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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Exposição Farroupilha - 1935

Centenário da Revolução Farroupilha 
1835/1935
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Grandiosa
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Cartaz da Exposição
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Sexta-Feira, 20 de Setembro de 1935
Jornal do Brasil
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Os preparativos para Exposição iniciaram um ano antes, quando também ocorre a indicação por parte do interventor Gal. Flores da Cunha, de Alberto Bins, Prefeito de Porto Alegre, para Presidente do Comissariado Geral da Festividade. 
A Exposição conta desde o início com o empenho do Centro de Indústria Fabril e a Federação das Associações Rurais, revelando-se um grande sucesso para época.
Em 1935 nas origens do Parque Farroupilha (antigo Campos da Várzea ou Redenção) de Porto Alegre, durante a Exposição em comemoração aos 100 anos da Revolução Farroupilha.
Foi uma grande Feira Internacional, onde cada estado brasileiro tinha um pavilhão que mostrava um pouco da sua história, costumes e seus produtos.
O prefeito, à época, levando adiante os planos de Agache, arquiteto francês que planejara as obras urbanização da cidade, preparando-se para ser sede da Exposição, aprova a construção daquele será o maior Parque da cidade, denominado Farroupilha em 19 de Setembro de 1935, um dia antes da inauguração da Exposição.
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Várzea da Redenção, antes da Exposição - 1935
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A Exposição, que durou meses, só teve seus prédios, construídos em estuque, desmontados a partir de 1939 quando também foi construído o Estádio Ramiro Souto. Permaneceu o pavilhão do Pará, que sediou a Divisão de Parques e Jardins, até ser destruído pelo fogo em 1969, juntamente com todo o arquivo e memória deste serviço municipal. Para as comemorações do centenário da Revolução Farroupilha, toda a parte sul do campo foi drenada, nivelada e urbanizada, seguindo um projeto do urbanista francês Alfred Agache.
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Construção da Exposição - 1935
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O estilo utilizado para a construção da exposição foi o estilo Art'Deco.
Em 1935 a denominação da Várzea foi alterada para Parque Farroupilha, que se mantém até hoje, o parque perdeu uma fração com a construção do Instituto de Educação General Flores da Cunha junto à avenida Oswaldo Aranha.
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Vista Aérea da Exposição, antes da inauguração
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Vista Aérea da Obra, o lago de 21.000 m3, para passeios e a ilha em frente ao Cassino
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A Inauguração Imponente
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Os preparativos para a comemoração do centenário da Revolução Farroupilha em 1935, iniciados em 1934, inaugura em Porto Alegre, um evento de proporções gigantescas.
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 Presidente Getúlio Vargas na Exposição do Centenário Farroupilha.
O presidente aparece de cartola, bem ao centro da foto - 1935
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Fonte Luminosa e o Eixo Monumental
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Auditório, com a Concha Acústica, no formato do Auditório Araujo Viana na praça da Matriz
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Pavilhão da Indústria Estrangeira
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Marcado pela diversidade, a exposição foi um superespetáculo, com uma grande estrutura e mostras de produtos industriais e agrícolas, obras de arte, livros, jornais e até achados paleontológicos. Antes de montá-la, foram feitas escavações, drenagem, abertura de avenidas e calçamento. Só de aterro, numa área de 25 hectares foram colocados 135 mil metros cúbicos.
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Eixo Monumental, nota-se a bandeira do Reich Alemão no canteiro lateral
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As comemorações foram um marco histórico em Porto Alegre. Uma festa inesquecível, marcada pela grandiosidade. A exposição do centenário foi realizada entre os dias 20 de setembro de 1935 e 15 de janeiro de 1936, no local até então conhecido por Várzea ou Campo da Redenção e, a partir de então, chamado de Parque Farroupilha. Conforme Margaret Bakos, visto por outro ângulo, decorre em função do papel dos parques como espaço de lazer, impulsionando um número crescente de áreas verdes entre 1928-1936.
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Brasão do RS
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Ao idealizar a exposição, o governo do Estado teve dois objetivos oficiais: marcar os cem anos da Revolução Farroupilha e festejar o ingresso do Estado em uma época de modernização e desenvolvimento.
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Catálogo da Exposição
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Em 1935, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul promoveu a comemoração do "Centenário Farroupilha" através de uma grandiosa exposição industrial e agrícola realizada sobre a área da então chamada "Várzea da Redenção", em Porto Alegre. Conciliando a arquitetura efêmera de seus pavilhões com alguns elementos permanentes do futuro Parque Farroupilha construídos na mesma oportunidade, a Exposição do Centenário apresentou-se como o principal símbolo da modernidade possível e desejável para o Estado, em um período de profundas transformações para a sociedade brasileira. Amplamente apoiada em recursos tecnológicos, como a deslumbrante iluminação noturna dos espaços e pavilhões do evento, e conduzida por uma bem informada retórica "déco", a Exposição articulou um notável conjunto arquitetônico e urbanístico que sintetizou uma visão de modernidade comprometida com a tradição neoclássica, provocando um impacto visual sem precedentes sobre seus contemporâneos. A avaliação preliminar dos dados da Exposição verificou a existência de um aparente paradoxo entre a sugestão de unidade transmitida pelo conjunto dos elementos da mesma e a manifesta diversidade estilística exibida por uma arquitetura reveladora de diferentes filiações e influências. 
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A análise inicial do material, no entanto, constatou a produção recorrente de uma arquitetura gerada por um restrito conjunto de opções tipológicas assemelhadas, formando uma espécie de "família" basicamente polarizada em torno de um único tipo e suas variações, e expressando uma estabilidade formal tão categórica que inevitavelmente obriga a uma reflexão sobre o tipo de sociedade que a produziu. Inserida na fase moderna do ciclo das Grandes Exposições Universais, a Exposição Farroupilha apresentou, no entanto, um perfil conservador, mais identificado com as limitações e contradições de suas congêneres do século anterior do que com o debate dos rumos da arquitetura moderna estabelecido no âmbito das mesmas ao longo do século XX. Além disto, a opção pelo emprego maciço de uma arquitetura modernizante de caráter conservador no contexto de um evento tão representativo quanto a Exposição Farroupilha, pode ser também reveladora da postura então vigente no Estado em relação ao debate da modernidade que, de resto, já atingira os principais centros culturais do país em meados da década anterior. Entretanto, a possível fragilidade de uma visão regional pretensamente limitada do processo de transição então em curso poderia, ao mesmo tempo, indicar os termos de um caminho próprio para o modernismo no Estado, pavimentado pelo conhecimento das correntes originais formadoras do racionalismo arquitetônico próprio do movimento moderno. Neste trabalho, constatou-se que, embora efêmera, a arquitetura produzida para a comemoração do Centenário Farroupilha constitui um testemunho consistente das origens de um possível "caminho riograndense para a arquitetura moderna", percorrido através de um conhecimento inspirado e bem informado, tanto das manifestações protoracionalistas do "novecentos", como, por exemplo, o movimento da "Secessão" austríaca, quanto das correntes não ortodoxas da arquitetura moderna, como os movimentos expressionista e futurista das primeiras décadas do século XX.
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Vista geral do Parque Farroupilha
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Pórtico de Entrada
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O Grande Cassino de frente para o lago e a ponte de acesso a ilha e belvedere
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 Prédio do Cassino
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 Pavilhão da Cultura
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Foram ocupadas 13 salas da Escola Normal Flores da Cunha com 204 expositores, composto de 13 secções: História, Geografia e correlatos, História Natural, Instrução Publica e Particular, Ciências, Letras e Artes, Livro Rio-grandense, Imprensa, Estatística, Correios e Telégrafos, Arquivos Particulares, Filatélica e Numismática, Desportos, Vias de Comunicação e Militarismo
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Pavilhão da Indústria Estrangeira
com 2.000 m2, com 177 expositores
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Pavilhão da Indústria Riograndense
de 14.000 m2, com 905 expositores
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O Pavilhão da Pecuária em número de 11, abrigavam 287 mostruários de equinos, suíno, bovino, ovino e aves, dedicando parte desses locais para os expositores estrangeiros.
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Infra-estrutura
Com o objetivo de proporcionar maior confraternização entre os participantes, construiram-se o Cassino, Restaurantes, Galpões para Festas e Jogos com infra-estrutura de Sanitários, Serviço Telefônico, Telégrafo e Correios.
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Parque de Diversões
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Pavilhão da Víspora (atual jogo de Bingo)
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Tobogã no Parque de Diversões
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Embarcadouro, para barcos a remo (atual Café do Lago)
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Vista Aérea
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Pavilhões dos Estados Brasileiros
Foram construídos pavilhões para apresentação dos estados brasileiros, sua história, costumes e 
desenvolvimento, 8 estados estiveram presentes, fora as delegações estrangeiras.
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Pavilhão de São Paulo, junto ao lago
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Pavilhão de Pernambuco
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Pavilhão de Santa Catarina
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Pavilhão do Paraná
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Pavilhão do Pará e do Amazonas
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Pavilhão do Distrito Federal (na época o Rio de Janeiro)
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Pavilhão de Minas Gerais
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A Exposição à Noite
Na Exposição Farroupilha, foi utilizado os mais modernos efeitos em neon e iluminação para impor  a grandiosidade da exposição e do estado do RS, bela não só durante o dia mas também a noite,  foram utilizadas 28.289 lâmpadas, enquanto na iluminação pública de toda a cidade de Porto Alegre, naquela época, eram empregadas 4.482 lâmpadas.

Pórtico Monumental
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Fonte Luminosa
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Fonte Luminosa no centro da Exposição
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Cassino Iluminado
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Teto do Cassino
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Pista e Palco de Shows do Cassino
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Salão do Cassino
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Pavilhão da Agricultura
com 1.000 m2, com 778 expositores
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Concha Acústica,
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 Concerto noturno da Banda Municipal de Porto Alegre, no auditório da exposição,
a orquestra, no momento da foto, interpretava uma obra de Mozart.
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Credencial
O cartão de acesso permanente ao cassino de Júlio Gatti.
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porto alegre e sues eternos intendentes

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porto alegre e sues eternos intendentes

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IHRGS - A Exposição o Motivo e sua Realização

porto alegre e sues eternos intendentes

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IHRGSEm 20 de setembro de 1935 inaugura-se na cidade de Porto Alegre a Exposição do Centenário Farroupilha. Em comemoração ao centenário do decênio farrapo, esta exposição é financiada pelo poder público e realizou-se na chamada Várzea ou Campo da Redenção, que ainda hoje é conhecido como Parque Farroupilha por conta da exposição ali realizada. Esta exposição foi amplamente divulgada pelos jornais da capital e teve apoio não só do governo estadual, mas também de outras instituições como A FARSUL, o Centro da Indústria Fabril e o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.
            Em 1838 é fundado no Brasil o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, sob os auspícios do Imperador e de influência francesa. O instituto deveria se dedicar à escrita da história do país, num processo simultâneo de construção desta história e de afirmação do papel do estado como criador e garantidor de nossa nacionalidade. Quase um século após a fundação do IHGB, surge no Rio Grande do Sul instituição similar e com propósitos similares.
            O IHGRS é fruto de sucessivas tentativas frustradas empreendidas desde 1855 entre a intelectualidade riograndense. Sendo fundado definitivamente em 1920, o IHGRS seria o órgão legítimo da mentalidade riograndense, contando com o apoio moral e material do estado. Aurélio Porto e Emílio Fernandes de Souza Docca conduzem pesquisas sobre a Revolução Farroupilha e tornam-se membros ativos do Instituto. Intelectuais como Othelo Guimarães Rosa, Walter Spalding e Leonardo Macedônia tornam-se sócios do IHGRS após 1930. Neste período os membros passam a produzir artigos e trabalhos sobre a Revolução Farroupilha que serão o aporte historiográfico do período.
            Ademais, com a criação do Instituto a História estava mais uma vez a serviço da política de forma direta e imediata. Ainda utilizando o trabalho de Ieda Gutfreind, o nacionalismo ascendente e o esforço de grupos políticos gaúchos em se lançarem à liderança nacional fez com que a História fosse tomada de escudo e bandeira. Para Othelo Rosa uma das funções do Instituto e seus intelectuais diante da proximidade da Exposição do Centenário era a “reabilitação da memória do farrapo, para imprimir à comemoração que se aproxima um sentido superior”.
            Além disso, a instituição deveria ser o lugar privilegiado para o culto do passado e para assegurar  a regeneração da “consciência nacional”. Elíbio nos informa que as sessões em que se admitiam sócios eram comemorações festivas onde o intelectual expunha suas idéias sobre o ofício de historiador, as finalidades da história e o culto aos objetivos do Instituto Histórico.
            Para a construção desta história os elementos simbólicos avocados e os sentimentos mobilizados não são escolhas arbitrárias, estando vinculados a tradições cujas raízes se encontram no passado das comunidades.  Portanto, a escolha da Revolução Farroupilha e de seus heróis não é arbitrária.
            Durante a proclamação da República, a propaganda utilizou a revolução como modelo do qual poderia se tirar as melhores regras de conduta moral a serem transmitidas às gerações presentes e futuras. Ressaltou ainda seu caráter republicano e a luta pelo federalismo. No período aqui estudado uma das principais evocações da revolução será seu caráter nacional como formador não só de uma identidade, mas principalmente como luta pelos ideais nacionais.
            Num primeiro momento, o gaúcho herói simbolizava o homem do campo contra o citadino, expressando a ideologia então plenamente dominante do estancieiro vinculado ao complexo pecuário.  Para Daysi Albeche, no contexto histórico da República Velha o gaúcho é associado aos ideais da epopéia farroupilha onde o culto aos gloriosos farroupilhas é homogeneizado como modelo de união e coesão da raça, de unidade moral e mental. Neste período faz-se importante também congregar o Rio Grande a realidade nacional, na luta para alcançar o poder e legitimar esta posse. É preciso demonstrar historicamente a identidade brasileira do estado sulino. Assim, a história é o instrumento utilizado para esta tarefa. Na década de 20 esta idéia acentua-se especialmente com o avanço do movimento Modernista e tem forte ligação com a literatura. Ressalta-se também a atuação de Aurélio Porto resgatando fatos da Revolução através de pesquisas realizadas com apoio estadual aos Arquivos Nacionais.
            O certame, a se realizar, é assim descrito por Mário de Oliveira, secretário geral da Exposição em discurso na rádio P.R.H.2 em 5 de agosto de 1935:
Este certame, de caráter nacional, vai ser um acontecimento que marcará época na América do sul. Em pleno coração de Porto Alegre, ocupando um vasto recinto de 250.000 metros quadrados levantam-se majestosos, dezenas e dezenas de magníficos pavilhões que vão alojar o que de mais precioso produz a inteligência riograndense.
            De fato, o evento vai mobilizar toda a cidade de Porto Alegre até janeiro de 1936, quando é finalizada a exposição. Durante todo o período, milhares de pessoas chegam diariamente a cidade e visitam a exposição que, com apenas 6 dias de abertura já contava com cerca de 134 mil visitantes, de acordo com a imprensa.


Vista do Eixo Monumental.
Foto: Olavo Dutra.
Acervo: Faculdade de Arquitetura da UFGRS.


            A Exposição conta com mais de 17 pavilhões, onde no mínimo 5 são do Rio Grande do Sul. Alguns estados da federação se fazem presente através de seus pavilhões próprios: Santa Catarina, Paraná, Pará/Amazonas, São Paulo, Distrito Federal (Rio de Janeiro), Minas Gerais e Pernambuco, mais delegações estrangeiras.
            Durante 15 a 30 de setembro de 1935 ocorrem os feriados forenses a pedido do Instituto da Ordem dos Advogados e as férias escolares, entre 20 e 30 de setembro. São acontecimentos fora do comum, só justificados pela magnificência alcançada pela exposição.
            Do total de expositores 2.467 eram do Rio Grande do Sul. Apenas de Porto Alegre foram 905 expositores entre lojas, firmas e industrias.  Aos demais estados coube um total de 655 expositores, perfazendo um número superior a 3 mil expositores em toda a exposição, divididos nos diversos pavilhões existentes.
            A idéia do certame surge, aparentemente, no final de 1933 por sugestão da FARSUL. Esta se dirige a Flores da Cunha colocando a idéia de unir o setor primário com a indústria a fim de demonstrar a capacidade do Rio Grande do Sul para todo o Brasil. Neste sentido, o IHGRS já em 1929 sugeria definir a sua atuação. Em sessão de 7.4.1929 no Museu Júlio de Castilhos, o presidente do Instituto Florêncio de Abreu explicou que o objetivo da sessão era definir o papel do Instituto na comemoração do Centenário Farroupilha. Não fica clara a idéia da exposição, mas se acerta o ponto de partida para a comemoração: publicações de acervos documentais sobre a revolução, a realização de um concurso monográfico e a possibilidade de amplas publicações sobre o assunto na revista do Instituto.

Pórtico Monumental.
Foto: Olavo Dutra.
Acervo: Faculdade de Arquitetura da UFRGS.
            Mas a realização de uma grande exposição não é uma idéia original. As grandes exposições tornaram-se famosas ainda no século XIX e possuem estreita relação com a veiculação das propostas das elites dominantes, inseridas na ordem capitalista e em projetos de modernização econômica. As exposições eram constituídas como grandes espetáculos, destinados a serem vividos intensamente, transformando-se em espaço de difusão dos objetos expostos.
            Por seu caráter festivo, muitas exposições foram organizadas em datas históricas significativas: é o caso da exposição de 1889 na França e da Exposição de Chicago em 1893 comemorando o quarto centenário do descobrimento da América. No Brasil as exposições ocorrem com maior freqüência a partir do início do século, da mesma forma que o país envia delegações ao exterior para a participação de exposições estrangeiras.
            O Comissariado Geral da Exposição do Centenário Farroupilha, responsável por toda a organização dos festejos, foi instalado oficialmente em 11 de junho de 1934. Era composto pelo Comissariado Geral propriamente dito, representado pelo Governador Flores da Cunha, pela FARSUL (na figura de Dário Brossard) e pelo Centro de Indústria Fabril; pelo Comissário Geral representado por Alberto Bins; e pelo Secretário Geral, representado por Mário de Oliveira.
            Embora oficialmente lançado em junho de 1934, os preparativos do evento antecedem a criação do Comissariado Geral. Ainda no início de 1934 surge na imprensa diversos artigos anunciando o Centenário Farroupilha e a idéia da programação da comemoração. Neste sentido, o valor da imprensa é incontestável para a divulgação do grande certame. Existe a insistência na divulgação do certame através de artigos e entrevistas quase que diárias não só sobre a exposição, mas sobre a epopéia dos farrapos.
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Governador Flores da Cunha
A comemoração do Centenário da Revolução Farroupilha, em 1935, foi uma sucessão de grandes eventos o ano todo, fazendo Porto Alegre viver a maior festa do século XX. O quase abandonado Campo (ou várzea) da Redenção foi transformado no monumental parque que abrigou a exposição farroupilha, com um lago artificial, um cassino, restaurante e a primeira churrascaria surgida no Rio Grande, dezenas de recantos atraentes e o impotente prédio da Escola Normal (hoje Instituto de Educação), que se tornou o Pavilhão Cultural de exposição. A transformação da Várzea no grandioso parque que passou a se chamar Farroupilha foi uma obra que demandou mais de dois anos. O Gal. Flores da Cunha entregou ao prefeito Alberto Bins, como Comissário Geral, a organização da exposição. O plano de ocupação da Várzea da Redenção, transformando-a no grande parque, foi do arquiteto francês Alfredo Agache, elaborado no início da década de 1930. O Instituto de Educação, o lago, alguns monumentos, a fonte luminosa polarizando o eixo principal do Parque, são os poucos elementos que ainda lembram a exposição que foi um marco na história urbana e social de Porto Alegre.
Inaugurado a 20 de setembro de 1935, com a presença do presidente Getúlio Vargas, governadores de vários Estados e representações diplomáticas de países vizinhos e da Europa, a Exposição Farroupilha recebeu um milhão de visitantes até seu encerramento em 15 de janeiro de 1936. O embarcadouro para passeio no lago, o cassino, que virou grande atração, o auditório para passeios no lago, o cassino, que virou grande atração, o auditório para apresentações da Banda Municipal e de outros conjuntos, eram algumas das atrações do parque, com o prédio do futuro Instituto de Educação funcionando como Pavilhão Cultural. Resumindo; foi realmente o maior evento do século em Porto Alegre.9 A construção do imponente prédio do futuro Instituto de Educação foi ordenado pelo interventor Flores da Cunha, em 1934, para substituir a acanhada Escola Normal da rua Duque de Caxias. Inaugurado o prédio como Pavilhão Cultural da Exposição Farroupilha, a escola,por decisão unânime dos professores, passou a ser a Escola Normal Flores da Cunha. Com o Estado Novo, em 1937, Por ordem de Getúlio Vargas, o nome foi mudado para Instituto de Educação, cortado o do seu idealizador. Mais vinte anos depois, com morte do general, 1959, o governador Leonel Brizola assinou decreto dando ao Instituto de Educação o nome do seu construtor e patrono.
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Comemorativos
Edições e condecorações comemorativas para a Festa do Centenário da Revolução Farroupilha em 1935.
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Álbum de figurinhas comemorativas - 1935
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Medalha
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Frente
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Verso Medalha Comemorativa
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Selo Comemorativo
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Extração da Loteria do Estado em comemoração do 1º Centenário Farroupilha
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Curiosidades
A Exposição foi o berço das nossas atuais Churrascarias. A primeira churrascaria crioula de Porto Alegre funcionou no parque em 1935, na Exposição em homenagem ao Centenário da Revolução Farroupilha, idéia do prefeito Alberto Bins.
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O Monumento do Gal. Bento Gonçalves foi idealizado para o Centenário da Revolução Farroupilha e colocado no em frente ao Pórtico Monumental, na entrada da Exposição.
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Atelier de Antonio Caringi na Alemanha
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O Monumento na Exposição
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No triângulo atual na av. Bento Gonçalves com av. João Pessoa
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Campeonato Farroupilha - 1935
A Taça
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A Bola do último jogo do Campeonato Citadino
Campeonato Farroupilha - 1935
Grêmio 2 x 0 Internacional
Gols: Foguinho e Lacy
Grêmio Campeão

NORBERTO JUNG, COM SEU ACOMPANHANTE, ANTES DA PROVA. EM SEGUIDA, TEMOS A FOTO DO CHEVROLET 1935 (ORIGINAL), QUE PARTICIPOU DESTA PROVA, MAS NÃO CONCLUIU. ESTE CARRO, PERTENCE À FAMÍLIA ANDREATTA, LEIA-SE, SCUDERIA GALGOS BRANCOS.

Amantes do automobilismo, a prova, que foi "o marco zero" do automobilismo gaúcho. Catharino e Julio Andreatta, estavam com 24 e 18 anos, respectivamente, estavam "à um passo" de entrar, no meio das corridas de carro. Foi neste ano, meses antes desta prova, que a Scuderia Galgos Brancos, fora fundada, pelos pilotos: Norberto Jung, Oscar Bins, Olyntho Pereira e João Caetano Pinto. A Scuderia era "fechada", os pilotos e fundadores não permitiam a entrada de outros pilotos na equipe. A situação financeira dos pilotos da Scuderia era tranquila, visto que era muito caro possuir um carro nesta época. Todos veículos eram importados.

O Touring Club do Rio Grande do Sul, foi fundado em 21/03 deste mesmo ano e este passaria, então, à gerir todas as provas e campeonatos de carros de competição no estado.

Porto Alegre, 15 de novembro de 1935. Centenário do início da Revolução Farroupilha e feriado de Proclamação da República do Brasil. A cidade estava em festa. A Prefeitura de Porto Alegre, em parceria com o Touring Club do RS e o Jornal Correio do Povo, organizaram, esta que foi, a primeira prova de carros oficial do Rio Grande do Sul. Era um grande presente à comunidade portoalegrense. O esporte, era amador, sem incentivos e era praticado por pura paixão! Corridas de carros, já aconteciam no estado, desde 1926, mas sem nenhuma organização. As provas eram realizadas em estradas e circuitos de rua e atraiam grandes multidões. O esporte começava à ganhar força e não demoraria, muito tempo, para que federações e autódromos fossem construídos e seu destino fosse traçado.

Os grandes favoritos à vitória eram, os três pilotos da Scuderia Galgos Brancos, Norberto Jung, Oscar Bins e Olyntho Pereira, o piloto uruguaio, Ramon Sierra, e os pilotos locais, Joaquim Fonseca, Olavo Guedes, Ludovico Karpilovsk, Raul Lazarini, entre outros. Os carros eram "charutinhos", Ford, com motores V-8 de 60 HP e Chevrolet, com motores 6 cilindros Continental. Os carros das duas montadoras possuiam 2 lugares e não tinham cinto de segurança. Cada veículo era composto de piloto e ajudante/mecânico. Local escolhido para a disputa, foi Bairro Cristal de Porto Alegre, ainda pouco habitado, nesta época.

O Circuito tinha 15Km de extensão (1 volta). O número de voltas da prova, ficaremos devendo aos leitores.

Detalhes do circuito, conforme o Correio do Povo de 13/9/1935: "O Kilômetro zero, ponto de partida da grande competição e que actualmente objecto de acurados estudos por parte de uma commissão especialmente nomeada pelo Touring Club do Brasil, para determinar o local de sua fixação, será estabelecido no Largo do Crystal. Os quatro primeiros kilômetros serão percorridos, todos, em admirável faixa de cimento, que vae até a Pedra Redonda. Dahi e deante, são quatro kilômetros de macadame aspháltico, a Estrada do Ipanema, até o Passo da Cavalhada. Este, em todo o seu comprimento, é de terra batida, com Rodoil, numa extensão de cinco kilômetros. Os dois finaes, o chamado Beco do Crystal, encontra-se actualmente em deficiente estado de conservação. Entretanto a Prefeitura Municipal iniciou efficintes consertos."

Vamos à prova. Os competidores alinharam de 2 em 2, para a lagada. O público lotava as calçadas e barrancos de todas partes do circuito. Dada a partida, os pilotos imprimiram grande velocidade em seus carros. Norberto Jung, com seu Ford V-8, distanciou-se de seus adversários. Seu carro, fora preparado com "capricho" para prova. Ramon Sierra, capotou seu Ford, em saída de curva, mal feita. Após, três horas de prova, Norberto Jung cruza a linha de chegada e sagra-se vitorioso da 1ª Prova Oficial do Rio Grande do Sul. Os fãs, o levaram nas costas, ao local onde receberia a premiação. Foi a consagração do piloto, que anos depois, seria considerado, um dos melhores pilotos de nosso estado.

Classificação final:

1º) Norberto Jung (Scuderia Galgos Brancos), Ford V-8, 3h 03min 58s, 101km/h (média)
2º) Olyntho Pereira (Scuderia Galgos Brancos), Ford V-8, 3h 08min 50s, 98km/h
3º) Oscar L. Bins (Scuderia Galgos Brancos), Ford V-8, 3h 11min 27s, 97km/h
4º) Joaquim Fonseca, Ford Modelo A, 3h 30min 50s, 92km/h

Junto à multidão, um garoto de 24 anos, chamado Catharino Andreatta, enchia-se de entusiasmo, para unir-se, dois anos mais tarde, aos consagrados Galgos.

Luiz Fernando Andreatta e Julio Andreatta Neto


Fonte: http://www.portoimagem.com/historia.html

Davit Eskinazi Resumo da Dissertação de 05/12/2003 Orientador: Prof. Dr. Fernando Freitas Fuão. www.ufrgs.br/propar/dissertacões


Para manter sua hegemonia o PRR - Partido Republicano Riograndense julga importante empresariar exposição grandiosas para mostrar e incentivar, com prêmios pecuniários e honrarias, a produção insdutrial e agropecuária no Estado e Município. Para tais ocasiões, visando a manter o culto ao passado histórico e seus heróis, utilizando a data de 20 de setembro, símbolo da Revolução Farroupilha.
Embora os gastos com o empreendimento de 1935 tenham sido fabulosos e se constituído após o Estado Novo, em motivo de crítica, hoje pode-se medir a importância da Exposição enquanto reforço dos grupos no poder, se considerar de um lado, os incentivos fiscais que o Estado concedeu a todos que construissem hotéis ou hospedarias para abrigar os visitantes que se imaginava milhares, e de outro, a presença de altas personalidades na inauguração da Exposição, como o presidente Getúlio Vargas.
Encerrado em 15 de janeiro de 1936, o grande evento representa até hoje importante fato histórico para Porto Alegre.Extremamente significativa para análise da ideologia e prática política das administrações do Estado do Rio Grande do Sul e Porto-Alegrense.
Rumo ao Bicentenário
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