Bem Vindo

- Com esta série não é pretendido fazer história, mas sim é visado, ao lado das imagens, que poderão ser úteis aos leitores, a sintetizar em seus acontecimentos principais a vida da Cidade de Porto Alegre inserida na História.

Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

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- Em História, não podemos gerar Dogmas que gerem Heresias e Blasfêmias e nos façam Intransigentes.

- Acompanhe neste relato, que se diz singelo; a História e as Transformações de Porto Alegre.

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sábado, 24 de março de 2012

Porto Alegre - 1850 à 1874 - Parte XI (Em Montagem)

 
Cronologia- 1850/1874

1850

Em 1850, no Brasil, Rio de Janeiro, Cidade Neutra, é assinado pelo ministro da Justiça Euzébio de Queirós a Lei Bill Alberden que proíbe definitivamente o Tráfego Negreiro para o Brasil, abrindo as portas para o início da imigração em massa de europeus.

- Intensificaram o contrabando, negócio arriscado e incerto, e o tráfico interprovincial de escravos, canalizando o fluxo interno de negros para a área do café, o negro escravo estava caro.
Para a Província do Rio Grande do Sul revelou-se a chamada “Crise de Braços”, justamente no momento em que os países do Prata se modernizavam.

Na década de 1850, Porto Alegre exibe um novo ar de modernidade, o modismo da época o estilo neoclássico onde a Beneficência Portuguesa, Mercado Público, Casa de Correção e Edifício Malakoff, são exemplos relevantes:
- “Com suas janelas de arco pleno, frontões e platibandas, sobrepõe ao arco abatido do colonial, entre outras coisas era usado calhas para evitar o lançamento da água das chuvas diretamente na rua, e só como enfeite platibandas com vasos em cima.”

- Como nas demais partes do país, a maioria das casas estavam espremidas umas contra as outras em terrenos estreitos.
Apesar do apego aos padrões arquitetônicos coloniais, o século XIX trouxe inovações para o exterior e o interior dos lares Porto-Alegrenses, decorrente da Revolução Industrial.
Durante maior parte do século XIX, as residências continuaram a apresentar características de grande simplicidade, onde estão vinculadas ao estilo neoclássico, constroem-se apenas cópias imperfeitas da arquitetura da Corte no Rio de Janeiro e Paris (França), por força da lei substituem-se os beirados por platibandas.

- As pequenas Casas Residênciais da população de baixo poder aquisitivo, apresentavam:
“Porta e janela, sala na frente e outra nos fundos que servia de copa e cozinha, esses dois cômodos eram ligados por um estreito corredor que passava ao longo de algumas alcovas (quartos) sem iluminação e ventilação naturais e pequeno quintal.”
- Alguns Sobrados da burguesia, melhores habitações apresentam a seguinte disposição:
“Duas portas e duas janelas, sala e gabinete na frente, alcovas (quartos) no meio seguidos pela varanda, e dependências de serviço que podiam estar também no porão, o uso do pavimento térreo para propósitos comerciais, ou aluguel para terceiros.”

- Banheiro somente foi ligado a casa no final do século XIX, qualquer referência, numa conversa familiar, ao banheiro ou à privada provocava uma ruborização geral ou um mudo constrangimento. De fato, havia razão para isso, pois tais instalações tinham precárias condições sanitárias.
Casa para banhos com banheiras de latão, superficialmente esmaltadas, que não tardavam a enegrecer, localizado nos fundos junto à cozinha, como medida de economia, devido aos altos preços das tubulações de ferro galvanizado importados.
Para excreção as privadas ocupavam lugar à parte no conjunto da casa, no fundo do quintal utilizava-se a casinha nos fundos, ou no interior da residência com o auxilio de urinóis, onde os excrementos eram despejados pelos escravos em grandes barris chamados “Tigres” (pois quando passava todos fugiam, pelo cheiro), que eram esvaziados em pontos determinados da cidade.

- Iluminação de ambiente; novos elementos foram introduzidos, a começar pelo vidro plano para as janelas, que possibilitou uma melhor iluminação do ambiente doméstico durante o dia.
A introdução de novos aparelhos de iluminação artificial, tais como lampiões de mecha circular, permitiu uma iluminação muito mais intensa durante a noite do que a fornecida pelos candeeiros e velas.
Isto alterou hábitos caseiros, permitindo a família não apenas modificar o horário das refeições, mas incentivando atividades de socialização com convidados externos ao lar. A luz abriu salas de jantar, as varandas às visitas, aos jantares sociais aos saraus, na cidade e nas fazendas.
Saint-Hilaire dizia:
As casas em Porto Alegre eram bem construídas e de aposentos altos. Ele não pôde, porem, deixar de anotar a escuridão que reinava no interior dessas habitações nas quais “... não se consegue procurar um objeto senão abrindo as venezianas e até mesmo as portas.”
Surpreendeu também a grande quantidade de casas de dois andares (sobrados), a maior parte com sacadas, embora poucas possuíssem jardins ou até quintais.

- Dois arquitetos alemães aqui desembarcaram e implantaram novos conceitos: - Phillip Von Norman e Friedrich Heydtmann.
Do primeiro sobrou o Theatro São Pedro, do segundo a primeira grande obra foi a Cadeia Pública, demolida “para apagar a história”, numa atitude hipócrita, mas sobraram duas obras respeitáveis, o Mercado Público (apesar do acréscimo de mais um andar) e a Beneficência Portuguesa.

- A condição sócio-econômica de uma família era indicada não só pelas características arquitetônicas, mas sua dimensão, o que levava a construção de sobrados enormes.

- Sacadas eram, com efeito, um espaço privado que avançava sobre o público. O espaço das casas mais voltado ao exterior, onde se podia ter contado direto com a rua, por este motivo havia a preocupação com a elaboração dessas estruturas, quase sempre em ferro torneado e com floreios ao estilo francês, que indicavam a condição social. As sacadas eram os lugares preferidos tanto por homens como por mulheres.
As casas coloniais são reformadas de acordo com o novo estilo.

- Água Encanada já chega a algumas casas na Rua da Igreja, o comércio fervilha no primeiro Mercado Público de quarteirão inteiro, a indústria inicia e finca suas bases.
Tem início o aterro que dará origem a Rua Nova da Praia (Sete de Setembro).
Com o crescimento da agricultura gaúcha, grandes estabelecimentos comerciais e importadores se instalam na capital.

Os Arraiais
- Esta segunda metade do século XIX presenciou o adensamento dos primeiros arraiais de Porto Alegre, pequena concentrações em torno de uma capela ou cruzamentos de caminhos.
Estes arraiais mantinham relações administrativas e políticas, e foram se transformando também em pontos de repouso e veraneio para a população do núcleo urbano, se tornando ao atuais bairros da cidade.
A topografia (de morros) de Porto Alegre é difícil e o sistema viário converge todo ao centro em forma de leque, sem ligações entre os arraiais:

- A Azenha no Caminho do Viamão e encruzilhada onde se dividiram as estradas para o Rincão da Cavalhada e para o Belém, logo depois da velha ponte sobre o Riacho, local do antigo moinho d’água de Francisco Antônio o “Chico da Azenha”, origem do nome do arraial, foi o primeiro açoriano a chegar ao Porto do Dorneles em 1751, foi ele que iniciou o bairro mais antigo da capital, sua propriedade iniciava no rio Jacareí (arroio Dilúvio) e fundos para a colina, esta chácara estava nas terras da sesmaria de São José de propriedade de Sebastião Chaves Barcelos.

- O Navegantes, com a abertura do Caminho Novo (Voluntários da Pátria) em 1806, pela costa do rio Guaíba em direção ao norte por iniciativa dos governadores Paulo da Gama e Diogo Feijó, um aprazível caminho rural de acesso a chácaras que bordavam o rio.

- O Menino Deus, o único arraial que tinha nome até meados do século XIX.
Com a abertura da Rua Caxias (José de Alencar) a primeira via do arraial, que dava acesso às bucólicas praias do Guaíba, primeira Estação de Veraneio do porto-alegrense (o primeiro balneário).

- A Cidade Baixa era apenas a região ao sul do espigão. Até a metade de 1800 a “Cidade Baixa” era uma longa região situada ao sul da Colina da Matriz (Rua Duque de Caxias):
- Do Gasômetro até a Praia do Riacho (Rua Washington Luis), Arraial da Baronesa ou Areal da Baronesa (Rua Barão do Gravataí), Rua da Margem ou Margem do Riacho (Rua João Alfredo), Rua da Fonte, Beco do Firme (Rua Avaí), Travessa da Olaria (Rua General Lima e Silva).
Muitas canoas e barcos atravessavam os canais transportando tijolos e telhas de uma grande fábrica, propriedade da época do Sr. João José Oliveira, conhecido como João da Olaria. O barro da região era muito apropriado para este tipo de indústria. Outra olaria também se destacava a do Sr. João Batista Soares da Silveira e Souza.
Havia uma grande concentração de escravos nesta região, mas importante evidenciar é que em 07/08/84, o jornal Federação noticiou que os escravos deste local estavam livres, razão pela qual foi colocada uma placa:
- “Na Rua Lima e Silva todos são livres”.
Esta área da Cidade Baixa era uma zona rural, com muitos acidentes topográficos:
- Sangas, picadas, moitas, capões e caminhos sombrios onde se oportunizaram esconderijos, dificultando o trânsito e facilitando a fuga de escravos e a perseguição dos senhores.
Devido a estas ocorrências o local ficou conhecido como “Emboscadas” (Rua da Margem/Rua do Riachinho/Rua João Alfredo).
Em 1850 foi construído o Convento do Carmo (Freiras Carmelitas), no antigo Beco do Firmo (Rua Avaí).

- O São Miguel, ficava entre o trecho do Riacho (arroio Dilúvio) e a Rua Boa Vista (Vicente da Fontoura) e a atual Rua Sant’Ana até a Estrada do Mato Grosso (Avenida Bento Gonçalves).

- O São Manuel, foi o embrião do bairro Moinhos de Vento, situava-se na proximidade da Estrada de Baixo ou Caminho da Floresta (Avenida Cristovão Colombo) e a Estrada dos Moinhos (Rua da Independência).
Antônio Martins Barbosa, mineiro (de Minas Gerais), se destacou na moagem do trigo, instalando moinhos de vento no local conhecido como Beco do Barbosa (Barros Cassal) junto ao Caminho dos Moinhos (Rua da Independência).

- A Floresta era outra área de chácaras da cidade que começa a se transformar em arraial, entre o morro dos Moinhos de Vento e o rio Guaíba, aqui também houve conflitos entre os Farroupilhas e Imperiais. Zona rural até 1841, antes do fim da Guerra dos Farrapos os camareiros (vereadores) pensaram em um alinhamento para o caminho da Chácara do Francisco Pinto (atual Avenida Cristovão Colombo) ate a embocadura do Beco do Mota (7 de Abril) Francisco Pinto de Souza ou “Chico Pinto” era comerciante e camareiro.

- A Independência, desde 1843 a Câmara cuidou de dar alinhamento a Estrada dos Moinhos, que era o trecho inicial do caminho para a Aldeia dos Anjos (atual Gravataí). Mas entre outros motivos de embaraço, existia a grande chácara de dona Rafaela Pinto Bandeira Freire a “Chácara da Brigadeira”, que se estendia desde a frente da Santa Casa até a atual Rua Barros Cassal e daí até o Caminho Novo, foi necessário desapropriar, por importância alta, toda a frente da aludida chácara.

- A Sant’ana, com a abertura da Rua Santana iniciada em 1865, a rua empacou no Riacho (Dilúvio).

- O Parthenon com a Estrada do Mato Grosso (Avenida Bento Gonçalves) era caminho histórico de ligação com Viamão.

- O São João, tem sua origem na Estrada das Carretas para a Aldeia dos Anjos.
Em 1874 é construída a Capela de São João Batista, implantada a margem do Caminho Novo.

- O Theresópolis cuja origem deu margem a muitos enganos.
Em 1876, e fundada a Colônia de Theresópolis por Guilherme Ferreira de Abreu, tinha por núcleo a Tristeza, que utilizada a Estrada da Cavalhada, esta estrada recebeu o nome de Estrada Theresópolis.

- A Tristeza na zona sul, junto à orla do Guaíba, área rural, o segundo balneário da cidade, com suas chácaras de veraneio para a fuga do calor do centro urbano de Porto Alegre; até a instalação do Trenzinho da Tristeza a ligação com o arraial era feita pela Estrada da Cavalhada, em Theresópolis.

- A Glória na direção do Caminho do Belém (Avenida Oscar Pereira) era um caminho rural.
Em 1884, era descrito pelo presidente da Província Felicíssimo de Azevedo como um verdadeiro calvário, que precisaria ser nivelado e desterrado na colina dos cemitérios para se tornar transitável.

Igrejas e Capelas de Porto Alegre:
Belém Velho - 1830
Freguesia na Zona Sul -1846
Menino Deus - 24/12/1853
Belém Novo - 1868
Phartenon - 1873
Glória - 1873
Navegantes - 1875
Teresópolis 1876
Passo d’Areia - 1892
São João - 1893
Bom Fim -
Tristeza -

Imigrante Industrial
- Neste período o processo de industrialização de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul está muito ligado da presença do chamado elemento “burguês imigrante”, aquele que trouxe consigo, de sua terra de origem, “capital e experiência profissional” na gestão de alguma empresa. Entre a chegada e o seu estabelecimento como empresário decorriam apenas alguns poucos anos; o que vem demonstrar que o imigrante era portador não apenas de uma experiência técnica empresarial, como também de uma acumulação prévia de capital passível de ser imediatamente investido em algum negócio.

Em 1850, em Porto Alegre, se instala a firma fundada pelo português Antonio Henriques da Fonseca, com sede na esquina do Beco da Ópera (Uruguai), com frente para o Largo dos Ferreiros (antes do porto), onde os primeiros açorianos fizeram os primeiros barcos e ferrarias.
Foi à primeira fundição de bronze que se tem registro em Porto Alegre. José Manoel, que era cunhado de Antônio Henriques, associou-se a ele. A empresa fundia ferros de engomar a vapor, sinos de igreja, tachos de cobre, pregos e rebites de embarcação.
Mas a empresa cresceu durante a Guerra do Paraguai:
“Dos caldeirões, das forjas e das bigornas dessa oficina serviam-se o Governo Imperial e o Governo da Província não só para os reparos indispensáveis de sua navegação marítima e fluvial, mas também no que se refere ao suprimento das tropas que se mobilizaram, em 1865, para as ásperas campanhas do Paraguai.”
Escreveu o historiador Manoelito de Ornelas no livro Estaleiro Só, 100 Anos de História do Rio Grande. Globo, 1950.
Esta empresa dará origem ao grande Estaleiro Só.

Em 06 de abril de 1850, em Porto Alegre, é realizado o primeiro sepultamento no novo Cemitério da Santa Casa, na necrópole na Rua do Cemitério (Oscar Pereira) nos Altos da Azenha.

Em 14 de setembro de 1850, em Porto Alegre, o presidente da Câmara o renomado médico Dr. Luis da Silva Flores, incentivou a instalação da primeira Comissão de Higiene de Porto Alegre.
O discurso médico visava à erradicação dos chamados “miasmas” pestilências carregadas pelo ar, originadas da matéria orgânica em decomposição. O poder de penetração das pestilências alcançou não mais o indivíduo, mas a coletividade. Por isto a proposta de planejamento e reforma do espaço urbano.

-As preocupações com a salubridade da cidade prosseguiram, com o discurso médico apregoando providências quanto ao asseio das ruas através da retirada do seu lixo e da demarcação de lugares apropriados para o seu despejo. Era também destacada a necessidade de “... se estender a vigilância ao asseio dos pátios e quintais, casas públicas e às substâncias alimentícias expostas a venda, principalmente as carnes, peixes, queijos, frutas e verduras”.
Ao inserir os pátios e quintais nas residências como espaços, ao lado da via pública, que também deveriam ser vigiados a fim de manterem as condições mínimas de higiene. A deposição de lixo próximo as casas foi comum na Porto Alegre oitocentista.

Dr. Flores
- Luis Flores da Silva, nasceu em Rio Grande, em 1815, formou-se em Medicina no Rio de Janeiro e atuou em Porto Alegre até sua morte em 1880. Foi casado com Maria da Glória Thompsom Flores. Sete anos antes de morrer, a cidade lhe prestou uma justa homenagem, dando seu nome à antiga Rua Santa Catarina, atual Rua Dr. Flores..

Em 1851, na Oceania, Austrália, começa a corrida do ouro para o interior do país.

Em 1851, na Europa, Inglaterra, acontece a Grande Exposição das Obras da Indústria, de várias nações do mundo, apresentando as mais modernas tecnologias industriais, sendo a primeira Feira Mundial.

Em 1851, na Europa, França, um plebiscito aprova a Constituição apresentada pelo presidente Luis Napoleão Bonaparte, após golpe em que anulou a carta anterior.

Em 1851, no Brasil, a cultura do “Café” se fortalece entre as exportações brasileiras, pelo aumento do consumo internacional.

Em 1851, no Brasil, Rio de Janeiro, na iminência da guerra contra Buenos Aires, contra Manuel Oribe do Uruguai e Juan Manuel Rosas da Argentina, o governo imperial decidiu contratar na Alemanha tropas mercenárias e adquirir o equipamento respectivo, para empregá-los especificamente na defesa da fronteira sul.

- Foi encarregado dessa missão o deputado pernambucano Sebastião do Rego Barros, contratou uma Legião Alemã composta de 1.800 homens, aproveitando veteranos do Exército Schleswig-Holstein que haviam sidos mobilizados para a guerra contra a Dinamarca.
Essa legião era constituída de um Batalhão de Infantaria, um Grupo de Artilharia e duas Companhias de Sapadores, com armamento e equipamento respectivo.
As duas companhias se denominavam de pontoneiros e de trens.
A dos pontoneiros compunha de 31 oficiais e 141 praças, a de trens (ou equipagem) compunha-se de 2 oficiais e 121 praças, dotada com duas equipagens de pontes de 60 braças (tipo BIRAGO), usadas pelo Exército Prussiano.
Para transportar esse material a companhia possuía 36 carroças austríacas de 4 rodas, tiradas a 4 cavalos cada, era o que de mais moderno havia na Europa.

- Esses legionários alemães passaram a história do Brasil com o nome de “brummer” (rezingões). Em sua grande maioria aqui permaneceram integrando-se na corrente imigratória alemã do Rio Grande do Sul, valorizando-a.

- A contribuição militar por eles prestada constitui em transferência ao Exército Brasileiro (1851-1870), de “know-how” militar prussiano, decisivo no campo militar para a reunificação da Alemanha e importante para o Brasil na Guerra do Paraguai.

- Ao final de quatro anos de contrato, cada legionário “brummer” optava entre receber um lote de terras de 22.500 braças quadradas ou um prêmio em dinheiro e passagem de volta.

Em 1851, em Porto Alegre, o Conde de Caxias, presidente da Província do Rio Grande do Sul, foi autorizado pelo Governo Imperial, a invadir a República Oriental do Uruguai com 16 mil homens, que incentivara pela chamada “Grande Guerra” interna entre Oribe e Rosa, a invadir e atacar as estâncias de brasileiros, localizados tanto em território uruguaio como além da fronteira, estas incursões chamadas de “califórnias” (lembrava a expansão americana rumo ao Oeste), custaram muitas vidas e 800 mil cabeças de gado.

Antigos Farrapos (Conflito Farroupilha), ao lado de seus ex-inimigos (os Imperiais), agora todos fazendo parte do exército imperial brasileiro, derrotam o ditador Rosas da Argentina.

Em 1851, em Porto Alegre, tem iniciada a construção a construção da Igreja Nossa Senhora da Conceição, na Rua da Independência, em estilo barroco, esta abriga a imagem de São Francisco e outras imagens do século XVIII.
A igreja estava ligada a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, que congregavam os pardos, fundada em 02 de fevereiro de 1790.
Em 1858, é concluída a Capela-Mor.

Em 18 de setembro de 1851, na América do Norte, Estados Unidos, Nova Iorque, circula a primeira edição do jornal “The New York Times”.

Em 20 de setembro de 1851, em Porto Alegre, pelo Decreto 634 foi criada a Escola Militar.

Em 1852, na Europa, França, Luis Napoleão Bonaparte se auto-proclama imperador, sob o nome de Napoleão III.

Em 1852, em Porto Alegre, aparece a primeira pesquisa sobre o “folclore gaúcho”, uma coleção de vocábulos e frases organizados por Antonio Álvares Ferreira Coruja.

Em 1853, na Europa, em Portugal, sob a regência de Fernando de Coburgo-Gotha iniciam-se grandes reformas.

Em 1853, na América do Norte, Estado Unidos, é inventado o “Elevador” seguro para o transporte de pessoas pelo norte-americano Elisha G. Ottis.

Em 1853, em Porto Alegre, o presidente da Província Dr. João Lins Vieira Cansansão de Sinimbu, visconde de Sinimbu, encarregou o engenheiro de minas James Johnson de explorar carvão no sopé da Serra do Herval, no Faxinal.
Três anos depois, foi concedida pelo Governo Imperial, direito de explorar as minas de Arroio dos Ratos. Para isso James trouxe 12 famílias de ingleses de mineiros, iniciando a produção e a industrialização do minério, fundou a mineradora Imperial Brazialian Colleries e uma ferrovia de 20 quilômetros, com vagonetes puxados por burros, ia da mina até a Vila de São Jerônimo e dali para Porto Alegre.
Em 1826, escravos de Fuão de Freitas, já haviam encontrado uma mina em Arroio dos Ratos.
Em 1875, a mineradora foi repassada para Willian Tweede e cinco anos depois faliu.
Em 1883, 30 anos depois foi fundada no local a Cia. Minas de Carvão do Arroio dos Ratos.

Em 1853, em Porto Alegre, instalou-se o primeiro Atelier Fotográfico em uma casa na esquina das atuais Rua Vigário José Inácio com a Rua General Vitorino

Esquina das atuais Rua Vigário José Inácio com a Rua General Vitorino – 1860, quando L. Terragno voltou a ocupar o mesmo prédio. No letreiro le-se:
L. TERRAGNO
RETRATISTA

Em 11 de fevereiro de 1853, em Porto Alegre, é instituído o Bispado do Rio Grande do Sul, é designado o Bispo Dom Feliciano Prates.

Em 03 de julho de 1853, em Porto Alegre, na Igreja Matriz Nossa Senhora Madre de Deus é empossado o primeiro bispo da Província do Rio Grande do Sul, Dom Feliciano Prates, em grande cerimônia com a participação de autoridades e populares.

Em 24 de dezembro de 1853, em Porto Alegre, na base do morro, no arraial do Menino Deus, é inaugurado a Capela do Menino Deus, em estilo gótico, com invocação tipicamente Açoriana, em substituição ao prédio provisório.
O primeiro sacerdote foi o Frei Caetano da Troyna e o primeiro vigário foi o Padre João Pereira da Silva Lima.
Em 1907, a capela foi reformada,
Em 1919, sofreu incêndio, sendo reconstruída,
Em dezembro de 1920, foi re-inaugurada,
Em 1966, foi constituída comissão para a reforma,
No fim de 1969, foi aprovado o projeto do novo e atual complexo,
Em 1976, foi levantada sua torre de 19 toneladas, apesar do simbolismo não substitui a bela e antiga torre que era uma característica do bairro.

Menino Deus
- A devoção ao Menino Deus é uma típica evocação açoriana, consagrada na época de Dom Pedro II, por ter reconhecimento como milagrosa, a pequena imagem existente desde os meados do século XVIII, na Confraria dos Escravos do Menino Deus, na Villa Nova da Praia em Vitória, Angra do Heroísmo, Arquipélago dos Açores. Os açorianos trouxeram para o Porto do Dornelles, aquela devoção que se tornou porto-alegrense e nominou o bairro mais antigo da capital.

Em 1854, na Europa Oriental, disputa entre o Império Otomano, França e a Rússia, pela proteção dos santuários na Terra Santa deflagra a Guerra da Criméia.

Em 1854, no Brasil, Rio de Janeiro, Cidade Neutra, Manuel de Araújo Porto Alegre assume a direção da Academia de Belas Artes.

Em 1854, no Brasil, Rio Grande do Sul, Caçapava, nascia aquele que se tornaria o “Rei do Arroz”, Pedro Osório.
Em 1905, depois de outros negócios com charqueadas, experimentou o plantio de arroz.
Em 1909, já era considerado o Rei do Arroz.
Em 1912, após viagem a estação experimental de rizicultura de Vercelli, na Itália, comprou máquinas alemãs para montar o Engenho São Gonçalo o maior da América Latina. Pedro Osório foi o grande pioneiro do beneficiamento do arroz, sistema de parcerias agrícolas, nunca teve escravos, pois dizia abertamente que “ninguém podia ser dono de outra pessoa”. Para esquentar as fornalhas do engenho sem desmatar as árvores nativas, plantou cerca de 30 mil pés de eucalipto.
Pedro Osório faleceu em Palmeira (RS) em 28.02.1931, seu corpo foi transportado em trem especial, parando nas estações de Cruz Alta, Tupanciretã, Júlio de Castilhos, Santa Maria, Bagé, Pedras Altas, Cerro Chato, Piratini, Arroio Grande, Passo das Pedras, Capão do Leão, Teodósio e Basílio, em cada um desses lugares, súditos e autoridades engrossaram o corso.
No funeral mais de 20 mil pessoas prantearam a partida do “Rei do Arroz”.

Em 1854, em Porto Alegre, é criado o primeiro Liceu (Ginásio escolar).

Em 1854, em Porto Alegre, desembarca, ao voltar da Alemanha Anton Diehl que viajara para aprender o ofício de maquinista, trouxe consigo três vapores fluviais desmontados para Navegação: - Brazileiro, Flecha e Jaguarão. Para montá-los veio o ferreiro e mecânico Peter Joseph Becker, após montar os três barcos, voltou pra a Alemanha, mas com a promessa de voltar a Porto Alegre e fazer a vida, o que fez em 1856.

Em 30 de abril de 1854, no Brasil, Rio de Janeiro, capital do Império, inaugura a primeira Estrada de Ferro Petrópolis, fundada por Irineu Evangelista de Souza, Visconde e depois Barão de Mauá, patrono do Ministério dos Transportes, ligando a baia da Guanabara a Serra do Mar.
Foi no ato de inauguração da nossa primeira ferrovia que o Imperador Dom Pedro II batizou a primeira locomotiva a vapor do Brasil de "Baronesa", em homenagem à esposa do Barão de Mauá, Dona Maria Joaquina, a Baronesa de Mauá.
Após servir o Imperador Pedro II, por muitos anos, foi retirada de tráfego em 1884, voltando ao serviço algum tempo depois, para transportar um visitante ilustre, o Rei Alberto da Bélgica.

Em 1855, em Porto Alegre, é aberto o Seminário Episcopal, nos fundos da Igreja Matriz Nossa Senhora Madre de Deus.

Em 1855, em Porto Alegre, é criada pelo maestro Mendanha (autor do Hino Rio-Grandense) a Sociedade Musical Porto-Alegrense.
Até meados do século XIX, Porto Alegre teve apenas tentativas ou grupos musicais sem sustentação.

Em 23 de junho de 1855, em Porto Alegre, cria-se a Sociedade Germânia, fundada por 27 alemães ou descendentes, além de Joaquim Bastos, com sede na Rua da Independência, foi a primeira sociedade recreativa da Província, ficou conhecida pelaos excelentes eventos sociais e culturais.

Em 12 de agosto de 1855, no Brasil, Rio de Janeiro, por Ato Adicional, entre as alterações promovidas na Carta Constitucional de 1824, criou as Assembléias Legislativas Provinciais, integrada por 30 membros, substituindo o Conselho Geral da Província, este número de membros foi mantido até o final do Império.

Em 24 de novembro de 1855, Porto Alegre tem os primeiros casos do cólera-morbo, seis dias depois o corpo médico da cidade declara oficialmente a epidemia que obriga a nomeação de Inspetor de Saúde.

Em 1856, na Europa, França, em Conferência de Paz em Paris leva a Rússia a aceitar a desmilitarização do mar Negro para condição ao fim da Guerra da Criméia.

Em 1856, em Porto Alegre, havia “22 médicos” em toda a cidade, que nesta época chegava a região de Caxias do Sul.

De 1856 a 1858, em Porto Alegre, circulou O Guayba” primeiro “jornal literário” da Província, que contava com as colaborações de Rita Barém de Melo, João Vespúcio de Abreu e Silva, Pedro Antônio de Miranda e Félix da Cunha.

Em 28 de março de 1856, em Porto Alegre, chegam vindos da Alemanha os irmãos Becker (Peter Joseph e Nicolau), para fazer fortuna, depois de abrasileirar o nome, o então José Becker fundou na Rua do Rosário (Vigário José Inácio), uma oficina de ferraria, mecânica e fundição, José Becker e Irmão.

Em 1857, na Europa, Itália, Giuseppe Garibaldi, depois dos Farrapos (Rio Grande do Sul) funda a Associação Nacional Italiana para unificar a Itália.

Em 1857, na América do Norte, acontece a guerra civil no México.

Em 1857, no Brasil, Rio de Janeiro, intelectuais gaúchos imigrados na Corte, fundam na capital do Império a “primeira entidade tradicionalista gauchesca”, a Sociedade Sul-Rio-Grandense.

Em 1857, em Porto Alegre, foi criada a Freguesia das Pedras Brancas de Nossa Senhora do Livramento, cujos limites iam desde as margens do Rio Jacuí, ao Norte, o Rio Guaíba, a Leste e o Arroio Ribeiro, ao Sul.

- A região, dividida em 1732, inicialmente em 11 sesmarias, doadas pela Coroa Portuguesa, onde depois surgia a cidade de Guaíba, que tomou seu nome de uma das ilhas – Pedras Brancas – distante 2.200 metros da margem direita do rio, quase no centro.

Em 1857, em Porto Alegre, é fundada a “primeira cervejaria artesanal” da cidade (fabricava e vendia), a Cervejaria Kauffmann, pelo casal Adolfo e Elisa Kauffmann.

Em 1857, em Porto Alegre, no solar da Cidade Baixa, é fundada Praça do Comércio de Porto Alegre, o qual o primeiro presidente foi, o rico comerciante e político Lopo Gonçalves Bastos.

Em julho de 1857, em Porto Alegre, o Exército Imperial assumiu o controle da Ilha das Pedras Brancas no meio do Lago Guaíba, ali foi construído a 4ª Casa da Pólvora de Porto Alegre. O depósito funcionou até meados d 1930, quando foi abandonado pela umidade do local que prejudicava a munição.

Em 1858, na Ásia, a Índia passa ao domínio direto da Inglaterra, com uma política de defesa que divide o poder entre os Marajás, passando a ser Colônia Inglesa.

Em 1858, em Porto Alegre, “os estaleiros” instalados junto ao Largo da Forca e Ponta das Pedras, são removidos para o Caminho Novo e o presidente da Província Ângelo Muniz da Silva Ferraz planeja a urbanização da área, incluindo um “cais” junto ao Guaíba e um “chafariz”, com água puxada mediante bomba manual, movimentada pelos presos da cadeia (em ruínas após dois anos de instalado).

Em 1858, em Porto Alegre, as obras na Praça do Arsenal começam, o antigo Largo da Forca recebe o nome de Praça da Harmonia, em comemoração ao fim das discórdias e execuções do lugar “afamado”, depois de urbanizada ficou também conhecida como Praça dos Namorados.

- O presidente da Província Ângelo Ferraz, dizia em correspondência que aquele lugar era o ponto mais destacado para a visão dos que entravam no porto pelo Guaíba, e o local que mais penúria exibia.
”Em nenhum outro ponto do litoral fez o cólera mais estrago do que nesse distrito, talvez pela falta de asseio de suas praias”, lembrava Ferraz.

- O trabalho para urbanização na Praça da Harmonia (antigo Largo da Forca) avançou um pouco sobre o leito do rio.
Foi árduo, principalmente para os presidiários da cidade. Além dos vasos de mármore trazidos do Rio de Janeiro, havia ali uma bomba manual que puxava água do Guaíba à “força dos braços dos presos”, retirados da cadeia em revezamento e escoltas especiais.
No final dos anos 1860, funcionou o chafariz, abastecido por canos que ligavam aos reservatórios da Matriz, da Hidráulica Porto-Alegrense.

- A Cidade começou a se preocupar com o embelezamento de suas praças, sobretudo com a arborização, até então desprezada. As melhorias foram feitas nas Praças da Harmonia (antigo Largo da Forca, depois Praça do Arsenal, atual Brigadeiro Sampaio),
Praça Dom Pedro II (da Matriz, atual Deodoro da Fonseca),
Praça da Alfândega (antiga Quitanda),
Praça do Paraíso (Conde D’Eu, atual Praça XV) e
Praça da Independência (atual Praça Argentina), a abertura de novos espaços de convivência, alternativos aos largos de reuniões e primeiras festividades religiosas.

Em 1858, em Porto Alegre, é criado o Deutscher Hilfsverein (Sociedade Beneficente Alemã), para auxílio aos imigrantes e descendentes. Desta sociedade derivou o atual Hospital Moinhos de Vento.

Em 1858, em Porto Alegre, foi aberta a Rua Botafogo a primeira transversal do Arraial do Menino Deus, que chegava até o Arraial da Azenha.

- O Menino Deus estava se transformando em um arraial mesmo tendo mais chácaras que aglomerados de casas. Novos caminhos foram sendo abertos e nomeados.

Em 1858, em Porto Alegre, de nossas primeiras bandas de música, conforme Athos Damasceno (livro Palco, Salão e Picadeiro):
“... as nossas amáveis bandas de música levaram a efeito algumas retretas na Praça da Matriz e Praça da Alfândega, com auditório atento e numeroso. Mas esses divertimentos, conquanto agradessem geralmente, não davam para matar a fome da população afeiçoada, como se sabe, às maciças doses das largas temporadas teatrais...” (p. 55)

- As bandas de música como a Firmeza e Esperança, pertenciam em sua maioria às Sociedades Artísticas Culturais.

- Conforme Dasmaceno:
“Não há dúvida que essas sociedades eram um tanto patuscas (festivas), com os seus uniformes de corres berrantes, seus estandartes soberbos e seus programas estafantes. Reconheçamos, entretanto, que elas davam satisfatório desempenho à sua missão, realizando sofríveis retretas nas pracinhas de outrora, fazendo visitas periódicas aos seus sócios e brilhando, com muita ênfase, em todas as solenidades publicas.” (p.83)

Em 14 de fevereiro de 1858, em Porto Alegre, na chácara, o solar de Lopo Gonçalves Bastos no arraial da Cidade Baixa, junto a Rua da Margem, na zona sul, ocorre à reunião de fundação para a formação de uma Praça do Comércio, este também será seu primeiro presidente.

Em 21 de março de 1858, em Porto Alegre, foi fundado o Deutscher Hilfsverein, atual Associação Beneficente e Educacional, entidade filantrópica, para ajudar imigrantes alemães a superar as dificuldades do dia a dia de um Brasil com precária organização social. Alicerçada nos princípios: - Trabalho, Honestidade e Ética.

Em 09 de maio de 1858, em Porto Alegre, é realizada a primeira reunião da Praça do Comércio, presidida por Lopo Gonçalves Bastos, em seu solar no arraial da Cidade Baixa.

Em 30 de maio de 1858, em Porto Alegre, é enterrado Dom Feliciano Prates, o primeiro bispo da Província do Rio Grande do Sul em grande cerimônia na Catedral Matriz Nossa Senhora Madre de Deus.

Em 27 de junho de 1858, grande evento em noite de gala, em Porto Alegre, é inaugurado o Theatro São Pedro, em estilo barroco português, decorado em veludo e ouro e a platéia em forma de ferradura, projeto do arquiteto alemão Phillip Von Norman.
A elite de Porto Alegre está presente; no palco a Companhia Ginásio Dramático Rio-Grandense emocionou o público com a peça “Recordações da Mocidade”.
Assim registrou o cronista August Porto Alegre:
“- A fina flor da sociedade compareceu no ato, dando o decote das damas e as casacas dos cavalheiros o tom chique da solenidade em que tudo ressumbrava completa alegria.”

- Depois de inaugurado nos meses seguintes foram apresentados dramas franceses, números de mágica e óperas.

Em 1º de julho de 1858, em Porto Alegre, é aberta a primeira casa bancária o Banco da Província do Rio Grande do Sul, Começou suas atividades com 5 funcionários, em um prédio alugado na Rua dos Andradas.
Após foi construída sede especialmente para o banco, na esquina da Rua da Graça (Andradas) com a Rua de Bragança (Marechal Floriano), por Lopo Gonçalves Bastos (um dos homens mais ricos da cidade), João Batista Ferreira de Azevedo, José Antônio Coelho Júnior, entre outros comerciantes, com a finalidade de facilitar suas transações comerciais.
As tentativas de fundar o banco iniciaram em 1854, mas foram retardados pelos entraves burocráticos.

- O Decreto Imperial que autorizou seu funcionamento, também autorizou a emissão de papel-moeda, licença usada por pouco tempo, a partir de 1860, por causa das dificuldades como: - as notas serem impressas em Londres (Inglaterra), o pesado imposto sobre o valor da emissão e os custos com o fiscal nomeado pelo poder público para atuar junto ao banco; esta experiência foi encerrada no ano seguinte.

- O banco da Província financiou outros empreendimentos estatais como iluminação pública e os primeiros projetos da Companhia Carris Porto-Alegrense.

- Na mudança do banco, se instalou no prédio a Farmácia Central até 1984. Na parte superior do prédio viveu a família Landell de Moura. O prédio foi demolido em 1987.

Em 18 de novembro de 1858, em Porto Alegre, instala-se definitivamente a Praça do Comércio (futura Associação Comercial de Porto Alegre).

Em 1859, na África, Egito, é construído o Canal de Suez ligando o Mar Mediterrâneo ao Oceano Índico.

Em 1859, na Europa, Inglaterra, Darwin publica a “Origem das Espécies”.

Em 1859, em Porto Alegre, é organizado um grande estaleiro às margens do Guaíba, a Fábrica de Máquinas e Fundição de Ferro e Bronze e Estaleiro Becker, os irmãos Becker (Peter Joseph e Nicolau), se transferiram para o Caminho Novo (Voluntários da Pátria). Mas se tinham a capacidade e o conhecimento para fazer navios de ferro, faltava-lhes o alvará.
“O Governo da Província, descrente de que seria possível fazer flutuar um barco que não fosse de madeira, negou permissão para que os irmãos iniciassem sua produção naval. Foi então que José Becker solicitou um encontro com o representante da Província. No dia marcado, chegou à reunião trazendo uma panela de ferro cheia de parafusos. Na banheira do Palácio, Becker provou que o ferro era capaz de boiar.”
E o estaleiro finalmente recebeu seu alvará. Passando a fabricar navios de grande porte e máquinas dos mais variados fins.
José Becker ainda era vinicultor e dizia aos imigrantes:
“Se não gostas do Brasil, sacode do sapato o pó desta terra e volta, porque este país é a nossa nova Pátria.”
Morreu em 1914, aos 88 anos, a família assumiu o negócio que foi se fundindo a outras empresas, hoje do Grupo Süd Metal, mesmo assim, 150 anos depois é a empresa mais antiga do estado em atividade.

Nota:
- Em Porto Alegre existem centenas de “tampas de bueiros e bocas de lobo” em bronze, instaladas nas ruas e calçadas, fundidas pela Becker.

Nos anos 1850 e 1860, Porto Alegre está ligado via fluvial (Hidrovia), as principais cidades do interior do Estado, faróis e sinalizadores foram instalados na Lagoa dos Patos. A função portuária aumenta; as elites burguesas também, isto impulsiona as grandes mudanças.

- Entre as famílias mais abastadas, era moda contratar aulas particulares de professores estrangeiros, que ensinavam Canto e Piano, e também francês e alemão.
Na segunda metade do século XIX, o surto de progresso põe mais dinheiro no bolso do porto-alegrense.
Resultado: “começa-se a gastar também em divertimentos, esporte e lazer.”

- No Carnaval, à singela brincadeira de atirar água uns nos outros se somam agora os desfiles de duas grandes sociedades de foliões.

- As crianças vão ver Touradas no circo, enquanto os aficionados do turfe podem escolher entre os quatro hipódromos da cidade.

- Os filhos dos imigrantes alemães introduzem as Regatas no Guaíba.

- Durante a semana, fervilham os Cafés e Quiosques.

- Esse barulho não começou de repente, cresceu aos poucos, a partir do final dos anos 1860. No mais, a vida social era calma e serena.
As reuniões em geral eram privadas:
- Saraus nas residências, onde se comia, cantavam, faziam-se recitais de música e piano e declamação de poesia.
Poucos Bailes e peças de Teatro amador.

1860
Guerra do Paraguai

- A partir desta época com a expansão econômica, impulsionado pelas Colônias alemãs que eram agilizados pelos barcos a vapor, os quais reduziram o número de gabarras no rio dos Sinos.
Em Porto Alegre já existem 65 armazéns de secos e molhados, 51 lojas de fazendas, gêneros de importação, livros e miudezas, 18 casas de ferragens, 15 lojas de miudezas, três de louças, 18 depósitos diversos, dez açougues e 120 vendas.
A quantidade de estabelecimentos é superior a capacidade de consumo da população que nesta época girava em 17.226 habitantes, o que comprova o comércio regional e não só local, os “entrepostos”.

- Porto Alegre já era responsável por 82% das exportações de farinha de mandioca; 98% de feijão e quase 100% de milho. Esta expansão econômica se refletiu no desenvolvimento urbano.

Na década de 1860, na Europa, foi desenvolvido um “plástico” chamado “celulóide”, usado para substituir o marfim na confecção de bolas de bilhar e de peças delicadas, o novo material não fez sucesso no início.
- Em 1889, George Eastman (Kodak) passou a utilizá-lo na produção de filmes fotográficos, o celulóide era muito inflamável, chegando a explodir.

Em 1860, na América do Norte, Estados Unidos, Linus Yale Jr. aperfeiçoou a fechadura de segurança. A “chave” como a conhecemos hoje começou a ser desenvolvida na Inglaterra no século XVIII.

Da metade da década de 1840 à de 1860, em Porto Alegre, foram quase 15 anos de obras e Aterros, desde a Praça da Harmonia até o Largo do Mercado, para a criação da Rua Nova da Praia (atual Sete de Setembro).
Estava deflagrada uma tradição nunca mais interrompida:
“A de aterrar as águas para expandir a área urbana”.

Em 1860, em Porto Alegre, o empreiteiro João Batista Soares da Silveira e Souza o “maior construtor da cidade” inaugurou no Largo do Paraíso (atual Praça XV), em frente ao primeiro Mercado Público, o então espetacular Edifício Malakoff, que com o seu térreo e outros três andares, tornou-se o maior edifício da cidade e o primeiro exclusivamente comercial.
Malakoff era o nome de uma fortaleza russa que entrara na história pela Guerra da Criméia.
O prédio foi demolido em meados do século XX, como sempre sem motivo, para a construção do prédio sem estética, o Dellapieve.

João Batista Soares da Silveira e Souza
O “Grande Empreiteiro”, o açoriano João Batista Soares da Silveira e Souza, conhecido como “JBSSS”, o “O senhor dos mil escravos”, chegou em 1814 a Juiz de Paz na Aldeia dos Anjos (Gravataí), descobriu os caminhos que levavam a empreita e, mais tarde, conquistou uma vaga na Câmara da capital, onde defendeu os interesses dos proprietários de imóveis. Como integrante dessa categoria, aliás, manteve um longo litígio com a Câmara pela posse da Várzea de Gravataí, uma imensa área pública.
Foi agraciado com uma sesmaria em Sapucaia.
                        
- João Batista Soares da Silveira e Souza era o maior empreiteiro de Porto Alegre no século XIX, construiu:
Theatro São Pedro, e
Tribunal de Justiça eram prédios gêmeos na Praça Dom Pedro II,
Casa de Correção, o magnífico prédio junto a Ponta das Pedras,
Bailanta, salão de baile na Praça Dom Pedro II, entre vários outros edifícios públicos.
Mão-de-obra não lhe faltava.

Em 1860, em Porto Alegre, foi construído na Praça da Harmonia, recém urbanizada, um grande Coreto em madeira, com um tablado maior e a cobertura menor, com teto pontiagudo, para apresentações artísticas.

Em 1860, em Porto Alegre, na Villa de Viamão (nesta época pertencente à capital) é construído o Farol de Itapuã, para orientar os navegantes no estreitamento do canal no encontro da Laguna dos Patos com o Guaíba, no Morro da Fortaleza, Ilha do Junco e a Ferraria dos Farrapos (local do antigo estaleiro usado pelos Farroupilhas (1835).

Em 1860, em Porto Alegre, as atividades musicais contam como de praxe, com artistas italianos, destacam-se Luigi Cavedagni, que promoveu atuações líricas.

Em 26 de fevereiro de 1860, em Porto Alegre, instala-se o Instituto Histórico Rio-Grandense, sendo o primeiro presidente o Manoel Marques de Souza, o ainda Barão de Porto Alegre.

Em 1861, na Europa, Escócia, em Edimburg James Clerk Maxwell apresenta a “primeira fotografia em cores”. Obteve fotografando o objeto três vezes, com três filtros diferentes.

Em 1861, na Europa, Itália, Turim, Vitor Emanuel, rei do Pie Monte-Sardenha é reconhecido como primeiro rei da Itália unificada.

Em 1861, na América do Norte, México, Benito Juarez assume a presidência e inicia a Reforma Agrária.

Em 1861, na América do Norte, Estados Unidos, Abraham Lincoln é eleito presidente da República.

- Estoura a Guerra Civil de Secessão entre 7 estados do Sul conservador e escravagista que formam uma Confederação independente (os confederados) contra o Norte liberal.

Em 1861, em Porto Alegre, toma posse o segundo bispo da Diocese de São Pedro do Rio Grande do Sul, Dom Sebastião Dias Laranjeira.

- O Bispo Dom Sebastião era participante das tradicionais devoções populares a Nossa Senhora dos Navegantes, em Salvador (Bahia).
Ficou surpreso, em não haver nenhuma imagem, capela, igreja ou associação religiosa sob a invocação de Nossa Senhora dos Navegantes, apesar do grande trânsito naval de uma comunidade lusitana.

Em 12 de janeiro de 1861, no Brasil, Rio de Janeiro, o imperador Dom Pedro II criou a casa de penhor Monte Socorro da Corte e a Caixa Econômica da Corte, duas instituições financeiras que acabaram se fundindo.
Desde a época do Império, portanto, damas brasileiras e alguns nobres sem fortuna passaram a recorrer a essa modalidade de empréstimo; o empenho (penhor) de jóias.
Esta instituição, mais tarde se tornaria a Caixa Econômica Federal.

Em 02 de abril de 1861, em Porto Alegre, a Lei nº 466 autoriza o presidente da Província a contratar “abastecimento de água potável” para cidade, com a colocação de chafarizes.

Em 04 de novembro de 1861, no Brasil, Rio de Janeiro, capital do Império, é aberta a Caixa Econômica e Monte Socorro.
A Caixa Econômica, com seus depósitos garantidos pela Corte de S.M.I. Dom Pedro II, que teve como primeiro cliente depositante na nova instituição, o gaúcho Antônio Alvarez Pereira Coruja, o Comendador Coruja, com a quantia de 10$000,00 (dez mil contos de réis).
Em 1961, no centenário da instituição a Caixa Econômica inceriu homenagem ao seu primeiro depositante e conferiu a seu primeiro descendente mais moço um prêmio de Cr$ 50.000,00 (cinqüenta mil cruzeiros) foi beneficiada a menina de 6 meses Terezinha Gazola de Barros, filha do capitão Edwy dos Santos Pereira de Barros, neto do Comendador Coruja Júnior.
Nas dependências do Centro Cultural da Caixa, encontar-se um quadro emoldurado do Comendador Coruja.
Em 1985, em Porto Alegre, a Caixa passou a denominar a agência Benjamin Constant de “Comendador Coruja”, que durou até 1990, até passar para o nome de Cel. Bordini.

- “Desde o primeiro depósito do Comendador Coruja, durante o Império a Caixa foi sinônimo de garantia por 129 anos consecutivos, até a chegada ao poder de Fernando Collor de Mello (Presidente da República) que confiscou os ativos financeiros de toda a população incluindo as cadernetas de poupança.”

Em 1862, na Europa, é inventado por Alexander Parkes o “primeiro plástico semi-sintético”, material duro que podia ser moldado, denominado “Parkesine”.

Em 1862, no Brasil, Rio de Janeiro, Cidade Neutra, “Conservadores” que se opunham ao Gabinete de Caxias passam a apoiar os “Liberais” e formam a Liga Progressista.

Em 1862, em Porto Alegre, surgiu finalmente a Companhia Hydraúlica Porto Alegrense, mas a cidade só veria água encanada, quatro anos depois trazida de longe desde a Lomba do Sabão, na nascente do Riacho (Arroio Dilúvio).

- Quase 100 anos depois de ser elevada a capital Porto Alegre viu, pela primeira vez, a água jorrar dos canos, implantados por um concessionário do serviço público.

Em 07 de novembro de 1862, em Porto Alegre, a Assembléia Provincial votava a Lei nº 510, que isentavam do pagamento de impostos as companhias anônimas que se formassem para “beneficiamento da carne por novos processos”. Os deputados provinciais alertavam que a Charqueada não iria tirar a província da crise e que era preciso ousar, tal como na Região do Prata, inovando com o “extrato de carne, a carne em conserva”.

- O Uruguai renovara a sua estrutura “saladeiril” (salguadeira), usando braços assalariados, máquinas à vapor e outros beneficiamentos, começou a colocar o produto no mercado brasileiro a preço mais baixo.
A lei não foi aprovada, revelando a cisão de interesses e o atraso.

Em 1863, na Europa, Inglaterra, Londres, é inaugurado o “primeiro Metrô do mundo” (meio de transporte subterrâneo), com cinco estações, invenção do inglês Charles Pearson.

Em 1863, na Europa, Inglaterra, a Football Association unificou a miríade de jogos regionais derivados das brincadeiras com bola e o futebol foi adotado com imediato fervor pela classe operária.

- A “Bola” utilizada depois de séculos e diversos materiais no final do século XIX, poucas décadas depois de regulamentado, o Foot-ball (Futebol) ganha sua primeira bola característica: - uma câmara de borracha revestida com uma capa de couro, conhecida como capotão. As costturas extrenas eram o terror dos cabeceadores, que chegavam a usar toucas para a proteção.

Em 1863, na América do Norte, Estados Unidos, com o fim da guerra civil, e derrota do Sul Confederado, é promulgada a Proclamação da Emancipação, que liberta todos os escravos, pelo presidente Abraham Lincoln.

Em 1863, no Brasil, Rio Grande do Sul, na Vila de São Leopoldo, sobre Rio dos Sinos foi “construída uma passadeira” (espécie de pontilhão) tendo como suportes diversos barcos. A finalidade era permitir a livre passagem de sociedade de cantores, a técnica na construção tenha sido inspiração de um ex-pontoneiro “brummer”.

Até 1863, em Porto Alegre, os dados existentes nas atas da Câmara Municipal de Porto Alegre mostram que a área onde se ergueu o Edifício Malakoff não passava de um terreno devoluto que servia para despejo de lixo e detritos.

A Praça Paraízo (Praça Conde d’Eu, atual Praça XV) era ocupada pelo antigo mercado público de Porto Alegre (1840) e o movimento de carreteiros e quitandeiros fazia com que os arredores virassem depósito de imundices.

Em 1863, em Porto Alegre, em virtude do Mercado Público atual já não atender as necessidades, a Câmara autoriza a construção de novo Mercado Público Municipal em substituição ao anterior.
O local escolhido foi no primeiro aterro feito sobre o Guaíba, criando duas enormes docas a do carvão e a das frutas, com projeto de Friedrich Heydtmann.

O comendador João Baptista Soares da Silveira e Souza que era empreiteiro, conhecido como "Senhor de Mil Escravos", resolve erguer ali o primeiro "arranha céu" da cidade, por saber que a região iria se valorizar pela construção do novo Mercado Público, com a dimensão de um quarteirão.

Em 1863, em Porto Alegre, a capital provinciana do estado do Rio Grande do Sul, é a quarta maior capital do Império do Brasil, com cerca de 20 mil habitantes:
04 mil casas,
18 edifícios públicos,
07 igrejas.

Em 03 de março de 1863,
em Porto Alegre, Estácio da Cunha Bittencourt e Emilio Gemgembre, engenheiro francês, encaminham a Câmara a petição necessária para “um trilho de ferro” para carros com capacidade de 20 passageiros sentados, que diariamente transitam “da várzea junto da grade da Praça Independência até a Praça do Menino Deus pela rua do mesmo nome”.
A Câmara autoriza a obra do serviço de Maxambomba, serviço de bondes, mesmo sistema utilizado no Rio de Janeiro.

Em 24 de junho de 1863, em Porto Alegre, funda-se a Sociedade Leopoldina, em homenagem a Imperatriz D. Leopoldina, por 27 descendentes alemães e outros.
Em 1940, houve a fusão com o Clube Recreio Juvenil, interessados na mesma área, e gerou a Sociedade Leopoldina Juvenil.
Em 1946, foi inaugurada a imponente sede na Rua Feliz da Cunha.

Em 1864, na América da Norte, a França ocupa o México e impõe o arquiduque austríaco Maximiliano como imperador (o segundo império das Américas depois do Brasil).

Em 1864, na América do Sul, é constituído os Estados Unidos da Venezuela.

Em 1864, na América do Sul, atual Uruguai, como sentiinela do Sul do Império os gaúchos tomam parte na invasão do Uruguai e na derrota de Oribe.

Em 1864, no Brasil, Rio de Janeiro, Cidade Neutra, a Liga Progressista formada em 1862 por conservadores e liberais contrários ao Gabinete Caxias, se tranformam em partido.

Em 1864, em Porto Alegre, teve início a construção da “primeira Casa da Câmara. O local escolhido foi o espaço vago ao norte da Praça D. Pedro II (Matriz), dando fundos para a Rua da Ponte (Riachuelo).
Construído no estilo do Theatro São Pedro, com o qual fazia conjunto, como gêmeo.

Em 1864, em Porto Alegre, é aprovado o Regulamento Interno da Assembléia Legislativa da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, e impresso pela Typographia do Correio do Sul, localizado na Rua da Alfândega, nº 37.

Em 1864, em Porto Alegre, iniciado pelo Padre Joaquim Cacique de Barros como “Asilo para Mendigos e Decréptos Pobres” o Asilo Padre Cacique, próximo ao Asilo Santa Theresa na orla do Guaíba, junto ao Morro Santa Tereza.

Em 18 de abril de 1864, em Porto Alegre, a Polícia efetua a prisão de José Ramos, o “assassino lingüiçeiro”, junto a sua esposa e parceira Catarina Palse, na Rua do Arvoredo (atual Fernando Machado), na Cidade Baixa.
O crime que virou “lenda urbana”
- Em Porto Alegre, José Ramos e sua companheira e cúmplice atraia os incautos, que eram mortos a machadada, saqueados, picados e moídos para fazer lingüiça (aliás, “muito apreciada na cidade”).
Primeiro o casal matava forasteiros, que ninguém dava falta, mas começaram a sumir pessoas da comunidade e a notícia correu a cidade.
O crime permaneceu sem explicação até José Ramos desconfiar que um caixeiro de 12 para 13 anos suspeitava de suas atividades. Resolveu eliminá-lo. Chamou-o a sua casa com a desculpa que tinha um pedido a fazer, o caixeiro entrou, mas seu cachorro ficou do lado de fora, prescentiu o ocorrido e com uivos e arranhões na porta denunciou o desaparecimento de seu dono.
Por muito tempo “Porto Alegre não consumiu lingüiça”.

Em 01 de novembro de 1864, em Porto Alegre, foram iniciadas as obras de colocação dos trilhos de madeira para o serviço de Maxambombas.
Porto Alegre sempre foi um porto próspero, e dois comerciantes locais, o brasileiro Estácio da Cunha Bittencourt e o francês Emílio Gemgembre, abriram a linha de bondes de tração animal, puxados por mulas.

- A Linha Menino Deus foi à segunda estrada de ferro urbana no Brasil, precedida somente pela linha da Tijuca no Rio de Janeiro, capital do Império, que foi aberta em 1859.
A linha tinha saída na grade da Praça da Independência (atual Argentina) até a Praça do Arraial do Menino Deus pela rua do mesmo nome.

Em dezembro de 1864, na América do Sul, no Paraguai, Solano Lopes, presidente ditador, decide se defender atacando: - aprisionou o vapor (navio) brasileiro “Marquês de Olinda” no porto de Assunção, é o estopim para a Guerra do Paraguai, o maior conflito armado do continente.
Ao desligar-se em 1811, do Vice-Reinado do Prata, declarando independência, sem acesso ao mar e a Argentina não reconhecendo sua independência, organizou-se militarmente.
Com a campanha do Brasil contra Aguirre no Uruguai, Solano Lopes viu no conflito uma possibilidade de expansão de suas fronteiras o “Paraguai Maior”.

- Solano Lopes invadiu no final de dezembro a vulnerável Província do Mato Grosso, onde o tenente brasileiro Antônio João Ribeiro resistiu o que pode em Dourados.
Lopes pediu autorização à Argentina para passar com suas tropas em Corrientes a fim de atacar a Província do Rio Grande do Sul e o Exército Brasileiro que invadira o Uruguai, que é negado e declara guerra a Argentina.

Em 1865, na América do Norte, Estados Unidos, Washington, o presidente Abraham Lincoln é assassinado durante uma apresentação no teatro na capital federal.

Em 1865, na América do Sul, Uruguai, o Visconde do Rio Branco assina tratado de paz com pondo fim ao conflito com Aguirre.

Em 1865, na América do Sul, tem início a Guerra do Paraguai, entre o Paraguai e a Tríplice Aliança formada pelo Brasil, Argentina e Uruguai.

- Embora o Paraguai fosse menor e menos rico que o Brasil e Argentina, estavam prontos para a guerra. Tinha 64 mil homens em armas (e 28 mil reservistas), o Brasil possuía 18 mil soldados efetivos, a Argentina 8 mil e o Uruguai 1 mil.
Quarenta dias após a assinatura do Tratado da Tríplice Aliança, a Esquadra Imperial comandada pelo Almirante Barroso destrói a marinha paraguaia na Batalha do Riachuelo, a maior batalha naval das Américas.

- Em Porto Alegre, com a Guerra do Paraguai o Arsenal de Guerra, prédio localizado no início da Rua da Praia, na Ponta do Arsenal, manteve a produção de armas e equipamentos funcionando a pleno, chegando a contar com 200 operários e dezenas de aprendizes.

Em 1865, em Porto Alegre, a Praça da Harmonia que já estava novamente abandonada, por intermédio do vereador José Martins de Lima “seu fiel protetor” assumiu com o povo o compromisso de reabilitar a praça.

- Começou com uma nova arborização, mandando plantar 94 árvores.
Ao cabo de um ano a praça já apresentava novo aspecto.
- O coreto do tempo do Governador Ângelo Ferraz foi reconstruído e uma novidade incorporou-se aos novos divertimentos.

Em 1865, em Porto Alegre, foi inaugurado o Serviço de Bondes (Maxambombas), a qual foi aberta a linha entre a Praça da Independência proximo ao Centro da cidade e o Arraial do Menino Deus.

- Desde a inauguração foi um fracasso, os pequenos veículos (capacidade de 20 lugares) de tração animal corriam em trilhos de madeira, e tendiam a descarrilar quando chovia. Este veículo a vapor que puxava um carro de passageiros e que fracassou pela lentidão, enguiços e ruídos.
O povo apelidou os veículos de "Maxambombas", que era como o carioca chamava sua máquina, um pesado carro a vapor para 20 passageiros, mas aqui em Porto Alegre tem se a certeza que estes veículos utilizavam tração animal, como os bondes que o sucederam. Mesmo assim o serviço durou até 1873.

Em 1865, em Porto Alegre, foi construído o prédio do Seminário Episcopal de Porto Alegre (atual Cúria Metropolitana), em terreno inclinado (onde fora o cemitério até 1850) nos fundos da Catedral Matriz Nossa Senhora Madre de Deus, obra do arquiteto alemão Johann Grunwald (conhecido como mestre João).
O grande e imponente prédio foi concluído em 1888, com entrada pela Rua do Arvoredo (Fernando Machado).

Em 1865, em Porto Alegre, são concluídas as obras da Igreja Luterana na Rua Senhor dos Passos de frente ao Beco do Rosário (Avenida Otávio Rocha), foi demolido no século XX para construção de nova capela.

Em 1865, em Porto Alegre, é instalado na Praça do Mercado (atual Praça XV) um “chafariz” em ferro fundido importado da França para abastecimento de água a população.
Foram instalados outros “chafarizes” nas praças da cidade, em ferro ou pedra:
Praça do Portão,
Praça da Alfândega,
Praça da Caridade,
Praça da Harmonia,
Praça Dom Pedro II.

Em 1865, em Porto Alegre, o número de Fábricas, pequenas manufaturas, já eram 38, sendo sete de chapéus, seis de charutos, seis de velas, cinco de latas, cinco de caldeiras, cinco de tamancos, três de selas e um curtume, além de uma ferraria “... que fabricava “peças” para montaria e atendia aos estaleiros, ante 1853 que existiam apenas 14 estabelecimentos fabris”.   

Em 1865, quando o Brasil, lutou ao lado do Uruguai e da Argentina, na Guerra do Paraguai. Porto Alegre, capital da Província do Rio Grande do Sul era o quartel general deste conflito.

Em 10 de julho de 1865, D. Pedro II saiu do Rio de Janeiro, capital do império, rumo à Porto Alegre, de onde iria visitar o front de batalha na fronteira sul- riograndense.
A viagem durava mais de dez dias dentro de um barco a vapor.
D. Pedro e seus genros, Duque de Saxe e Conde D'Eu, visitaram vários quartéis e instalações militares no interior da província sulista, assim como de sua fronteira.

Dom Pedro II - Imperador do Brasil
Aos 39 anos - 1865

Em 19 de junho de 1865, em Porto Alegre, chega S.M. o Imperador D. Pedro II, pela segunda vez, vestido em traje gaúcho de campanha, em viagem a Uruguaiana, invadida pelos paraguaios, durante a Guerra do Paraguay.
Uma multidão o espera junto ao cais da Alfândega.

Fragata Imperial, fundeada jundo ao Guaíba - 1865

D.Pedro II chega a Porto Alegre com toda a família real para visitar o front de batalha. O dia do desembarque no Cais da Alfandega. Como se ve, chovia muito em Porto Alegre e as condições de luminosidade não eram as melhores para a época.
Foto: Luis Terragno


Em setembro de 1865, em Porto Alegre, em homenagem a comemoração Independência do Brasil, a Câmara altera o nome da “Rua da Praia” e “Rua da Graça” para Rua dos Andradas em toda a sua extensão, homenagem aos “irmãos Andrada”.

Nota:
José Bonifácio de Andrada (nasceu José Antônio de Andrada e Silva), Martim Francisco, Antônio Carlos e o Padre Patrício de Andrada e Silva, figuras importantes da Independência e da história do Brasil. Mesmo assim o povo continuou a chamar de Rua da Praia.

- A “Rua Nova da Praia” passou a chamar-se Rua 7 de Setembro, data da Independência do Brasil (1822).

Em 04 de setembro de 1865, D. Pedro II e o duque de Saxe, durante e Guerra do Paraguai, acompanhados de ajudantes-de-campo (como escreve o Coronel do 31 - Primeiro Corpo de Voluntários da Pátria em seu Diário de Campo), seguiu até o acampamento de brigada, no fronteira de Uruguaiana.

Fotografias tomadas no estúdio de Luiz Terragno em Porto Alegre no retorno de D. Pedro II do front da Guerra do Paraguai.

- A esquerda: D. Pedro II,
- No centro: Conde D'Eu (na ocasião com 23 anos de idade), marido da Princesa Isabel,
- A direita: Duque de Saxe, marido da Princesa Leopoldina. 

Estas fotografias valeram a Luiz Terragno o título de "Photógrapho da Caza Imperial" conferido por D. Pedro II àqueles fotógrafos que se distinguiam pela qualidade de seus trabalhos. 
Terragno foi o único fotógrafo do Rio Grande do Sul a receber a honraria.

Em 10 de setembro de 1865, a revista Semana Ilustrada, do Rio de Janeiro, pública uma gravura do Imperador e seu genro posando no acampamento de guerra. Como explicar que uma foto chegou do interior gaúcho até a capital do império em apenas 5 dias, sendo que apenas a viagem de navio não durava menos que 10 dias?

Na verdade as fotos foram tiradas dentro de um estúdio em Porto Alegre.
Como na época  fotos não eram publicadas, mas sim gravuras feitas a partir das mesmas, enviou-se ao  Rio de Janeiro as fotos tiradas no estúdio, ou aqui mesmo em Porto Alegre se produziu uma gravura, um tipo de "foto montagem" colocando o imperador e seu pupilo em pleno campo de batalha. (EQUIPE MEMÓRIA CARRIS)

Gravura produzida e publicada ma revista carioca, ao lado as fotos orginais no estúdios em Porto alegre.

Em 18 de setembro de 1865, no Brasil, Província do Rio Grande do Sul, em Uruguaiana (única cidade fundada durante a Revolução Farroupilha), no campo de batalha durante a Guerra do Paraguai, o comandante tenente-general das tropas da “Tríplice Aliança” Manoel Marques de Souza estava ao lado do Imperador do Brasil D. Pedro II, quando Estigarríbia (comandante Paraguaio), com seus homens esfarrapados e famintos, entregou sua espada ao Imperador, numa rendição incondicional e humilhante.

Nota:
- A cidade de Uruguaiana quis fazer um monumento ao Imperador D. Pedro II, diante do grande acontecimento, mas o Imperador preferiu que o valor do custo da obra fosse revertido à construção de escolas.

Em 29 de outubro de 1865, em Porto Alegre, o jornal Estrela do Sul, em artigo do Padre Francisco sobre: - “Devoções Populares – exaltações poéticas à vida e às orações dos marinheiros, e a proteção de Nossa Senhora nas longas e difíceis travessias oceânicas”, foi um desafio aos porto-alegrenses.
O texto relata as procissões em Salvador (Bahia), das barcas enfeitadas, das músicas e dos cânticos, e da fé vibrante dos baianos a Nossa Senhora dos Navegantes.

Em 1866, na América do Norte, Estados Unidos, é formada a Ku Klux Klan – KKK por um grupo extremista, oriundo de agricultores Brancos (caucasianos) escravagistas do Sul em perseguição aos Negros.

Em 1866, em Porto Alegre, instala-se a fábrica de cerveja do alemão Friedrich Cristoffel no Caminho Novo (Voluntários da Pátria).

- No Caminho Novo, conhecido “Rua dos Alemães”, pois o que mais se via era o comércio com sobrenome alemão, podia ser loja de ferros ou materiais para construção, tecidos, matufaturas, importação e exportação em geral, assim como oficinas de marceneiros, latoeiros, serralheiros, carpinteiros, alfaiates, sapateiros, ferreiros e ainda restaurantes e hoteis.

- Os alemães também estavam muito presentes na Rua Nova da Praia (Sete de Setembro) com grandes casas de comércio e na Rua da Praia (Andradas) especialmente com lojas de roupas e vestuário em geral. Também na Rua da Praia ficavam as redações de jornais e os livreiros, editores e encadernadores, ourives, padeiros, açougueiros, estofadores e professores.
Gente esta que certamente gostava de “cerveja”.

Em 1866, em Porto Alegre, é fundado pelo comendador Antônio Chaves Barcellos a Casa Chaves & Almeida, dedicada a importação de tecidos e miudezas por atacado.
O negócio deu tão certo que quarenta anos depois, a família era uma das mais ricas do estado.
A família integrante da elite gaúcha une dois troncos tradicionais – os Chaves e os Barcellos –, cuja história se mistura aos primórdios do Rio Grande, a base de um grande império empresarial. Quarenta anos depois a Família se tornaria a uma das mais ricas do Estado, o passo natural foi investir na indústria.

Em 1866, em Porto Alegre, capital da Província do Rio Grande do Sul, após discussões sobre a criação de um caminho de ferro entre a capital provincial, Porto Alegre, e a cidade de São Leopoldo, no Vale do Rio dos Sinos, o trajeto é resolvido, com projeto apresentado na Assembléia Provincial, é aprovado a Lei em 1867, que autorizava o Governo a abrir concorrência para concessão de uma Estrada de Ferro entre Porto Alegre e São Leopoldo ou Novo Hamburgo.
Apesar da justificativa da construção ser a necessidade de transporte para manter a prosperidade do complexo colonial, não deixaram de ocorrer debates na Assembléia. Neste sentido, e em muitos outros, esta primeira linha foi paradigmática.
Alguns defendiam o transporte fluvial já existente e, portanto, a ferrovia seria uma concorrência, além de inútil, muito cara para os cofres da província, dada as garantias de juros de 5% para os construtores ingleses (alteradas em 1871 para 7%). As garantias de juros que haviam baixado para 5% dada a intervenção do deputado Gaspar Silveira Martins (representante da campanha de instalação da ferrovia) se elevaram para 7%, o capital da companhia foi reduzido e, principalmente, especificações técnicas foram alteradas visando à economia de recursos à custa do sacrifício da ferrovia, deformando os objetivos iniciais e condenando a transformar-se numa linha de transporte lento e de baixa rentabilidade

Em 16 de abril de 1866, em Porto Alegre, inicia-se na cidade a colocação de postes e fio telegráfico, para a conexão com o Rio de Janeiro devido a Guerra do Paraguai.
, concluído em 1867, apressou-se a instalação da primeira Linha de Telégrafo, primeiro conectando Laguna, Desterro e Itajaí até o Rio de Janeiro, pelo motivo da Guerra do Paraguai.

Em 30 de outubro de 1866, em Porto Alegre, por ordem da Câmara e a opinião e o empenho de médicos locais, preocupados com a sanidade da cidade, foi importante para que fosse proibida a “coleta de água no canal do Guaíba”, que começava a ficar tão ruim quanto a das margens poluídas.

Em 02 de dezembro de 1866, em Porto Alegre, é inaugurada a Companhia Hydráulica Porto-Alegrense, projetada em Paris (França) com planta datada de 1864, pela primeira vez, a água jorra pelos canos implantados por um concessionário, com capacidade de “500 litros diários por residência”, com seus reservatórios junto a Praça da Matriz, no terreno no futuro Auditório Araújo Viana ao lado do Salão de Baile Bailanta (área da atual Assembléia Legislativa).
Vários chafarizes foram espalhados pela cidade em virtude da distância do ponto de captação no Morro da Campanhia na Lagoa do Sabão (atual Parque Saint Hilaire).

- Fontes de construção mais rebuscadas, só seriam erguidas a partir da segunda metade do século XIX, como o chafariz da Praça da Matriz, depois transferida para a Praça São Sebastião, para a construção do monumento a Julio de Castilhos, havia também o chafariz da Praça Harmonia, Praça Dom Feliciano, Praça Conde D’Eu, Alto da Bronze.
Ou os chafarizes em ferro fundido, importados da França, como da Praça Dom Feliciano e da Praça Conde D’Eu (atual Praça XV), localizado no Parque Farroupilha.

Em 19 de dezembro de 1866, no Brasil, Rio de Janeiro, por Decreto Imperial assinado pelo Imperador D. Pedro II, “suspendeu o processo eleitoral” na Província do Rio Grande do Sul até o final da Guerra do Paraguai.

- Temporariamente, a Assembléia Provincial em Porto Alegre teve seus trabalhos interrompidos, voltando a se reunir em 1970.

Em 1867, na Europa, Otto Von Bismark unifica os pequenos Estados em uma única nação, a Alemanha.

Em 1867, na Europa, é formado o Império Austro-Húngaro.

Em 1867, na Europa Oriental, Rússia, o Czar vende o território do Alasca para os Estados Unidos, por U$ 7,2 milhões.

Em 1867, na Europa, Suécia, o químico Alfred Nobel inventa a dinamite.

Em 1867, na Europa, Itália, Giuseppe Garibaldi marcha sobre Roma para anexá-la ao recém criado Reino da Itália.

Em 1867, no Brasil, Rio de Janeiro, Cidade Neutra, o Imperador D. Pedro II em mensagem para a Câmara solicita uma solução para a “Questão Servil” (Escravatura).

Em 1867, no Brasil, na Província do Rio Grande do Sul, em Rio Grande, originária de uma importadora, em 1887 a empresa passa para Martin Bromberg, para se tornar Machinas para Indústria e Agricultura Bromberg & Cia. a maior distribuidora de maquinário alemão na América do Sul, com escritórios em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Bueno Aires (Argentina) e Hamburgo (Alemanha), a empresa importava: funilarias, máquinas para fábrica de cerveja, prelos de imprensa, dínamos, motores de explosão ou vapor, motores elétricos, caldeiras, máquinas agrícolas, máquinas para fabrica de papel, máquinas de costura, telefones, telégrafos e até automóveis.
O carro chefe das vendas era as locomoveis alemãs Lanz.
Em 1916, a Bromberg transferiu para o imponente prédio na Paineira, na futura Rua Siqueira Campos, junto ao porto, Centro de Porto Alegre. Possuía também amplo trapiche às margens do Guaíba, no qual podiam atracar navios de grande calado.

Em 1867, em Porto Alegre, é inaugurado o “Telegrapho”, com a conclusão da primeira linha telegráfica, a Capital ficou conectada a Laguna, Desterro e Itajaí em Santa Catarina até o Rio de Janeiro, capital do Império.

Em novembro de 1867, em Porto Alegre, o comerciante hamburguês Alfred Schütt com mais 25 sócios a maioria de origem alemã, fundaram o pioneiro Turner Bund, Deutscher Tumverein (Sociedade Alemã de Ginástica), atual SOGIPA (Sociedade Ginástica Porto Alegre). No início somente homens podiam associar-se. Essa sociedade abrigou também o Clube de Tiro ao Alvo.
Em 1942, com a nacionalização decretada por Getúlio Vargas, a sociedade mudou de nome para Sociedade Ginástica Porto Alegre – SOGIPA.

Em 1867, em Porto Alegre, surge o Sentinela do Sul” o primeiro “jornal ilustrado” da cidade, era crítico e humorístico, com anedotário e muitas charadas.

- Este tipo de jornal estava ao gosto dos leitores da época e era uma diversão e motivo de conversas familiares e de esquina.

De 1867 a 1870, em Porto Alegre, o Grêmio Literário Rio Grandense publicou o jornal “Arcádia”, com trabalhos literários de Antônio Joaquim Dias, Apolinário Porto Alegre, Bernardo Taveira Junior, Glodomires Paredes e os irmãos Aquiles Porto Alegre, Apeles Porto Alegre.

Em 1868, na América do Sul, durante a Guerra do Paraguai, o comandante Caxias organiza o ataque final aos paraguaios, conhecido com “Dezembrada”, série de batalhas entre elas a do Itororó e do Avaí.

- Em Porto Alegre existem em homenagem as batalhas a Rua Avaí na Cidade Baixa e Rua Itororó no Menino Deus.

Em 1868, no Brasil, na Província do Rio Grande do Sul, Georg Henrich Ritter abrira a “primeira cervejaria da Província do Rio Grande do Sul”, no porão de sua casa na Linha Nova (Colônia de São Leopoldo), perto de Feliz.

Em 1868, no Brasil, na Província do Rio Grande do Sul, começa o movimento messiânico dos Muckers, liderado por Jacobina Maurer, na região do Morro do Ferrabrás, atual município de Sapiranga.

Em 1868, em Porto Alegre, a nova Usina do Gasômetro na Rua da Prainha (Washington Luis) fez acontecer, melhorando a iluminação pública das ruas, com a utilização do hidrogênio carbonado, tecnologia trazida pelo Barão de Mauá.

Em 1868, em Porto Alegre, o Partido Liberal lança o jornal “A Reforma”.
- Os jornais de Porto Alegre eram folhas pequenas e mal impressas, com tiragem e periodicamente irregulares. Eram pobres em notícias e crônicas.

Em 1868, em Porto Alegre, é fundado o Clube 20 de Setembro por Apolinário Porto Alegre, reunindo republicanos.

Em 1868, em Porto Alegre, o Partido Liberal lança o jornal “A Reforma”.
- Os jornais de Porto Alegre eram folhas pequenas e mal impressas, com tiragem e periodicamente irregulares. Eram pobres em notícias e crônicas.

Em 18 de junho de 1868, em Porto Alegre, é criada a Sociedade Parthenon Literário, na Rua de Braçança (Marechal Floriano), sob a presidência de Apolinário Porto Alegre (1844-1904) consagrou os melhores intelectuais porto-alegrenses, decisiva para o regionalismo gauchesco, durante mais de 20 anos.
Era uma tribuna para oratória, publicava revista, criou “escola noturna gratuita” para livres e escravos.
A sociedade com grandes serviços à literatura e à causa da abolição da escravatura. Possuía uma biblioteca com mais de “6 mil volumes” e um pequeno museu.
A sociedade também foi avançada em matéria política (era “abolicionista” muito antes de as campanhas ganharem as ruas) e comportamental, pois abrigava “mulheres”, que a Academia Brasileira de Letras, só um século mais tarde admitiu.

-Nos grandes saraus da sociedade brilharam muitas personalidades, como:
Caldre e Fião (1821-76),
Afonso Marques (1847-72),
Aquiles Porto Alegre (1848-1926),
Francisco Antunes Ferreira da Luz (1851-94),
Dasmasceno Vieira (1850, 1910),
Amália dos Passos Figueiroa (1845-78),
João Lobo Barreto (1853-75),
Apeles Porto Alegre (1850-1917),
Hilário Ribeiro (1847-86),
Aurélio Veríssimo de Bitencourt (1849-1919),
Teodoro de Miranda (1852-1879),
Bernardo Taveira Junior (1795-1872),
José de Sá Brito (1844-90),
Menezes Paredes (1843-81),
Francisco de Sá Brito (1808-75),
Carlos Von koseritz (1834-90),
Múcio Teixeira,
Lobo da Costa, - 138 foram os integrantes do Parthenon Literário.
Luciana de Abreu (1848-80), professora e conferencista, “talvez a primeira feminista da cidade”, emocionou a todos da sociedade ao discursar sobre o “direito das mulheres a instrução superior”.
Em 09 de novembro de 1873, lançou sua pedra fundamental no morro do Parthenon (atual bairro Santo Antônio) onde construiria sua “Acrópole” como na Grécia antiga.
Em 10 de janeiro de 1885, lançou nova pedra fundamental da sede à Rua Riachuelo.

- Sócios dissidentes criaram outras sociedades como a que editou a revista “Murmúrios do Guaíba” (1870), a Sociedade Ginásio Literário (1874) e a Sociedade Ensaios Literários (1875 a 1877).

Em 1869, na Europa, Itália, Roma é anexada ao Reino da Itália.

Em 1869, na África, Egito, é inaugurado o Canal de Suez, ligando o Mar Mediterrâneo ao Oceano Índico, plano de Ferdinand de Lesseps apoiado pela maquinaria e recursos da técnica, para encurtar a distâncias entre as metrópolis e as colônias inglesas, francesas e portuguesas da África e Ásia.
Obra iniciada em 1854, foram revolvidos mais de 14 milhões de metros cúbicos de areia e terra, mas de 25.000 operários, simultaneamente, trabalharam no momento de maior atividade, 1.600 camelos iam e vinham, sem parada, transportanto água para os milhares de trabalhadores sedentos. São 160 kms sem o embaraço de comportas, custou de 480 milhões de francos, com a inauguração do canal selou o fim dos navios a vela para viagens comerciais regulares de longo curso, reina agora o vapor.

Em 1869, no Brasil, Província do Rio Grande do Sul, o velocípede (bicicleta) que já era conhecida na Europa e nos Estados Unidos, foi reinventada como em outros lugares.
O ciclista brasileiro, Alfredo Dillon voltando dos Estados Unidos para São Leopoldo trouxe em sua bagagem uma bicicleta chamada de "Cavallo de Ferro".
Na oportunidade, Adolpho Pompílio Mabilde, ao conhecer esse velocípede, resolveu produzir um exemplar do veículo. Para isso, associou-se a Pedro Petersen e ambos montaram uma oficina em Colônia de Santa Cruz (RS) região de colonização alemã, e iniciaram a produção.

- O ano de 1869, se constitui o marco de memória do uso e “fabricação do velocípede” (bicicleta) no Brasil.

Em 1869, em Porto Alegre, é inaugurada a primeira Escola Normal.

Em 1869, em Porto Alegre, desembarca Wilherm (Guilherme) Becker, sem dinheiro, trabalha do calçamento da Rua da Floresta (Cristovão Colombo) e se muda para Linha Nova, para trabalhar na pequena Cervejaria Ritter.
Em 1878, casou-se com Elizabeth Ritter, enteada do patrão, com seu apoio volta à capital, onde abre a Cervejaria Becker na Rua da Floresta (Cristovão Colombo) que ajudara a calçar.
Em 1889, Wilherm Becker morre aos 39 anos de silicose; Henrique Ritter, filho de George H. Ritter, meio-irmão da viúva assume a gerência da Cervejaria Becker.
Em 1890, Elisabeth Ritter casou-se com Bernhard Sassen, que assumia o negócio de cervejaria da esposa, este abre outra cervejaria em 1878 a Sassen.
Em 1907, já fundidas a Becker e a Sassen produzem dez mil garrafas por dia, tinham 26 operários e um motor de 10 HP.

Em 1869, em Porto Alegre, após cinco anos de construção o novo Mercado Público Municipal, o primeiro prédio em alvenaria a ocupar um quarteirão, estava pronto, mas começou a funcionar em 1870, quando foi inaugurado o primeiro piso do atual prédio e quatro torres, localizado na Praça Paraíso (atual Praça XV).

- O prédio em estilo neoclássico, projeto do arquiteto alemão Friedrich Heydtmann e construído pelo empreiteiro Polidoro da Costa, foi consumida elevada soma de 246 contos de réis. A Câmara precisou fazer empréstimo para custear a obra.
O Mercado Público Municipal passou por modificações principais:
- Em 1912, durante as obras de ampliação ocorreu um incêndio.
- Em 1913, recebeu a construção do segundo piso.
- Em 1979, na administração do prefeito Thompson Flores, foi cogitada a sua demolição, atitude esta feita com outros prédios históricos nesta época.
- Na década de 1990, foi feita a cobertura do pátio central, gerando maior conforto, em cima da tendência da época de mesclar modernidade em ambientes antigos, com mais de 100 bancas, artigos típicos, especiarias, bares restaurante e sorveteria.

- Junto à doca na rampa do mercado havia o quiosque do Pé Rapado.

Em 1869, em Porto Alegre, a Rua Clara passa a chamar-se Rua General João Manoel.

Em 1969, em Porto Alegre, a antiga Praça do Paraízo, conhecida também como Praça do Mercado, foi organizado o espaço, ajardinado e cercado com gradil contínuo.

- Pela Câmara recebe o nome de Praça Conde d’Eu em homenagem ao herói comandante em chefe das tropas na Guerra do Paraguai genro do Imperador D. Pedro II e esposo da Princesa Imperial D. Isabel.

- Ao lado da Praça Paraízo foi instalado uma construção, em madeira, chamado: - Circo Universal, para apresentações artísticas, que permaneceu até o final da década de 1870.

Em 1869, em Porto Alegre, a Polícia proibiu a apresentação do drama “Os Filhos da Desgraça” de Apolinário Porto Alegre, porque colocava em cena os amores de uma Senhora branca com seu Escravo mulato, engajado do demônio familiar e a campanha abolicionista.
O tema da peça procurava moralizar o povo mostrando “o contato pernicioso e tão abusado entre nós dos escravos com pessoas de uma família”.

Em março de 1869, em Porto Alegre iniciava a publicação da Revista da Sociedade Parthenon Literário, com artigos dos associados e um capítulo do romance “Palmares” de Apolinário Porto Alegre.

1870

- A população de Porto Alegre cresce mais que a expansão urbana, o que ocasionou a ocupação de porões e mesmo de prédios sem condições de moradia, era uma promiscuidade entre “ricos e pobres”, intolerável na época.
Com os problemas a Câmara contratou um Engenheiro Municipal encarregado não somente do planejamento dos prédios, mas, principalmente, de obras como planos viários, calçamentos e arrumação da estrutura da cidade.

Em 1870, na Europa, Prússia, a vitória dos principados e reinos alemães sobre a França foi um triunfo do “Reino da Prússia” e de seu chanceler Otto von Bismarck.

Em 1870, no Brasil, Rio de Janeiro, capital do Império, é lançado o primeiro livro escrito no Brasil sobre o Conflito Farroupilha de 1835: - as “Memórias” de Garibaldi, escritas por Alexandre Dumas.

- Durante anos, a Guerra Farroupilha foi tema tabu, era proibido escrever sobre ela, com a exceção em 1847, o folhetim “A Divina Pastora”, do porto alegrense Caldre Fião, que mencionava o conflito.
A maior parte dos textos escritos no Sul por autores gaúchos inverte uma tendência historiográfica mundial: - “faz apologia dos vencidos.”

Em 1870, no Brasil, na Província do Rio Grande do Sul, o cônsul geral da Itália Pascale Corte, quando servira em Montevidéu (Uruguai), emitira milhares de passaportes para a Província do Rio Grande do Sul, e nesta época que surge evidência de “calabreses” em Porto Alegre, com a crise financeira da região do Prata e o desenvolvimento econômico de Porto Alegre que oferece excelente mercado de trabalho ao imigrantes italianos.

Em 1870, em Porto Alegre, a Rua da Igreja (Duque de Caxias) já contava com 121 ligações de água encanada.

Em 1870, em Porto Alegre, a Câmara aprovou artigos obrigando a todos os moradores a colocar o lixo em vasilhas, na frente de sua casa, para ser coletado por carroças da limpeza pública.
Essas carroças eram puxadas por burros com campainhas no pescoço, as quais eram soadas para mostrar que estavam chegando, somente o núcleo urbano era atendido por este serviço.

-“Também no Rio de Janeiro, foi somente em 1870 que começou a funcionar o serviço de limpeza pública, até esta época o lixo da capital do Império era depositado na orla marítima, nas ruas, quintais e córregos.”

Em 1870, em Porto Alegre, a “crítica literária” toma forma com a criação da Sociedade Parthenon Literário, eles tiveram, pois forte influência positivista, podendo assinalar o comentário de Apolinário Porto Alegre, sobre o romance “A Douda”, de José Bernardino dos Santos, e o texto “Duas Palavras sobre Literatura”, de 14 de outubro de 1874, assinado por Augusto Luiz, como os dois primeiros textos de crítica literária entre nós.

Em 1870, em Porto Alegre, no Arraial da Azenha, os moradores fazem um abaixo assinado pedindo a Câmara lampiões para iluminar a Rua da Azenha, mostrando que ela estava povoada.

Em 1870, em Porto Alegre, no Arraial do Menino Deus foram abertas as atuais ruas Gonçalves Dias, André Belo e Barão do Gravataí.

Em 1870, em Porto Alegre, em homenagem ao 39º Batalhão de Voluntários da Pátria de Porto Alegre, por determinação da Câmara, o “Caminho Novo” estrategicamente localizado as margens do Guaíba, via onde se expandiram as indústrias de Porto Alegre, é rebatizada de Rua Voluntários da Pátria, em toda sua extensão, em homenagem aos soldados voluntários na Guerra do Paraguai (muitos não eram voluntários, mas sim convocados como os escravos que eram enviados no lugar de seu Senhor ou seus filhos).

Em 1870, em Porto Alegre, é instituído o Colégio Rio-Grandense pelos irmãos Apolinário e Apeles Porto Alegre.

Em 1870, em Porto Alegre, é fundada a Irmandade de Nossa Senhora dos Marujos por:
João José de Farias, Joaquim Assumpção, Joaquim Antônio Campos, Francisco de Lemos Pinto, Joaquim de Souza Vitello e outros.
Foi encomendado ao escultor português João de Affonseca Lapa da Vila Nova de Gaia, na margem do Rio d’Ouro (Portugal), uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, ao preço de meio conto de réis.

Em 1870, em Porto Alegre, Apolinário Porto Alegre assumia a direção da revista mensal “Murmúrios do Guaíba”, que reunia a produção dos literários da cidade.

Em 1º de janeiro de 1870, em Porto Alegre, abrem-se à concorrência as bancas do novo Mercado Público da cidade.

- Os Cafés se espalham pelo Mercado Público e pela Rua da Praia, próximo a Praça da Alfândega e Largo dos Medeiros.

Em 1º de março de 1870, na América do Sul, no Paraguai, Francisco Solano Lopez, o presidente ditador, morre as margens do Aquidabã, na cordilheira de Azcurra, na luta de Cerro Corá - “Muero con mi Pátria”, suas últimas palavras, recusando-se a entregar sua espada ao General José Antônio Corrêa da Câmara, Visconde de Pelotas (futuro presidente do Estado do RGS) que coordenava as forças de vanguarda. Solano Lopez tinha vários ferimentos e não poderia resistir.
O maior e mais preparado exército das Américas está acabado.

PAZ
- Termina a Guerra do Paraguai, com sua derrota incondicional, o país ficou arrasado. Sua população de 1 milhão estava reduzida a um décimo com milhares de mortos e uma grande dívida com o Governo Imperial do Brasil. O confronto em que 21.500 aoldados brasileiros, argentinos e uruguaios enfrentará, 24 mil soldados do exército paraguaio.
Mais de 1/3 das tropas brasileiras é constituído por “Gaúchos”, inclusive velhos heróis de 1835, (Conflito Farroupilha), como David Canabarro e Antonio de Souza Neto.

Entre 1865 e 1870, Porto Alegre, durante a Guerra do Paraguai, se transforma na principal peça da rede de preparativos militares, chegam recursos do Império e a economia da cidade aquece e cresce.

- Com o fim da guerra, a cidade se expandia para a zona sul em direção da várzea da Cidade Baixa e em torno da Capela do Menino Deus.
Viajava-se de barco do trapiche no Centro até o que ficava no Menino Deus, defronte a Rua Caxias (Avenida José de Alencar), ou então de carro de tração animal pela Estrada da Várzea (Avenida João Pessoa), seguindo depois pela Avenida Princesa Isabel (Avenida Getúlio Vargas). O terceiro caminho era pela bucólica Praia de Belas, depois de atravessar a Ponte de Pedra, seguindo pela beira do Guaíba, sombreada pelos verdes chorões. (texto adaptado de Moacir Flores, Vidas e Costumes, 1994, p.135)

Em 06 de junho de 1870, em Porto Alegre, é entregue solenemente na Igreja Matriz Nossa Senhora Madre de Deus, a “bandeira do Império do Brasil” do 39º Batalhão de Voluntários da Pátria (de 1 x 0,70) utilizada pelas tropas durante a Guerra do Paraguai, até os dias de hoje guardado como patrimônio na atual Catedral de Porto Alegre. A Província do Rio Grande do Sul contribuiu com 30% das tropas durante a guerra.

Em 30 de junho de 1870, em Porto Alegre, é inaugurado o novo prédio do Hospital Beneficência Portuguesa, na Rua da Independência, em frente da Praça São Sebastião, nos Altos da Conceição, projeto do arquiteto alemão Friedrich Heydtmann, para atendimento de portugueses natos e seus descendentes.

Em 04 de julho de 1870, em Porto Alegre, a Praça do Paraíso (Largo do Mercado, atual Praça XV), passa ser denominada “Praça Conde D’Eu”, em homenagem ao Herói da Guerra do Paraguai, por determinação da Câmara que queria homenagear os heróis nacionais.
O Príncipe Gastón de Orleans, era esposo da Princesa Imperial D. Isabel e genro do Imperador D. Pedro II, foi o comandante das tropas imperiais após a saída do Duque de Caxias, por motivo de doença, durante a Guerra do Paraguai.

Em 09 de setembro de 1870, em Porto Alegre, com o afastamento da fundição do fundador o português Antonio Henriques da Fonseca, seu cunhado Manoel da Silva alterou o nome da empresa para Só & Cia., batizada pelo filho José Manoel da Silva Só.
Dizia Silva Só:
“Eu me chamo Manoel da Silva, só!”, repetia o português Manoel da Silva para distinguir-se de um homônimo também residente em Porto Alegre. De tanto falar acabou incorporando o adjetivo ao sobrenome e a sua empresa o futuro Estaleiro Só.

Em 03 de dezembro de 1870, no Brasil, Rio de Janeiro, capital do Império, é realizado a primeira manifestação aberta em favor da República, com a divulgação de um importante manifesto, lançado pelo primeiro Clube Republicano em nosso país, documento básico da fundação do Partido Republicano do Brasil.

- A propaganda a favor de uma mudança de regime político começou a ser feita devagar através da imprensa (que era “Livre” no Brasil Império), sobretudo nas províncias do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Em 1871, na Europa, França, levante da Comuna de Paris.

Em 1871, no Brasil, são colhidos 5 milhões de “sacas de café” por ano.

Em 1871, no Brasil, Rio de Janeiro, devido à escassez de mão-de-obra local, e o processo fabril atraso, os “deputados gaúchos” na Assembléia Geral votaram contra a Lei do Ventre Livre, mas foram vencidos.

Em 1871, em Porto Alegre, é inaugurada a nova Estação Telegráfica (no prédio conhecido por Forte Apache) na esquina da Rua Jerônimo Coelho, na Praça da Matriz, serviço disponível desde 1867.

Em janeiro de 1871, em Porto Alegre, a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes chega na Capital, os membros da Ordem eram dirigentes da Sociedade Portuguesa de Beneficência.
O pedido ao Padre da Igreja Nossa Senhora da Conceição (vizinha da Sociedade) para a permanência transitória num dos altares laterais foi prontamente aceito, sendo escolhido o alter de Nosso Senhor do Bom Fim.
Ao Capelão da Capela do Menino Deus foi solicitada aprovação para a permanência da imagem naquele templo, em virtude de ainda não existir capela ou igreja sob sua invocação.
O pedido foi apoiado por um grande número de portugueses e seus descendentes, residentes no arraial do Menino Deus.
A data da escolha da procissão foi escolhida para 29 de janeiro e da festa para 2 de fevereiro (na liturgia católica – Dia de Purificação de Nossa Senhora ou da Apresentação do Senhor no Templo, quarenta dias após seu nascimento).

Em 18 de janeiro de 1871, na Europa, Prússia, depois de três anos de guerras (Dinamarca, Áustria, França) e da vitória a França em 1870, um triunfo principalmente do Reino da Prússia e de seu chanceler o príncipe Otto Von Bismarck “o chanceler de ferro” resultando a “unificação da Alemanha” e a formação do II Reich.
Passando a efeméride (a data marcada) a ser festejada no “Deutsches Reich” e no ultramar como “der deutsche Tag” (o dia da alegria).

- A Alemanha constituía o império bismackiano dos “Hohenzollerns” Guilherme I e Guilherme II.
Otto Von Bismarck sua figura ereta, suas botas até o joelho, o uniforme impecável o elmo prussiano com a ponta de lança no topo, tudo isso lhe emprestava um caráter marcial, irradiava a “Preussens Gloria”, ressucitava para os orgulhos alemães a Prússia do “Velho Fritz”, de “Frederico o Grande”, esse rei impar, insigne músico, culto, um gênio militar, criador de um exército modelar e fonte daquele espírito, que até os nossos dias é denominado de “Prussiano”.

- Bismarck era o protótipo desse espírito: - “orgulhoso de ser Juncker prussiano, e de nosso lado ainda haveremos de colocar o nome junckerthun em respeito e honra”.

-Bismarck o “unificador”, organizou um complexo sistema de alianças com a finalidade de garantir a hegemonia continental alemã.

Em 02 de fevereiro de 1871, às 14 horas da manhã, em Porto Alegre, em comemoração a chegada da imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, é realizada a “primeira Procissão de Navegantes”, com missa cantada com sermão ao Evangelho pelo Reverendo Padre Bernadino Francisco Martins Gafanhoto.

Programa:
A devoção julga mencionar a os Srs. “Moradores do Caminho Novo” que tanto contribuíram para o brilhantismo desta festa pretendem levar triumphaes n’aquela rua e saudarem com girândolas e flores a procissão da imagem.
As pessoas que riverem de apresentar anjos para esta solenidade, deverão comparecer na Igreja N. S. da Conceição até a hora designada.

- Partindo em “procissão a pé da Igreja da Conceição” na Rua da Independência, seguindo pelo Beco do Barboza e Caminho Novo até a rampa do Mercado, onde será recebida a bordo da embarcação rebocada pela luxuosa lancha a vapor “Jurity”.
A devoção roga aos Ilms. Srs. Capitães e mestres de navios, proprietários e mais pessoas que possuam pequenas embarcações, tais como lanchas, escaletes, canoas, o obséquio de apresentá-las tripuladas até as 2 horas da tarde na rampa do novo Mercado, afim de entrarem em linha, no lugar que a cada uma competir, visto que todas as embarcaçõesque se apresentarem formarão duas alas e serão rebocadas por barcos a vapor. A devoção pede igualmente a todos os navios que se acharem ancorados no porto, o especial favor de embandeirarem em arco ou como lhes for possível.

- Na “procissão fluvial pelo Guaíba” ao frontear o préstito marítimo com a Praça da Harmonia, um parque do brioso 10º Regimento de Artilharia a cavalo dará uma salva de 21 tiros.

Nota:
- Quando as embarcações passaram em frente a Ponta das Pedras , nos gradis da Casa de Correção e nas muradas, os presos saudavam com muito ardor, agitando lenços e com aplausos.

- O desembarque no porto do arraial do Menino Deus será feito nos dois trapiches dos vapores Jacuhy e Monarcha, guardando a procissão a devida ordem até a Capela do Menino Deus, na Rua Caxias (atual José de Alencar), onde o Reverendo Cura Frei Caetano de Troya ocupará a tribuna sagrada, afim de digmanente ser ali recebida a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes.

A banda de música da Sociedade União-Brasileira sob a presidência do Ilmo. Sr. João Pereira Maciel, acompanhará também a procissão, tocando escolhidas peças em todo o trajecto, e obsequisamente se revzará com outras bandas de música.
A Festa de Navegantes segue após o “Te-Deum”.
Foi um grande sucesso com a presença de milhares de fiéis.

- Devoção de herança lusitana que considerava “Maria, Mãe de Jesus, a protetora dos mares”, a fé foi transmitida aos porto-alegrenses pelos navegadores portugueses, tudo dentro das tradições Açorianas e Portuguesas.

Em 20 de maio de 1871, na Europa. França, o presidente da República Adolphe Thiers enviou 130 mil soldados a capital francesa para combarte a Comuna de Paris. 20 mil pessoas foram mortas numa única semana.
No dia 28 de maio, foi a vez dos derradeiros lutadores sucumbirem ao sopé de Belleville.

Em 25 de maio de 1871, no Brasil, Rio de Janeiro, Cidade Neutra, o Imperador D. Pedro II sai em viagem internacional, e a Princesa D. Isabel assume o governo como Regente, pela primeira vez.

Em 29 de maio de 1871, na Europa, França Paris, em pouco mais de dois meses, a Comuna de Paris chegou ao fim.
A idéia de um governo operário-libertário foi duramente combatida.

Em 28 de setembro de 1871, no Brasil, Rio de Janeiro, capital do Império, numa jogada política, o gabinete Conservador do Visconde do Rio Branco, aprovou a Lei do Ventre Livre, no qual seria livre qualquer filho de escrava nascido no Brasil. A princesa Regente D. Isabel assina a nova lei.
Com isto arrancou a bandeira abolicionista dos Liberais, garantindo a libertação dos escravos em um processo lento, gradual e seguro.

Jeitinho Brasileiro:
- A Lei seria burlada de todas as maneiras, principalmente alterando a data de nascimento de inúmeros escravos, e também burlando a Lei Rio Branco que criou o Fundo de Emancipação, assim os donos retiravam os filhos das mães escravas e entregavam a instituições que as vendiam dilapidando a erário no esquema.

The railroad arrives in Porto Alegre
Em 23 de novembro de 1871, em Porto Alegre, depois de revisado o contrato com os ingleses pelo governo da Província do Rio Grande do Sul; a construção da estrada de ferro começou em novembro do mesmo ano.
A empresa concessionária foi autorizada a funcionar como Companhia Limitada Estradas de Ferro de Porto Alegre a Nova Hamburgo.

- Esta ferrovia foi contratada com o Governo da Província com o empreendedor inglês John Mac Ginity, sendo criada a empresa The Porto Alegre & New Hamburg Brazilian Railway Company Limited (1885-1905) para sua construção, a empresa tinha sua sede era em Londres – Inglaterra até 1907.
A finalidade principal da ferrovia era trazer um transporte moderno para o Vale dos Sinos e levar a sua produção a capital da província, Porto Alegre.

- A obra da ferrovia iniciou sem muitas dificuldades por ser praticamente em terreno plano, de Porto Alegre a São Leopoldo.

Em 1872, no Brasil, Província do Ceará, chega à principal cidade do Vale do Cariri o padre Cícero Romão Batista (1844-1934), ordenado em 1870.
Em 1889, as chamadas “fantasias” do “Padim Ciço” começaram a virar “milagre”.
Em 1892, o Padre Cícero foi proibido de pregar e receber confissão.
Em 1894, Roma considerou os “milagres de Juazeiro” nada além de “supertição”, ameaçando o Padre Cícero de excomunhão, se não saísse da cidade.
Em 1898, ele retornou a Juazeiro e a transformou em “cidade santa” do Nordeste. Quem ousaria enfrentar seu exército de jagunços, comandado pelo Dr. Floro Bartolomeu Costa, ou enfrentar o coronel Nogueiro Accioly, presidente do Estado deposto pelo presidente da República Hermes da Fonseca.
No século XX o “Padim Ciço” tinha se transformado no senhor absoluto do Vale Cariri.
Em pleno século XXI ainda há uma campanha em prol de sua betificação, ignorada pelo Vaticano.
O Padre Cícero era um padre que não ficava na sacristia, e por isso conhecia as misérias e crendices de sua gente. Curava doentes, encomendava defuntos, fazia rezas, um Milagreiro!
Era um homem da lei e da ordem, amigo dos coronéis (principalmente com a oligarquia Accioly), prefeito de Juazeiro, vice-presidente do Ceará, líder político da Velha República.
A fortuna também andou a seu lado, no seu testamento constavam 5 fazendas, trinta sítios e mais quinze prédios, inclusive o da cadeia de Juazeiro.
No final da década de 1920, o Padre Cícero é excomungado pela Igreja Católica.
No século XXI, consderado “santo” há uma campanha em prol de sua betificação, ignorada pelo Vaticano.

Em 1872, Porto Alegre tinha 44 mil habitantes e 6 mil moradias.

Em 1872, em Porto Alegre, é iniciada a construção do Gasômetro pela Companhia São Pedro Brazil Gaz Limited, na Cidade Baixa, junto à foz do Riacho.

Em 1872, em Porto Alegre, as corridas no Prado era o “esporte preferido do porto-alegrense”. Embora já existissem canchas retas nos subúrbios, as corridas de cavalos, grande paixão dos gaúchos, só chegam ao Centro quando foram realizadas algumas breves exibições nos Campos da Várzea (Redenção).
A febre pegaria um pouco mais tarde: - entre 1880 e 1894, abriram-se nada menos do que quatro hipódromos na cidade.

Em 1872, em Porto Alegre, é fechado o Liceu Dom Affonso (1846), substituído pelo Ateneu Rio-Grandense. Este também será fechado, inaugurando-se a Escola Normal.

- Nesta época era costume os filhos da burguesia irem estudar no Rio de Janeiro, capital do Império, em São Paulo ou na Europa.
Os baixos salários pagos aos professores e a escassez de verbas da Secretaria da Instrução Pública justificavam o que se dizia na época:
- “O governo da província não dá importância à instrução”.

Em 1872, em Porto Alegre, morre Lopo Gonçalves Bastos uma das personalidades de maior fortuna, nascido em Portugal na freguesia de São Miguel de Gêmeos Bastos, comerciante, foi vereador por 2 mandatos, foi um dos fundadores do Banco da Província, fundador da Praça do Comércio, foi ainda eleito Juiz de Paz, Juiz Municipal de Órfãos, membro da Junta para Execução do Código do processo Criminal, sendo também um grande filantropo participando de várias entidades e sociedades.
Após sua morte, a avaliação de sua fortuna só teve um concorrente o também comerciante Jaime Paradeda e sua esposa (1867), avaliado em 279.470$649.
Lopo Gonçalves deixou 236.536$500 (duzentos e trinta e seis contos, quinhentos e trinta e seis mil e quinhentos réis), distribuídos entre:
- 194.350$000 de imóveis,
-   25.850$000 de bens móveis e escravos,
-        975$500 de móveis e utensílios domésticos,
-     1.154$000 de ouro e prata,
-   13.300$000 de apólices do governo e ações.
Seu inventário só foi aberto em 1878, após a morte de sua esposa Francisca Benfica Rodrigues Teixeira, teve duas herdeiras Maria Luiza e Aurélia.

Em 27 de fevereiro de 1872, em Porto Alegre, foi celebrado contrato com Manuel de Miranda e Castro, que propôs um novo sistema de “tramway”, serviço de bondes puxado por burro até o Arraial do Menino Deus em substituição a “Maxambombas” seguindo praticamente o mesmo trajeto e também o Arraial do Parthenon.

- Primeiro Centenário de Porto Alegre – 1772/1872
100 anos

Em 26 de março de 1872, Porto Alegre comemora seu “primeiro centenário de elevação a Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais”, onde se desmembrou da Villa de Viamão, são realizadas comemorações pela cidade.

- No ano do primeiro Centenário de Porto Alegre, a cidade recebeu um grande presente do Governo Imperial, por ordem de S.M.I. D. Pedro II é autorizada a instalação de uma empresa ferro carril.
A nova empresa adotou o sistema inglês da Bond and Share (origem da palavra “bonde” no Brasil).

Em 29 de abril de 1872, em Porto Alegre, foi colocada a pedra fundamental da Escola Militar o “Casarão da Várzea”, e começou a construção nos Campos do Bom fim, o prédio inicialmente destinava-se a ser um quartel.
Em 1880, o Marechal Câmara, herói da Guerra do Paraguai, instalou a Escola Militar da Província do Rio Grande do Sul em 1880, no casarão da Várzea quando Ministro da Guerra.
A obra foi interrompida em 1878, em 1883, ficou pronta a primeira parte, e, em 1887 foi concluído, o atual Colégio Militar. Total da obra de 561:601$134 réis.
Colégio Militar de Porto Alegre onde iriam estudar os futuros presidentes da República:
 - “Getúlio Vargas, Gaspar Dutra, Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo”, entre muitas outras personalidades.

Em 19 de junho de 1872, em Porto Alegre, é fundado por Decreto Imperial, de S.M.I. D. Pedro II, uma nova companhia, Carris de Ferro Porto-Alegrense – CFPA adquiriu bondes novos de John Stephenson em Nova Iorque, EUA.

- Sete meses de obras para instalação dos trilhos de ferro, instalou novos trilhos de medidas em metro ao longo do mesmo percurso da linha anterior da Praça da Independência (atual Argentina) até o Menino Deus.

Em 1873, na Europa, Espanha, proclamação da primeira República da Espanhola.

Em 1873, no Brasil, na Província de São Paulo, houve a Convenção de Itu, do Partido Republicano Paulista, para representar os interesses da oligarquia rural de São Paulo, o movimento se amplia.

Em 1873, em Porto Alegre, é fundada a Fundição Berta pelo imigrante húngaro Emmerich Berta, no Caminho Novo (Rua Voluntários da Pátria).

Em 1873, em Porto Alegre, a Câmara Municipal comemorou seu centenário de glórias. Eram vereadores neste período:
Antônio Manuel Fernandes, José Martins de Lima, Dr. Luis da Silva Flores Filho, Manoel Soares Lisboa, João Carlos Augusto Bordini, João Pinto da Fonseca Guimarães, Dr. João Rodrigues Fagundes, Firmínio Martins de Oliveira Prates e Joaquim Francisco Dutra Júnior.

Em 1873, em Porto Alegre, o alemão Friedrich Christofel, depois de passar pelo Rio de Janeiro onde sofreu agruras da vida, chega a Porto Alegre e funda, sabe-se lá como, uma pequena cervejaria, considerada a primeira da cidade.
Em 1878, já produzia 1 milhão de garrafas (tipo barbante) com tampa amarrada, metade do total da produção gaúcha
Em 1881, vendia 2 milhões de garrafas anuais, a 160 réis a garrafa. Foi quando resolveu contratar o renomado pinto Pedro Weigartner para retratá-lo, mas queria aparecer na tela como chegara a Brasil, e como viera ao mundo – nu.

Em 1873, em Porto Alegre, o primeiro depósito de bondes da Carris de Ferro Porto-Alegrense – CFPA foi construído na Estrada da Várzea (atual João Pessoa), em frente aos Campos da Várzea ou Campos da Redenção (Parque Farroupilha) sobre o atual leito da Avenida Loureiro da Silva.

Em 1873, em Porto Alegre, surgiram as duas grandes sociedades carnavalescas:
Esmeralda (verde), e,
Venezianos (vermelho), uma rivalidade entre os verdes e os vermelhos, giraria por duas décadas. Com raízes ibéricas bem antigas.
Também se praticava na capital o Entrudo, festa de rua, em que os participantes jogavam água uns nos outros, assim como arremessavam bolas de cera e bisnagas de cheiro contra os foliões passantes.

- A sociedade mais organizada e polida abominava tais festas, mas a massa adorava.
Juntou-se o baile das músicas variadas, o entrudo com sua brutalidade, a música negra de ritmo alegre e foi surgindo o Carnaval.

- Em termos de Carnaval, a classe média buscava suas formas de diversão. Criam-se bailes de máscaras e de gala, onde eram executadas polcas e valsas. O Alto da Bronze, no início da Rua da Igreja (Duque de Caxias) e o Areal da Baronesa (entrada do arraial Menino Deus) eram núcleos de resistência da raça negra, onde preservavam e defendiam seus valores e tradições, os cultos africanos, rezas, danças e cantos, ao som de percussão (tambores, urucungo, age, machachá e sopapo).
O Entrudo (um tipo de carnaval), festa pagã, que mais animava a população, com brincadeiras de invadir as casas dos amigos e jogar água.
Por essa época, o Entrudo, da tradição portuguesa de brincar o carnaval atirando água, limão-de-cheiro e até farinha, retomou sua força, apesar de há muito proibido pela Câmara.
Enquanto a farra corria solta nas ruas, e nisso os negros eram os mais animados, a elite ia aos bailes de máscara no Theatro São Pedro.

- O panorama na Música Popular em Porto Alegre no século XIX, não difere de outras cidades do Império (Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife).
Nos Teatros, a música era utilizada como pano de fundo ou para distrair a platéia nos intervalos.
Os Saraus, nas casas ou nos pic-nics no campo, são a modas entre a elite e a burguesia, com solos de piano e canseonetas.
Nas Ruas, ambulantes, biscateiros, vendedores de sorte grande, e outros, vão se dedicar à música, executando desde modinhas e lundus a peças do teatro lírico italiano.
Nas Senzalas, o ritmo forte africano recebe influência de todas as culturas que circulam pelo país, e geram novos ritmos e músicas.
O popular o boca a boca já tem raízes e é assimilado pela população.
Nas Serenatas ou Serestas, notava-se claramente a divisão de classes:
- De um lado, seresteiros descendentes das famílias abastadas, de outro lado,
- Representantes das camadas mais pobres.
A música é parte importante desde o período colonial, pois os feitores nas lavouras obrigavam os escravos a cantarem para ver se estavam trabalhando, depois os italianos e japoneses, tinham que cantar quase interruptamente, isto também acontecia com os vaqueiros “gaúchos”.

Em 04 de janeiro de 1873, em Porto Alegre, é inaugurada a nova linha da Cia. Carris de Ferro Porto-Alegrense, ligando o Centro ao Arraial do Menino Deus, um bonde puxado não por muares, mas como a ocasião pedia por uma garbosa parelha de cavalos brancos que conduziu autoridades civis, militares e religiosas desde a Praça Independência (Argentina), junto ao Caminho da Várzea (atual João Pessoa), até o Arraial do Menino Deus.
Arraial que se ornamentou e as pessoas aplaudiram a passagem do veículo e autoridades durante todo o percurso. No dia seguinte as mulas assumiram seu lugar na história do transporte coletivo da capital.

- Para o arraial do Menino Deus foi à primeira viagem em bonde da Carris de Ferro Porto-Alegrense que começou a transportar os porto-alegrenses, início de uma Era Histórica na Capital.

- Embora fossem carros relativamente leves, abertos nas laterais, a dupla de animais precisava de reforço nas subidas. Outra parelha ficava no pé das ladeiras, ajudava a puxar o bonde até o topo e depois era levada de volta ao ponto de espera.
Era comum, os passageiros descerem para ajudar os muares, condutores mal preparados ou mulas teimosas.
Na subida da Rua da Praia entre a Rua Santa Catarina (Dr. Flores) e a Praça da Caridade (Dom Feliciano), os bondes encalhavam, pois não suportavam o peso coxilha acima.

- Os bondes tinham apelidos, o sem toldo era o “Vagabundo”, outro era o “Guaíba”, por ser grande.

- Neste mesmo ano, aconteceu uma das maiores enchentes da história da cidade e interrompeu a linha por meses.

Aristocracia no Menino Deus
O arraial do Menino Deus foi à primeira zona residencial aristocrática de Porto Alegre, composta por chácaras e vilas luxuosas. Os primeiros burgueses começaram a trocar o núcleo urbano, devido à degradação de pessoas que ali circulavam ou viviam e a falta de higiene e conservação do atual Centro de Porto Alegre.

Em 26 de janeiro de 1873, em Porto Alegre, lançaram a pedra fundamental da sede da Sociedade Parthenon Literário, seus diretores planejaram construir sua sede ao estilo do Parthenon Grego, o templo ateniense dedicado a deusa Minerva, em um ponto alto e de destaque no atual morro Santo Antônio, lotes foram vendidos para a almejada e grandiosa obra, mas nunca saiu dos alicerces, mas deu nome ao bairro Parthenon mais adiante, pois no local do dito monumento, ficou com o nome de bairro Santo Antônio e no local construído a Igreja Santo Antônio.
Nova sede foi elevada em 10/01/1885 na Rua Riachuelo no Centro.

Em 06 de setembro de 1873, em Porto Alegre, é comemorado o “primeiro centenário” da instalação da Câmara.

Em 1874, na Europa, Espanha, é restaurada a Monarquia e Alfonso II assume o trono.

Em 1874, no Brasil, Província do Rio Grande do Sul, na região do atual município de Sapiranga o movimento dos Muckers, depois de três ataques do Exército Imperial brasileiro e da Guarda Nacional, são finalmente afogados em um banho de sangue, vencida a sua resistência.

Em 1874, em Porto Alegre, começava a se transformar em uma cidade sob forte “Influência Germânica”, na arquitetura, nos costumes e na indústria, no Rio Grande do Sul “30 indústrias” eram dirigidas por alemães.

Em 1874, em Porto Alegre, Francisco Cunha criava a Associação Secreta dos Federados–ADF, da qual Apolinário Porto Alegre participava com outros republicanos que desejavam a Federação.

- A ADF publicava o jornal semanal “A Democracia”, mas terminou quando Francisco Cunha passou para o Partido Liberal a convite de Gaspar Silveira Martins.

Em 1874, em Porto Alegre, novos percursos de linhas de bonde foram abertos, um saindo do Mercado e outro da Igreja da Matriz, passando pela Várzea (atual Parque Farroupilha), neste ano ficaram prontas as ligações entre a Várzea e o Cemitério da Azenha e entre o Mercado e a atual Avenida São Pedro na Floresta.

- Nesta época eram transportados 40 mil passageiros por mês.

Em 1874, em Porto Alegre, é inaugurada a primeira Estação Ferroviária, a original era um prédio de madeira, igual ao prédio da Estação de São Leopoldo, importados da Inglaterra em módulos pré-fabricados.
A estação de São Leopoldo foi montada em 1871, a de Porto Alegre foi montado próximo a inauguração, pois havia uma dúvida quanto ao real ponto em que ela seria instalada.
Localizava-se junto a um terreno à beira do rio Guaíba, situado entre o Caminho Novo (Rua Voluntários da Pátria) e a atual Avenida Julio de Castilhos e entre as ruas da Conceição e a atual Dr. Barros Cassal.
A Estação Central de Porto Alegre (de madeira) funcionou até 1910.

Em 14 de abril de 1874, em Porto Alegre, é inaugurada a primeira etapa da Estrada de Ferro Porto Alegre – São Leopoldo data em que correu a primeira locomotiva no Rio Grande do Sul.
A cidade está em festa com a “The Porto Alegre and New Hamburg Brazilian Railway Company Limited”, chamada de Ferrovia Hamburguesa.
São Leopoldo era ponto final da primeira ferrovia do Estado, que deveria se estender até Novo Hamburgo.

- O trecho com extensão de 33,75 km quilômetros, foi inaugurado, com oito estações ferroviárias em seu percurso, saindo de Porto Alegre passando por Canoas, Esteio, Sapucaia e terminando em São Leopoldo.

- Assim inicia o fim da linha das companhias fluviais que uniam a capital Porto Alegre a colônia alemã São Leopoldo pelo rio de Sinos, uma vez que o trem diminuiu a distância por seguir em linha praticamente reta.

Em 1874, em Porto Alegre, é inaugurada a Estação Ferroviária de Gravataí, e recebeu o nome aparentemente devido à sua proximidade com o Rio Gravataí.
Em 20/12/1934, passou a se chamar Diretor Pestana, ou Diretor Augusto Pestana, homenageando um dos diretores da V. F. R. G. S.

Em 04 de novembro de 1874, noite, em Porto Alegre, a Companhia São Pedro Brazil Gaz Limited, após instalado o “novo sistema a gás de hidrogênio carbonado”, canalizado em tubulações subterrâneas, para espanto da população, algumas ruas ficaram mais claras com a troca dos lampiões de azeite por “combustores a gás”.
Em 1872, é iniciada a obra, com tecnologia trazida pelo Barão de Mauá e já utilizada no Rio de Janeiro.
Desde 1868, a Usina do Gasômetro, na Rua da Prainha (Washington Luis) já tentava melhorar o sistema de iluminação pública. Os arraiais permaneceram com lampiões de óleo até quase o final do século XIX.
Em 1911, ficaram prontas as reformas na Usina do Gasômetro.



Continua na Parte XII

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