Bem Vindo

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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Prados de Porto Alegre





Parque Moinhos de Vento.

O Turfe em Porto Alegre

Segunda metade do século XIX

A diversão predileta dos portoalegrenses era as corridas de cavalo conhecidas por “carreiras em cancha reta”.
As carreiras de cavalos, realizadas freqüentemente no Morro de Teresópolis, representavam um momento de reunião social e festiva, no qual as mulheres organizavam piqueniques.
As carreiras envolviam apostas em dinheiro e visavam indiretamente melhorar a raça dos animais pelos criadores de cavalos.
A tradição da elite rural portuguesa na criação de cavalos foi um dos fatores que favoreceu a fundação dos primeiros hipódromos (prados) em Porto Alegre.

Quando surgiram os hipódromos, as corridas de carreiras começaram a perder espaço (Franco, 1988).
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Cronologia

1872 Inaugura-se o primeiro Prado denominado “Derby Club”, na Várzea, atual Parque Farroupilha (Lemos, 1919).

1877 Funda-se o Prado Bôa Vista, também conhecido por Hipódromo Portoalegrense, na Estrada Mato Grosso (atual Avenida Bento Gonçalves no Bairro Santana). Este empreendimento fechou três anos depois, em 1880.

1881 Constrói-se o Hipódromo Rio-Grandense sob direção do engenheiro francês Eugenie Plazollesício.

A edificação do hipódromo coincidiu com o ciclo de prosperidade do arraial Menino Deus (atual Bairro Menino Deus).

A partir de 1874, o bairro, passou a contar com novos serviços de bondes de tração animal e iluminação pública a gás.

A circulação dos bondes e o Hipódromo Rio-Grandense foram responsáveis pelo desenvolvimento do bairro Menino Deus, que inicialmente era povoado apenas por chacáras. O Hipódromo Rio-Grandense fechou em 1909, quando Porto Alegre já acumulava um número expressivo de associações de remo e foot-ball.

1891 Surgiu o hipódromo ou Prado Navegantes, em razão da expansão do sistema de bondes ao Bairro Navegantes.

1894 Depois da implantação da primeira linha de bondes no Bairro Independência foi construído o Prado Independência – também conhecido como Hipódromo Moinhos de Vento, no final da linha do bonde N. S. Auxiliadora (atual Rua 24 de Outubro). O hipódromo e a expansão do serviço de bondes na Avenida Independência repercutiu no calçamento e intensificação da construção civil.

A Rua Independência tornou-se um ponto elegante da cidade, com forte concentração de moradores abastados.

1890 É a década do auge do turfe portoalegrense, considerado um dos principais espetáculos esportivos até o iníco do novo século.

As disputas no turfe reuniam a elite portoalegrense e visitantes ilustres como Carlos Barbosa, Assis Brasil, José Montaury, Flores da Cunha, Oswaldo Aranha, Getúlio Vargas e João Goulart (Franco; Silva e Schidrowitz, 1940; Franco, 2000).

Início do século XX os espaços do turfe cedem seu lugar aos primeiros clubes de futebol em Porto Alegre, que iniciam em 1903.

O enfraquecimento do turfe está relacionado à transição para um novo modelo de sociedade.

O turfe era uma prática restrita as elites rurais frequentadoras dos hipódromos, que retratavam uma sociedade colonial e arcaica.

O turfe passou a ser associado ao atraso de Porto Alegre, que desejava tornar-se uma cidade moderna, tendo como referência a capital do Brasil – Rio de Janeiro na época e cidades européias.

O futebol estava associado à modernidade. As associações de remo também disputam um espaço significativo com o turfe no âmbito das representações sociais.

1959 O Hipódromo Moinhos de Vento transfere-se para o Bairro Cristal, adotando o nome de “Jockey Club do Rio Grande do Sul”.

A construção do novo hipódromo, popularmente chamado de "Hipódromo do Cristal”, devido a sua localização no Bairro Cristal, teve o apoio da “Associação Protetora do Turf”. O “Jockey Club” praticamente eliminou as carreiras em cancha reta, mesmo porque, estas não poderiam acolher um grande público.

Em Porto Alegre organizou-se corridas a moda inglesa com a fundação da Sociedade Protetora do Turfe.

Devem ser mencionadas duas sociedades turfísticas com matriz cultural luso-açoriana que existiram nos primórdios do turfe portoalegrense organizando corridas:

- O Derby Club, com sede geografica na Varzea da Redenção, fundado em 1872 e perdurando até o final do século XIX, (cf. Pimentel, 1945, p113),

- A Associação do Prado Navegantes, fundado em 1891 e funcionando até 1906 (cf. Franco (2000, p. 59) e Werner (2001, p. 62)

A atividade turfistica em Porto Alegre ganhou impulso com com uma sociedade (inicialmente chamada Turf Club) que organizava carreiras no Prado Riograndense, - inaugurado em 1881 e reinaugurado em 1891.

Desde 1894, já se noticiava corridas nos Moinhos de Vento, no chamado Prado Independência, no local que mais tarde seria oficializado como Hipódromo dos Moinhos de Vento (cf. Franco (1993, p. 101; 2000, p. 59); Ribeiro (1944, p. 26-7 e 57); Rozano (2001, p. 54)).

A harmonia entre as entidades durou pouco tempo e a fusão entre os clubes promotores, surgiu como a única alternativa capaz de superar a crise do turfe porto-alegrense, o Derby Club, com sede no prado Independência.

De duração efêmera, posto que elementos descontentes reabriram os hipódromos do Menino Deus (onde se organizou o Turf Club) e do Partenon (Boa Vista) com o nítido propósito de combater o Derby Club.

- Não se conformando com a situação, José Joaquim Silva de Azevedo, tratou de organizar uma nova associação turfística convocando cidadãos de alta representatividade no meio empresarial, político e desportivo. Fundou assim, em 07 de setembro de 1905, a Associação Protetora do Turf que, em 03 de novembro teve sua corrida inaugural no Hipódromo Independência que foi posteriormente denominado de Moinhos de Vento.

Já no ano seguinte o prado desta sociedade passou ao Prado Moinhos de Vento, onde foi disputado o segundo Prêmio Bento.

A sede social da Sociedade Protetora do Turfe localizava-s na Rua Andrade Neves, local em que, em reunião realizada em dezembro de 1944, foi alterado o nome da Sociedade para o de Jockey Club do Rio Grande do Sul, presidia a entidade Cneu Aranha.


Sede na Andrade Neves


A área do Moinhos de Vento passou, assim, à Prefeitura de Porto Alegre, que a transformou no
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Prado Boa Vista, Hipódromo Portoalegrense, na estrada do Mato Grosso (atual av. Bento Gonçalves) com Rua Vicente da Fontoura.
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Prado Navegantesque ficava na atual Rua Lauro Muller.


Prado Riograndensesituado na antiga Rua 13 de Maio (atual Avenida Getúlio Vargas), onde funcionou o Parque de Exposições Menino Deus e agora é área ocupada pela Secretaria da Agricultura do estado do Rio Grande do Sul.
Foi no Prado Riograndense , em 1909, que disputou-se o primeiro Grande Prêmio Bento Gonçalves, organizado pelo Cel. Caminha, e com auxílio do governo do Estado, então exercido pelo governador Carlos Barbosa. Competiram animais locais e estrangeiros , sendo vencido pelo uruguaio Aguapehy .
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O campo no fundo a direita é o Prado Riograndense - década de 1900
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Já no ano seguinte o prado da sociedade Derby Club passou ao Prado Moinhos de Vento, onde foi disputado o segundo GP Bento Gonçalves.
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O grande telhado que se eleva a direita é o local até 1909 era o Prado - 1915
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Feira do Menino Deus, no local do antigo Prado Riograndense
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Prado Independência, antigo Hipódromo Moinhos de Vento,  localizado no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. 
Na baixada, onde atualmente se encontra o Parcão.
Inaugurado em 1894, era o melhor dos quatro prados da capital, elegante, espaçoso e com uma pista de 1.000 metros. 

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Sociedade Derby Club no Prado Independência - 25.05.1904
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No ano de 1909 os outros 3 Prados concorrentes já haviam fechado suas portas.
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Década de 1920
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Em 1959 a sociedade que mantinha esse hipódromo tranferiu-se para o terreno do bairro Cristal, onde até hoje está o Jockey Club do Rio Grande do Sul.
A entrada principal do Hipódromo era na própria rua 24 de Outubro, servida pelos trilhos de bonde da linha “N. S. Auxiliadora”, que, em dias e horários de corrida, mudava o nome para "Prado". Cocheiras e dependências de tratadores ficavam próximas da pista, num arremedo de ‘vila hípica’ onde várias famílias moravam. Hoje, os mais novos que correm pelo ‘Parcão’ nem sabem que existiu ali um hipódromo vibrante, pequeno, que, para completar corridas de maior distância, tinha de dar voltas passando pelo pavilhão várias vezes, até a chegada final. Ali se disputavam grandes prêmios do turfe gaúcho, dentre eles o GP “Bento Gonçalves”, famoso em todo o país. E se apresentavam cavalos, como a famosa égua ‘Corejada’, do Studio Arado, de Breno Caldas (dono do Correio do Povo), montada pelo grande jóquei Antonio Ricardo.
Naquele tempo a partida não era mecânica. O starter tinha de ficar de olho vivo para o alinhamento enquanto os cavalos, muitas vezes indóceis, se mexiam à vontade chegando a atravessar a fita. Ela era reerguida, mas atrasando a partida do páreo. O jóquei Armando Reyna tinha uma tática: ele se posicionava um pouco atrás, na largada. Quando intuía que o starter estava prestes a levantar a fita, arrancava forte e passava pelos adversários ainda parados. Levantando poeira, aos gritos de ‘pega na cola’, torcedores de Reyna assistiam a largadas inesquecíveis.
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Domingo no Prado
Era muito fácil ir ao Prado nos anos 1940 e 1950. Pelas grades vazadas de ferro da rua 24 de Outubro viam-se os apostadores formando filas nos guichês de apostas, a menos de cinquenta metros de distância da calçada. Via-se também a entrada do Pavilhão Social do Jockey e os caminhos que levavam ao paddock. As corridas eram realizadas aos sábados e domingos. E, se não era um dia de grande prêmio, grupos de amigos e amigas podiam, sem problemas, entrar sem filas e se aboletar nos bancos de madeira do Pavilhão Social do Jockey, ver duas ou três corridas e, depois, passear pelo bairro dos Moinhos de Vento ou fazer outros programas. Era tudo muito perto.
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Início do século XX
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O Grande Prêmio Protetora do Turfe no hipódromo do Moinhos de Vento, levava sempre um grande público ao evento. A prova é disputada tradicionalmente no dia 7 de setembro, data da fundação da entidade pioneira de corrida de cavalos em Porto Alegre, a Sociedade Protetora do Turfe, fundada em 1905.
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Herma monumento ao Cel. Caminha
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Herma em homenagem ao Cel. Caminha, atual Comendador Caminha, este monumento foi transferido do Prado Moinhos de Vento para o Hipódromo do Cristal.
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Tribuna - Década de 1920
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Década de 1920
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Visita do Presidente da Província Getúlio Vargas a tribuna do Prado - década de 1930
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Em 1944, na gestão de Cneu Aranha, foi realizada uma assembléia geral extraordinária e a Associação Protetora de Turf, passou a se chamar de Jockey Club do Rio Grande do Sul, com jurisdição para captar apostas em todo o nosso Estado, excetuando-se nos municípios que possuem Jockeys Clubs com carta patente fornecida pelo Ministério da Agricultura.
Em 1959 a sociedade que mantinha esse hipódromo tranferiu-se para o terreno do bairro Cristal, onde até hoje está o Jockey Club do Rio Grande do Sul.
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Hipódromo do Cristal, Jockey Clube do Rio Grande do Sul, em 14 de Janeiro de 1945 foi feito o lançamento da Pedra Fundamental.
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Hipódromo Moinhos de Vento - 1959
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Na primavera de 1959 foi corrido o ultimo páreo no antigo Prado dos Moinhos de Vento, vencido pela égua Tributada, montada pelo jóquei Nereu Severino.
A área do Prado Moinhos de Vento passou, assim, à Prefeitura de Porto Alegre, que a transformou no Parque Moinhos de Vento.
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Aterro e terraplanagem
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Construção das prédios e arquibancadas do Jockey Clube RS
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Vista das obras
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Em 1959 foi mudado o local de corridas para o Hipódromo do Cristal. A primeira prova lá disputada foi um páreo comum, vencida pelo animal Duelo, com o jóquei Mário Joaquim Rossano.
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Tribuna
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1ª Corrida no Cristal - 1959
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O Hipódromo do Cristal  está localizado às margens do Rio Guaíba, no bairro Cristal, zona sul de Porto Alegre.
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Obra concluída - 1959
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Com a saída do Jockey Club do bairro Moinhos de Vento, no final dos anos 50, a nova sede do clube foi construída na área onde antes se localizava uma hospedaria para imigrantes do governo do estado. A hospedaria já vinha sendo utilizada como quartel de treinamento para montaria desde que Bento Gonçalves trouxe a Brigada Militar para a antiga construção.
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A hospedaria já vinha sendo utilizada como quartel de treinamento para montaria desde que Bento Gonçalves trouxe a Brigada Militar para a antiga construção.
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Considerada uma obra-prima na época de sua inauguração, em 1959, depois de cerca de dez anos de obras, exigindo aterro de um trecho da margem do rio Guaíba. Os prédios foram desenhados pelo arquiteto uruguaio Roman Fresnedo Siri . As arquibancadas, de frente para a pista estão em tres pavilhões. O pavilhão da direita é conhecido como pavilhão popular. O central ou social é destinado aos sócios do Jóquei e a jogadores mais tradicionais, é também aonde funciona as apostas ministradas pela multinacional espanhola ligada ao turfe, a Codere. Já o da esquerda, denominado pavilhão Padock é aberto ao público de modo geral, e é o menor de todos. Lá também se localiza a cabine de imprensa. A área total do Hipódromo do Cristal é de 59 hectares, sendo que a Vila Hípica ocupa aproximadamente 18 hectares.
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Vista - década de 2000
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Na noite de 26 de outubro de 1965, na gestão do presidente Fernando Jorge Schneider, foi inaugurada a ilumunação para corridas noturnas no Hipódromo do Cristal.
Dimensões da pista
Sua principal de areia, com perímetro interno de 1928m , e sua pista de grama tem 1780 metros.

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Hoje, os pavilhões do Hipódromo do Cristal estão tombados pela Prefeitura Municipal “motivado pelo reconhecimento da qualidade de seu projeto, que utiliza com maestria o repertório da arquitetura modernista com a escola carioca” (palavras do arquiteto Flávio Kiefer).
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Bar Demétrio
Em Porto Alegre existiu o bar Demétrio, que ficava a duas quadras do Jockey Club do Rio Grande do Sul, onde está hoje o Parque Moinhos de Vento, popularizado como 'Parcão’. O hipódromo era pequeno, mas central. Foi substituído pelo atual, moderno e longe do centro.
O bar ficava na rua 24 de Outubro, artéria movimentada que unia a avenida Independência, que começava no centro até chegar à praça Júlio de Castilhos. A turma que frequentava o Demétrio era gente ligada ao Prado. Tratadores, jóqueis, cavalariços, jornalistas, submundo do turfe e garotada de classe média do bairro. Os filhinhos de papai bebiam cuba libre, mistura de rum e coca-cola com pedras de gelo, em copo alto. Os que tinham menos grana tomavam cachaça com coca-cola, apelidada de ‘Samba’. Pela cor não se distinguia uma da outra. E ninguém era humilhado. Teve até uma marchinha de carnaval que dizia: ‘Vamos tomar / Assim / ‘Samba’ em Berlim / Bim bim / Eu levo a cana / E você a coca’.

2 comentários:

  1. Meus parabéns pelo seu trabalho!
    Abraço
    Telmo Kotlhar

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    1. Ótimo documentário o mais completo que achei sobre o tema.
      parabéns
      Paulo Natividade

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