Bem Vindo

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Não se despreza documentos oficiais ou fontes fidedignas para garantir a credibilidade; o que hoje é uma verdade amanhã pode ser contestado. A busca por fatos, dados, informações, a pesquisa, reconhecer a qualidade no esforço e trabalho de terceiros, transformam o resultado em um caminho instigante e incansável na busca pela História.

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sábado, 24 de março de 2012

Porto Alegre - 1776 à 1799 - Parte VIII (Em Montagem)

Cronologia- 1776/1799

Em 1776, em Porto Alegre, a Freguesia se transformaria em um formigueiro, 7.000 soldados circulavam entre a sede do Governo e a Laguna dos Patos, este contingente foi enviado pelo Vice-Rei Marquês do Lavradio, para expulsar os espanhóis de Rio Grande; aqui se formou o “primeiro exército luso-brasileiro”, com soldados de todas as Capitanias.
Acamparam no Largo da Quitanda (atual Praça da Alfândega), onde não havia mais lugar, era tanta gente que o próprio governador José Marcellino de Figueiredo reclamou dos gastos com os soldados:
“Come muito. Dão muita despesa”.

Em 07 de abril de 1776, em Porto Alegre, com ações planejadas pelo governador José Marcellino de Figueiredo e Bohm, a “Villa de Rio Grande” no sul da Capitania foi retomada dos espanhóis, assim como a margem direita da Lagoa Mirim e o Canal de São Gonçalo, esta foi à “maior operação bélica do Brasil Colônia”, executada pelo primeiro exército luso-brasileiro até então formado. Os espanhóis são expulsos, mas o Forte de Santa Tereza jamais foi recuperado. Hoje está em território uruguaio.

- Com a Paz, a rotina voltou a Freguesia de Porto Alegre.

Em 04 de julho de 1776, na América, no Norte, os Estados Unidos, através das suas 13 colônias inglesas do leste, declaram sua Independência da Inglaterra, depois de muita luta interna.
A França é a primeira nação a reconhecer a independência dos Estados Unidos da América.

Em 1777, no Brasil, Nordeste, acontece à grande “Seca dos três setes” que vieram a dizimar os rebanhos do Ceará e do Piauí, o que fez o português José Pinto Martins, então radicado no Ceará a se transferir para a Vila de Rio Grande, sua decisão iria mudar para sempre a história dos gaúchos. O surgimento das Charqueadas veio reforçar a “sociedade patriarcal e militarizada”.

- Vender carne seca para alimentar aos escravos do Brasil enriqueceu os senhores de terra, gado e charqueadas. O poder do dinheiro veio solidificar o prestígio das armas. Para garantir a posse da terra e o lucrativo contrabando no Prata, a Coroa Portuguesa legitimou o poder local dos Senhores da Terra, distribuindo títulos, cargos e tarefas.

Em 1777, no Brasil, na Capitania de São Pedro, para garantir a posse do Continente, conforme o Tratado de Santo Ildefonso, a Coroa Portuguesa distribui sesmarias para militares e estancieiros luso-brasileiros.
E então, foi como se não houvesse mais lugar para gaúcho, pois a “terra do muito” rápido se tornou a “terra na mão de poucos.

Em 23 de fevereiro de 1777, no Brasil, na Capitania de Santa Catarina, no Desterro (atual Florianópolis) acontece a “Invasão Espanhola” no comando do primeiro Vice-Rei do Rio da Prata D. Pedro de Zeballos Cortez y Calderon, com uma armada composta de 116 embarcações, 900 canhões e 12.000 pessoas.
Não foi possível testar o sistema de defesa com as suas fortificações em linha cruzada da Ilha de Santa Catarina, pois os espanhóis a renderam sem dar um único tiro, pois desembarcaram em outro ponto da ilha.
Na capital Nossa Senhora de Desterro (Florianópolis) foi instalado o “Governo Espanhol de Ocupação”.

Em 09 de maio de 1777, em Porto Alegre, para os camareiros (vereadores) o maior dos percalços foi de ordem financeira:
- Teriam que contribuir com sessenta mil réis para construção “futura” na linguagem da época, da ponte do Paço de Francisco Antônio, o “Chico da Azenha”, (dono do moinho (azenha) que daria nome ao atual bairro), sobre o Rio Jacarey ou Riacho (atual Arroio Dilúvio) já existia um pontilhão construído pelo próprio Chico da Azenha.
Os camaristas usaram do “Jus Sperniandi” o quanto puderam para evitar tal despesa extra. De nada adiantou. Os camareiros ainda ficaram detidos, no Pôrto (Porto Alegre), os portões da cidade foram fechados, e por 4 dias ouvindo de castigo as ladainhas de maio dos padres servos de Deus e do governador José Marcellino de Figueiredo.
Como diz a Ata da sessão da Câmara os camareiros acabaram cedendo pela pressão:

- Consta que o governador José Marcellino de Figueiredo deu “ordem bocal ao escrivão desta Câmara lhe mandasse os camarentes falar-lhes sem perca de tempo” e disse o governador aos Camareiros (Camarentes):
“Sendo nossa residência (a dos camareiros) no Arraial do Viamão, dista desta villa 4 léguas, logo obedecemos a mesma ordem. E fomos falar ao mesmo Sr. Governador e aí foi a desgraça porque nos respondeu que como era ocasião das ladainhas de maio assistíssemos a elas e sem nos dar mais audiências, dando ordem no Portão desta Villa, para não nos deixarem recolher a nossas casas e nos retém 4 dias nessa villa...”

“... no fim quais lhe fomos falar e nos respondeu que infalivelmente lhe havíamos de dar a dita quantia de 60 mil réis para não experimentarmos maior violência e por nos vermos livres dele acordaremos em se lhe dar a sobredita quantia”.

Em 1777, em Porto Alegre, é construída a “primeira ponte da Azenha” sobre o Rio Jacarey (Riacho, Arroio Dilúvio), em madeira, junto ao Paço do Chico da Azenha, ligando as áreas mais ao sul e o caminho para se chegar até a Villa de Viamão, com o dinheiro dos senhores camarentes.

- Agora chegara à vez de erguer pontes na parte central da Freguesia de Porto Alegre, sobre os vários córregos de vertentes que desciam do alto do espigão (da atual Praça da Matriz) contra a Rua da Praia (atual Rua dos Andradas).

Em 1º de outubro de 1777, na Europa, pelo Tratado de Santo Ildefonso entre Portugal e Espanha, fixou a fronteira próximos aos atuais, a Colônia de Sacramento e as Missões passam a pertencer à Espanha, mas assegurou a Portugal as terras de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro (Rio Grande do Sul), foram criados os “Campos Neutrais”, que acabaram virando uma área de contabando de gado.
Os dois impérios já haviam lutado pela região em 1704-05, 1735-37, em 1763 e em 1774-76.

Entre 1773 e 1778, em Porto Alegre, começou a construção de uma “linha de fortificação” da Freguesia, por ordem de José Marcelino não foi por acaso que os poderes da Freguesia de Porto Alegre foram instalados na parte mais alta do espigão na península, em uma Acrópole, como na Grécia antiga.

Porto Alegre Acrópole Militar
- Da mesma maneira que a Colônia do Sacramento (Uruguai), Porto Alegre nasceu com o objetivo Militar e Fortificada, seguindo as peculiaridades do terreno por ser mais econômico.
A entrada dessa zona fortificada, ou melhor, o “Portão” era o único lugar, por terra, permitido passar para entrar ou sair da cidade.
O Sr. Laureano José Dias era o chaveiro encarregado de abrir e fechar o portão, ele morava nos fundos e uma das casas do Largo do Portão, no alto do espigão na antiga Praça do Portão (ao lado da atual Praça Conde de Porto Alegre), a guarda vigia a entrada do portão; é rígido o toque de recolher, é necessário pedido de licença para entrar na Freguesia do Pôrto.
A prática desse belicoso período colonial era erguer as cidades em penínsulas, para facilitar as manobras de defesa.
A visão da freguesia do governador José Marcellino de Figueiredo tem uma clara conotação de estratégia militar.
Instalando a sede da Capitania no alto do espigão, ele controlava as duas fronteiras pelas vias da época:
- Rio Grande via Lagoa dos Patos,
- Rio Pardo, via Rio Jacuí, o inimigo não podia chegar ao sítio a não ser por água, e por água é mais fácil se defender.
Na ponta da península em frente à Ilha da Pintada, passa o canal do Guaíba. Colocando uma bateria de canhões e esticando duas correntes entre a ilha e o banco de areia, ninguém poderia subir para Rio Pardo.

Até o traçado de Porto Alegre era de inspiração militar:
- As ruas estreitas, ofereciam melhores condições para o combate defensivo.
A visão na época era de cidades abertas, mas aqui no sul ainda estavam em guerras constantes, e não havia tropas suficientes para a defesa, por isto a luta para a transferência da capital de Viamão para Porto Alegre, a fim de fixar população no Porto, e sempre que necessário este contingente iria se transformar em milicianos.
- No Fortim do governador José Marcellino de Figueiredo, dos 16 as 60 anos, todos tinham que estar armados. De acordo com a lei da época, todo o habitante era obrigado a ter no mínimo uma lança em casa, pois podia ser convocado para defender a cidade.
O inimigo espanhol estava perto, a 200 km em Rio Grande.

- Esta fortificação orientou o crescimento da Freguesia de Porto Alegre, na parte externa da fortificação estavam às chácaras que produziam trigo, legumes, frutas, leite e carne.

Em 02 de setembro de 1778, em Porto Alegre, é instaurada a primeira Escola Pública, no governo de José Marcelino de Figueiredo, sob direção do professor Manoel Simões Xavier, um baiano pardo.
A escola estava autorizada a ensinar “meninos” a ler, escrever e contar num período de seis anos. (confirmar nome)

- De 1774 a 1778, em Porto Alegre, faziam parte do quadro de professores:
- Tomás Luis Osório, Manoel Simões Xavier, José da Silva Braga, Manoel de Castro e Vitorino Pereira.

- Até este momento algumas pessoas recebiam autorização para ministrar “aula individual”. Estas pessoas davam aulas em suas casas a um aluno de cada vez e cobravam pelo trabalho.

Em 1779, no Brasil, Capitania de São Pedro (atual Rio Grande do Sul), a “Era do Couro” começaria a ceder lugar a “Era do Charque” e suas imensas charqueadas.

Em 1779, no Brasil, Capitania de São Pedro, o português José Pinto Martins, monta a primeira das cerca de quarenta “charqueadas” na região de São Francisco de Paulo (atual Pelotas) que mais que fazer fortuna e fama de Pelotas, foi o responsável pelo seu nascimento, a “fábrica de charque” José Pinto Martins e Cia. as margens do canal São Gonçalo, justo no coração da antiga “Vacaria do Mar”.

- A base do trabalho era escravo (negros africanos ou brasileiros), algumas fazendas possuíam 200 cativos, a média era de 80 escravos por charqueadas.

Em fins de 1779, em Porto Alegre, iniciam as obras da Igreja Matriz consagrada a Nossa Senhora Madre de Deus, nos Altos da Praia sobre uma parte do Cemitério da Freguesia.

1780

Em 1780, na Europa, Portugal, em Lisboa, o Marquês do Pombal é expulso do país.

Até 1780, em Porto Alegre, a única alternativa à retirada de águadiretamente do Guaíba. Também era comum ver residências senso abastecidas por água trazida por uma pequena pipa em um carro de tração de um burro, o “aguateiro”.

A Câmara autorizou a construção de duas fontes públicas:
- Uma fonte era na proximidade do “Portão” era uma fonte na esquina (das atuais Ruas Avaí e João Pessoa), aliás, em péssimo estado. Naquele ano, foi ordenado o seu conserto, o local tornou-se conhecido com o nome de Rua do Poço.

- Foi decidido pela construção de outra, mais próxima da maioria da população, onde é hoje o cruzamento das (atuais Borges de Medeiros com a Jerônimo Coelho) sendo que esta passou a ser conhecida, na época por Rua Nova do Poço.
A construção do poço da atual Rua Jerônimo Coelho não foi pacífica. Por discordar do projeto, o genioso governador José Marcellino de Figueiredo mandou modificar a obra e depois de discutir com o procurador da Câmara, Manuel Cardinal, colocou-o na prisão por duas semanas. Não seria para tanto. Tratava-se de uma estrutura simples, embora tivesse uma abóboda de madeira.

- Uma terceira fonte seria construída na zona central, no mesmo ano, em terreno de particulares, mas com acesso.

Em 1780, em Porto Alegre, o tenente Córdoba realizou o primeiro Censo, os escravos chegavam a 1/3 da população – 545 de 1.512 pessoas.

Em 1780, em Porto Alegre, está datado o registro mais antigo que se referem à existência de um local, da semaria de Antônio Ferreira Leitão. Nestas terras (atual cidade de Guaíba), estaria depois a estância de José Gomes de Vasconcellos Jardim (herói Farroupilha).

Em 1780, em Porto Alegre, as novas construções no espigão central estimularam o surgimento das primeiras olarias na baixada da várzea Sul (Cidade Baixa), foram instaladas as Olarias do Juca e do Joãozinho que deram origem a Rua da Olaria (atual Rua Lima e Silva), assim os novos prédios começam a ser construídos mais facilmente.
Conforme Coruja:
- Em épocas de cheia, barcos entravam pela barra do Riacho (Arroio Dilúvio) até a Olaria do Joãozinho, “para carregar louça e outros misteres...”.

- A administração começa a dedicar melhorias no povoado de Porto Alegre, as principais edificações começaram a serem erguidas ao redor nos Altos da Praia (Praça da Matriz), como o Palácio do Governo (1784), Casa da Junta (1773) e a Igreja Matriz Nossa Senhora Madre de Deus (1780).
Como pano de fundo dos primeiros prédios públicos foi sendo construído um grande número de “pequenas residências” como eram encontradas por todo o Império:
- Casas exprimidas umas contra as outras sem terrenos de vinte ou trinta palmos (4,40 e 5,50m) de largura. Em planta baixa tinham uma sala na frente e outra que servia de copa e cozinha nos fundos. Um estreito corredor ligava as duas e passava ao longo de algumas alcovas (quatros) sem iluminação e ventilação naturais.
No fundo havia um pequeno pátio murado onde eram feito serviços domésticos e onde ficava a senzala. Sim, porque a maioria das casas era tocada por mão de obra escrava.
As fachadas destas casas eram muito simples: uma porta e uma janela ou duas janelas encimadas por um pronunciado beiral com uma cimalha caprichosa que servia de proteção das chuvas para as paredes e transeuntes.

Em 1781, no Brasil, na Capitania de Santa Catarina, o Ouvidor e Corregedor Dr. Manoel Pires Querido Leal, na correição realizada, estabeleceu um limite aos valores cobráveis pelos cirurgiões por sua visita aos enfermos – não mais que 160 réis por visita.

Em 31 de maio de 1780, em Porto Alegre, assume perante a Câmara como novo governador da Capitania de São Pedro o brigadeiro Sebastião Xavier da Veiga Cabral da Câmara (31.05.1780-05.11.1801), nomeado pelo Vice-Rei do Brasil D. Luis de Vasconcelos Souza em substituição ao governador José Marcellino de Figueiredo, o “Patrono de Porto Alegre” no cargo durante seis anos, nove meses, e vinte e um dias exatamente, que retorna quase que imediatamente ao Rio de Janeiro.
O brigadeiro Sebastião Xavier da Veiga Cabral da Câmara foi exímio administrador e fino político.

Em 1782, em Porto Alegre, a Rua Direita (atual General Câmara), ganhou a sua ponte de madeira, devido à água que descia desde as pedras dos fundos do futuro Theatro São Pedro.

Em 1783, no Brasil, Alexandre Rodrigues Ferreira se prepara para a “primeira expedição científica” realizada por um brasileiro no Brasil Colônia, a viagem durará 10 anos.

Em 1784, em Porto Alegre, é iniciada a obra do Palácio do Governo (conhecido como “Palácio de Barro”) nos Altos da Praia (Praça da Matriz), este prédio sediou o governo da Capitania na época, do Império e início da República até ser demolido em 1896, para a construção do novo Palácio Piratini.

Em 1785, em Porto Alegre, o sesmeiro Dionísio Rodrigues Mendes, possuía 300 cabeças de gado, 12 cavalos, e 25 potros. Morava ele, com os filhos, alguns genros, todos vivendo da lavoura e da criação.
Suas terras na zona sul da Freguesia, incluíam os atuais bairros, Vila Assunção, Vila Conceição, Pedra Redonda, Cavalhada, Tristeza, parte de Ipanema, Vila Nova e Belém Velho.
Um pequeno promontório do Guaíba é chamado até hoje de Ponta do Dionísio, pois ali ficava o porto natural de sua estância.

Em 1786, em Porto Alegre, é fundada a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito na qual os negros eram maioria (em todo o Brasil havia uma irmandade do Rosário, que sempre eram de negros e se ocupava de juntar dinheiros para comprar a liberdade de quem precisasse).

Em 1789, na Europa, França, ocorre a Revolução Francesa com a tomada da prisão da Bastilha, símbolo da repressão monárquica, que derruba o regime com a prisão dos reis.
A Assembléia do Povo proclama os “Direitos Universais do Homem”.
O marco é considerado o fim do “Feudalismo” e “Absolutismo” na Europa.
Pela primeira vez a burguesia e o povo, através do agora “cidadão”, chegam ao poder de uma nação.
A Revolução era inspirada pelo “iluminismo”, com base nos seus princípios de Igualdade, Liberdade e Fraternidade, que influenciou os movimentos de independência das Colônias na América do Norte e Inconfidência Mineira no Brasil.

Em 1789, no Brasil, Capitania das Minas Gerais, em Villa Rica, ocorre à conjuração ou “Inconfidência Mineira”, para a independência da Capitania, o plano é suspenso e os inconfidentes presos, entre eles Joaquim José da Silva Xavier o “Tiradentes”.

Em 1789, no Brasil, nas Minas Gerais, Villa Rica, o delator dos inconfidentes, Cláudio Manoel da Costa é encontrado morto em sua casa, a notícia oficial fala em suicídio.

Em 21 de julho de 1789, em Porto Alegre, é organizado o Serviço de Correio, em prédio construído para esta finalidade nas esquinas da Rua da Graça (Rua dos Andradas) com Rua de Bragança (Rua Marechal Floriano).

1790

Em 1790, em Porto Alegre, foi construída uma ponte de madeira por sobre o córrego que descia do espigão nos Altos da Praia (Praça da Matriz) na Rua da Graça (nome da Rua da Praia a leste da Ladeira), e na Rua do Cotovelo (atual Riachuelo), que por isso passou a ser chamar Rua da Ponte.

- Os terrenos próximos ao Guaíba eram arenosos e alagadiços, e vários córregos desciam da Rua Formosa (atual Duque de Caxias) para os dois lados, água jorrava entre as pedras no local do atual Theatro São Pedro e a água seguia em direção a Rua Direita (General Câmara), no século XIX foi canalizado.

- Durante o mandato do governador Sebastião Veiga Cabral (1780-1801), surgiu os primeiros sinais de preocupação com o “embelezamento da cidade e a limpeza das ruas”.

Em 1790, em Porto Alegre, é concluído o prédio do Fisco conhecida como “Casa da Junta” em Porto Alegre, prédio em estilo colonial, de um piso, iniciado no governo do comandante José Marcelino de Figueiredo, pelo capitão-engenheiro Alexandre José Montanha, seu projeto foi elaborado junto com antigo Palácio do Governo.  
Em 1860, ganhou o seu segundo piso onde funcionou a Junta de Administração e Arrecadação da Fazenda Real.
Entre 1835 a 1967, abrigou o Conselho Administrativo, depois a Assembléia Legislativa.
A Casa da Junta é a única edificação em pé do início de Porto Alegre no século XVIII.

Em 02 de fevereiro de 1790, em Porto Alegre, é fundada a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, que congregavam os pardos.

Em 1791, na América, no Norte, o território do Canadá é dividido em duas províncias, uma inglesa e outra francesa com Assembléias distintas.

Em setembro de 1791, na Europa, Áustria, Viena, acontece a primeira audição da peça “A Flauta Mágica” de Wolfgang Amadeus Mozart.

Em 10 de abril de 1792, no Brasil, nas Minas Gerais, após a tortura do padre conspirador, o Vice-Rei ficou ciente do esconderijo dos Inconfidentes Mineiros, e no mesmo dia, o alferes Tiradentes foi detido e outras ordens de prisão foram levadas para Vila Rica. Todos os inconfidentes foram conduzidos ao Rio de Janeiro, com exceção do poeta Dom Cláudio Manoel da Costa que se enforcou na cadeia. Lá ficaram em celas solitárias, aguardando a sentença.

Em 20 de abril e 1792, no Brasil, nas Minas Gerais, os presos inconfidentes foram noticados de que um decreto real por ordem da rainha de Portugal D. Maria I (mãe de D. João VI) comutava as penas de morte por degredo perpétuo na África. Somente caberia a sentança de morte a Tiradentes que chamou a si a maior responsabilidade.
“Libertas quae será tamem” era o lema dos Inconfidentes Mineiros, dentre os conspirantes se destacavam:
- Freire de Andrade, comandante do Regimento de Dragões aquartelados em Villa Rica, o poeta Cláudio Manoel da Costa, os padres Rolim e Carlos de Toledo, e os doutores Álvares Maciel, Alvarenga Peixoto e Thomaz Antônio Gonzaga, o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, as mulheres Bárbara Heliodora e Maria Dorotéia e Joaquim Silvério dos Reis, o traidor.
A inssureição seria contra o Visconde de Barbacena, governador da Capitania, mas houve a traição, (Silvério dos Reis tinha dívidas, que foram quitadas).

Em 21 de abril de 1792, 11h00min da manhã, no Brasil, nas Minas Gerais, com o crucifixo a mão, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes caminhou no cortejo ladeado por religiosos da Irmandade da Misericórdia até chegar a Praça da Lampadosa em frente à igreja, onde estava a forca num patíbulo de 11 degraus, a grande multidão aguardava o desfecho.
O Alferes pediu ao carrasco que abreviasse seu suplício. Depois de rezado o Credo, a sentença foi executada. O cadáver esquartejado e suas diversas partes foram colocadas nas estradas e em locais visíveis como aviso aos pretensos revoltosos. A cabeça foi colocada em uma gaiola de ferro, suspensa num mastro fincado na Praça Central de Villa Rica, capital da Capitania.

- Além da sentença de morte incluía a difamação de seus descendentes até a terceira geração, a destruição de sua casa, o salgamento do chão e o erguimento de um marco no local, para preservar a memória infame do abominável réu, conhecido como “Tiradentes”.

Nota:
- Após a proclamação da República, o novo governo precisava se firmar, os heróis da nação eram todos do período Imperial e Colonial, sendo assim foi escolhido entre os vários movimentos contra o julgo português, um dos primeiros movimentos conspiratórios de libertação com cunho republicano, o dos inconfidentes mineiros, que teve um de seus membros, o alferes, um ato heróico, uma sentença arbitrária, sendo assim, escolhido, a história de Tiradentes foi pesquisada, desenvolvida e glorificada como o primeiro herói da República brasileira.

Em 23 de maio de 1792, no Brasil, Rio de Janeiro, foram embarcados os “inconfidentes mineiros” para o degredo perpétuo na África nas naus Nossa Senhora da Conceição Princesa de Partugal e Nossa Senhora da Conceição princesa do Brasil.

Em 1793, na Europa, França, revolucionários franceses executam o Rei Luis XVI na guilhotina e sua esposa Maria Antonieta.

Em 1794, na Europa, França, Napoleão Bonaparte é nomeado comandante-chefe do Exército.

Em 1794, em Porto Alegre, a zona compreendida pela Ponta do Dionysio, na antiga sesmaria, agora de propriedade de José Guimarães Tristeza (cujo sobrenome nome saiu à denominação do bairro “Tristeza”), já era uma lavoura próspera (através da mão de obra escrava), mas com dificuldade de locomoção, devido aos precários caminhos para se chegar ao centro da Freguesia para comercializar as mercadorias era utilizado o Rio Guaíba como rota e a Ponta do Dionysio como porto.

- Nesta época se estabeleceram 2 “charqueadas” na Freguesia de Porto Alegre:
- Morro do Cristal, na zona sul da freguesia,
- Ponta do Dionísio, na antiga sesmaria então de propriedade de José Guimarães Tristeza.

Em 1794, em Porto Alegre, surgira à Casa da Comédia, um barracão de pau a pique improvisado para diversão, no Beco dos Ferreiros (atual Rua Uruguai) em direção ao Largo.

Em 1794, em Porto Alegre, plantava-se trigo por todas as direções, a produção junto às várzeas, cresceu tanto que começou a ser exportada.

Em 22 de março de 1794, em Porto Alegre, por Ato da Câmara, no perímetro urbano, obriga os proprietários a “lajear a frente das casas”, as calçadas.

- Nesta mesma data era resolvida a construção da Cadeia Pública, localizada na curva da atual Avenida Salgado Filho (conhecida como Rua da Cadeia e depois 10 de Novembro).

Em 08 de maio de 1794, na Europa, França, Antoine Lavoisier (considerado o Pai da Química), julgado pelos Jacobinos culpado de desviar dinheiro público e de ser monarquista, foi conduzido à guilhotina.

Até 1795, em Porto Alegre, durante praticamente todo o século XVIII, só é encontrada referência a “cirurgiões militares” e aos seus hospitais, ou beneméritos como:

- O Sr. José Antonio da Silva, açoriano do Faial, verdureiro, atendendo a alcunha de “Nabos a Doze”, com a qual ficou conhecido um dos seguimentos da atual Rua General Bento Martins, fez-se popular por albergar enfermos e necessitados em casa nos Altos da Bronze, e por tirar esmolas para os presos da Cadeia Pública, aos quais distribuía uma sopa todos os domingos.

- A negra alforriada Ângela Reúna, após falecimento do “Nabos a Doze”, sua vizinha de porta, sucedeu-lhe na atividade caritativa, passando a albergar enfermos em sua própria casa, sobretudo marinheiros.

Em 1795, em Porto Alegre, consta que Antonio José da Silva Flores, açoriano das Flores, em parceria com Luis Antonio da Silva (filho de Nabos a Doze) abriu uma enfermaria a “Enfermaria da Praia do Arsenal”, a ser mantida por esmolas da população porto-alegrense.
Na época 293 pessoas contribuíram para com esta casa.
Antonio José da Silva Flores era proprietário de casas na Rua da Praia, defronte ao Largo da Forca (atual Praça da Harmonia), onde teria funcionado um modesto albergue de doentes.
Luiz Antonio da Silva, que dizem fazia pequenas cirurgias, figurou a partir de 1803, entre os primeiros dirigentes da Irmandade da Santa Casa.
Além do cirurgião e seu ajudante, contava apenas com um enfermeiro, um comprador e dois serventes.

- No final do século XVIII chega a Porto Alegre o catarinense irmão Joaquim Francisco do Livramento, membro da Ordem Terceira de São Francisco, colaborando com os modestos precursores na tarefa de proteger os enfermos recolhidos as enfermarias existentes.

Em 13 de março de 1797, em Porto Alegre, é desapropriado o terreno onde iniciaram as obras do prédio do Arsenal de Marinha, que tinha funcionado junto aos quartéis edificados desde 1774.

Em 1798, na África, no Norte, Napoleão Bonaparte conquista o Egito.

Em 1798, no Brasil, na Bahia, acontece a Inconfidência Baiana, inspirada na Revolução Francesa, tem como metas: - República, Igualdade, Liberdade.

Em 1798, em Porto Alegre, foi instituído o ensino de “gramática latina”, a Câmara autorizou o Mestre Régio capitão Vitorino Pereira Coelho a “ensinar gramática latina” pelo meio e modo mais fácil que ele entendesse.

Em 1798, em Porto Alegre, o número de habitantes saltava para 3.000 pessoas, nesta data foi oficializada a figura do “capitão-do-mato”, o caçador de escravos fujões.

Ao tempo a Câmara mandou fazer a marca “F” (de fujão) e autorizou a marcação desses fugitivos a ferro em brasa, também foi construído mais um tronco, onde o capitão-do-mato castigava os escravos fujões.

- O trabalho escravo contribuía e muito para essa expansão comercial e das lavouras, onde este era utilizado para todos os afazeres, até a comercialização das mercadorias, conhecido como “escravo de ganho”, onde vendia a mercadoria do Senhor e lhe entregava o ganho, o que fazia quase sempre de graça.

- O Negro era o sonho de consumo da época, saia caro, mas era lucrativo.

- Até o final do século XVIII, a zona urbana de Porto Alegre permanecia restrita a península, demarcada pelo Capitão Montanha, com as ruas:
- Rua da Praia (junto à margem),
- Rua do Cotovelo (Riachuelo),
- Rua Formosa (Duque de Caxias).
As ligações por terra eram difíceis havia apenas três caminhos principais:
- O Caminho da Azenha, que ligava a Viamão (pelos Caminhos da Várzea, Azenha e Estrada do Mato Grosso),
- O Caminho do Meio, também a Viamão (pelas atuais Osvaldo Aranha e Protásio Alves),
- Estrada dos Moinhos (atual Independência), sobre o espigão, que levava a Aldeia dos Anjos (atual Gravataí).

- Viamão e a Aldeia dos Anjos (Gravataí), foram os primeiros povoados que no século XX passariam a pertencer a Região Metropolitana de Porto Alegre, agora como cidades.

Em 1799, na Europa, França, Napoleão Bonaparte toma o poder, dividindo-os com Ducklos e Sieyes.

No seculo XVIII, na Europa, França, o perfumista Alexander Bourjois, dona de uma empresa de cosméticos da época, criou um pó a base de frutas vermelhas e beterraba e batizou-o de Rouge (“vermelho” em francês), no século XX é chamado de Blush (“rubor” em inglês), ainda é vendida pela empresa em uma embalagem semelhante a original.

Em 1799, em Porto Alegre, a Rua da Praia ganhou seu primeiro calçamento com pedras irregulares, valorizando ainda mais os terrenos, que na virada do século já bem caros (de 200 a 400 réis).

- No final do século XVIII, a zona urbana permanecia restrita à península, em torno da qual havia uma verdadeira zona rural de pequenas propriedades.
Com o século XIX se aproximando, havia um esforço de superação das condições de vida medievais em que se encontrava o povo, o abastecimento de água era feito diretamente do Guaíba, não havia esgoto, limpeza e iluminação, tropas e gado atravessavam as ruas para serem embarcadas ou abatidas nos matadouros.
A cidade ainda vivia praticamente sem serviços públicos.

Somente a segurança da “Freguesia de Porto Alegre” era garantida:
- Ás 09h00min da noite, no inverno e as 10h00min, no verão, o sino da Matriz anunciava o Toque de Recolher, ninguém entrava e nem saia do núcleo Fortificado sem autorização.



Continua na Parte IX

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