico belga Leo Baekeland, desenvolveu uma resina plástica preta a partir de componentes do alcatrão, este material foi chamado “Baquelite”, era diferente dos plásticos anteriores por só poder ser amolecido uma vez no calor.

Em 1909, na América do Norte, México, sublevação de Emiliano Zapatta e Pancho Villa.

Em 1909, no Brasil, Rio Grande do Sul, a linha ferroviária teve continuação, partindo do Rio dos Sinos, 7 km antes de Novo Hamburgo e chegando até Carlos Barbosa, e, no ano seguinte, até Caxias do Sul no topo da serra.

Em 1909, em Porto Alegre, é fundada a Escola Técnica do Comércio.

Em 1909, em Porto Alegre, é inaugurada a segunda Estação Ferroviária da cidade, era uma estação maior, de alvenaria próxima a estação original.
A frente era para a Rua Voluntários da Pátria, esquina com Rua da Conceição, prédio recortado, com dois andares e uma torre.
No térreo, à direita a bilheteria e um quarto de bagagem; à esquerda o buffet, a sala para senhoras e o toilette.
A descrição do prédio é de 1907, de um relatório de entrega da já criada VFRGSViação Férrea do Rio Grande do Sul ao Governo Federal.

- A estação, apelidada de Castelinho, por causa de sua torre de castelo medieval, é mostrada nessa mesma área, com frente até a Rua Garibaldi, os trilhos avançavam para bem depois da estação, seguindo paralela a Rua das Flores (Julio de Castilhos) junto ao Lago Guaíba até o final da Rua Coronel Genuíno.

O jornal Correio do Povo publica em 09/11/1909:
- “Noticiamos, há dias, que teriam de ser feitas judicialmente, pelo Governo Federal, quase todas as desapropriações dos terrenos de marinha destinados, no Caminho Novo (atual Rua Voluntários da Pátria) à construção da estação central da Viação Férrea. Com efeito, parece que somente um dos interessados aceitou a desapropriação amigável proposta pelo governo da União, o qual oferece apenas 225$000 e 250$000 por metro de terreno, quando são muito mais elevados os preços pedidos pelos proprietários.”

- A Estação Ferroviária de Porto Alegre o “Castelinho” era o km 0 (zero) da linha ferroviária do Rio Grande do Sul.

Em 1909, em Porto Alegre, a “Temporada de Espetáculos” foi em duas etapas (abril-maio e agosto-setembro), tendo 36 apresentações com espetáculos quase diários, como se verifica nesta pequena amostragem dos últimos 10 dias de abril:
- Um Baile de Máscaras (20), Os Palhaços e Cavalheria Rusticana (21), Fausto (23), O Trovador (24), A Traviata (25), Ernani (26), A Gioconda (27) e Norma (30).
O “Trovador” foi récita de gala em homenagem ao senador Pinheiro Machado que esteve acompanhado pelo Presidente do Estado Dr. Borges de Medeiros.
A ópera era homenagem especial a personalidades celebres.

Temporadas Líricas
- Porto Alegre vai assistir a eufórica multiplicação de salas inauguradas, incorporando o Cine-Theatro, entre elas: - Apolo, Coliseu, Carlos Gomes, Avenida, Orpheu, Imperial e o Continente (na Estrada da Várzea, atual av. João Pessoa).
Além do cinema as salas prestaram-se à música de concertos e a espetáculos líricos como óperas, operetas e zarzuelas, junto com o Theatro São Pedro.

- A falta de regularidade e continuidade nas programações é compensada pela aquisição cultural das imigrações, pelas guerras mundiais e pela posição geográfica privilegiada no circuito Rio de Janeiro/ São Paulo - Montevidéu/ Buenos Aires, que favoreceu a vinda de artistas do exterior do Metropolitan, Scala ou Convent Garden, apresentando-se no Theatro São Pedro (Praça da Matriz), Cine-Theatro Apolo (Rua da Independência) ou Cine-Theatro Coliseu (Rua Voluntários da Pátria).
Na década de 1902 a 1912, só falharam em 1903 e 1906.
As novidades européias se sucediam. A Boemia, de Puccini, estreou em Porto Alegre seis anos após a estréia em Turin (Itália). A Tosca e a Viúva Alegre, somente quatro anos.
Em 1915, a ópera Rigoletto foi cantada no Theatro São Pedro e depois no Cine Theatro Apolo, na Rua da Independência, por Galli-Curci e Hipólito Làzaro (Os maiores tenores da época). Havia público para apreciar os bons espetáculos e Porto Alegre tinha só 100 mil habitantes.
Em 1947, se apresentou no Theatro São Pedro o famoso tenor italiano Beniamimo Gigli, a fila por um lugar nas gerais começou ao meio dia, atingindo a Praça da Matriz, era o concerto só as 21 h.

- O entusiasmo manifestava-se para as representações líricas e para concertos instrumentais e vocais, algumas relações de nomes:
- Em 1948, Cláudio Arrau, Wilhelm Kempf, Walter Gieseking, Ernesto Dohnnanyi, Jacques Thibaud, Bernard Michelin, Erna Sack...
- Em 1949, Aaron Copland, Nikita Magaloff, Friedrich Gulda, Willehm Kempf, Walter Gieseking, Henrik Szeryng, Isaac Stern, Fedora Barbieri, Ferrucio Tagliavini, Os Meninos Cantores de Viena (levando também ópera de Mozart)...
- Em 1950, Witold Malcuzynski, Yehudi Menuhin, Pierre Fournier, Friedrich Gulda, Marian Anderson, Tito Achipa, Frei José Mojica, Aldo Ciccolini, Andres Segovia, Salomon, a Familia Trapp, e estréia da OSPA – Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.

- Porto Alegre chega à segunda metade do século XX novamente ao ostracismo, sendo abandonada pelos grandes nomes e eventos, mas houve maior espaço para artistas locais, a cidade só volta ao roteiro mundial no fim do século XX.

Em 1909, em Porto Alegre, inauguram-se novos “centros de diversões”, na Rua da Praia (Rua dos Andradas), todas de frente para a Praça da Alfândega:
- Recreio Familiar, Rio Branco, Berlim (o primeiro a ser chamado de “Cinema”, em lugar de “Centro de Diversão”), o Varieté e o Variedades.

Em 20 de março de 1909, em Porto Alegre, o deputado Luiz Englert, de origem alemã nascido na Feitoria Velha (São Leopoldo), republicano desde o fim da Monarquia, amigo de Júlio de Castilhos, foi nomeado professor para a Escola de Engenharia, titular da catédra de Botânica, Geologia e Petrografia.
A Escola de Engenharia era uma instituição de ensino recentemente criada e mantida pelo amor a cultura e o patriotismo dos poucos engenheiros do Rio Grande do Sul.

Em 1º de abril de 1909, em Porto Alegre, na data natalícia do chanceler Otto von Bismarck e fundada a “Bismarckrunde”, por Jacob Aloys Friederichs, Carlos Brenner e Alfred Strunck. O local da fundação a “Aloyskeller” (adega do Aloísio) na Rua Voluntários da Pátria, nº 197 A-B, na quadra compreendida entre as ruas Cel. Vicente e Conceição, à direita no sentido bairro-centro, onde hoje se localiza a Galeria Santa Catarina.
O local era a sede da afamada “Marmor und Steinmetzwerksttat” (marmoraria e cantaria) de propriedade de Friederichs nos fundos se localiza o escritório e no andar superior a residência.
A adega referida era uma cantaria e suas portas apresentavam um belo trabalho de escultura em madeira, ela foi o local da fundação e sede da “Bismarchrunde”, onde em todo o aniversário de Bismarck, as cinco horas da tarde os sócios se reuniam e brindavam e bebiam em homenagem ao grande herói alemão.

- O Príncipe Otto von Bismarck era objeto de um verdadeiro “culto” de parte da colônia alemã de Porto Alegre. As razões dessa veneração e, em especial, a “Bismarchrunde”.

- O Kulturkampf, baseado na política mundial, imperialista, do “Deutsches Reich” que em 1884 e 1885, impele-os a possuir colônias na África, fundando duas companhias de colonização: - a “Kolonialverein” e o “Verein für Kolonisation”, unidas em 1888 sob a denominação de “Deutsche Kolonialgesellschaft”.

Pangermanismo
- Cujo similar em alemão poderíamos, impropriamente, verter para “Deutschtum” lançava a idéia do “Gross Deutsches Reich” além das fronteiras da Pátria Alemã: - a etnia, os costumes, o idioma, o mundo cultural, tudo isso deveria ser preservado pelos alemães e seus descendentes no além mar.
Em última análise, todo aquele cujas veias corressem o sangue tedesco não deveria perder o contato com sua terra de origem ou dos seus antepassados.
Assim, um elo, que se sucedia de geração em geração, ligava os alemães e seus descendentes à além oceano.
Os movimentos foram inspirados por Bismarck, despertando, isso, ainda mais o culto de parte de seus patrícios e descendentes de alemães.

- Jamais o “Bismarchrunde” se tornaria uma pessoa jurídica, era uma sociedade secreta, fechada, na sua lista de sócios só figuram elementos de proa da colônia alemã, não era democrática (um círculo aberto a todos).
(Texto adaptado de Leandro Silva Teles, 1974)

Em 04 de abril de 1909, em Porto Alegre, é fundado por influência de três paulistas, os Irmãos Poppe (José Henrique e Luiz Madeira), o “alvi-rubro” Sport Club Internacional, time de foot-ball (futebol). Eram estudantes, e comerciários como os Poppe.
Aberto para todos, independentente de origem, raça ou status social.
O nome foi em homenagem à agremiação de origem dos irmãos paulistas.

- A maioria dos fundadores simpatizavam com a Sociedade Venezianos (carnavalesca de cor encarnada ou vermelha), mas outros com a Sociedade Esmeralda (cor verde), mas lembrado do Fuss-ball que já era verde, o argumento para o vermelho se fez vencer.
As cores: - vermelho e havana (na dificuldade de achar a cor), foi substituído pelo branco.

- Como campo conseguiram por empréstimo um terreno da Prefeitura na Rua Arlindo (próxima ao atual prédio da Zero Hora.

- Nesta época o futebol começou a se desenvolver no Estado e outros clubes foram criados em Porto Alegre:
- Nacional,
- 7 de Setembro.

Em 15 de junho de 1909, no Brasil, Rio de Janeiro, Capital Federal, Nilo Procópio Peçanha (15.06.1909-15.11.1910), sétimo presidente da República, Carioca, Partido Republicano Fluminense – PRF, sem Vice. 
Era vice-presidente de Afonso Pena, com a morte deste assume a presidência.

Em 21 de junho de 1909, em Porto Alegre, Antenor Lemos líder no Internacional, solicita permissão a Augusto Koch do Grêmio para levar a presença dos diretores uma comissão do novo clube de foot-ball (futebol).
Na Sociedade Leopoldina de Porto Alegre, estavam reunidos os diretores do Grêmio FBPA Augusto Koch, Álvaro Brochado, Guilherme Kallfelz e Julio Grunewald, quando Antenor Lemos introduziu a comissão alvi-rubra, integrada de Juvelino César, Tomás Madeira Poppe e o coronel Alcides Ortiz, este portador do pomposo título de “Presidente Honorário” do Sport Club Internacional fundado somente a dois meses.
O Coronel Ortiz apresenta a nova agremiação a “mais antiga, de mais prestígio e de grande conceito” para realizar um jogo, que não seria oficial, era somente para tornar o Internacional conhecido.
O Grêmio aceitou, mas colocava o segundo quadro a disposição, Antenor Lemos não concorda, agradece, mas exige o primeiro quadro.
O Internacional queria a publicidade. E ficou resolvido. O desafio seria no dia 18 de julho, no “ground” do Grêmio, na Baixada na Rua Mostardeiro, ficou resolvido convidar o desportista Feodor Jacobi para juiz.
Tomás Madeira Poppe, no final apresentou-se. Disse seu nome, e mais, que era redator do “Estado de São Paulo”, colocando as colunas do grande jornal ao dispor do Grêmio, um clube de desportistas cavalheirescos. E Augusto Koch disse que as despesas da apresentação seriam pagas pelo Grêmio que inclusive convidaria os sócios e autoridades para a festa.

- Houve, farta distribuição de boletins convidando o público para o “match”. Nada se cobrava. Os pioneiros queriam é se exibir ao público e promover seu esporte preferido.
Os jornais salientavam que a mocidade, representada pelo quadro ali-rubro, enfrentaria os anciões do quadro tricolor, alguns com barbas veneradas.

Em 14 de julho de 1909, no Brasil, Rio de Janeiro, Capital Federal, faleceu o presidente da República Afonso Augusto Moreira Pena em pleno período de governo. Assume o vice-presidente Nilo Peçanha.

Em 14 de junho de 1909, no Brasil, Rio de Janeiro, Nilo Peçanha (14.06.1909-15.11.1910), sétimo presidente da República, Fluminense, Partido Republicano Fluminense – PRF, sem vice.      Quando assumiu já haviam decorridos mais de dois anos de governo. Governou com brilho e popularidade.
Neste período foi criado o Ministério da Agricultura, o Serviço de Proteção ao Índio, criou-se o Serviço de Colonização e o Serviço Militar Obrigatório.
Por questões políticas aconteceu o bombardeio da cidade de Manaus. Houve a Campanha Civilista impretada por Rui Barbosa, candidato derrotado a presidência.

Em 18 de julho de 1909, em Porto Alegre, a grandiosidade do espetáculo, preparado pelo Grêmio para lançar o que deveria ser seu grande rival no foot-ball (futebol), no primeiro Gre-Nal, entre (Grêmio e Internacional).
Os componentes dos dois quadros fardaram-se no Clube dos Atiradores Alemães, agremiação que muito contribuiu para a evolução do futebol em nossa cidade.
Os gremistas fardados à moda inglesa, de blusa bicolor e calções pretos.
Os colorados à moda italiana, com camisetas listadas em vermelho e branco e calção branco.
Marcharam de dois a dois, na frente os presidentes, adentrando o Campo da Baixada nos Moinhos de Vento pelas “borboletas”, desde que então não havia portões.
Ovação formidável do grande público, em mais de 2.000 pessoas.

- Embora a juventude dos colorados, os “barbadinhos” do Grêmio tiveram todo o “match” à feição.
Duas vezes os alvi-rubros conseguiram vir até a meia de Kalfelz, que facilmente conjura o fraco perigo e o Grêmio marcou nada menos de 10 tentos.
10 Grêmio x 0 Internacional

- Os quadros do primeiro Gre-Nal:
Grêmio: - Kalfelz, Depermann e Becker, Carls, Black e Mostardeiro, Brochado, Moreira, Booth, Schroeder e Grunewald.

Internacional: - Poppe II, Portela e Simoni, Viñoles, Pires e Watternick, Poppe I, Horácio, César, Mendonça e Carvalho.

Feodor Jacobi o juiz deu fim ao jogo. Os dois quadros formaram de novo e marchando, foram para os atiradores.
- O internacional deu três “Alegôas”, em honra dos vencedores. E a festa findou com um baile bem animado.

E assim nasceu o Gre-Nal, no sexto ano do Grêmio e no primeiro do Internacional.

- Antenor Lemos do Internacional que deu a idéia de um Gre-Nal, o clássico dos clássicos no Brasil, foi ele que se dirigiu ao presidente do Grêmio e solicitou uma reunião para tratar do primeiro “desafio”.

Em 02 de setembro de 1909, em Porto Alegre, o jornal O Independente imprimiu matéria sobre o abandono das crianças humildes pela cidade:
- “Em nenhuma capital populosa, vê-se a criançada em grupos pelas ruas, em correrias, em brinquedos, saltando em bondes ou carroças, como sucede em nossa terra.
As ruas são apenas destinadas ao trânsito público e não a recreio de meninos. Assim como as mãescontêm as meninas, que são numerosas, e não brincam nas vias públicas, também deveriam conter os rapazes, fazendo-os brincar nas áreas e nos quintaes.
Mas não se da isto. Muitas mães não querendo aturar os filhos arteiros e desinquietos, deixam-nos sair à porta da ruacom supremo alívio.
Daí os numerosos fatos lamentáveisde crianças apanhadas pelos veículos, das rixas entre rapazes, cabeças quebradas e até morte entre eles. (...)
Os jardins aí estão, sem nenhuma freqüência, quando neles seria o melhor local para reunião de crianças para os seus brincos e folguedos.”

1910
Anarquistas Graças a Deus

A partir de 1910, e pelos próximos 20 anos, os Anarquistas seriam maioria no movimento operário em Porto Alegre.

- A afirmação do regime republicano e a definição por uma opção de política de mercado, não houve condições para a realização de obras de vulto. Mas a partir desta década há uma seqüência de obras notáveis em Porto Alegre.
Nos escritórios de Rudophf Ahrons, arquitetos como Otto Hermann Menchen, Theo Wiederspahn e Alexander Gundlach realizam obras como a Cervejaria Bopp, Cinema Guarani, Correios e Thelégraphos, Delegacia Fiscal, Casa Victor, Faculdade de Medicina, apenas para citar o que ainda não foi demolido.

- Na Secretaria de Obras Públicas Affonso Diniz Herbert realizou obras significativas como a Biblioteca Pública e a Escola Ernesto Dorneles que continuaram a fase monumental iniciada por Colfosco no prédio da Intendência Municipal (Prefeitura).

Nesta época, em Porto Alegre, é fundada a Fischel e Cia pelo alemão Victor Fischel, na Rua Voluntários da Pátria, nº 475, a fábrica ficou conhecido como “Castelinho”, aberta na primeira década.
Na década de 1920, foi considerada a maior do gênero.
Fabricava entre outros refrigerantes, a Soda Fischel, Guaraná Fortificante, Gazoza Pischel e Gengibre Espumante.
Durante as manifestações anti-germânicas, durante a Iª Guerra Mundial, a fábrica e a residência de Fischel foram as mais atacadas. Apesar do trágico, lhe rendeu uma boa história:
- “Enquanto os baderneiros quebravam tudo, boa parte, consumia os charutos da casa, os que ficaram sem espalharam que os tais charutos estavam envenenados, foi uma correria para buscar o antídoto”.

Em 1910, na Europa, Portugal, com a Proclamação da República acabava uma das monarquias mais tradicionais da Europa e um dos maiores impérios do planeta.

Em 1910, no Brasil, o militar tenente Cândido Mariano da Silva Rondon, fundou o Serviço de Proteção ao Índio – SPI, primeiro órgão de governo a tratar da questão indígena no Brasil.
O mato-grossense, descendente de índios Terena, Rondon ao substituir o ódio pela ternura, a suspeita pela confiança e as carabinas por miçangas, tornou-se o maior dos humanistas brasileiros e o mais respeitado defensor dos índios em todo o continente,
A marca de Rondon:
- “Morrer se preciso for, matar nunca”.

Em 1910, em Porto Alegre são criados os clubes de foot-ball (futebol):
- Manschaft Frish Auf,
- Sport Club Colombo.

Em 1910, em Porto Alegre, um grande incêndio atinge a paróquia de Nossa Senhora dos Navegantes, no arraial dos Navegantes, bairro de operários. A imagem trazida de Portugal ficou destruída. A reconstrução da igreja foi feita pelos devotos, e uma nova imagem foi encomendada ao mesmo escultor João Alfonso Lapa de Portugal.

Em 1910, em Porto Alegre, a Faculdade de Direito se transfere para o suntuoso prédio da Estrada da Várzea (Avenida João Pessoa) com projeto do escritório de Rudolf Ahrons, inspirado no “Palais Du Rhin”, do imperador Guilherme II, na cidade alemã de Estrasburgo.

Em 1910, em Porto Alegre, a Brazil Railway, a The Brazil Great Southern Railway Company Ltd, adquiriu 70% das ações do grupo belga a Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil (1905-1920), da rede ferroviária estadual até incorporá-lo em 1911.

Em 1910, em Porto Alegre, é construído o Prédio dos Correios e Thelegráfos, na Praça Senador Florêncio (Praça da Alfândega), em estilo barroco germânico. As torres assimétricas, com cúpulas em bronze, lembram os capacetes do exército prussiano. Abriga a estátua de “Atlante”, personagem da mitologia grega condenado a sustentar o Mundo em suas costas.

Em 1910, em Porto Alegre, é fundada a Padaria Weidmann, pelo judeu-alemão Carlos Weidmann, a empresa não passava de uma pequena padaria da capital. Graça as suas receitas originalmente germânicas, agradou, prosperou e passou a produzir em série diferentes pães.
Nos anos 1920 ao final dos anos 1930, a marca Weidmann era a única fornecedora de pão preto para hotéis e restaurantes em Porto Alegre.
Em 2004, aquela que é considerada a “marca mais antiga de pães industrializados do Brasil” foi comprada pela Vital, fundada em 1988 em Porto Alegre.

Em 11 e março de 1910, em Porto Alegre, por iniciativa de Osvaldo Siebel diretor de campo do Grêmio FBPA, apresentou a proposta de ser fundada uma “Liga de Futebol” na cidade, para dirigir campeonato, já que haviam diversos clubes, pois só o Fuss-Ball e o Grêmio disputavam o Torneio que realizam 2 “matchs” cada ano para a posse da Copa Wanderpreiss.

Em 25 de abril de 1910, em Porto Alegre, foi fundada a Liga Porto Alegrense de Foot-Ball, com participação:
Grêmio FBPA,
Fuss-Ball Club Porto Alegre,
Sport Club Internacional,
Militar (dos alunos da Escola de Guerra),
Nacional,
Manschaft Frish Auf,
Sete de Setembro.

- Nestes clubes até a metade do século XX não eram aceitos jogadores nem sócios “negros”.

Em 15 de novembro de 1910, no Brasil, Rio de Janeiro, Capital Federal, Hermes Rodrigues da Fonseca (15.11.1910-15.11.1914), oitavo presidente, Gaúcho, Partido Republicano Conservador – PRC, vice Venceslau Brás.
Era sobrinho do marechal Deodoro da Fonseca, chegou ao poder sobre a influência do senador gaúcho Pinheiro Machado com quem foi membro-fundador do Partido Republicano Conservador idealizado pelo senador.
Hermes da Fonseca foi eleito por uma concentração de partidos adversários da oligarquia paulista.

No dia 16 de novembro de 1910, no Brasil, Rio de Janeiro, um dia depois da posse de Hermes da Fonseca, toda a tripulação do encouraçado Minas Gerais foi convocada para assistir a punição ao marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes que ferira um cabo. As 250 chibatadas, aplicadas ao rufar dos tambores, desferidas pelo comandante João Batista das Neves, conhecido pelo prazer em que chicoteva os subalternos.

Em 22 de novembro de 1910, no Brasil, Rio de Janeiro, seis dias após o acontecido, sob a chefia do marinheiro João Cândido, o “comandante negro” a tripulação do Minas Gerais se rebelou. Os amotinados tomaram o navio e mataram o comandante Neves.
Os encouraçados São Paulo, Bahia e Deodoro aderiam ao movimento conhecido como Revolta da Chibata, e neles outros dois oficiais foram assassinados.
Ameaçando bombardear a cidade do Rio de Janeiro, o líder João Cândido, junto a 2 mil amotinados, exigia o fim do castigo físico, aumento dos soldos e melhor alimentação.

- Reunidos no Congresso e no Catete, o presidente Hermes da Fonseca, e seus assessores Pinheiro Machado e Rui Barbosa concordaram com as exigências e prometeram anistiá-los.
Claro um grande blefe, - o jogo virou e a maioria dos amotinados foram presos, mortos ou degredados para o Acre.
O líder João Cândido Felisberto, que lutou em 1904 com Plácido de Castro, resistiu a tudo, do Acre foi libertado em 1914, morreu de câncer em 1969, na miséria em uma favela do Rio de Janeiro.

Entre 1910-11, em Porto Alegre, o serviço de Assistência Pública (serviço de urgência municipal) suprido por carroças puxadas por mulas (tipo ambulância) chegou a atender 7 mil chamados.

Em 1911, África, no Norte, a Itália conquista a Líbia.

Em 1911, no Brasil, Rio Grande do Sul, Pelotas, chega aos 15 anos, vindo de Portugal Joaquim de Oliveira, morou no armazém de um patrício e conheceu e casou-se com Arlinda de Moraes e associou-se ao cunho patrocinado pelo sogro Abílio de Moraes, abriu seu próprio atacado.
Em 1920, com os negócios avançando, Joaquim Oliveira mandou seus 4 irmãos virem de Portugal, sob o lema de “Unidos Venceremos”.
Em 1944, Joaquim comprou a Fábrica Rio-Grandense de Adubos e Produtos Químicos e com João, o irmão mais velho, passou a investir em terras para plantar e beneficiar arroz. Sua marca Tio João (homenagem ao irmão) ganhou o mercado.
Joaquim de Oliveira faleceu em 1952, mas seu reino seguiu majestoso.
O Grupo Joaquim Oliveira/ Josapar é o maior beneficiador de arroz do continente e a terceira maior empresa do mundo n segmento (2011).
Em Porto Alegre o Grupo Joaquim Oliveira abriu o Supermercado Real que se transformou em rede, depois os hipermercados Kastelão e as lojas Bonjour (mercado menores), vendidos na década de 1990 a Rede Nacional Supermercados.

Em 1911, em Porto Alegre, na região central, acontece o considerado Crime do Século, um episódio inusitado.
Uma “casa de câmbio” da Rua da Praia foi “assaltada” por quatro tipos esquisitos, que depois foi-se saber que eram estrangeiros recém chegados.
O assalto foi feito com tiros, que “mataram um policial” e abalaram a paz da cidade. Os ladrões fugiram para a Praça XV, onde tomaram um “tilburis” e obrigaram o condutor a levá-los embora.
Adiante, o veículo atropelou uma carroça o que obrigou aos quatros a fugir “a pé”. Mas a sorte quis que por ali passasse naquela hora um “bonde” da linha dos Navegantes, que vinha em direção ao Centro.
Obrigado, sob ameaça de revolveres, o motorneiro retornou para o bairro.
Lá, no fim da linha, subiram numa “carroça” de leiteiro e tocaram adiante, rumo da várzea do rio Gravataí.
As forças policiais logo os encontraram e os “quatro russos” foram mortos com mais de “trinta balas cada”.
Naqueles tempos de pouca delicadeza, os líderes da ação concordaram com um requinte de truculências:
- Os quatro cadáveres foram colocados em uma carroça que desfilou por várias ruas centrais da cidade e ficou exposto à curiosidade pública.
Isso tudo se transformou em matéria narrativa nas mãos de Rafael Guimarães.

Em 1911, em Porto Alegre, na zona sul, na Vila Nova d’Itália é fundado a Cooperativa, na atual Rua João Salomoni, onde mais tarde se instalou o Cine Vila Nova transferida do Clube. Os produtos da cooperativa, principalmente uva eram despachados até para a Capital da República, o Rio de Janeiro.
Na Cooperativa funcionou o Clube Flor da Vinha.
Em 1983, a cooperativa teve seus prédios destruídos por um incêndio.

Em 1911, em Porto Alegre, a Cia. Força e Luz inicia o assentamento de cabo subterrâneo no centro da cidade para fornecimento de força motriz e luz.

- A nova Usina Elétrica Municipal se soma as outras duas usinas:
- Usina Fiat Lux e
- Companhia Força e Luz, a fim de melhorar o sistema e aumentar a carga.
Na primeira década do século XX, as redes de energia elétrica se estendem e melhoram o serviço, mas as melhorias atendem uma parcela reduzida da população, mas a iluminação pública melhorou no Centro e foi estendida aos Arraiais (Bairros).

Em 1911, em Porto Alegre, o italiano Bartolomeu Cattaneo, realizou o “primeiro vôo de Avião” na Capital, com seu avião inglês Bleriot, posou e fez apresentação pública no antigo Prado Rio-Grandense no Menino Deus, na Rua 13 de Maio, o fluxo de público foi intenso, os bondes da linha Menino Deus, carregaram mais de 9 mil pessoas para a apresentação.
Ao subir vôo fez vários sobrevôos sobre o público e o arraial, sendo intensamente aplaudido, foi um grande sucesso.
Bartolomeu, anos depois veio morar no Brasil e foi piloto da Viação Aérea São Paulo-VASP.

Em 1911, em Porto Alegre, uma nova proposta para a construção do cais do Porto de Porto Alegre, feita pelo escritório de Rodolfo Ahrons, foi aceita pelo Governo do Estado, iniciou a grande obra do novo porto da cidade com a construção de 140 metros de cais.

Em 1911, em Porto Alegre, é erguido o atual Chalé da Praça XV em ferro e vidro, feito com material inglês, no mesmo lugar do antigo quiosque, construído na então Praça Conde D’Eu.

- A estrutura inglesa exposta na “Feira Internacional de Buenos Aires” que comemorava o centenário da independência argentina, foi adquirida pelo comerciante Gustavo Hugo que trabalhava com construções, estabelecido na Capital na Rua Sete de Setembro com Praça da Alfândega.
O chalé veio desmontado para Porto Alegre e montado no destino final na Praça XV de Novembro.
Construção em estilo romântico normando (bávaro) e traços art-noveau, feita com estrutura de aço desmontável.
Com o novo prédio veio o novo permissionário Gaspar Binter.

Em 20 de setembro de 1911, em Porto Alegre, foi colocada a pedra fundamental da Faculdade de Medicina, então dirigida pelo Dr. Olinto de Oliveira, prédio inaugurado em 1924, no Caminho da Várzea (Avenida João Pessoa).

Em outubro de 1911, é inaugurado em Porto Alegre, o “Palácio da Cerveja o novo prédio da Cervejaria Bopp, na Rua Cristovão Colombo, magnífico prédio com projeto de Theodor Wiederspahn e adornado por um impressionante conjunto de estatuária na fachada feita pela equipe de João Vicente Friedrichs, obra realizada pela empresa Rudolph Ahrons, a mais prestigiada de Porto Alegre. Este tido como o maior prédio de cimento armado do Brasil.
A Bopp se torna a principal cervejaria do sul do Brasil.

Marcas:
A Cerveja Krupp, prestava homenagem explícita aos canhões alemães inventados pelo grupo Krupp e usados para bombardear Paris na I Guerra Mundial.

Em 1912, em Porto Alegre, o serviço de Assistência Pública, aposentou a carroça puxada por mulas e substituiu pelo primeiro carro-ambulância a motor, eram 2 unidades de veículos automotores.

Em 1912, em Porto Alegre, é inaugurada a Discos Gaúcho “primeira gravadora do Sul”, e a segunda gravadora da América Latina, figurando a gravação de tangos entre outras matizes. Na Discos Gaúcho foi gravado o primeiro samba e o primeiro tango da cidade.

Em 1912, em Porto Alegre, inicia a construção do prédio da Biblioteca Pública do Estado, na Rua Riachuelo esquina Rua Direita (General Câmara, Ladeira ou Rua Direita), no local do prédio da antiga Cia. União Telephônica, demolido em 1911.


Companhia União Telephonica - volta 1890

Esquina Rua Riachuelo com Rua da Ladeira (General Câmara)
Início século XX

A construção do prédio da Biblioteca Pública esteve sob a orientação de postulados Positivistas, construído em estilo renascentista, projeto dos engenheiros Afonso Herbert e Theophilo Borges de Barros.

Obra Biblioteca do Estado - 1912


- Em 1916, foi franqueado ao público (a primeira ala).
- Em 1919, começou a ampliação do prédio com a construção da outra ala.

Em 1912, em Porto Alegre, é erguido o magnífico “pavilhão social” do Campo da Baixada do Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense, no Moinhos de Vento na “Schuetzverein Platz”.

Em março de 1912, em Porto Alegre, Cypriano Micheletto abre na Rua Sarmento Leite, na Cidade Baixa, a firma individual “Cypriano Micheletto”, para consertar rodas de automóveis.
Sua história começou em uma parada em Porto Alegre com destino a Buenos Aires, conhece uma moça onde conserta a roda de sua bicicleta, para a viagem, e casa-se com a jovem. Após, chegam a cidade os irmãos Ruggero, que se tornam sócios, e assumem o setor técnico.
Em 1918, a modesta oficina vira indústria Metalúrgica Micheletto e produz o primeiro torno mecânico desenhado no Brasil.
Em 1919, este torno permitiria a empresa lançar o famoso parafuso “Mitto”.
Com a IIª Guerra a Micheletto está pronta para suprir o mercado nacional com peças de reposição.
Enio Lippo Verlangieri casa-se com a filha de Cypriano e vai trabalhar na Micheletto, se tornaria presidente da empresa e da FIERGS (1978-1980).
Em 1960, muda-se para a cidade de Canoas, abre outra fábrica em 1972, vem à crise de 1990, a Família transfere o controle para a pernambucana Comafal S.A.

Em 10 de abril de 1912, no Brasil Rio Grande do Sul, Carlos Barbosa, nascia a Cooperativa União Colonial, quando a Letteria Santa Chiara se uniram a outros 14 agricultores. O primeiro queijeiro foi Fausto Breda, que aprendeu a arte na região de Parma (Itália), transmitiu esta arte para José Chies, responsável pela fabricação do famoso “Queijo Prato Colonial Santa Clara”.

- Para Porto Alegre era José Chies era quem enchia sua carroça puxada por bois e ia até a estação de trem de Carlos Barbosa para despachar os queijos, vendidos no Mercado Público da Capital, fazia tanto sucesso:
- “que varejistas mal-intencionados costumavam colocar seus rótulos em outras marcas”.
A partir de 1975, outras cooperativas foram incorporadas.
Em 1977, a razão social foi alterada para Cooperativa Santa Clara Ltda, a mais antiga cooperativa de laticínios do Brasil.

Em 14 de abril de 1912, na fria madrugada, no norte do Oceano Atlântico, o “Titanic”, o maior navio de passageiros até então construído em sua viagem inaugural de Manchester na Inglaterra a Nova York nos EEUU chocou-se contra um iceberg, que não foi possível desviar durante manobra pela alta velocidade que impunha.
Construído, pela empresa inglesa Star Light, o Titanic, dispunha dos equipamentos mais modernos da época, por propaganda dizia ser impossível de afundar, assim não havia preocupação de botes salva-vidas para todos os passageiros, o telégrafo, outra novidade já usada, utilizou pela primeira vez o sinal telegráfico S.O.S. de socorro.
Foram 1.500 pessoas mortas a maioria pela queda na água fria (por hipodernia).

Em setembro de 1912, em Porto Alegre, ocorre o incêncio no Mercado Público durante as obras de ampliação com a construção do andar superior.
Conforme o jornalista Arquimedes Fortini:
- “Em 1912, estávamos de plantão no Correio do Povo (...) um incêncio destruiu todo o interior do Mercado Público, cuja bancas eram então todas de madeira.
Vimos com pesar, erem atingidas pelo fogo gaiolas de pássaros e outras aves. Com outros colegas e populares abrimos as portinholas e soltamo-las, evitando, assim, que ficassem carbonizadas. Mesmo assim, as “vítimas” foram numerosas, mas o gesto da reportagem mereceu um título da então Associação Protetora dos Animais.
O porto-alegrense tem suas piadas (...)
Dominado o incêncio já dia claro, autoridades e reportagem foram ao Chalé da Praça XV, a fim de fazerem um breve lanche. Mas qual não foi a surpresaao verem, em uma das árvores, fugindo do interior do Mercado, um papagaio, que, com a chegada dos visitantes, começou a desabafar:
- “Que calor, Doutor, que calor, Doutor!”

Em 20 de setembro de 1912, em Porto Alegre, é inaugurado o Monumento a Giuseppe e Anita Garibaldi na Praça da Concórdia (atual Praça Garibaldi).
Doado pela Colônia Italiana, todo de mármore de Carrara, construído em Massa Carrara, na Itália, pelos Irmãos Giorgini, e custou: - 25.000 francos (cerca de 15.000$00).
A escultura foi lavrada no Cartório Otaviano Gonçalves, assinado em nome da colônia e pela comissão organizadora os senhores A. Piccini, F. Provenzano e P. Paganini.
Em 08 de setembro de 1925, no pedestal foi colocada uma placa comemorando o cinqüentenário da Colonização Italiana no Rio Grande do Sul, feita pelo escultor Giuseppe Gaudenzi.

Em 28 de setembro de 1912, em Porto Alegre, é inaugurada a primeira etapa do Serviço de Esgoto, atendendo a 600 domicílios no Centro.

Em 12 de outubro de 1912, em Porto Alegre, faz-se a trasladação da estátua do Conde de Porto Alegre da Praça da Matriz para a Praça do Portão, nos antigos limites da cidade e desde a véspera denominada Praça Conde de Porto Alegre por Decreto nº 67 do intendente municpal, o engenheiro José Montaury:
- “Dessa brilhante solenidade - em que pela primeira vez, formou o Colégio Militar de Porto Alegre, então criado - guarda a cidade as mais gratas recordações.” 
A Praça da Matriz (Deodoro da Fonseca) se preparava para a reestruturação e construção do Monumento ao ex-presidente do Estado Júlio de Castilhos.

Em 8 de dezembro de 1912, em Porto Alegre, festa da Imaculada Conceição, tomou posse do Arcebispado de Porto Alegre, Dom João Becker continuando como administrador apostólico de Florianópolis até 7 de setembro de 1914, em substituição do velho Arcebispo de Porto Alegre, Dom Cláudio José Ponce de Leão resignara. A data de nomeação foi 1º de agosto de 1912.

- A Diocese ficou praticamente sob o governo de Mons. Francisco Topp, nomeado Governador e Provisor do Bispado.

- Em Porto Alegre, Dom João desenvolveu fecundo apostolado, enfrentando com prudência e habilidade os novos momentos que viveu a Pátria; a nacionalização sucessiva à 1ª Guerra, a crise da República Velha, o Estado Novo, a 2ª Guerra.
Deu início às obras da nova e imponente Catedral.

- Enquanto bispo D. João Becker, alemão, desaprovava a formação de guetos germânicos no catolicismo rio-grandense.

- Era 15 de junho de 1946, faleceu Dom João Becker, Arcebispo de Porto Alegre, aos 76 anos.

Em 14 de dezembro de 1912, na Antártica, o norueguês Fram, de Roald Amundsen disputou com o britânico, Robert Falcon Scott o privilégio de conquistar o Pólo Sul, mas o norueguês foi o vencedor cravando a bandeira e batizando o local de Plataforma do Rei Haakon VII.
Em 18 de janeiro o britânico Scott lia estas palavras, já era tarde para ele e sua equipe, cinco dias depois Amundsen chega ileso a base.

Em 1913, em Porto Alegre, ficaram concluídos os primeiros 140 metros do trecho do cais do Porto de Porto Alegre, até frente à Praça da Alfândega, atual portão central. O calado do porto passava dos 2,7 metros para 4 metros de profundidade.

Em 1913, em Porto Alegre, surge o suntuoso Cine-Theatro Guarany, edifício em estilo “art nouveau” projetado pelo arquiteto Theo Wiederspahn, na Rua da Praia (Andradas), em frente à Praça Senador Florêncio (Alfândega).

Em 1913, em Porto Alegre, é inaugurada a Igreja Nossa Senhora da Piedade, para atender os descendetes da “Colônia Africana”, libertados na Abolição (1888), situada no alto da Rua Cabral, no bairro Rio Branco (antiga Colônia Africana).

Em 1913, em Porto Alegre, em grande festa é reinaugurada a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, no bairro dos Navegantes, após campanha dos devotos, depois do incêndio ocorrido em 1910.
Foi entronizada a nova imagem de Nossa Senhora vinda de Portugal para substituir a queimada no incêndio.

Em 1913, em Porto Alegre, assume Jorge da Silveira Pinto, “primeiro deputado federalista”, eleito para a sétima legislatura (1913-1916), quebrando a hegemonia por quase 30 anos do PRR – Partido Republicano Rio-Grandense.

Em 1913, em Porto Alegre, agora com duas gravadoras de discos:
- Casa A Eléctrica,
- Casa Hartlied.
Diversos grupos e intérpretes gravaram nas duas casas, eram gravadas valsas, polcas, modinhas, schottisch, mazurcas, tanguinhos, como:
- O Grupo Terror dos Facões – do que fazia parte o compositor Otávio Dutra,
- O cantor Geraldo Magalhães,
- O Grupo Infernal,
- A violinista Olga Fossati,
- O pianista Augusto Vasseur, e outros.
Com a falência da “A Eléctrica” em 1924, o espaço para atuação dos músicos se reduz, restando apenas às confeitarias e cinemas.

Em 1913, em Porto Alegre, é inaugurada a Confeitaria Rocco, com sua loja na esquina das Ruas Riachuelo com Dr. Flores, era ponto de encontro para o chá das cinco horas no salão do 1º andar. E para os bailes de carnaval, festas, banquetes e casamentos o salão do 2º andar.
Conforme anúncio:
“Acha-se installada no seu
Novo e Bello Palacete
A primeira fábrica de doces do Estado...”
Possui o maior e mais luxuoso salão da capital

Em 1913, em Porto Alegre, os jornais protestam contra os “veículos de combustão” (automóveis) que “em vertiginosa carreira” circulavam pela cidade, três anos depois se implanta a primeira regulamentação do trânsito, para organizar o sistema.

- O trânsito na hora do pique, buzinas, carros na contramão, gente se acotovelando para pegar o bonde, uma grande confusão.

Em 1913, Porto Alegre é a terceira cidade em número de assinaturas do jornal italiano Vita Nuova, editado na cidade de Morano Calabro (Itália), perdendo apenas para Nova York (EUA) e Cienaga. A tradição revela que há mais moraneses em Porto Alegre que na cidade de Morano na Itália.
Em 1975, a Prefeitura de Porto Alegre declarando cidades irmãs, inaugurou a “Rua Morano Calabro”.

Em 1913, em Porto Alegre, é colocado em liberdade da Cadeia Pública na Ponta das Pedras, Carlos Custódio de Araújo (1878-1961) conhecido como “Carlos Cavaco”, jornalista, poeta, figura da política socialista, um demagogo capaz de arrastar multidões e um gauchão capaz de desafiar para duelos e refregas.
Em 1906, teve papel de destaque na primeira Greve Geral de 1906.
Em 1909, protagonizou o primeiro filme feito no Estado, “Ranchinho de Palha”, de Eduardo Hirtz.
Em 1913, é processado e condenado sob a acusação do seqüestro de uma moça de família, sendo ele já casado, pegou 14 meses de prisão.

Em 1913, em Porto Alegre, teve seu Jardim Zoológico, que funcionou por alguns anos, no bairro Menino Deus, que ainda era área de chácaras e mata virgem, num lugar ocupado hoje pela Avenida Ganzo e os terrenos de seus dois lados.
O Portão de entrada do zôo ficava na Rua 13 de Maio (Getúlio Vargas), e as jaulas se estendiam até a Praia de Belas.
Foi iniciativa do uruguaio Juan Ganzo Fernandez, empresário que atuava com destaque na área de telephonia, no Rio Grande do Sul.

Em 25 de janeiro de 1913, sábado, em Porto Alegre, no Centro, o altero e suntuoso Monumento a Júlio de Castilhos é inaugurado em grande e concorrida cerimônia, localizado no centro da Praça Marechal Deodoro (da Matriz), totalmente remodelada para abrigar o monumento do “Patriarca da República”.

- A inauguração solene ocorreu as 04h00min da tarde, com a presença do Presidente do Estado Dr. Carlos Barbosa, Dr. Borges de Medeiros e demais figuras do Partido Republicano Rio-Grandense – PRR, junto ao grande público presente.
Foi à obra do renomado escultor gaúcho Décio Villares (1851-1931), positivista fervoroso. A obra foi feita em Paris, na “Fronderie d’Art”.
O obelisco em granito com estátuas em bronze, com 22,50m de altura que representa as três fases mais marcantes da vida do Estadista:
- A Propaganda Republicana,
- A Organização do Governo Positivista e a
- Fase posterior à sua retirada do Governo.
Nas três faces do monumento:
- Face Central: - a figura do Estadista esboça disposição de levantar-se para agir, após a leitura do livro que segura à mão esquerda, assinalando o caráter do homem prático, não afeito a teoria, que, entre doutrinas alheias, elegeu o positivismo.
- Face da Esquerda: - a Coragem, com um dos olhos vendados, a exprimir audácia, empunha os louros da vitória, incitando à ação. A prudência, cautelosa, detém-lhe o ímpeto, apontando-lhe o perigo.
- Face da Direita: - a Firmeza, com porte atlético, celebra a inabalável perseverança do líder.
- Dominando o conjunto: - o Civismo sobraça o pavilhão nacional e o faz pender docemente, numa simbolização do Amor moto transcendente dos grandes feitos.

Em 26 de janeiro de 1913, domingo, em Porto Alegre, na Vila Theresópolis (atual bairro Teresópolis), é realizada a “primeira Festa da Uva do Rio Grande do Sul” na Praça Dona Maria Luiza, congregando agricultores de Vila Nova d’Itália (atual Vila Nova) e Theresópolis.

Em 1914, na África, o Egito torna-se protetorado da Grã-Bretanha.

Em 1914, na Europa, no Império Austro-Húngaro é assassinado o herdeiro do trono, Francisco Ferdinando, provoca crise, vários países, cumprindo alianças anteriores, iniciam um conflito armado que viria a ser a Primeira Guerra Mundial.

Em 1914, na América do Norte, Estados Unidos, Washington, por decisão do presidente Woodrow Wilson cria oficialmente a data do “Dia das Mães”.

Em 1914, na América Central, Panamá, é inaugurado o Canal do Panamá, depois de grandiosa obra, ligando o oceano Atlântico ao Pacífico na área em posso dos Estados Unidos.

Entre 1910 e 1914, em Porto Alegre, intensificou-se ainda mais o surto imobiliário. Foram tantos os prédios construídos, que foi considerado o “Quadriênio Glorioso” (Doberstein, 1992, p. 89). O ritmo de construções é acelerado, com uma arquitetura majestosa e monumental.
Um jornal da época registrou que havia em andamento nada mais que 520 construções. Entre elas:
Banco da Província,
Palácio do Governo,
Confeitaria Rocco,
Banco Alemão,
Banco Pelotense,
Previdência do Sul.

- Nos primeiros anos do século, chega da Europa mais de 300 arquitetos, essa migração assegura o ecletismo na concepção arquitetônica de Porto Alegre.

- Para Porto Alegre, uma grande diversidade de materiais era importada inclusive prédios inteiros, em ferro, como:
Casa Bromberg na Rua dos Andradas,
Chalé da Praça XV,
Pórtico de Entrada do Cais Central,
Armazéns do Cais do Porto.

- às vésperas da primeira Guerra Mundial o Atelier Friederichs de João Vicente Friederichs em Porto Alegre experimentou seu grande apogeu.
O costume de então era ornamentar profusamente a fachada dos edifícios. Tal costume correspondia ao grande otimismo das elites com o desenvolvimento do período. Com isso os negócios de João Vicente Friederichs prosperaram mais que nunca.
Emprega cerca de 70 operários distribuídos entre o atelier de escultura, a seção de galvanoplastia, fábrica de mosaicos, materiais de construção e uma fábrica de adubos químicos.
Mesmo assim precisou melhorar ainda mais seus quadros de colaboradores.
Em 1913, João Vicente Friederichs contratou na Europa o alemão Alfred Adloff, o “mais técnico e completo estatutário” que por aqui operou.

Foi através da arquitetura e do urbanismo, as transformações da Capital Porto Alegre se tornaram mais visíveis.
Na Intendência Municipal (Prefeitura) Wilhelm Arhons projetou um grande aterro até o talvegue (parte mais profunda) do rio para ali construir um “Porto” digno para a Capital.
Uma “grande avenida” haveria de ligar o portão do porto ao novo “Palácio do Governo” que estava sendo erguido por técnicos franceses que haviam sido contratados pelo presidente do Estado Carlos Barbosa a peso de ouro. Como os honorários dos mesmos eram de dez por cento sobre os custos da obra, todos os materiais empregados acabaram sendo importados da Europa. Até mesmo o nosso tão prezado granito foi dispensado em favor de um calcário francês, segundo os “economistas” palacianos, por ser mais caro, segundo o arquiteto francês, por ser muito duro e não permitir fazer arestas retas e bem acabadas. A orgia financeira começou a ganhar as ruas e a repulsa popular. Quando Borges de Medeiros voltou a ocupar o posto de primeiro mandatário, não contente dispensou os franceses e mandou arquivar o projeto da grande avenida que já havia sido parcialmente executada e receberia o nome do terceiro governador provincial, Manoel Jorge Gomes de Sepúlveda.

- A par destes contratempos, a Secretaria de Obras, sob o férreo comando de Alfonse Hebert, realizava uma porção de projetos de edifícios monumentais como os prédios gêmeos das Secretarias da Fazenda e de Obras Públicas, a Biblioteca Pública, a Escola Ildefonso Pinto (atual Escola Ernesto Dorneles).
Quando Herbet se aposentou, Teophilo Borges de Barros ocupou o seu lugar e continuaria o ritmo veloz das obras governamentais com o prédio do jornal oficioso A Federação, a reformulação do projeto das secretarias gêmeas (que ainda não haviam sido iniciadas), o Colégio Paula Soares, o edifício da Intendência Municipal, de Carrara Calfonso, e de alguns prédios da Universidade como a Faculdade de Direito, de Hermann Otto Menchen.

- Melhor que as obras estaduais, o governo central se esmerou em realizar obras do mais alto requinte, Os prédios gêmeos da Delegacia Fiscal e dos Correios e Telégrafos, ambos de autoria de Theo Wiederspahn, o responsável pelo departamento de arquitetura da firma de Rodoph Ahrons.
Outro prédio que fez época foi o prédio da Alfândega de Hermann Otto Menchen, construído atrás da Delegacia Fiscal.

- Porém as construções mais significativas foram construídas pela iniciativa privada. Uma rede de bancos locais construiu sedes e filiais do mais requintado acabamento. Casas comerciais como a de Nicolau Ely, a Previdência do Sul ou H.T. Moeller.

- Ao longo da Rua Voluntários da Pátria (antigo Caminho Novo), começaram a ser construídas importantes fábricas a partir do momento em que a Primeira Guerra Mundial impediu a realização do comércio internacional. Obras memoráveis como a da Cervejaria Bopp.
Os moinhos da Cia. Rio-Grandense de Arroz e os Irmãos Chaves (taxadas de “obras utilitárias”) deveriam receber muito mais divulgação e carinho em sua preservação, por seu alto significado no sentido da evolução da própria arquitetura ocidental.

- Estas obras se caracterizavam pelo alto investimento no tratamento das fachadas, seja no tratamento do reboco, seja no emprego de esculturas. Esse foi o “momento único na história das artes plásticas” no Estado em que houve uma demanda tão grande de obras de esculturas. Para tanto havia a necessidade de uma legião de profissionais habilitados e que começaram por ser recrutados na cidade e no interior.
Depois, a procura se estendeu aos países vizinhos, especialmente as cidades de Montevidéu e Buenos Aires. Como estas cidades também estavam sujeitas a um grande desenvolvimento, as ofertas de emprego só eram aceitas mediante um salário privilegiado. Mesmo assim, o mercado não pode ser suprido em razão do que os empresários acabavam por contratar escultores nos centro europeus de projeção.

Escultores
- Jesus Maria Corona Alonso, espanhol, do norte da Espanha, tinha uma vida familiar muito conturbada, alegando oferta de emprego numa cidade próxima a Santander (Espanha), separou-se da mulher depois do nascimento de seu sexto filho.
Devido ao envolvimento com movimentos subversivos espanhóis, foi forçado, repentinamente, a abandonar sua terra natal e vir para a América.
Em 1910, em Porto Alegre, acabou por trabalhar em escultura no Palácio do Congresso, onde foi contratado por João Vicente Friederichs, o mais próspero empresário de esculturas da cidade.
Mais tarde na miséria, seu filho Fernando Corona o convenceu a voltar à Espanha, era início da Revolução Espanhola, se envolveu em milícias, se exilou na França, voltou à Espanha e acabou fuzilado.

- Fernando Corona, espanhol, foi uma personalidade bem característica a partir da época do “Quadriênio Glorioso”. Fernando Corona que pertence à segunda fase do processo, filho do escultor Jesus Maria Corona Alonso aprendeu desde cedo o ofício com seu pai que se encontrava em Porto Alegre.
O primogênito Fernando Corona em certa medida, continuou a manter os precários vínculos entre seus pais, na medida em que passava o tempo alternando suas vivências com o pai e a mãe.
Começou como ajudante de escultor trabalhando inicialmente com seu pai no Atelier Friederichs. Embora estudasse com afinco tudo o que dizia respeito ao ofício, sua convivência com o pai acabou por se deteriorar a ponto de trocá-lo por companhias boêmias e pouco afiançáveis. Metia-se em arruaças que fizeram com que mais de uma vez fosse forçado a ver o sol nascer quadrado.
Após 1920, Corona encontrou posição como projetista da firma Azevedo Moura e Gertun e mais tarde como professor de escultura e modelagem no Instituto de Belas Artes. Fernando Corona se considerava Machão, Vaidoso, dava a entender que nada de importante aconteceu na arquitetura da cidade que não fosse de sua iniciativa e Irado.
Mas Amava a Arte, e chegou a hipotecar sua casa, único bem que possuía para manter as obras do Instituto de Belas Artes, quando o Governo deixou enviar verbas.
(texto adaptado de Dr. Günter Welber, Vidas e Costumes, Hilda A. H. Flores, Nova Dimensão, 1994)

- Alfred Hubert Adloff, alemão de Dusseldorf, técnico estatutário premiado na Europa, trabalhou em Berlim, Bruxelas e na Itália, de volta a Alemanha na Fabrica de cutelaria e baixelas Griessen e Essen apurou sua técnica de modelar em relevo.
Em 1913, quando chegou a Porto Alegre contratado por João Vicente Friederichs proprietário do Atelier Friederichs as principais obras do “Quadriênio Glorioso” já estavam em fase final de acabamento.
Seu primeiro trabalho na Capital foi o monumento ao “Barão de Rio Branco”, encomendado ao Atelier Friederichs pelo Clube dos Oficiais da Guarda Nacional. O projeto original era de Jesus Maria Corona e constava a figura do estadista emoldurado por um arco romano, Adloff modificou o projeto, retirando o arco e acrescentou ao conjunto a figura feminina da República, aos seus pés entregando uma coroa de louros.
Para a Cervejaria Bopp, inaugurada em 1912, A ornamentação da fachada do prédio era para seguir a linha do anedotário e irreventente. Adloff modelou uma figura de “Gambrinus” (personagem medieval germânico) padroeiro dos bebedores de chopp, onde saúda o público com um caneco de chopp, mais familiar, já Wenzel Forberger modelou um “Mercúrio” embriagado.
Na fachada do prédio da Delegacia Fiscal, projetado por Theo Wiederspahn, Adloff executou as 6 figuras da fachada representando (indústria, comércio, arquitetura, navegação).
No prédio da Alfândega projetado por Otto R. Mechen, que se prolongou por vários anos, a ornamentação foi contratada por João Vicente Friederichs, para o lado da cidade aparece um imenso “Atlante”, do lado do porto foi modelado um “Remador Negro” marcado pela ambigüidade (este foi o único modelo negro usados no historismo escultório porto-alegrense), Adloff fugia ao clássico e as regras.

- Outro campo de trabalho bastante aproveitado pelos estatuários domiciliados em Porto Alegre foi há ornamentação de igrejas e monumentos religiosos, isto a partir de década de 1920.
Na Oficina Gaudenzi e Adloff (1923-1928) de Alfred Adloff e o também escultor Giuseppe Gaudenzi, que por quatro ou cinco anos estiveram associados, seus projetos atestam uma perfeita adequação entre o cálculo mercantil e a preocupação artística.
Um dos primeiros trabalhos de Adloff na ornamentação religiosa foi a Igreja São José, construída em 1924 pela comunidade teuto-católica, essa vinculação com a comunidade alemã pode ter determinado à figura de “São José” traços germânicos, pleno de força e afirmação.
Em 1924, as encomendas cresciam, adquiriu sua casa própria na Rua Dona Margarida, no Arraial de Navegantes, na zona norte de Porto Alegre. Seu casamento com Ellie Adloff ia bem. Nesse mesmo ano nasceu seu segundo filho Friedrichs Adloff, o seu primeiro filho Hans Alfredo, já estava com idade do rechonchudo e robusto “Menino Jesus” que o pai do monumento a São José, pode-se cogitar-se de uma projeção do próprio artista em sua obra.

Em 1929, Adloff já trabalhando sozinho com a crise econômica mundial e a retração dos negócios, sua situação começou a piorar. A esposa atacada de tuberculose passou a exigir tratamentos dispendiosos, teve que pegar qualquer trabalho e se desloca de Porto Alegre para o interior em Caçapava do Sul, para reforma e execução na Igreja Matriz.
Em 1931, a morte de sua esposa Ellie Adloff e a falência de João Vicente Friederichs, deixaram-no ainda mais desamparado e desesperado.
Em 1931, executou a figura de “Santa Terezinha” para a torre da Igreja de Santa Terezinha, na Avenida José Bonifácio, no Bom Fim, os prazos eram curtos, teve 60 dias para a excução do trabalho.
Em 1932, começou o lento e doloroso declínio.
Nessa fase de profunda depressão emocional, Adloff produziu obras estupendas.
Por volta de1938 executou os quadros da “Via Sacra”, do “Cristo Rei” e dos “anjos do altar” da Capela do Seminário Crito Rei de São Leopoldo.
Em 1940, executou o monumento a “Marcelino Champagnat” para a congregação dos Irmãos Maristas de Porto Alegre, onde representou o Champagnat histórico no metre a serenidade, firmeza e benevolência, nas crianças a agitação sofreada, as crianças estão descalças (algo anormal na Europa).
Em 17 de maio de 1949, o artista escultor Alfred Hubert Adloff, serenamente, deixou este mundo, mas não para o esquecimento e sim “Admiração”.
(texto adaptado de Aranoldo Walter Dobenstein, Vidas e Costumes, Hilda A. H. Flores, Nova Dimensão, 1994, não está incluída a arte cemiterial)

A burguesia está na Independência
- As vésperas da I Guerra Mundial começam a surgir em Porto Alegre os palacetes da Rua da Independência (atual Avenida Independência), que já era preferência da burguesia desde o final do século XIX.
A burguesia e os novos capitalizados (novos ricos) começam a se deslocar em massa do Centro para a continuação da rua, com infra-estrutura privilegiada, este contraponto está na grande quantidade de palacetes que iam sendo construídos, e depois, seguindo para o arraial dos Moinhos de Vento.

- Em Porto Alegre, as mulheres romperam a reclusão de serralho à qual estavam condenadas, em nome dos bons costumes, até o fim do Império, espremeram-se para dentro dos espartilhos, colocaram o pescoço de fora do decote e levantaram a saia ao ponto de mostrar, em toda a plenitude, os tornozelos.
Depois da guerra, a audácia foi ainda maior, além de diminuíram cada vez mais o tamanho do chapéu, cortaram o cabelo a “la garçonne”, levantarem a saia até o perigoso limiar dos joelhos, ainda baixaram o cinto até os quadris, o que as deixava “melindrosas”.

- Diante de tanto despudor que fazia os últimos moralistas anunciar o fim do mundo, o Homem (a rapaziada) passou à desforra. Aposentaram definitivamente as polainas e substituíram a casaca pelo paletó. A exaltação ao vigor físico emanante da ideologia da guerra fez com que passássemos a praticar ginástica e a se apresentar em público, com braços e pernas quase que totalmente despidos.
Depois da guerra, substituíram o onipresente guarda-chuva preto pela bengala branca, à cartola pelo chapéu coco e a gravata, pela borboleta, diminuíram a espessura do bigode, engomaram o cabelo com brilhantina e calçaram sapatos de duas cores. Assim surgiu o “almofadinha”, mestre da elegância, da finesse e da oratória, “habitué” dos salões literários onde se apresentava com pose do escritor americano Oscar Wide, e dos cafés-concerto onde se esmerava em apresentar um tango hollywoodiano dançado à La Rodolfo Valentino quando não inventava de rebolar ao som de um brejeiro e indecente maxixe crioulo de Ernesto Nazaré.

- Os cafés fervilhavam de gente. Nas confeitarias Colombo, Central, Nacional e Rocco, nos Restaurantes Viena e Mateus e no Hotel Paris, Grande Hotel ou Majestic se reinava a intelectualidade em rodas de poesia, de literatura, de brejeirice e de boemia que servia para preparar os espíritos para uma noitada quente, nos famosos prostíbulos da cidade.

- A vida cultural da cidade era intensa. Duas orquestras sinfônicas concorrentes promoviam alguns músicos que chegariam a gozar de largo prestígio como os irmãos Gnatali, Luiz Cosme, Dante Santoro e Nato Hehn.
Mas era na oratória que os jovens talentos encontravam a sua mais legítima expressão.
Quando havia o enterro de algum defunto ilustre, as bandas, com suas marchas fúnebres, faziam o contra ponto dos discursos mais inflamados.

Nota:
- No velório de Barros Cassal, no trajeto desde a câmara mortuária no saguão da Intendência (Prefeitura) até a sua cova no Cemitério São Miguel e Almas teve de ouvir nada menos que nove discursos proferidos pelas mais ilustres figuras da urbe. Deve ter suspirado de alívio quando foi autorizada sua descida para as entranhas da mãe terra.

- Os poetas que faziam suspirar as donzelas com seus sonetos de amor, encontravam platéia ideal nos freqüentes saraus artísticos que começavam com um “rega-bofe” e terminavam com conferências que recebiam títulos muito sugestivos como: - “casar é bom”, “poetas, poetas, poetas”, “a mulher e as armas”, “nós os poetas”.
Quando por aqui pintava algum membro da Academia Brasileira de Letras, a comoção era geral e as conferências eram realizadas em teatros apinhados de gente.
A conferência proferida por Coelho Neto, com o título “a arte de ser bela”, entrou para os anais da cidade, assim como a visita de Olavo Bilac.

- As artes plásticas também tiveram um grande desenvolvimento, na pintura, Pedro Weingaertner já criara fama no Império. Na escola de Belas Artes, Libindo Ferraz e Eugênio Latour passaram a divulgar o ofício. Porém, a orientação conservadora não trouxe grandes resultados e as inovações ficaram por conta de pessoas que estudaram fora ou de artistas imigrantes.
Entre os primeiros estavam Oscar Boeira e João Fahrion, entre os segundos, o tcheco Francis Pelicheck, o italiano Ângelo Guido Gnocchi e os alemães Josef Lutzenberger e Ernst Zauner. Para pintar os palácios governamentais eram contratados artistas dos mais expressivos na Capital Federal (Rio de Janeiro) como Antônio Parreira, Augusto Luiz de Freitas, Lúcidio Albuquerque e Ferdinand Schlatter.
(texto adaptado do Dr. Günter Welmer, Vidas e Costumes, Hilda A. H. Flores, Nova Dimensão, 1994)

- O Carnaval no Verão de 1914, pelos olhos de Ernani Fornari (1899-1964) no seu romance “O homem que era 2”, publicado em 1935:
- “Assim, pois, às onze horas, sem havermos em toda a entrevista tocado, ao de leve sequer, no motivo que nos aproximara, saí da Confeitaria, braço amparado pela mão forte do Ramalhão. E a passos lentos, braços dados, lá nós fomos nós em direção à praça 15, ele – caminhando teso como um príncipe, eu – arrastando-me sordidamente, como um projeto da Câmara.
Ao chegarmos à esquina da Rua de Bragança, detivemo-nos uns instantes para ver o passar o “Zé-pereira” infantil popularíssimo Tubino. De soberba grenha ao vento., entusiasmado e dinâmico, numa perpétua mocidade jovial e ruidosa, ao lado da petizada foliano, Tubino dirigia os tambores, cadenciava as “caixas”, pontificava os clarins, ritmava os passos de todos e orientava e fiscalizava ainda (e sobretudo) os coletores que, à frente, de pandeiro na mão, solicitavamaos transeuntes “um auxílio para o préstito do grande Petit-Momo.”

Zé Pereira
- Grupamento ...

Em 1914, em Porto Alegre, o prédio construído originalmente para ser a sede da Delegacia Fiscal da Fazenda em concorrência pública no ano de 1910, recebeu apenas um único e luxuoso projeto, orçado em 800 contos de réis naquela oportunidade.
Contudo, o então Ministro da Fazenda, Francisco Sales, considerou que a cidade de Porto Alegre não necessitava de um palácio para a instalação de uma mera repartição pública e chegou a anular a concorrência. Delegou a um subordinado a criação de projeto alternativo simples, um barracão à semelhança de residência, que só não foi levada a cabo pela providencial saída de Sales do ministério. 
Em seu lugar assumiu Rivadávia Correia, positivista gaúcho que, logo em um de seus primeiros atos, propôs ao engenheiro que fez ambos os projetos que anulasse  o contrato do barracão e seguisse com o projeto original, só que agora orçado em mil e duzentos e cinqüenta contos de réis, mais de 50% mais caro que na primeira oportunidade.
As obras foram iniciadas em setembro de 1913 e empregou 300 operários. Os trabalhos foram concluídos em 1914, faltando apenas às cúpulas de bronze que foram encomendadas à Alemanha, mas não entregues por confisco do governo alemão para uso na fundição de canhões, para a Primeira Guerra Mundial.
Com isso, o prédio chegou a ficar sem cobertura até 1922.
De construção notável, por sua beleza e imponência implementada pelo arquiteto Theo Wiederspahn sem contar as riquezas de detalhes na fachada e interiores, este edifício do Museu, tem estilo bastante eclético.
A arquitetura consegue mesclar elementos neoclássicos e barroco, na fachada o escultor Alfred Hubert Adloff executou as 6 figuras destaca-se o frontispício com as figuras reclinadas da Deusa Ceres, representando a Agricultura, e Hermes, o Comércio, sob um grande brasão da República.
No terceiro piso, na base dos torreões, existem estátuas alegóricas da Indústria, Pecuária, Navegação e Arquitetura.
O interior, saguão e salão principal, são decorados com mármore branco, ladrilhos em motivos geométricos no piso, estuques em relevo no teto e azulejos coloridos nas paredes, alguns dos quais com rosto em relevo.

Em 1914, em Porto Alegre, o arquiteto Theo Wiederspahn assumiu a direção do Escritório do engenheiro Rodolph Ahrons, que se retira do negócio e se aposenta.

- Assim até 1920, a firma se denominaria simplesmente de Escritório Técnico Theo Wiederspahn e pode seguir na obra iniciada pelo antigo chefe e a quem “Porto Alegre deve a completa renovação estilística nas construções” tanto de edifícios públicos, como bancários e particulares, a chamada “Era Ahrons”.

Em 1914, em Porto Alegre, surge a empresa Companhia Geral de Indústrias.

Em 1914, em Porto Alegre, o agrônomo norte-americano E. C. Craig realizou pesquisas com soja na Escola Superior de Agronomia e Veterinária, era idéia desde 1900 de introduzir a “Soja” no Rio Grande do Sul o chamado “Ouro Verde”. Considerado exótico e pouco cultivado, somente em 1940 a soja passou de forrageira para oleaginosa.
No final da década de 1940, em Pelotas que a Sociedade Refinadora de Óleos VegetaisSorol, que já produzia óleo de linhaça, começou a processar a soja.
Nos anos 1950, a Sorol lançou o óleo de soja “Sorol” considerado o “primeiro do Brasil”, em lata amarela com detalhes em preto e marrom.

Em 1914, em Porto Alegre, circulou o último Bonde de “tração animal” da Cia. Carris, que atuavam desde o dia seguinte à viagem inaugural, os burros e as mulas pegaram no pesado, por mais de 60 anos.

- Os animais tinham dificuldade de levar os veículos lotados até as partes altas do Centro. Para facilitar a subida, a Cia. Carris mantinham parelhas sobressalentes de burros no começo das ladeiras que se juntavam aos outros dois.
Mesmo assim, muitos passageiros (homens) desciam e empurravam o bonde, com pena dos animais.

Em 1914, em Porto Alegre, é aberta outra sala de cinema, o Cine-Theatro Apolo,um sucesso dos Irmãos Grecco, na Rua da Independência, próximo a Santa Casa.
Conforme anúncio da época:
“O maior e mais freqüentado desta capital, ponto de reunião da elite elegante e intelectual.”

Em 1914, em Porto Alegre, coube ao engenheiro e arquiteto João Moreira Maciel, da Diretoria de Obras da Intendência Municipal, executar o primeiro Projecto de Melhoramentos e Orçamentos (Plano Geral de Melhoramentos), conhecido como Plano Maciel, sendo Porto Alegre a “primeira cidade brasileira a contar com um plano definido por Lei Municipal”.

- Quando o arquiteto João Maciel elaborou o “Plano de Melhoramentos da Capital”, estava estabelecendo o marco das transformações pelas quais a cidade desembocaria em um novo tempo e na modernidade.
Pela primeira um plano de caráter geral pensava nos novos problemas da cidade, projetando-os para o futuro e antecipando soluções. Maciel teve sensibilidade para perceber cedo os problemas estruturais que viriam atormentar a população.
Formado em São Paulo, Maciel trabalhava na equipe do intendente (prefeito) José Montaury, se revelou um profundo conhecedor das necessidades das cidades.
Pensou em reorganizar o espaço urbano com relação ao porto inaugurado em 1921, facilitando a circulação de mercadorias e a comunicação com a zona comercial.
Planejou as avenidas Júlio de Castilhos e a Mauá, duas avenidas paralelas ao cais. Previu a Avenida Borges de Medeiros e a Radial Farrapos.
Seu plano antevia a Redenção como grande área de lazer integrada ao Centro, à criação de um Teatro Municipal, armazéns no porto e a nova Alfândega, a retificação do arroio Dilúvio como forma de sanear a parte baixa da cidade.
Pensado em 1914, algumas de suas obras só foram realizadas na década de 1980.

Em 1914, Porto Alegre, passa a receber indústrias transferidas do interior, entre elas: - A. J. Renner & Cia, nascida em 02 de janeiro de 1912, pela intervenção na hora certa da empresa dos cunhados mais velhos e abonados de São Sebastião do Caí, a empresa de fiação e tecelagem de Antônio Jacob Renner (1884-1966), conhecido como “A.J.”.
São Sebastião do Caí não era mais uma ponto estratégico, é adquirida no bairro fabril de Porto Alegre, quase toda uma quadra do antigo Prado dos Navegantes.
As máquinas foram trazidas pela importadora Bromberg & Cia, junto veio o mestre- fiandeiro, a qualidade se aprimorou.
O conglomerado de empresas sob o comando de A. J. Renner não parou de crescer, transformando-o naquele que é considerado o maior industrial gaúcho de todos os tempos.

Em 1914, em Porto Alegre, é inaugurado o magnífico prédio dos Correios e Telegraphos na Praça Rio Branco, projeto do Escritório Rodolph Ahrons feito pelo arquiteto Theo Wiederspahn.
Obra iniciada em 1911. Funcionou como agência dos Correios por 60 anos.

Em 21 de junho de 1914, em Porto Alegre, o Sr. Rudolph Wolf, o último venerável da loja maçônica “Zur Eintracht”, representou a loja na consagração da pedra fundamental do Hospital Moinhos de Vento, o mesmo fez uma doação em nome da loja de RS 1:000,00 para a construção do novo hospital (Festschrift des Deutschen Krankenhaus 1927 Seite 20).

Em 15 de novembro de 1914, no Brasil, Rio de Janeiro, Venceslau Brás Pereira Gomes (15.11.1914-15.11.1918), nono presidente da República, Mineiro, Partido Republicano Mineiro – PRM, vice Urbano Santos.
Reticente e ardiloso afastou-se do senador gaúcho Pinheiro Machado. Com a ajuda de um empréstimo, tentou equilibrar as finanças do país.

Em 08 de dezembro de 1914, em Porto Alegre, é fundado o Tênnis Club Germânia, com seu próprio regulamento, mas funcionando junto à Sociedade Turnerbund.

Em princípios de 1915, em Porto Alegre, Henrique José Wiederspahn, chega à cidade com sua esposa gaúcha Elisa Franco Di Primio, a filha Luisa Cristina Wiederspahn e o filho Henrique Oscar Wiederspahn, inicialmente hospedado à Rua Dr. Flores com seu concunhado, o comerciante João Paz Moreira, casado com Alayde Franco di Primio, uma das irmãs de sua esposa.
Passou depois a residir em Navegantes (bairro Navegantes), à Rua Álvaro Chaves e mais tarde à Rua Tomas Flores, nº 93, próximo a Rua Independência.

Os irmãos Wiederspahn
- Theo Wiederspahn
- Henrique José Wiederspahn
- Em 1908, o alemão Theodor Alexander Wiederspahn, filho do construtor Heinrich Josef Wiederspahn Sênior e de Cristine Luise Koop, decide emigrar para o Brasil, para o Rio Grande do Sul, esperando obter uma colocação na “Cie. Auxiliaire”, junto a seu irmão caçula de 13, o engenheiro-civil Heinrich Josef Wiederspahn Junior (Seppel), que chegara em 1904.

- Em abril de 1908, Theo Wiederspahn embarcava com sua esposa Maria Mina Haffner em Bremerhafer (Alemanha).

Em março de 1912, Henrique José Wiederspahn viaja a Buenos Aires e depois embarca com a Família para Europa, regressa em 17 de setembro de 1912 novamente para Buenos Aires.

- Em julho de 1913, Henrique José Wiederspahn depois de passar pela Europa e Buenos Aires, consegue uma chefia de seção da Comissão de Estudos da Estrada de Ferro de Santa Catarina, sediada na cidade de Blumenau para onde segue com a família, hospeda-se no Hotel Holetz, e depois em uma casa na Rua 15 de Novembro.

- Em agosto de 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, houve a desistência da firma alemã e dificuldades de recursos federais, o que obrigou o Governo a encerrar os trabalhos. Henrique José Wiederspahn ficou até novembro de 1914 auxiliando seu chefe Joaquim de Souza Breves, após resolveu regressar ao Rio Grande do Sul, para Porto Alegre junto a seu irmão Theo Wiederspahn.

- Em 1914, Henrique José Wiederspahn com seu apego declarado a nova Pátria o levara a matricular seu filho Henrique Oscar Wiederspahn não em um colégio particular teuto-brasileiro e sim no Grupo Escolar Luis Delfino, recém inaugurado e do qual este foi um dos alunos fundadores, cursando seu 1º Ano Primário.
Associara-se ao escritório do irmão o arquiteto Theo Wiederspahn, na Rua Sete de Setembro, no andar superior de um sobrado existente então na esquina com o Largo da Intendência Municipal (atual Praça Montevidéu).

- Em 1915, o alemão Theo Wiederspahn, já era, um renomado arquiteto e notável fachadista em Porto Alegre, com o seu Escritório Theo Wiederspahn, convém assinalar que todas as fachadas e parte das estruturas internas dos edifícios em estilo neo-renascentista construídos então na chamada “Era Ahrons” em Porto Alegre, como os prédios:
- Correios e Telegraphos,
- Café Colombo,
- Café Central,
- Banco Alemão,
- Banco Italiano, haviam sido projetos de Theo Wiederspahn pessoalmente.

- A partir de 1915, o arquiteto Theo Wiederspahn passou a ter a cooperação do seu irmão o grande engenheiro ferroviário Henrique José Wiederspahn, de origem alemã (radicado no Rio Grande do Sul desde novembro de 1904), em todos os projetos e respectivos cálculos de estrutura e orçamentos, inclusive em várias obras iniciadas ainda no Escritório de Rodolph Ahrons, como o edifício da Delegacia Fiscal, até dezembro de 1919.
O engenheiro Henrique José Wiederspahn começaria a impor sua influência de maneira crescente, graças a sua experiência adquirida desde na belga “Cie. Auxiliaire”, na construção de pontes metálicas e de muros de sustentação nas obras ferroviárias sob sua responsabilidade direta, nos cálculos de resistência dos materiais.
Assim associados, os dois irmãos se completavam, cada um no respectivo setor.

- Os negócios do Escritório Theo Wiederspahn foram bastante promissores, embora com a Segunda Guerra Mundial e a entrada do Brasil no conflito ao lado dos aliados contra os chamados Impérios Centrais (Alemanha, Áustria-Hungria, Turquia e Bulgária) surgissem certas dificuldades pessoais para os dois irmãos ainda oficialmente considerados como súditos alemães e visados pelas restrições impostas pela Inglaterra com a sua “lista negra”.
As principais obras projetadas e construídas por eles incluíram, entre outras:
As ampliações da Cervejaria Bopp e da Cervejaria Ritter,
- Novo Hotel Majestic,
- Edifício Esteves Barbosa,
- Casa Fraeb e Cia.,
- Banco da Província de Cruz Alta,
- Banco do Comércio de Passo Fundo, etc.

- Coube a Henrique José Wiederspahn se tornar um dos pioneiros do emprego generalizado do cimento armado nas construções de Porto Alegre, muito embora não tivesse sido ele o primeiro a usá-lo entre nós.
Já na obra da Casa Fraed e Cia., à Rua Campos Sales, empregara ele cimento armado para as estantes destinadas a suportarem os pesos de maquinarias nos mesmo colocadas.
Na construção do Hotel Majestic todas as vigas, pilastras e pisos foram de cimento armado, projetados e calculados pessoalmente por ele e sem recorrer aos exageros estruturais ainda bastante comuns na época.

- Em 1916, na Exposição Agro-Industrial de 1916, em Porto Alegre, no Menino Deus, o engenheiro Henrique José Wiederspahn, revolucionário no emprego do cimento armado apresentou com o seu irmão Theo Wiederspahn:
- Ao lado do “Pavilhão Borges de Medeiros” um pavilhão misto de alvenaria e cimento armado projetado por Theo Wiederspahn, foram expostos dois postes para luminárias públicas inteiramente de cimento armado, os primeiros montados em Porto Alegre,
- Também uma escada de três lances e sem outro apoio que sua base monolítica de concreto.

- Em 1917, o escritório gera um projeto para a nova “Catedral de Porto Alegre”, para a concorrência aberta pela Cúria Metropolitana. Nesse projeto proposta para a catedral empenhara-se Theo Wiederspahn com entusiasmo, dando-lhe o máximo de sua experiência e capacidade como arquiteto, já comprovada desde os tempos em que trabalhara para o engenheiro Rodolph Ahrons. Teve a cooperação eficiente de seu irmão e associado, o engenheiro Henrique José Wiederspahn, e de um pequeno grupo de auxiliares especializados contratados para os respectivos desenhos.
Foi assim o mais monumental e grandioso em seu estilo neo-romântico de basílica, merecendo da opinião generalizada dos quais o puderam contemplar e comparar aos demais apresentados os maiores elogios. No entanto, para surpresa de todos; - a comissão encarregada de opinar e premiar o melhor apenas lhe outorgaria o 2º lugar, dando o 1º lugar ao projeto apresentado pelo Escritório de Arquitetura, Escultura e Modelagem de Jesus Maria Corona, que já trabalhara para Rodolph Ahrons e Theo Wiederspahn durante alguns anos.
Resultou a reviravolta que daria um recomendado pela Santa Sé, o arquiteto italiano João Batista Giovenale, professor da Academia de São Lucas, de Roma, o encargo de organizar o projeto definitivo para a sua construção iniciada somente em 1920. Foi isso um duro golpe para Theo Wiederspahn e seu irmão, mas principalmente para Corona, que, desgostoso, acabou se retirando para a Espanha, sua Pátria de origem.

- Theo Wiederspahn foi durante anos seguidos diretor da Escola Profissional “Gewerbe-Schulverein”, Henrique José Wiederspahn também lecionou na Escola Profissional, que funcionava então à Rua São Rafael (atual Alberto Bins), n° 54, nas dependências do “Deutsche Hilfsverein-Schule”, a escola da Sociedade Alemã Beneficente, no Colégio Farroupilha (que em 1902 teve entre os seus alunos durante 4 anos Raul Pilla, o batalhador sul rio-grandense pelo parlamentarismo), atual Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael.
A Escola Profissional criada para suprir a deficiência de mão-de-obra especializada nas indústrias e nos escritórios de engenharia e arquitetura foi predecessor das atuais mantidas pelo SESI e SESC.
Henrique José Wiederspahn somente não continuou fazendo parte de seu corpo de instrutores por se haver transferido de Porto Alegre para Cruz Alta, a serviço do escritório.

- Em dezembro de 1919, a necessidade da presença de um representante credenciado do Escritório Theo Wiederspahn para dirigir e concluir as obras para as agências dos Bancos da Província e do Comércio em Cruz Alta e Passo Fundo fizera com que Henrique José Wiederspahn acedesse em transferir-se com a família para a região serrana.
Assim em Cruz Alta iria iniciar uma nova fase em sua vida profissional e que lhe daria uma série de aborrecimentos, a começar pela comunicação que receberia do irmão da transformação de seu escritório na firma Theo Wiederspahn e Cia., associando-se ao engenheiro Alfredo Haessler e Luis Korberg, este como encarregado da parte comercial e financeira. Surpreso, não concordou com a base da nova sociedade e na qual ficaria apenas como corista numa situação inferior à que mantivera até então. Não conseguindo entra em acordo com o irmão em Porto Alegre, afastou-se agastado e resolveu permanecer como autônomo em Cruz Alta.

- A nova firma Theo Wiederspahn e Cia. sem a participação de Henrique José Wiederspahn que apesar de Alfredo Haessler ser especializado em cimento armado, a nova firma não se manteria em bases razoáveis.

- Em 1921, a firma Theo Wiederspahn e Cia dissolveu-se, ficando o arquiteto Theo Wiederspahn sozinho na direção do escritório.

- Em 1932, Theo Wiederspahn se retira definitivamente por motivos de saúde para a sua casa na Ponta Grossa, zona sul de Porto Alegre.
Retornaria as suas atividades projetando preferencialmente templos evangélicos e escolas nas áreas de Novo Hamburgo, Campo Bom e Canela, fazendo jus à sua reconhecida capacidade e bom gosto estilístico.

- Em 1924, de Cruz Alta Henrique José Wiederspahn fugindo da estagnação da região das Missões pela Revolução de 1923 e a Coluna Prestes em 1924, retornaria a Porto Alegre pela segunda vez para a Vila di Primio, por seu sogro e cunhados na Rua Cristovão Colombo em frente à Cervejaria Bopp, que lhe cedeu uma pequena casa à mesma rua, mediante aluguel módico. Foram difíceis estes primeiros momentos na cidade. Encaminhando o filho para Escola Militar de Realengo (RJ) e a filha para Escola Normal.

- Em agosto de 1926 Henrique José Wiederspahn recebeu um convite da Intendência Municipal para trabalhar na Diretoria de Obras Gerais, como engenheiro adjunto.
No cargo fez os projetos:
Viveiro Municipal,
Casas dos operários na Estrada Dona Theodora,
Ampliação do frigorífico do Mercado Público,
Novos fornos de incineração de lixo,
Canalização de águas pluviais, tanto com paralelepípedo como macadame alcatroado na área do atual Parque Farroupilha, bem como os respectivos orçamentos.

- Mas o seu projeto mais importante será a do coreto (concha acústica) em cimento armado da recém criada Banda Municipal de Porto Alegre e respectivo orçamento, a ser construído na Praça da Matriz e depois receberia o nome de Auditório Araújo Vianna, não conclui a obra, que coube a outro engenheiro.

- A carência de desenhistas auxiliares para a Diretoria de Obras Gerais o levara a propor a admissão de dois novos funcionários, seu filho Henrique Oscar Wiederspahn e Max Schlippmann (que mais tarde se destacaria como projetista de “bundalows”).
Mudara-se para Avenida José Bonifácio, para uma casa mais confortável e conseguira com a Intendência Municipal, sem prejuízo de suas funções, um contrato para levantamento topográfico dos bairros de Navegantes e São João, que vinham sendo atingidos pelas grandes enchentes do Rio Guaíba, calamidade que precisava ser controlado com a construção de barragens ao longo das margens.

- Em 30 de março de 1927, por motivo de saúde e divergências pede afastamento do quadro da Intendência Municipal.

- Associado ao engenheiro Eduardo Menning, com escritório na Rua dos Andradas, concluiu a medição e o levantamento topográfico de Navegantes e São João, mas teve dificuldade em receber da Intendência Municipal. Passara para uma casa menor na Avenida José Bonifácio.

- Após a Revolução de 1930, encerrando os trabalhos na capital, retorna com a esposa e a filha formada novamente para Cruz Alta.

Em novembro de 1933, procurado pelo engenheiro Vasco Feijó da firma Dahn, Conceição e Cia., de Porto Alegre, Henrique José Wiederspahn onde assume várias obras.

- Em 21 de junho de 1945, deixou Niterói (RJ), e aguardou resposta de Vasco Feijó, que com Ildo Meneguetti se tornaria um dos diretores da firma constituída em Porto Alegre com a antiga matriz Dahn, Conceição e Cia. e sob nome de Cia. de Indústrias Gerais, Obras e Terras. Aceita a oferta e retorna a capital, Porto Alegre, depois de vender a casa em Cruz Alta,
- Em Porto Alegre adquiriu uma casa na Rua Professor Langendonck, bairro Petrópolis, através da Caixa Econômica Federal. Na firma de Ildo Meneguetti supervisionou diversas construções na capital inclusive o grande edifício Di Primio Beck de seus sobrinhos, mas seu maior legado seria o “projeto para uma barragem”, empreendimento da Celulose Cambará Ltda.
No agravamento de seus males, mas trabalhando, não resistiu.

- Em 21 de maio de 1948 (1882-1948), morria por embolia cerebral o engenheiro-civil Henrique José Wiederspahn.
(texto adaptado, ten. cel. Henrique Wiederspahn, Anais do 1º Simpósio da Imigração e Colonização Alemã no RGS, 1974)

Em 1915, em Porto Alegre, surge o maior cinema de variedades da cidade o Theatro Coliseu (na primeira versão), na Rua Voluntários da Pátria, junto ao Largo Oswaldo Cruz, um gigante com 3 mil lugares.

Em 1915, em Porto Alegre, a educadora Maria Helena Fischer Hampe, foi transferida para à “Aula Pública da Praia da Alegria”, em Pedras Brancas (atual cidade de Guaíba), então 6º Distrito de Porto Alegre.
Residente em Canoas viajava semanalmente de aranhas ou de trem, no cais do porto embarcava em um vaporzinho que singrava as águas até o trapiche da Praia da Alegria e dalí para a escola de tábuas sem pintura e criança mal educadas e famílias caboclas muito pobres.

Em 1915, em Porto Alegre, anterior à Caixa dos Ferroviários (1923) – cerne do IAPAS – a Sociedade Caixeiro Viajantes criou o “Pecúlio Mortuário”.
Em 1922 enfrentaram o primeiro problema social quando Zimmermann deixou a concubina como beneficiária. Em cumprimento aos estatutos, pagaram o pecúlio (conquista só muito recente dentro do IAPAS), mas fizeram coleta inter-sócios pró-família legítima.

Em janeiro de 1915, na América Central, é inaugurado o Canal do Panamá, ligando os oceanos Atlântico ao Pacífico.
Depois de revoluções animadas com a Colômbia dona do istmo; somente após a independência do Panamá que os Estados Unidos forçaram, as terras para a construção foram cedidas em contrato.
Em 1904, 700 trabalhadores começaram a desmatar e preparar o terreno.
Em 1913, sem estar pronto, o canal ocupava 50.000 operários (europeus, americanos, negros das Antilhas e amarelos).
Em 15 de agosto de 1914, deu passagem ao primeiro navio: - o “Ancona”.

Em março de 1915, no Brasil, Rio Grande do Sul, cidade de Rio Grande, é inaugurado em grande evento o Porto Novo de Rio Grande, ao astronômico custo de 100 milhões de francos (19 milhões de dólares).
O molhe oeste, do lado de Rio Grande, tinha 4.012 metros (e mais de 288 metros de dique submerso), o molhe leste, do lado de São José do Norte, tinha 3.940 metros (360 metros submersos).
Mais de 4 mil homens  e 4 milhões de toneladas de pedras foram  utilizados na construção, financiada pelo norte-americano Percival Farquhar

- Para recuperar o investimento Percival Farquhar (considerado o dono do Brasil) passou a cobrar taxas extorsivas, gerando indignação entre os gaúchos.
O presidente do Estado Borges de Medeiros não compareceu a cerimônia e nunca viu o porto novo.

Em 08 de setembro de 1915, no Brasil, Rio de Janeiro, capital federal, era assassinado o grande senador da República o General José Gomes Pinheiro Machado, gaúcho “o homem que governa o governo” no saguão de um hotel no centro do Rio, com uma facada nas costas pelo “sicário” Francisco Manso de Paiva – um Zé Ninguém (nunca foi provada uma conspiração contra o senador).
Enquanto no Rio de Janeiro e São Paulo houve um carnaval quando da notícia do assassinato de Pinheiro Machado, em Porto Alegre a comoção era geral, as pessoas corriam em busca de informações, ninguém acreditava, e o desespero pairou sobre a cidade em luto.

Pinheiro Machado
- Era uma figura imponente, esguio, com um alfinete de pérola na gravata de seda e uma bengala com o cabo de marfim (“de unicórnio”, dizia ele), andava ereto, oferecia banquetes suntuosos, adorava galos de rinha, jogava pôquer e bilhar e utilizava um vocabulário floreado, posto a serviço de retórica agressiva.
Poderoso e adulado, Pinheiro Machado fez política “um meio de se tornar mais rico”.
Com muita propriedade a imprensa passou a chamá-lo de “fazedor de reis”, ou “o homem que governa o governo”; os caricaturistas a representá-lo como um galo “chefe do terreiro” ou uma raposa “terror dos galinheiros políticos”.
Para grande parte da população o responsável pelos males que lhes afligiam; no Rio Grande do Sul era amado, pois sua herança era o apoio ao presidente do Estado Borges de Medeiros.
Formado em direito pela Faculdade de São Paulo, veterano de duas guerras (do Paraguai e Federalista de 1893). Foi feito general por Floriano Peixoto, e era um experiente caudilhista. Como Senador, foi vice-presidente do Senado, se tornou a figura mais poderosa do Congresso, fez todos os presidentes da casa e participou decisivamente nas eleições dos presidentes da República Rodrigues Alves e Afonso Pena, com a posse de Hermes da Fonseca seu poder tornou quase que absoluto. Só não conseguiu ser candidato a Presidência. Ao desbancar Bahia e Pernambuco, Pinheiro Machado mudara o mapa político do Brasil, tornando o Rio Grande do Sul o “terceiro Estado mais importante da Federação” atrás de São Paulo e Rio de Janeiro.

- O senador Pinheiro Machado dizia:
- “É impossível que o braço assassino, impedido pela eloqüência delirante das ruas, nos possa atingir.”

- Em Porto Alegre o féretro do senador Pinheiro Machado levou multidões as ruas para chorar sua despedida, veterano da geração republicana que colocou lado a lado Júlio de Castilhos, Ramiros Barcelos e Borges de Medeiros.

Cortejo fúnebre do Senador Pinheiro Machado pelas Ruas de Porto Alegre

Em 1916, no Brasil, Rio de Janeiro, Capital da República, é promulgado o Código Civil Brasileiro.

Em 1916, em Porto Alegre, muda-se a Bromberg & Cia. – Machinas para Indústria e Agricultura, com sede em imponente prédio na atual Rua Siquera Campos, junto ao porto com amplo trapiche às margens do Guaíba para atracagem de navios de grande calado, e loja na Rua da Praia (Andradas), em prédio de ferro importado da Alemanha.
A Bromberg originária de Rio Grande (1863), passando as mãos do gerente Martin Bromberg (1887), então a maior distribuidora de maquinário alemão da América do Sul, com ênfase nas então indispensáveis “locomóveis”.
A empresa também financiou várias indústrias, entre elas a MernakInd. Brasileira de Máquinas (1912) fundada pelo alemão Otto Mernak em Cachoeira do Sul; a Bromberg introduziu as primeiras sementes selecionadas de fumo, mecanização do arroz, as primeiras olarias de fornos contínuos no estado, e incrementou as serrarias com a venda de locomóveis, importava locomotivas e pontes férreas, a empresa importava funilarias, máquinas para fábrica de cerveja, prelos de impressão, dínamos, motores de explosão ou a vapor, elétricos, caldeiras, máquinas agrícolas, máquinas para fábrica de papel, máquinas de costura, telefones, telégrafos e automóveis entre outros itens.
O carro chefe era a locomóvel alemã da marca Lanz.
A Bromberg fundou a União de Ferros, primeiro emprego do futuro major Alberto Bins.
Possuía filiais em Rio Grande, no Rio de Janeiro, Buenos Aires (Argentina) e Hamburgo (Alemanha).
Em 1917, teve todas as suas lojas atacadas e queimadas durante a revolta popular pelo ataque Alemão ao navio brasileiro Paraná.

As Locomóveis
- “É uma forma estacionária e adaptada das antigas locomotivas a vapor, de fácil instalação e baixo custo de operação. É uma máquina térmica que gera energia mecânica e pode transformá-la em elétrica, utilizando diversos combustíveis, dentre eles a casca do arroz. É constituída de fornalha, caldeira, e máquina a vapor, motor recíproco, normalmente de 1 ou 3 cilíndros. A queima do combustível na fornalha gera gases quentes que escoam ao longo do feixe de tubos da caldeira com água no casco.”

Em 1916, em Porto Alegre, assumem os novos permissionários do Chalé da Praça XV Paulo Ralfs e Ignácio Früstöcki que assinaram a locação com a Intendência no lugar do Pavilhão Binter.

Em 1916, em Porto Alegre, o português, “benemérito”, comendador Albino José da Cunha inaugurou o novo Moinho Rio-Grandense na Rua Voluntários da Pátria, esquina Rua Moura Azevedo.
Em 1924, aos 74 anos, Albino da Cunha vendeu o moinho para a multinacional Bunge & Born, que naquele mesmo ano comprou o Moinho Chaves e outros, constituindo assim a S.A. Moinhos Rio-Grandenses, a Samrig.
Em 1894, em Rio Grande, Albino da Cunha, fundou o Moinho Rio-Grandense, iria mudar os rumos do agronegócio no estado e dar início a um império moageiro. Adquiriu seu maior concorrente o Moinho Pelotense, das marcas Eclipse e Primor.
Em 1907, modernizou os dois estabelecimentos, tornando-se o maior industrial do estado.
Em 1913, na Inglaterra, comprou as mais modernas máquinas e instalações moageiras, indignado com as altas taxas de cobrança da nova administração do porto de Rio Grande, desmonta e transfere em 1915, tudo para Porto Alegre.

- Um século após a investida açoriana na cultura do trigo, o cereal voltava a mover moinhos em Porto Alegre, agora não mais de ventos.

Em 03 de maio de 1916, em Porto Alegre, o oficial de farmácia João Wesp, abre seu laboratório caseiro no bairro Floresta, onde fabricava uma mistura de sete plantas medicinais em um único frasco, nascia a Olina “Essência de Vida”, fórmula que trouxe de Colônia na Alemanha.
Em Porto Alegre fabricava o produto em um panelão de mocotó e depois de envasado vendia de porta em porta em lombo de mulas.
Em 1919, João Wesp é detido sob acusação de curandeiro, resolve registrar o produto, seria este o primeiro medicamento registrado em Porto Alegre.
Não pode usar o nome “Essência de Vida”, optou então pelo nome feminino comum na Alemanha – Olina.
O Rio Grande do Sul por ser uma região carnívora, a solução digestiva seria um santo remédio.
O endereço, a fórmula, o método de envelhecimento e a importação dos produtos continuam o mesmo, somente o controle de qualidade foi modernizado e aprimorado, administrado pelo neto Max Wesp.

“A amarga Olina conserva o doce sabor do sucesso.”

Em 23 de setembro de 1916, em Porto Alegre, o Paço dos Açorianos junto a Intendência Municipal ganhou nova denominação para Praça Montevidéu em homenagem a uma “caravana de desportistas do Uruguai” que aqui vieram e ali pararam junto ao Largo.

Em 1º de outubro de 1916, em Porto Alegre, chega Olavo Bilac, o notável parnasiano, o grande propagandista das novidades educacionais higienizantes, foi mandado a Porto Alegre pelo Exército para fazer um “reclame” do serviço militar obrigatório; foi o ponto máximo dos festejos.

Em 12 de outubro de 1916, em Porto Alegre, à tarde, Olavo Bilac participou de uma batalha de pétalas travadas na Vila Diamella no arraial do Menino Deus

- A noite foi oferecido um jantar pela classe acadêmica do no “restaurante Petit Cassino”. O poeta foi conduzido à mesa colocada sobre o palco, ao lado dos “imortais” mais eminentes da Província.
Enquanto era servido o jantar, nove donzelas da mais elevada estirpe, fantasiadas como as musas da mitologia grega, ao som de uma música tão suave como seus movimentos, lançavam continuamente pétalas de rosas na fronte do poeta.
Alcides Maya proferiu sobermo trabalho sobre o folclore gaúcho. A festa foi coadjuvada por duas bandas de música.
Ao fim da tertúlia, depois de ouvir os poemas especialmente preparados para o evento, o poeta foi coroado com louros.
Os memorialistas garantem que ficou uma gracinha quando declamava seus suspiros de amor.

Em 1917, na Europa, Grã-Bretanha, o ministro do Exterior Arthur Balfour, assina declaração que promete o estabelecimento de um Estado Judeu na Palestina em posse britânica.

Em 1917, na Europa Oriental, Rússia, a Revolução de Outubro (no calendário russo) derruba o governo de Kerenski. 
Liderados por Lênin e Trotsk o governo paralelo comunista tomam o poder.

Em 1917, no Brasil, São Paulo, o movimento modernista de 1922 tem início com a Exposição de Anita Malfatti (1896-1964) na cidade de São Paulo, os brasileiros tomaram o primeiro contato com a arte contemporânea.

Em 1917, no Brasil, Rio Grande do Sul, dunda-se o “primeiro frigorífico” do estado, aproveitando a oportunidade econômica aberta pela I Guerra Mundial Os frigoríficos, a rigor, vieram substituir as antigas charqueadas.

Em 1917, em Porto Alegre, é fundado o Sport Club Ypiranga.

Em 1917, em Porto Alegre, o Tênnis Club Germânia devido a Primeira Guerra Mundial é os conflitos entre os brasileiros e imigrantes ou descendentes alemães, mudou seu nome para Tênnis Club Ipiranga.

Em março de 1917, em Porto Alegre, uma “Onda de Greves”, iniciada em São Paulo e Rio de Janeiro, chegam à capital, liderados por trabalhadores do setor calçadista, os operários saíram às ruas pleiteando a redução das tarifas dos bondes e jornada de trabalho de 8 horas.

- O presidente do Estado Borges de Medeiros, reagiu de forma incomum para a época, não reprimiu o movimento e até apoiou algumas bandeiras, mas não vai ser o bastante e a Greve vai irromper novamente em agosto.

Em 03 de abril de 1917, na Europa, na costa da França, durante a Primeira Guerra Mundial o navio mercante de bandeira brasileira Paraná da Cia. de Navegação Costeira com sede no Rio de Janeiro é afundado por um submarino Alemão no Canal da Mancha, o Brasil se mantinha neutro desde 1914.

Em 11 de abril de 1917, em Porto Alegre, chega à notícia do covarde ataque ao “navio Paraná”, atacado por submarino alemão.
O Brasil rompe relações diplomáticas com a Alemanha.

- Nos dias seguintes, uma parcela exaltada da população sai às ruas invadindo, saqueando e incendiando casas comerciais e indústrias pertencentes a alemães e seus descendentes, aconteceu o primeiro Quebra-Quebra em Porto Alegre.

- Em Porto Alegre, os ânimos se acirram, a Alemanha era inimiga do Brasil, as manifestações eram de franca hostilidade aos alemães e seus descendentes.
Aconteceu que o alemão Frederico Schmidt, seu filho e um vizinho foram provocados por manifestantes anti-germânicos que passavam em um bonde na Rua Voluntários da Pátria, e descarregaram seus revolveres contra o veículo.

- No dia seguinte embora os três já estivessem presos, um grupo de pessoas ateou fogo ao Hotel do Schmidt, na Rua Voluntários da Pátria, o Centro virou um inferno, na Rua Sete de Setembro, o grupo incendiou a Casa Bromberg, e o fogo se estendeu às casas ao lado.
A seguir foi incendiada a sede da Sociedade Germânia (1855), e do jornal Deutsche Volksblatt, na Rua Dr. Flores.
As mais atingidas foram a Importadora Bromberg e a Fábrica de Gasosas de Victor Fishel, também foi atacada a Fundição Berta, onde o major Alberto Bins despachava, a Famácia Alemã, a Fábrica de Arreios Theobaldo Kraemer, a Cia. Guilherme Luce entre muitas outras.

Em 22 de maio de 1917, na Europa, na costa da França, em Brest, é afundado o segundo navio brasileiro o Tijuca pela marinha alemã.

- Após o afundamento do navio mercante Tijuca, o ministro do Exterior, o catarinense Lauro Müller, descendente de alemães, e tido como germanófilo se demite do cargo.

Em 24 de maio de 1917, no Brasil, Rio de Janeiro, o Brasil sai da neutralidade na Primeira Guerra Mundial e confisca todos os navios mercantes alemães ancorados no país.

No dia 25 de maio de 1917, na Europa, na costa da Espanha, é afundado o navio brasileiro Macau por submarino alemão.

Em 31 de julho de 1917, em Porto Alegre, estoura a segunda Greve Geral dos operários (a primeira em outubro de 1906) e a primeira no Estado do Rio Grande do Sul, liderada pela Liga de Defesa Popular – LDP, durante a Iª Guerra Mundial, quando a exportação de gêneros alimentícios básicos para a Europa fez os preços subirem no mercado interno.
Os grevistas exigiram várias medidas contra os especuladores e o aumento de salários.
O presidente do Estado Borges de Medeiros, que não reprimiu o movimento e em março na primeira orda já havia até apoiado algumas bandeiras.
A greve irrompeu novamente, a cidade ficou sem luz, trem, bondes, leite e pão.

“Ao Povo e ao Comércio.
A greve é a revolução pacífica dos oprimidos; um direito constitucional em todos os países onde ha liberdade e lei...
... Queremos trabalho e não escravidão.
... Viva o Povo Rio-Grandense!
Salve-se o nosso brio e a nossa tradição.”

Em 02 de agosto de 1917, em Porto Alegre, o presidente do Estado Borges de Medeiros, recebeu os representantes dos trabalhadores em greve.
Reconhecendo o vulto do movimento e os riscos que ameaçam a ordem social, baixou dois Decretos:
- Elevando os salários dos trabalhadores a serviço do Estado, e,
- Suspendendo a exportação de gêneros de primeira necessidade, em face da carestia vivida pelo proletariado. Agiu, pois como exemplo para as concessões empresariais que se seguiram.
A medida foi aprovada pela Comissão de Orçamento da Assembléia, louvando a presteza com que o presidente do estado dera a solução da crise, medida que levaram a maioria das empresas privadas a também conceder aumentos.
Mas, Borges de Medeiros tinha interesse na derrota da companhia estrangeira que explorava os serviços ferroviários no Estado, visando posterior encampação, e apoiou abertamente os grevistas.

Em 05 de agosto se 1917, em Porto Alegre, a segunda Greve Geral dos operários foi “Vitoriosa” e terminou.

Em 26 de outubro de 1917, no Brasil, Rio de Janeiro, durante a Primeira Guerra Mundial, com a saída do ministro do Exterior Lauro Müller (de origem alemã) o presidente da República Venceslau Brás se sentiu a vontade para se reunir no Palácio do Catete (sede do Governo), com o ex-presidente Rodrigues Alves, Rui Barbosa e o novo ministro do Exterior Nilo Peçanha e declarar guerra formalmente a Alemanha.

- Pelo Decreto 3.361, o presidente da República Venceslau Brás reconhece e proclama o “estado de guerra iniciado pelo Império Alemão contra o Brasil”.

Em 26 de outubro de 1917, na Europa Oriental, Rússia, Lênin foi eleito presidente dos sovietes, 48 horas após a vitória da Revolução Russa, acabava o grande império dos Czares, notícia que tem grande repercussão no Brasil.

Em 03 de novembro de 1917, em Porto Alegre, o deputado estadual federalista Alves Valença criticou duramente a conduta dos brigadianos (policiais militares) na dissolução, pela força, de uma pacífica “primeira passeata de estudantes na Capital”, que, com rolhas na boca, criticavam o regime.

Em 05 de dezembro de 1917, na Europa, Portugal, Sidónio Pais após o seu regresso como Ministro de Portugal em Berlim (1912/1916), assume-se como figura principal de contestação ao Governo democrático e encabeça o golpe de estado que acaba vitorioso, após três dias de duros confrontos.
Neste contexto vai desempenhar as funções seguintes:

Presidente da Junta Revolucionária, desde 08 de Dezembro de 1917;
Presidente do Ministério, ministro da Guerra e dos Negócios Estrangeiros, desde 11 de Dezembro do mesmo ano;
Presidente da República, desde 27 de Dezembro, até nova eleição;
Presidente da República, eleito por sufrágio directo, desde 9 de Maio de 1918.

- Sidónio Pais modifica a lei eleitoral, sem consultar o Congresso e é eleito Presidente da República por sufrágio directo dos cidadãos eleitores, obtendo, em 28 de abril de 1918, 470.831 votos. Foi proclamado em 09 de maio de 1918.

Em Fevereiro, é alterada a lei da separação entre a Igreja e o Estado;
Em Março, é declarado o sufrágio universal;
Em Abril, as tropas portuguesas são derrotadas na batalha de La Lys,
Em Julho, são reatadas as relações com a Santa Sé.
Passado o estado de graça, sucedem-se as greves, as contestações, e as tentativas de pôr fim ao “Regime Sidonista”. Em resposta, decreta o estado de emergência em 13 de outubro. O movimento consegue recuperar momentaneamente o controle da situação.
Nem a assinatura do armistício, em 11 de novembro, nem a mensagem afectuosa do Rei Jorge V de Inglaterra , vem melhorar a situação.
Em 05 de dezembro, Sidónio Pais sofre um primeiro atentado, durante a cerimônia da condecoração dos sobreviventes do Augusto de Castilho, do qual consegue escapar ileso.
Em 14 de dezembro de 1918, Sidónio Pais é levado a cabo por José Júlio da Costa que o abateu a tiro, na Estação do Rossio.

Em 1918, no Oriente Médio, a Grã-Bretanha derrota forças do Império Otomano e da Alemanha na Palestina e passa a dominar o território.

Em 1918, na Europa, acontece o armistício que encerra a Primeira Guerra Mundial, a “guerra para acabar com todas as guerras”, onde foram utilizadas todas as novidades em destruição em massa da época, matou quase 10 milhões de pessoas, ao mesmo tempo vieram abaixo impérios seculares (Áustria-Hungria, Rússia e Turquia) e proliferaram Repúblicas (Alemanha). Do desmembramento de tais impérios surgiram novos e problemáticos países como a Polônia, Tchecoslováquia e Iuguslávia.
A guerra inverteu a posição dos Estados Unidos em face à Europa: - passaram de devedores de 3 bilhões de dólares a credores de 11 bilhões de dólares.
Foi o primeiro passo para que a liderança capitalista passasse do Velho para o Novo Mundo, completado após a Segunda Guerra.

- O Brasil durante a Iª Guerra Mundial teve uma presença confusa no conflito, mas ao combater os inimigos “ditos” internos do Estado, agiu com muito mais ferocidade e eficiência do que fizera nos campos de batalha na Europa.

Em 1918, América do Norte, Estado Unidos, o tenente norte-americano Jacob Schick, cansado de não ter como fazer a barba em dias frios ou quando acabava a água, resolveu dar um jeito de se barbear a seco, criou um “barbeador com lâminas acionadas por um motor elétrico”, que cortava os pelos sem espuma ou água.
Em 1931, o invento passou a ser vendido e livrou Schick de suas dívidas no banco.

Em 1918, no Brasil, Rio Grande do Sul, Cachoeirinha, é adquirido propriedade rural em Gravataí (na época) que é dado o nome de Granja Esperança por Frederico Augusto Ritter, nascido de família de tradicionais cervejeiros. Na granja ergueu sobrado, casas para os trabalhadores e uma bela garagem para o recém comprado automóvel Ford.
Em 27 de julho de 1919, mudou com a família para a granja. Apesar da distância não ultrapassar 15 quilômetros se levava o dia inteiro para chegar, devido a precariedade dos caminhos.
Foi fundada a fábrica de alimentos Ritter, que produzia queijos, manteiga, nata e creme de leite para serem vendidos em Porto Alegre.
Em 1939, a queijaria ganhou um novo prédio e equipamentos da Alemanha para produzir queijo fundido. Era, feito queijo “Catleya” em caixinhas redondas de seis porções, o queijo “Favorito” em formato retangular e o queijo tipo “Gravataí” em bloco de 250 gramas. Para conservar o produto foi construída uma fábrica de gelo.
Em 1960, com dificuldade de conservação fechou a queijaria.
Ao longo dos anos Frederico Ritter tentou produzir molho inglês, construiu túneis para produzir cogumelos, investiu em conservas salgadas, fabricou balas de malte com matéria prima da Cervejaria Continental e produziu biscoitos variados.
Até que decidiu aproveitar as árvores de seu pomar para fazer doces. Vieram a geléias de morango, maçã e laranja. A marmelada, as frutas cristalizadas, os doces em caldas.
Em 1951, com a morte de Frederico, se genro o alemão Fritz Bernhard Beiser, tornou-se diretor.
Em 1966, a empresa virou sociedade anônima, com o nome de Conservas Ritter S.A.
Em 1976, com a morte de Fritz, a terceira geração assumiu e a empresa a atual Ritter Alimentos S.A.“maior na linha de doces e geléias” do Brasil.

Nota:
- Durante a infância deste cronista, morador de Cachoeirinha, na década final de 1960 e 1970, muita vezes passei em frente à Granja Esperança que fica na Estrada Frederico Ritter (em homenagem) ainda sem calçamento, e via o pomar - lindo - de fora da cerca de tela e seu grande portão, louco para pegar uma fruta que muitos diziam já terem pegado ou saber o que acontecia lá dentro, mas eu nada, - que pena!

Em 1918, em Porto Alegre, é inaugurada a ala sul do prédio do Sr. Horácio de Carvalho, para instalação no andar térreo da loja da Companhia Sul Ford (revenda de automóveis), futuro “Hotel Majestic”, construção iniciada em 1910, em estilo neoclássico, projeto do arquiteto Theo Wiederspahn, foi o “primeiro edifício com armação de concreto” da cidade, na Rua dos Andradas, nº 54.

Em 1918, em Porto Alegre, teve lugar à segunda Festa da Uva (a primeira em Theresópolis), agora como sede a Vila Nova d’Itália (atual Vila Nova), com soberba exposição agrícola organizada e dirigida por Vicente Monteggia, junto a atual Praça D. João Becker em frente à Igreja São José, em estilo românico, projeto do arquiteto italiano Valiera.

- Esta exposição repercutiu por todo o estado, tendo sido visitada pelo “Real Embaixador d’Itália” Cav. Victor Lucianin, que escreveu memoráveis páginas em seu livro de viagens.

- Com o tempo a Festa da Uva foi dando lugar a Festa do Pêssego outra espécie cultivada na região. Na região era comemorado também, Dia de São José em março, na Semana Santa na sexta-feira, a Procissão do Senhor Morto, iluminada a luz de velas, em 25 de novembro a Festa em homanagem a Santa Catarina, a padroeira das engrenagens dos moinhos. Festas animadas com direito a bandinha, gaiteiro, doces e bebidas.

Em 1918, em Porto Alegre, o Governo do Estado, através do presidente Borges de Medeiros induziu Percival Farquhar dono da Compagnie Auxiliaire des Chemins du Fer, a vender o Porto de Rio Grande por 63,3 milhões de francos, pagos com título da dívida pública.
Borges de Medeiros tem sucesso em seu objetivo de estatização do porto.
Em 1934, a União renovou o contrato de concessão portuária ao estado por 60 anos.
Em 1970, com a dragagem do canal da barra para navios com até 40 pés de calado, surgiu o chamado “Superporto”.
Em janeiro de 1996, foi criada a Superintendência do Porto de Rio Grande.
Em agosto de 1994, expirou a concessão, prorrogada até março de 1997.
Em março de 1997, novo convênio delegou ao Estado a exploração por mais 50 anos.

Em março de 1918, no Brasil, Rio de Janeiro, após várias reviravoltas, as oligarquias e feudos políticos de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, chegaram a um consenso ao candidato a presidência da República, o velho Conselheiro do Império e ex-presidente da República Rodrigues Alves (1902-06).

- Rodrigues Alves, com 70 anos, apesar do senador gaúcho Pinheiro Machado já estar morto (08.09.1915), candidato único foi eleito presidente da República, Paulista, Partido Republicano Paulista – PRP, vice Delfim Moreira.          

Em maio de 1918, em Porto Alegre, é comemorada pela primeira vez no Brasil o Dia das Mães, por iniciativa da ACM – Associação Cristã de Moços.
O homem que teve a idéia de trazer a comemoração foi o americano Frank M. Long, que era um dos diretores da ACM na época.
Em 1885, Frank Long nasceu em Comiskey (EUA).
Em 1918, chegou a Porto Alegre com a esposa, a paulista Eula.
O casal viveu em Porto Alegre até 1934, onde tiveram 5 filhos.
Em 1934, retornou aos EUA.
Em 1961, em Porto Alegre, foi homenageado com a “Praça Frank Long”.

Em 15 de novembro de 1918, no Brasil, Rio de Janeiro, Delfim Moreira da Costa Ribeiro (15.11.1918-28.07.1919), décimo presidente da República, Mineiro, Partido Republicano Mineiro – PRM, sem Vice.
Delfim Moreira era Vice-presidente de Rodrigues Alves, o eleito, mas acometido pela “gripe espanhola”, não pode tomar posse, falecendo em janeiro de 1919.
Foi convocada eleições conforme a Constituição.

De 1918 a 1934, em Porto Alegre, funcionou o Club Veranista Jocotó, no Balneário da Tristeza, na zona sul, organizado pelo Dr. Mario Totta. Durante o verão circulava o jornal “O Veranista”.
Os sócios faziam bailes de carnaval na Confeitaria Rocco, no Centro na Rua Riachuelo, e no Cinema Gioconda, na Tristeza, na atual Avenida Wenceslau Escobar.
Durante o ano, o club realizava mensalmente a “Hora da Arte”, com conferências, canto e poesia.

Em 1919, na Europa Oriental, Rússia, é fundada a Rússia Soviética, primeiro país comunista.

Em 1919, na América do Norte, Estados Unidos, por inspiração do presidente americano Woodrow Wilson é iniciada a criação da Liga das Nações precursora da ONU, o que rendeu ao presidente Wilson o Premio Nobel da Paz de 1919.

Em 1919, em Porto Alegre, é terminado o alargamento do antigo Beco do Fanha (Travessa Paysandu, atual Rua Caldas Junior), após muitas desapropriações.

Em 1919, em Porto Alegre, é construído o Pórtico Central do Cais do Porto em estrutura de ferro francesa emoldurada com vitreaux que servia de entrada principal da Cidade quando da chegada das embarcações chamadas “paquetes” com seus visitantes.

Em 1919, em Porto Alegre, o intendente José Montaury, no contexto da construção do novo cais, é aterrado a região que fica ao lado do Mercado Público, na boca da Rua Voluntários da Pátria, junto a “doca do mercado” (1850), local da futura Praça Parobé.

Em 28 de junho de 1919, na Europa, França, Paris, em Versalhes no Salão dos Espelhos foi assinado o Tratado de Versalhes, entre a Alemanha e as nações vencedoras.
O Brasil, incluído com outros 23 países no grupo de “potências com interesses especiais”, a delegação brasileira estava sob a chefia de Epitácio Pessoa.

- Pelo Tratado a Alemanha se obriga a pagar indenização pelo afundamento dos navios brasileiros e pelo café confiscado em Berlim, o Brasil deve pagar em valores antigos pelos navios alemães confiscados em seus portos.

Em 28 de julho de 1919, no Brasil, Rio de Janeiro, Epitácio da Silva Pessoa (28.07.1919-15.11.1922), assume como décimo primeiro presidente da República, Paraibano, Partido Republicano Mineiro – PRM, vice Delfim Moreira e Bueno de Paiva, apoiado pelos oligarcas políticos de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e principalmente o Rio Grande do Sul, através do presidente do Estado Borges de Medeiros, contra Rui Barbosa.
Em seu governo, construção e ampliação de ferrovias, foram iniciadas obras importantes para combater a seca no Nordeste.

Em 24 de novembro de 1919, em Porto Alegre, o presidente do Estado Borges de Medeiros recebia carta enviada por um congressista gaúcho que o alertava que Artur Bernardes, presidente de Minas Gerais e Washington Luis, presidente de São Paulo, já tinham articulado sua estratégia na Câmara entre as lideranças do PRM e do PRP, para se tornarem os próximos presidentes do Brasil, o que aconteceu.

1920
O Glamour
Art Noveau

- Nesta época os filhos dos abastados da capital Porto Alegre e dos fazendeiros bem sucedidos já não precisam se deslocar a São Paulo e ao Rio de Janeiro para estudar.
O ensino superior confere um ar de distinção às discussões dos acadêmicos nos cafés da Rua da Praia.

- A influência alemã e italiana modifica o gosto alimentar junto á influência norte-americana com sua música e cinema (o “cinema” se torna uma das diversões preferidas da década de 1920 em Porto Alegre).

- O crescimento urbano de Porto Alegre aumentou de ritmo, com o êxodo da população rural em busca de trabalho nas fábricas, fixando-se nas vilas clandestinas da periferia, sem infra-estrutura urbana.

- Depois da Iª Guerra Mundial a arquitetura em Porto Alegre atingiu o seu desenvolvimento máximo.
Com o fechamento do Escritório de R. Ahrons, o arquiteto Theo Wiederspahn se impôs como o mais conceituado profissional da cidade, com obras como o Edifício Ely e Bier & Ulmann.
Nesta época havia mais de uma centena de arquitetos ativos em Porto Alegre, seriam alguns deles:
- Armando Boni, Jesus M. Corona e seu filho Fernando, Siegfried B. Costa, Christiano Gelbert, Josef Hruby, Manoel Itaqui, Gerhard Krause, Julius Lohweg, Josef Lutzenberger, Saul Macchiavello, Monteiro Neto, Antonio M. Rubio, Max Hermann Schlüpmann, Johann Schmidt, Karl Siegert, Willy Stein, Adolf Stern, Egon Weindoerfer, Richard Wried e Vitorino Zani, por suas contribuições ao desenvolvimento arquitetônico da cidade.
- A Arquitetura evoluiu para os estilos: - expressionistas (Erich Mendelssohn, Torre Einstein em Potsdam, 1921) e racionalistas.
No expressionista, veio a ser uma experiência repleta de deslumbramentos plásticos e neobarrocos que evocam, pelo espírito, algo da obra do espanhol Antônio Gaudí.
No estilo racionalista, pode-se dizer que foi a primeira das duas grandes vertentes da arquitetura moderna e exprimiu nas obras de Bauhaus (Weimar, 1919; Dessau, 1926), nos prédios de Walter Gropius, bem como nos prédios erguidos por Mies Van Der Rohe e Le Corbusier.

Na década de 1920, em Porto Alegre, o escultor alemão Alfred Hubert Adloff junto com sua irmã, teve uma loja de flores “Loja Primavera” onde eram vendidas rosas de seu próprio jardim (carta de Hans Adloff, 15.04.1993), talvez uma das primeiras lojas neste tipo de comércio na cidade.
(texto adaptado de Aranoldo Walter Dobenstein, Vidas e Costumes, Hilda A. H. Flores, Nova Dimensão, 1994)

Em 1920, na Europa, é criada a Sociedade das Nações, por 27 países, os Estados Unidos não participa, pois sua inspiração era pela Liga das Nações.

Em 1920, na Europa e Ásia, na Rússia, os comunistas derrotam os chamados “russos brancos”, termina a guerra civil.

Em 1920, no Brasil, Rio de Janeiro, é realizado censo pelo Ministério da Agricultura Indústria e Comércio, que confirma a situação nacional do Rio Grande do Sul:
- O segundo lugar quanto ao número de estabelecimentos,
- O terceiro quanto ao capital, ao número de operários empregados e ao valor de produção.

A partir de 1920, em Porto Alegre, a Praça da Harmonia (atual Brigadeiro Sampaio) começou a ser descaracterizada, até ser totalmente destruída, pois virou canteiro de obras para a construção da continuação do novo porto da cidade, o Cais Central de Porto Alegre, e depois passou para área do Exército, a praça nunca mais recuperou o seu aspecto glamoroso.

- Desde 1915, os candidatos a escritores na cidade a escolheram para ousarem seus versos, geração dos jovens Dyonélio Machado, Celestino Prunes, João Sant’Ana, Alceu Wamosy, De Souza Junior e outros, que ali viveram suas noites de melancolia e invenções que durou até os anos 1920.

- Submetida a melhoramentos desde 1850, por ser o primeiro lugar que o viajante enxergava quando se chegava a Capital. Foi um ponto lindo da cidade, abrigando “chafariz, coreto, arborização”, abrigou uma “pista de patinação” no final do século XIX e a noite oferecia um espetáculo apreciável com seus “chorões” e debruçar sobre o “belíssimo gradil” frente ao Guaíba.

Nos anos 1920, em Porto Alegre, circularam os bondes elétricos com reboque, os reboques eram na verdade antigos veículos de tração animal convertidos para esta nova função. Os reboques eram chamados de “Operários”, por conta de sua tarifa mais baixa, mas o povo os apelidou de “Caradura”.

As linhas de bondes existentes eram:
- Menino Deus, Partenon, Glória, Teresópolis, Moinhos de Vento, Navegantes e São João.

Em 1920, em Porto Alegre é fundado o Curso de Química, cujo Instituto o eleito presidente da República Washington Luis inauguraria em 1926.

Em 1920, em Porto Alegre, surge o Centro Musical Porto-Alegrense, transformado em Sindicato dos Músicos Profissionais em 1935.

Em 1920, em Porto Alegre, o Governo do Estado, através do interesse do presidente do Estado Borges de Medeiros que desde a greve operária de 1917, apoiou, pois ela tinha se voltado contra a viação férrea que pertencia ao grupo belga.
Instigado pelo movimento conseguiu levar adiante seu projeto de estatização das linhas férreas, criando a Viação Ferroviária Rio Grande do Sul, conhecida como VFRGS, empresa estatal coordenada pelo Estado para controlar as linhas e estações.
Por dificuldades financeiras, a empresa Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil (1905-1920) abandona o projeto no Rio Grande do Sul, entregando-o ao Governo do Estado.

Em 05 de agosto de 1920, em Porto Alegre, é fundado o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.

Entre setembro e novembro de 1920, no Brasil, o topógrafo e explorador major inglês Percy Fawcett pecorreu os sertões ao norte de Cuiabá no Mato Grosso, tinha apenas um companheiro, o norte-americano apelidade de Felipe, procuravam a Cidade de Perdida das Minas de Muribeca (encontradas e perdidas) nos século XVII e XVIII.
Nada encontraram. Percy Fawcett irá tentar novamente em 1925.

Em 1921, na Ásia, China, é fundado o Partido Comunista Chinês.

Em 1921, em Porto Alegre, é inaugurado Centro dos Caçadores pelos sócios: - Luiz Alves de Castro e José Carvalho na Rua Nova (atual Andrade Neves) na esquina do já extinto Beco do Leite, preservou a fama de um dos melhores “cabaret” da bela época brasileira, com seu “cassino”.
Seus salões revestidos de madeira de lei, de cujos tetos pendiam lustres de cristal, eram freqüentado pelos endinheirados da capital.
- A sala do cabaret sugeria um anfiteatro, com uma pista para números de variedades ao centro, e era ligada às salas de jogo por um túnel.

- No Cassino, com várias mesas de jogos com destaque para o “bacarat e roleta”, os crupiês chamavam os jogadores pelo nome, o Bar, o Restaurante e o Palco de Espetáculos.
Na roleta do “Lulu dos Caçadores” como era conhecido Luiz Alves de Castro.

- Nesta época já existia os profissionais do jogo na cidade, malandros, tipos mitológicos, vagabundo com aparência bem cuidada:
- “Cabelos duros de gomalina, terno de alpaca, brilhando feito neon, sapatos de bico fino, bengala e chapéu “Borsalino”, italiano legítimo”.
Estes malandros dormiam toda a manhã. À tarde iam para a Rua da Praia para o Café Paulista de propriedade do “Lulu” Luiz Alves de Castro quase em frente ao Palácio das Lágrimas, nos fundos havia também um cassino (salão de jogos), jogavam ali até a noitinha. Depois era só subir pelo Beco do Mijo (Travessa Acelino de Carvalho) até a entrada dos Caçadores. Podiam jantar no clube, sem pagar, pois o negócio era o jogo.

- O movimento forte começava após o teatro de onde vinham os coronéis estancieiros, com suas francesas para continuarem à noite. Essas francesas eram falsas, bancada pela curiosa organização TIZUI MIGDAL que no início do século arrebanhava jovens judias nas aldeias polonesas e as remetias para Paris (França), onde eram “adestradas” na prostituição, em alguns hábitos sofisticados e no idioma francês.
Depois eram enviadas a Buenos Aires (Argentina), Montevidéu (Uruguai) e algumas para o Rio Grande do Sul. Chegavam como “Madames Francesas”.
Mais tarde vieram as Castelhanas da Argentina e do Uruguai. - Puta que era Puta! - E tinha conhecimento sócio-sexual, havia de ser castelhana. (conf. Luiz Carlos Carneiro, Porto Alegre de Aldeia a Metrópole, 1992).
No final da década de 1940, em Porto Alegre havia até Cubanas.

- Em volta da sala central foi construída uma galeria em que ficavam os luxuosos reservados dos que não podiam ser vistos.
Ali sentavam, por exemplo, Flores da Cunha, Osvaldo Aranha, Maurício Cardoso, entre outros.
Tão Logo terminavam os shows, as artistas, gente como Lolita Benavente, Theda Diamante, Triana La Negra, corriam para o túnel que levava ao cassino.
A orgia era total, longe dos lares das tradicionais famílias porto-alegrenses.
O Centro dos Caçadores, ponto de reunião dos políticos, estudantes e de todos que tivessem tempo livre à noite e algum dinheiro.

- O Clube dos Caçadores ostentava inconteste, o lugar de destaque com o seu selecionadíssimo plantel de francesas judaico-polacas.
Em seu palco fizera sucessos “cabaretiers” Palácios, Castrinho, Leopoldis (que se tornaria um dos pioneiros da cinematografia nacional) e o jovem Carlos Machado que, depois de completar sua pós-graduação em malandragem e teatro rebolado em Paris, faria fulguramente carreira nos Cassino da Urca e do Hotel Quitandinha (RJ).
Nestas rodas se destacavam algumas das figuras do alto mundo entre as quais devem ser citados os pilotos do Correio Sul que semanalmente pousavam na fazenda de arroz do futuro intendente (prefeito) Alberto Bins, diretor da Fundição Berta, vindos diretamente de Paris (França).
Um deles Jean Mermoz tinha fama de ser possuidor de diploma de farrista juramentado e sacramentado. Depois cansou e se aposentou. Para fugir do tédio, fundou a Air France.
Dentre eles também havia um cara um tanto chato, era metido a escritor, chamava-se Antoine de Saint-Exupery. Mais tarde se tornaria conhecido por ter escrito uma historieta sobre certo príncipe que, em tempos recentes, passou a calibrar o nível cultural das concorrentes dos concursos de beleza.

- Os sócios dos Caçadores construíram um prédio nos fundos com face para a Rua da Praia (Andradas), conhecido como “Palácio das Lágrimas” (depois ocupado pela Cia. Força e Luz).
No Palácio das Lágrimas existiam acomodações para a colher os casais que se formavam no brilho do salão.

Curiosidade:
- Certa ocasião em que se tratava da nomeação de um cidadão para um cargo público, o presidente do Estado Borges de Medeiros mostrou-se preocupado. Zelava pela reputação de seus auxiliares e externou o receio de que o candidato ao cargo fosse dado ao jogo e freqüentasse os Caçadores. Mas o vice-presidente do Estado Protásio Alves tranqüilizou-o, sorrindo:
- “Olha, Medeiros, para te dizer a verdade, penso que só duas pessoas não freqüentam os Caçadores: - eu e tu.”
E, francamente, certeza mesmo só tenho a meu respeito...

Na noite de Porto Alegre reinavam a mulher-dama e foram pioneiras na implantação da grande rede de bordéis que chegamos a ter, lá longe o tempo da solitária Bronze e sua humilde casinha de porta e janela.
Existiam outras casas nesta época, na Rua Riachuelo esquina Rua Payssandu (Caldas Junior), Oscar Castro mantinha o Mary Club, sem o charme do Caçadores.
Na Rua General Câmara o Chesmons.
Quase na esquina da Siqueira Campos com Rua Voluntários da Pátria o Cabaré Oriente e o Teingold.
Depois o Cabaret Maipú e o American Boite, vítima do americanismo modernista de seu nome, incendiado em 1954 como um dos símbolos do imperialismo que Getúlio Vargas denunciava.
Na periferia o Casablanca.
As mulheres, damas da noite envelhecidas compravam casas em bairros distantes e ali instalavam o precursor do Motel na nossa Mui Leal e Conservadora Porto Alegre, os “Redez-vous”.
Nessas maravilhosas casas suspeitas, tinha-se a vazão aos delírios da paixão.
Na Rua Poncho Verde, na Medianeira havia o redez-vous instalado em uma enorme casa de porte aristocrático, bom jardim, muito fino e de indiscutível discrição. Ao lado morava a respeitadíssima senhora, de antiga família da cidade dedicada a Caridade e ao Espiritismo, carinhosamente chamada de Tia Mada, aliás, dona do redez-vous insuspeito.
No Cristal, aparece o Mônica, deslocamento da sofisticação para a zona sul da cidade, freqüentado por políticos e fazendeiros, famoso era o “Quarto dos Espelhos”, bem sugestivo.
Na descida da Rua Oscar Pereira existia o Cabaré das Normalistas em alusão a proprietária “Norma”, também conhecido como “Império da Gonorréia”.

Em 1921, em Porto Alegre, a Família Chaves Barcellos com a empresa já com o nome de Chaves & Irmãos, erguem o Moinho Chaves & Irmãos, instalado em um belo prédio de quatro andares, projetado pelo arquiteto Theo Wiedersphahn, na esquina da Rua Voluntários da Pátria com Rua Ernesto Alves, o moinho logo passou a produzir 1.500 sacas de farinha de trigo por dia, “afamadas marcas” Gaúcha, Carmem e Beleza.

- 100 Anos após a investida açoriana na cultura do sonho dourado do Trigo, o cereal voltava a mover moinhos e Porto Alegre.

Em 01 de agosto de 1921, em Porto Alegre, é inaugurado o novo Porto da cidade pelo Presidente do Estado Borges de Medeiros, já sob administração pública, outros 490 metros de cais foram completados com aterros.
Das obras iniciadas em 1911, o paredão de pedras se erguia entre o portão geral até a atual Rua Marechal Floriano, as obras são paralisadas.
Retomadas em 1919. Entre 1916 e 1918, as obras do porto mudaram de mãos quatro vezes, até serem assumidas pelo Governo do Estado.
É aberta sobre o aterro a nova Avenida Mauá para dar acesso ao porto.
Em 1935, o porto ganha um armazém frigorífico.

Em 17 de maio de 1921, em Porto Alegre, com grande solenidade é inaugurado o novo palácio do governo do Estado do Rio Grande do Sul, o Palácio Piratini, o governo ali se instala, pois desde 1898 estava em vários prédios alugados ao redor da Praça da Matriz.

Em 1922, na Europa Oriental, Rússia, é criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS, sobre influência direta linha dura da Rússia.

Em 1922, na Europa, Itália, Benito Mussolini realiza a “Marcha sobre Roma”.

Em 1922, em Porto Alegre, na zona sul da cidade, é fundado o Cemitério da Villa Nova d’Itália (atual bairro Vila Nova), da colônia italiana.

Em 13 de fevereiro de 1922, segunda-feira, no Brasil, em São Paulo, no Teatro Municipal da cidade de São Paulo por sugestão do pintor Di Cavalcanti inicia a “Semana de Arte Moderna”, com o poeta Mário de Andrade, música de Villa Lobos, pinturas de Anita Malfati e muitos outros.
O Brasil nunca mais seria o mesmo após os três dias de vertigem e vaias no teatro mais refinado de São Paulo.
Mas a mostra tinha apoio da burguesia, como o cafeicultor Paulo Prado que bancara a festa e o diplomata Graça Aranha que fizera a conferência de abertura daquele “Bacanal Cultural”.

- A Semana de Arte Moderna rompeu com o passado, apresentou o Brasil das letras ao Brasil das calçadas.
A mostra se encerrou no dia 17 de fevereiro de 1922.

Em 1922, em Porto Alegre, é concluído o prédio do jornal A Federação, órgão do Partido Republicano Rio-Grandense – PRR.
Projeto de Theophilo Borges de Barros, a estátua da fachada é do escultor veneziano Luiz Sanguim, com seus frisos em relevo, peitoris, balaústres, colunatas e cachorros, é um exemplo do estilo eclético, localizado na Rua dos Andradas, esquina Rua Payssandu (Caldas Junior), obra iniciada em 1921.

Em 05 de julho de 1922, à 01h00min da manhã, no Brasil, Rio de Janeiro, o Clube Militar é fechado e o Marechal Hermes da Fonseca é preso (mesmo que seja por um dia), e mais nas eleições presidenciais de Artur Bernardes foi fraudada contra Nilo Peçanha, o que não é aceito. Um canhão do Forte de Copacabana foi disparado era a senha para os demais fortes do Rio de Janeiro, mas os outros acabaram desistindo.
O Tenente Siqueira Campos, gritou “Fomos traídos!”.
O forte foi cercado por 4 mil homens e dois encouraçados. Dos 301 homens, 273 deixam a guarnição, os 28 restantes estão prontos para tudo. Euclides irmão do Marechal Hermes da Fonseca, vai ao Catete negociar e é preso.
Começa a marcha pela Avenida Atlântida, na altura do Hotel Londres só restam 18, os demais desertaram, a eles junta-se um transeunte civil, o engenheiro gaúcho Otávio Correia.
Todos caem ao chão, sobrevivem os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes, justamente os dois líderes do movimento “Os 18 do Forte”.

Em 07 de setembro de 1922, em Porto Alegre, em comemoração ao Centenário de Independência do Brasil, a cidade se prepara com várias atividades, desfiles e inauguraçóes:
Brasil - 100 Anos 
Independente
Vista das tropas em desfile na Rua dos Andradas (Rua da Praia) junto a Praça da Alfändega - 1922

 Palanque oficial 
Governador Dr. Borges de Medeiros, demais autoridades civis e militares - 1922

 Desfile Tiro de Guerra 318
Praça Marechal Deodoro (Matriz) - 1922

 Aspectos do Exército durante as comemorações de 1922

Regatas no Guaíba - Baile no Colégio Militar - Teatro São Pedro,
entre outras imagens - 1922

Em 07 de setembro de 1922, em Porto Alegre, junto as comemorações dos 100 Anos de Independencia do Brasil é inaugurado o novo prédio da Biblioteca Pública do Estado, estilo neoclássico, inspirada na Igreja Santa Genoveva de Paris (França), localizada na Rua Riachuelo esquina Rua General Câmara.
Obra iniciada em 1912, foi franqueado ao público em 1916 (a primeira ala), e começou a ampliação em 1919.

Hall de Entrada - 1922

- Sala de Leitura situada no pavimento superior, estava originalmente separada em duas alas:
- Dos homens,
- Das senhoras, esta tinha uma decoração feminina e floral, de acordo com a imagem que se tinha da mulher na sociedade da época.
Sala de Leitura - 1922

As pinturas são de Fernando Schlater  e os arcos almofadados com medalhões em bronze dourado contendo efígies de brasileiros ilustres como:
Visconde do Rio Branco, José de Alencar, Victor Meirelles, Pedro Américo, Carlos Gomes, Araujo Vianna, Castro Alves, Olavo Bilac,  Raul Pompéia, Euclides da Cunha, Araújo Porto Alegre, Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Gonçalves Dias e Quintino Bocaiúva.
- Salão Mourisco, recoberto em folhas de ouro, para saraus e recitais.
Salão Mourisco - 1922

O Salão Mourisco, sua decoração foi executada em 1921 por Fernando Schlater e foi inspirada no Palácio de Alhambra.
A pintura dourada é um destaque assim como o rico mobiliário, as esculturas e as luminárias em estilo gótico florentino. Em cada canto existe uma coluna de mármore com bustos de Camões, Shakespeare, Dante e Homero.
- Salão Egípcio, com sua rica decoraçáo interna, pintura e tapeçaria.
Antes de 1922
- Sala Borges de Medeiros, durante muitos anos, antes da conclusão do Palácio Piratini, o governador Borges de Medeiros despachava desta sala.


1922
São dois espaços congregados, um para pesquisa e outro que dá acesso ao elevador Otis (instalado em 1915, um dos primeiros no estado).

A sala tem ornamentos dourados em estilo gótico florentino e uma bela decoração em madeira entalhada. A mobília Luis XV e a tapeçaria eram luxuosas sendo que a mesa é cópia de uma existente no Museu de Versailles (França). As portas laterais se abrem para o jardim de inverno.
1922

- Desde 1972, parte dos móveis, esculturas e tapeçaria desta sala, encontram-se  no Palácio Piratini.
- Sala Guilhermino Cezar, uma homenagem ao escritor, jornalista e dramaturgo, nascido em 1908 e falecido em 1993.
1922

Na escrivaninha à direita, aparece sentado o poeta Eduardo Guimarães.
- Sala de Conferencias, ampla sala que tinha uma grande tribuna em madeira lavrada e um grande número de cadeiras para a platéia.
1922

A Biblioteca possui 120 mil volumes, sendo uma das mais completas da América do Sul.
Acervo Bibliográfico - 1922

- Galerias Metálicas para guarda do acervo bibliográfico foram concebidas dentro da concepção de arquitetura da engenharia do século XIX (como interiores do Arquivo Público). É inteiramente metálica, em três níveis, executada em chapas de aço pesando seis toneladas. Para que fosse possível a colocação destas estruturas, houve necessidade de um reforço no piso original.
A proposta lembra a estrutura metálica de Henri Labrouste para a Bibliothèque Nationale de Paris (1860-68).
- Jardim Interno, com acesso a Sala Borges de Medeiros, com grande número de folhagens e uma fonte de pedra com uma estátua central em estilo Art-nouveau.
Jardim Interno - 1922

- Na base desta estátua existe uma inscrição:
"Envolve-me um sonho de beleza"
Sala da Administração - 1922
Colaboração:
Iba Mendes
Ronaldo Marcos Bastos

Em 15 de novembro de 1922, no Brasil, Rio de Janeiro, Artur da Silva Bernardes
(15.11.1922-15.11.1926), décimo segundo presidente da República, Mineiro, do Partido Republicano Mineiro – PRM, vice Estácio Coimbra.
Artur Bernardes um dos personagens mais controversos da política brasileira, sem apoio principalmente do Rio Grande do Sul, pois Borges de Medeiros apoiou Nilo Peçanha, governou o país sob Estado de Sitio, enfrentando a rebelião tenentista.
Em 1925, o congressista Getúlio Vargas dizia que:
“mais do que um retrógrado, ele é quase um fanático, pela fé religiosa, pela missão presidencial de que se julga investido”.
       
        
Em 1923, em Porto Alegre, é montado o “primeiro Aeródromo” (Aeroporto), pelo presidente do Estado Borges de Medeiros, na Várzea do São João ou Gravataí (atual terminal 2 Aeroporto Salgado Filho), na zona norte, em área pertencente à Brigada Militar.

- Com pista de terra, existia 2 aviões argentinos, para patrulhamento, mas foi desmantelado dois anos depois pelo mesmo presidente do Estado.

Em 1923, em Porto Alegre, é fundado o British Club em Porto Alegre, clube que também passou a oferecer entre outras a prática do Tênnis.

Em 1923, em Porto Alegre, a cidade possui “190 Fábricas” instaladas de diversas atividades industriais.

- Com o intendente José Montaury (15.03.1897 – 14.10.1924) que reinou em Porto Alegre por 27 anos, com ele desenhou-se a nova arquitetura dos prédios e começaram, embora timidamente, as obras de infra-estrutura mais moderna.

Conforme Dona Flora Boianowski, a cidade aos domingos de 1923 assim era:
- “Aos domingos, o prêmio pelo bom comportamento era ir comer um sorvete com gasosa no Chalé da Praça XV. Num domingo muito especial, havia o corso de primavera em torno da praça. O corso era constituído por coches que as famílias abastadas tinham, com cavalos enfeitados com colchas de renda; as senhoritas iam de vestido branco de organdi com grandes chapéus enfeitados com tule e flores naturais; cestas de flores acompanhavam as moças, que as jogavam de um coche para outro, como se fossem serpentinas. Eu tinha uns 10 anos e estava toda enfeitada, com um vestido de babados e um laçarote na cabeça, e levava um bilboquê na mão. Quando o garçom voltou com nosso pedido (gasosa com torta ou sorvete para as crianças, chope preto com salgados para os adultos), eu acionei o bilboquê e derrubei a bandeja, com tudo que ela carregava. Fui posta de castigo, sentada numa cadeira de ferro de desarmar. Nesta hora, rufaram os tambores e soaram os clarins, para começar o desfile. Minha dor por não poder apanhar as flores era maior que o castigo. Eu me remexia na cadeira, tanto que ela desarmou e prendeu meus dedos.”

O motivo da Revolução de 23 estava em Porto Alegre.

Em 25 de janeiro de 1923, em Porto Alegre, no Palácio Piratini, no dia da quinta posse, a terceira consecutiva do presidente do Estado Borges de Medeiros, eclodiu a rebelião da oposição intitulada “Libertadora” em todo o Estado, novamente lutam nas coxilhas gaúchas maragatos e governistas, mas estes, agora, são chamados “chimangos”.

- A oposição reunindo antigos federalistas e republicanos dissidentes em torno da Aliança Libertadora, indicou Joaquim Francisco de Assis Brasil, para concorrer contra Borges de Medeiros para impedir a quinta eleição e a terceira consecutiva para o governo do estado.

- Os chamados Libertadores que haviam herdado dos Maragatos o uso do lenço vermelho, defrontaram-se com os borgistas nas urnas e após o resultado das eleições, também nas armas.
Recusando-se a aceitar a vitória de Borges de Medeiros, o Chimango, os Libertadores sob a liderança de Joaquim Francisco de Assis Brasil deram início a Revolução de 1923 contra os Chimangos situacionistas ou Legalistas (a alcunha dos republicanos tinha sua origem na poesia satírica de Ramiro Barcellos contra Borges de Medeiros, intitulada Antônio Chimango).

- Borges estava mais bem amparado com contingentes da Brigada Militar (3.500) fundada por ele, e soldados dos chamados “Corpos Provisórios” (8.500), comandados por figuras como: - Flores da Cunha, Osvaldo Aranha e Getúlio Vargas, chamados de “Legalistas”.
Os revoltosos contavam com antigos participantes do movimento de 1893.

- Na Assembléia de Representantes o PRR na defesa dos republicanos os deputados João Neves da Fontoura e Getúlio Vargas, defendiam o estilo Castilhista-Borgista do governo, marcantemente autoritário, e a manutenção da política de desenvolvimento multilateral, os Libertadores queriam o voto secreto e do regime democrático, e a política de atendimento a pecuária gaúcha.

Em 28 de abril de 1923, em Porto Alegre, conforme noticiado no jornal Correio do Povo, os Irmãos Mascrau, formaram a empresa Irmãos Mascrau e Cia., arrendaram o palacete do Sr. Horácio de Carvalho, na Rua dos Andradas, antiga “Companhia Sul Ford”, e o prédio em construção ao lado, a fim de ali instalarem um hotel, e que deram o nome de Majestic-Hotel. Serão 150 quartos, com luz e água corrente quente e fria.
Em frente ao prédio pela Rua Sete de Setembro, junto ao Guaíba tem um trapiche. São franqueados ao público no momento 80 quartos.
Nesta data inaugurou a sala de refeições, com o chefe de cozinha Paulo Schmidt, salão para 600 pessoas, seção destinada a bar e confeitaria, moderno mobiliário, o mais rigoroso asseio e conforto.

Em 01 de novembro de 1923, no Brasil, no Estado do Rio Grande do Sul, o governo federal que havia proclamodo sua neutralidade, resolveu enviar a Porto Alegre o ministro da Guerra, General Setembrino de Carvalho, para encaminhar os termos da paz entre Chimangos e Maragatos.

- Enquanto o general era homenageado no Grande Hotel (na Rua dos Andradas), grave conflito eclodiu entre assisistas e borgistas. O ambiente ainda era de grande tensão quando Borges de Medeiros chegou à porta do hotel, sem escolta especial, sem capangas ou guardas, o vulto esguio e frágil do presidente do Estado atravessou a multidão. – Fez-se logo o armistício.

Em 14 de dezembro de 1923, 11 meses depois, no Brasil, no Estado do Rio Grande do Sul, um acordo foi celebrado na localidade de Pedras Altas na estância, junto ao castelo de Assis Brasil, dando fim a Revolução de 23 é assinado o “Pacto de Pedras Altas”.

- Antes que houvesse derramamento de mais sangue, por influência direta do presidente da República Arthur Bernardes ao presidente do Estado Borges de Medeiros, que assina o pacto no outro dia.
Borges de Medeiros continuou no poder, mas teve de mudar a Constituição Estadual:
- As reeleições seguidas ficaram proibidas e o presidente do Estado não poderia escolher o vice-presidente e vice-intendente e voto as claras.
A Revolução de 1923 durou 10 meses com mais de 1.000 homens mortos.

Em 1924, na Europa Oriental, URSS, Josef Stalin sucede a Lênin como dirigente do país após sua morte.

Em 1924, em Porto Alegre, a população chega a 160 mil habitantes.

Em 1924, em Porto Alegre, quando o PRR – Partido Republicano Rio-Grandense lançou a candidatura do engenheiro Otávio Francisco da Rocha como candidato para a intendência municipal da Capital, Vicente Monteggia que era um de seus grandes amigos procurou-o prometendo todos os votos de Vila Nova d’Itália (atual Vila Nova), mas em recompensa que fosse feito um ramal do trenzinho da Tristeza – E. F. do Riacho – para a Vila Nova, Otávio Rocha prometeu esse ramal caso eleito.

- Otávio Rocha eleito, colocando o ponto final da E. F. do Riacho junto ao cais do Porto de Porto Alegre na Estação Ildefonso Pinto especialmente construída e deu começo ao ramal que um ano mais tarde seria inaugurado.

Em 1924, em Porto Alegre, o Sport Club Americano foi campeão de futebol da cidade, seu campo era no antigo Prado Boa Vista, propriedade do Visconde da Boa Vista, na Rua Boa Vista (Rua Vicente da Fontoura) na Santana.
O Americano ainda foi campeão da cidade em 1928 e 1929.

Em 1924, em Porto Alegre, na administração do intendente José Montaury já eram atendidos com Serviço de Esgoto Cloacal domiciliar, 10.650 domicílios, um crescimento de quase 10 vezes em 10 anos.

Em 1924, em Porto Alegre, é construída a Igreja do Santíssimo Sacramento, na Rua José Bonifácio, no Bom Fim, em estilo gótico.
Abriga a vida da padroeira da igreja “Santa Terezinha”, nos dez vitrais coloridos e a imagem, com um relicário trazido de Roma, que guarda um dente e um pequeno vaso de porcelana, enfeitado com rosas de ouro que pertenceu à Santa.

Em 1924, em Porto Alegre, o número de “veículos automotores” alcança 1.254 carros, junto com os bondes o trânsito nas ruas se torna perigoso.

Em 1924, em Porto Alegre, a Avenida João Pessoa, recebe a primeira pavimentação de concreto da cidade, criando um grande “boulevard”, como nas cidades americanas da década de 1920.

Em 1924, em Porto Alegre a Rua General Paranhos, foi absorvida pela abertura da nova Avenida Borges de Medeiros, durante a construção do Viaduto Otávio Rocha.

“É urgente encurtar o trajeto para o Menino Deus, Glória e Theresópolis”, justificou o intendente Otávio Rocha.

- Derrubando casas e explodindo o granito do morro, a abertura da Avenida Borges de Medeiros representou uma verdadeira cirurgia no coração da cidade, uma artéria que uniu o porto a zona sul de Porto Alegre. Para isso mais de 80 prédio tiveram de ser derrubados e indenizados.

“O antigo Beco do Poço subia a Andrade Neves até a Rua Duque de Caxias e descia em ladeira íngreme até a Rua Coronel Genuíno. Atravessar esse maciço, só a pé ou a cavalo, por entre casarios e antigos cortiços, zona do baixo meretrício.”

O intendente José Montaury deu o arranque inicial, mas coube a Otávio Rocha definir o traçado e prosseguir a obra e Alberto Bins e Loureiro da Silva terminá-la.

Em 1924, em Porto Alegre, a antiga Rua do Paraízo, depois Rua XV de Novembro, ganhou a designação de Rua José Montaury em homenagem ao intendente recém falecido.

Em julho de 1924, em Porto Alegre, com a Primeira Guerra Mundial, o lúpulo e o malte (vindos da Boêmia) escasseiam, o consumo cai. Findo o conflito, precipitam-se as dificuldades típicas dos anos de recuperação e sobrevém o aumento de impostos estaduais e federais. Acuadas, as três maiores cervejarias gaúchas – unidas por uma rede de interesses familiares (Becker, Ritter, Sassen), ou comerciais (Bopp) – decidem fundir-se numa só.
Surge assim a Cervejaria Continental, que sob a razão social Bopp, Sassen Ritter e Cia., se instalam na espetacular sede da Bopp na Rua Cristovão Colombo, a rua que Wilherm Becker, ajudara a pavimentar na mocidade.
A Continental foi à pioneira da cultura da cevada cervejeira brasileira, também foi a primeira a produzir e beneficiar malte genuinamente brasileiro, criando assim em 1934 a Maltaria Continental.

As Marcas:
As Claras e simples: Oriente, Becker, Diana, Capital,
As Pretas simples: Elephante, Becker-Preta, Africana,
As Pilsen: Hércules, Negrita, Globo,
O tipo Porter (chopp): Ritter-Stout,
Entre as Sem Álcool: guaraná, gasosa e água de soda, todas a com a marca Continental.
Em 1946, a carioca Companhia Cervejaria Brahma adquiriu o controle da Cervejaria Continental, permanecendo ativa no prédio até 1998. 

- O sobrenome Ritter foi o mais tradicional dentre os fabricantes gaúchos de cerveja, uma vez que três gerações sucessivas da família dedicaram-se ao ofício.

Em 05 de julho de 1924, no Brasil, São Paulo, eclode a insurreição militar em São Paulo, Sergipe e Amazonas, com o objetivo do golpe era depor o presidente da República Artur Bernardes – o inimigo número um dos militares.
Os movimentos do norte dominados, mas em São Paulo os rebeldes tomaram à capital e a ocuparam por três semanas, na Revolução Paulista de 1924, comandados pelo “general gaúcho” Isidoro Dias Lopes, veterano da Revolução de 1893 e das lutas contra Floriano Peixoto, pelo major Miguel Costa comandante do Regimento de Cavalaria da Força Pública, pelo tenente Joaquim Távora. Entre os combatentes mais destacados figuraram os tenentes Eduardo Gomes (líder dos 18 do Forte), que voltou do exílio para participar da luta, Juarez Távora (irmão de Joaquim), o feroz João Cabanas e o ardiloso Filinto Müller.
O presidente Artur Bernardes ordenou o bombardeio aéreo de São Paulo, as bombas deixaram a cidade entregue ao caos. 15 mil soldados cercaram a cidade, iniciou-se as negociações e o armistício. As condições impostas pelos revoltosos não foram aceitas por Artur Bernardes.
Em 27 de julho, as forças rebeldes abandonaram a cidade de trem, rumo a Foz do Iguaçú no Paraná, alguns tenentes gaúchos inconformados com o Pacto de Pedras Altas de 1923, se insurgiram e começaram a marcha para se unir aos paulistas no Paraná.
Em abril de 1925 os dois grupos se juntaram, formando o que viria a ser o embrião da Coluna Prestes.

Em 11 de julho de 1924, no Brasil, Rio Grande do Sul, Santa Cruz do Sul, os irmãos Carlos Gustavo e Jorge Emílio Hoelzel, 10 contos de reis e três empregados fundaram a Hoelzel e Irmãos, futura Mercur, depois de no início da década de 1920 terem sua oficina mecânica, onde consertavam em outras coisas, pneus maciços.
Suas experiências com borracha descobriu formulações que só as grandes indústrias norte-americanas e alemãs possuíam. Os cadernos com os segredos até são guardados na empresa
Em 1930, Jorge foi à Europa, comprou uma empresa e trouxe os equipamentos para Santa Cruz e fabricou saltos de borrachas.
Em 1938, depois de descobrir um raro livro alemão, ilustrado, que mostrava como fazer bolas de tênis, Jorge tornou-se o primeiro produtor de bolas de tênis da América do Sul.
Jorge faleceu em 1968, mas em 1967 escreveu o último caderno com suas experiências.
Atualmente a Mercur é o maior fabricante de borracha de apagar da América Latina, a modernidade da empresa está longe da época em que o látex vinha de Manaus em meses de viagem até o Sul.

Em 24 de setembro de 1924, em Porto Alegre, surge a “primeira emissora de rádio”, a Rádio Sociedade Rio-Grandense, de propriedade do coronel uruguaio Juan Ganzo Fernandes, Décio Coimbra e Augusto de Carvalho.

Em outubro de 1924, no Brasil, no Sul, o descontentamento contra a forma de domínio político e a maneira de governar do presidente da República Artur Bernardes provocaram uma revolução em São Paulo, que dominaram por 23 dias. Combatidas pelas forças federais, os revoltosos se refugiaram no Mato Grosso e Paraná.
Gaúchos que participaram na Revolução de 1923 aderem aos revolucionários paulistas, entre eles Luis Carlos Prestes, passando a formar a 1ª Divisão Revolucionária, que passaria a história com o nome de Coluna Miguel, Costa-Prestes ou “Coluna Prestes”, liderada por Luis Carlos Prestes, que de tenente foi nomeado coronel, composta por quatro destacamentos liderados por Cordeiro de Farias, João Alberto, Siqueira Campos e Djalma Dutra, que percorreu o Brasil de sul a norte por 674 dias, por 24.5 mil km, na tentativa de fortalecer a causa revolucionária, com um contingente de não mais de 1.500 homens, nunca ficaram mais que 48 horas em lugar algum, cerca de 100 mil cavalos foram usados pelos rebeldes, e, mortas 30 mil reses para alimentar a coluna, tomados a beira do caminho nas fazendas e propriedades.
No Ceará, o Padre Cícero Romão convidou o cangaceiro Lampião para combater a Coluna, mas nunca se encontraram.
Em 1926, depois de árdua caminhada e contratempos a coluna estava de volta ao Mato Grosso.
1924
Até a Brigada Militar do Rio Grande do Sul viajou, até de navio para o nordeste brasileiro a fim de ajudar na caçada da “Coluna Prestes”.
Em março de 1927, uma parte do grupo foi para a Bolívia com Prestes e outra para o Paraguai com Siqueira Campos.
Em 1930, todos os chefes voltaram ao Brasil para ocupar cargos no governo Vargas, menos Luis Carlos Prestes “Cavaleiro da Esperança” que foi para o exílio e tornou-se comunista.

Em 14 de outubro de 1924, em Porto Alegre, assume Otavio Rocha como terceiro intendente municipal (prefeito).

- Nesta época a modernidade bateu com muita força às portas de Porto Alegre – e arrasou quarteirões inteiros.
- A decisão de remodelar o núcleo central, abrindo largas avenidas, veio acompanhada de uma fúria demolidora que varreu do mapa das ruas velhos casarões coloniais e cortiços, que para os dirigentes municipais representavam pobreza e atraso.
- O intendente Otávio Rocha (14.10.1924–27.02.1928) e seu sucessor o major Alberto Bins (27.02.1928 – 22.10.1937) fizeram da cidade um imenso canteiro de obras e transformaram radicalmente seu antigo perfil.
Com a dobradinha Otávio Rocha-Alberto Bins, radicaliza no acabamento da sala de visitas do Estado, o seu Centro.
A ação construtora do governo correspondia a um desejo da sociedade de que a cidade expressasse o novo ideal de convivência, cujo modelo tinha que ser a Paris do Barão de Haussmann, o “artiste demolisseur” que iniciou a era das cidades modernas, derrubando cortiços e rasgando bulevares e avenidas.
“A cidade do desejo passou a ser a imagem de Paris”.
A cidade moderna tinha de estar de acordo com o tripé de Haussmann:
Sanear, Transportar, Equipar.
As novas avenidas, núcleo do projeto de reorganização social do espaço, foram idealizadas como monumento e como espetáculo.

“Assim, antigos espaços da memória coletiva tombam em nome na modernização.”

Em 15 de dezembro de 1924, em Porto Alegre, quando se completava o primeiro quarto de século XX, estavam desmembrados do município sede (1º Distrito Eleitoral de Porto Alegre) os seguintes municípios:
Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Estrela, Garibaldi, Gravataí, Lajeado, Montenegro, São Jerônimo, São João de Camaquã, São Francisco de Paula, São Leopoldo, São Sebastião do Caí, Taquara, Taquari, Triunfo, Viamão, Venâncio Aires.




Continua na Parte XIV

Nenhum comentário:

Postar um comentário